J.K.Rowling
HARRY POTTER
e a Ordem da Fnix

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Traduo - LIAWYLER
Rocco
Rio de Janeiro - 2003
Ttulo original
HARRY POTTER AND THE ORDER OF THE PHOENIX
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ser reproduzida ou transmitida por meio eletrnico, mecnico, fotocpia,
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Primeira publicao na
Gr-Bretanha em 2003 pela Bloomsbury Publishing Pic,
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Printed in Brazil/Impresso no Brasil
preparao de originais MNICA MARTINS FIGUEIREDO
A Neil, Jessica e David,
que transformam o meu
mundo em magia
CIP-Brasil. Catalogao-na-fonte. Sindicato Nacional dos Editores de Livros, RJ.
R788h Rowling, J. K. (Joanne K.), 1967Harry Potter e a Ordem da Fnix /J. K. Rowling; traduo de Lia Wyler. - Rio de Janeiro Rocco, 2003
Traduo de Harry Potter and the Order of the Phoenix ISBN 85-325-1622-X
1. Literatura infnto-juvemil. I. Wyler, Lia. II. Ttulo.
03-1415
CDD - 028.5 CDU - 087.5
 - CAPTULO UM
Duddley dementado
O dia de vero mais quente do ano estava chegando ao fim e um silncio modorrento pairava sobre os casares quadrados da Privet Drive. Os carros, em geral reluzentes, estavam empoeirados nas entradas das garagens, e os gramados, que tinham sido verde-esmeralda, estavam ressequidos e amarelos - porque o uso de mangueiras fora proibido durante a estiagem. Privados das atividades de lavar carros e cortar gramados, os habitantes da Privet Drive haviam se recolhido  sombra de suas casas frescas, as janelas escancaradas na esperana de atrair uma brisa inexistente. A nica pessoa do lado de fora era um adolescente deitado de costas em um canteiro de flores  frente do nmero quatro.
Era um garoto magricela, de cabelos pretos, a aparncia macilenta e meio doentia de algum que cresceu muito em pouco tempo. Suas jeans estavam rotas e sujas, a camiseta larga e desbotada, e as solas dos tnis se soltavam da parte de cima. A aparncia de Harry Potter no o recomendava aos vizinhos, que eram do tipo que achava que devia haver uma punio legal para sujeira e desleixo, mas como ele se escondera atrs de uma repolhuda hortnsia, esta noite ele estava invisvel aos que passavam. De fato, a nica maneira de localiz-lo era se o tio Vernon ou a tia Petunia metessem a cabea pela janela da sala de estar e olhassem diretamente para o canteiro embaixo.
No todo, Harry achava que devia receber parabns pela idia de se esconder ali. No estava, talvez, muito confortvel, deitado na terra quente e dura, mas, por outro lado, ningum estava olhando para ele, rangendo os dentes to alto que o impedia de ouvir o noticirio, nem disparando perguntas incmodas, como acontecera todas as vezes em que tentou se sentar na sala de estar para ver televiso com os tios.
Quase como se tais pensamentos tivessem entrado pela janela aberta, repentinamente Vernon Dursley, o tio de Harry, falou
 - Fico contente de ver que o garoto parou de se meter aqui. Por falar nisso, onde ser que ele anda?
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 - No sei - respondeu tia Petunia, desinteressada. - Aqui em casa no est.
O tio grunhiu.
 - Assistir ao noticirio... - comentou com severidade. - Gostaria de saber o que  que ele est realmente aprontando. Como se um garoto normal se interessasse por noticirio; Duddley no tem a mnima idia do que est acontecendo; duvido que saiba quem  o primeiroministro! Em todo o caso, no h nada sobre gente da laia dele no nosso noticirio...
 - Vernon, psiu! - alertou tia Petunia. - A janela est aberta!
 - Ah... ... desculpe, querida.
Os Dursley se calaram. Harry ouviu o anncio de um cereal com frutas para o caf da manh enquanto observava a Sra. Figg, uma velhota gag que adorava gatos e morava ali no bairro, na alameda das Glicnias, que ia passando vagarosamente. Ela franzia a testa e resmungava baixinho. Harry ficou muito feliz de estar escondido atrs do arbusto, porque ultimamente a velhota dera para convid-lo para tomar ch todas as vezes que o encontrava na rua. Ela acabara de virar a esquina e desaparecer de vista quando a voz do tio Vernon tornou a soar pela janela aberta.
 - O Dudoca vai tomar ch fora?
 - na casa dos Polkiss - respondeu tia Petunia com carinho. - Ele tem tantos amiguinhos,  to popular...
Harry mal conseguiu abafar o riso. Os Dursley eram espantosamente burros quando se tratava do filho. Engoliam todas as mentiras capengas de Duddley de que estava tomando ch com algum da turma a cada noite das frias. Harry sabia perfeitamente bem que o primo no estivera tomando ch em parte alguma; ele e sua turma passavam as noites vandalizando o parque infantil, fumando nas esquinas e atirando pedras nos carros e crianas que passavam. Harry os vira durante seus passeios noturnos por Little Whinging; ele prprio passara a maioria das noites das frias perambulando pelas ruas, recolhendo jornais das lixeiras em seu trajeto.
Os primeiros acordes da msica que anunciava o telej ornai das sete horas chegaram aos ouvidos de Harry e seu estmago revirou. Talvez aquela noite - depois de um ms de espera - fosse a noite.
Um nmero recorde de turistas impedidos de prosseguir viagem lota os aeroportos nessa segunda semana de greve dos carregadores espanhis...
 - Se fosse eu, mandava essa gente dormir a sesta pelo resto da vida
 - rosnou tio Vernon mal o locutor terminara a frase, mas no fez diferena do lado de fora, no canteiro, o estmago do garoto pareceu se
descontrair. Se tivesse acontecido alguma coisa, com certeza seria a primeira notcia; morte e destruio eram mais importantes do que turistas retidos em aeroportos.
Ele deixou escapar um longo e lento suspiro e contemplou o cu muito azul. Todos os dias deste vero tinham sido a mesma coisa a tenso, a expectativa, o alvio temporrio, e mais uma vez a tenso crescente... e sempre, a cada 
dia com maior insistncia, a pergunta por que nada acontecera ainda?
O garoto continuou a ouvir, caso houvesse um pequeno indcio cujo significado os Muggles no tivessem percebido - um desaparecimento inexplicado, talvez, ou algum acidente estranho... mas,  greve dos carregadores de bagagem, seguiram-se notcias sobre a seca no Sudeste ( - Espero que o vizinho esteja escutando! - berrou tio Vernon.
 - Ele e sua mania de ligar os irrigadores do jardim s trs da manh!), depois a notcia de um helicptero que quase se acidentara em um campo no Surrey, o divrcio de uma famosa atriz de seu famoso marido ( - Como se estivssemos interessados em seus casos srdidos
 - fungou tia Petunia, que acompanhara o caso obsessivamente em todas as revistas em que conseguiu pr as mos ossudas).
Harry fechou os olhos para se proteger do cu noturno, agora cintilante, enquanto o locutor continuava
... e finalmente, Quito, operiquito australiano, encontrou um jeito novo de se refrescar neste vero. Quito, que mora em Five Feathers, em Barnsley, aprendeu a esquiar na gua! Mary Dorkins tem outras informaes.
Harry abriu os olhos. Se tinham chegado a periquitos que esquiam,  porque no havia mais nada que valesse a pena ouvir. Virou-se cuidadosamente de barriga e se ergueu sobre os joelhos e cotovelos, preparando-se para engatinhar para longe da janela.
Andara uns cinco centmetros quando vrias coisas aconteceram em rpida sucesso.
Um estalo alto e ressonante quebrou o silncio como um estampido; um gato saiu desabalado de baixo de um carro estacionado e desapareceu de vista; um grito, um palavro em voz alta e o rudo de loua se espatifando ecoou na sala de estar dos Dursley, e, como se fosse o sinal que estivera aguardando, Harry se ps de p com um salto ao mesmo tempo que puxou uma fina varinha do cs da jeans, como se desembainhasse uma espada - mas antes que pudesse erguer completamente o corpo, bateu com o cocuruto na janela aberta dos Dursley. O barulho resultante fez tia Petunia dar um berro ainda maior.
O garoto teve a sensao de que havia rachado a cabea ao meio. As lgrimas escorrendo dos olhos, ele cambaleou, tentando focalizar
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a rua para descobrir a origem do barulho, mas mal conseguira se endireitar quando duas enormes mos prpuras saram pela janela aberta e o agarraram pelo pescoo.
 - Guarde... isso! - rosnou tio Vernon no ouvido dele. - Agora...! Antes... que... algum... veja!
 - Tire... as... mos... de... cima... de mim! - ofegou Harry. Durante alguns segundos os dois pelejaram. O garoto puxando os dedos do tio, grossos como salsichas, com a mo esquerda, enquanto mantinha a varinha erguida com a direita; ento, quando a dor na cabea de Harry deu mais um latejo particularmente forte, tio Vernon soltou um grito e largou o sobrinho como se tivesse recebido um choque eltrico. Uma fora invisvel parecia ter emanado do garoto, tornando impossvel segur-lo.
Ofegante, Harry cambaleou por cima do p de hortnsia, ergueu-se e olhou a toda volta. No havia sinal do causador do forte estampido, mas havia muitos rostos espiando de vrias janelas vizinhas. O garoto enfiou depressa a varinha no cs da jeans e tentou fazer uma cara inocente.
 - Bela noite! - exclamou tio Vernon, acenando para a senhora do nmero sete, defronte, que o observava atentamente por trs das cortinas. - A senhora ouviu o estouro do escape de um carro agora h pouco? Petunia e eu levamos um grande susto.
Ele continuou a sorrir daquele seu jeito horrvel e manaco at todos os vizinhos curiosos terem desaparecido das vrias janelas, ento o sorriso virou um esgar de fria e ele mandou Harry se aproximar outra vez.
O garoto deu uns passos  frente, tomando o cuidado de parar a uma distncia em que as mos estendidas do tio no pudessem recomear a esgan-lo.
 - Que diabos voc est pretendendo com isso, moleque? - perguntou tio Vernon com a voz rouca tremendo de fria.
 - Pretendendo com isso o qu? - perguntou Harry com frieza. No parava de olhar para a esquerda e a direita da rua, na esperana de ver quem produzira o estampido.
 - Fazer um barulho desses como se fosse um tiro de partida do lado de fora da nossa...
 - No fui eu que fiz o barulho - respondeu o garoto com firmeza. A cara magra e cavalar de tia Petunia apareceu agora ao lado da
cara larga e vermelha do tio Vernon. Estava lvida.
 - Por que voc estava escondido embaixo da nossa janela?
 -  ... , uma boa pergunta, Petunia. Que  que voc estava fazendo 'Embaixo da nossa janela, moleque?
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 - Ouvindo o noticirio - respondeu Harry, conformado.
O tio e a tia trocaram olhares indignados. ...
 - Ouvindo o noticirio! De novo?
 - bom,  que ele muda todos o dias, entende? - respondeu o garoto.
 - No se faa de engraadinho comigo, moleque! Quero saber que  que voc anda realmente tramando - e no me responda outra vez com essa histria de que estava ouvindo o noticirio] Voc sabe muito bem que gente da sua laia...
 - Cuidado, Vernon! - cochichou tia Petunia, 
e o marido baixou tanto a voz que Harry mal conseguiu ouvi-lo - ... que gente da sua laia no sai no nosso noticirio!
 - E s isso que o senhor sabe - respondeu Harry.
Os Dursley o encararam por alguns segundos, ento a tia falou
 - Voc  um mentirozinho srdido. Que  que aquelas... - e a ela tambm baixou a voz, e Harry precisou fazer leitura labial para entender a palavra seguinte - ... corujas andam fazendo que no lhe trazem notcias?
 - Ah-ah! - exclamou tio Vernon com um sussurro triunfante. Agora sai dessa, moleque! Como se no soubssemos que voc recebe todas as suas notcias por aqueles bichos pestilentos!
Harry hesitou um instante. Custou-lhe algum esforo dizer a verdade desta vez, embora os tios no pudessem saber como se sentia mal em faz-lo.
 - As corujas... no esto me trazendo notcias - respondeu com a voz inexpressiva.
 - No acredito - falou tia Petunia na mesma hora. - Nem eu - disse o marido, enftico. - Sabemos que voc est tramando alguma coisa estranha - retorquiu tia Petunia.
 - No somos burros, sabe - disse o tio.
 - bom, isso  novidade para mim - retrucou Harry, que comeava a se enraivecer, e antes que os Dursley pudessem cham-lo de volta, o garoto lhes deu as costas, atravessou a frente da casa, pulou por cima da mureta do jardim e comeou a subir a rua.
Agora ele estava em apuros e sabia disso. Teria de enfrentar os tios mais tarde e pagar o preo da grosseria, mas isso no o preocupava muito no momento; tinha assuntos mais urgentes na cabea.
Harry tinha certeza de que o estampido fora produzido por algum materializando ou desmaterializando. Era exatamente o som que Dobby, o elfo domstico, fazia quando desaparecia no ar. Ser que Dobby andava por ali, na Privet Drive? Ser que o elfo o estava seguin-
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do naquele instante? Quando lhe ocorreu este pensamento, ele se virou para examinar a rua, mas ela parecia completamente deserta e o garoto tinha certeza de que Dobby no era capaz de ficar invisvel.
Harry continuou a andar, sem prestar muita ateno ao caminho que estava seguindo, porque nos ltimos tempos batia essas ruas com tanta freqncia que seus ps o levavam automaticamente aos lugares preferidos. A cada meia dzia de passos, olhava por cima do ombro. Algum ser mgico estivera por perto quando ele estava deitado entre as begnias moribundas de tia Petunia, tinha certeza. Por que no falara com ele, por que no fizera contato, por que estava se escondendo agora?
Ento, quando sua frustrao atingiu o auge, sua certeza foi se esvaindo.
Talvez no tivesse sido um rudo mgico, afinal. Talvez estivesse to desesperado para detectar o menor sinal de contato do mundo a que pertencia que simplesmente reagia exageradamente a sons muito comuns. Ser que podia ter certeza de que no fora o som de alguma coisa quebrando na casa do vizinho?
Harry teve a sensao surda de que seu estmago despencava e, antes que percebesse, a desesperana que o atormentara o vero inteiro tornou a se apoderar dele.
Amanh o despertador o acordaria s cinco da madrugada para ele poder pagar  coruja que entregava o Profeta Dirio - mas fazia sentido continuar a receb-lo? Ultimamente Harry apenas corria os olhos pela primeira pgina e logo atirava o jornal para o lado; quando os idiotas que editavam o Profeta finalmente percebessem que Voldemort voltara dariam a notcia em grandes manchetes, e era s isso que interessava a Harry.
Se tivesse sorte, chegariam tambm corujas com cartas dos seus melhores amigos, Ron e Hermione, embora toda a esperana que alimentara de que essas cartas lhe trouxessem notcias h muito havia sido riscada do mapa.
No podemos dizer muita coisa sobre Voc-Sabe-Quem,  bvio... Nos recomendaram para no dizer nada importante para o caso de nossas cartas se extraviarem... Estamos muito ocupados, mas no posso lhe dar detalhes... Tem muita coisa acontecendo, contaremos quando a gente se vir...
Mas quando  que iam se ver? Ningum parecia muito preocupado em marcar datas. Hermione escrevera um Logo iremos nos ver no carto que lhe mandara de aniversrio, mas quando era esse logo? Pelo que deduzia das vagas insinuaes nas cartas dos amigos, Hermione e Ron estavam no mesmo lugar, presumivelmente na casa dos pais de Ron. Mal conseguia suportar a idia dos dois se divertindo na
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Toca enquanto ele ficava encalhado na Privet Drive. De 		fato, ficara to zangado com os amigos que jogara fora, sem abrir, as duas caixas de bombons da Doces dos Duquesque haviam lhe mandado de presente de aniversrio. Arrependera-se depois ao ver a salada murcha que tia Petunia preparara 
para o jantar daquela noite.
E com o que Ron e Hermione estavam ocupados? Por que ele, Harry, no estava ocupado? No se mostrara capaz de dar conta de muito mais do que os amigos? Ser que tinham se esquecido do que fizera? No fora ele que entrara no cemitrio e vira matarem Cedric, e depois fora amarrado a uma lpide de sepultura e quase morrera tambm?
No pense nisso, Harry disse a si mesmo com severidade, pela milsima vez naquele vero. J era bem ruim no parar de revisitar o cemitrio em pesadelos, sem ficar remoendo a cena nos momentos de viglia tambm.
Ele virou a esquina e entrou no largo das Magnolias; no meio do caminho, passou a travessa estreita que margeava a garagem onde vira o padrinho pela primeira vez. Sirius, pelo menos, parecia compreender o que ele estava sentindo. Admitamos que as cartas do padrinho eram to vazias de notcias interessantes quanto as de Ron e Hermione, mas ao menos continham palavras de alerta e consolo em lugar de insinuaes torturantes sei como deve ser frustrante para voc... No se meta em confuses e tudo dar certo... Tenha cuidado e no faa nada sem pensar...
bom, pensou Harry, ao atravessar o largo das Magnolias para tomar a rua de mesmo nome em direo ao parque, onde j estava escurecendo, de um modo geral atendera  recomendao do padrinho. Pelo menos resistira  tentao de amarrar a mala na vassoura e partir sozinho para a Toca. Achava que se comportara muito bem considerando sua grande raiva e frustrao por estar h tanto tempo encalhado na Privet Drive, reduzido a se esconder em canteiros na esperana de ouvir alguma coisa que pudesse indicar o que Lord Voldemort andava fazendo. Contudo, era bem exasperante ser aconselhado a no se precipitar por algum que cumprira doze anos na priso dos bruxos, Azkaban, fugira, tentara cometer o homicdio pelo qual fora condenado injustamente e sumira no mundo montado em um hipogrifo roubado.
Harry saltou por cima do porto fechado do parque e saiu andando pelo gramado ressequido. O lugar estava to vazio quanto as ruas vizinhas. Quando chegou aos balanos, largou-se em um que Duddley e os amigos ainda no tinham conseguido quebrar, passou o brao pela corrente e ficou olhando, desanimado, para o cho. No poderia vol-
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tar a se esconder no canteiro dos Dursley. Amanh, teria de inventar um novo jeito de ouvir o noticirio. Entrementes, no havia nada por que esperar, exceto mais uma noite inquieta e perturbada, porque, mesmo quando escapava dos pesadelos sobre Cedric, tinha sonhos intranqilos sobre longos corredores escuros, todos sem sada ou terminando em portas trancadas, que ele supunha estarem ligados  mesma sensao de estar preso em uma armadilha que experimentava quando acordado. com freqncia, a velha cicatriz em sua testa formigava desconfortavelmente, mas ele no se enganava que Ron ou Hermione ou Sirius ainda achassem isso muito interessante. No passado, a dor na cicatriz o avisava de que Voldemort estava recobrando foras, mas, agora que o bruxo voltara, os trs provavelmente lembrariam a ele que essa irritao rotineira era esperada... no havia com o que se preocupar... no era novidade...
A injustia disso tudo crescia tanto em seu peito que lhe dava vontade de gritar de fria. Se no fosse por ele, ningum saberia que Voldemort voltara! E sua recompensa era ficar encalhado em Little Whinging quatro semanas inteiras, completamente isolado do mundo da magia, reduzido a se acocorar entre begnias secas para poder ouvir notcias de periquitos australianos que sabiam esquiar! Como Dumbledore podia t-lo esquecido com tanta facilidade? Por que Ron e Hermione tinham se reunido sem convid-lo? Por quanto tempo mais esperavam que ele aturasse Sirius a lhe dizer para ficar quieto e se comportar; ou resistisse  tentao de escrever para aquela droga do Profeta Dirio informando que Voldemort voltara? Esses pensamentos indignados giravam em sua cabea, e suas entranhas se contorciam de raiva, enquanto a noite abafada e veludosa caa  sua volta, o ar se impregnava com o cheiro quente de grama seca, e o nico som que se ouvia era o ronco abafado do trfego na rua alm das grades do parque.
Ele no sabia quanto tempo ficara sentado no balano quando o som de vozes interrompeu seus devaneios e o fez erguer os olhos. Os lampies das ruas nos arredores projetavam uma claridade nevoenta suficientemente forte para delinear um grupo de pessoas que vinham atravessando o parque. Uma delas cantava alto uma msica grosseira. Os outros riam. Ouvia-se o teque-teque suave das bicicletas caras que eles empurravam.
Harry sabia quem eram. O vulto  frente de todos era, sem dvida, o seu primo Duddley Dursley refazendo o lento caminho para casa, acompanhado por sua gangue fiel.
Duddley estava mais corpulento que nunca, mas um ano de dieta rigorosa e a descoberta de um novo talento haviam produzido uma
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grande mudana em seu fsico. Como o tio Vernon comentava com quem quisesse ouvir, Duddley recentemente se tornara campeo de peso-pesado 
jnior no Torneio de Boxe Interescolar da Regio Sudeste. O "nobre esporte", como o tio costumava dizer, deixara Duddley ainda mais formidvel do que parecera a Harry nos tempos do ensino fundamental, quando servira de saco de pancadas para o primo. O garoto j no sentia o menor medo de Duddley, mas continuava a achar que o fato de ele ter aprendido a socar com mais fora e preciso no era motivo para comemoraes. A crianada do bairro tinha pavor dele - um pavor ainda maior do que sentia por "aquele garoto Potter", sobre o qual haviam sido avisados de que era um delinqente da pior espcie e freqentava o Centro St. Brutus para Meninos Irrecuperveis.
Harry observou os vultos escuros que atravessavam o gramado e ficou imaginando quem teriam andado surrando aquela noite. Olhe para o lado, foi o pensamento que lhe passou pela cabea enquanto os observava. Vamos... olhe para o lado... estou sentado aqui sozinho... venha experimentar...
Se os amigos de Duddley o vissem sentado ali, com certeza traariam uma reta at ele, e o que faria o primo ento? No iria querer fazer papel feio na frente da gangue, mas sentiria muito medo de desafiar Harry... seria realmente divertido observar o dilema de Duddley, provoc-lo, observar o primo impotente para reagir... e se um dos outros tentasse acert-lo, estaria preparado - tinha sua varinha. Que experimentassem... adoraria extravasar um pouco de sua frustrao em garotos que no passado tinham infernizado sua vida.
Mas eles no se viraram, no o viram, j estavam quase nas grades. Harry dominou o impulso de cham-los... procurar briga no era muito inteligente... no devia usar magia... estaria se arriscando outra vez a ser expulso.
As vozes dos companheiros de Duddley foram morrendo, eles tinham desaparecido de vista, em direo  rua das Magnolias.
Pronto, Sirius, pensou Harry, desanimado. Nada de precipitaes. No me meti em encrencas. Exatamente o contrrio do que voc fez.
Ele se levantou e se espreguiou. Tia Petunia e tio Vernon pareciam pensar que a hora que Duddley chegasse era a hora certa para se voltar para casa, e qualquer minuto depois disso era tarde demais. O tio ameaara trancar Harry no barraco de ferramentas se ele tornasse a chegar depois de Duddley, por isso, reprimindo um bocejo, e ainda mal-humorado, o garoto saiu em direo ao porto do parque.
A rua das Magnolias, como a dos Alfeneiros, era cheia de grandes casas quadradas com gramados perfeitamente cuidados, todas de pr-
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priedade de homens grandes e quadrados que guiavam carros muito limpos, iguais aos do tio Vernon. Harry preferia o bairro de Little Whinging  noite, quando as janelas protegidas por cortinas formavam retalhos de cores vivas no escuro, e ele no corria o risco de ouvir comentrios censurando sua aparncia "delinqente" quando passava pelos donos das casas. Caminhou depressa, por isso, na metade da rua das Magnolias tornou a avistar a turma de Duddley; estavam se despedindo na entrada do largo das Magnolias. Harry se abrigou sob a copa de um lilaseiro e esperou.
 - ... guinchou feito um porco, no foi? - ia dizendo Malcolm, arrancando risos dos colegas.
 - Um bom gancho de direita, Dudo - elogiou Pedro. ;
 - Mesma hora amanh? - perguntou Duddley. ..
 - L em casa, meus pais vo sair - respondeu Gordon. ' 
 - Ento, at l - concordou Duddley. 

 - Tchau, Duddley.
 - A gente se v, Dudo!
Harry esperou o resto dos garotos continuar, antes de recomear a andar. Quando as vozes desapareceram na distncia, ele entrou de novo no largo das Magnolias e, apressando o passo, no tardou a chegar a uma distncia em que o primo, que caminhava descansadamente, desafinando uma cano, pudesse ouvi-lo.
 - Ei, Dudo! - Duddley se virou.
 - Ah - resmungou. -  voc.
 - Ento, h quanto tempo voc  o Dudo? - perguntou Harry.
 - No chateia - rosnou o primo dando-lhe as costas.
 - Nome legal - comentou Harry, rindo e acompanhando o passo do primo. - Mas para mim voc sempre ser o Dudiquinho.
-J falei, NO CHATEIA! - repetiu Duddley, cujas mos, que mais pareciam presuntos, tinham se fechado.
 - Os garotos no sabem que  assim que a mame te chama?
 - Cala essa boca.
 - Voc no diz a ela para calar a boca. Ento posso usar "Fofinho" e "Duduzinho"?
Duddley no respondeu. O esforo para no bater no primo pareceu exigir todo o seu autodomnio.
 - Ento quem  que vocs andaram espancando esta noite? indagou Harry, parando de sorrir. - Outro garoto de dez anos? Sei que acertaram o Mark Evans anteontem...
 - Ele estava pedindo - rosnou Duddley...
 - Ah, ? 17
 - Ele me desacatou.
 - Ah, foi? Disse que voc parecia um porco que aprendeu a andar nas patas traseiras? Porque isso no  desacatar, Duddley, isso  verdade.
Um msculo comeou a tremer no queixo de Duddley. Harry sentiu uma enorme satisfao de ver que estava enfurecendo o primo; teve a sensao de que bombeava a prpria frustrao para dentro do primo, a nica vlvula de escape que tinha.
Os dois viraram na travessa estreita onde Harry vira Sirius pela primeira vez, um atalho entre o largo das Magnolias e a alameda das Glicnias. Estava deserta e muito mais escura do que as duas ruas que ligava, porque no tinha lampies. Os passos dos primos ficaram abafados entre as paredes de uma garagem, a um lado, e uma 
cerca alta, do outro.
 - Voc se acha um grande homem carregando essa coisa, no ?
 - disse Duddley depois de alguns segundos.
 - Que coisa?
 - Essa... essa coisa que voc leva escondida. Harry tornou a rir.
 - No  que voc no  to burro quanto parece, Duddley? Mas acho que se fosse no seria capaz de andar e falar ao mesmo tempo.
Harry puxou a varinha. Viu que o primo a olhava de esguelha.
 - Voc no tem permisso - disse Duddley na mesma hora. - Sei que no tem. Seria expulso daquela escola fajuta que voc freqenta.
 - Como  que voc sabe que as regras no mudaram, Dudo?
 - No mudaram - disse o primo, embora no parecesse totalmente seguro.
Harry riu baixinho.
 - Voc no tem peito para me enfrentar sem essa coisa, no ? rosnou Duddley.
 - E voc precisa de quatro amigos s suas costas para atacar um garoto de dez anos. Sabe aquele ttulo de boxe que voc vive exibindo? Que idade tinha o seu adversrio? Sete? Oito?
 - Para sua informao, ele tinha dezesseis anos e ficou desacordado vinte minutos depois que acabei com ele, e era duas vezes mais pesado do que voc. Espera s eu contar ao papai que voc puxou essa coisa...
 - Vai correr para o papai agora, ? Ser que o Dudinha campeo do papai ficou com medo da varinha do Harry malvado?
 - Voc no  to valente  noite, no ? - caoou Duddley.
 - Estamos de noite, Dudiquinho.  como a gente chama quando fica escuro assim.
 - Estou falando quando voc est deitado - vociferou Duddley.
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Parara de andar. Harry parou tambm, encarando o primo. Do pouco que conseguia ver do rosto largo de Duddley, ele parecia estranhamente triunfante.
 - Como assim, no sou valente quando estou deitado? - perguntou Harry inteiramente pasmo. - Do que  que voc acha que tenho medo, dos travesseiros ou de outra coisa assim?
 - Eu ouvi voc  noite passada - disse Duddley sem flego. Falando durante o sono. Gemendo.
 - Como assim? - repetiu Harry, mas com uma sensao de frio e afundamento no estmago. Tornara a visitar o cemitrio em sonhos, na noite anterior.
Duddley soltou uma gargalhada rouca, depois fez uma voz de falsete e lamria.
 - No matem Cedric! No matem Cedric! Quem  Cedric... seu namorado?
 - Eu... voc est mentindo - contestou Harry maquinalmente. Mas sua boca secara. Sabia que o primo no estava mentindo - de que outra forma poderia saber o nome de Cedric?
 - Papai! Me ajude, papai! Ele vai me matar, papai! Buuuu!
 - Cala a boca - disse Harry em voz baixa. - Cala a boca, Duddley, estou te avisando!
 - Vem me ajudar, papai! Mame, vem me ajudar! Ele matou Cedric! Papai, me ajude! Ele vai... No aponta essa coisa pra mim!
Duddley recuou contra a parede da travessa. Harry estava apontando a varinha diretamente para o seu corao. Ele sentia catorze anos de dio ao primo palpitarem em suas veias - o que no daria para ataclo agora, enfeiti-lo de tal jeito que Duddley precisaria rastejar at em casa como um inseto, mudo, antenas brotando de sua cabea...
 - Nunca mais volte a falar nisso - rosnou Harry. - Est me entendendo?
 - Aponte essa coisa para outro lado! ... - Eu perguntei, voc me entendeu? ... Aponte isso para outro lado! ...
 - VOC ME ENTENDEU?
 - AFASTE ESSA COISA DE...
Duddley soltou uma exclamao estranha e tremida, como se o tivessem mergulhado em gua gelada.
Alguma coisa acontecera  noite. O azul anil e estrelado do cu noturno de repente ficou negro e sem luz - as estrelas, a lua, os lampies enevoados em cada extremo da travessa haviam desaparecido. O ronco distante dos carros e o murmrio das rvores haviam desapare19
cido. A tepidez da noite de repente se transformou em um frio cortante. Os garotos se viram envolvidos por uma escurido silenciosa, impenetrvel e total, como se a mo de um gigante tivesse atirado um manto gelado e espesso sobre a travessa, cegando-os.
Por uma frao de segundo Harry pensou que tivesse feito alguma mgica involuntria, apesar de estar resistindo o mximo que podia. - em seguida o seu raciocnio emparelhou com os seus sentidos
 - ele no tinha poder para apagar as estrelas. Virou, ento, a cabea para c e para l, tentando ver alguma coisa, mas as trevas cobriam seus olhos como um vu sem peso.
A voz aterrorizada de Duddley espocou nos ouvidos de Harry.
 - Q-que 
 que voc est f-fazendo? P-pra com isso!
 - No estou fazendo nada! Cala a boca e fica parado!
 - No estou v-vendo nada! F-fiquei cego! Eu...
 - Eu falei para voc calar a boca!
Harry parou, imvel, virando os olhos enceguecidos para a direita e a esquerda. O frio era to intenso que ele tremia da cabea aos ps; arrepios brotaram em seus braos e os plos de sua nuca ficaram em p. - ele abriu os olhos o mais que pde, arregalando-os para todos os lados, sem ver.
Era impossvel... eles no podiam estar ali... no em Little Whinging... Harry apurou os ouvidos... pde ouvi-los antes de v-los.
 - vou contar ao papai! - choramingou Duddley. - C-cad voc? Qque  que voc est f-fa...?
 - Quer calar a boca? - sibilou Harry. - Estou tentando esc... Mas emudeceu. Acabara de ouvir exatamente o que estivera
receando.
Havia alguma coisa na travessa alm deles, alguma coisa que respirava em arquejos roucos e secos. Harry sentiu um pavor terrvel e instantneo parado ali na noite glida.
 - P-pra com isso. Pra de fazer isso! vou socar voc, juro que vou!
 - Duddley, cala... PAM.
Um punho fez contato com o lado da cabea de Harry, erguendo-o do cho. Luzinhas brancas cintilaram diante dos seus olhos. Pela segunda vez em uma hora, ele sentiu a cabea rachar ao meio; no momento seguinte, estatelou-se no cho e a varinha voou de sua mo.
 - Seu lesado! - berrou Harry, os olhos marejando de dor, ao mesmo tempo que tentava levantar apoiado nas mos e nos joelhos, apalpando freneticamente a escurido. Ele ouviu Duddley tentar se afastar, bater na cerca da travessa, tropear.
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 - Duddley, VOLTA AQUI! VOC EST CORRENDO DIRETO PARA A COISA!
Ouviu-se um guincho horrvel e os passos de Duddley pararam. No mesmo instante Harry sentiu um frio paralisante s costas que s podia significar uma coisa. E havia mais de uma.
 - DUDDLEY, FIQUE DE BOCA FECHADA! FAA O QUE QUISER, MAS FIQUE DE BOCA FECHADA! Varinha! - murmurou Harry, nervoso, suas mos saltando pelo cho como aranhas. - Onde est... varinha... depressa... Lumus !
Ordenou o feitio automaticamente, desesperado por uma luz que o ajudasse em sua procura - e, para seu alvio e descrena, a luz acendeu a centmetros de sua mo direita - a ponta da varinha acendeu. Harry agarrou-a, ficou em p e se virou.
Seu estmago deu voltas.
Um vulto altaneiro, encapuzado, deslizava em sua direo, flutuando sobre o solo, sem ps nem rosto visveis sob as vestes, sugando a noite  medida que se aproximava.
Cambaleando para trs, o garoto ergueu a varinha.
 - Expecto patronum!
Um fiapo de fumaa prateada disparou da ponta da varinha e o dementador retardou o passo, mas o feitio no funcionara direito; tropeando nos prprios ps, Harry recuou mais,  medida que o dementador avanava para ele e o pnico anuviava seu crebro - .
Um par de mos cinza, sarnentas e viscosas se estendeu para ele. Um rudo crescente invadiu seus ouvidos.
 - Expecto patronum!
Sua voz soou abafada e distante. Outro fiapo de fumaa prateada mais tnue que o anterior saiu da varinha - no conseguiu mais do que isso, no conseguiu realizar o feitio.
Harry ouviu uma risada em sua mente, uma risada desagradvel e aguda... sentiu o cheiro podre do dementador, um frio letal encheu seus pulmes, afogando-o. - pense... alguma coisa alegre...
Mas no havia felicidade nele... os dedos enregelados do dementador comearam a se aproximar de sua garganta - a risada aguda tornou-se cada vez mais alta e uma voz falou em sua mente
Curve-se para a morte, Harry... talvez ela seja indolor... eu no saberia dizer... Nunca morri...
Ele nunca reveria Ron e Hermione...
E os rostos dos amigos surgiram comtidez em sua mente enquanto ele lutava para respirar.
 - EXPECTO PATRONUM!
Um enorme veado de prata irrompe da ponta de sua varinha; a
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galhada do animal atingiu o dementador na parte do corpo em que deveria estar o corao; o dementador foi atirado para trs, impondervel como a escurido, e quando o veado avanou ele se precipitou para longe, como um morcego, derrotado.
 - POR AQUI! - gritou Harry para o veado. Dando meia-volta, ele saiu correndo pela travessa, segurando no alto a varinha acesa. DUDDLEY? DUDDLEY!
Harry deu apenas uns dez passos e j os alcanou Duddley estava enroscado no cho, os braos cruzados sobre o rosto. Um segundo dementador agachava-se para ele, agarrando seus pulsos com as mos escorregadias, forando-as a se separarem 
lentamente, quase carinhosamente, aproximando a cabea encapuzada do rosto de Duddley como se fosse beij-lo.
 - PEGA ELE! - berrou Harry, e, com um rudo de fora e velocidade, o veado prateado que ele conjurara passou a galope. A cara sem olhos do dementador estava a menos de trs centmetros de Duddley quando a galhada de prata o atingiu; ele foi atirado para o ar e, como seu companheiro, saiu voando e foi absorvido pela escurido; o veado se dirigiu a meio galope para um extremo da travessa e se dissolveu em uma nvoa argentina.
A luz, as estrelas e os lampies recobraram vida. Uma brisa morna varreu a travessa. As rvores farfalharam pelos jardins dos arredores e o rudo abafado dos carros no largo das Magnolias encheu mais uma
vez o ar.
Harry ficou muito quieto, todos os seus sentidos vibrando, procurando absorver o retorno  normalidade. Passado um instante, ele percebeu que sua camiseta estava grudada ao corpo; ele estava alagado de suor.
No conseguia acreditar no que acabara de acontecer. Dementadores ali, em Little Whinging.
Duddley continuava enroscado no cho, choramingando e tremendo. Harry se abaixou para ver se o primo estava em condies de se levantar, mas neste instante ouviu algum correndo a suas costas. Instintivamente, ele tornou a erguer a varinha e girou nos calcanhares para enfrentar o recm-chegado.
A Sra. Figg, a velhota gag, sua vizinha, apareceu ofegante. Seus cabelos grisalhos escapavam por baixo da rede que usava, do seu pulso pendia uma saca de compras de fio metlico e seus calcanhares sobravam para fora nas pantufas de tecido xadrez. Harry procurou esconder rapidamente a varinha, mas...
 - No guarde isso, menino idiota! - gritou ela, esganiada. - E se houver mais deles por aqui? Ah, eu vou matar o Nundungo Fletcher!
 - CAPTULO DOIS
Uma revoada de corujas
 - Qu? - exclamou Harry sem entender.
 - Ele saiu - respondeu a Sra. Figg, torcendo as mos. - Saiu para ver algum a propsito de uma remessa de caldeires que caiu da garupa de uma vassoura! Eu disse que o esfolaria vivo se ele fosse, e agora veja o que aconteceu! Dementadores! Foi uma sorte eu ter posto o Sr. Tibbies no caso! Mas no temos tempo para ficar parados! Corra agora, voc tem de voltar para casa! Ah, a confuso que isso vai provocar! Eu vou matar aquele homem!
A revelao de que sua vizinha gag com mania de gatos sabia o que eram dementadores foi quase um choque to grande para Harry quanto encontrar dois deles na travessa.
 - A senhora  bruxa?
 - No consegui ser, e Nundungus sabe muito bem disso, ento como  que eu ia poder ajudar a espantar os dementadores? Ele deixou voc completamente descoberto e eu o avisei...
 - Esse tal Nundungus andou me seguindo? Espere a - foi ele\ Desmaterializou na frente da minha casa!
 - Isso mesmo, mas por sorte eu tinha mandado o Sr. Tibbies ficar debaixo de um carro, s por precauo, e ele veio me avisar, mas quando cheguei voc j tinha sado de casa - e agora - ah, que  que o Dumbledore vai dizer? Voc! - gritou ela para Duddley, ainda inerte no cho da travessa. - Levanta essa bunda gorda do cho, anda logo!
 - A senhora conhece Dumbledore? - perguntou Harry olhando fixamente para a velhota.
 - Claro que conheo Dumbledore, quem no conhece Dumbledore? Mas, vamos logo. No vou poder ajudar voc se eles voltarem. Eu nunca consegui transfigurar nem um saquinho de ch.
Ela se abaixou, agarrou o brao macio de Duddley com as mos enrugadas e puxou. 
 - Levanta, seu monte de carne intil, levanta! - Mas Duddley ou no podia ou no queria se mexer. Continuou no cho, trmulo, de cara plida, a boca hermeticamente fechada. 
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 - Eu fao isso. - Harry agarrou Duddley pelo brao e puxou. com enorme esforo, conseguiu p-lo de p. Duddley parecia prestes a desmaiar. Seus olhos midos giravam nas rbitas e o suor gotejava em seu rosto; no momento em que Harry o largou, ele balanou precariamente.
 - Anda depressa! - disse a Sra. Figg, nervosa.
O garoto passou um dos braos macios de Duddley por cima dos prprios ombros e arrastou-o em direo  rua, ligeiramente curvado sob o peso. A Sra. Figg acompanhou-os com passos vacilantes, espiando, ansiosa, pela esquina.
 - Mantenha a varinha preparada - recomendou a Harry ao entrarem na alameda das Glicnias. - No se preocupe com o Estatuto de Sigilo agora, de qualquer jeito vai haver uma confuso dos diabos, e  melhor sermos enforcados por causa de um drago do que por um ovo. E ainda falam da Restrio  Prtica de Magia por Menores... era exatamente disso que o Dumbledore tinha medo... Que  aquilo ali no fim 
da rua? Ah,  s o Sr. Prentice... no guarde a sua varinha, menino, quantas vezes j lhe disse que no sirvo para nada?
No era fcil empunhar a varinha com firmeza e ao mesmo tempo arrastar Duddley. Harry deu uma cotovelada impaciente nas costelas do primo, mas ele parecia ter perdido toda a vontade de se movimentar sozinho. Estava derreado no ombro de Harry, arrastando os ps enormes pelo cho.
 - Por que a senhora no me contou que era quase bruxa, Sra. Figg? - perguntou Harry, ofegando com o esforo de continuar andando. - Todas aquelas vezes que fui  sua casa... por que a senhora no falou nada?
 - Ordens do Dumbledore. Era para eu ficar de olho em voc, mas sem dizer nada, voc era muito criana. Desculpe ter sido to chata, Harry, mas os Dursley nunca o teriam deixado me visitar se achassem que voc estava se divertindo. No foi fcil, sabe... mas, minha nossa - exclamou ela tragicamente, torcendo as mos - quando Dumbledore souber - como  que o Nundungus pde sair, devia ter ficado de servio at  meia-noite - onde  que ele se meteu? Como  que vou contar ao Dumbledore o que aconteceu? No sei materializar.
 - Eu tenho uma coruja, posso lhe emprestar. - Harry gemeu, receando que sua coluna se partisse sob o peso do primo.
 - Harry, voc no entende! Dumbledore vai precisar agir o mais rpido possvel, o Ministrio tem meios prprios de detectar mgicas realizadas por menores, eles j sabem, pode escrever o que estou dizendo.
 - Mas eu estava me livrando dos dementadores, tinha de usar
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magia com certeza estariam mais preocupados se os dementadores estivessem andando pela alameda das Glicnias.
 - Ah, querido, eu gostaria que fosse assim, mas receio... MUNDUNGO FLETCHER, EU vou MATAR VOC!
Ouviu-se um grande estalo, e um forte cheiro de bebida misturado ao de fumo curtido impregnou o ar quando um homem atarracado, com a barba por fazer, e vestindo um casaco esfarrapado, se materializou diante do grupo. Tinha pernas curtas e arqueadas, cabelos ruivos e desgrenhados, olhos empapuados e vermelhos que lhe davam a aparncia triste de um co de caar lebres. Trazia tambm nas mos um embrulho prateado que Harry reconheceu na mesma hora como uma Capa da Invisibilidade.
 - Alguma novidade, Figgy? - perguntou ele olhando da velhota para Harry e deste para Duddley. - Que aconteceu com a sua vigilncia secreta?
 - vou lhe mostrar a vigilncia secreta! - exclamou a Sra. Figg. Dementadores, seu ladrozinho imprestvel e golpista!
 - Dementadores? - repetiu Nundungus, horrorizado. - Dementadores, aqui?
 - Aqui, seu monte intil de bosta de morcego, aqui! - gritou ela.
 - Dementadores atacando o garoto no seu turno de servio!
 - Pombas - praguejou Nundungus baixinho, olhando da Sra. Figg para Harry e de volta  mulher. - Pombas, eu...
 - E voc  solta pelo mundo comprando caldeires roubados! Eu no lhe disse para no ir? No disse?
 - Eu... bem... - Nundungus parecia profundamente constrangido. - Era um timo negcio, entende...
A Sra. Figg ergueu o brao em que trazia pendurada uma saca metlica, deu impulso e meteu-a na cara e no pescoo do bruxo; a julgar pelo barulho que a saca fez, estava cheia de comida de gato.
 - Ai... pra com isso... pra com isso, sua velha caduca! Algum vai ter de contar ao Dumbledore!
 - E... vai... mesmo! - berrou a Sra. Figg, batendo com a saca de comida de gato em todas as partes do corpo de Nundungus ao seu alcance. - E... ... melhor... que... seja... voc... e pode contar a ele... por... que... no... estava... aqui... para... ajudar!
 - No precisa se descabelar! - disse Nundungus, erguendo os braos para proteger a cabea e encolhendo o corpo. - Eu vou, eu vou!
E, com outro estalo forte, ele desapareceu.
 - Espero que o Dumbledore mate ele! - exclamou a Sra. Figg, furiosa. - Agora vamos Harry, que  que voc est esperando?
 Harry decidiu no gastar o flego que lhe restava para explicar que mal conseguia andar sob o peso de Duddley. Puxou o primo semiinconsciente mais para cima e prosseguiu cambaleando.
 - vou levar voc at a porta - disse a Sra. Figg, quando entraram na Privet Drive. - Para o caso de haver mais deles por a... ah, minha nossa, que catstrofe... e voc precisou enfrent-los sozinho... e Dumbledore disse que tnhamos de impedi-lo de fazer mgicas a todo custo... bem, no adianta chorar a poo derramada... agora 
o gato est solto no meio dos diabretes.
 - Ento - ofegou Harry - Dumbledore... mandou... gente me seguir?
 -  claro - respondeu a velhota, impaciente. - Voc esperava que o deixasse andar por a sozinho depois do que aconteceu em junho? Meu Deus, garoto, me disseram que voc era inteligente... certo... agora entre em casa e no saia mais - recomendou ela, quando chegaram ao nmero quatro. - Imagino que no vai demorar muito para algum entrar em contato com voc.
 - Que  que a senhora vai fazer? - perguntou Harry depressa.
 - vou direto para casa - respondeu a velhota, correndo o olhar pela rua e estremecendo. - Preciso aguardar mais instrues. No saia de casa. Boa-noite.
 - No v, fique mais um pouco. Eu quero saber...
Mas a Sra. Figg j se fora, apressada, as pan tufas batendo contra os calcanhares, a saca retinindo.
 - Espere! - gritou o garoto. Tinha mil perguntas para fazer a quem estivesse em contato com Dumbledore; mas em segundos a velhota foi engolida pela escurido. Contrariado, ele tornou a ajeitar Duddley sobre os ombros e continuou, lenta e penosamente, em direo  entrada de casa.
A luz do hall estava acesa. Harry tornou a guardar a varinha no cs das jeans, tocou a campainha e observou a silhueta de tia Petunia ir crescendo, estranhamente distorcida pelo vidro ondulado da porta.
 - Duzinho! At que enfim, eu j estava ficando muito... muito... Duzinho, que  que voc tem?
Harry olhou de esguelha para Duddley e saiu de baixo dele bem a tempo. O primo oscilou por um momento no mesmo lugar, o rosto verde plido... ento abriu a boca e vomitou no capacho da entrada.
 - DUZINHO! Duzinho!, que  que voc tem? Vernon? VERNONR!
O tio de Harry acorreu da sala de estar, gingando o corpo pesado, bigodo de morsa sacudindo para c e para l como sempre fazia quando estava agitado.
Vernon apressou-se a ajudar Petunia a manobrar o filho de joelhos
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bambos pelo portal, ao mesmo tempo que evitava pisar na poa de vmito.
 - Ele est passando mal, Vernon!
 - Que foi, filho? Que aconteceu? A Sra. Polkiss lhe serviu alguma coisa extica para o ch?
 - Por que  que voc est todo sujo, querido? Andou deitando no cho? ...
-Espere a voc no foi assaltado, foi, filho? - Tia Petunia gritou
 - Chame a polcia, Vernon! Chame a polcia! Duzinho, querido, fale com a mame! Que foi que fizeram com voc?
Durante todo esse alvoroo, ningum pareceu ter reparado em Harry, o que lhe convinha perfeitamente. Conseguiu deslizar pela porta pouco antes do tio Vernon bat-la e, enquanto os Dursley avanavam atropeladamente pelo corredor da cozinha, Harry prosseguiu, cauteloso e em silncio, em direo  escada.
 - Quem fez isso, filho? Diga os nomes. Vamos peg-los, no se preocupe.
 - Psiu! Ele est tentando falar alguma coisa, Vernon! Que foi, Duzinho? Conte pra mame!
O p de Harry estava no primeiro degrau da escada quando Duddley recuperou a voz.
-Ele.
Harry congelou, o p na escada, o rosto contrado, preparando-se para a exploso.
 - MOLEQUE! VENHA J AQUI!
com uma sensao em que se misturavam o medo e a raiva, Harry tirou o p da escada e se virou para acompanhar os Dursley.
A cozinha escrupulosamente limpa tinha um brilho irreal depois da escurido da rua. Tia Petunia levou Duddley para uma cadeira; ele continuava verde e suado. Tio Vernon parou diante do escorredor de pratos e encarou Harry com seus olhos midos apertados.
 - Que foi que voc fez com o meu filho? - perguntou com um rosnado ameaador.
 - Nada - respondeu o garoto, sabendo perfeitamente bem que o tio no acreditaria.
 - Que foi que ele fez com voc, Duzinho? - indagou Petunia com a voz trmula, agora limpando o vmito da frente do bluso de couro do filho. - Foi... foi voc-sabe-o-qu, querido? Ele usou... a coisa dele?
Lenta e tremulamente, Duddley concordou com a cabea.
 - No usei! - disse Harry com rispidez, enquanto tia Petniia dei27
xava escapar um guincho e o marido erguia os punhos. - Eu no fiz nada com ele, no fui eu, foi...
Mas, naquele exato momento, uma coruja-das-torres adentrou a janela da cozinha. Passando de raspo por cima da cabea do tio Vernon, a ave voou pela cozinha, largou aos ps de Harry um grande envelope de pergaminho que trazia no bico, fez uma volta graciosa, as pontas das asas apenas roando o topo da geladeira, e, em seguida, tornou a sair para o jardim.
 - CORUJAS! - urrou tio Vernon, a grossa veia em sua tmpora pulsando de clera ao bater a janela da cozinha. - CORUJAS OUTRA VEZ! NO vou MAIS PERMITIR CORUJAS EM MINHA CASA!
Mas Harry j estava abrindo o envelope e puxando a carta que havia dentro, seu corao palpitava com fora como se estivesse na Snitch-de-ado.
Prezado Sr. Potter,
Chegou ao nosso 
conhecimento que V.S.executou o Feitio do Patrono s vinte e uma horas e vinte e trs minutos de hoje em uma rea habitada por Muggles e em presena de um deles.
A gravidade dessa violao do Decreto de Restrio  Prtica de Magia por Menores acarretar sua expulso da Escola de Magia e Bruxaria de Hogwarts. Representantes do Ministrio iro procur-lo em sua residncia nos prximos dias para destruir sua varinha.
Como V.S. j recebeu um aviso oficial por uma infrao anterior  Seo i 3 do Estatuto de Sigilo em Magia da Confederao Internacional de Bruxos, lamentamos informar que dever comparecer a uma audincia disciplinar no Ministrio da Magia s nove horas do dia doze de agosto.
Fazemos votos que esteja bem,
Atenciosamente, Mafalda Hopkirk 
Seo de Controle do Uso Indevido de Magia 
Ministrio da Magia
Harry leu a carta inteira duas vezes. Tinha apenas uma vaga conscincia de que os tios continuavam falando. Em sua cabea, tudo ficou congelado e insensvel. Um nico fato penetrara sua conscincia como um dardo paralisante. Fora expulso de Hogwarts. Tudo terminara. Nunca mais poderia voltar.
Ele ergueu os olhos para os Dursley. O tio, de cara prpura, gritava com os punhos ainda erguidos. A tia passara os braos em torno de Duddley, que voltara a vomitar. 
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O crebro temporariamente estupidificado de Harry pareceu despertar. Representantes do Ministrio iro procur-lo em sua residncia nos prximos dias para destruir sua varinha. S havia uma soluo. Teria de fugir - agora. Para onde, ele no sabia, mas estava certo de uma coisa em Hogwarts ou fora da escola, precisava da varinha. Em um estado de quase-devaneio, puxou a varinha e virou-se para sair da cozinha.
 - Aonde  que voc pensa que vai? - berrou o tio Vernon. Como o garoto no respondesse, ele avanou decidido pela cozinha para bloquear a sada para o corredor. - Ainda no terminei com voc, moleque!
 - Sai do meu caminho - disse Harry com a voz controlada.
 - Voc vai ficar aqui e explicar por que o meu filho...
 - Se o senhor no sair do meu caminho vou lhe lanar um feitio - ameaou Harry, erguendo a varinha.
 - No pense que me engana com essa conversa - vociferou o tio.
 - Eu sei que voc no tem permisso de usar magia fora daquele hospcio que chama de escola!
 - O hospcio acaba de me expulsar. Por isso posso fazer o que bem entender. O senhor tem trs segundos. Um... dois...
Um forte estampido ecoou na cozinha. Tia Petunia gritou. Tio Vernon berrou e se abaixou, e pela terceira vez naquela noite Harry ficou procurando a fonte de um rudo que no fizera. Localizou-a imediatamente uma coruja-das-igrejas, tonta e arrepiada, estava pousada do lado de fora do peitoril da cozinha, pois acabara de colidir com a janela fechada.
Sem se importar com o berro angustiado do tio, "CORUJAS!", Harry atravessou correndo o aposento e escancarou a janela. A ave esticou a perna,  qual estava preso um pequeno rolo de pergaminho, sacudiu as penas e levantou vo assim que Harry desprendeu a carta. As mos trmulas, o garoto desenrolou esta segunda mensagem, escrita apressadamente, a tinta preta meio borrada.
Harry,
Dumbledore acabou de chegar ao Ministrio e est tentando resolver o problema. NO DEIXE A CASA DOS SEUS TIOS. NO FAA MAIS NENHUMA MGICA. NO ENTREGUE SUA VARINHA. Arthur Weasley
Dumbledore estava tentando resolver o problema... que significava isso? Que poder tinha Dumbledore para se sobrepor ao Ministrio da Magia? Havia talvez uma chance de voltar a Hogwarts? Um broti29
nho de esperana comeou a nascer no peito de Harry, mas quase imediatamente foi sufocado pelo pnico - como iria se negar a entregar a varinha sem usar a magia? Teria de duelar com os representantes do Ministrio e, se fizesse isso, teria sorte de no acabar em Azkaban, isso sem falar na expulso.
Seus pensamentos voavam... poderia tentar fugir e se arriscar a ser capturado pelo Ministrio ou ficar parado e esperar que o encontrassem ali. Sentia-se muito mais tentado pela primeira hiptese, mas sabia que o Sr. Weasley queria o seu bem... e, afinal de contas, Dumbledore j resolvera antes problemas muito 
piores.
 - Tudo bem - disse Harry - mudei de idia, vou ficar. Largou-se ento  mesa da cozinha e encarou Duddley e a tia. Os
Dursley pareciam surpresos com sua repentina mudana de idia. A tia olhou desesperada para o marido. A veia na tmpora do tio Vernon pulsava mais que nunca.
 - De quem so todas essas corujas? - rosnou ele.
 - A primeira era do Ministrio da Magia, comunicando minha expulso - explicou Harry calmamente. Apurava os ouvidos para os rudos l fora, tentando identificar se os representantes do Ministrio estariam chegando, e era mais fcil e mais silencioso responder s perguntas do tio do que faz-lo se enfurecer e berrar. - A segunda foi do pai do meu amigo Ron, que trabalha no Ministrio.
 - Ministrio da Magia? - berrou o tio. - Gente de sua laia no governo! Ah, isso explica tudo, tudo mesmo, no admira que o pas esteja indo para o brejo.
Como Harry no reagiu, o tio olhou-o zangado e bufou
 - E por que  que voc foi expulso?
 - Porque usei a magia.
 - Ah-ah! - rugiu o tio, dando um murro em cima da geladeira, que se abriu; vrios lanchinhos de baixa caloria de Duddley caram e se espatifaram no cho. - Ento voc admite! Que foi que voc fez com o Duddley?
 - Nada - falou Harry um pouco menos calmo. - No fui eu...
 - Foi - murmurou Duddley inesperadamente e, na mesma hora, os pais fizeram acenos para Harry calar a boca, curvando-se para o filho.
 - Vamos, filho - disse tio Vernon - que foi que ele fez?
 - Diga pra gente, querido - sussurrou tia Petunia. v-i ,
 - Apontou a varinha para mim - balbuciou o garoto.
 - Foi, fiz isso sim, mas no a usei... - Harry comeou a dizer aborrecido, mas... 
 - CALE A BOCA! - berraram em unssono.
 - Continue, filho - repetiu o tio Vernon com sua bigodeira esvoaando furiosamente. 
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 - Tudo ficou escuro - disse Duddley, estremecendo. - Tudo escuro. Ento eu ouv-vi... coisas. Dentro da minha c-cabea.
Tio Vernon e tia Petunia se entreolharam cheios de horror. Se a coisa de que menos gostavam na vida era a magia - seguida de perto por vizinhos que burlavam mais do que eles a proibio de usar mangueiras - gente que ouvia vozes decididamente ficava entre as dez ltimas. Obviamente acharam que Duddley estava perdendo o juzo.
 - Que tipo de coisas voc ouviu, fofinho? - sussurrou tia Petunia,
O rosto muito plido e lgrimas nos olhos.
Mas Duddley parecia incapaz de responder. Estremeceu de novo e sacudiu sua enorme cabea loura e, apesar da sensao entorpecida de pavor que se instalara em Harry desde a chegada da primeira coruja, ele sentiu uma certa curiosidade. Os dementadores faziam a pessoa reviver os piores momentos da vida. Que  que o mal-acostumado, mimado, implicante Duddley fora obrigado a ouvir?
 - Como foi que voc caiu, filho? - perguntou tio Vernon, em um tom calmo e anormal, o tom que se adotaria  cabeceira de algum muito doente.
 - T-tropecei - gaguejou Duddley. - E a...
Ele apontou para o peito macio. Harry compreendeu que o primo estava revivendo o frio pegajoso que invadira seus pulmes quando a esperana e a felicidade foram arrancadas dele.
 - Horrvel - comentou com a voz rouca. - Frio. Realmente frio.
 - Tudo bem - disse o pai, esforando-se para falar com calma, enquanto sua mulher, ansiosa, levava a mo  testa de Duddley para sentir sua temperatura. - Que aconteceu ento, Duddley?
 - Senti... senti... senti... como se... como se...
 - Como se jamais fosse voltar a ser feliz - completou Harry sem emoo.
 - Foi - sussurrou o primo, ainda tremendo.
 - Ento! - disse tio Vernon, a voz recuperando seu completo e sonoro volume, endireitando-se. - Voc lanou um feitio maluco no meu filho para que ele ouvisse vozes e acreditasse que estava... condenado a ser infeliz ou outra coisa do gnero, foi isso que fez?
 - Quantas vezes vou precisar repetir? - disse Harry, a voz e a raiva aumentando. - No fui eu! Foram dois dementadores!
 - Dois o qu?... que tolice  essa?
1 - De-men-ta-do-res - disse o garoto lenta e claramente. - Dois.
 - E que diabo so dementadores?
 - So os guardas da priso dos bruxos, Azkaban - disse tia Petunia.
Dois segundos de retumbante silncio seguiram-se a essas palavras
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antes que tia Petunia levasse a mo  boca como se tivesse deixado escapar um palavro. Tio Vernon arregalou os olhos para a mulher. O crebro de Harry rodopiou. A Sra. Figg era uma coisa - mas a tia Petunia'?
 - Como  que voc sabe disso? - perguntou-lhe o marido, perplexo.
Tia Petunia pareceu muito espantada consigo mesma. Olhou para o marido num pedido mudo de desculpas, depois baixou um pouquinho a mo mostrando 
seus dentes cavalares.
 - Ouvi... aquele rapaz horrvel... contando a ela sobre os guardas... h muitos anos - respondeu sem jeito.
 - Se a senhora est se referindo  minha me e ao meu pai, por que no diz o nome deles? - protestou Harry em voz alta, mas a tia no lhe deu ateno. Parecia extremamente embaraada.
Harry ficou aturdido. Exceto por um desabafo h muitos anos, durante o qual a tia gritara que a me dele era anormal, o garoto nunca a ouvira mencionar a irm. Espantava-se que ela tivesse guardado durante tanto tempo essa pequena informao sobre o mundo da magia, quando em geral concentrava todas as suas energias em fingir que ele no existia.
Tio Vernon abriu a boca, tornou a fech-la, depois, aparentemente se esforando para se lembrar de como falar, abriu-a uma terceira vez e disse, rouco
 - Ento... ento... eles... hum... eles... hum... eles realmente existem, esses... hum... esses tais de dementis ou l o que sejam?
Tia Petunia concordou com um aceno de cabea.
Vernon olhou da mulher para o filho e dele para o sobrinho, como se esperasse algum gritar "Primeiro de abril!". Mas como ningum gritou, ele tornou a abrir a boca, mas foi-lhe poupado o trabalho de encontrar palavras pela chegada da terceira coruja da noite. Ela entrou com a velocidade de um bolide emplumado pela janela ainda aberta e pousou com estardalhao na mesa da cozinha, fazendo os trs Dursley pularem de susto. Harry puxou um segundo envelope de aspecto oficial do bico da coruja e abriu-o, enquanto a ave arrancava de volta  noite.
 - Chega... pombas... dessas corujas - resmungou o tio distrado, dirigindo-se decidido  janela e fechando-a com violncia.
Prezado Sr. Potter,
Em aditamento a nossa carta enviada h aproximadamente vinte e dois minutos, o Ministrio da Magia revisou a deciso de destruir a sua varinha imediatamente. V S. poder conserv-la at a audincia disciplinar
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marcada para o dia doze de agosto, ocasio em que tomaremos uma deciso oficial.
Aps discutir o assunto com o diretor da Escola de Magia e Bruxaria
de Hogwarts, o Ministrio concordou que a questo de sua expulso ser
 igualmente decidida na mesma oportunidade. V.S.dever, portanto,
considerar-se suspenso da escola at o trmino das investigaes. 
com os nossos melhores votos. 
Atenciosamente, 
Mafalda Hopkirk 
Seo de Controle do Uso Indevido de Magia 
Ministrio da Magia 
Harry leu esta carta do princpio ao fim trs vezes seguidas. O aperto de infelicidade em seu peito diminuiu um pouquinho ao saber que no estava definitivamente expulso, embora os seus temores no estivessem de modo algum extintos. Tudo parecia estar dependendo dessa tal audincia do dia doze de agosto.
 - E ento? - perguntou o tio Vernon, chamando o sobrinho de volta  cozinha. - E agora? Eles o condenaram a alguma coisa? Gente de sua laia tem sentena de morte? - perguntou esperanoso.
 - Tenho de comparecer a uma audincia - respondeu Harry.
 - E l voc vai receber a sentena?
 - Imagino que sim.
 - Ento ainda tenho esperanas - comentou o tio perversamente.
 - bom, se j acabou - disse Harry se levantando. Estava doido para se isolar, pensar, talvez mandar cartas a Ron, Hermione e Sirius.
 - NO,  CLARO QUE NO ACABEI, POMBAS! - berrou o tio. - SENTE-SE OUTRA VEZ!
 - E agora  o qu? - perguntou Harry impaciente.
 - DUDDLEY! - vociferou o tio. - Quero saber exatamente o que aconteceu com o meu filho!
 - TIMO! - berrou Harry, e era tanta a raiva que centelhas vermelhas e douradas dispararam da ponta da varinha que ainda segurava na mo. Os trs Dursley se encolheram, parecendo aterrorizados.
 - Duddley e eu amos pela travessa entre o largo das Magnolias e a alameda das Glicnias - contou Harry depressa, procurando no se zangar. - Duddley achou que podia se fazer de engraadinho comigo, saquei a minha varinha, mas no a usei. Ento apareceram dois dementadores...
 - Mas o que SO dementides? - perguntou o tio, agressivo. Que  que eles FAZEM? 33
 - Eu j disse chupam a felicidade que a pessoa traz dentro dela e, se tm uma chance, lhe do um beijo...
 - Do um beijo? - repetiu o tio, com os olhos saltando ligeiramente. - Do um beijo?
 -  como se diz quando eles sugam a alma de uma pessoa pela boca.
Tia Petunia deixou escapar um gritinho.
 - A alma de Duddley? Eles no tiraram... ele ainda tem a alma... Ela agarrou o filho pelos ombros e sacudiu-o, como se quisesse
verificar se ainda conseguia ouvir o barulho da alma chocalhando dentro dele.
 -  claro que no tiraram a alma dele, a senhora 
veria se tivessem feito isso - disse Harry, exasperado.
 - Voc os afugentou, no foi, filho? - falou tio Vernon muito alto, passando a impresso de algum que lutava para trazer a conversa de volta a um plano que pudesse entender. - Meteu-lhes dois socos seguidos, no foi?
 - No se pode meter dois socos seguidos em um dementador disse Harry cerrando os dentes.
 - Ento por que  que ele continua normal? - esbravejou o tio Vernon. - Por que  que no ficou completamente oco?
 - Porque eu usei o Patrono...
VUUUUUUM. com um estrpito, um bater de asas e uma chuva fina de poeira, uma quarta coruja precipitou-se da chamin da cozinha.
 - PELO AMOR DE DEUS! - rugiu tio Vernon, arrancando grandes chumaos de plos do bigode, coisa que no o compeliam a fazer havia muito tempo. - NO QUERO CORUJAS AQUI DENTRO, NO vou TOLERAR ISSO, J DISSE!
Mas Harry j estava soltando um rolo de pergaminho da perna da coruja. Estava to convencido de que a carta s podia ser de Dumbledore, explicando tudo - os dementadores, a Sra. Figg, o que o Ministrio ia fazer, como ele, Dumbledore, pretendia resolver tudo
 - que pela primeira vez na vida ficou desapontado de reconhecer a letra de Sirius. Ignorando o sermo do tio sobre as corujas e apertando os olhos para se proteger de uma segunda nuvem de poeira quando esta ltima coruja tornou a subir pela chamin, Harry leu a mensagem do padrinho.
Arthur acabou de nos contar o que aconteceu. Faa o que quiser, mas no saia mais de casa.
Harry achou a mensagem to insuficiente depois de tudo que
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acontecera aquela noite que virou o pergaminho, procurando o resto da mensagem, mas no havia mais nada.
E agora sua irritao recomeava a crescer. Ser que ningum ia dizer "muito bem" por ele ter afugentado sozinho dois dementadores? Tanto o Sr. Weasley quanto Sirius estavam agindo como se ele tivesse se comportado mal, e estavam guardando a bronca at se certificarem dos estragos que ele fizera.
 - ... Uma vorreada, quero dizer, uma revoada de corujas entrando e saindo da minha casa. No quero isso, moleque, no quero...
 - No posso impedir as corujas de virem - retrucou Harry com rispidez, amarrotando a carta de Sirius.
 - Quero saber a verdade sobre o que aconteceu hoje  noite! gritou o tio. - Se foram os demendores que atacaram Duddley, como  ento que voc foi expulso? Voc mesmo admitiu que fez voc-sabeo-qu!
Harry inspirou profundamente para se controlar. Sua cabea estava comeando a doer outra vez. Mais do que tudo no mundo, ele queria sair da cozinha e ficar longe dos Dursley.
 - Executei o Feitio do Patrono para me livrar dos dementadores
 - respondeu, fazendo fora para manter a calma. -  a nica coisa que funciona contra eles.
 - Mas o que  que os dementides estavam fazendo em Little Whinging? - perguntou tio Vernon indignado.
 - No sei lhe responder - disse o menino desgostoso. - No fao idia.
Sua cabea agora latejava  luz neon. Sua raiva ia desaparecendo. Sentia-se vazio, exausto. Os Dursley tinham os olhos fixos nele.
 -  voc - disse o tio com firmeza. - Tem alguma coisa a ver com voc, moleque, eu sei que tem. Por que outra razo apareceriam aqui? Por que outra razo estariam naquela travessa? Voc deve ser o nico
 - o nico... - evidentemente ele no conseguia se forar a dizer a palavra "bruxo". - O nico voc-sabe-o-qu em um raio de quilmetros.
 - Eu no sei por que eles estavam aqui.
Mas, ao ouvir as palavras do tio, o crebro exausto de Harry voltou lentamente a entrar em ao. Por que os dementadores tinham vindo a Little Whinging? Como poderia ser coincidncia que tivessem chegado  travessa em que Harry estava? Algum os teria mandado? O Ministrio da Magia teria perdido o controle sobre os dementadores? Eles teriam abandonado Azkaban e se juntado a Voldemort, como Dumbledore previra que fariam?
 - Esses demembrados guardam uma priso de gente esquisita? perguntou o tio Vernon, seguindo penosamente o raciocnio de Harry.
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 - Guardam.
Se ao menos sua cabea parasse de doer, se ao menos ele pudesse simplesmente sair da cozinha e ir para o seu quarto escuro e pensar...
 - Ahh! Eles vieram prender voc! - disse o tio, com o ar triunfante de um homem que chega a uma concluso incontestvel. -  isso, no , moleque? Voc  um fugitivo da justia!
 - Claro que no sou - respondeu Harry, sacudindo a cabea 
como se quisesse espantar uma mosca, o raciocnio agora em pleno funcionamento.
 - Ento por qu...?
 - Ele deve ter mandado os dementadores - disse o menino em voz baixa, mais para si prprio do que para o tio.
 - Que foi que voc disse? Quem deve ter mandado os dementadores?
 - Lord Voldemort.
Ele registrou vagamente como era estranho que os Dursley, que faziam caretas e estrilavam quando ouviam palavras como "bruxo", "magia" ou "varinha", pudessem ouvir o nome do bruxo mais diablico de todos os tempos sem o mnimo tremor.
 - Lord... espere a - disse tio Vernon, o rosto contrado, uma expresso de lento entendimento aparecendo em seus olhinhos sunos. - J ouvi esse nome... no foi esse que...
 - Matou meus pais, foi - respondeu Harry.
 - Mas ele j se foi - disse tio Vernon impaciente, sem a menor indicao de que a morte dos pais de Harry pudesse ser um assunto doloroso. - Aquele gigante falou. Ele se foi.
 - Ele voltou - explicou o garoto, triste.
Era estranho estar parado ali na cozinha cirurgicamente limpa da tia Petunia, ao lado de uma geladeira de ltimo tipo e uma enorme tela de televiso, conversando calmamente com o tio sobre Lord Voldemort. A chegada dos dementadores a Little Whinging parecia ter rompido o grande muro invisvel que separava o mundo implacavelmente no-mgico da Privet Drive e o mundo alm. As duas vidas de Harry de alguma forma haviam se fundido e tudo virar de cabea para baixo; os Dursley estavam pedindo detalhes sobre o mundo mgico, e a Sra. Figg conhecia Dumbledore; os dementadores estavam circulando por Little Whinging, e ele talvez nunca mais voltasse a Hogwarts. Sua cabea latejou com mais fora, doendo ainda mais.
 - Voltou? - sussurrou tia Petunia.
Ela olhou para Harry como nunca o fizera antes. E, de repente, pela primeira vez na vida, Harry pde apreciar inteiramente o fato de que Petunia era irm de sua me. Ele no sabia dizer por que isto o
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atingia com tanta fora neste momento. S sabia que no era a nica pessoa naquele aposento a suspeitar o que poderia significar a volta de Lord Voldemort. Tia Petunia jamais o olhara assim na vida. Seus grandes olhos claros (to diferentes dos da irm) no estavam apertados de contrariedade nem de raiva, estavam arregalados e cheios de medo. O fingimento inabalvel que mantivera at ali - de que no havia magia e nenhum outro mundo alm daquele que habitava com o marido - parecia ter rudo.
 - Voltou - respondeu, dirigindo-se agora  tia. - Faz um ms que voltou. Eu o vi.
As mos dela procuraram os ombros compactos do filho sob o bluso de couro e os apertaram.
 - Espere a - disse o tio, olhando da mulher para o sobrinho e mais uma vez para ela, aparentemente aturdido e confuso pela compreenso sem precedentes que parecia ter nascido entre eles. - Espere a. Voc est dizendo que esse tal Lord Vol das quantas voltou?
-...
 - O que matou seus pais? - E agora est mandando dementadores atrs de voc?
 -  o que parece... 
 - Entendo - disse o tio, olhando de Petunia para Harry e puxando as calas para cima. Parecia estar inchando, seu enorme rosto prpura comeou a dilatar diante dos olhos do sobrinho. - Ento est decidido - disse, a frente da camisa se esticando  medida que ele inchava - pode sair desta casa, moleque!
 - Qu? - exclamou Harry.
 - Voc me ouviu - SAIA! - berrou o tio, e at tia Petunia e Duddley pularam. - FORA! FORA! Eu devia ter feito isso h muito tempo! As corujas tratam esta casa como se fosse um asilo, o pudim explode, metade da sala fica destruda, Duddley cria rabo, Marjie balana pelo teto e tem Ford Anglia voando - FORA! FORA! Acabou para voc! Voc agora pertence ao passado! No vai continuar aqui se tem um maluco caando voc, no vai pr em perigo a vida da minha mulher e do meu filho, no vai criar problemas para ns. Se vai seguir o mesmo caminho que aqueles inteis dos seus pais, terminamos AQUI!
Harry ficou pregado no cho. As cartas do Ministrio, do Sr. Weasley e de Sirius amarrotadas em sua mo. Faa o que quiser, mas no saia de casa outra vez. NO SAIA DA CASA DOS SEUS TIOS.
 - Voc me ouviu! - disse tio Vernon, curvando-se para o sobrinho e aproximando tanto o enorme rosto prpura, que Harry chegou a sentir gotas de saliva baterem em seu rosto. - Agora v andando! H
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meia hora voc estava muito ansioso para ir embora! Pois estou bem atrs de voc! Saia e nunca mais volte a pisar a soleira desta casa! No sei por que aceitamos voc, para comear. Marjie tinha razo, voc deveria ter ido para um orfanato. Tivemos o corao mole demais para o nosso prprio bem, pensamos que podamos arrancar essa coisa de dentro de voc, que podamos transform-lo em um garoto normal, mas voc estava bichado desde o comeo, 
e para mim chegou 
A quinta coruja entrou to vertiginosamente pela chamin que bateu no cho e soltou um pio forte antes de voltar ao ar. Harry ergueu a mo para agarrar a carta em um envelope vermelho, mas a ave passou por cima dele e voou at tia Petunia, que deixou escapar um berro e se abaixou protegendo o rosto com os braos. A coruja soltou o envelope na cabea dela, fez a curva e tornou a voar direto para a chamin.
Harry correu para apanhar a carta, mas Petunia chegou primeiro.
 - A senhora pode abrir, se quiser, mas de qualquer maneira eu vou ouvir o que a carta diz.  um berrador.
 - Largue isso, Petunia! - rugiu o tio. - No toque, pode ser perigoso.
 - Est endereada a mim - disse ela com a voz trmula. - Est endereada a mim, Vernon, olhe! Sra. Petunia Dursley, Privet Drive, Nmero Quatro, Cozinha...
Ela prendeu a respirao, horrorizada. O envelope vermelho comeara a fumegar.
 - Abre! - apressou-a Harry. - Acaba logo com isso! O envelope vai se abrir mesmo.
 - No.
A mo de tia Petunia tremia. Ela olhava a esmo pela cozinha como se procurasse uma sada para fugir, mas tarde demais - o envelope pegou fogo. com um grito, tia Petunia largou-o no cho.
Uma voz horrvel saiu da carta em chamas e ecoou pelo aposento fechado.
 - Lembre-se da ltima, Petunia.
Petunia pareceu que ia desmaiar. Afundou na cadeira ao lado de Duddley, o rosto nas mos. A carta se consumiu silenciosamente e s restaram cinzas.
 - Que foi isso? - perguntou tio Vernon rouco. - Qu... eu no... Petunia?
Tia Petunia no respondeu, Duddley olhou abobado para a me, boquiaberto. O silncio parecia subir em espirais. Harry observou a tia, atnito, sua cabea latejando tanto que parecia que ia explodir.
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 - Petunia, querida? - chamou tio Vernon timidamente. - Petunia? Ela ergueu a cabea. Ainda tremia. Engoliu em seco.
 - O garoto... o garoto ter de ficar, Vernon - disse ela com a voz fraca.
?? - Q-qu?  - Ele fica - disse Petunia sem olhar para Harry. Ps-se de p.
-Ele... mas Petunia...
 - Se ns o atirarmos na rua, os vizinhos vo falar. - Depressa ela foi recuperando os seus modos secos e meio rspidos, embora continuasse muito plida. - Vo fazer perguntas embaraosas, vo querer saber que fim levou. Teremos de ficar com ele.
Tio Vernon comeou a murchar como um pneu velho. - Mas, Petunia, querida... -. Petunia no lhe deu ateno. Viro-se para Harry
 - Voc vai ficar no seu quarto - disse. - No pode sair de casa, Agora v se deitar. '  Harry no se mexeu. 
 - De quem era o berrador? 
 - No faa perguntas - retorquiu asperamente a tia.
 - A senhora tem contato com os bruxos?
 - Eu disse para voc ir se deitar!
 - Que queria dizer o berrador? Lembre-se da ltima qu?
 - V se deitar! - Como...?
 -VOC OUVIU O QUE SUA TIA FALOU. AGORA V SI
DEITAR!
 - CAPTULO TRS
A guarda avanada
Acabei de ser atacado por dementadores e poderei ser expulso de Hogwarts. Quero saber o que est acontecendo e quando vou sair daqui.
Harry copiou essas palavras em trs folhas de pergaminho separadas, no instante em que chegou  escrivaninha de seu quarto s escuras. Endereou a primeira a Sirius, a segunda a Ron e a terceira a Hermione. Sua coruja, Edwig, estava fora caando; a gaiola sobre a escrivaninha estava vazia. O garoto ficou andando para l e para c esperando a ave voltar, a cabea latejando, o crebro acelerado demais para adormecer, mesmo que seus olhos ardessem e coassem de cansao. Suas costas doam do esforo de carregar Duddley para casa, e os dois galos em sua cabea, onde a janela e o primo haviam batido, estavam latejando com muita intensidade.
Ele andava para frente e para trs, rodo de raiva e frustrao, rilhando os dentes e fechando os punhos, lanando olhares furiosos para o cu vazio, exceto pelas estrelas, todas as vezes que passava pela janela. Os dementadores enviados para apanh-lo, a Sra. Figg e Nundungus Fletcher seguindo-o em segredo, depois a suspenso de Hogwarts e a audincia do Ministrio da Magia - e ainda assim ningum lhe contava o que estava acontecendo.
E o qu, o que queria dizer aquele berrador? Que voz horrvel era aquela que ecoou, de forma to ameaadora, pela cozinha?
Por que ele continuava preso ali sem informaes? Por que todos o estavam tratando como uma criana malcomportada? No faa mais mgicas, no saia de casa...
Deu um pontap no malo da escola ao passar, mas, ao invs 
de aliviar a raiva, ele ficou pior, pois agora sentia uma dor aguda no dedo, para somar s outras no resto do corpo.
Ao passar mancando pela janela, Edwig entrou farfalhando suavemente as asas, como um fantasminha.
 - J no era sem tempo! - rosnou Harry, quando a ave pousou com leveza em cima da gaiola. - Pode largar isso a, tenho trabalho para voc! 
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Os grandes olhos redondos e mbar da coruja o miraram, com uma expresso de censura, por cima do sapo morto que trazia ao bico.
 - Vem c - disse-lhe o dono, apanhando os trs rolinhos de pergaminho e uma correia de couro para amarr-los  perna escamosa da ave. - Leve estas mensagens diretamente a Sirius, Ron e Hermione e no volte aqui sem respostas longas e completas. Se for preciso, no pare de dar bicadas neles at escreverem respostas de tamanho decente. Entendeu?
Edwig soltou um pio abafado, seu bico ainda cheio de sapo.
 - Ento vai andando - falou Harry.
Ela partiu imediatamente. No momento em que se foi, Harry se atirou na cama sem se despir e ficou olhando para o teto. Alm de todos os outros sentimentos infelizes, ele agora sentia remorso por ter sido to rabugento com Edwig; era a nica amiga que tinha no nmero quatro da Privet Drive. Mas ele a compensaria quando voltasse com respostas de Sirius, Ron e Hermione.
Seus amigos com certeza iriam responder depressa; no podiam ignorar um ataque de dementadores. Ele provavelmente acordaria no dia seguinte e encontraria trs grossas cartas recheadas de solidariedade e planos para sua imediata remoo para A Toca. E com essa idia reconfortante, o sono o venceu, sufocando outros pensamentos.
Mas Edwig no regressou na manh seguinte. Harry passou o dia no quarto, saindo apenas para ir ao banheiro. Trs vezes naquele dia, tia Petunia empurrou comida para dentro do quarto pela aba que tio Vernon instalara trs veres passados. Todas as vezes que Harry a ouvia se aproximar, tentava interrog-la sobre o berrador, mas teria sido melhor interrogar a maaneta, porque no obtinha resposta alguma. Afora isso, os Dursley se mantiveram bem longe do seu quarto. Harry no via sentido em impor a eles sua companhia; mais uma briga no resolveria nada, exceto, talvez, deix-lo to aborrecido que acabaria apelando para a magia proibida.
As coisas continuaram nesse ritmo durante trs dias inteiros. Harry sentia-se invadido por uma energia excessiva que o impedia de se concentrar em qualquer coisa, momentos em que caminhava pelo quarto furioso com todo o mundo, por deixarem-no remoendo seus problemas sozinho; essa energia se alternava com uma letargia to absoluta que era capaz de ficar deitado na cama uma hora inteira, olhando atordoado para o teto, sofrendo s de pensar, apavorado, na audincia no Ministrio.
E se o condenassem? E se ele fosse expulso e sua varinha partida
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ao meio? Que iria fazer, aonde iria? No poderia voltar a viver o tempo todo com os Dursley, no agora que conhecia o outro mundo, aquele ao qual pertencia. Ser que poderia ir morar com Sirius, como o padrinho oferecera havia um ano, antes de ser forado a fugir do Ministrio? 
Ser que dariam permisso a Harry para morar sozinho, sendo ainda menor de idade? Ou ser que decidiriam por ele o local aonde ir? Ser que sua infrao do Estatuto Internacional de Sigilo fora suficientemente grave para mand-lo a uma cela em Azkaban? Sempre que tal pensamento lhe ocorria, Harry invariavelmente se levantava da cama e recomeava a caminhar.
na quarta noite depois da partida de Edwig, o garoto estava deitado em uma de suas fases de apatia, mirando o teto, a mente exausta e vazia, quando seu tio entrou no quarto. Harry virou lentamente a cabea e olhou para ele. Vernon estava usando seu melhor terno e tinha uma expresso de enorme presuno.
 - Vamos sair - anunciou.
 - Como disse?
 - Ns, isto , sua tia, Duddley e eu, vamos sair.
 - timo - respondeu Harry inexpressivamente, voltando a mirar o teto.
 - Voc no dever sair do seu quarto enquanto estivermos fora
 -OK
 - Voc no dever ligar a televiso, nem o som, nem nada que nos pertence.
 - Certo.
 - Voc no dever roubar comida, da geladeira,

-OK
 - vou trancar sua porta.
 - Pode trancar
Tio Vernon encarou Harry, abertamente desconfiado dessa falta de oposio, em seguida saiu pisando forte e fechou a porta ao passar. Harry ouviu a chave girar na fechadura e os passos do tio descerem pesadamente a escada. Alguns minutos depois, ouviu as portas do carro baterem, o rudo de um motor e o som inconfundvel de um carro deixando rapidamente a entrada da garagem.
Harry ficou indiferente  sada dos Dursley. Tanto fazia os tios estarem ou no em casa. No conseguia sequer dirigir suas energias para se levantar e acender a luz. O quarto ia escurecendo depressa, mas ele continuava deitado, apurando os ouvidos para escutar os rudos da noite pela janela que mantinha o tempo todo aberta, esperando o momento abenoado em que Edwig voltaria.
A casa vazia rangia por inteiro. Os canos de gua gargarejavam.
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Harry permaneceu nessa espcie de estupor, sem pensar em nada, imerso em infelicidade.
Ento, com toda a clareza, ele ouviu um estrondo l embaixo, na cozinha.
Sentou-se imediatamente, escutando com ateno. Os Dursley no poderiam ter voltado, era cedo demais, e, de todo o jeito, ele no ouvira barulho de carro.
Fez-se silncio por alguns segundos, em seguida vozes.
Ladres, pensou, deslizando para fora da cama e ficando em p mas, uma frao de segundo depois, lhe ocorreu que ladres falariam em voz baixa, e quem estava andando pela cozinha certamente no estava preocupado com isso.
Ele apanhou a varinha sobre a mesa-de-cabeceira e ficou de frente para a porta do quarto, escutando com a mxima ateno. No momento seguinte, Harry se sobressaltou ao ouvir um forte estalo e ver sua porta se escancarar.
O garoto ficou parado, imvel, olhando atravs da porta aberta para o patamar escuro, fazendo fora para ouvir, mas no houve nenhum outro som. Ele hesitou um instante, depois saiu rpida e silenciosamente do quarto e foi at a escada.
Seu corao parecia ter disparado para a garganta. Havia gente parada no hall escuro embaixo, cujas silhuetas a luz da rua recortava ao entrar pelo vidro da porta; oito ou nove pessoas, todas, at onde Harry conseguia ver, olhando para cima.
 - Baixe a varinha, garoto, antes que voc arranque os olhos de algum - disse uma voz baixa e rouca.
O corao de Harry bateu descontrolado. Reconhecia aquela voz, mas no baixou a varinha.
 - Professor Moody? - perguntou hesitante.
 - No sei bem quanto a "Professor" - rosnou a voz - nunca cheguei a ensinar muito tempo, no  mesmo? Vem at aqui, queremos ver voc direito.
Harry baixou ligeiramente a varinha, mas no afrouxou a mo, nem se mexeu. Tinha muito boas razes para desconfiar. Recentemente passara nove meses em companhia de algum que achava que era Olho-Tonto Moody e acabou descobrindo que no era ele, mas um impostor, que ainda por cima tentara mat-lo antes de ser desmascarado. Mas, antes que pudesse decidir o que fazer, uma segunda voz, ligeiramente rouca, flutuou at o alto da escada.
 - Tudo bem, Harry. Viemos buscar voc.
O corao do garoto deu um salto. Reconheceu aquela voz tambm, embora no a ouvisse havia mais de um ano.
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 - Professor Lupin? - exclamou incrdulo. -  o senhor?
 - Por que estamos todos parados no escuro - disse uma terceira voz completamente desconhecida, de uma mulher. - Lumus.
A ponta de uma varinha acendeu, iluminando o hall com luz mgica. Harry piscou. As pessoas embaixo estavam amontoadas ao p da escada, olhando-o com ateno, algumas at esticando o pescoo para v-lo melhor.
Remus Lupin era quem estava mais prximo de Harry. Embora ainda jovem, Lupin parecia cansado e bem doente; tinha mais cabelos brancos do que quando o garoto se despedira dele, e suas vestes 
estavam mais remendadas e gastas que nunca. Ainda assim, ele olhava para Harry com um grande sorriso, que o garoto tentou retribuir apesar do seu estado de choque.
 - Ahhh, ele  igualzinho ao que eu imaginei - disse a bruxa que segurava no alto a varinha acesa. Parecia a mais jovem do grupo; tinha um rosto plido em feitio de corao, olhos escuros e cintilantes e cabelos curtos e espetados, roxo berrante. - E a, beleza, Harry!
 - E, vejo o que quis dizer, Remus - disse um bruxo negro e careca parado no crculo mais externo do grupo; tinha uma voz grave e lenta e usava um nico brinco de ouro na orelha - ele  a cara do James.
 - Exceto pelos olhos - disse a voz asmtica de um bruxo de cabelos prateados mais ao fundo. - So os olhos de Lily.
Olho-Tonto Moody, que possua longos cabelos grisalhos e um nariz a que faltava um pedao, observava Harry, desconfiado, apertando os olhos dspares. Um era muito pequeno, escuro e arisco, o outro, grande, redondo, azul eltrico - o olho mgico que podia ver atravs de paredes, portas e da nuca do prprio Moody.
 - Voc tem certeza que  ele, Lupin? Seria uma grossa mancada se levssemos um Comensal da Morte fazendo-se passar por Harry. Devamos perguntar a ele alguma coisa que s o verdadeiro Potter saiba. A no ser que algum tenha trazido um pouco de soro da verdade.
 - Harry - que forma assume o seu Patrono? - perguntou Lupin.
 - De veado - respondeu Harry, nervoso.
 -  ele mesmo, Olho-Tonto - confirmou Lupin.
Muito consciente de que todos continuavam de olhos fixos nele, Harry desceu as escadas, guardando a varinha no bolso traseiro das jeans enquanto descia.
 - No guarde a varinha a, garoto! - berrou Moody. - E se pegar fogo? Bruxos mais sabidos que voc j perderam as ndegas, sabe!
 - Quem  que voc ouviu dizer que perdeu a ndega? - perguntou interessada a bruxa de cabelos roxos.
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 - No se preocupe com isso, e voc guarde a varinha longe do bolso traseiro! - vociferou Olho-Tonto. - Medidas de segurana elementares para o uso da varinha, ningum se preocupa mais com elas.
 - E saiu mancando para a cozinha. - E estou vendo voc - disse, irritado, quando a mulher girou os olhos para o teto.
Lupin estendeu a mo e apertou a de Harry.
 - Como  que voc tem andado? - perguntou, examinando Harry atentamente.
 - O-timo...
Harry mal podia acreditar que aquilo estivesse mesmo acontecendo. Quatro semanas sem nada, nem o menor indcio de um plano para remov-lo da Privet Drive e, de repente, um bando de bruxos inesperados em sua casa como se isso j estivesse combinado h sculos. O garoto correu os olhos pelas pessoas que rodeavam Lupin; todos continuavam a observ-lo com avidez. Sentia-se muito consciente de que no penteava os cabelos havia quatro dias.
 - Eu... vocs esto realmente com sorte que os Dursley tenham sado... - murmurou.
 - Sorte nada! - disse a mulher de cabelos roxos. - Fui eu que os tirei do caminho. Mandei uma carta pelo correio dos Muggles dizendo que estavam entre os finalistas do Concurso do Gramado Mais Bem Cuidado da Gr-Bretanha. Eles esto a caminho da festa de entrega do prmio neste momento... ou pensam que esto.
Harry teve uma viso passageira da cara do tio Vernon quando descobrisse que no havia concurso algum.
 - Vamos embora, no vamos? - perguntou ele. - Logo?
 - Quase imediatamente - disse Lupin - vamos s aguardar o sinal verde.
 - Aonde vamos? Para A Toca? - perguntou Harry esperanoso.
 - No, no para A Toca - respondeu Lupin, conduzindo Harry para a cozinha; o grupinho de bruxos os acompanhou, ainda examinando o garoto, cheios de curiosidade. - Arriscado demais. Montamos o quartel-general em um lugar difcil de encontrar. Levou algum tempo...
Olho-Tonto Moody agora estava sentado  mesa da cozinha, tomando Quaffle de um frasco de bolso, seu olho mgico girava em todas as direes, apreciando os muitos aparelhos que os Dursley usavam para poupar trabalho.
 - Este  o Alastor Moody, Harry - continuou Lupin, apontando para o bruxo.
 - E, eu sei - respondeu Harry pouco  vontade. Dava uma sen45
sao esquisita ser apresentado a algum que ele achava que conhecia havia um ano.
 - E essa  Ninfadora...
 - No me chame de Ninfadora - pediu a jovem bruxa com um arrepio - sou Tonks.
 - Ninfadora Tonks, que prefere ser conhecida apenas pelo sobrenome - concluiu Lupin.
 - Voc tambm iria preferir se a tonta da sua me tivesse lhe dado o nome de Ninfadora - murmurou Tonks.
 - E esse  Kingsley Shacklebolt - disse ele indicando o bruxo negro e alto, que fez uma reverncia. - Elifas Doge. - O bruxo de voz asmtica fez um aceno com a cabea. - Dedalus Diggle...
 - J nos encontramos antes - esganiou-se o excitvel Diggle, deixando 
cair a cartola roxa.
 - Emelin Vance. - Uma bruxa de ar imponente acenou a cabea coberta por um xale verde-gua. - Sturgius Podmore. - Um bruxo de queixo quadrado e chapu cor de palha deu uma piscadela.
 - E Hstia Jones. - Perto da torradeira, uma bruxa, de faces coradas e cabelos negros, deu um adeusinho.
Harry cumprimentou com um aceno de cabea cada bruxo,  medida que foram apresentados. Desejou que olhassem para outra coisa ou pessoa que no fosse ele; era como se repentinamente o tivessem feito subir a um palco. Ficou imaginando tambm por que havia tantos bruxos presentes.
 - Um nmero surpreendente de pessoas se apresentaram como voluntrias para vir busc-lo - disse Lupin, como se tivesse lido os pensamentos de Harry; os cantos de sua boca mexeram ligeiramente.
 - Ah, foi, quanto mais melhor - disse Moody sombriamente. Somos a sua guarda, Potter.
 - Estamos s esperando o sinal de que podemos partir sem perigo - disse Lupin, espiando pela janela da cozinha. - Temos uns quinze minutos.
 - Muito limpos, no so, esses Muggles? - comentou a bruxa chamada Tonks, que corria os olhos pela cozinha com grande interesse.
 - Meu pai nasceu muggle e  um velho porcalho. Suponho que isto varie como acontece entre os bruxos?
 - Hum...  - respondeu Harry - Escute... - comeou virando-se para Lupin - que  que est acontecendo, no recebi uma palavra de ningum, que  que o Vol...?
Vrios bruxos soltaram estranhos assobios; Dedalus Diggle deixou cair a cartola outra vez e Moody vociferou
 - Cale-se. 
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 - Qu! - exclamou Harry.
 - No vamos falar nada aqui,  arriscado demais - disse Moody virando o olho normal para o garoto. Seu olho mgico continuava focalizando o teto. - Pombas - acrescentou zangado, levando uma das mos ao olho mgico. - No pra de prender desde que aquele desgraado o usou.
E com um rudo grosseiro de arroto, bem parecido com o que se ouve quando se puxa um desentupidor de pia, ele tirou o olho.
 - Olho-Tonto, voc sabe que isso  nojento, no sabe? - falou Tonks em tom de conversa.
 - Me arranje um copo d'agua, por favor, Harry - pediu Moody. O garoto foi at a lavadora de loua, apanhou um copo limpo e
encheu-o de gua da torneira, ainda seguido pelos olhares dos bruxos. Essa incansvel observao estava comeando a irrit-lo.
 - Sade - saudou Moody, quando Harry lhe entregou o copo. O bruxo ps dentro o olho mgico e empurrou-o com o dedo para cima e para baixo; o olho girou em volta do copo, encarando os bruxos, um a um. - Quero ter uma visibilidade de trezentos e sessenta graus na viagem de volta.
 - Como vamos chegar... a esse lugar a que a gente est indo? perguntou Harry.
 - Vassouras - disse Lupin. - E o nico jeito. Voc  jovem demais para materializar, eles devem estar vigiando a rede de Flu e vai nos custar mais do que a nossa vida montar uma chave de portal sem autorizao.
 - Remus contou que voc  um bom piloto - disse Kingsley Shacklebolt com sua voz ressonante.
 -  excelente - confirmou Lupin, consultando o relgio. - Em todo o caso,  melhor voc ir fazer a mala, Harry, queremos estar prontos para partir quando recebermos o sinal.
 - vou ajud-lo - ofereceu-se Tonks, animada.
Ela acompanhou Harry de volta ao hall e subiu a escada, olhando para tudo com muita curiosidade e interesse.
 - Que lugar engraado - comentou. - E um pouco limpo demais, entende o que quero dizer? Um pouco estranho. Ah, agora est melhor - acrescentou quando entraram no quarto de Harry e acenderam a luz.
O quarto do garoto era certamente muito mais desarrumado que o resto da casa. Confinado nele havia quatro dias, de muito mau humor, Harry no se dera o trabalho de arrum-lo. A maioria dos livros que possua estavam espalhados pelo cho, onde ele tentara se distrair com cada um deles e os jogara para o lado; a gaiola de Edwig
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precisava ser limpa, e estava comeando a feder; e seu malo estava aberto, deixando  mostra uma mistura confusa de roupas de muggle e vestes de bruxo que haviam transbordado por todo o cho  volta.
Harry comeou a recolher os livros e a atir-los apressadamente no malo. Tonks parou diante do armrio para olhar criticamente a prpria imagem no espelho do lado interno da porta.
 - Sabe, acho que roxo no  bem a minha cor - comentou, pensativa, puxando uma mecha dos cabelos espetados. - Voc no acha que me d 
um ar meio doentio?
 - Hum - comeou Harry, espiando a bruxa por cima do seu livro Os times de quidditch da Gr-Bretanha e da Irlanda.
 - , d - concluiu definitivamente Tonks. Ela apertou os olhos em uma expresso preocupada, como se estivesse tentando se lembrar de alguma coisa. Um segundo depois, seus cabelos tinham mudado para rosa-chiclete.
 - Como  que voc faz isso? - perguntou Harry, boquiaberto, quando ela reabriu os olhos.
 - Sou metamorfomaga - respondeu ela, voltando a olhar para o espelho e virando a cabea para poder ver o cabelo de todos os lados.
 - O que significa que posso mudar minha aparncia  vontade acrescentou ao ver a expresso intrigada de Harry no espelho s suas costas. - Nasci assim. Recebia as melhores notas em Esconderijos e Disfarces durante o treinamento para auror, sem nem precisar estudar, foi muito legal.
 - Voc  auror? - perguntou Harry, impressionado. Ser caador de bruxos das trevas era a nica carreira em que ele pensara seguir quando terminasse Hogwarts.
 - Sou - confirmou Tonks, com orgulho. - Kingsley tambm , mas  mais graduado que eu. Eu s me formei h um ano. Quase levei bomba em Vigilncia e Rastreamento. Sou muito trapalhona, voc me ouviu quebrar aquele prato quando chegamos l embaixo?
 - Pode-se aprender a ser metamorfomago? - perguntou Harry, se erguendo e esquecendo completamente que estava fazendo a mala.
Tonks deu uma risadinha abafada.
 - Aposto que voc at gostaria de esconder essa cicatriz, s vezes, hein?
Seus olhos focalizaram a cicatriz em forma de raio na testa do garoto.
 - Gostaria - murmurou Harry virando as costas. No gostava de gente olhando para a cicatriz.
 - bom, acho que voc vai ter de aprender pelo mtodo difcil. Os metamorfomagos so realmente raros, a gente nasce com o dom, no
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o adquire. A maioria dos bruxos precisa de uma varinha ou de poes para mudar a aparncia. Mas temos de ir andando, Harry, devamos estar fazendo as malas - acrescentou ela, se sentindo culpada ao verificar a baguna que havia no cho.
 - Ah...  - concordou o garoto, catando mais alguns livros.
 - No seja burro, vai ser muito mais rpido se eu... Fazer malas! exclamou a bruxa, agitando a varinha com um movimento longo e amplo que abarcou o cho.
Livros, roupas, telescpio e balana, tudo levantou vo e se precipitou rpida e desordenadamente para dentro do malo.
 - No ficou muito arrumado - disse Tonks, se aproximando do malo e espiando a confuso ali dentro. - Minha me tem um jeito para fazer as coisas entrarem arrumadinhas - e at consegue que as meias se enrolem sozinhas... mas nunca aprendi como  que ela faz...  uma espcie de sacudida rpida com a varinha. - Ela experimentou esperanosa.
Uma das meias de Harry comeou a se ondular lentamente, mas tornou a se achatar em cima da montoeira existente.
 - Ah, deixa pra l - disse Tonks, fechando a tampa do malo - pelo menos est tudo dentro. Isso a est pedindo uma limpezinha, tambm. - Ela apontou para a gaiola de Edwig. - Limpar. - Penas e titicas desapareceram. - bom, agora est um pouquinho melhor nunca peguei o jeito desses feitios domsticos. Certo... est tudo a? Caldeiro? Vassoura? Uau! Uma Firebolt?
Os olhos da bruxa se arregalaram ao pousar sobre a vassoura na mo direita de Harry. Era o orgulho e a alegria do garoto, um presente de Sirius, uma vassoura de categoria internacional.
 - E eu ainda vo numa Comet 260 - comentou Tonks, com inveja. - Ah, deixa pra l... a varinha continua no bolso da jeans? As duas ndegas continuam inteiras? Ok, vamos. Locomotor malo.
O malo de Harry ergueu-se alguns centmetros do cho. Segurando a varinha como se fosse a batuta de um maestro, Tonks fez o objeto atravessar o quarto e sair pela porta  frente deles, a gaiola de Edwig na mo esquerda. Harry desceu a escada atrs da bruxa levando sua vassoura.
De volta  cozinha, Moody recolocara o olho, que girava to rpido depois de limpo que Harry se sentiu enjoado s de olhar. Kingsley Shacklebolt e Sturgius Podmore examinavam o microondas e Hstia Jones dava risadas com um descascador de batatas que encontrara ao examinar as gavetas. Lupin estava endereando uma carta aos Dursley.
 - Excelente - exclamou ao ver Tonks e Harry entrarem. - Temos
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mais ou menos um minuto, acho. Talvez fosse bom irmos para o jardim e aguardarmos prontos. Harry, deixei uma carta avisando aos seus tios para no se preocuparem...
 - Eles no vo se preocupar - respondeu Harry.
 - ... que voc no corre perigo... 
 - Assim eles vo ficar deprimidos. 
 - ... e que voc os ver no prximo vero.
 - Preciso? Lupin sorriu, mas 
no respondeu.
 - Venha aqui, garoto - disse Moody com rispidez, acenando com a varinha para Harry se aproximar. - Preciso desiludir voc.
 - O senhor precisa o qu? - perguntou o garoto, nervoso.
 - Feitio da Desiluso - explicou Moody erguendo a varinha. Lupin disse que voc tem uma Capa da Invisibilidade, mas ela no vai cobri-lo o tempo todo que estiver voando; o feitio vai disfarar voc melhor. Agora...
O bruxo deu uma pancada forte no cocuruto de Harry e ele teve a curiosa sensao de que Moody acabara de quebrar um ovo ali; um filete gelado pareceu escorrer pelo seu corpo a partir do ponto em que a varinha batera.
 - Bem bom, Olho-Tonto - disse Tonks em tom de admirao, olhando para a cintura de Harry.
O garoto baixou os olhos para seu corpo, ou melhor, para o que fora seu corpo, porque no parecia mais o dele. No estava invisvel; mas simplesmente assumira a cor e a textura exatas do eletrodomstico s suas costas. Ele parecia ter se transformado em um camaleo humano.
 - Vamos - disse Moody, destrancando a porta dos fundos com a varinha.
Todos saram para o belo gramado do jardim de tio Vernon.
 - Noite clara - resmungou Moody, seu olho mgico esquadrinhando o cu. - Teria sido melhor se houvesse umas nuvens. Certo, voc... - falou o bruxo para Harry com rispidez - vamos voar em formao cerrada. Tonks ir  sua frente, mantenha-se colado  cauda dela. Lupin vai cobrir voc por baixo. Eu vou atrs. O resto ficar circulando em volta. No saiam da formao para nada, entenderam? Se um de ns for morto...
 - E isso pode acontecer? - perguntou Harry apreensivo, mas Moody no lhe deu ateno.
 - ... os outros continuaro voando, no parem, no dispersem. Se nos elmunarem e voc sobreviver, Harry, h uma guarda recuada de
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prontido para assumir, continue a voar para oeste e ela ir se reunir ;
voc.
 - Pare de ser to animador, Olho-Tonto, ele vai pensar que no estamos levando isto a srio - disse Tonks, enquanto prendia o malo de Harry e a gaiola de Edwig aos arreios que trazia pendurados  vassoura.
 - Estou s contando ao garoto qual  o plano - rosnou Moody. Nossa misso  entreg-lo ileso na sede, e se morrermos na tentativa...
 - Ningum vai morrer - disse Kingsley Shacklebolt com sua voz grave e calmante.
 - Montem as vassouras, esse  o primeiro sinal! - comandou Lupin, apontando para o cu.
No alto, a uma grande distncia, uma chuva de fascas vermelhas brilhara entre as estrelas. Harry identificou-as imediatamente como fascas produzidas por uma varinha. Passou a perna direita por cima da Firebolt, segurou com firmeza a empunhadura e sentiu-a vibrar muito de leve, como se estivesse to ansiosa quanto ele para ganhar novamente os ares.
 - Segundo sinal, vamos! - disse Lupin em voz alta ao ver mais fascas, desta vez verdes, explodirem l no alto.
Harry deu um forte impulso. O ar fresco da noite passava veloz por seus cabelos enquanto os jardins cuidados da Privet Drive iam ficando para trs, reduzidos a uma colcha de retalhos verdeescuros e pretos, e todos os pensamentos sobre a audincia no Ministrio desapareceram de sua mente como se uma lufada de vento os tivesse varrido dali. Ele teve a sensao de que seu corao ia explodir de prazer; estava voando outra vez, voando para longe da Privet Drive, como passara imaginando o vero inteiro, estava voltando para casa... por uns poucos e gloriosos minutos, todos os seus problemas pareceram ir recuando at desaparecer, insignificantes no vasto cu estrelado.
 - Tudo  esquerda, tudo  esquerda, tem um muggle olhando para o cu! - gritou Moody s costas de Harry. Tonks deu uma guinada e o garoto a acompanhou, observando o malo balanar violentamente sob a vassoura da bruxa. - Precisamos ganhar mais altura... subam mais quatrocentos metros!
com o frio e a velocidade da subida, os olhos de Harry se encheram de gua; ele no conseguia ver nada no solo, exceto os minsculos pontinhos de luz que eram os faris dos carros e os lampies. Duas luzinhas talvez pertencessem ao carro do tio Vernon... neste momento, os Dursley estariam voltando para a casa vazia, enfurecidos por causa do concurso inexistente... e Harry soltou uma gargalhada s de pensar na cena, embora sua voz fosse abafada pela agitao das vestes dos bruxos, o rangido das correias que prendiam o malo e a gaiola, e o rudo do vento ao passar em grande velocidade por seus ouvidos. Ele no se sentia vivo assim fazia um ms, nem to feliz.
 - Rumar para o sul! - gritou Olho-Tonto. - Cidade  frente! Eles viraram para a direita 
a fim de evitar sobrevoar a cintilante
teia de luzes l embaixo.
 - Rumar para sudeste e continuar subindo, h umas nuvens baixas  frente que podem nos esconder! - gritou Moody.
 - No vamos entrar em nuvens! - gritou Tonks zangada. - Vamos nos encharcar, Olho-Tonto!
Harry ficou aliviado de ouvi-la reclamar; suas mos estavam ficando dormentes na empunhadura da vassoura. Desejou ter se lembrado de vestir um casaco; estava comeando a tremer de frio.
Eles alteravam o curso a intervalos, segundo as instrues de Olho-Tonto. Harry conservava os olhos semicerrados para se proteger do vento gelado que comeava a fazer suas orelhas arderem; s se lembrava de sentir tanto frio assim montando uma vassoura uma vez, na vida, durante uma partida de quidditch contra Hufflepuff, no terceiro ano de escola, que se realizara debaixo de um temporal. A guarda voava ao redor dele, continuamente, como gigantescas aves de rapina. Harry perdeu a noo de tempo. Ficou imaginando quantos minutos fazia que estavam voando, parecia no mnimo uma hora.
 - Dobrar para sudeste! - berrou Moody. - Queremos evitar a estrada!
Harry agora estava to congelado que pensou, saudoso, no aconchego seco do interior dos carros que passavam l embaixo, depois, ainda mais saudoso, numa viagem de Flu; talvez fosse desconfortvel ficar rodopiando por lareiras, mas pelo menos nas chamas era quentinho... Kingsley rodeou-o em um mergulho, a careca e o brinco reluzindo ao luar... agora Emelina Vance apareceu  sua direita, a varinha na mo, a cabea virando para a esquerda e a direita... depois ela tambm mergulhou por cima dele e foi substituda por Sturgius Podmore...
 - Devamos retroceder um pouco, para nos certificar de que no estamos sendo seguidos! - gritou Moody.
 - VOC FICOU DOIDO, OLHO-TONTO? - berrou Tonks  rente. - Estamos congelados nas vassouras! Se continuarmos a nos Desviar da rota, s vamos chegar na semana que vem! Alm do mais,
j estamos quase chegando!
 - Hora de iniciar a descida! - ouviu-se a voz de Lupin. - Siga Tonks, Harry!
garoto seguiu a bruxa em um mergulho. Estavam rumando para
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a maior coleo de luzes que eleja vira, uma vasta massa irregular que se entrecruzava, onde brilhavam linhas e redes entremeadas por espaos muito negros. Continuaram voando cada vez mais baixo, at Harry poder distinguir os faris de cada carro, os lampies, as chamins e as antenas de televiso. Ele queria muito chegar ao cho, embora tivesse certeza de que algum precisaria descongel-lo da vassoura.
 - Aqui vamos ns! - avisou Tonks, e alguns segundos depois ela pousou.
Harry tocou o solo logo em seguida e desmontou em um trecho de grama alta, no centro de uma pequena praa. Tonks j estava desafivelando o malo. Tiritando de frio, o garoto olhou para os lados. Ao seu redor, as fachadas das casas cobertas de fuligem no pareciam convidativas; algumas tinham janelas quebradas que refletiam opacamente a luz dos lampies, a pintura estava descascando em muitas das portas e havia montes de lixo na entrada das casas.
 - Onde estamos? - perguntou Harry, mas Lupin disse baixinho
 - Em um instante.
Moody vasculhava sua capa, as mos recurvadas insensveis de frio.
 - Achei - murmurou, erguendo bem no alto um objeto que parecia um isqueiro de prata e acionando-o.
A luz do lampio mais prximo apagou; ele no parou de acionar o isqueiro at todas as lmpadas da praa estarem apagadas, restando apenas a luz de uma janela, protegida por cortinas, e a lua crescente no cu.
 - Pedi-o emprestado a Dumbledore - grunhiu Moody, embolsando o apagueiro. - Isto cuidar de qualquer muggle que esteja espiando pela janela, entende? Agora vamos logo.
Ele tomou Harry pelo brao e o conduziu para longe do gramado, atravessou a rua e subiu a calada; Lupin e Tonks o seguiram, carregando o malo do garoto, o restante da guarda, empunhava suas varinhas, flanqueando os quatro.
De uma janela do primeiro andar prxima, vinha um som abafado de msica. Um cheiro acre de lixo podre desprendia-se de uma pilha de sacas estufadas de lixo logo  entrada do porto quebrado.
 - Tome - murmurou Moody, empurrando um pedao de pergaminho em direo  mo desiludida de Harry, e aproximou sua varinha acesa para iluminar o que estava escrito. - Leia depressa e decore.
Harry olhou para o pedao de pergaminho. A caligrafia fina lhe era vagamente familiar. Ele leu
A sede da Ordem da Fnix encontra-se no largo Grimmauld, nmero doze, Londres. - CAPTULO QUATRO
Largo Grimmauld, nmero doze
 - Que  a Ordem da...? - comeou Harry.
 - Aqui no, garoto! - disse Moody com aspereza. - Espere at chegarmos l dentro! - E, puxando o pedao de pergaminho da mo de Harry, ateou fogo nele com a ponta da varinha. Enquanto a mensagem se crispava em chamas e flutuava lentamente at o cho, Harry tornou a examinar as casas. Estavam parados diante 
do nmero onze; ele olhou para a esquerda e viu o nmero dez; para a direita, no entanto, o nmero era treze.
 - Mas onde...?
 - Pense no que voc acabou de ler - disse Lupin em voz baixa. Harry pensou e, mal chegara  meno do nmero doze da praa,
uma porta escalavrada se materializou entre os nmeros onze e treze, e a ela se seguiram paredes sujas e janelas opacas de fuligem. Era como se uma casa extra tivesse se inflado, empurrando as suas vizinhas para os lados. Harry boquiabriu-se. A msica no nmero onze continuava a tocar com fora. Aparentemente, os Muggles que estavam ali dentro no haviam percebido nada.
 - Vamos, Harry - rosnou Moody empurrando-o pelas costas.
O garoto subiu os degraus de pedra gastos, olhando fixamente para a porta que acabara de aparecer. A tinta preta estava desbotada e cheia de arranhes. A maaneta de prata tinha a forma de uma serpente enroscada. No havia buraco de fechadura nem caixa de correio.
Lupin puxou a varinha e deu uma batida na porta. Harry ouviu uma sucesso de rudos metlicos que lembravam correntes retinindo. A porta abriu rangendo.
 - Entre depressa, Harry - cochichou Lupin - mas no se afaste nem toque em nada.
O garoto cruzou a soleira da porta e mergulhou na escurido quase absoluta do hall. Sentiu o cheiro adocicado de decomposio, poeira e umidade; o local dava a impresso de ser um prdio condenado. Ele espiou por cima do ombro e viu os outros se enfileirarem s uas costas, Lupin e Tonks trazendo o malo e a gaiola de Edwig.
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Moody estava parado no ltimo degrau, devolvendo as bolas de luz que o apagueiro roubara dos lampies; elas voaram de volta s lmpadas e a praa brilhou momentaneamente com uma claridade laranja, antes de Moody entrar coxeando na casa e fechar a porta da frente, de modo que a escurido no hall se tornou completa.
 - Agora...
Ele bateu a varinha com fora na cabea de Harry; o garoto desta vez teve a sensao de que uma coisa quente escorria por sua coluna e percebeu que o Feitio da Desiluso se desmanchara.
 - Agora fiquem quietos, todos, enquanto providencio um pouco de luz aqui - sussurrou Moody.
Os murmrios dos outros estavam dando a Harry uma estranha sensao de agouro; era como se tivessem acabado de entrar na casa de um moribundo. Ele ouviu um assobio suave e em seguida candeeiros antiquados, a gs, ganharam vida ao longo das paredes, lanando uma luz tnue e bruxuleante sobre o papel descascado e o tapete pudo de um corredor longo e sombrio, em cujo teto refulgia um lustre coberto de teias de aranha e, nas paredes, quadros tortos e escurecidos pelo tempo. Harry ouviu uma coisa correr pelo rodap. O lustre e os castiais sobre uma mesa desengonada ali perto tinham a forma de serpentes.
Ouviram-se passos apressados e a me de Ron, a Sra. Weasley, surgiu por uma porta ao fundo do corredor. Exibia um grande sorriso de boas-vindas ao vir ao encontro deles, embora Harry reparasse que estava mais magra e plida do que da ltima vez que a vira.
 - Ah, Harry, que bom ver voc! - sussurrou ela, puxando-o para um abrao de partir costelas antes de afast-lo e examin-lo com um olhar crtico.
 - Voc est parecendo meio doente; est precisando de boa alimentao, mas acho que ter de esperar um pouco pelo jantar.
Ela se voltou para o bando de bruxos atrs de Harry e cochichou pressurosa
 - Ele acabou de chegar, a reunio comeou.
Os bruxos demonstraram interesse e excitao e foram passando por Harry em direo  porta pela qual a Sra. Weasley acabara de sair. O garoto fez meno de acompanhar Lupin, mas ela o deteve.
 - No, Harry a reunio  s para membros da Ordem. Ron e Hermione esto l em cima, voc pode esperar com eles at a reunio terminar, depois jantaremos. E fale baixo no corredor - acrescentou ela apressada.
 - Porqu?
 - No quero despertar ningum. 55
 - Que  que a senhora...
 - Eu explico depois, agora tenho de correr. Preciso participar da reunio... s vou lhe mostrar onde vai dormir.
Levando o dedo aos lbios, ela o conduziu p ante p ao longo da parede coberta por altas cortinas comidas por traas, atrs das quais Harry sups que houvesse outra porta, e, depois de contornar um enorme porta-guarda-chuvas que parecia ter sido feito com perna de trasgo, eles comearam a subir uma escada escura em que havia cabeas encolhidas e montadas sobre 
placas na parede lateral. Um exame mais atento revelou ao garoto que as cabeas pertenciam a elfos domsticos. Todos tinham o mesmo narigo.
O espanto de Harry crescia a cada passo. Que  que eles estavam fazendo em uma casa que parecia pertencer ao mais tenebroso bruxo das trevas?
 - Sra. Weasley, por qu...?
 - Ron e Hermione lhe explicaro tudo, querido, eu realmente tenho de correr - explicou a Sra. Weasley distrada. - Chegamos... tinham alcanado o segundo patamar - a sua  a porta da direita. Chamo voc quando terminar.
E tornou a descer as escadas, apressada.
Harry atravessou o patamar encardido, girou a maaneta em forma de cabea de serpente e abriu a porta.
Deu uma breve olhada no quarto sombrio de teto alto em que havia duas camas; ento ouviu um alvoroo seguido de um grito mais alto, e sua viso foi completamente obscurecida por uma grande quantidade de cabelos muito espessos. Hermione se atirara sobre ele em um grande abrao que quase o derrubou no cho, ao mesmo tempo que a minscula coruja de Ron, Pig, voava excitada, descrevendo crculos contnuos por suas cabeas.
 - HARRY! Ron, ele est aqui, Harry est aqui! No ouvimos voc chegar! Ah, como  que voc vai? Est bom? Ficou furioso com a gente? Aposto que ficou, eu sei, as nossas cartas no serviam para nada - mas a gente no podia contar nada. Dumbledore nos fez; jurar que no contaramos, ah, temos tanta coisa para lhe contar e voc tem coisas para nos contar os dementadores! Quando soubemos - e aquela audincia no Ministrio -  um absurdo, procurei tudo nos livros, eles no podem expulsar voc, simplesmente no podem, tem uma clusula no Decreto de Restrio  Prtica de Magia por Menores Prevendo situaes em que h risco de vida...
 - Deixa ele respirar, Hermione - disse Ron, fechando a porta s costas do amigo. Ele parecia ter crescido vrios centmetros durante o mes de separao, tornara-se mais alto e mais desengonado do que
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nunca, embora o nariz comprido, os cabelos ruivos e as sardas continuassem iguais.
Ainda sorridente, Hermione soltou Harry, mas, antes que pudesse falar, ouviu-se um farfalhar suave e alguma coisa branca saiu voando do alto do armrio escuro e pousou gentilmente no ombro de Harry.
 - Edwig!
A coruja muito branca abriu e fechou o bico e mordiscou com carinho a orelha de Harry, enquanto ele acariciava suas penas.
 - Ela esteve muito nervosa - contou Ron. - Quase matou a gente de tanta bicada quando trouxe suas ltimas cartas. V s...
E mostrou a Harry o dedo indicador direito com um corte quase cicatrizado, mas visivelmente profundo.
 - Ahhhhh. Desculpe pelo corte, mas eu queria respostas, entende...
 - E ns queramos dar, cara - respondeu Ron. - Hermione estava uma fera, no parava de dizer que voc ia fazer uma burrice se ficasse sozinho, sem sada e sem notcias, mas Dumbledore nos fez...
 - ... jurar que no contariam - completou Harry. - , a Hermione j me disse isso.
A pequena chama que se acendera em seu peito ao ver os dois maiores amigos se apagou, e uma coisa gelada inundou a boca do seu estmago. De repente - depois de ansiar o ms inteiro para ver os dois
 - ele sentiu que preferia que Ron e Hermione o deixassem sozinho.
Houve um silncio tenso em que Harry acariciou Edwig mecanicamente, sem olhar para os amigos.
 - Pelo visto ele pensou que era melhor - disse Hermione ofegante. - Dumbledore, quero dizer.
 - Certo - respondeu Harry. Reparou que as mos da amiga, tambm, tinham marcas do bico de Edwig, e descobriu que no sentia a menor pena.
 - Acho que ele pensou que voc estava mais seguro com os Muggles - comeou Ron.
 - Ah, ? - retrucou Harry, erguendo as sobrancelhas. - Algum de vocs foi atacado por dementadores este vero?
 - Bem, no... mas foi por isso que ele mandou gente da Ordem da Fnix seguir voc o tempo todo...
Harry sentiu um enorme choque como se tivesse pulado um degrau, sem querer, na descida de uma escada. Ento todo o mundo sabia que ele estava sendo seguido, menos ele.
 - No deu muito certo, no foi? - disse Harry, fazendo o possvel para manter a voz neutra. - No final, tive de me virar sozinho, no foi?
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 - Ele estava muito zangado - justificou Hermione, num tom de assombro. - Dumbledore. Ns o vimos. Quando descobriu que Nundungus tinha sado antes de terminar o turno de servio. Dava at
medo.
 - Muito bem, fico satisfeito que ele tenha sado - respondeu Harry com frieza. - Se no tivesse, eu no precisaria usar a magia e Dumbledore provavelmente teria me largado na Privet Drive o
vero todo.
 - Voc no est... no est preocupado com a audincia do Ministrio da Magia? - perguntou Hermione baixinho.
 - No - mentiu Harry em tom de desafio. E afastou-se deles olhando para os lados, com Edwig 
aninhada satisfeita em seu ombro, mas este quarto no ia melhorar seu humor. Era escuro e mido. Uma tira lisa de lona em uma moldura enfeitada era a nica coisa que interrompia a nudez das paredes descascadas, e, ao passar pelo objeto, Harry pensou ter ouvido algum, que estava escondido, dar uma risadinha.
 - Ento por que  que Dumbledore estava to ansioso para me deixar no escuro? - perguntou Harry, ainda tentando parecer displicente. - Vocs... se deram o trabalho de perguntar?
Ele ergueu os olhos em tempo de ver a expresso do olhar que os dois trocaram e que o fez perceber que estava reagindo exatamente do jeito que os amigos temiam. O que no melhorou em nada o seu mau humor.
 - Dissemos a Dumbledore que queramos informar voc do que estava acontecendo - disse Ron. - Dissemos, cara. Mas ele anda realmente ocupado, s o vimos duas vezes desde que viemos para c e sempre com pressa, s nos fez jurar que no contaramos nada que tivesse importncia quando lhe escrevssemos, disse que as corujas poderiam ser interceptadas.
 - Ainda assim, ele poderia me manter informado, se quisesse disse Harry, impaciente. - Vocs no vo me dizer que ele no conhece outros meios de mandar mensagens sem corujas.
Hermione olhou para Ron e disse
 - Pensei nisso tambm. Mas ele no queria que voc soubesse de nada.
 - Vai ver ele acha que no mereo confiana - disse Harry, observando o rosto dos amigos.
 - No seja burro - disse Ron, parecendo muito desapontado.
 - Ou que no sei cuidar de mim mesmo.
 - Claro que no pensa isso! - disse Hermione, ansiosa.
 - Ento como  que eu tenho de ficar na casa dos Dursley,
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enquanto vocs dois vm participar de tudo que est acontecendo aqui? - perguntou Harry, as palavras cascateando num atropelo, a voz se elevando a cada palavra. - Como  que permitem a vocs dois saberem de tudo que est acontecendo?
 - No sabemos! - interrompeu-o Ron. - Mame no deixa a gente se aproximar das reunies, diz que somos muito crianas...
Mas antes que percebesse, Harry estava gritando.
 - ENTO VOCS NO TM PARTICIPADO DAS REUNIES, GRANDE COISA! ESTIVERAM AQUI O TEMPO TODO, NO FOI? ESTIVERAM JUNTOS O TEMPO TODO! AGORA, EU, FIQUEI ENCALHADO na RUA DOS ALFENEIROS O MS INTEIRO! E J RESOLVI MUITO MAIS DO QUE VOCS JAMAIS CONSEGUIRAM E DUMBLEDORE SABE DISSO - QUEM SALVOU A
PEDRA FILOSOFAL? QUEM SE LIVROU DO RIDDLE? QUEM SALVOU A PELE DE VOCS DOS DEMENTADORES?
Cada pensamento amargurado e cheio de rancor que Harry tivera no ltimo ms foi saindo de dentro dele sua frustrao com a falta de notcias, a mgoa de que todos tinham estado juntos sem ele, sua fria por estar sendo seguido e ningum lhe informar - todos os sentimentos de que sentia uma certa vergonha extravasaram. Edwig assustou-se com a gritaria e tornou a voar para cima do armrio; Pig, alarmado, soltou vrios pios e voou ainda mais depressa ao redor das cabeas dos garotos.
 - QUEM FOI QUE TEVE DE PASSAR POR DRAGES E ESFINGES E OUTRAS COISAS REPUGNANTES NO ANO PASSADO? QUEM VIU ELE VOLTAR? QUEM TEVE DE ESCAPAR DELE? EU!
Ron ficou parado ali, com o queixo meio cado, visivelmente chocado, e sem saber o que responder, enquanto Hermione parecia  beira das lgrimas.
 - MAS POR QUE EU DEVERIA SABER O QUE EST ACONTECENDO? POR QUE ALGUM SE DARIA O TRABALHO DE ME DIZER O QUE ANDOU ACONTECENDO?
 - Harry, ns queramos lhe dizer, ns realmente queramos comeou Hermione.
 - NO PODEM TER QUERIDO TANTO ASSIM, PODEM, OU TERIAM ME MANDADO UMA CORUJA, MAS DUMBLEDORE FEZ VOCS JURAREM...
 - Fez mesmo...
 - DURANTE QUATRO SEMANAS EU FIQUEI ENTALADO na RUA DOS ALFENEIROS, PESCANDO JORNAIS NAS
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LIXEIRAS PARA TENTAR DESCOBRIR O QUE ESTAVA ACONTECENDO...
 - Ns queramos...
 - SUPONHO QUE VOCS TM SE DIVERTIDO PARA VALER, NO TM, ESCONDIDOS AQUI JUNTOS...
 - No, sinceramente...
 - Harry ns realmente sentimos muito! - disse Hermione desesperada, seus olhos agora cintilantes de lgrimas. - Voc tem absoluta razo, Harry... se fosse comigo eu ficaria furiosa!
Harry amarrou a cara para os dois, ainda respirando fundo, depois tornou a dar as costas aos amigos e a andar para l e para c. Edwig piou tristemente de cima do armrio. Houve uma longa pausa, interrompida apenas pelo rangido fnebre das tbuas do soalho sob os ps do garoto.
 - Que lugar  esse afinal? - perguntou de repente a Ron e Hermione.
 - A sede da Ordem da Fnix - respondeu Ron na hora.
 - Algum vai se dar o trabalho de me dizer o que essa Ordem...?

 -  uma sociedade secreta - disse Hermione depressa. Dumbledore  o responsvel, fundou a Ordem. So as pessoas que lutaram contra Voc-Sabe-Quem da ltima vez.
 - Quem faz parte dela? - perguntou Harry, parando de repente com as mos nos bolsos.
 - Bastante gente...
 - J conhecemos umas vinte - disse Ron - mas achamos que tem mais.
Harry olhou zangado para os amigos.
 - Ento? - indagou, olhando de um para outro.
 - Hum - disse Ron. - Ento o qu?
 - Voldemort! - falou Harry furioso, e os dois contraram as feies.
 - Que est acontecendo? Que  que ele est armando? Onde  que est? Que  que estamos fazendo para impedir?
-J falamos, a Ordem no deixa a gente assistir s reunies - respondeu Hermione, nervosa. - Por isso no sabemos os detalhes... mas temos uma idia geral - acrescentou depressa, vendo a expresso no rosto de Harry.
 - Fred e George inventaram Orelhas Extensveis, entende - contou Ron. - Realmente teis.
 - Extensveis...?
 - Orelhas, . S que tivemos de parar de us-las nos ltimos dias porque mame descobriu e ficou danada. Fred e George tiveram de esconder o estoque para impedir mame de jogar tudo no lixo. Mas
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usamos bastante as orelhas antes de ela perceber o que estava rolando. Sabemos que tem gente da Ordem seguindo Comensais da Morte conhecidos, marcando eles, sabe...
 - Outros esto trabalhando para recrutar mais gente para a Ordem... - acrescentou Hermione.
 - E outros tantos esto montando guarda a algum ou alguma coisa - disse Ron. - Esto sempre falando em servio de guarda.
 - No poderia ter sido a mim, poderia? - perguntou Harry sarcasticamente.'
 - Ah,  - exclamou Ron fazendo cara de quem comeava a compreender.
Harry deu uma risadinha desdenhosa. E recomeou a dar voltas no quarto, olhando para todo lado menos para Ron e Hermione.
 - Ento, que  que vocs dois tm feito se no podem assistir s reunies? Vocs disseram que estiveram ocupados.
 - Estivemos - respondeu Hermione depressa. - Estivemos descontaminando a casa, passou um tempo vazia e muita coisa estranha proliferando por aqui. Conseguimos limpar a cozinha, a maioria dos quartos e acho que vamos cuidar da sala de visitas ama... ARRRE!
com dois fortes craques, Fred e George, os irmos mais velhos de Ron, se materializaram no meio do quarto. Pig piou ainda mais baratinado do que nunca e disparou para se juntar a Edwig em cima do armrio.
 - Parem com isso! - disse Hermione sem entusiasmo aos gmeos, que eram to intensamente ruivos quanto Ron, embora mais fortes e um pouco mais baixos.
 - Ol, Harry - saudou-o George, sorridente. - Pensamos ter ouvido sua voz suave.
 - No queremos que reprima sua raiva, Harry, bote tudo para fora - disse Fred, tambm sorrindo. - Vai ver tem algum a cem quilmetros de distncia que ainda no te ouviu.
 - Ento vocs dois passaram nos testes de materializao? - perguntou Harry mal-humorado.
 - com louvor - respondeu Fred, que estava segurando alguma coisa que parecia um pedao muito comprido de barbante cor de carne.
 - Vocs teriam levado s uns trinta segundos para descer pelas escadas - disse Ron.
 - Tempo  galeo, maninho - disse Fred. - Em todo o caso, Harry, voc est interferindo com a recepo. Orelhas Extensveis - acrescentou em resposta s sobrancelhas erguidas de Harry, e mostrou o barbante, deixando agora visvel que o objeto se alongava em direo ao patamar. - Estamos tentando ouvir o que esto falando l embaixo.
 - Voc vai precisar ter cuidado - disse Ron, olhando para a Orelha. - Se mame tornar a ver mais uma dessas...
 - Vale o risco,  uma reunio importante -justificou Fred.
A porta se abriu e apareceu uma longa juba de cabelos ruivos.
 - Ah, ol, Harry! - cumprimentou animada a irm mais nova de Ron, Giny. - Pensei que tivesse ouvido sua voz.
Virando-se para Fred e George, informou
 - Pode esquecer as Orelhas, ela lanou um Feitio da Imperturbabilidade na porta da cozinha.
 - Como  que voc sabe? - indagou 
George, desapontado.
 - Tonks me ensinou como descobrir. A gente atira uma coisa contra a porta e se a coisa no bate  porque a porta foi "imperturbada". Atirei umas bombas de bosta do alto da escada e elas simplesmente voaram de volta, ento no tem como as Orelhas Extensveis entrarem por baixo.
Fred soltou um suspiro profundo.
 - Que pena. Eu realmente gostaria de descobrir o que  que o Snape est fazendo.
 - Snape! - exclamou Harry imediatamente. - Ele est aqui?
 - T - confirmou George, fechando cuidadosamente a porta e se sentando em uma das camas; Fred e Giny o acompanharam. Fazendo um relatrio. Ultra-secreto.
 - Babaca - disse Fred, s por dizer.
 - Ele agora est do nosso lado - disse Hermione, desaprovando o amigo.
Ron riu.
 - Mas vai continuar sendo babaca. O jeito com que olha para a gente quando nos encontra.
 - Bill tambm no gosta dele - disse Giny, como se isso decidisse a questo.
Harry no tinha muita certeza se sua raiva havia diminudo; mas sua sede de informaes comeou a suplantar o impulso de continuar gritando. Largou-se na cama em frente aos outros.
 - Bill est aqui? - perguntou. - Pensei que estivesse trabalhando no Egito.
 - Ele se candidatou a uma funo burocrtica para poder voltar para casa e trabalhar na Ordem - disse Fred. - Diz que sente falta das tumbas - deu uma risadinha - mas tem suas compensaes.
 - Como assim? 
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 - Voc se lembra da Fleur Delacour? - perguntou George. - Ela arranjou um emprego no Gringotts para aperrfeioan o iingls...
 - E o Bill est dando muitas aulas particulares a ela - caoou Fred.
 - Charly tambm entrou na Ordem - disse George - mas continua na Romnia. Dumbledore quer atrair o maior nmero possvel de bruxos estrangeiros, por isso Charly est tentando fazer contatos nos dias de folga.
 - O Percy no podia fazer isso? - perguntou Harry. na ltima notcia que recebera, o terceiro irmo Weasley estava trabalhando no Departamento de Cooperao Internacional em Magia, no Ministrio da Magia.
Ao ouvirem as palavras de Harry, os Weasley e Hermione trocaram olhares carregados de significao.
 - Diga o que quiser, mas no mencione o Percy na frente da mame e do papai - disse Ron com a voz tensa.
 - Por que no?
 - Porque todas as vezes que ouvem o nome dele, papai quebra o que estiver segurando e mame comea a chorar - explicou Fred.
 - Tem sido horrvel - comentou Giny com tristeza.
 - Acho que podemos passar sem ele - disse George, com uma expresso de ameaa nada caracterstica.
 - Que aconteceu? - perguntou Harry.
 - Percy e papai brigaram - contou Fred. - Nunca vi papai brigar com algum daquele jeito. Em geral  mame que berra.
 - Foi na primeira semana de frias quando terminou o trimestre
 - disse Ron. - amos entrar para a Ordem. Percy chegou e contou que tinha sido promovido.
 - Voc t brincando - admirou-se Harry.
Embora soubesse muito bem que ele era extremamente ambicioso, Harry tinha a impresso de que Percy no fizera grande sucesso em seu primeiro emprego no Ministrio da Magia. Cometera o grande deslize de no perceber que o chefe estava sendo controlado por Lord Voldemort (no que o Ministrio tivesse acreditado - todos pensaram que o Sr. Crouch enlouquecera).
 - Pois , todos ficamos surpresos - continuou George - Percy tinha se metido em grandes confuses por causa de Crouch, houve at um inqurito e tudo. A concluso foi que Percy devia ter percebido que Crouch no estava batendo bem e informado ao seu superior. Mas voc conhece Percy, Crouch o tinha deixado na chefia, e ele no ia reclamar.
 - Ento como foi que ganhou a promoo?
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 -  exatamente o que nos perguntamos - disse Ron, que parecia muito ansioso para sustentar uma conversa normal, agora que Harry parar de gritar. - Percy voltou para casa realmente satisfeito com ele mesmo - ainda mais satisfeito do que o normal, se  que d para imaginar - e disse ao papai que tinham lhe oferecido um cargo no gabinete do prprio Fudge. Um cargo realmente bom para algum que tinha terminado Hogwarts fazia s um ano assistente jnior do ministro. Acho que esperava que papai ficasse impressionado.
 - S que papai no ficou - disse Fred srio.
 - Por que no? - indagou Harry. 
 - bom, parece 
que Fudge tinha percorrido o Ministrio enfurecido para se certificar de que os funcionrios no tivessem contato com Dumbledore - disse George.
 - No Ministrio, o nome de Dumbledore virou lixo, ultimamente, entende - esclareceu Fred. - Todos pensam que ele est s criando problemas quando diz que Voc-Sabe-Quem voltou.
 - Papai falou que Fudge deixou muito claro que qualquer um que estivesse mancomunado com Dumbledore podia desocupar a escrivaninha - disse George.
 - O problema  que Fudge suspeita de papai, sabe que  amigo de Dumbledore, e sempre achou papai meio excntrico por causa da obsesso que ele tem pelos Muggles.
 - Mas que  que isso tem a ver com o Percy? - perguntou Harry, confuso.
 - vou chegar l. Papai desconfia que Fudge s quer Percy no gabinete, porque quer usar o mano para espionar a famlia... e Dumbledore.
Harry soltou um assobio.
 - Aposto como Percy adorou.
Ron deu uma risada meio rouca - Ele perdeu completamente a cabea. Disse... bem, uma poro de coisas horrveis. Disse que est enfrentando a pssima reputao do papai desde que entrou no Ministrio e que papai no tem ambio e que  por isso que sempre fomos, sabe, sempre tivemos pouco dinheiro, quero dizer...
 - Qu? - disse Harry, incrdulo, ao mesmo tempo que Giny bufava feito um gato enraivecido.
 - Eu sei - disse Ron em voz baixa. - E ficou pior. Disse que papai era um idiota de andar com Dumbledore, que Dumbledore ia se meter em uma baita encrenca e papai ia cair junto, e que ele, Percy, sabia a quem devia ser leal, e era ao Ministrio. E se mame e papai iam trair o Ministrio, iria se empenhar para que todo o mundo sou-
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besse que ele no pertencia mais  nossa famlia. E fez as malas na mesma noite e foi embora. Agora est morando aqui em Londres.
Harry soltou um palavro baixinho. Dos irmos de Ron, Percy era o que ele menos gostava, mas nunca imaginara que pudesse dizer essas coisas ao Sr. Weasley.
 - Mame est danada da vida - disse Ron. - Sabe, chora, essas coisas. Veio a Londres para tentar falar com Percy, mas ele bateu a porta na cara dela. No sei como ele faz quando encontra papai no trabalho acho que finge que no v.
 - Mas Percy deve saber que Voldemort voltou - disse Harry lentamente. - Ele no  burro, deve saber que sua me e seu pai no arriscariam tudo sem provas.
 - , bom, o seu nome tambm entrou na briga - disse Ron, lanando a Harry um olhar furtivo. - Percy disse que a nica prova que havia era a sua palavra e... no sei... ele achava que no era suficiente.
 - Percy leva o Profeta Dirio a srio - comentou Hermione, mordaz, com o que os outros concordaram.
 - Do que  que vocs esto falando? - perguntou Harry, passando os olhos por todos. Eles o observavam cautelosos.
 - Voc no tem recebido o Profeta Dirio'? - perguntou Hermione nervosa.
 - Tenho.
 - Voc no tem lido todas as notcias? - perguntou Hermione ainda mais ansiosa.
 - No da primeira  ltima pgina - respondeu Harry na defensiva. - Se houvesse alguma notcia sobre Voldemort sairia em manchete, no?
Os amigos se contraram ao ouvir o nome. Hermione continuou depressa
 - Voc precisaria ler da primeira  ltima pgina para perceber, mas eles, bom, eles mencionam seu nome algumas vezes por semana.
 - Mas eu no vi...
 - Se andou lendo s a primeira pgina, no iria ver - disse Hermione, sacudindo a cabea. - No estou falando de notcia grande. Eles incluem seu nome aqui e ali, como se voc fosse a piada da vez.
 - Como as...?
 - na verdade  bem maldoso - disse Hermione procurando manter a voz calma. - Esto usando s o material que a Rita publicou.
 - Mas ela no est mais escrevendo para o Profeta, est?
 - Ah, no, ela tem cumprido a promessa que fez no que tivesse outra opo - acrescentou Hermione satisfeita. - Mas lanou as bases para o que esto tentando fazer agora.
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 - E que  o qu? - perguntou Harry, impaciente.
 - OK, voc sabe que ela escreveu que voc estava caindo por a, se queixando que sua cicatriz estava doendo e tudo o mais?
 - Sei - respondeu Harry, que to cedo no iria esquecer as notcias de Rita Skeeter sobre ele.
 - bom, esto pintando voc como uma pessoa fantasiosa e sedenta de ateno, que acha que  um grande heri trgico ou qualquer coisa assim - contou Hermione, muito depressa, como se fosse menos desagradvel para o amigo saber desses fatos em menos tempo. - Eles no param de incluir comentrios irnicos sobre voc. Se aparece uma histria mirabolante, escrevem mais ou menos 
assim "Uma histria digna de Harry Potter", e se algum tem um acidente estranho ou coisa parecida dizem "Vamos fazer votos para que ele no fique com uma cicatriz na testa ou vo nos pedir para vener-lo"...
 - Eu no quero que ningum me venere... - comeou Harry indignado.
 - Eu sei que no - disse Hermione depressa, parecendo assustada. - Eu sei, Harry. Mas voc percebe o que eles esto fazendo? Querem transformar voc em uma pessoa em que ningum acredita. Fudge est por trs de tudo, aposto o que voc quiser. Eles querem que o bruxo da rua pense que voc no passa de um garoto burro, que  meio engraado e conta histrias ridculas porque adora ser famoso e quer continuar sendo.
 - Eu no pedi... eu no quis... Voldemort matou meus pais! - protestou Harry, cuspindo as palavras. - Fiquei famoso porque ele assassinou minha famlia, mas no conseguiu me matar! Quem quer ser famoso por uma coisa dessas? Ser que no pensam que eu preferia que nunca...
 - Ns sabemos, Harry - disse Giny com sinceridade.
 - E,  claro que no publicaram nem uma palavra sobre o ataque dos dementadores a voc - acrescentou Hermione. - Algum mandou abafar o caso. Teria sido uma histria e tanto, dementadores escapam ao controle do governo. Nem ao menos noticiaram que voc violou o Estatuto Internacional do Sigilo em Magia. Pensamos que noticiariam, porque combinava com a sua imagem de exibicionista idiota. Achamos que esto aguardando voc ser expulso, ento vo realmente botar pra quebrar, quero dizer, se voc for expulso,  bvio - apressou-se Hermione a acrescentar. - na realidade, no dever ser, no se o Ministrio respeitar as prprias leis, no h caso contra voc.
Estavam de volta  audincia e Harry no queria pensar no assunto. Fez fora para mudar outra vez o rumo da conversa, mas foLpoupado do esforo pelo rudo de passos que subiam a escada. -
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 - Ah, ah.
Fred deu um puxo na Orelha Extensvel; ouviu-se outro estalo forte, e ele e George desapareceram. Segundos depois, a Sra. Weasley apareceu  porta do quarto.
 - A reunio terminou, podem descer para jantar agora. Todo o mundo est doido para ver voc, Harry. E quem foi que largou todas aquelas Bombas de Bosta na porta da cozinha?
 - O Crookshanks - respondeu Giny sem corar. - Ele adora brincar
com bombas.
 - Ah - disse a Sra. Weasley - pensei que talvez fosse o Kreacher, ele est sempre fazendo essas coisas estranhas. Agora no se esqueam de falar baixo no corredor. Giny, suas mos esto imundas, que  que voc andou fazendo? Por favor, v lav-las antes de jantar.
Giny fez careta para os outros e acompanhou a me na sada do quarto, deixando Harry sozinho com Ron e Hermione. Os dois o observaram com apreenso, como se receassem que ele fosse recomear a gritar agora que todos j tinham ido embora. A viso dos amigos olhando-o to nervosos fez Harry se sentir um pouco envergonhado.
 - Olhem... - murmurou, mas Ron sacudiu a cabea e Hermione disse baixinho
 - Ns sabamos que voc ia ficar zangado, Harry, no culpamos voc, srio, mas voc tem de compreender, ns realmente tentamos convencer o Dumbledore...
 - , eu sei - respondeu o garoto, impaciente.
Ele procurou um assunto que no envolvesse o diretor da escola, porque s de pensar em Dumbledore suas entranhas recomeavam a queimar de raiva.
 - Quem  Kreacher? - perguntou.
 - O elfo domstico que mora aqui - respondeu Ron.''-1 'Doido de pedra. Nunca conheci nenhum igual. Hermione franziu a testa. - Ele no  doido de pedra,
 - A ambio da vida dele  ter a cabea cortada e montada em uma placa como fizeram com a me dele - argumentou Ron irritado. - Isso  normal, Hermione?
 - Bem... bem, ele no tem culpa de ser um pouquinho esquisito.
Ron girou os olhos para Harry.
 - Hermione ainda no desistiu do FALE.
 - No  FALE! - retrucou Hermione indignada. -  Fundo de Apoio  Liberao dos Elfos. E eu no sou a nica, Dumbledore tambm diz que devemos tratar bem o Kreacher.
 - Sei, sei - disse Ron. - Vamos, estou morto de fome
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Ele foi o primeiro a sair do quarto e alcanar o patamar, mas antes que pudessem descer a escada...
 - Calma a! - sussurrou Ron, esticando um brao para impedir Harry e Hermione de continuarem. - Eles ainda esto no hall, quem sabe a gente consegue ouvir alguma coisa.
Os trs espiaram com cautela por cima do balastre. O corredor sombrio l embaixo estava apinhado de bruxas e bruxos, inclusive os da guarda de Harry. Cochichavam excitados. Bem no meio do grupo, Harry viu os cabelos escuros e oleosos e o nariz adunco do menos querido 
dos seus professores em Hogwarts, o Prof. Snape. O garoto estava muito interessado em saber o que Snape estava fazendo na Ordem da Fnix...
Um fio de barbante cor de carne desceu bem diante dos olhos de Harry. Erguendo a cabea, ele viu Fred e George no patamar acima, baixando cuidadosamente a Orelha Extensvel em direo  aglomerao sombria de bruxos. No instante seguinte, porm, todos comearam a se encaminhar para a porta de entrada e desapareceram de
vista.
 - Droga - Harry ouviu Fred murmurar, recolhendo a Orelha
Extensvel.
Os trs ouviram a porta de entrada abrir e em seguida fechar.
 - Snape no come aqui nunca - informou Ron a Harry em voz baixa. - Graas a Deus. Vamos.
 - E no se esquea de falar em voz baixa no corredor, Harry cochichou Hermione.
Ao passarem pela fileira de cabeas de elfos domsticos na parede, eles viram Lupin, a Sra. Weasley e Tonks  entrada, lacrando magicamente as muitas fechaduras e trancas da porta depois que os outros
saram.
 - Vamos comer na cozinha - sussurrou a Sra. Weasley, indo ao encontro dos garotos ao p da escada. - Harry, querido, se voc atravessar em silncio o corredor,  aquela porta ali.
TRABUM!
 - Tonks! - exclamou a Sra. Weasley exasperada, virando-se para olhar s suas costas.
 - Me desculpe! - lamentou Tonks, que cara estatelada no cho.
 - E a droga desse porta-guarda-chuvas,  a segunda vez que tropeo nele...
Mas o fim da frase de Tonks foi abafada por um guincho medonho de furar os ouvidos e congelar o sangue.
As cortinas de veludo rodas de traas, pelas quais Harry passara niais cedo, tinham se aberto, mas no havia porta alguma atrs.
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Durante uma frao de segundo, o garoto pensou que estava espiando por uma janela, uma janela em que havia uma velha de touca preta que no parava de berrar como se estivesse sendo torturada - ento ele compreendeu que era simplesmente um retrato em tamanho natural, dos mais realistas e dos mais incmodos que j vira na vida.
A velha estava babando, seus olhos giravam nas rbitas, a pele amarelada do rosto esticava-se inteiramente enquanto gritava; e, por toda a extenso do corredor, os demais quadros acordaram e comearam a berrar, tambm, a tal ponto que Harry chegou a apertar os olhos e tampar os ouvidos para no escutar.
Lupin e a Sra. Weasley correram para tentar fechar a cortina que ocultava a velha, mas no conseguiam e ela guinchava com mais vontade, brandindo as mos em garras como se quisesse estraalhar os rostos deles.
 - Ral! Escria! Filhos da sordidez e da maldade! Mestios, mutantes, monstros, sumam deste lugar! Como se atrevem a macular a casa dos meus antepassados...
Tonks no parava de pedir desculpas, repondo a pesada perna de trasgo na posio original; a Sra. Weasley desistiu das tentativas para fechar as cortinas e corria de uma ponta a outra do corredor com a varinha em punho, lanando um Feitio Estuporante em cada quadro; um homem de longos cabelos negros saiu com violncia de uma porta defronte a Harry.
 - Cale a boca, sua bruxa horrorosa, CALE A BOCA! - berrou ele, agarrando a cortina que a Sra. Weasley abandonara.
A velha empalideceu.
 - Voc! - urrou ela, os olhos saltando das rbitas ao ver o homem. - Traidor do prprio sangue, abominao, vergonha da minha carne!
 - Eu - mandei - calar - a - BOCA! - rugiu o homem, e, com um estupendo esforo, ele e Lupin conseguiram fazer as cortinas fecharem.
Os guinchos da velha morreram e sobreveio um silncio ressonante.
Um pouco ofegante e afastando dos olhos os longos cabelos negros, o padrinho de Harry, Sirius, voltou-se para olh-lo.
 - Ol, Harry - disse muito srio. - Vejo que acabou de conhecer minha me. CAPTULO CINCO
A Ordem da Fnix
 - E, minha velha e querida mame - confirmou Sirius. - Faz um ms que estamos tentando tir-la da, mas achamos que ela ps um Feitio Adesivo Permanente atrs do quadro. Vamos descer, depressa, antes que os outros acordem novamente.
 - Mas o que  que um retrato de sua me est fazendo aqui? perguntou Harry, espantado, quando passaram por uma porta do corredor que dava acesso a uma escada, acompanhados de perto pelos demais.
 - Ningum lhe contou? Esta era a casa dos meus pais. Mas sou o ltimo Black vivo, por isso ela agora  minha. Eu a ofereci a Dumbledore para usar como sede acho que foi a nica coisa til que pude fazer at o momento.
Harry, que esperara uma recepo mais 
calorosa, reparou que a voz de Sirius parecia dura e amargurada. Ele acompanhou o padrinho e, ao fim da escada, passaram por uma porta que se abria para a cozinha do poro.
No era menos sombria do que o corredor acima, um aposento cavernoso com paredes de pedra bruta. Quase toda a iluminao vinha de um grande fogo ao fundo. Fumaa de cachimbo pairava no ar como a nvoa escura sobre um campo de batalha, e nela avultavam as formas ameaadoras de tachos e panelas penduradas no teto escuro. Muitas cadeiras tinham sido amontoadas no aposento para a reunio e no meio havia uma longa mesa de madeira, coalhada de rolos de pergaminho, clices, garrafas de vinho vazias e algo que parecia uma pilha de trapos. O Sr. Weasley e seu filho mais velho, Bill, estavam conversando em voz baixa com as cabeas juntas a uma ponta da mesa.
A Sra. Weasley pigarreou. O marido, um homem magro, culos com aros de tartaruga e cabelos ruivos que comeavam a ralear, olhou para os lados e imediatamente se levantou.
 - Harry! - exclamou o Sr. Weasley, apressando-se a cumprimentar o garoto, cujas mos apertou com fora. - Que bom ver voc. !(,
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Por cima do ombro dele, Harry viu Bill, que ainda usava cabelos longos presos em um rabo-de-cavalo, enrolar as folhas de pergaminho deixadas sobre a mesa.
 - Boa viagem, Harry? - perguntou Bill, tentando recolher doze pergaminhos de uma s vez. - Ento Olho-Tonto no obrigou vocs a passar pela Groenlndia?
 - Ele bem que tentou - respondeu Tonks, se aproximando para ajudar Bill, e, logo em seguida, virando uma vela em cima do ltimo rolo. - Ah rio... me desculpe...
 - Aqui, querido - disse a Sra. Weasley, exasperada, consertando o pergaminho com um aceno da varinha. No lampejo de luz produzido pelo feitio, Harry vislumbrou algo que parecia a planta de uma construo.
A Sra. Weasley o viu olhar. Recolheu com violncia a planta da mesa e meteu-a nos braos sobrecarregados de Bill.
 - Essas coisas deveriam ser retiradas assim que terminam as reunies - disse com rispidez, antes de se dirigir em grandes passadas a um armrio antigo de onde comeou a retirar pratos de jantar.
Bill puxou a prpria varinha e murmurou "Evanesco!", ao que os rolos desapareceram.
 - Sente-se, Harry - disse Sirius. - Voc j conhece Nundungus, no?
A coisa que Harry pensara ser uma pilha de trapos soltou um ronco prolongado, em seguida acordou com um estremeo.
 - Algum falou meu nome? - resmungou Nundungus sonolento.
 - Concordo com Sirius... - E ergueu a mo encardida no ar como se estivesse votando, as plpebras pesadas e os olhos vermelhos fora de foco.
Giny abafou umas risadinhas.
 - A reunio terminou, Nundungus - avisou Sirius, enquanto todos se acomodavam ao redor da mesa. - Harry chegou.
 - Hein? - disse Nundungus, espiando malignamente por entre os cabelos ruivos embaraados. - No  que chegou mesmo! Caramba... voc est bem, Arry?
 - Estou.
Nundungus apalpou os bolsos, nervoso, ainda olhando para Harry e puxou um cachimbo preto recoberto por uma camada de sujeira. Meteu-o na boca, acendeu a ponta com a varinha e chupouo longamente. Enormes nuvens redondas de fumaa esverdeada o envolveram em segundos.
 - Estou devendo desculpas a voc - grunhiu uma voz no meio da nuvem de fumaa fedorenta.
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 - Pela ltima vez, Nundungus - chamou a Sra. Weasley - por favor, no fume essa coisa na cozinha, principalmente antes de comermos!
 - Ah - exclamou o bruxo. - Certo. Desculpe, Molly.
A nuvem de fumaa desapareceu no que Nundungus reps o cachimbo no bolso, mas um cheiro acre de meias queimadas permaneceu no ar.
 - E se vocs quiserem comer antes da meia-noite, vou precisar de ajuda - anunciou a Sra. Weasley a todos na cozinha. - No, voc pode ficar onde est, Harry querido, fez uma viagem muito longa.
 - Em que posso ajudar, Molly? - perguntou Tonks, adiantando-se entusiasmada.
A Sra. Weasley hesitou, parecendo apreensiva.
 - Hum... no, tudo bem, Tonks, voc tambm precisa descansar, 
j fez o suficiente hoje.
 - No, no, quero ajudar! - insistiu a bruxa, animada, derrubando uma cadeira ao se precipitar para o armrio, no qual Giny apanhava talheres.
Logo, uma coleo de facas estava cortando carne e hortalias sozinhas, supervisadas pela Sra. Weasley, enquanto ela mexia um caldeiro pendurado sobre as chamas e os demais apanhavam, na despensa, pratos, mais clices e comida. Harry foi deixado  mesa com Sirius e Nundungus, que ainda piscava os olhos pesarosos para o garoto. ,
 - Viu a velha Figg depois daquele dia? - perguntou.
 - No - disse Harry - no a vi mais.
 - Entendo, eu no teria sado - disse Nundungus, curvando-se para frente, com um tom de splica na voz - mas tive uma oportunidade para fazer um negcio...
Harry sentiu uma coisa roar em seus joelhos e se assustou, mas era s o Crookshanks, o gato amarelo, de pernas arqueadas, de Hermione, que contornou as pernas do garoto, ronronando, e em seguida saltou para o colo de Sirius e se enroscou. O bruxo, distrado, coou atrs das orelhas do gato, ao mesmo tempo que se virava ainda srio para o afilhado.
 - As frias foram boas at agora? .
 - No, uma droga - disse Harry. Pela primeira vez, a sombra de um sorriso perpassou O rosto de Sirius. - Eu no sei do que voc est se queixando...
 - Qu? - exclamou Harry, incrdulo. 
 - Pessoalmente, eu teria recebido com prazer um ataque de dementadores. Uma luta mortal pela minha alma teria quebrado essa monotonia numa boa. Voc acha que seu vero foi ruim, mas pelo
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menos voc pde sair, esticar as pernas, se meter em brigas... eu fiquei trancado aqui o ms inteiro.
 - Como assim? - perguntou Harry, franzindo a testa.
 - Porque o Ministrio da Magia continua me caando, e Voldemort, a esta altura, j sabe que sou um animago. Wormtail ter contado a ele, portanto o meu disfarce acabou. No h muito que eu possa fazer pela Ordem da Fnix... ou pelo menos  o que pensa Dumbledore.
Havia alguma coisa no tom ligeiramente inexpressivo com que Sirius disse o nome de Dumbledore que deixou transparecer que ele tambm no estava muito feliz com o diretor. O garoto sentiu uma repentina afeio pelo padrinho.
 - Pelo menos voc acompanhou o que estava acontecendo disse,  guisa de consolo.
 - Ah, com certeza - respondeu Sirius sarcasticamente. - Escutando os relatrios de Snape, aturando as ironias dele de que est l fora arriscando a vida enquanto eu estou aqui sentado no bem-bom... me perguntando como vai a limpeza...
 - Que limpeza? - perguntou Harry.
 - Estou procurando deixar a casa em condies de ser habitada por humanos - explicou Sirius, abarcando com um gesto a cozinha sombria. - Ningum mora aqui h dez anos, ou pelo menos desde que minha querida me faleceu, a no ser que se conte o velho elfo domstico que a servia, e que j perdeu o juzo h muito tempo no limpa nada h anos.
 - Sirius - interrompeu-o Nundungus, que no parecia ter prestado ateno alguma  conversa, mas estivera examinando um clice vazio. - Isto  prata macia, cara?
 -  - respondeu Sirius, avaliando o clice com averso. - A melhor prata lavrada por duendes no sculo XV, gravada com o braso da famlia Black.
 - Mas isso sai - murmurou Nundungus, polindo o braso com o punho do casaco.
 - Fred... George... NO,  S PARA CARREGAR AS COISAS! gritou a Sra. Weasley.
Harry, Sirius e Nundungus olharam para os lados e, em uma frao de segundo, mergulharam para longe da mesa. Fred e George tinham enfeitiado um caldeiro de ensopado, uma jarra de ferro com cerveja amanteigada e uma pesada tbua de cortar, inclusive com a faca, fazendo tudo voar pelo ar em direo  mesa. O caldeiro deslizou por toda a extenso da mesa e parou quase na ponta, deixando uma longa queimadura negra em sua superfcie; a jarra caiu com estrpito, espalhando o contedo pela cozinha; a faca de po escorre73
gou da tbua e aterrissou, de ponta para baixo, agitando-se ameaadoramente, no ponto exato em que a mo de Sirius estivera momentos antes.
 - PELO AMOR DE DEUS! - bradou a Sra. Weasley. - NO HAVIA A MENOR NECESSIDADE - PARA MIM J CHEGA - S PORQUE AGORA VOCS TM PERMISSO PARA USAR MAGIA, NO PRECISAM PUXAR A VARINHA PARA TUDO!
 - S estamos tentando economizar tempo! - respondeu Fred, correndo a arrancar a faca de po da mesa. - Desculpe, cara - disse a Sirius - no tive...
Harry e Sirius riram; Nundungus, que cara 
para trs, se levantou xingando; Crookshanks soltou um silvo raivoso e disparou para baixo do armrio, de onde seus grandes olhos amarelos brilharam no escuro.
 - Meninos - disse o Sr. Weasley, repondo o caldeiro no centro da mesa - sua me tem razo, espera-se que vocs demonstrem responsabilidade, agora que so maiores de idade...
 - Nenhum dos seus irmos criou esse tipo de problema! - ralhou a Sra. Weasley com os gmeos, batendo uma nova jarra de cerveja amanteigada na mesa com tanta fora que quase derramou a mesma quantidade do lquido que os garotos. - Bill no sentia necessidade de materializar a cada metro! Charly no enfeitiava tudo que via! Percy...
Ela parou de repente, para tomar flego, e lanou um olhar assustado ao marido, cuja expresso enrijecera repentinamente.
 - Vamos comer - disse Bill depressa.
 - Est com uma cara tima, Molly - disse Lupin, servindo uma concha do ensopado em um prato e passando-o a ela, sentada  sua frente na mesa.
Durante alguns minutos fez-se silncio, quebrado apenas pelo rudo dos pratos, talheres e cadeiras  medida que as pessoas se acomodavam para comer. Ento a Sra. Weasley se dirigiu a Sirius.
 - Estou querendo lhe falar h dias, tem alguma coisa presa na escrivaninha da sala de visitas, no pra de chocalhar e vibrar. E claro que pode ser apenas um sem-forma, mas pensei que talvez devssemos pedir a Alastor para dar uma espiada antes de soltarmos o que quer que seja.
 - Como quiser - respondeu Sirius, indiferente.
 - As cortinas de l tambm esto cheias de fadas mordentes continuou a Sra. Weasley. - Pensei que a gente talvez pudesse tentar resolver o problema amanh.
 - Estou ansioso para comear - disse Sirius. Harry percebeu o sarcasmo na voz do padrinho, mas ficou em dvida se todos o haviam percebido. >v;
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Em frente a Harry, Tonks divertia Hermione e Giny transformando o prprio nariz entre uma garfada e outra. Contraindo os olhos com a mesma expresso de dor que revelara no quarto de Harry, o nariz da bruxa inchou, formando uma espcie de protuberncia alongada que lembrava o nariz do Snape, encolheu e se arredondou como um champignon e em seguida produziu uma quantidade de plos em cada narina. Aparentemente aquilo era uma diverso rotineira  hora da refeio, porque Hermione e Giny logo estavam pedindo que fizesse os narizes de que mais gostavam.
 - Faz aquele que parece um focinho de porco, Tonks.
Tonks obedeceu, e Harry, erguendo os olhos, teve a momentnea impresso de que a verso feminina de Duddley estava sorrindo para ele do lado oposto da mesa.
O Sr. Weasley, Bill e Lupin mantinham uma animada discusso sobre duendes.
 - Eles ainda no esto revelando nada - dizia Bill. - No cheguei  concluso se acreditam ou no que ele retornou. Claro que talvez prefiram no tomar partido. Ficar de fora.
 - Tenho certeza de que eles nunca se aliariam a Voc-SabeQuem - falou o Sr. Weasley, balanando a cabea. - Eles tambm sofreram perdas; lembra aquela famlia de duendes que ele assassinou da outra vez, perto de Nottingham?
 - Acho que tudo depende do que oferecerem aos duendes comentou Lupin. - E no estou falando de ouro. Se oferecerem a liberdade que vimos negando a eles h sculos, ficaro tentados. Voc ainda no teve sorte com o Ragnok, Bill?
 - Ele est se sentindo muito antibruxo no momento - respondeu Bill. - No parou de esbravejar sobre aquela histria do Bagman, acha que o Ministrio abafou o caso, os duendes nunca receberam o ouro prometido, sabe...
Uma onda de risadas na parte central da mesa abafou as palavras finais de Bill. Os gmeos, Ron e Nundungus estavam rolando de rir.
 - ... e ento - engasgou-se Nundungus, as lgrimas escorrendo pelo rosto - e ento, se d para acreditar, ele olha para mim, e diz "Me diz aqui, Nundungus, onde foi que voc arranjou todos esses sapos? Porque um filho da me foi e afanou os meus." E eu digo "Afanou os seus sapos, cara, e agora? Ento voc vai querer mais alguns?" E se quiserem acreditar, rapazes, o burro do grgula tornou a comprar de mim todos os sapos que tinham sido dele por um preo muito mais alto do que pagou da primeira vez.
 - Acho que no precisamos continuar ouvindo os seus negcios,
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Nundungus - disse a Sra. Weasley rispidamente, enquanto Ron caa debruado sobre a mesa de tanto rir.
 - Desculpe, Molly - disse Nundungus na mesma hora, enxugando as lgrimas e piscando para Harry. - Mas, sabe, para comear o Will tinha afanado os sapos do Verruga, por isso eu no estava realmente fazendo nada errado.
 - No sei onde foi que voc aprendeu o que  certo e errado, Nundungus, mas pelo jeito andou perdendo algumas aulas 
fundamentais - disse a Sra. Weasley com frieza.
Fred e George enfiaram a cara nos clices de cerveja amanteigada; George estava com soluo. Por alguma razo, a Sra. Weasley lanou um olhar muito feio a Sirius antes de se levantar para buscar um grande pudim de ruibarbo. Harry virou-se para o padrinho.
 - Molly desaprova o Nundungus - murmurou Sirius.
 - Ento como  que ele faz parte da Ordem? - perguntou Harry no mesmo tom.
 - Ele  til - murmurou Sirius. - Conhece todos os vigaristas bem,  claro que sim, j que  um deles. Mas  tambm muito leal a Dumbledore, que certa vez o ajudou a sair de um apuro. Compensa ter algum como Nundungus por perto, ele ouve coisas que no ouvimos. Mas Molly acha que convid-lo para jantar j  ir longe demais. No o perdoou por abandonar o servio em vez de seguir voc.
Trs pores de pudim de ruibarbo depois, e a cintura das jeans de Harry comeou a apertar demais (o que no era pouca coisa, pois as jeans tinham pertencido a Duddley). Quando ele finalmente descansou a colher, tinha havido uma pausa na conversa geral  mesa. O Sr. Weasley se recostara na cadeira, parecendo relaxado e satisfeito; Tonks bocejava abertamente, o nariz agora no feitio normal; e Giny, que atrara Crookshanks para fora do vo do armrio, estava sentada no cho de pernas cruzadas, atirando rolhas de cerveja para o gato ir buscar.
 - Acho que est chegando a hora de dormir - disse a Sra. Weasley bocejando.
 - Ainda no, Molly - pediu Sirius, afastando o prato para olhar Harry de frente. - Sabe, estou surpreso com voc. Pensei que a primeira coisa que faria ao chegar era perguntar sobre o Voldemort.
A atmosfera na sala mudou com a rapidez que Harry associava  chegada de dementadores. Se segundos antes estava sonolenta e descontrada, agora ficara alerta e at tensa. Correu um arrepio pela mesa a meno do nome de Voldemort. Lupin, que ia tomar um gole de vinho, baixou o clice lentamente, com ar de preocupao.
 - Perguntei! - exclamou Harry, indignado. - Perguntei a Ron e
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Hermione, mas eles disseram que no podamos participar da Ordem, ento...
 - E tm toda a razo - disse a Sra. Weasley. - Vocs so muito jovens.
A bruxa se empertigou na cadeira, as mos fechadas sobre os braos, sem o menor vestgio de sono.
 - Desde quando algum precisa pertencer  Ordem da Fnix para fazer perguntas? - indagou Sirius. - Harry ficou preso naquela casa de Muggles um ms inteiro. Tem o direito de saber o que andou acontecendo...
 - Calma a! - interrompeu-o George, em voz alta.
 - Por que  que o Harry recebe respostas s perguntas dele? protestou Fred aborrecido.
 - Faz um ms que tentamos tirar informaes de voc e no conseguimos absolutamente nada! - disse George.
 - Voc  jovem demais, no pertence  Ordem - disse Fred, com uma voz esganiada que lembrava estranhamente a da me. - E Harry no  nem maior de idade!
 - No tenho culpa se ningum lhe contou nada que a Ordem tem feito - respondeu Sirius calmamente. - Isso  uma deciso dos seus pais. Por outro lado, o Harry...
 - No cabe a voc decidir o que  bom para o Harry! - retrucou a Sra. Weasley com aspereza. A expresso em seu rosto, normalmente bondoso, parecia perigosa. - Suponho que ainda se lembre do que Dumbledore disse?
 - Que parte? - perguntou Sirius educadamente, mas com o ar de um homem que se prepara para uma briga.
 - A parte em que disse para no contar a Harry mais do que ele precisa saber - disse a Sra. Weasley, sublinhando as duas ltimas palavras.
As cabeas de Ron, Hermione, Fred e George giravam de Sirius para a Sra. Weasley como se estivessem acompanhando uma partida de tnis. Giny estava ajoelhada em meio a uma pilha de rolhas de cerveja, observando a conversa com a boca entreaberta. Os olhos de Lupin estavam pregados em Sirius.
 - No tenho inteno de contar mais do que ele precisa saber, Molly. Mas como foi ele quem viu Voldemort voltar - mais uma vez houve um estremecimento coletivo ao som daquele nome - tem mais direito do que a maioria de...
 - Ele no pertence  Ordem da Fnix! - contraps a Sra. Weasley.
 - Tem apenas quinze anos e...
 - E j teve de enfrentar tanto quanto a maioria dos participantes da Ordem e mais do que alguns.
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 - Ningum est negando o que ele fez! - disse a Sra. Weasley erguendo a voz, os punhos tremendo nos braos da cadeira. - Mas ainda...
 - Ele no  mais criana! - retrucou Sirius, impaciente.
 - Tampouco  adulto! - disse a Sra. Weasley, a cor anuindo s suas faces. - Ele no  James, Sirius!
 - Sei perfeitamente quem ele , obrigado, Molly - retrucou Sirius com frieza.
 - No tenho muita certeza! s vezes, pelo jeito com que fala dele passa a impresso de que pensa ter recuperado seu melhor amigo!
 - E que  que h de errado nisso? - perguntou Harry.
 - O que h de errado, Harry,  que voc no  o seu pai, por 
mais que se parea com ele! - disse a Sra. Weasley, os olhos ainda fixos em Sirius. - Voc ainda est na escola, e os adultos responsveis por voc no deveriam esquecer isso!
 - Est dizendo que sou um padrinho irresponsvel? - perguntou Sirius, alteando a voz.
 - Estou querendo dizer que  conhecido por agir impulsivamente, Sirius, razo pela qual Dumbledore est sempre lembrando a voc para ficar em casa e...
 - Vamos deixar as instrues que recebi de Dumbledore fora da conversa, quer fazer o favor? - disse Sirius quase gritando.
 - Arthur! - chamou a Sra. Weasley, zangando-se com o marido.
 - Arthur, venha me apoiar!
O Sr. Weasley no falou imediatamente. Tirou os culos e limpou-os devagar nas vestes, sem olhar para a esposa. S depois que os recolocou no rosto, comeou a responder.
 - Dumbledore sabe que houve uma mudana de posio, Molly. Ele aceita que Harry tenha de ser informado, at certo ponto, agora que est hospedado aqui na sede.
 - Sei, mas h uma diferena entre isso e convid-lo a perguntar o que quiser!
 - Por mim - disse Lupin em voz baixa, s ento afastando o olhar de Sirius, ao mesmo tempo que a Sra. Weasley se virava para ele, na esperana de ter finalmente conseguido um aliado - acho melhor que Harry conhea, por nosso intermdio, os fatos, no todos, Molly, mas o quadro geral, em vez de ouvir uma verso truncada pela boca de... outros. . Sua expresso era suave, mas Harry tinha certeza que Lupin, pelo menos, sabia que algumas Orelhas Extensveis haviam sobrevivido ao expurgo da Sra. Weasley  
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 - bom - comeou ela, dando um longo suspiro e olhando ao redor  procura de um apoio que no veio - bom... estou vendo que vou perder. Mas vou dizer s uma coisa Dumbledore deve ter tido suas razes para no querer que Harry soubesse demais, e falando como algum que quer o melhor para Harry...
 - Ele no  seu filho - disse Sirius em voz baixa.
 -  como se fosse - respondeu ela ferozmente. - Quem mais ele tem?
 - Tem a mim!
 - Tem - concordou a Sra. Weasley, crispando a boca - o problema  que foi bastante difcil para voc cuidar dele enquanto esteve trancafiado em Azkaban, no foi?
Sirius comeou a se erguer da cadeira.
 - Molly, voc no  a nica pessoa nesta mesa que se importa com o Harry - disse Lupin secamente. - Sirius, sente-se.
O lbio inferior da Sra. Weasley estava tremendo. Sirius tornou a se sentar lentamente em sua cadeira, o rosto branco.
 - Acho que devamos deixar Harry dar a opinio dele sobre o assunto - continuou Lupin - eleja tem idade para decidir sozinho.
 - Eu quero saber o que est acontecendo - disse o garoto imediatamente.
Ele no olhou para a Sra. Weasley. Comovera-se quando a ouviu dizer que era como se fosse seu filho, mas tambm estava impaciente com seus mimos exagerados. Sirius tinha razo, ele no era criana.
 - Muito bem - disse a Sra. Weasley com a voz falhando. - Giny... Ron... Hermione... Fred... George... quero vocs fora desta cozinha, agora. - Houve um tumulto instantneo.
 - Somos maiores de idade! - berraram Fred e George juntos.
 - Se Harry pode, por que eu no posso? - gritou Ron.
 - Mame, eu quero ouvir! - choramingou Giny.
 - NO! - bradou a Sra. Weasley, pondo-se de p, os olhos demasiado brilhantes. - Probo terminantemente...
 - Molly, voc no pode impedir Fred e George - disse o Sr. Weasley, cansado. - Eles so maiores de idade.
 - Ainda so estudantes.
 - Mas agora so legalmente adultos - disse o Sr. Weasley, com a mesma voz cansada.
A Sra. Weasley ficou escarlate.
 - Eu... ah, est bem, ento, Fred e George podem ficar, mas Ron...
 - De qualquer jeito Harry vai contar a mim e a Hermione tudo que disserem! - falou o garoto, zangado. - No vai... no vai? - acrescentou, inseguro, procurando os olhos de Harry.
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Por uma frao de segundo, Harry considerou a possibilidade de responder a Ron que no lhe contaria uma nica palavra, que iria faz-lo experimentar o que  ser deixado no escuro para ver se era bom. Mas o impulso maldoso desapareceu quando se encararam.
 - Claro que vou - confirmou Harry. Ron e Hermione abriram largos sorrisos.
 - timo! - gritou a Sra. Weasley. - timo! Giny - CAMA! Giny no foi em silncio. Todos a ouviram zangando e brigando
com a me na subida das escadas e, quando alcanaram o corredor, os gritos de furar os tmpanos da Sra. Black vieram se somar ao alvoroo. 
Lupin correu para o quadro para restaurar a calma. Somente depois que voltou, fechou a porta da cozinha e retomou seu lugar  mesa, foi que Sirius falou.
 - Muito bem, Harry... que  que voc quer saber?
O garoto inspirou profundamente e fez a pergunta que o obcecara durante todo o ms anterior.
 - Onde est o Voldemort? - perguntou, no fazendo caso dos renovados arrepios e caretas  meno daquele nome. - Que  que ele est fazendo? Estive tentando assistir ao noticirio dos Muggles, e no houve nada que parecesse coisa dele, nem mortes estranhas nem nada.
 -  que ainda no ocorreram mortes estranhas - respondeu Sirius - pelo menos at onde sabemos... e sabemos muita coisa.
 - Pelo menos mais do que ele pensa que sabemos - acrescentou Lupin.
 - Por que  que parou de matar gente? - perguntou Harry. Ele sabia que Voldemort matara mais de uma vez s no ano anterior.
 - Porque no quer chamar ateno - respondeu Sirius. - Seria arriscado. O retorno no foi bem como ele esperava, entende. Ele estragou tudo.
 - Ou melhor, voc estragou tudo - disse Lupin, com um sorriso de satisfao.
 - Como? - perguntou Harry perplexo.
 - Voc no devia ter sobrevivido! - disse Sirius. - Ningum alm dos Comensais da Morte devia saber que ele havia retornado. Mas voc sobreviveu para contar.
 - E a ltima pessoa que ele queria que fosse alertada do retorno era Dumbledore - disse Lupin. - E voc garantiu que ele ficasse sabendo imediatamente.
 - E como foi que isso ajudou? - perguntou Harry.
 - Voc est brincando? - perguntou Bill incrdulo. - Dumbledore  a nica pessoa de quem Voc-Sabe-Quem j teve medo na vida!
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 - Graas a voc, Dumbledore pde reconvocar a Ordem da Fnix uma hora depois do retorno de Voldemort - disse Sirius.
 - Ento  isso que a Ordem esteve fazendo? - perguntou o garoto, olhando as pessoas ao seu redor.
 - Trabalhando com o mximo empenho para garantir que Voldemort no possa concretizar seus planos - disse Sirius.
 - Como  que vocs sabem quais so os planos dele? - perguntou Harry depressa.
 - Dumbledore teve uma idia astuciosa - disse Lupin - e as idias astuciosas de Dumbledore em geral se provam verdadeiras.
 - Ento que  que Dumbledore imagina que ele esteja planejando?
 - bom, para comear, Voldemort quer reoganizar o exrcito explicou Sirius. - No passado, ele teve efetivos enormes sob seu comando bruxas e bruxos que intimidou ou enfeitiou para segui-lo, os fiis Comensais da Morte, uma grande variedade de criaturas das trevas. Voc o ouviu planejando recrutar os gigantes; bom, este  apenas um dos grupos que ele quer aliciar. com certeza ele no vai tentar assumir o Ministrio da Magia com meia dzia de Comensais da Morte.
 - Ento vocs esto tentando impedi-lo de recrutar mais seguidores?
 - Estamos nos esforando o mximo - disse Lupin. 
 - Como?
 - bom, o principal  tentar convencer o maior nmero possvel de pessoas de que Voc-Sabe-Quem realmente retornou, deix-las na defensiva - disse Bill. - Mas est sendo complicado.
 - Por qu?
 - Por causa da atitude do Ministrio - esclareceu Tonks. - Voc viu Cornelius Fudge depois que Voc-Sabe-Quem retornou, Harry. Muito bem, ele no mudou de posio. Continua a se recusar a acreditar que seja verdade.
 - Mas por qu? - perguntou Harry desesperado. - Por que  que ele est sendo to burro? Se Dumbledore...
 - Ah, voc acabou de pr o dedo na ferida - disse o Sr. Weasley com um sorriso entre divertido e aborrecido. - Dumbledore.
 - Fudge tem medo dele, entende - acrescentou Tonks com tristeza.
 - Medo de Dumbledore? - repetiu Harry incrdulo.
 - Medo do que est pretendendo - disse o Sr. Weasley. - Fudge pensa que Dumbledore est conspirando para derrub-lo. Acha que Dumbledore quer ser ministro da Magia.
 - Mas Dumbledore no quer.
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 - Claro que no quer - confirmou o Sr. Weasley. -Jamais quis o cargo de ministro, ainda que muita gente quisesse que ele o assumisse quando Emilia Bagnold se aposentou. Mas foi Fudge quern assumiu o poder, e ele jamais esqueceu todo o apoio do povo a Dumbledore, ainda que ele jamais tivesse se candidatado ao cargo.
 - No fundo, Fudge sabe que Dumbledore  muito mais esperto que ele, um bruxo muito mais poderoso, e no incio do mandato Fudge estava sempre pedindo ajuda e conselhos a Dumbledore falou Lupin. - Mas parece que Fudge gostou do poder e se tornou muito mais confiante. Adora ser ministro da Magia e conseguiu se convencer de que  o mais inteligente 
e que Dumbledore est criando confuso simplesmente por criar.
 - Como  que ele pode pensar uma coisa dessas? - perguntou Harry indignado. - Como pode pensar que Dumbledore v simplesmente inventar tudo isso... que eu v inventar tudo isso?
 - Porque aceitar que Voldemort retornou significaria ter problemas que o Ministrio no precisa enfrentar h quase catorze anos disse Sirius amargurado. - Fudge simplemente no quer encarar a verdade.  muito mais cmodo se convencer de que Dumbledore est mentindo para desestabiliz-lo.
 - Voc est entendendo o problema? - disse Lupin. - Enquanto o Ministrio insistir que no h nada a temer da parte de Voldemort,  muito difcil convencer as pessoas de que ele retornou, principalmente se elas, para comear, no querem acreditar nisso. E mais, o Ministrio est confiando em que o Profeta Dirio no noticie o que chama de campanha de boatos de Dumbledore e, assim sendo, a maior parte da comunidade bruxa no tem a menor conscincia de que alguma coisa tenha acontecido, e com isto se torna um alvo fcil para os Comensais da Morte, se estiverem usando a Maldio Imperius.
 - Mas vocs esto contando s pessoas, no esto? - perguntou Harry, olhando para todos ao redor o Sr. Weasley, Sirius, Bill, Nundungus, Lupin e Tonks. - Vocs esto informando a todos que ele retornou?
Todos riram amarelo.
 - bom, como todos acham que sou um louco homicida que mata por atacado, e o Ministrio est oferecendo uma recompensa de dez mil galees pela minha cabea, no d para eu sair  rua e comear a distribuir panfletos, d? - comentou Sirius inquieto.
 - E eu no sou um convidado muito popular na maior parte da nossa comunidade - disse Lupin. -  um risco ocupacional ser lobisomem.
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 - Tonks e Arthur perderiam o emprego no Ministrio se comeassem a dar com a lngua nos dentes - disse Sirius - e  muito importante para ns ter espies no Ministrio, porque voc pode apostar que Voldemort os tem.
 - Mesmo assim, conseguimos convencer algumas pessoas - disse o Sr. Weasley. - A Tonks aqui, por exemplo era muito jovem para participar da Ordem da Fnix da outra vez, e  uma enorme vantagem contar com aurores do nosso lado; Kingsley Shacklebolt tambm tem sido realmente valioso.  o responsvel pela caa ao Sirius, ento tem informado ao Ministrio que Sirius est no Tibet.
 - Mas se nenhum de vocs est divulgando a notcia de que Voldemort retornou... - comeou Harry.
 - Quem disse que nenhum de ns est divulgando as notcias? falou Sirius. - Por que  que voc acha que Dumbledore est to encrencado?
 - Como assim? - perguntou Harry.
 - Esto tentando desacredit-lo - explicou Lupin. - Voc no viu o Profeta Dirio da semana passada? Noticiaram que a Confederao Internacional de Bruxos votou a dispensa dele da diretoria porque est ficando velho e incapaz, mas no  verdade; votaram a favor da dispensa dele os bruxos funcionrios do Ministrio depois que ele fez um discurso anunciando o retorno de Voldemort. Ele perdeu o cargo de bruxo-presidente da Suprema Corte dos Bruxos, e esto falando em cassar sua comenda de primeira classe da Ordem de Merlim.
 - Mas Dumbledore diz que no se importa com o que esto fazendo, desde que no tirem o seu retrato do baralho de sapos de chocolate - disse Bill rindo.
 - No  caso para risos - censurou seu pai com rispidez. - Se continuar a desafiar o Ministrio abertamente, ele pode acabar em Azkaban, e a ltima coisa que queremos  ver Dumbledore trancafiado. Enquanto Voc-Sabe-Quem souber que Dumbledore est livre e bem informado do que ele est fazendo, agir com cautela. Se Dumbledore estiver fora do caminho... bom, Voc-Sabe-Quem ter o campo livre.
 - Mas se Voldemort estiver tentando recrutar mais Comensais da Morte, logo vazar a notcia de que retornou, no  mesmo? - perguntou Harry desesperado.
 - Voldemort no vai at  casa das pessoas e bate na porta, Harry
 - ponderou Sirius. - Ele prepara arapucas, enfeitia e chantageia. Tem muita prtica de agir em segredo. Em todo o caso, reunir seguidores  apenas uma das coisas em que est interessado. Ele tambm tem
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outros planos, planos que pode pr em ao discretamente, e, por ora, tem se concentrado neles.
 - Que  que ele est querendo conseguir alm dos seguidores? perguntou Harry depressa. Pareceu-lhe ter visto Sirius e Lupin trocarem um brevssimo olhar antes do seu padrinho responder.
 - Coisas que ele s pode obter na surdina.
Como Harry continuasse a fazer cara de intrigado, Sirius explicou
 - Como armas. Uma coisa que no tinha da ltima vez.
 - Quando era poderoso? -.
 - Que tipo de armas? 
 - perguntou Harry. - Coisa pior do que a Avada Kedavra...?
 - Agora chega!
A Sra. Weasley falou das sombras a um lado da porta. Harry no notara sua chegada depois que fora deixar Giny no andar de cima. Tinha os braos cruzados e parecia furiosa.
 - Agora vo dormir. Todos vocs - acrescentou, olhando para Fred, George, Ron e Hermione.
 - Voc no pode mandar na gente... - comeou Fred.
 - Ento olhe - rosnou a Sra. Weasley. Tremia ligeiramente ao encarar Sirius. - Voc j deu ao Harry muita informao. Mais um pouco e ser melhor convenc-lo a entrar na Ordem da Fnix de vez.
 - Por que no? - perguntou Harry depressa. - Entro para a Ordem, quero entrar, quero lutar.
-No.
No foi a Sra. Weasley quem falou desta vez, mas Lupin.
 - A Ordem  formada apenas por bruxos de maior idade - explicou ele. - Bruxos que j terminaram a escola - acrescentou, quando Fred e George abriram a boca. - H perigos em jogo de que vocs no tm a menor idia, nenhum de vocs... Acho que Molly tem razo, Sirius. J contamos o suficiente.
Sirius comeou a sacudir os ombros, mas no discutiu. A Sra. Weasley acenou autoritariamente para os filhos e Hermione. Um a um, eles se levantaram, e Harry, reconhecendo a derrota, os acompanhou.

 - CAPTULO SEIS
A mui antiga e nobre casa dos Black
A Sra. Weasley acompanhou-os ao andar de cima de cara amarrada.
 - Todos direto para a cama, nada de conversas - disse quando alcanaram o primeiro patamar - vamos ter um dia cheio amanh. Imagino que Giny esteja dormindo - acrescentou para Hermione - portanto, trate de no acord-la.
 - Dormindo, claro - disse Fred num murmrio, depois que Hermione desejou a todos boa-noite e eles j subiam para o segundo andar. - Quero ser verme se a Giny no estiver acordada esperando Hermione para contar tudo que foi dito l embaixo...
 - Muito bem, Ron, Harry - disse a Sra. Weasley no segundo patamar, apontando para o quarto dos garotos. - Para a cama os dois.
 - Noite - disseram Harry e Ron aos gmeos.
 - Durmam bem - despediu-se Fred com uma piscadela.
A Sra. Weasley esperou Harry passar e fechou a porta com uma batida seca. O quarto parecia, se  que isto era possvel, ainda mais mido, frio, desagradvel e sombrio do que parecera  primeira vista. O quadro vazio na parede agora respirava lenta e profundamente, como se seu ocupante invisvel estivesse adormecido. Harry vestiu o pijama, tirou os culos e entrou na cama gelada, enquanto Ron atirava petiscos s corujas no alto do armrio para acalmar Edwig e Pig, que estavam fazendo um estardalhao e sacudiam as asas, inquietas.
 - No podemos solt-las toda noite para caar - explicou Ron, vestindo o pijama marrom. - Dumbledore no quer muitas corujas voando pelo largo, acha que vai parecer suspeito. Ah, sim... ia me esquecendo.
Ele foi at a porta e trancou-a.
 - Para que est fazendo isso?
 - Kreacher - respondeu Ron apagando a luz. - na noite que cheguei, ele entrou pelo quarto s trs da manh. Confie em mim, voc no vai querer acordar e dar de cara com ele andando pelo quarto. Em todo o caso... - Ron entrou na cama, ajeitou-se sob as cober85
tas e se virou de frente para encarar Harry no escuro; Harry via o contorno do amigo  claridade do luar que se filtrava pela janela suja
 - que  que voc achou?
Harry no precisou perguntar o que o amigo Ron queria saber.
 - bom, no nos contaram muita coisa que no pudssemos ter adivinhado sozinhos, no  mesmo? - comentou, repassando mentalmente tudo que fora discutido na cozinha. - Quero dizer, s o que realmente nos disseram foi que a Ordem est tentando impedir as pessoas de se reunirem a Vol...
Ron prendeu bruscamente a respirao.
 - ... demort - disse Harry com firmeza. - Quando  que voc vai comear a usar o nome dele? Sirius e Lupin usam.
Ron fingiu no ter ouvido o comentrio.
 - , voc tem razo, j sabamos quase tudo que nos contaram, usando as Orelhas Extensveis. A nica novidade foi...
Craque.
-AI!
 - Fale baixo Ron ou mame volta j, j aqui.
 - Vocs dois materializaram em cima dos meus joelhos!

 - Ah, bom,  que  mais difcil no escuro.
Harry percebeu os vultos de Fred e George saltando da cama de Ron. As molas gemeram e o colcho de Harry afundou alguns centmetros quando George se sentou nos ps da cama.
 - Ento, j chegaram l? - perguntou George ansioso.
 - na arma que Sirius mencionou? - disse Harry. 
 - Deixou escapar,  mais provvel - disse Fred com prazer, agora sentado ao lado de Ron. - No escutamos nada sobre isso com as Orelhas, no foi? - Que  que vocs acham que ? - perguntou Harry.
 - Pode ser qualquer coisa - respondeu Fred.
 - Mas no pode haver nada pior do que a Maldio Avada Kedavra, pode? - perguntou Ron. - Que  que pode ser pior do que a morte?
 - Talvez seja alguma coisa que pode matar muita gente de uma vez - sugeriu George.
 - Talvez seja algum modo bem doloroso de matar gente - disse Ron, assustado.
 - Ele j tem a Maldio Cruciatus para causar dor - disse Harry
 - e no precisa de nada mais eficiente.
Fez-se uma pausa e o garoto percebeu que os outros, como ele, estavam imaginando os horrores que a tal arma poderia perpetrar.
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 - Ento quem  que vocs acham que j tem a arma? - perguntou George.
 - Espero que seja o nosso lado - disse Ron, com a voz ligeiramente nervosa.
 - Se for, provavelmente est sob a guarda de Dumbledore - disse Fred.
 - Onde? - perguntou Ron depressa. - Hogwarts?
 - Aposto que sim - arriscou George. - Foi onde ele escondeu a Pedra Filosofal.
 - Mas a arma vai ser bem maior que a pedra! - disse Ron.
 - No vejo por que - retrucou Fred.
 - , tamanho no  garantia de potncia - disse George. - Olhe s a Giny.
 - Como assim? - perguntou Harry.
 - Ela nunca lanou em voc a maldio que usa para rebater sem-forma?
 - Psss! - fez Fred, semi-erguendo-se da cama. - Ouam! Todos se calaram. Havia passos subindo a escada.
 - Mame - disse George e, sem mais demora, ouviu-se um forte craque e Harry sentiu um peso sumir dos ps de sua cama. Segundos depois, os garotos ouviram as tbuas do soalho rangerem do lado de fora da porta; sem disfarces, a Sra. Weasley estava escutando  porta para verificar se conversavam. Edwig e Pig piaram tristemente. As tbuas tornaram a ranger e os dois meninos a ouviram subir mais um andar, para verificar Fred e George.
 - Ela no confia nadinha na gente, sabe - lamentou Ron. Harry estava certo de que no conseguiria adormecer; a noite
fora to cheia de informaes sobre as quais refletir que ele no duvidava de que iria passar horas acordado tentando digeri-las. Queria continuar a conversar com Ron, mas a Sra. Weasley fez as escadas rangerem na descida, e depois dela Harry ouviu distintamente outros virem subindo... na realidade, criaturas de muitas pernas galopavam para cima e para baixo do lado externo da porta, e Hagrid, o professor de Trato das Criaturas Mgicas, ia dizendo "Umas lindezas, no so? Este semestre vamos estudar armas...", e Harry viu que as criaturas tinham canhes em lugar de cabeas e estavam manobrando para enfrent-lo... ele se abaixou...
A prxima coisa de que teve conscincia foi que estava enrolado como uma bola, aquecido sob as cobertas, e a voz forte de George enchia o quarto.
 - Mame falou para vocs se levantarem, que o caf da manh est na cozinha, e que depois ela precisa de todos ns na sala de visitas, tem
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um nmero muito maior de fadas mordentes do que ela imaginou, e que encontrou um ninho de pufosos mortos embaixo do sof.
Meia hora depois, Harry e Ron, que se vestiram e tomaram caf, apressados, chegaram  sala de visitas no primeiro andar, um aposento comprido de teto alto, com paredes verde-oliva cobertas por tapearias sujas. O tapete soltava nuvenzinhas de poeira cada vez que algum pisava nele, e as longas cortinas de veludo verde-musgo zumbiam como se nelas houvesse enxames de abelhas invisveis. Giny, Fred e George estavam agrupados, todos com caras estranhas, pois usavam um pano amarrado 
sobre o nariz e a boca. Cada um deles segurava um garrafo de lquido preto com um esguicho no bocal.
 - Protejam o rosto e apanhem um borrifador - disse a Sra. Weasley a Harry e Ron no instante em que os viu, apontando para mais dois garrafes cheios de um lquido preto, em cima de uma mesa de pernas finas. -  Fadicida. Nunca vi uma infestao to sria que ser que o elfo domstico desta casa andou fazendo nos ltimos dez anos...
O rosto de Hermione estava semi-oculto por uma toalha, mas Harry notou perfeitamente o olhar de censura que ela lanou  Sra. Weasley.
 - O Kreacher est muito velho e provavelmente no pde...
 - Voc ficaria surpresa com o que o Kreacher pode fazer quando quer, Hermione - disse Sirius, que acabara de entrar na sala trazendo uma saca ensangentada que parecia conter ratos mortos. - Estive alimentando o Buckbeack - acrescentou em resposta ao olhar indagador de Harry. - Guardo-o l em cima no quarto da minha me. Em todo o caso... essa escrivaninha...
Ele largou a saca de ratos em uma poltrona, depois se curvou para examinar o armrio trancado, o qual Harry reparava pela primeira vez que estava vibrando.
 - bom, Molly, tenho certeza de que isso  um sem-forma - disse Sirius, espiando pelo buraco da fechadura - mas talvez fosse bom o Olho-Tonto dar uma espiada antes que o soltemos conhecendo minha me, pode ser coisa muito pior.
 - Voc tem razo, Sirius - disse a Sra. Weasley.
Ambos se falavam em um tom intencionalmente leve e educado, que deixou muito claro a Harry que nenhum dos dois esquecera o desentendimento da noite anterior.
Uma campainha forte e ressonante tocou no trreo, seguida imediatamente pela cacofonia de berros e guinchos que na noite anterior haviam sido provocados por Tonks ao derrubar o porta-guardachuvas. 
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 - Vivo dizendo a eles para no tocarem a campainha! - exclamou Sirius exasperado e saiu correndo da sala. Ouviram-no descer com estrondo as escadas, ao mesmo tempo que os guinchos da Sra. Black ecoavam mais uma vez por toda a casa.
Smbolos da desonra, mestios srdidos, traidores do prprio sangue, filhos da imundcie...
 - Por favor, feche a porta, Harry - pediu a Sra. Weasley. Harry demorou o mximo que ousou para fechar a porta da sala
de visitas; queria ouvir o que estava acontecendo l embaixo. Sirius obviamente conseguira fechar as cortinas que cobriam o retrato da me, porque ela parar de berrar. O garoto ouviu os passos do padrinho no corredor, depois o tinido da corrente da porta de entrada e, por fim, a voz grave que ele reconheceu pertencer a Kingsley Shacklebolt
 - Hstia acabou de me substituir, a capa de Moody ficou com ela, mas eu gostaria de deixar um relatrio para o Dumbledore...
Sentindo o olhar da Sra. Weasley em sua nuca, Harry, penalizado, fechou cuidadosamente a porta da sala e tornou a se juntar ao grupo de limpeza.
A Sra. Weasley curvou-se para consultar a pgina sobre as fadas mordentes no Billa de pragas domsticas de Gilderoy Lockhart, aberto sobre o sof.
 - Certo, meninos, vocs precisam ter cuidado, porque as fadas mordentes mordem e os dentes delas so venenosos. Tenho um vidro de antdoto aqui, mas preferiria que ningum precisasse us-lo.
Ela endireitou o corpo, tomou posio bem diante das cortinas e fez sinal para os garotos avanarem.
 - Quando eu mandar, comecem a borrifar imediatamente. Elas vo voar pra cima de ns, imagino, mas segundo as instrues do Fadicida, uma boa esguichada pode paralis-las. Quando isto acontecer  s atir-las neste balde.
A Sra. Weasley saiu cuidadosamente da linha de fogo dos garotos e ergueu o prprio garrafo.
 - Muito bem - agora!
Harry estava borrifando havia alguns segundos quando uma fada mordente adulta saiu voando da dobra da cortina, vibrando as asas reluzentes como as de um besouro, os dentinhos afiados  mostra, o corpo coberto de espessos plos pretos e os quatro punhos midos apertados com fria. Harry acertou o Fadicida em cheio na cara da fada. Ela parou no ar e caiu sobre o tapete pudo que cobria o cho, com um baque surpreendentemente forte. Harry recolheu-a e atirou-a no balde. 
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 - Fred, que  que voc est fazendo? - perguntou a Sra. Weasley com aspereza. - Borrife logo e jogue essa coisa fora.
Harry se virou para olhar. Fred segurava entre o indicador e o polegar uma fada que se debatia.
 - Certo - respondeu Fred animado, borrifando depressa a cara da fada para faz-la desmaiar, mas, no instante em que a Sra. Weasley virou as costas, ele a enfiou no bolso com uma piscadela.
 - Queremos testar o veneno das fadas mordentes para o 
nosso kit Mata-Aula - murmurou George para Harry.
Borrifando com percia, e ao mesmo tempo, duas fadas que voavam para o seu nariz, Harry se aproximou de George e cochichou pelo canto da boca
 - Que  um kit Mata-Aula?
 - Um kit com docinhos para deixar o aluno doente - sussurrou George, mantendo um olho preocupado nas costas da Sra. Weasley. No  doente para valer, entenda, s o suficiente para o cara sair da sala de aula na hora que quiser. Fred e eu estivemos fazendo experincias nessas frias. So de mastigar e tm extremidades de cores diferentes. Se o cara come a metade laranja da Vomitilha, ele vomita. na hora em que for levado depressa para a ala hospitalar, ele engole a metade roxa...
 - ... que "restaura o seu bem-estar e lhe permite curtir a atividade que escolher durante aquela hora que, do contrrio, seria ocupada por um tdio intil". Pelo menos  como estamos anunciando cochichou Fred, que havia se aproximado para fugir da linha de viso da Sra. Weasley e agora ia varrendo algumas fadas dispersas e guardando-as no bolso. - Mas ainda  preciso um pouco de pesquisa. No momento, os nossos provadores ainda tm achado meio difcil parar de vomitar o tempo suficiente para comer a parte roxa.
 - Provadores?
 - Ns - explicou Fred. - Ns nos revezamos. George provou as Fantasias Debilitantes, ns dois experimentamos o Nug SangraNariz...
 - Mame pensou que a gente tivesse andado duelando - disse George.
 - A Loja de Logros e Brincadeiras ainda est valendo, ento? murmurou Harry, fingindo ajustar o esguicho do borrifador.
 - bom, ainda no tivemos chance de arranjar um local - disse Fred, baixando ainda mais a voz, enquanto a Sra. Weasley enxugava a testa com a echarpe para voltar ao ataque - por isso estamos operando na base de remessas postais, por enquanto. Pusemos anncios no Profeta Dirio na semana passada.
 - Tudo graas a voc, cara - disse George. - Mas no se preocupe...
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mame no tem a menor idia. Ela no l mais o Profeta Dirio porque anda contando mentiras sobre voc e Dumbledore.
Harry riu. Obrigara os gmeos Weasley a aceitarem o seu prmio de mil galees pela vitria no Torneio Tribruxo, para ajud-los a realizar a ambio de abrir uma loja de logros e brincadeiras, mas continuava satisfeito que a Sra. Weasley no soubesse de sua contribuio para incentivar os planos dos gmeos. Ela achava que dirigir uma loja de logros e brincadeiras no era uma carreira digna para os dois filhos.
A desfadizao das cortinas ocupou a maior parte da manh. J passava de meio-dia quando a Sra. Weasley finalmente tirou a echarpe que a protegia, deixou-se cair em uma poltrona com as molas afundadas e de repente levantou-se outra vez, soltando um grito de nojo, pois se sentara em cima da saca de ratos mortos. As cortinas haviam parado de zumbir; pendiam moles e midas com o intenso borrifamento. No balde aos ps deles, jaziam amontoadas as fadas mordentes paralisadas, ao lado de uma bacia com seus ovos negros; Crookshanks agora os farejava e Fred e George lanavam olhares de cobia.
 - Acho que vamos cuidar daqueles depois do almoo. - A Sra. Weasley apontou para os armrios de portas de vidro empoeiradas a cada lado do console da lareira. Estavam abarrotados com uma estranha variedade de objetos uma coleo de adagas enferrujadas, garras, uma pele de cobra enrolada, algumas caixas de prata oxidada com inscries em lnguas que Harry no reconheceu e, o mais desagradvel de todos, uma garrafa de cristal lapidado com uma grande opala engastada na rolha, contendo o que Harry tinha certeza que era sangue.
A campainha barulhenta da porta tornou a soar. Todos olharam para a Sra. Weasley.
 - Fiquem aqui - disse ela com firmeza, agarrando a saca de ratos na hora em que recomeavam os gritos da Sra. Black no andar de baixo. - vou trazer uns sanduches.
Saiu da sala, fechando cuidadosamente a porta ao passar. na mesma hora, todos acorreram  janela para espiar a entrada. Viram o cocuruto de algum de cabelos ruivos e malcuidados e uma pilha de caldeires precariamente equilibrados.
 - Nundungus! - exclamou Hermione. - Para que ser que ele trouxe todos aqueles caldeires?
 - Provavelmente est procurando um lugar seguro para guardlos - disse Harry. - No era isso que estava fazendo na noite em que devia estar me seguindo? Apanhando caldeires suspeitos?
 - E, voc tem razo! - disse Fred, quando a porta de entrada foi aberta; Nundungus entrou com o carregamento de caldeires e desapareceu de vista. - Caramba, mame no vai gostar disso...
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Ele e George foram at a porta e pararam para escutar. Os berros da Sra. Black haviam parado.
 - Nundungus est conversando com o Sirius e o Kingsley - murmurou Fred, franzindo a testa concentrado. - No consigo ouvir direito... 
Vocs acham que podamos arriscar as Orelhas Extensveis?
 - Talvez valha a pena - disse George. - Eu podia ir escondido at l em cima e apanhar um par...
Mas naquele exato momento ouviram tal exploso sonora no trreo que as Orelhas Extensveis se tornaram dispensveis. Todos puderam ouvir exatamente o que a Sra. Weasley estava berrando a plenos pulmes.
 - NO ESTAMOS OPERANDO UM ESCONDERIJO PARA OBJETOS ROUBADOS!
 - Adoro ouvir mame gritando com os outros - disse Fred, com um sorriso de satisfao no rosto, abrindo uma fresta na porta para permitir que a voz da Sra. Weasley entrasse melhor pela sala -  muito bom para variar!
 - ... COMPLETAMENTE IRRESPONSVEL, COMO SE NO TIVSSEMOS O BASTANTE PARA NOS PREOCUPAR SEM VOC TRAZER CALDEIRES ROUBADOS PARA DENTRO
DA CASA...
 - Os idiotas esto deixando ela ganhar impulso - comentou George, sacudindo a cabea. -  preciso cortar logo o papo dela, seno vai se enchendo de vapor e no pra mais. E anda doida para ter uma chance de desancar o Nundungus, desde que ele saiu escondido quando devia estar seguindo voc, Harry - e l vai a me do Sirius outra vez.
A voz da Sra. Weasley foi abafada pelos novos guinchos e gritos dos retratos no corredor.
George fez meno de fechar a porta para abafar o barulho, mas, antes que pudesse faz-lo, um elfo domstico esgueirou-se para dentro.
Exceto pelo trapo imundo amarrado como uma tanga nos quadris, ele estava completamente nu. Parecia muito velho. Sua pele dava a impresso de ser maior do que o corpo e, embora fosse careca, como todos os elfos domsticos, uma boa quantidade de plos brancos saa de suas orelhas enormes como as de um morcego. Seus olhos injetados eram de um cinzento aquoso e seu nariz, bulboso, grande e meio trombudo.
O elfo no prestou a menor ateno em Harry nem nos demais. Agindo como se no pudesse v-los, avanou arrastando os ps, o corpo curvado, mas lenta e decididamente, para o fundo do aposento, resmungando baixinho numa voz rouca e sonora como a de uma r-touro.
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 - ... cheira a esgoto e ainda por cima criminoso, mas ela no  melhor, traidora perversa do prprio sangue com esses pirralhos que emporcalham a casa da minha senhora, ah, minha pobre senhora, se ela soubesse, se soubesse a ral que deixaram entrar em sua casa, que  que ela diria ao velho Kreacher, ah, que vergonha, sangues-ruins e lobisomens e traidores e ladres, coitado do velho Kreacher, que  que ele pode fazer...
 - Ol, Kreacher - disse Fred em voz muito alta, fechando a porta com um estalo.
O elfo domstico ficou imvel, parou de resmungar, e encenou um sobressalto muito forte e pouco convincente.
 - Kreacher no viu o jovem senhor - disse, virando-se e fazendo uma reverncia para Fred. Ainda com os olhos no tapete, acrescentou, em tom perfeitamente audvel -  um pirralho desagradvel e traidor do prprio sangue, sim.
 - Desculpe? - disse George. - No entendi essa ltima parte.
 - Kreacher no disse nada - repetiu o elfo, com uma segunda reverncia, e acrescentou em um claro murmrio - e aqui temos os gmeos, ferinhas desnaturadas que so.
Harry no sabia se ria ou no. O elfo se endireitou, olhando-os malignamente e, pelo jeito, convencido de que os garotos no podiam ouvi-lo continuar a resmungar.
 - ... e olhem a Sangue-Ruim, parada ali insolente, ah, se a minha senhora soubesse, ah, como iria chorar, e tem um garoto novo, Kreacher no sabe o nome dele. Que  que ele est fazendo aqui? Kreacher no sabe...
 - Este  o Harry, Kreacher - disse Hermione, hesitante. - Harry Potter.
Os olhos claros de Kreacher se arregalaram e ele resmungou mais depressa e mais furioso que nunca.
 - A Sangue-Ruim est falando com Kreacher como se fosse minha amiga, se a senhora de Kreacher o visse em tal companhia, ah, o que iria dizer...
 - No chame Hermione de Sangue-Ruim! - disseram ao mesmo tempo Ron e Giny, muito zangados.
 - No tem importncia - sussurrou a garota - ele no bate bem da cabea, no sabe o que est...
 - No se engane, Hermione, ele sabe exatamente o que est dizendo - falou Fred, encarando Kreacher com grande averso.
Kreacher continuava resmungando, com os olhos fixos em Harry.
 - E verdade? Esse  o Harry Potter? Kreacher est vendo a cica93
triz, deve ser verdade, foi o garoto que deteve o Lorde das Trevas, Kreacher queria saber como foi que ele fez...
 - E no queremos todos, Kreacher? - falou Fred.
 - Afinal que  que voc est querendo? - perguntou George.
Os enormes olhos de Kreacher voltaram-se depressa para George.
 - Kreacher est limpando - respondeu, fugindo  pergunta.
 - D mesmo para acreditar! - disse uma voz atrs de Harry. Sirius voltara; da porta, olhava aborrecido para o elfo. O barulho
no corredor diminura; talvez a Sra. Weasley e Nundungus tivessem transferido a discusso para a cozinha. Ao ver Sirius, Kreacher mergulhou em 
uma reverncia ridiculamente profunda que achatou o seu nariz trombudo no cho.
 - Fique em p direito - disse Sirius impaciente. - Agora, que  que voc est aprontando?
 - Kreacher est limpando - repetiu o elfo. - Kreacher vive para servir a nobre casa dos Black...
 - Que est ficando cada dia mais preta, est imunda.
 - Meu senhor sempre gostou de brincar - disse Kreacher, curvando-se outra vez, e continuando a murmurar. - O senhor sempre foi um porco mau e ingrato que partiu o corao de sua me...
 - Minha me no tinha corao, Kreacher - retorquiu Sirius. Sobrevivia de puro rancor.
Kreacher tornou a se curvar e falou
 - O que o senhor disser - resmungou furiosamente. - O senhor no  digno de limpar a lama das botas de sua me, ah, minha pobre senhora, que diria se visse Kreacher servindo esse filho, que odiava tanto, que desapontamento teve com ele...
 - Perguntei o que estava aprontando - falou Sirius com a voz cortante. - Todas as vezes que voc aparece fingindo que est limpando, esconde alguma coisa no seu quarto para no podermos jog-la fora.
 - Kreacher nunca tiraria nada do seu lugar na casa do senhor disse o elfo, e ento murmurou depressa - A senhora jamais perdoaria Kreacher se a tapearia fosse jogada fora, faz sete sculos que est na famlia, Kreacher precisa salv-la, Kreacher no vai deixar que o senhor e os traidores do prprio sangue e seus pirralhos a destruam...
 - Achei que talvez fosse isso - respondeu Sirius, lanando um olhar desdenhoso  parede oposta. - Ela deve ter posto mais um Feitio Adesivo Permanente atrs da pea, no duvido nada, mas se houver um jeito com certeza vou me livrar dela. Agora, v embora, Kreacher.
Aparentemente Kreacher no ousava desobedecer a uma ordem
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direta, contudo o olhar que lanou ao passar por Sirius arrastando os ps era do mais profundo desprezo, e ele saiu resmungando sem parar.
 - ... volta de Azkaban dando ordens a Kreacher, ah, minha pobre senhora, que diria se visse a casa agora, habitada por uma ral, tesouros atirados no lixo, minha senhora jurou que ele no era mais seu filho, mas ele voltou, dizem que tambm  assassino...
 - Continue a resmungar e vou virar mesmo assassino! - disse Sirius irritado, batendo a porta na cara do elfo.
 - Sirius, ele no est com o juzo perfeito - Hermione defendeu-o.
 - Acho que no tem conscincia de que podemos ouvi-lo.
 - Ele passou tempo demais sozinho - disse Sirius - recebendo ordens malucas do retrato de minha me e sem ter com quem falar, mas sempre foi safado...
 - E se voc o libertasse - sugeriu Hermione esperanosa - quem sabe...
 - No podemos libert-lo, ele sabe demais sobre a Ordem - disse Sirius secamente. - De qualquer modo, o choque o mataria. Proponha a ele ir embora dessa casa, e veja a reao.
Sirius atravessou a sala at onde estava pendurada a tapearia que Kreacher tentara proteger, ocupando toda a parede. Harry e os outros o seguiram.
A tapearia parecia imensamente velha; desbotada e, pelo aspecto, as fadas mordentes a haviam rodo em alguns pontos. Mesmo assim, o fio de ouro com que fora bordada conservava brilho suficiente para mostrar uma enorme rvore genealgica que remontava (at onde Harry pde ver)  Idade Mdia. Bem no alto da tapearia, lia-se em grandes letrasA Grande e Nobre Casa dos Black.
 
 - Voc no est a! - admirou-se Harry, depois de examinar a parte inferior da rvore.
 - Costumava estar aqui - respondeu Sirius, apontando para um buraquinho redondo e carbonizado na tapearia, que lembrava uma queimadura de cigarro. - Minha meiga e querida me me detonou depois que fugi de casa - Kreacher gosta muito de resmungar essa histria.
 - Voc fugiu de casa?
 - Quando tinha uns dezesseis anos. J estava cheio.
 - Aonde voc foi? - perguntou Harry, mirando o padrinho.
 - Para a casa do seu pai - respondeu Sirius. - Seus avs foram
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muito compreensivos; meio que me adotaram como um segundo filho. , eu acampava na casa do seu pai durante as frias escolares, e quando fiz dezessete anos montei casa prpria. Meu tio Alfardus me deixara um bom dinheiro, ele tambm foi removido da tapearia, provavelmente por essa razo, em todo o caso, a partir da cuidei de mim mesmo. Mas eu era sempre bem-vindo na casa dos Potter para o almoo de domingo.
 - Mas... por que voc...?
 - Sa de casa? - Sirius sorriu com amargura e passou os dedos pelos cabelos longos e maltratados. - Porque odiava todos eles meus pais, com 
a mania de puro-sangue, convencidos de que ser um Black tornava a pessoa praticamente regia... meu irmo idiota, frouxo suficiente para acreditar neles... olhe ele ali.
Sirius enfiou um dedo bem na base da rvore, indicando "Regulus Black". Uma data de falecimento (h uns quinze anos) seguia-se  do nascimento.
 - Ele era mais novo e um filho muito melhor do que eu, meus pais no se cansavam de me lembrar. 
 - Mas ele morreu - disse Harry. 
 - Morreu. Um idiota... juntou-se aos Comensais da Morte.
 - Voc est brincando!
 - Ora vamos, Harry, voc j no viu o suficiente nesta casa para saber que tipo de bruxos era a minha famlia? - disse Sirius irritado.
 - Eles eram... os seus pais, Comensais da Morte tambm?
 - No, no, mas pode acreditar, eles achavam que Voldemort estava certo, eram totalmente a favor de purificar a raa bruxa, de nos livrar dos nascidos Muggles e entregar o comando aos puros-sangues. E no estavam sozinhos, havia muita gente antes de Voldemort mostrar sua verdadeira cara que acreditava nele... se acovardaram quando viram a que extremos ele estava disposto a ir para assumir o poder. Mas aposto que meus pais achavam que Regulus era o perfeito heroizinho quando se alistou logo no comeo.
 - Ele foi morto por um auror? - perguntou Harry tentando adivinhar.
 - Oh, no. Ele foi morto por Voldemort. Ou por ordens de Voldemort, o que  mais provvel; duvido que Regulus tenha se tornado bastante importante para ser morto por Voldemort em pessoa. Pelo que descobri depois de sua morte, ele acompanhou o movimento at certo ponto, ento entrou em pnico com o que lhe pediam para fazer e tentou recuar. Bem, ningum simplesmente entrega um pedido de demisso a Voldemort.  um servio para a vida toda.
 - Almoo - anunciou a voz da Sra. Weasley. Ela vinha empu-
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nhando a varinha bem no alto, equilibrando na ponta uma enorme bandeja carregada de sanduches e bolos. Estava com a cara muito vermelha e ainda parecia zangada. Os outros se aproximaram, ansiosos para comer, mas Harry continuou em companhia de Sirius, que se curvou para a tapearia.
 - Faz anos que no olho isso. Veja o Fineus Nigellus, meu tetrav... o diretor menos querido que Hogwarts j teve... e Araminta Melflua... prima de minha me... tentou aprovar  fora uma lei ministerial que tornava legal a caa aos Muggles... e a querida tia Eladora... deu incio  tradio familiar de decapitar os elfos domsticos quando ficavam velhos demais para carregar as bandejas de ch...  claro que sempre que a famlia gerava algum razoavelmente decente, ele era repudiado. Estou vendo que Tonks no est aqui. Talvez seja por isso que Kreacher no recebe ordens dela a obrigao dele  atender a tudo que algum da famlia pedir...
 - Voc e Tonks so parentes? - perguntou Harry surpreso.
 - Ah, claro, a me dela, Andromeda, era minha prima favorita disse, examinando a tapearia com cuidado. - No, Andromeda tambm no est aqui, olhe...
E apontou para mais uma queimadurazinha redonda entre dois nomes, Belatrix e Narcisa.
 - As irms de Andromeda continuam a porque fizeram casamentos belos e respeitveis com puros-sangues, mas Andromeda se casou com Ted Tonks que nasceu muggle, ento...
Sirius encenou detonar a tapearia com a varinha e riu amargamente. Harry, porm, no achou graa; estava ocupado demais examinando os nomes  direita da queimadura de Andromeda. Uma linha dupla de ouro ligava o nome de Narcisa Black com Lcio Malfoy e uma nica linha vertical que saa dos seus nomes ao nome de Draco.
 - Voc  parente dos Malfoy!
 - As famlias de puro-sangue so todas entrelaadas - declarou Sirius. - Se algum deixar os filhos e filhas casarem apenas com puros-sangues, a escolha fica muito reduzida; sobram muito poucos. Molly e eu somos primos por casamento e Arthur parece que  um primo em segundo grau. Mas no adianta procur-los aqui se um dia houve uma famlia de traidores do prprio sangue foram os Weasley.
Mas Harry agora estava lendo o nome  esquerda da queimadura de Andromeda Belatrix Black, que era ligada por uma linha dupla a Rodolfo Lestrange.
 - Lestrange... - disse Harry em voz alta. O nome despertara alguma coisa em sua memria; ele o conhecia de algum lugar, mas por
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um instante no conseguiu lembrar de onde, embora tenha tido uma sensao estranha e sorrateira no fundo do estmago. 
 - Esto em Azkaban - disse Sirius brevemente. Harry mirou-o com curiosidade. - Belatrix e o marido Rodolfo foram junto com Bart Crouch jnior - esclareceu Sirius, no mesmo tom brusco. - O irmo de Rodolfo, Rabastan, tambm.
Ento Harry se lembrou. Vira Belatrix na 
Penseira de Dumbledore, o estranho objeto em que era possvel guardar pensamentos e lembranas uma mulher alta e morena de plpebras cadas, que se levantara no julgamento e declarara sua lealdade inabalvel a Lord Voldemort, o orgulho que sentira em procur-lo depois de sua queda e sua convico de que um dia seria recompensada por essa lealdade.
 - Voc nunca disse que ela era sua...
 - Faz diferena se  minha prima? - retrucou Sirius. - No que me diz respeito, nenhum deles  minha famlia. E ela menos de todos. No a vejo desde que tinha sua idade, a no ser que se conte a viso de relance quando chegou a Azkaban. Voc acha que tenho orgulho de ter uma parenta como ela?
 - Desculpe - disse Harry depressa. - Eu no quis... fiquei surpreso, foi s...
 - No faz mal, no precisa se desculpar - disse o padrinho num murmrio. Afastou-se ento da tapearia, as mos enterradas nos bolsos. - No gosto de ter voltado - disse olhando pela sala. - Nunca pensei que voltaria a ficar preso nesta casa.
Harry entendeu perfeitamente. Sabia como iria se sentir quando crescesse e achasse que tinha se livrado da casa dos Dursley para sempre e precisasse voltar a viver na Privet Drive nmero quatro.
 - Naturalmente  perfeita para uma sede - continuou Sirius. Meu pai instalou nela todas as medidas de segurana conhecidas na bruxidade, quando morvamos aqui. No  localizvel, por isso os Muggles nunca podem aparecer para visitar, como se algum dia tivessem querido fazer isso, e agora que Dumbledore acrescentou novas medidas de proteo, seria difcil encontrar uma casa mais segura no mundo. Dumbledore  o Fiel do Segredo da Ordem, sabe, ningum pode encontrar a sede a no ser que ele diga pessoalmente como fazer; aquele bilhete que Moody lhe mostrou, ontem  noite, era de Dumbledore... - Sirius deu uma risadinha curta. - Se meus pais vissem para que est servindo a casa deles agora... bom, o quadro da minha me j pode dar a vocs uma idia...
Ele amarrou a cara por um momento, em seguida suspirou.
 - Eu no me importaria se pudesse ao menos sair de vez eu!
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quando para fazer alguma coisa til. J perguntei a Dumbledore se posso acompanhar voc  audincia, como cachorro,  claro, para poder lhe dar algum apoio moral, que  que voc acha?
Harry sentiu o estmago despencar e atravessar o tapete empoeirado. No pensava na audincia desde o jantar da noite anterior; com a excitao de estar outra vez com as pessoas de quem mais gostava, de receber informaes sobre tudo que estava acontecendo, a audincia fugira completamente de sua lembrana. Ao ouvir as palavras de Sirius, porm, a sensao esmagadora de pavor tornou a invadi-lo. Olhou para Hermione e os Weasley, todos devorando sanduches, e pensou o que sentiria se voltassem a Hogwarts sem ele.
 - No se preocupe - disse Sirius. Harry levantou a cabea e percebeu que Sirius estivera observando-o. - Tenho certeza de que vo inocent-lo, decididamente h alguma coisa no Estatuto Internacional de Sigilo em Magia que prev o uso da magia para salvar a prpria vida.
 - Mas e se eles me expulsarem? - perguntou Harry em voz baixa.
 - Posso voltar para c e morar com voc?
Sirius sorriu com tristeza.
 - Veremos.
 - Eu me sentiria muito melhor sobre a audincia se soubesse que no precisaria voltar para a casa dos Dursley - Harry pressionou o padrinho.
 - L deve ser bem ruim para voc preferir este lugar - disse o padrinho sombriamente.
 - Andem logo, vocs dois, ou no vai sobrar comida - chamou a Sra. Weasley.
Sirius deu mais um grande suspiro, lanou um olhar mal-humorado  tapearia, ento ele e Harry foram se juntar aos outros.
O garoto fez o possvel para no pensar na audincia, enquanto esvaziavam os armrios de portas de vidro naquela tarde. Felizmente para ele, era uma tarefa que exigia concentrao, porque um grande nmero de objetos ali dentro parecia muito relutante em deixar as prateleiras empoeiradas. Sirius agentou uma mordida sria de uma caixa de rap de prata; em poucos segundos sua mo se cobrira de uma crosta desagradvel que lembrava uma grossa luva marrom.
 - Tudo bem - falou, examinando a mo com interesse antes de lhe dar um toque de varinha e restaurar a pele ao normal - deve ter p de fura-frunco a dentro.
Atirou a caixa no saco em que estavam depositando os escombros dos armrios; pouco depois, Harry viu George enrolar a mo com
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todo o cuidado e esconder a caixa no bolso, j cheio de fadas mordentes.
Eles encontraram um instrumento de prata de aparncia desagradvel, algo semelhante a uma pina de muitas pernas, que subiu como uma aranha pelo brao de Harry e, quando o garoto quis apanh-la, tentou furar sua pele. Sirius agarrou-a e a esmagou com um livro pesado intitulado A nobreza natural uma genealogia dos bruxos. Havia uma caixa musical que emitiu uma toada tilintante ligeiramente sinistra quando lhe deram corda, e eles logo descobriram que 
estavam ficando curiosamente fracos e sonolentos, at que Giny teve o bom senso de bater a tampa da caixa; um camafeu pesado que ningum conseguiu abrir; vrios selos antigos e, em uma caixa coberta de p, uma Ordem de Merlim, primeira classe, que fora concedida ao av de Sirius por "servios prestados ao Ministrio".
 - O que significa que deve ter doado a eles um carregamento de ouro - disse Sirius com desprezo, atirando a medalha no saco de lixo.
Vrias vezes Kreacher entrou timidamente na sala e tentou contrabandear alguma coisa sob a tanga, murmurando maldies terrveis sempre que algum o surpreendia no ato. Quando Sirius tirou  fora da mo dele um grande anel de ouro com o braso dos Black, Kreacher chegou a debulhar-se num choro furioso e abandonou a sala soluando baixinho e xingando Sirius de nomes que Harry nunca ouvira.
 - Pertenceu ao meu pai - disse Sirius atirando o anel no saco. Kreacher no era to dedicado a ele quanto  minha me, mas ainda assim eu o apanhei abraando uma cala velha do meu pai na semana passada.
A Sra. Weasley os fez trabalhar muito pesado durante os dias seguintes. A sala de visitas levou trs dias para ser descontaminada. Por fim, as nicas coisas indesejveis que restaram foram a tapearia com a rvore da famlia Black, que resistiu a todas as tentativas de baix-la da parede, e a escrivaninha desconjuntada. Moody ainda no aparecera na sede, para se certificarem do que havia l dentro.
Eles passaram da sala de visitas para uma sala de jantar no andar trreo, onde encontraram aranhas do tamanho de pires escondidas no armrio (Ron saiu da sala apressado para fazer uma xcara de ch e s voltou uma hora e meia depois). Sem a menor cerimnia, Sirius atirou a porcelana com o braso e o lema dos Black no saco, e deu o mesmo destino a uma coleo de velhas fotos com molduras de prata oxidadas, cujos ocupantes soltaram guinchos agudos quando os vidros sobre as fotos se partiram.
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Snape talvez se referisse ao trabalho deles como "uma limpeza", mas, na opinio de Harry, o fato  que estavam travando uma guerra com a casa que resistia bravamente, ajudada e acobertada por Kreacher. O elfo domstico no parava de aparecer quando estavam todos reunidos, seus resmungos cada vez mais ofensivos quando tentava retirar o que pudesse dos sacos de lixo. Sirius chegou at a amea-lo com roupas, mas Kreacher fixou-o com um olhar lacrimoso e disse "O senhor deve fazer o que desejar", antes de se afastar resmungando muito alto, "mas o senhor no vai mandar Kreacher embora, no, porque Kreacher sabe o que esto tramando, ah, se sabe, ele est conspirando contra o Lorde das Trevas, ah, sim, com esses sangues-ruins e traidores e gentalha...
Ao que Sirius, no se importando com os protestos de Hermione, agarrou Kreacher pela tanga e atirou-o para fora da sala.
A campainha da porta tocava vrias vezes por dia, o que era a deixa para a me de Sirius comear a berrar, e para Harry e os outros tentarem entreouvir o que dizia o visitante, embora pouco descobrissem nos breves relances e fragmentos de conversa que conseguiam captar, antes que a Sra. Weasley os chamasse de volta ao trabalho. Snape entrava e saa da casa com mais freqncia, embora, para alvio de Harry, os dois nunca se encontrassem cara a cara; o garoto tambm avistou a professora de Transfigurao McGonagall, com uma aparncia muito estranha usando vestido e casaco de muggle, e pelo jeito muito atarefada para se demorar. Por vezes, no entanto, os visitantes ficavam para ajudar. Tonks se reuniu aos garotos para uma tarde memorvel, em que encontraram um velho vampiro homicida escondido em um banheiro do segundo andar, e Lupin, que estava morando na casa com Sirius, mas saa por longos perodos para realizar misteriosos mandados para a Ordem, ajudou-os a consertar um relgio de carrilho que desenvolvera o desagradvel hbito de atirar parafusos pesados em quem passava. Nundungus se redimiu um pouco aos olhos da Sra. Weasley ao salvar Ron de uma coleo antiga de vestes prpura que tentaram estrangul-lo, quando ele quis remov-las do guarda-roupa.
Embora ainda dormisse mal, e ainda tivesse sonhos com corredores e portas trancadas que faziam sua cicatriz formigar, Harry estava conseguindo se divertir pela primeira vez naquele vero. Enquanto trabalhava, estava feliz; quando a atividade diminua, porm, e ele baixava a guarda ou se deitava exausto na cama, observando sombras difusas correrem pelo teto, o pensamento na iminente audincia no Ministrio voltava a assedi-lo. O medo agulhava suas entranhas, quando se punha a imaginar o que ia acontecer com ele se fosse
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expulso. A idia era to terrvel que no ousava verbaliz-la, nem mesmo para Ron e Hermione, e embora Harry os visse cochichando e lanando 
olhares ansiosos em sua direo, os amigos seguiam o seu exemplo e no a mencionavam. s vezes, ele no conseguia impedir sua imaginao de produzir um funcionrio do Ministrio sem rosto que quebrava sua varinha e o mandava retornar  casa dos Dursley... mas ele no queria ir. Estava decidido. Voltaria ao largo Grimmauld para morar com Sirius.
Harry teve a sensao de que engolira um tijolo quando a Sra. Weasley se virou para ele durante o jantar de quarta-feira e disse em voz baixa
 - Passei as suas melhores roupas para amanh, Harry e quero que lave o cabelo hoje  noite tambm. Uma primeira impresso boa pode fazer milagres.
Ron, Hermione, Fred, George e Giny, todos pararam de conversar e olharam para ele. Harry concordou com a cabea e tentou continuar a comer a costeleta de porco, mas sua boca ficara to seca que no conseguiu mastigar.
 - Como  que eu vou at l? - perguntou  Sra. Weasley, tentando no demonstrar preocupao.
 - Arthur vai levar voc para o trabalho - respondeu com gentileza a Sra. Weasley, que sorriu, procurando animar Harry defronte a ela
na mesa.
 - Voc pode esperar na minha sala at a hora da audincia - disse o Sr. Weasley.
Harry olhou para Sirius, mas, antes que pudesse fazer a pergunta, a Sra. Weasley a respondeu.
 - O Prof. Dumbledore acha que no  uma boa idia o Sirius ir com voc, e devo dizer que...
 - ... acho que ele tem toda razo - respondeu Sirius entre os dentes. A Sra. Weasley contraiu os lbios.
 - Quando foi que Dumbledore lhe disse isso? - perguntou Harry, encarando Sirius.
 - Ele veio  noite passada, quando voc j estava deitado - disse a Sra. Weasley.
Sirius furou uma batata com o garfo, pensativo. Harry baixou os olhos para o prprio prato. O pensamento de que Dumbledore estivera na casa, na vspera da audincia, e no pedira para falar com ele tez com que o garoto se sentisse ainda pior, se  que isto era possvel.
CAPTULO SETE
O Ministrio da Magia
Harry acordou s cinco e meia na manh seguinte to brusca e definitivamente como se algum tivesse gritado em seu ouvido. Por alguns instantes, continuou deitado e imvel, enquanto a perspectiva de uma audincia disciplinar invadia cada partcula do seu crebro, depois, incapaz de suportar, ele pulou fora da cama e ps os culos. A Sra. Weasley arrumara suas jeans recm-lavadas e sua camiseta aos ps da cama. Harry vestiu-se depressa. O retrato vazio na parede deu uma risadinha debochada.
Ron estava esparramado na cama, com a boca escancarada, dormindo profundamente. Sequer se mexeu quando Harry cruzou o quarto, saiu para o patamar e fechou a porta suavemente ao passar. Tentando no pensar na prxima vez que veria Ron, quando talvez j no fossem colegas de Hogwarts, o garoto desceu silenciosamente a escada, passou pelas cabeas dos antepassados do Kreacher e se dirigiu  cozinha.
Tinha esperado encontr-la vazia, mas quando chegou  porta ouviu um ressoar suave de vozes no outro lado. Abriu-a e viu o Sr. e a Sra. Weasley, Sirius, Lupin e Tonks sentados ali, quase como se estivessem  sua espera. Todos estavam inteiramente vestidos, exceto a Sra. Weasley, que trajava um roupo de acolchoado roxo. Ela se levantou no momento em que o viu entrar.
 - Caf da manh - disse ao mesmo tempo que puxava a varinha e corria para o fogo.
 - B-b-dia, Harry - bocejou Tonks. Esta manh seus cabelos estavam amarelos e crespos. - Dormiu bem?
 - Dormi - disse Harry.
 - P-p-passei a noite acordada - informou a bruxa, dando mais um bocejo de estremecer. - Venha se sentar...
Ela puxou uma cadeira e ao fazer isso derrubou a que estava ao lado.
 - Que  que voc quer, Harry? - perguntou a Sra. Weasley. Mingau? Bolinhos? Arenque? Ovos com bacon? Torrada?
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 - S... s torrada, obrigado.
Lupin olhou para Harry e em seguida perguntou a Tonks
 - Que  que voc estava dizendo sobre o Scrimgeour?
-Ah... sim... bem, precisamos ter um pouco mais de cuidado, ele tem feito a Kingsley e a mim perguntas engraadas...
Harry se sentiu vagamente grato por no ter de participar da conversa. Suas entranhas se contorciam. A Sra. Weasley colocou umas torradas com gelia  frente dele; tentou comer, mas era como mastigar tapete. A bruxa se sentou a seu lado e comeou a mexer em sua camiseta, ps a etiqueta para dentro e alisou os vincos nos ombros. Ele desejou que a Sra. Weasley no fizesse isso.
 - ... e terei de dizer ao Dumbledore que no posso fazer o turno da noite amanh, estou simplesmente cansada d-d-demais - concluiu Tonks dando novamente um imenso bocejo.
 - Eu cubro o seu turno - ofereceu-se o Sr. Weasley. - Estou bem, de qualquer modo tenho um relatrio para terminar...
Ele no estava usando vestes de bruxo, mas calas de 
risca de giz e um velho bluso de aviador. Virou-se de Tonks para Harry.
 - Como  que voc est se sentindo? Harry encolheu os ombros.
 - Vai terminar logo - disse o bruxo encorajando-o. - Dentro de algumas horas voc estar inocentado.
Harry no respondeu.
 - A audincia  no meu andar, na sala da Amlia Bomes. E a chefe do Departamento de Execuo das Leis da Magia, e  quem vai interrog-lo.
 - Amlia Bomes  legal, Harry - disse Tonks, sria. -  justa, e vai escutar tudo que voc tiver a dizer.
Harry concordou com a cabea, ainda incapaz de pensar em alguma coisa para dizer.
 - No perca a calma - disse Sirius, de repente. - Seja educado e se atenha aos fatos.
Harry tornou a acenar com a cabea.
 - A lei est do seu lado - disse Lupin em voz baixa. - At bruxos menores de idade podem usar magia em situaes em que h risco de vida.
Alguma coisa muito fria escorreu pela nuca de Harry, fazendo-o Pensar por um momento que algum estivesse lanando nele um Feitio da Desiluso. Ento percebeu que a Sra. Weasley estava atacando seus cabelos com um pente molhado. Ela pressionou com fora no alto da cabea. ;
 - Eles no baixam nunca? - perguntou desesperada. 
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Harry fez que no.
O Sr. Weasley verificou o relgio e olhou para o garoto.
 - Acho que temos de ir agora. Estamos um pouco adiantados, mas acho que ser melhor voc esperar no Ministrio do que aqui.
 - OK - disse Harry automaticamente, largando a torrada e se
levantando.
 - Vai dar tudo certo - disse Tonks, dando-lhe uma palmadinha
no brao.
 - Boa sorte - desejou Lupin. - Tenho certeza de que tudo correr bem.
 - E se no correr - disse Sirius muito srio - pode deixar que
cuido da Amlia Bomes para voc...
Harry deu um sorrisinho. A Sra. Weasley abraou-o.
 - Estamos todos fazendo figa.
 - Certo - disse o garoto. - Ento, at mais tarde.
Ele acompanhou o Sr. Weasley at o trreo e ao longo do corredor, ouviu a me de Sirius resmungar durante o seu sono atrs das cortinas. O Sr. Weasley destrancou a porta e eles saram para a madrugada fria e cinzenta.
 - O senhor normalmente no vai para o trabalho a p, vai? - perguntou Harry, enquanto caminhavam apressados pelo largo.
 - No, em geral materializo, mas obviamente voc no pode, e acho que  melhor chegarmos de maneira inteiramente no-mgica... passa uma impresso melhor, j que voc est sendo disciplinado por...
O Sr. Weasley manteve a mo dentro do bluso enquanto caminhavam. Harry sabia que segurava a varinha. As ruas decadentes estavam quase desertas, mas quando chegaram  pequena e desconfortvel estao do metr j a encontraram repleta de passageiros madrugadores. Como sempre acontecia quando se via muito prximo dos Muggles em seus afazeres cotidianos, o Sr. Weasley mal conseguia controlar o seu entusiasmo.
 -  simplesmente fabuloso - sussurrou, indicando as mquinas de
vender bilhetes. - Fantasticamente engenhosas.
 - Elas no esto funcionando - disse Harry, apontando para um
cartaz.
 - , mas mesmo assim... - disse o bruxo sorrindo, carinhoso, p
as mquinas.
Eles compraram os bilhetes de um guarda sonolento (Harry cuidou da transao, porque o Sr. Weasley no era muito esperto quando lidava com dinheiro dos Muggles), e cinco minutos depois estavam embarcando no trem subterrneo que saiu sacolejando em direo ao
de Londres. O Sr. Weasley no parava de verificar e tornar a
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verificar, ansioso, o mapa do metr acima da janela. - Mais quatro paradas, Harry... Faltam trs paradas agora... Duas,
Harry...
Desceram em uma estao no corao de Londres, e oram carrej do trem por uma onda de homens e mulheres, de ternos e ternigu segurando suas maletas. Subiram a escada rolante, passaram pelos
11 ' uetes (o Sr. Weasley ficou encantado ao ver seu bilhete ser engoVd pela fenda de introduo) e saram finalmente em uma rua larga,
deada de edifcios imponentes, em que o trfego j era intenso.
 - Onde estamos? - perguntou o Sr. Weasley, perdido, e, por um nstante em que seu corao parou, Harry pensou que tivessem descido na 
estao errada, apesar das contnuas consultas do bruxo ao
 mas um segundo depois o Sr. Weasley exclamou - Ah, sim... aqui, Harry - e seguiram por uma rua lateral.
 - Desculpe - disse - mas nunca venho de metr, e tudo parece diferente quando se olha da perspectiva dos Muggles. Alis, eu nunca usei a entrada do Ministrio para visitantes antes.
Quanto mais andavam, menores e menos imponentes os edifcios se tornavam, at que finalmente chegaram a uma rua em que havia vrios prdios de escritrios de mau aspecto, um bar e uma caamba transbordando lixo. Harry esperara um local mais atraente para o Ministrio da Magia.
 - Chegamos - disse o Sr. Weasley animado, apontando para uma velha cabine telefnica vermelha, em que faltavam vrios vidros nos caixilhos e que fora instalada em frente a uma parede toda grafitada. Primeiro voc, Harry.
O Sr. Weasley abriu a porta da cabine.
Harry entrou, imaginando o que seria aquilo. O bruxo apertouse ao lado dele e fechou a porta. Quase no deu; Harry ficou entalado contra o aparelho de telefone que pendia torto da parede, como se algum vndalo tivesse tentado arranc-lo. O Sr. Weasley esticou o brao  frente de Harry para apanhar o fone.
 - Sr. Weasley, acho que isso tambm no deve estar funcionando. -No, no, tenho certeza de que est perfeito - respondeu, segurando o fone no alto e espiando o disco. - Vejamos... seis... - discou ele-dois... quatro... e mais um quatro... e mais um dois...
Quando o disco voltou suavemente  posio inicial, ouviu-se Ulttavoz tranqila de mulher, dentro da cabine, no no fone que o Sr. easley segurava, mas uma voz alta e clara como se houvesse uma mulher invisvel ali ao lado deles.
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 - Bem-vindos ao Ministrio da Magia. Por favor, informem seus nomes e o objetivo da visita.
 - Hum... - comeou o Sr. Weasley, visivelmente inseguro se devia ou no falar com o fone. Decidiu-se por encostar o ouvido no bocal - Arthur Weasley, Seo de Controle do Mau Uso dos Artefatos dos Muggles, estou acompanhando Harry Potter, que foi convidado a comparecer a uma audincia disciplinar...
 - Obrigada - disse a voz tranqila de mulher. - Visitante, por favor, apanhe o crach e prenda-o ao peito de suas vestes. - Ouviu-se um clique e um rumorejo, e Harry viu alguma coisa sair pela ranhura de metal por onde normalmente saem as moedas excedentes. Apanhou-a era um quadrado prateado em que se lia Harry Potter, Audincia Disciplinar. Prendeu-a ao peito da camiseta, e a voz feminina tornou a falar.
 - Visitante ao Ministrio, o senhor deve se submeter a uma revista e apresentar sua varinha, para registro,  mesa da segurana, localizada ao fundo do Atrio.
O piso da cabine telefnica estremeceu e eles comearam a afundar lentamente. Harry observou com apreenso a calada ir subindo pelas vidraas da cabine e, por fim, a escurido se fechar sobre suas cabeas. Ento no conseguiu ver mais nada; ouviu apenas um rudo abafado de triturao, enquanto a cabine continuava a entrar pela terra. Decorrido mais ou menos um minuto, embora parecesse a Harry muito mais, uma claridade dourada banhou-lhe os ps e foi se ampliando, subindo pelo seu corpo at bater em cheio no rosto e ele precisou piscar para os olhos no lacrimejarem.
 - O Ministrio da Magia deseja ao senhor um dia muito agradvel - disse a voz feminina.
A porta da cabine telefnica se escancarou e o Sr. Weasley saiu, acompanhado por Harry, cujo queixo cara. Estavam parados a um extremo de um saguo muito longo e suntuoso, com um soalho de madeira escuro e extremamente polido. O teto azul-pavo era entalhado com smbolos dourados que se moviam e se alternavam como um enorme quadro celeste de avisos. As paredes de cada lado eram forradas de painis de madeira escura e lustrosa, e nelas havia, engastadas, muitas lareiras douradas. A intervalos de segundos, bruxos e bruxas emergiam de uma das lareiras  esquerda com um suave rudo de deslocamento de ar. na parede da direita, iam se formando diante de cada lareira pequenas filas de gente que aguardava o momento da partida.
No meio do saguo havia uma fonte. Um grupo de esttuas de ouro, maiores que o tamanho natural, estavam dispostas no centro de um espelho de gua circular. A mais alta era de um bruxo de aparn
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cia aristocrtica, com a varinha apontando para o ar. Agrupados a seu redor, havia uma bela bruxa, um centauro, um duende e um elfo domstico. Os trs ltimos olhavam com adorao para o casal de bruxos. Das pontas de suas varinhas, 
saam jorros de gua cintilante, bem como da ponta da flecha do centauro, da ponta do chapu do duende e de cada orelha do elfo domstico, de tal modo que o silvo e o tilintar da gua que caa se misturavam aos popes e craques dos bruxos materializando e ao ressoar dos passos de centenas de outros, a maioria com a cara de poucos amigos de quem acabara de acordar, dirigindo-se a uma fileira de portes dourados no fundo do saguo.
 - Por aqui - disse o Sr. Weasley.
Eles se juntaram  multido e continuaram a caminhar entre os funcionrios do Ministrio, alguns dos quais carregavam pilhas instveis de pergaminhos, outros, maletas surradas; e, outros ainda liam o Profeta Dirio enquanto andavam. Ao passarem pela fonte, Harry viu sicles de prata e nuques de bronze brilhando no fundo da gua. Um pequeno cartaz ao lado da fonte informava
TODO O DINHEIRO RECOLHIDO na FONTE DOS
IRMOS MGICOS SER DOADO AO HOSPITAL ST. MUNGUS
PARA DOENAS E ACIDENTES MGICOS
Se eu no for expulso de Hogwarts, vou jogar dez galees a", Harry se apanhou pensando com desespero.
 - Aqui, Harry - disse o Sr. Weasley, e eles se separaram do fluxo de funcionrios do Ministrio que se encaminhavam para as portas douradas. Sentado a uma mesa  esquerda, sob a placa Segurana, um bruxo mal barbeado de vestes azul-pavo parou de ler o seu Profeta Dirio e ergueu a cabea quando os dois se aproximaram.
 - Estou acompanhando um visitante - disse o Sr. Weasley, indicando o garoto.
 - Venha at aqui - disse o bruxo com voz entediada.
Harry se aproximou e o bruxo ergueu uma longa vara dourada, fina e flexvel como uma antena de carro, e correu-a pelo corpo do garoto, de alto a baixo, de frente e costas.
 - Varinha - grunhiu o segurana para Harry, baixando o instrumento dourado e estendendo a mo.
Harry apanhou a varinha. O bruxo largou-a em cima de um estranho instrumento de lato, que lembrava uma balana de um nico prato. A coisa comeou a vibrar. Uma tira fina de pergaminho foi saindo instantaneamente de uma ranhura na base. O bruxo destacou-a e leu o que estava escrito , .
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 - Vinte e oito centmetros, cerne de pena de fenix, em uso h quatro anos. Correto?
 - Correto - respondeu Harry nervoso.
 - Fico com ela - disse o bruxo, enfiando a tira de pergaminho em um pequeno espeto de lato. - Eu a devolvo depois - acrescentou, apontando a varinha para o garoto.
 - Obrigado.
 - Um momento - disse lentamente o bruxo.
f Seus olhos correram do crach prateado de visitante no peito de Harry para sua testa.
 - Obrigado, Erico - disse o Sr. Weasley com firmeza e, segurando o garoto pelos ombros, afastaram-se da mesa e reingressaram na torrente de bruxos e bruxas que cruzavam o porto dourado.
Meio empurrado pela multido, Harry acompanhou o Sr. Weasley, atravessou o porto e saiu em um saguo menor, onde havia no mnimo vinte elevadores por trs de grades douradas ornamentadas. Os dois se juntaram s pessoas paradas diante de um dos elevadores. Perto, havia um bruxo corpulento e barbudo segurando uma grande caixa de papelo que emitia um rudo de raspagem.
 - Tudo bem, Arthur? - perguntou o bruxo, cumprimentando-o com um aceno de cabea.
 - Que  que voc traz a, Beto? - quis saber o Sr. Weasley olhando para a caixa.
 - No temos muita certeza - respondeu o bruxo muito srio. Achvamos que era uma galinha-do-brejo comum at ela comear a soltar fogo pelas fossas nasais. Agora est me parecendo uma sria violao da Proibio de Criar Animais Experimentalmente.
com uma barulheira de ferragens, um elevador desceu diante deles; a grade dourada se recolheu, Harry e o Sr. Weasley entraram no elevador com os demais, e o garoto se viu esmagado contra a parede dos fundos. Vrios bruxos e bruxas o olharam com curiosidade; ele encarava os prprios ps e alisava a franja para evitar encontrar o olhar das pessoas. As grades tornaram a fechar com estrondo e o elevador subiu lentamente, as correntes se entrechocando, enquanto a mesma voz tranqila de mulher que Harry ouvira na cabine telefnica tornava a falar
Nvel sete, Departamento de Jogos e Esportes Mgicos, que inclui a Sede das Ligas Britnica e Irlandesa de Quidditch, o Clube de Bexiga Oficial e a Seo de Patentes Absurdas.
As portas do elevador se abriram. Harry deu uma olhada rpida no corredor de aspecto sujo, onde havia vrios cartazes de times de quidditch pregados tortos nas paredes. Um dos bruxos no elevador,
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que carregava uma braada de vassouras, desvencilhou-se com dificuldade e desapareceu pelo corredor. As portas se fecharam, o elevador retomou sua subida acidentada e a voz feminina anunciou
Nvel seis, Departamento de Transportes Mgicos, que inclui a Autoridade da Rede de Floo, o Controle de Aferio de Vassouras, a Seo de Chaves de Portais e o Centro de Testes de Materializao.
Mais uma vez as portas do elevador se abriram e quatro ou cinco bruxos desembarcaram; ao mesmo tempo, vrios aviezinhos de papel entraram voando 
no elevador. Harry ficou olhando os avies planarem preguiosamente acima de sua cabea; eram violeta-claro, e ele leu as palavras Ministrio da Magia estampadas no bordo das asas.
 - So apenas memorandos interdepartamentais - murmurou o Sr. Weasley. - Costumvamos usar corujas, mas a sujeira era inacreditvel... excrementos caindo sobre as escrivaninhas...
Quando recomearam a subir, os memorandos ficaram flutuando em torno da lmpada do elevador.
Nvel cinco, Departamento de Cooperao Internacional em Magia, incorporando o Organismo de Padres de Comrcio Mgico Internacional, o Escritrio Internacional de Direito em Magia e a Confederao Internacional de Bruxos, sede britnica.
Quando as portas se abriram, dois memorandos saram voando ao mesmo tempo que mais bruxos e bruxas desembarcavam, mas outros tantos memorandos entraram voando, de modo que a luz piscou e lampejou com o movimento dos aviezinhos ao seu redor.
Nvel quatro, Departamento para Regulamentao e Controle das Criaturas Mgicas, que inclui as Divises das Feras, Seres e Espritos, Seo de Ligao com os Duendes, Escritrio de Orientao sobre Pragas.
 - Licena - pediu o bruxo que levava a galinha venta-fogo, e saiu do elevador seguido por um pequeno bando de memorandos. As portas fecharam mais uma vez com estrpito.
Nvel trs, Departamento de Acidentes e Catstrofes Mgicas, incluindo o Esquadro de Reverso de Mgicas Acidentais, Central de Obliviao e Comisso de Justificativas Dignas de Muggles.
Todos desembarcaram do elevador nesse andar, exceto o Sr. Weasley, Harry e uma bruxa que estava lendo um pergaminho to longo que arrastava pelo cho. Os memorandos restantes continuaram a flutuar em torno da lmpada, e o elevador continuou sua agitada subida, ento as portas abriram e a voz anunciou
Nvel dois, Departamento de Execuo das Leis da Magia, que inclui a Seo de Controle do Uso Indevido da Magia, o Quartel-
no
General dos Aurores e os Servios Administrativos da Suprema Corte dos Bruxos.
 -  conosco, Harry - disse o Sr. Weasley, e eles acompanharam a bruxa por um corredor ladeado de portas. - Minha sala  do outro lado do andar.
 - Sr. Weasley - perguntou Harry, ao passarem por uma janela pela qual entrava o sol - ns no estamos mais embaixo da terra?
 - Estamos. As janelas so encantadas. A Manuteno Mgica decide todo o dia qual  o tempo que vai fazer. Tivemos dois meses de furaces, da ltima vez que estivemos reivindicando um aumento de salrio...  virando aqui, Harry.
Dobraram um canto, passaram por pesadas portas de carvalho e saram em uma rea aberta subdividida em cubculos, que fervilhava de conversas e risos. Os memorandos entravam e saam dos cubculos como foguetes em miniatura. Um letreiro torto no cubculo mais prximo informava Quartel-General dos Aurores.
Harry espiou disfaradamente pela porta ao passar. Os aurores haviam coberto as paredes de seus cubculos com tudo que se pode imaginar, desde retratos de bruxos procurados e fotos de suas famlias a psteres dos seus times de quidditch preferidos e artigos do Profeta Dirio. Um homem de vestes vermelhas, com um rabo-de-cavalo mais comprido que o do Bill, estava sentado com as botas em cima da escrivaninha, ditando um relatrio para sua pena. Um pouco adiante, uma bruxa com uma venda sobre um dos olhos conversava por cima da divisria do seu cubculo com Kingsley Shacklebolt.
 - 'Dia, Weasley - cumprimentou Kingsley, descontrado, quando o bruxo se aproximou. - Ando querendo falar com voc, tem um segundo?
 - Tenho, se realmente for um segundo - disse o Sr. Weasley. Estou um pouco apressado.
Falavam como se mal se conhecessem, e quando Harry abriu a boca para cumprimentar Kingsley, o Sr. Weasley lhe deu uma piscadela. Eles acompanharam Kingsley at o ltimo cubculo do corredor.
Harry teve um ligeiro choque; piscando para ele de todas as direes, havia o rosto de Sirius. Recortes de jornal e velhas fotos - at aquela em que ele aparecia como padrinho do casamento dos Potter
 - forravam as paredes. O nico espao em que no havia Sirius estava ocupado por um mapa-mndi em que brilhavam alfinetes vermelhos como pedras preciosas.
 - Tome - disse Kingsley bruscamente ao Sr. Weasley, enfiando um rolo de pergaminho em sua mo. - Preciso do mximo de informao possvel sobre veculos voadores dos Muggles avistados nos ltimos
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doze meses. Recebemos informao de que Black talvez continue usando sua velha moto.
Kingsley deu a Harry uma enorme piscadela e acrescentou em um
sussurro
 - D essa revista a ele, talvez ache interessante. - Ento, retomando o tom normal - E no demore muito, Weasley, o atraso no relatrio sobre as pernas de fogo paralisou as nossas investigaes por um
ms.
 - Se voc tivesse lido o meu relatrio saberia que 
o termo  armas de fogo - disse o Sr. Weasley tranqilo. - E receio que ter de esperar pelas informaes sobre motocicletas; estamos ocupadssimos no momento. - Baixou a voz - Se voc conseguir sair antes das sete, Molly est preparando almndegas.
E fazendo sinal a Harry, deixaram o cubculo, passaram por outras portas de carvalho, saram em outro corredor, viraram  direita para um corredor mal iluminado e ainda assim visivelmente encardido, que terminava em uma parede-cega, mas havia uma porta entreaberta  esquerda deixando  mostra o interior de um armrio de vassouras, e uma porta  direita com uma placa de lato oxidado com os dizeres Mau Uso dos Artefatos dos Muggles.
A sala escura e suja do Sr. Weasley parecia ligeiramente menor que o armrio de vassouras. Duas escrivaninhas tinham sido apertadas ali e mal havia espao para contorn-las, por causa dos arquivos abarrotados que ocupavam as paredes, com pilhas de pastas por cima. O pouco espao de parede disponvel testemunhava as obsesses do Sr. Weasley vrios psteres de carros, inclusive o de um motor desmontado; duas ilustraes de caixas de correio que pareciam ter sido recortadas de livros para crianas Muggles; e um diagrama mostrando como pr fio em tomada.
Por cima de sua apinhada caixa de entrada, havia uma velha torradeira que soluava em tom desconsolado e um par de luvas de couro que girava dois dedos vazios. Ao lado da caixa havia uma foto da amlia Weasley. Harry reparou que aparentemente Percy abandonara a foto.
 - No temos janela - desculpou-se o Sr. Weasley, despindo o blusao de aviador e pendurando-o no espaldar de sua cadeira. - Pedimos, ttias pelo visto eles acham que no precisamos de uma. Sente-se, Harry, parece que Perkins ainda no chegou.
Harry apertou-se na cadeira ao lado da mesa de Perkins, enquanto o Sr. Weasley folheava rapidamente o mao de pergaminhos que Kingsley Shacklebolt lhe entregara.
 - Ah - comentou sorrindo, ao puxar do meio um exemplar da
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revista O Pasquim - sim... - Folheou-a. - Sim, ele tem razo, com certeza Sirius vai achar muito engraado... Ah, meu Deus, que  isso agora?
Um memorando acabara de disparar pela porta aberta e pousar em cima da torradeira soluante. O Sr. Weasley abriu-o e leu em voz alta
Recebemos informaes de um terceiro vaso sanitrio regurgitando em banheiro pblico em Bethnal Green, queira investigar imediatamente.
 - Isto est ficando ridculo... '  ! f
 - Um vaso sanitrio que regurgita?
 - Brincadeiras de gaiatos antiMuggles - disse o Sr. Weasley, franzindo a testa. - Tivemos dois na semana passada, um em Wimbledon, um em Elephant and Castle. Os Muggles acionam a descarga e em vez das coisas desaparecerem... bem, voc pode imaginar. Os coitados ficam chamando os... encadores, acho que  o nome que do... sabe, os homens que consertam canos e coisas do gnero.
 - Encanadores?
 - Exatamente, mas  claro que eles no sabem como explicar. S espero que a gente consiga pegar quem anda fazendo isso.
 - Os aurores  que vo peg-los?
 - Ah, no, isto  banal demais para aurores, ser uma patrulha normal para Execuo das Leis da Magia... ah, Harry, esse  o Perkins.
Um velho bruxo, encurvado e tmido, de cabelos brancos e fofos, acabara de entrar na sala, ofegante.
 - Ah, Arthur! - exclamou desesperado, sem olhar para Harry. Que bom, eu no sabia o que seria melhor, se esperar ou no aqui por voc. Acabei de despachar uma coruja para sua casa, mas  bvio que voc j tinha sado chegou uma mensagem urgente h uns dez minutos...
-J sei, do vaso sanitrio que regurgita - disse o Sr. Weasley.
 - No, no  o vaso sanitrio,  a audincia do menino Potter... mudaram a data e o local... agora vai comear s oito horas e vai ser no velho Dcimo Tribunal...
 - No velho... mas me disseram... pelas barbas de Merlim!
O Sr. Weasley consultou o relgio, deixou escapar um grito e pulou de sua cadeira.
 - Depressa, Harry, devamos ter chegado l h cinco minutos! Perkins se achatou contra os arquivos para deixar o Sr. Weasley
sair correndo da sala com Harry em seus calcanhares.
 - Por que  que eles mudaram a hora? - perguntou Harry sem flego, ao passarem desabalados pelas salas dos aurores; as pessoas se
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esticavam e paravam para olhar a correria dos dois. Harry teve a sensao de que deixara as entranhas na mesa de Perkins.
 - No fao a menor idia, mas foi bom termos chegado aqui to cedo, se voc perdesse a audincia, teria sido uma catstrofe.
O Sr. Weasley parou derrapando diante dos elevadores e apertou com impacincia o boto de descida.
-ANDA LOGO!
IO elevador apareceu sacudindo e eles entraram depressa. Todas as vezes que paravam, o Sr. Weasley xingava furiosamente e socava o boto de nmero nove.
 - Esses tribunais no so usados h anos - disse o Sr. Weasley 
zangado. - No posso imaginar por que vo fazer a audincia aqui embaixo... a no ser que... mas no...
Uma bruxa gorducha, carregando um clice fumegante, entrou no elevador nesse momento e o Sr. Weasley se calou.
O Atrio", disse a tranqila voz de mulher, e as grades douradas se abriram, permitindo a Harry um vislumbre distante das esttuas de ouro na fonte. A bruxa saiu e um bruxo de pele macilenta e expresso muito pesarosa a substituiu.
 - 'Dia, Arthur - disse ele, em tom sepulcral, quando o elevador comeou a descer. - No  sempre que o vejo aqui embaixo.
I - Negcios urgentes, Bode - respondeu o Sr. Weasley, que se balanava para a frente e para trs nos calcanhares, lanando a Harry olhares ansiosos.
 - Ah, sim - disse Bode, examinando o garoto sem pestanejar. - 
claro.
No restava a Harry quase nenhuma emoo para gastar com Bode, mas aquele olhar fixo no o fez se sentir mais confortvel.
Departamento de Mistrios", disse a voz de mulher sem pressa e sem nada acrescentar.
 - Anda, Harry - disse o Sr. Weasley, quando as portas do elevador se abriram com estrpito, e eles saram apressados por um corredor que era muito diferente dos outros acima. As paredes eram nuas; no havia janelas nem portas, exceto uma preta e lisa no finzinho do corredor. Harry pensou que fossem entrar, mas em lugar disso o Sr. Weasley o agarrou pelo brao e o arrastou para a esquerda, onde havia uma abertura para uma escada.
 - Aqui embaixo, aqui embaixo - ofegou ele, dando duas passadas de cada vez. - O elevador nem desce at a... por que vo fazer a audincia a embaixo, eu...
Chegaram ao ltimo degrau e entraram por mais um corredor, muito semelhante ao que levava  masmorra de Snape, em Hogwarts,
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com paredes de pedra bruta e tochas em suportes. As portas pelas quais passavam aqui eram de madeira macia, com trancas e fechaduras.
-Dcimo... Tribunal... acho... estamos quase... sim.
O Sr. Weasley parou cambaleante em frente a uma porta escura e encardida, com uma enorme fechadura de ferro, e encostou-se  parede, comprimindo a pontada que sentia no peito.
 - Continue - ofegou ele, apontando a porta com o polegar. Entre a.
 - O senhor no... no vem com...?
 - No, no, no  permitido. Boa sorte!
O corao de Harry bateu violentamente contra o seu snitch-deado. Ele engoliu com fora, girou a maaneta de ferro da pesada porta e entrou no tribunal.
CAPTULO OITO
A audincia
Harry sufocou um grito; no conseguiu se conter. A grande masmorra em que entrara parecia-lhe terrivelmente familiar. No somente a vira antes, mas estivem ali antes. Era o lugar que visitara com a Penseira de Dumbledore, o lugar em que assistira os Lestrange serem condenados  priso perptua em Azkaban.
As paredes eram de pedra escura, fracamente iluminadas por archotes. Havia arquibancadas vazias de cada lado dele, mas,  frente, as mais altas estavam ocupadas por muitos vultos escuros. Tinham estado conversando, mas quando a pesada porta se fechou  entrada de Harry fez-se um silncio agourento.
Uma voz masculina cortante ecoou pelo tribunal.
 - O senhor est atrasado.
 - Sinto muito - disse Harry nervoso - eu no sabia que a hora da audincia tinha sido mudada.
 - Isto no  culpa da Suprema Corte dos Bruxos - disse a voz. Despachamos uma coruja para o senhor esta manh. Sente-se no seu lugar.
O olhar de Harry recaiu sobre a cadeira no centro da sala, cujos braos eram equipados com correntes. Vira aquelas correntes ganharem vida e prenderem quem ali sentasse. Seus passos ecoaram fortemente quando avanou pelo cho de pedra. No momento em que se sentou, pouco  vontade, na borda da cadeira, as correntes retiniram ameaadoras, mas no o prenderam. Sentindo-se bastante mal, ele olhou para as pessoas sentadas no banco acima.
Havia umas cinqenta, at onde sua vista alcanava, usavam vestes cor de ameixa com um W bordado em fio de prata do lado esquerdo do peito, e olhavam para ele com ar de superioridade, algumas com expresses bem austeras, outras, francamente curiosas.
Bem no meio da primeira fila sentava-se Cornelius Fudge, o ministro da Magia. Era um homem corpulento que costumava usar um chapu-coco verde-limo, embora hoje o tivesse dispensado; dis-
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pensara, tambm, aquele sorriso de indulgncia que no passado usara ao falar com Harry. Uma bruxa de ossos largos, queixo quadrado, cabelos grisalhos muito curtos, sentava-se  esquerda de Fudge; usava um monculo e parecia assustadora. Do lado direito do ministro, havia outra bruxa, mas estava sentada to atrs no banco que seu rosto ficava na sombra.
 - Muito bem - disse Fudge. - O acusado tendo finalmente chegado, podemos comear. - Os senhores esto prontos? - perguntou aos demais bruxos.
 - Estamos, sim senhor - respondeu uma voz ansiosa que Harry conhecia. O irmo de Ron, Percy, estava sentado em uma das extremidades do banco da frente. Harry olhou para Percy, esperando algum sinal de reconhecimento, mas no recebeu nenhum. Os olhos do rapaz, por trs dos culos de aros de tartaruga, estavam fixos em um pergaminho, e segurava uma pena  mo.
 - Audincia disciplinar do dia doze de agosto - anunciou Fudge com voz ressonante, e Percy comeou imediatamente a anotar - para apurar violaes ao Decreto de Restrio  Prtica de Magia por Menores e ao Estatuto Internacional de Sigilo cometidas por Harry James Potter, residente na Privet Drive, nmero quatro, Little Whinging, Surrey.
Inquiridores Cornelius Oswald Fudge, ministro da Magia; Amlia Susan Bomes, chefe do Departamento de Execuo das Leis da Magia; Dolores Jane Umbridge, subsecretria snior do ministro. Escriba da corte, Percy Ignace Weasley...
 - Testemunha de defesa, Alvus Parcifal Wulfric Brian Dumbledore - disse uma voz baixa atrs de Harry e ele virou a cabea to rpido que estalou o pescoo.
Dumbledore vinha entrando serenamente pela sala usando vestes longas azul-petrleo e exibindo uma expresso perfeitamente calma. Suas barbas longas e brancas e seus cabelos refulgirarn  luz dos archotes, quando ele emparelhou com Harry e ergueu os olhos para Fudge atravs dos seus oclinhos de meia-lua, pousados bem no meio do nariz muito torto.
Os membros da Suprema Corte dos Bruxos murmuraram. Todos os olhares se concentraram agora em Dumbledore. Alguns pareciam aborrecidos, outros ligeiramente receosos; duas bruxas idosas no ltimo banco, no entanto, ergueram a mo e lhe acenaram as boas-vindas.
Ao ver Dumbledore, uma intensa emoo despertou no peito de Harry, um sentimento de fortalecida esperana muito semelhante  que o canto da fenix lhe propiciara. Ele queria chamar a ateno de
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Dumbledore, mas o diretor no estava olhando para o seu lado; continuava com os olhos erguidos para o obviamente constrangido Fudge.
 - Ah - exclamou Fudge, que parecia completamente desconcertado. - Dumbledore. Ento, voc... hum... recebeu a nossa... mensagem que a hora e... local da audincia foram mudados?
 - No chegou a tempo - respondeu Dumbledore animado. Porm, graas a um feliz engano cheguei ao Ministrio trs horas mais cedo, por isso 
no houve prejuzo.
 - Ah... bem... suponho que iremos precisar de mais uma cadeira... eu... Weasley, ser que voc poderia...?
 - No se preocupe, no se preocupe - disse Dumbledore gentilmente; puxou ento a varinha, fez um breve aceno, e uma confortvel poltrona de chintz apareceu ao lado de Harry. Dumbledore se sentou, juntou as pontas dos longos dedos e ficou olhando Fudge por cima deles com uma expresso de educado interesse. Os bruxos da corte continuaram a murmurar e a se inquietar; somente quando Fudge retomou a palavra  que eles se aquietaram.
 - Sim - repetiu Fudge, folheando suas anotaes. - bom, ento. Portanto. As acusaes. Sim.
Ele retirou um pergaminho da pilha  sua frente, inspirou longamente e leu
 - As acusaes so as seguintes
Que ele intencionalmente, deliberadamente e com plena conscincia da ilegalidade dos seus atos, j tendo recebido anteriormente um aviso do Ministrio da Magia, por escrito, por uma acusao semelhante, executou o Feitio do Patrono em uma rea habitada por Muggles, na presena de um muggle, no dia dois de agosto s nove horas e vinte e trs minutos, o que constitui uma violao ao pargrafo C do Decreto de Restrio  Prtica de Magia por Menores, de
1875, e tambm  Seo 13 do Estatuto de Sigilo da Confederao Internacional dos Bruxos.
O senhor  Harry James Potter, da Privet Drive, nmero quatro, Little Whinging, Surrey?", perguntou Fudge, lanando a Harry um olhar penetrante por cima do pergaminho.
 - Sim, senhor - respondeu Harry.
 - O senhor recebeu um aviso oficial do Ministrio por ter feito uso ilegal de magia h trs anos, no foi?
 - Sim, senhor, mas...
 - E ainda assim conjurou um Patrono na noite do dia dois de agosto? - perguntou Fudge.
 - Sim, senhor, mas... 
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 - Sabendo que no tem permisso para usar magia fora da escola enquanto for menor de dezessete anos de idade?
 - Sim, senhor, mas...
 - Sabendo que se encontrava em uma rea povoada por Muggles?
 - Sim, senhor, mas...
 - Inteiramente consciente de que estava muito prximo de um muggle naquele momento?
 - Sim, senhor - disse Harry zangado - mas s usei magia porque estvamos...
A bruxa de monculo interrompeu-o com uma voz trovejante
 - Voc produziu um Patrono inteiramente desenvolvido?
 - Sim, senhora, porque...
 - Um Patrono corpreo? ,
 - Um... o qu? - perguntou Harry.
 - O seu Patrono tinha uma forma claramente definida? Quero dizer, era mais do que vapor ou fumaa?
 - Sim, senhora - disse Harry, sentindo-se ao mesmo tempo impaciente e levemente desesperado. -  um veado, sempre foi um veado.
 - Sempre? - trovejou Madame Bones. - Voc j havia produzido um Patrono antes?
 - Sim, senhora. Venho fazendo isso h um ano.
 - E o senhor tem quinze anos de idade?
 - Sim, senhora, e...
 - O senhor aprendeu isso na escola?
 - Sim, senhora, o Prof. Lupin me ensinou a produzir um Patrono no terceiro ano, por causa do...
 - Impressionante - disse Madame Bones, olhando-o com altivez - um Patrono verdadeiro na sua idade... realmente impressionante.
Alguns bruxos e bruxas ao redor dela recomearam a murmurar; alguns faziam sinais de concordncia, outros franziam a testa e sacudiam a cabea.
 - A questo no  at que ponto a mgica  impressionante lembrou Fudge num tom rabugento. - De fato, quanto mais impressionante for, pior , penso eu, uma vez que o rapaz realizou o Patrono bem  vista de um muggle!
Os que tinham franzido a testa havia pouco agora murmuravam sua concordncia, mas foi a viso do virtuoso e discreto aceno de cabea de Percy que compeliu Harry a falar.
 - Fiz isso por causa dos dementadores! - disse em voz alta, antes que algum pudesse interromp-lo.
Harry esperava que houvesse mais murmrios, mas o silncio que sobreveio pareceu-lhe de alguma forma mais denso que antes.
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 - Dementadores? - exclamou Madame Bones passado um momento, suas espessas sobrancelhas se erguendo at o monculo parecer que ia cair. - Que quer dizer com isso, garoto?
 - Quero dizer que havia dois dementadores na travessa, e que eles atacaram a mim e ao meu primo!
 - Ah - disse Fudge mais uma vez, olhando os membros da corte a toda volta com um sorriso antiptico, como se os convidasse a compartir com ele o gracejo. - Sim. Sei. Pensei ter ouvido alguma coisa assim.
 - Dementadores em Little Whinging? - exclamou Madame Bones extremamente surpresa. - No estou entendendo...
 - No est, Amlia? - respondeu Fudge, ainda sorrindo. - Deixeme explicar. O garoto andou pensando e decidiu que dementadores dariam realmente uma bela reportagem de capa. Muggles no 
podem ver dementadores, no  mesmo garoto? Muito conveniente, muito conveniente... ento  apenas a sua palavra e nenhuma testemunha...
 - Eu no estou mentindo - disse Harry em voz alta, abafando mais um surto de murmrios entre os membros da corte. - Havia dois, vindos de lados opostos da travessa, tudo ficou escuro e frio, e meu primo sentiu a presena deles e procurou fugir...
 - Basta, basta! - disse Fudge, com uma expresso de grande superioridade no rosto. - Lamento interromper o que certamente seria uma histria muito bem ensaiada...
Dumbledore pigarreou. Os membros da corte tornaram a fazer silncio.
 - na realidade, temos uma testemunha da presena dos dementadores naquela travessa, alm de Dudley Dursley, quero dizer.
A cara gorda de Fudge pareceu murchar, como se algum a tivesse esvaziado. Ele encarou Dumbledore por alguns momentos, dando a impresso de algum que procura se controlar, e disse
 - Receio que no tenhamos tempo para ouvir mais lorotas, Dumbledore. Quero cuidar desse caso sem delongas.
 - Posso estar errado - disse Dumbledore agradavelmente - mas tenho certeza de que, pela Carta de Direitos da Suprema Corte dos Bruxos, o acusado tem direito a apresentar testemunhas para a defesa do seu caso, no? No  essa a diretriz do Departamento de Execuo das Leis da Magia, Madame Bones? - continuou ele, dirigindo-se  bruxa de monculo.
 -  verdade. Inteiramente verdade.
 - Ah, muito bem, muito bem - retrucou Fudge. - Onde est essa pessoa?
 - Trouxe-a comigo - disse Dumbledore. - Est ali fora  porta. Devo...? 
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 - No... Weasley, v voc - disse Fudge com rispidez a Percy, que se levantou imediatamente, desceu correndo os degraus de pedra da bancada dos juizes e passou na mesma velocidade por Dumbledore e Harry sem olhar para eles.
Um momento depois, voltou acompanhado pela Sra. Figg. Ela parecia apavorada e mais caduca que nunca. Harry desejou que a velhota tivesse se lembrado de trocar as pantufas.
Dumbledore se levantou e cedeu sua poltrona  recm-chegada, conjurando outra para si mesmo.
 - Nome completo? - perguntou Fudge em voz alta, depois que a Sra. Figg se encarrapitou, nervosa, na borda da poltrona.
 - Arabela Dora Figg - respondeu a bruxa, com a voz trmula.
 - E quem  a senhora exatamente? - perguntou Fudge, com uma voz arrogante e cheia de tdio.
 - Sou residente em Little Whinging, prximo  casa onde mora Harry Potter.
 - No temos registro de nenhuma bruxa ou bruxo residindo em Little Whinging, a no ser Harry Potter - disse Madame Bones imediatamente. - A situao ali sempre foi acompanhada com muita ateno, em vista dos... em vista dos acontecimentos passados.
 - Sou uma bruxa abortada - disse a Sra. Figg. - Neste caso, a senhora no teria um registro meu, teria?
 - Uma bruxa abortada, eh? - comentou Fudge, olhando-a, desconfiado. - Verificaremos isso. Deixe as informaes sobre seus pais com o meu assistente Weasley. Em tempo, bruxos abortados so capazes de ver dementadores? - perguntou, olhando para os bruxos sentados de um lado e outro do banco.
 - Claro que podemos! - disse a Sra. Figg indignada. Fudge tornou a olhar a bruxa, com as sobrancelhas erguidas.
-> - Muito bem - disse com superioridade. - Qual  a sua histria?
 - Eu tinha sado para comprar comida para gatos na loja da esquina, no fim da alameda das Glicnias, por volta das nove horas, na noite de dois de agosto - tagarelou a Sra. Figg sem pestanejar, como se tivesse decorado o que estava dizendo - ento ouvi uma perturbao na travessa entre o largo das Magnolias e a alameda das Glicnias. Quando me aproximei da entrada da travessa, vi dementadores correndo...
 - Correndo? - perguntou Madame Bones rispidamente. - Dementadores no correm, deslizam.
 - Foi isso que quis dizer - corrigiu a Sra. Figg rapidamente, manchas rosadas surgindo em suas bochechas murchas. - Deslizando pela travessa em direo ao que me pareceram dois garotos.
 - Que aparncia tinham? - perguntou Madame Bones, apertando os olhos de modo que o contorno do monculo desapareceu sob
sua carne.
 - Bem, um era bem grande e o outro um tanto magricela.
 - No, no - disse Madame Bones impaciente. - Os dementadores. Descreva-os.
 - Ah - disse a Sra. Figg, o rubor subindo-lhe agora pelo pescoo.
 - Eram grandes. Grandes e usavam capas.
Harry sentiu um afundamento horrvel no 

estmago. O que quer que a Sra. Figg pudesse dizer, passava a ele a impresso de que o mximo que ela vira fora um desenho de um dementador, e um desenho no era suficiente para transmitir a verdade sobre esses seres o modo fantasmagrico com que se deslocavam, flutuando alguns centmetros acima do cho; ou o cheiro de podrido que exalavam; ou aquele horrvel som de matraca que faziam quando sugavam o ar  sua volta...
na segunda fila, um bruxo atarracado, com um bigodo preto, aproximou-se para cochichar ao ouvido de sua vizinha, uma bruxa de cabelos muito crespos. Ela riu e concordou com a cabea.
 - Grandes e usavam capas - repetiu Madame Bones tranqilamente, enquanto Fudge dava uma risadinha desdenhosa. - Entendo. Mais alguma coisa?
 - Sim, senhora - disse a Sra. Figg. - Senti a presena deles. Tudo ficou frio e era uma noite bem quente de vero, veja bem. E senti... como se toda a felicidade tivesse desaparecido do mundo... e me lembrei... de coisas medonhas...
A voz da bruxa tremeu e emudeceu.
Os olhos de Madame Bones se arregalaram ligeiramente. Harry viu as marcas vermelhas sob a sobrancelha, onde o monculo comprimira seu rosto.
 - Que foi que os dementadores fizeram? - perguntou Madame Bones, e Harry sentiu uma infuso de esperana.
 - Eles avanaram sobre os garotos - disse a Sra. Figg, a voz mais forte e confiante agora, o rubor se esvaindo do rosto. - Um deles cara. O outro estava recuando, tentando repelir o dementador. Era Harry. Por duas vezes, ele tentou, mas s produziu um vaporzinho prateado. na terceira tentativa, produziu um Patrono, que investiu contra o primeiro dementador e depois, encorajado por ele, afugentou o segundo de cima do primo. E isso... isso foi o que aconteceu encerrou a Sra. Figg, de forma pouco conclusiva.
A Sra. Bomes mirou a Sra. Figg em silncio. Fudge no olhava para ela agora, mexia nos seus documentos. Finalmente, ergueu a cabea e disse, um tanto agressivamente 
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 - Foi isso que a senhora viu? 
 - Foi isso que aconteceu - repetiu a Sra. Figg. - Muito bem - disse Fudge. - Pode se retirar.
A Sra. Figg lanou um olhar medroso de Fudge para Dumbledore, depois se levantou e saiu arrastando as pantufas. Harry ouviu a porta fechar depois que a bruxa passou.
 - No foi uma testemunha muito convincente - disse Fudge com altivez.
 - Ah, no sei - disse a Sra. Bones com sua voz de trovo. - Ela certamente descreveu os efeitos de um ataque de dementadores com muita preciso. E no posso imaginar por que diria que eles estiveram l se no tivessem estado.
 - Dementadores perambulando por um subrbio de Muggles simplesmente 0	 encontram um bruxo por acaso? - caoou Fudge. - As probabilidades disto acontecer devem ser muito, muito remotas. Nem mesmo Bagman teria apostado...
 - Ah, no acho que algum de ns acredite que os dementadores estiveram l por coincidncia - disse Dumbledore em um tom de voz leve.
A bruxa sentada  direita de Fudge, com o rosto na sombra, mexeu-se ligeiramente, mas os demais ficaram muito quietos e silenciosos.
 - E que  que voc quer dizer com isso? - perguntou Fudge com a voz glida.
 - Quero dizer que foram mandados at l - disse Dumbledore.
 - Creio que teramos um registro se algum tivesse mandado dois dementadores passearem em Little Whinging! - vociferou Fudge.
 - No, se ultimamente os dementadores andarem recebendo ordens de algum que no o ministro da Magia - disse Dumbledore calmamente. -J lhe dei a minha opinio sobre este assunto, Cornelius.
 - J deu, sim - disse Fudge a contragosto - e no tenho razo alguma para acreditar que sua opinio valha alguma coisa, Dumbledore. Os dementadores permanecem em seus postos em Azkaban e esto fazendo tudo que os mandamos fazer.
 - Ento - respondeu Dumbledore, em voz baixa, mas muito clara - precisamos indagar por que algum no Ministrio teria mandado dois dementadores quela travessa no dia dois de agosto.
No silncio absoluto que recebeu suas palavras, a bruxa  direita de Fudge se inclinou para a frente de modo que Harry a viu pela primeira vez.
Achou-a igualzinha a um grande sapo claro. Era baixa e gorda, tinha uma cara larga e flcida, o pescoo era quase to inexistente
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quanto o do tio Vernon e a boca, frouxa. Os olhos eram enormes, redondos e ligeiramente saltados. At mesmo o lacinho de veludo preto encarrapitado no alto de seus cabelos curtos e crespos fez o garoto imaginar um mosco que ela estivesse prestes a apanhar com sua lngua comprida e pegajosa.
 - O presidente reconhece Dolores Jane Umbridge, subsecretria snior do ministro - disse Fudge.
A bruxa falou numa voz aguda, aflautada e infantil, que espantou Harry; esperara que ela coaxasse.
 - Tenho certeza de que devo ter compreendido mal o que o senhor 
disse, Prof. Dumbledore - comeou ela com um sorriso afetado que deixou frios os seus olhos enormes e redondos. - Que tolice a minha. Mas me pareceu por um timo que o senhor estava sugerindo que o ministro da Magia tivesse ordenado o ataque contra esse garoto!
Ela deu uma risada argentina que fez os plos na nuca de Harry ficarem em p. Alguns membros da corte acompanharam a risada da bruxa. No poderia ter ficado mais claro que a maioria no achou a menor graa.
 - Se for verdade que os dementadores esto recebendo ordens somente do ministro da Magia, e igualmente verdade que dois dementadores atacaram Harry e seu primo h uma semana, ento seria lgico concluir que algum no Ministrio pode ter ordenado os ataques - disse Dumbledore polidamente. -  claro que esses dementadores em particular poderiam estar fora do controle do Ministrio.
 - No h dementadores fora do controle do Ministrio! - retrucou Fudge rispidamente, ficando cor de tomate.
Dumbledore fez uma pequena reverncia com a cabea.
 - Ento o ministro certamente ir mandar instaurar um inqurito para determinar por que dois dementadores estavam to longe de Azkaban e por que atacaram sem autorizao.
 - No cabe a voc decidir o que o Ministrio da Magia faz ou deixa de fazer, Dumbledore! - retrucou Fudge, agora exibindo no rosto um tom de magenta que teria sido o orgulho do tio Vernon.
 - Claro que no - disse Dumbledore suavemente. - Eu estava apenas expressando a minha confiana de que este assunto no deixar de ser investigado.
E olhou para Madame Bones, que reajustou o monculo e o encarou, franzindo ligeiramente a testa.
 - Eu gostaria de lembrar a todos que o comportamento desses dementadores, se no foram realmente imaginados por este garoto, no so o tema desta audincia! - disse Fudge. - Estamos reunidos
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aqui para examinar as violaes ao Decreto de Restrio  Prtica de Magia por Menores cometidas por Harry Potter!
 - Naturalmente que estamos - disse Dumbledore - mas a presena de dementadores naquela travessa  muito relevante. A Clusula Sete do decreto prev que a magia pode ser usada diante de Muggles em circunstncias excepcionais, e, na medida em que essas circunstncias excepcionais incluem situaes que ameaam a vida dos prprios bruxos ou de quaisquer outros bruxos ou Muggles presentes na ocasio em que...
 - Conhecemos a Clusula Sete, muito obrigado! - vociferou Fudge.
 - Naturalmente que conhece - disse Dumbledore cortesmente. Ento concordamos que o fato de Harry ter usado o Feitio do Patrono se enquadra precisamente nas circunstncias especiais que a clusula descreve?
 - Se  que havia dementadores, o que duvido.
 - Voc ouviu a testemunha ocular - interrompeu Dumbledore. Se ainda duvida da veracidade do depoimento dela, torne a cham-la, torne a interrog-la, tenho certeza de que ela no faria objeo.
 - Eu... isso... no... - atrapalhou-se Fudge, mexendo nos documentos  sua frente. -  que... quero terminar com isso hoje, Dumbledore!
 - Mas naturalmente voc no se importaria de ouvir muitas vezes um depoimento, se a alternativa fosse tomar uma deciso injusta ponderou Dumbledore.
 - Deciso injusta, uma ova! - disse Fudge aos berros. - Voc algum dia se deu ao trabalho de contar o nmero de histrias fantasiosas que esse garoto inventa, Dumbledore, quando tenta encobrir seu flagrante mau uso da magia fora da escola? Suponho que tenha esquecido o Feitio da Levitao que ele usou h trs anos...
 - No fui eu, foi um elfo domstico! - disse Harry.
 - EST VENDO? - rugiu Fudge, fazendo um gesto largo em direo a Harry. - Um elfo domstico! Numa casa de Muggles! Francamente.
 - O elfo domstico em questo est presentemente no servio da Escola de Hogwarts - disse Dumbledore. - Posso convoc-lo aqui instantaneamente para depor, se voc quiser.
 - Eu... no... eu no tenho tempo para ouvir elfos domsticos! Em todo o caso, esta no foi a nica... ele transformou a tia em um balo de gs, ora tenha pacincia! - Fudge berrava, socando a mesa do juiz e virando um tinteiro. E voc bondosamente no fez acusaes naquela ocasio, aceitando, suponho, que mesmo os melhores bruxos nem sempre podem controlar as emoes - disse Dumbledore calmamente, enquanto Fudge tentava limpar a tinta de suas anotaes.
 - E nem ao menos comecei a falar do que ele apronta na escola.
 - Mas como o Ministrio no tem autoridade para punir os alunos de Hogwarts por faltas cometidas na escola, o comportamento de Harry naquela instituio no  relevante para esta audincia - disse Dumbledore, educadamente como sempre, mas agora com um toque de frieza em suas palavras.
 - Oh-ho! - exclamou Fudge. - No  de nossa competncia o que 
ele faz na escola, eh?  o que voc pensa.
 - O Ministrio no tem o poder de expulsar alunos de Hogwarts, Cornelius, como lembrei a voc na noite de dois de agosto - disse Dumbledore. - Tampouco tem o direito de confiscar varinhas at que as acusaes tenham sido comprovadas; tal como lembrei a voc na mesma noite. na sua admirvel pressa de garantir o respeito  lei, voc parece, inadvertidamente tenho certeza, ter esquecido algumas leis.
 - As leis podem ser mudadas - respondeu Fudge com ferocidade.
 - Claro que podem - disse Dumbledore, inclinando a cabea. E, sem dvida, parece que voc est fazendo muitas mudanas, Cornelius. Porque, nas poucas semanas desde que fui convidado a deixar a Suprema Corte dos Bruxos, j se tornou normal promover um julgamento criminal para tratar de um simples caso de magia praticada por menor!
Alguns bruxos sentados mais para o alto se mexeram em seus lugares, manifestando desconforto. Fudge assumiu um tom ligeiramente mais intenso de marrom-arroxeado. A bruxa que parecia uma sapa  sua direita, no entanto, apenas olhou para Dumbledore, seu rosto vazio de expresso.
 - At onde sei - continuou Dumbledore - ainda no est em vigor lei alguma definindo que a tarefa desta corte  punir Harry a cada ato de magia que ele j realizou. Ele foi acusado de uma violao especfica e apresentou sua defesa. Tudo o que ele e eu podemos fazer agora  aguardar o seu veredicto.
Dumbledore tornou a juntar as pontas dos dedos e se calou. Fudge encarou-o com um olhar penetrante obviamente exasperado. Harry olhou de esguelha para Dumbledore, procurando reafirmao; nao tinha muita certeza se o seu diretor fizera bem em dizer  corte que j estava na hora de seus membros tomarem uma deciso. Mais uma vez, porm, Dumbledore pareceu no perceber a tentativa de Harry de chamar a sua ateno. Continuou virado para os bancos
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acima, onde todos os membros da corte se ocupavam em urgentes consultas em voz baixa.
Harry ficou admirando os prprios ps. Seu corao, que parecia ter inchado desmedidamente, batia com fora sob as costelas. Esperara que a audincia fosse demorar mais do que aquilo. No estava nem um pouco seguro de que tivesse causado uma boa impresso. No dissera realmente muita coisa. Devia ter detalhado melhor a questo dos dementadores, como ele cara, como ele e Duddley quase tinham sido beijados...
Duas vezes ele olhou para Fudge e abriu a boca para falar, mas seu corao inchado agora comprimia as passagens de ar e, nas duas vezes, ele apenas inspirou profundamente e voltou a admirar os sapatos.
Ento os murmrios cessaram. Harry queria olhar para os juizes l no alto, mas descobriu que era, realmente, muito, mas muito mais fcil continuar a estudar os cordes dos seus sapatos.
 - Os que so a favor de inocentar o acusado de todas as imputaes? - soou a voz trovejante de Madame Bones.
Harry ergueu a cabea com um movimento rpido. Havia mos erguidas, muitas... mais da metade! Respirando muito rpido, ele tentou contar, mas antes que conseguisse terminar, Madame Bones j dizia
 - E os que so a favor da condenao?
Fudge ergueu a mo; o mesmo fizeram meia dzia de bruxos, inclusive o bruxo bigodudo, a bruxa  sua direita e a outra de cabelos muito crespos na segunda fila.
Fudge correu os olhos pela corte, com cara de que tinha alguma coisa entalada na garganta, ento baixou a mo. Inspirou duas vezes profundamente e disse, com a voz distorcida pela raiva reprimida
 - Muito bem, muito bem... inocente de todas as imputaes.
 - Excelente - disse Dumbledore com energia, pondo-se de p, tirando a varinha e fazendo as duas poltronas de chintz desaparecerem. - bom, tenho de ir andando. Bom-dia para todos.
E sem olhar nem uma vez para Harry, ele se retirou com rapidez e imponncia da masmorra. 
CAPTULO NOVE
As tributaes da Sra. Weasley
A inesperada partida de Dumbledore pegou Harry completamente de surpresa. O garoto continuou sentado na cadeira equipada com correntes, debatendo-se com os seus sentimentos, que mesclavam choque e alvio. Os juizes foram se levantando, conversando entre si, recolhendo seus documentos e guardando-os. Harry ficou em p. Ningum parecia estar lhe prestando a mnima ateno, a no ser a bruxa bufondea  direita de Fudge, que agora passara a contempl-lo em vez de a Dumbledore. Sem lhe fazer caso, o garoto tentou chamar a ateno de Fudge ou de Madame Bones, querendo perguntar se estava dispensado, mas Fudge parecia muito decidido a no ligar para Harry e Madame Bones estava ocupada com sua maleta, ento ele deu alguns passos hesitantes em direo  sada e, ao ver que ningum o mandava voltar, 
comeou a andar bem depressa.
Deu os ltimos passos quase correndo, abriu a porta com violncia e quase colidiu com o Sr. Weasley, que estava parado ali, com o rosto plido e apreensivo.
 - Dumbledore no disse...
 - Inocente - disse Harry puxando a porta atrs de si - de todas as acusaes!
Abrindo um largo sorriso, o Sr. Weasley agarrou-o pelos ombros.
 - Harry,  maravilhoso! bom,  claro que eles no poderiam ter considerado voc culpado, no com as provas que tinham, mas, mesmo assim, no posso fingir que no me senti...
Mas o Sr. Weasley parou de falar, porque a porta do tribunal se abriu. Os juizes comearam a sair.
 - Pelas barbas de Merlim! - exclamou, admirado, puxando Harry de lado para deixar os juizes passarem. - Voc foi julgado por um tribunal completo?
 - Acho que sim - disse Harry em voz baixa. - Um ou dois bruxos cumprimentaram Harry, com a cabea, ao
passar e alguns, inclusive Madame Bones, disseram-lhes om diiia,
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Arthur", mas a maioria desviou o olhar. Cornelius Fudge e a bruxa bufondea foram quase os ltimos a deixar a masmorra. Fudge agiu como se o Sr. Weasley e Harry fizessem parte da parede, mas outra vez a bruxa, ao passar, encarou o garoto quase como se o avaliasse. O ltimo a sair foi Percy. A exemplo de Fudge, ele ignorou completamente o pai e Harry; passou direto, sobraando um grande rolo de pergaminho e um punhado de penas sobressalentes, as costas empertigadas e o nariz empinado. As linhas ao redor da boca do Sr. Weasley se contraram ligeiramente, mas ele no deu nenhuma outra mostra de ter visto seu terceiro filho.
 - vou lev-lo direto para casa, assim, voc pode contar aos outros as boas notcias - disse ele, fazendo sinal a Harry para prosseguirem no momento em que os calcanhares de Percy desapareceram na escada para o nvel nove. - vou acompanh-lo, a caminho daquele banheiro pblico em Bethnal Green. Vamos...
 - Ento, que  que o senhor vai ter de fazer com relao quele banheiro? - perguntou Harry, sorrindo. De repente tudo lhe parecia cinco vezes mais engraado do que o normal. Comeava a penetrar na sua cabea a idia de que fora inocentado, ia voltar a Hogwarts.
 - Ah,  um antifeitio bastante simples - disse o Sr. Weasley ao subirem as escadas - mas no  tanto o problema de consertar o estrago,  mais a atitude que est por trs desse vandalismo. Alguns bruxos podem achar engraado armar arapucas para Muggles, mas isso  uma manifestao de algo mais profundo e perverso, e na minha opinio...
O bruxo no continuou a frase. Tinham acabado de chegar ao corredor do nvel nove, e Cornelius Fudge estava parado a uma pequena distncia, conversando em voz baixa com um homem alto de cabelos louros e lisos, e um rosto pontudo e plido.
O segundo homem se virou ao som dos passos dos recm-chegados. Tambm interrompeu o que ia dizendo, seus frios olhos cinzentos se estreitaram e se fixaram no rosto de Harry.
 - Ora, ora, ora... o Potter Patrono - exclamou Lcio Malfoy com frieza.
Harry se sentiu sem flego, como se tivesse acabado de penetrar em uma coisa slida. A ltima vez que vira aqueles olhos cinzentos e frios fora pelas fendas do capuz de um Comensal da Morte, e a ltima vez que ouvira a voz daquele homem ele fazia caoadas em um cemitrio escuro enquanto Lord Voldemort o torturava. Harry no conseguia acreditar que Lcio Malfoy tivesse coragem de encar-lo; no conseguia acreditar que estivesse ali no Ministrio da Magia, ou que Cornelius Fudge estivesse conversando com ele, pois Harry contara ao ministro havia poucas semanas que Malfoy era um Comensal da Morte.
 - O ministro estava justamente me contando a sorte que voc teve, Potter - disse o Sr. Malfoy com sua voz arrastada. -  surpreendente como voc consegue se livrar de apertos to extremos... na 
verdade, parece at um ojldio.
O Sr. Weasley apertou o ombro de Harry alertando-o. -.
 -  - disse Harry - sou bom em fugas. - . .. . Lcio Malfoy ergueu os olhos para o rosto do Sr. Weasley. 
 - E Arthur Weasley tambm! Que  que voc est fazendo aqui, Arthur?
 - Trabalho aqui - respondeu ele secamente.
 - No aqui, com certeza? - admirou-se o Sr. Malfoy, erguendo as sobrancelhas e olhando em direo  porta, por cima do ombro do Sr. Weasley. - Pensei que sua sala fosse no segundo andar... voc no faz alguma coisa que envolve furtar artefatos de Muggles e enfeiti-los?
 - No - retorquiu o Sr. Weasley, os dedos agora furando o ombro de Harry.
 - Mas o que  que o senhor est fazendo aqui, afinal? - perguntou Harry a Lcio Malfoy.
 - Acho que os meus assuntos particulares com o ministro no so da sua conta, Potter - disse Malfoy alisando a frente das vestes. Harry ouviu distintamente o tilintar suave como o de um bolso cheio de ouro.
 - Francamente, s porque voc  o garoto favorito de Dumbledore, no deve esperar a mesma indulgncia dos demais... vamos  sua sala, ento, ministro?
 - Certamente - respondeu Fudge, dando as costas para Harry e o Sr. Weasley. - Por aqui, Lcio.
Eles se afastaram juntos, falando em voz baixa. O Sr. Weasley no soltou o ombro de Harry at que os bruxos tivessem entrado no elevador.
 - Por que  que ele no estava esperando  porta do escritrio de Fudge, se tinham negcios a resolver? - explodiu Harry furioso. Que  que ele estava fazendo aqui embaixo?
 - Tentando entrar no tribunal sem ser visto, se quer minha opinio - respondeu o Sr. Weasley, parecendo extremamente agitado e espiando por cima do ombro como se quisesse se certificar de que ningum o ouvia. - Tentando descobrir se voc tinha ou no sido expulso. vou deixar um bilhete para Dumbledore quando passarmos em casa; ele precisa saber que Malfoy esteve conversando com Fudge outra vez.
 - Que negcios particulares eles podem ter a tratar?
 - Ouro, imagino - respondeu o Sr. Weasley, zangado. - Malfoy h anos faz doaes generosas para todo tipo de coisa... ajuda-o a tra-
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var amizade com as pessoas certas... depois pode pedir favores... atrasar leis que no quer que sejam aprovadas... ah, ele  muito bem relacionado, esse Lcio Malfoy.
O elevador chegou; estava vazio, exceto por um bando de memorandos que esvoaaram em volta da cabea do Sr. Weasley quando ele apertou o boto para o trio e as portas se fecharam. Afastou-os, irritado.
 - Sr. Weasley - disse Harry lentamente - se Fudge est se encontrando com Comensais da Morte como Malfoy, se est conversando com eles a ss, como vamos saber se no lanaram a Maldio Imperius sobre o ministro?
 - No pense que isso no tenha nos ocorrido, Harry - disse o Sr. Weasley em voz baixa. - Mas Dumbledore acha que, no momento, Fudge est agindo por conta prpria, o que, como diz Dumbledore, no  muito consolo.  melhor no falarmos mais nisso, por enquanto.
As portas se abriram e eles desembarcaram no Atrio quase deserto. Erick, o bruxo-segurana, estava outra vez escondido atrs do Profeta Dirio. J haviam passado direto pela fonte de ouro quando Harry se lembrou.
 - Espere... - pediu ao Sr. Weasley e, tirando a bolsa de dinheiro do bolso, voltou  fonte. Ergueu os olhos para o rosto bonito do bruxo, mas, assim de perto, Harry achou-o fraco e tolo. O sorriso da bruxa era insosso como o de uma candidata a miss, e, pelo que o garoto conhecia de duendes e centauros, era pouco provvel que fossem surpreendidos olhando to idiotamente para um ser humano. Somente a atitude de abjeto servilismo do elfo domstico lhe pareceu convincente. Sorrindo, ao pensar no que Hermione diria se visse a esttua do elfo, Harry virou a bolsa de dinheiro de boca para baixo e despejou no apenas dez galees, mas todo o seu contedo na fonte.
 - Eu sabia! - berrou Ron, dando socos no ar. - Voc sempre consegue se safar!
 - Eles tinham de inocentar voc - disse Hermione, que parecera que ia desmaiar de ansiedade quando Harry entrou na cozinha, e agora levava a mo trmula aos olhos - no tinham um caso contra voc, nenhum.
 - Mas vocs todos parecem bem aliviados, considerando que j sabiam que eu ia me livrar das acusaes - disse Harry sorrindo.
A Sra. Weasley enxugou o rosto no avental, e Fred, George e Giny executaram uma espcie de dana de guerra, cantando
Ele conseguiu, ele conseguiu, ele conseguiu..." <..

 - Chega! Sosseguem! - gritou o Sr. Weasley, embora sorrisse. Escute aqui, Sirius, Lcio Malfoy estava no Ministrio.
 - Qu? - exclamou Sirius rspido.
Ele conseguiu, ele conseguiu, ele conseguiu...
 - Quietos, vocs trs! Ns o vimos conversando com Fudge no nvel nove, depois foram juntos para a sala de Fudge. Dumbledore precisa saber disso.
 - com certeza. Vamos contar a ele, no se preocupe.
 - Bem,  melhor eu ir andando, tem um vaso sanitrio vomitando em Bethnal Green  minha espera. 
Molly, vou chegar tarde, precisarei cobrir a ausncia de Tonks, mas o Kingsley talvez venha jantar...
Ele conseguiu, ele conseguiu, ele conseguiu...
 - Agora chega... Fred... George... Giny - disse a Sra. Weasley, quando o marido deixou a cozinha. - Harry, querido, venha se sentar, almoce alguma coisa, voc quase no comeu no caf da manh.
Ron e Hermione se sentaram  frente do amigo, parecendo mais felizes do que nos dias que sucederam  chegada dele ao largo Grimmauld, e o alvio eufrico que Harry sentira, um pouco afetado pelo encontro com Lcio Malfoy, tornou a crescer. A casa sombria parecia de repente mais calorosa e mais hospitaleira; at Kreacher pareceu menos feio quando meteu seu nariz trombudo na cozinha para investigar a razo de todo aquele barulho.
 -  claro que uma vez que Dumbledore apareceu em sua defesa, no havia jeito de condenarem voc - disse Ron, feliz, agora servindo enormes colheradas de pur de batatas nos pratos de todos.
 - E, ele virou a corte a meu favor - disse Harry. Achou, porm, que ia parecer muita ingratido, para no dizer infantilidade, comentar "Mas eu gostaria que ele tivesse falado comigo. Ou pelo menos olhado para mim.
Ao pensar nisso, sua cicatriz ardeu com tanta intensidade que ele levou depressa a mo  testa.
 - Que foi? - perguntou Hermione, assustada.
 - Cicatriz - murmurou Harry. - Mas no  nada... acontece o tempo todo agora...
Nenhum dos outros reparara em nada; todos agora se serviam e se regozijavam que Harry tivesse escapado por um triz; Fred, George e ina ainda cantavam, Hermione demonstrava uma certa ansiedade, mas, antes que pudesse dizer alguma coisa, Ron falou alegremente
 - Aposto como Dumbledore vai aparecer hoje  noite para festeja com a gente, sabe?
 - No acho que ele v poder, Ron - disse a Sra. Weasley, pou-
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sando uma enorme travessa de galinha assada  frente de Harry. - Ele est realmente muito ocupado no momento.
ELE CONSEGUIU, ELE CONSEGUIU, ELE CONSEGUIU...
 - CALEM A BOCA! - berrou a Sra. Weasley.
Nos dias que se seguiram Harry no pde deixar de reparar que havia uma pessoa no largo Grimmauld, nmero doze, que no parecia muito feliz com a sua volta a Hogwarts. Sirius encenara uma grande demonstrao de felicidade logo que recebeu a notcia, apertou a mo de Harry e deu grandes sorrisos como todos os outros. Mas, no demorou muito, foi ficando mais triste e mais carrancudo do que antes, falando menos com as pessoas, at mesmo com Harry, e passando cada vez mais tempo trancado no quarto da me, com Buckbeack.
 - Pare de se sentir culpado! - disse Hermione com severidade, depois que Harry desabafou seus sentimentos com ela e Ron, enquanto faxinavam um armrio mofado no terceiro andar, alguns dias mais tarde. - O seu lugar  em Hogwarts, e Sirius sabe disso. na minha opinio, ele est sendo egosta.
 - Voc est sendo um pouco dura, Hermione - disse Ron, franzindo a testa enquanto tentava retirar um pouco do mofo agarrado em seu dedo - voc no gostaria de ficar presa nesta casa sem ter companhia.
 - Ele vai ter muita companhia! - disse Hermione. - Aqui  a sede da Ordem da Fnix, no ? Ele  que andou alimentando esperanas de que Harry viesse morar aqui.
 - No acho que seja verdade - disse Harry, torcendo o pano de limpeza. - Ele no quis me dar uma resposta direta quando perguntei se podia.
 - Ele no queria era aumentar ainda mais as esperanas dele - respondeu Hermione sensatamente. - E  provvel que se sentisse um pouco culpado, porque acho que em parte estava realmente desejando que voc fosse expulso. Ento os dois seriam marginalizados juntos.
 - Ah, pra com isso! - exclamaram Harry e Ron ao mesmo tempo, mas Hermione meramente encolheu os ombros.
 - Como quiserem. Mas s vezes acho que a me de Ron est certa, e Sirius se confunde, sem saber se voc  voc mesmo ou seu pai, Harry.
 - Ento voc acha que ele est meio biruta? - indagou Harry, inflamado
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 - No, s acho que passou muito tempo sozinho - respondeu Hermione com simplicidade.
Neste ponto da conversa, a Sra. Weasley entrou no quarto por trs dos meninos.
 - Ainda no acabaram? - perguntou, metendo a cabea no armrio.
 - Pensei que a senhora estivesse aqui para mandar a gente fazer uma pausa! - disse Ron com amargura. - Sabe quanto mofo ns limpamos desde que chegamos aqui?
 - Vocs estavam to dispostos a ajudar a Ordem - respondeu a Sra. Weasley - que tal fazerem a sua parte, deixando a sede decente para podermos viver nela?
 - Estou me sentindo um elfo domstico - resmungou Ron.
 - Bem, agora que voc conhece a vida horrvel que eles 
levam, quem sabe vai querer participar mais ativamente do FALE! - disse Hermione esperanosa, quando a Sra. Weasley saiu e os deixou continuar. - Sabe, talvez no fosse m idia mostrar s pessoas o horror que  viver limpando as coisas, poderamos promover o patrocnio de uma faxina da sala comunal da Grifindore, em que toda a renda revertesse para o FALE; isso ampliaria a conscincia e os fundos do movimento.
 - vou patrocinar  o seu silncio a respeito do FALE - resmungou Ron irritado, mas somente Harry pde ouvi-lo.
Harry viu-se devaneando cada vez mais sobre Hogwarts  medida que o fim das frias se aproximava; mal podia esperar para rever Hagrid, jogar quidditch e at andar pelas hortas a caminho da estufa de Herbologia; j seria uma festa e tanto deixar essa casa poeirenta e mofada, onde metade dos armrios continuava trancada e Kreacher chiava desaforos, escondido nas sombras quando algum passava, embora Harry tivesse o cuidado de no comentar nada disso onde Sirius pudesse ouvi-lo.
O fato era que morar na sede do movimento anti-Voldemort no era nem de longe interessante ou excitante como Harry teria esperado que fosse antes de experimentar. Embora os membros da Ordem entrassem e sassem regularmente, por vezes ficassem para comer, e outras vezes gastassem apenas uns minutinhos conversando aos cochichos, a Sra. Weasley tomava providncias para que Harry e os outros estivessem bem longe para no ouvir (fosse com os ouvidos desarmados, fosse armados com as Orelhas Extensveis) e ningum, nem mesmo Sirius, parecia achar que Harry precisasse saber nada alm do que j ouvira na noite da chegada.
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No ltimo dia de frias, Harry estava retirando a titica de Edwig do topo do armrio quando Ron entrou no quarto trazendo uns envelopes.
 - Chegaram as listas de material - anunciou, atirando um dos envelopes para Harry, que estava em cima de uma cadeira.
-J no era sem tempo, pensei que tivessem esquecido, em geral mandam as listas muito mais cedo...
Harry varreu a ltima titica para dentro de um saco de lixo e atirou-o, por cima da cabea de Ron, na lixeira a um canto, que o engoliu e soltou um sonoro arroto. Abriu ento sua carta. Continha duas folhas de pergaminho uma era o aviso habitual de que o trimestre comearia em primeiro de setembro; a outra listava os livros de que iria precisar durante o ano letivo.
 - Somente dois livros novos - comentou ele passando os olhos na lista. - O livro padro de feitios, 5* srie, de Miranda Goshawk, e Teoria da defesa em magia, de Wilberto Slinkhard.
Craque.
Fred e George materializaram bem ao seu lado. O garoto agora j estava to acostumado com esse hbito dos gmeos que nem ao menos caiu da cadeira.
 - Estvamos justamente imaginando quem teria escolhido o livro de Slinkhard - disse Fred em tom de conversa.
 - Porque isto significa que Dumbledore arranjou um novo professor de Defesa Contra as Artes das Trevas - disse George.
 - E j no era sem tempo - comentou Fred.
 - Como assim? - perguntou Harry, saltando da cadeira para o lado deles.
 - bom, ouvimos, com as Orelhas, mame e papai conversando h umas semanas - explicou Fred a Harry - e, pelo que diziam, Dumbledore estava tendo muita dificuldade de encontrar algum para o cargo este ano.
 - O que no  nenhuma surpresa, quando a gente se lembra do que aconteceu com os ltimos quatro - disse George.
 - Um foi despedido, um morreu, um teve a memria apagada e um passou nove meses trancado em um malo - disse Harry, contando nos dedos. - , d para entender o que voc quer dizer.
 - Que  que h com voc, Ron? - indagou Fred.
Ron no respondeu. Harry virou a cabea. Seu amigo estava muito quieto, com a boca meio aberta, olhando para a carta de Hogwarts.
 - Qual  o problema? - perguntou Fred impaciente, dando a volta para espiar o pergaminho por cima do ombro do irmo.
L
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A boca de Fred escancarou-se tambm.
 - Monitor? - exclamou, olhando incrdulo para a carta. Monitor?
George deu um pulo  frente, puxou a carta da mo de Ron e virou-a de cabea para baixo. Harry viu uma coisa vermelha e dourada cair na palma da mo de George.
 - Nem pensar - disse George em voz baixa.
 - Houve um engano - disse Fred, arrebatando a carta da mo de Ron e segurando-a contra a luz, como se procurasse a marca-d'agua.
 - Ningum com o juzo perfeito nomearia Ron monitor.
As cabeas dos gmeos se viraram ao mesmo tempo, e juntos encararam Harry.
 - Achamos 
que s poderia ser voc! - disse Fred num tom que sugeria que Harry os havia enganado.
 - Achamos que Dumbledore teria de escolher voc! - exclamou George indignado.
 - Depois de vencer o Tribruxo e tudo o mais - disse Fred.
 - Suponho que toda essa histria de loucura deve ter contado pontos contra ele - comentou George para Fred.
 -  - concordou Fred lentamente. - , voc criou muita confuso, cara. Bem, pelo menos um de vocs entendeu as prioridades deles corretamente.
E, aproximando-se de Harry, deu-lhe uma palmada nas costas, ao mesmo tempo que lanava a Ron um olhar fulminante.
 - Monitor... Ronquinho, o Monitor.
 - Ah, mame vai dar nuseas - gemeu George, atirando o distintivo de volta a Ron como se quisesse evitar contaminao.
Ron, que ainda no dissera uma palavra, apanhou o distintivo, contemplou-o por um momento, ento estendeu-o, calado, para Harry como se pedisse uma confirmao de que era autntico. Harry o recebeu. Havia um grande "M" sobreposto ao leo de Grifindore. Vira um distintivo exatamente igual no peito de Percy em seu primeiro dia de Hogwarts.
A porta se abriu com estrondo. Hermione entrou correndo no quarto, as bochechas vermelhas e os cabelos esvoaando. Trazia um envelope na mo.
 - Voc... voc recebeu...?
Ela viu o distintivo na mo de Harry e soltou um grito agudo.
 - Eu sabia! - exclamou, excitada, brandindo a carta na mo. - Eu tambm, Harry, eu tambm!
 - No - apressou-se Harry a dizer, devolvendo o distintivo a Ron. - Foi o Ron e no eu.
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-... o qu?
 - Ron  o monitor e no eu - explicou Harry.
 - Ron? - admirou-se Hermione, de queixo cado. - Mas... voc tem certeza? Quero dizer...
A garota ficou muito vermelha quando Ron se virou para ela com uma expresso de desafio no rosto.
 -  o meu nome que est na carta.
 - Eu... - comeou Hermione totalmente perplexa. - Eu... bem... uau! Parabns, Ron.  realmente...
 - Inesperado - concluiu George, confirmando com a cabea.
 - No - disse Hermione, ficando mais vermelha que nunca - no, no  que... Ron fez montes de... ele realmente...
A porta s costas dos garotos se abriu um pouco mais e a Sra. Weasley entrou de marcha a r no quarto, trazendo uma pilha de vestes recm-lavadas.
 - Giny me disse que as listas de material afinal chegaram - disse ela, vendo todos aqueles envelopes ao se dirigir  cama onde comeou a separar as vestes em duas pilhas. - Se vocs me entregarem as listas, irei at o beco Diagonal hoje  tarde e comprarei tudo, enquanto vocs fazem as malas. Ron, terei de comprar mais pijamas para voc, estes esto no mnimo quinze centmetros mais curtos do que deveriam. No consigo acreditar como voc est crescendo to depressa... que cor voc gostaria?
 - Compre vermelho e dourado para combinar com o distintivo disse George, rindo.
 - Combinar com o qu? - perguntou a Sra. Weasley, distrada, enrolando um par de meias castanho-avermelhadas e depositando-as na pilha de Ron.
 - O distintivo dele - repetiu Fred, com ar de quem quer acabar depressa com a pior parte. - O novo, belo e reluzente distintivo de monitor dele.
A preocupao com os pijamas impediu que a Sra. Weasley entendesse imediatamente as palavras de Fred.
 - Dele... mas... Ron, voc no ...? Ron mostrou o distintivo.
A Sra. Weasley soltou um grito agudo igual ao de Hermione.
 - Eu no acredito! Eu no acredito! Ah, Ron, que maravilha! Monitor! Como todos na famlia!
 - Que  que Fred e eu somos, filhos do vizinho? - perguntou George indignado, enquanto a me o empurrava para o lado e abria os braos para apertar o filho mais novo.
 - Espere s at o seu pai saber! Ron, estou to orgulhosa de
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voc, que notcia maravilhosa, voc pode acabar monitor-chefe como Bill e Percy, esse  o primeiro passo. Ah, que coisa para acontecer no meio de toda essa preocupao, estou encantada, ah, Ronnho...
Fred e George estavam fingindo grandes nsias de vmito s costas da me, mas a Sra. Weasley nem reparou os braos apertados em torno do pescoo de Ron, ela o beijava por todo o rosto, que se tornara vermelho mais intenso do que o distintivo.
 - Mame... no... mame, se controla... - murmurava ele, tentando afast-la.
Ela o soltou, e disse ofegante
 - bom, ento o que vai ser? Demos a Percy uma coruja, mas naturalmente voc j tem uma.
 - Q-que  que voc quer dizer? - perguntou o garoto, com cara 
de quem no ousa acreditar no que est ouvindo.
 - Voc tem de ganhar uma recompensa por isso! - disse a Sra. Weasley carinhosamente. - Que tal um belo conjunto de vestes a rigor?
 - J compramos isso para ele - disse Fred com amargura, parecendo sinceramente arrependido de sua generosidade.
 - Ou um caldeiro novo, o velho caldeiro de Charly est todo enferrujado, ou um rato novo, voc sempre gostou do Scaber...
 - Mame - pediu Ron esperanoso - posso ganhar uma vassoura nova?
A Sra. Weasley pareceu ligeiramente desapontada; vassouras eram caras.
 - No precisa ser uma realmente boa! - Ron se apressou a acrescentar. - S... s nova para variar...
A Sra. Weasley hesitou, em seguida sorriu.
 - Claro que pode... bem, ento  melhor eu ir andando se tenho de comprar uma vassoura tambm. Vejo vocs mais tarde... meu Ronquinho, monitor! E no se esquea de fazer suas malas... monitor... ah, estou vibrando!
Ela deu mais um beijo na bochecha de Ron, fungou alto e saiu apressada do quarto.
Fred e George se entreolharam.
 - Voc no se incomoda se a gente no beijar voc, no , Ron? ~~ perguntou Fred, num tom de fingida ansiedade.
 - Podemos fazer uma reverncia, se voc quiser - sugeriu George.
 - Ah, calem a boca - disse Ron, amarrando a cara para os irmos.
 - Se no? - disse Fred, com um sorriso maligno se espalhando pelo rosto. - Vai nos tascar uma deteno?
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 - Eu adoraria que ele tentasse - debochou George.
 - E ele pode, se vocs no se cuidarem! - disse Hermione aborrecida.
Os gmeos caram na gargalhada, e Ron murmurou
 - Deixa pra l, Hermione.
 - Vamos ter de tomar cuidado com o que fizermos, George - disse Fred, fingindo tremer - com esses dois atrs da gente...
 - , parece que os nossos dias de desrespeito  lei finalmente terminaram - disse George, sacudindo a cabea.
E, com mais um barulhento craque, os gmeos desmaterializaram.
 - Esse dois - exclamou Hermione furiosa, olhando para o teto, pelo qual eles agora ouviam Fred e George rir s gargalhadas no quarto de cima. - No ligue para eles, Ron, s esto com cimes!
 - No acho que estejam - disse Ron em dvida, olhando para o teto. - Eles sempre disseram que s babacas viram monitores... ainda assim - acrescentou mais alegre - eles nunca tiveram vassouras novas! Eu gostaria de ir com mame escolher... ela nunca ter dinheiro para uma Nimbus, mas saiu uma Cleansweep que seria tima... , acho que vou dizer a ela que gostaria de ganhar uma Cleansweep, s para ela saber...
E saiu correndo do quarto, deixando Harry e Hermione sozinhos.
Por alguma razo, Harry achou que no queria olhar para a amiga. Virou-se para sua cama, apanhou a pilha de vestes limpas que a Sra. Weasley tinha deixado ali e levou-as para o outro lado do quarto onde estava o seu malo.
 - Harry? - chamou Hermione hesitante.
 - Parabns, Hermione - disse ele, to efusivamente que nem parecia sua voz, e ainda sem olhar - genial. Monitora. Legal.
 - Obrigada - disse a garota. - Hum... Harry... posso pedir a Edwig emprestada para mandar dizer  mame a ao papai? Eles vo ficar realmente satisfeitos... quero dizer, monitor  uma coisa que eles conseguem entender.
 - Pode, sem problema - respondeu, ainda com aquela horrvel cordialidade na voz que no era sua. - Pode levar!
Harry se inclinou para o malo, depositou as vestes no fundo e fingiu estar procurando alguma coisa, enquanto Hermione ia at o armrio e pedia a Edwig para descer. Alguns minutos se passaram; Harry ouviu a porta fechar, mas continuou curvado, escutando; os nicos sons que ouvia eram os do retrato vazio na parede dando risadinhas e a cesta de lixo no canto regurgitando a titica de coruja.
Ele se endireitou e olhou para trs. Hermione sara e levara com
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ela Edwig. Harry voltou vagarosamente at sua cama e se largou nela, fixando o olhar, sem ver, na parte inferior do armrio.
Esquecera completamente que os monitores eram escolhidos no quinto ano. Estivera demasiado ansioso com a possibilidade de ser expulso para sequer pensar que os distintivos deviam estar sendo enviados para certas pessoas. Mas se ele tivesse lembrado... tivesse pensado... que teria esperado?
No isso, 
disse uma vozinha sincera dentro de sua cabea.
Harry amarrou a cara e enterrou-a nas mos. No podia mentir para si mesmo; se tivesse sabido que o distintivo de monitor estava a caminho, teria esperado que viesse para ele e no para Ron. Ser que isto o fazia to arrogante quanto Draco Malfoy? Ser que se achava superior a todos? Ser que realmente acreditava que era melhor do que Ron?
No, disse a vozinha desafiando-o.
 - Seria verdade? - Harry se perguntou, sondando ansiosamente os prprios sentimentos.
Sou melhor em quidditch, disse a voz. Mas no sou melhor em mais nada.
O que decididamente era verdade, pensou Harry; no era melhor que Ron nas aulas. Mas e nas aulas externas? E naquelas aventuras que ele, Ron e Hermione viviam juntos desde que entraram para Hogwarts, muitas vezes correndo riscos maiores que a expulso?
bom, Ron e Hermione estiveram comigo na maior parte do tempo, disse a voz na cabea de Harry.
Mas no o tempo todo, argumentou Harry. Eles no lutaram contra Quirrell. Eles no enfrentaram o Riddle nem o basilisco. Eles no se livraram dos dementadores na noite em que Sirius fugiu. Eles no estiveram no cemitrio, na noite em que Voldemort voltou...
E o mesmo sentimento de estar sendo usado, que o invadira na noite em que chegara, tornou a despertar. Decididamente eu fiz mais, pensou indignado. Fiz mais do que qualquer um deles!
Mas talvez, disse a vozinha com imparcialidade, talvez Dumbledore no escolha os monitores porque eles vivam se metendo em situaes perigosas. .. talvez ele os escolha por outras razes... Ron deve ter alguma coisa que voc no tem...
Harry abriu os olhos e fixou, por entre os dedos, os ps de garra do armrio, lembrando-se do que Fred dissera "Ningum com o juzo perfeito nomearia Ron monitor...
Harry soltou uma risada abafada. Um segundo depois sentiu nojo de si mesmo.
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Ron no pedira a Dumbledore para lhe dar o distintivo de monitor. No era culpa de Ron. Ser que ele, Harry, o melhor amigo de Ron no mundo, ia ficar emburrado porque no ganhara um distintivo, ia rir com os gmeos s costas do amigo, estragar, para Ron, este momento em que, pela primeira vez, ele levava a melhor sobre Harry em alguma coisa?
Neste ponto, ele ouviu os passos de Ron subindo a escada. Ficou em p, ajeitou os culos e engrenou um sorriso quando Ron embarafustou pela porta.
 - Apanhei-a bem em tempo! - disse feliz. - Ela disse que vai comprar a Cleansweep, se puder.
 - Legal - exclamou Harry, e sentiu alvio ao perceber que sua voz perdera a falsa cordialidade. - Escute aqui... Ron... parabns, cara.
O sorriso desapareceu do rosto de Ron.
 - Eu nunca pensei que seria eu! - disse, sacudindo a cabea. Pensei que seria voc!
 - Nah, eu criei muitos problemas - disse Harry fazendo coro a Fred.
 - , , suponho... bom,  melhor a gente fazer as malas, no acha?
Era estranho como os pertences dos dois pareciam ter-se espalhado desde que haviam chegado ali. Levaram quase a tarde inteira para reunir os livros e outras coisas largadas pela casa e guard-las de volta nos males de escola. Harry reparou que o amigo no parava de mexer no distintivo, primeiro colocou-o sobre a mesa-de-cabeceira, depois guardou-o no bolso da jeans, por fim tirou-o e ajeitou-o sobre as vestes dobradas, como se quisesse ver o efeito do vermelho sobre o negro. Somente quando Fred e George apareceram e se ofereceram para prend-lo  testa dele com um Feitio Adesivo Permanente,  que ele o embrulhou carinhosamente nas meias castanhas e trancou-o no malo.
A Sra. Weasley voltou do beco Diagonal por volta de seis horas, carregada de livros e mais um embrulho comprido, de papel pardo grosso, que Ron tirou das mos dela com um gemido de desejo.
 - No precisa desembrulhar agora, as pessoas esto chegando para o jantar, quero todos l embaixo - disse a me; mas, no instante em que ela desapareceu de vista, o garoto rasgou o papel num frenesi e examinou cada centmetro da vassoura nova, com uma expresso de xtase no rosto.
Embaixo, no poro, a Sra. Weasley pendurou uma flmula vermelha sobre a mesa de jantar coberta de iguarias, em que se lia
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PARABNS
RONY E HERMIONE
OS NOVOS MONITORES
Ela parecia muito mais animada do que Harry a vira durante todo o perodo das frias.
 - Pensei em fazer uma festinha e no um jantar  mesa - disse a Harry, Ron, Hermione, Fred, George e Giny quando eles entraram no aposento. - Seu pai e Bill esto a caminho, Ron. Despachei corujas para os dois, e eles ficaram entusiasmados - acrescentou sorridente.
Fred girou os olhos para o teto.
Sirius, Lupin, Tonks e Kingsley Shacklebolt 
j estavam ali, e OlhoTonto Moody chegou, batendo a perna de pau, logo depois de Harry se servir de uma cerveja amanteigada.
 - Ah, Alastor, que bom que voc est aqui - cumprimentou a Sra. Weasley animada, quando Olho-Tonto sacudiu do corpo a capa de viagem. - H sculos que andamos querendo pedir a voc ser que podia dar uma olhada na escrivaninha da sala de visitas e nos dizer o que  que tem l dentro? No quisemos abri-la, porque pode ser alguma coisa realmente ruim.
 - Pode deixar comigo, Molly...
O olho azul eltrico de Moody girou para o alto e fixou-se no teto da cozinha, transpassando-o.
 - Sala de visitas... - rosnou  medida que sua pupila se contraa. Escrivaninha no canto? , estou vendo... ,  um sem-forma... quer que eu suba e me livre dele, Molly?
 - No, no, eu mesma farei isso mais tarde - sorriu a Sra. Weasley - tome a sua bebida. na verdade estamos fazendo uma pequena comemorao... - disse, indicando a flmula vermelha. - O quarto monitor na famlia! - disse com carinho, arrepiando os cabelos de Ron.
 - Monitor, eh? - resmungou Moody, seu olho normal fixandose em Ron e o mgico girando para olhar um lado da prpria cabea. Harry teve a sensao muito desagradvel de que ele o observava, e afastou-se em direo a Sirius e Lupin.
 - Bem, ento meus parabns - disse Moody, ainda olhando para Ron com o olho normal - figuras de autoridade sempre atraem problemas, mas suponho que Dumbledore o considere capaz de resistir  maioria das principais maldies, ou no o teria nomeado...
Ron pareceu bastante espantado com esta opinio, mas no foi preciso responder graas  chegada do pai e do irmo mais velho. A Sra. Weasley estava de to bom humor que sequer reclamou de terem
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trazido Nundungus com eles; o bruxo usava um casaco longo que parecia estranhamente volumoso em lugares improvveis, e no aceitou o oferecimento de tir-lo e guard-lo junto  capa de viagem de Moody.
 - bom, acho que a ocasio pede um brinde - disse o Sr. Weasley, depois que todos se serviram de bebidas. Ele ergueu o clice. - A Ron e Hermione, os novos monitores da Grifindore!
Os dois garotos sorriram enquanto todos brindavam e em seguida os aplaudiam.
 - Eu nunca fui monitora - disse Tonks animada, s costas de Harry, quando os convidados se aproximaram da mesa para se servir. Seus cabelos hoje estavam vermelho-tomate e batiam na cintura; ela parecia irm mais velha de Giny. - A diretora da minha casa disse que me faltavam certas qualidades necessrias.
 - Quais, por exemplo? - perguntou Giny, que estava escolhendo uma batata assada.
 - A capacidade de me comportar - disse Tonks.
Giny riu; Hermione parecia no saber se ria ou no, e escolheu um meio-termo, servindo-se de um gole exagerado de cerveja amanteigada e se engasgando.
 - E voc, Sirius? - perguntou Giny, batendo nas costas de Hermione.
Sirius, que estava bem ao lado de Harry soltou a risada de sempre, que lembrava um latido.
 - Ningum teria me nomeado monitor, eu passava tempo demais detido com James. Lupin era o garoto bem-comportado, ele ganhou o distintivo.
 - Acho que Dumbledore talvez tivesse esperanas de que eu fosse capaz de exercer algum controle sobre os meus melhores amigos disse Lupin. - No preciso dizer que falhei miseravelmente.
O estado de nimo de Harry subitamente melhorou. Seu pai tambm no fora monitor. De repente, a festa pareceu muito mais divertida; encheu seu prato, sentindo gostar duas vezes mais de todos que estavam presentes.
Ron elogiava com entusiasmo as qualidades de sua vassoura nova para quem quisesse ouvi-lo.
 - ... de zero a cem quilmetros em dez segundos, nada mal, hein? Quando se pensa que a Comet 290 s atingia noventa e cinco, e isso com um bom vento de cauda, segundo o Que Vassoura?.
Hermione estava conversando muito sria com Lupin sobre suas idias a respeito dos direitos dos elfos. ". - Quero dizer,  o mesmo tipo de absurdo que a segregao de
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lobisomens, no ? Tudo isso parece nascer dessa horrvel maneira dos bruxos se acharem superiores aos outros seres...
A Sra. Weasley e Bill requentavam a mesma discusso de sempre sobre o cabelo do rapaz.
 - ... est realmente passando dos limites, e voc  to bonito, ficaria muito melhor se os cortasse mais curtos, voc no acha, Harry?
 - Ah... no sei... - disse Harry, ligeiramente assustado por perguntarem sua opinio; afastou-se discretamente e foi em direo a Fred e George, que estavam agrupados em um canto com Nundungus.
O bruxo parou de falar quando avistou 
Harry, mas Fred deu uma piscadela e fez sinal para o garoto se aproximar.
 - Tudo bem - disse ele a Nundungus - podemos confiar no Harry,  ele quem nos d suporte financeiro.
 - Olha s o que o Nundungus arranjou para ns - disse George, estendendo a mo para Harry. Estava cheia de alguma coisa que lembrava vagens murchas. Produziam um barulhinho abafado de chocalho, embora estivessem completamente paradas.
 - Sementes de tentculos venenosos - esclareceu George. - Precisamos delas para o kit Mata-Aula, mas so substncias no-comerciveis classe C, por isso estamos tendo dificuldade para compr-las.
 - Dez galees a partida ento, Nundungus? - perguntou Fred.
 - com todo o trabalho que tive para conseguir essas? - exclamou Nundungus, seus olhos empapuados e vermelhos se arregalando ainda mais. - Lamento, rapazes, mas no estou aceitando nem um nuque menos de vinte.
 - Nundungus gosta de fazer piadinhas - disse Fred a Harry.
 - , a melhor at agora foi pedir seis sicles por um saco de espinhos de ourio - disse George.
 - Cuidado - alertou-os Harry em voz baixa.
 - Qu? - admirou-se Fred. - Mame est ocupada, arrulhando em volta do monitor Ron, estamos seguros.
 - Mas Moody pode estar de olho em vocs - lembrou Harry. Nundungus espiou nervoso por cima do ombro.
 - Bem lembrado - resmungou. - Tudo bem, rapazes, dez ento, se levarem tudo depressa.
 - Valeu, Harry! - exclamou Fred, encantado, enquanto Nundungus esvaziou os bolsos nas mos estendidas dos gmeos e saa rpido em direo  comida. -  melhor levarmos isso para cima...
Harry observou os garotos se afastarem, sentindo-se ligeiramente apreensivo. Acabara de lhe ocorrer que o Sr. e a Sra. Weasley iam querer saber como  que Fred e George estavam financiando os artigos
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para sua loja quando finalmente descobrissem - o que era inevitvel que a loja j estava funcionando. Doar aos gmeos o prmio do Tribruxo parecera a Harry, na poca, uma coisa simples, mas e se isso acabasse provocando outra briga de famlia e um rompimento como o de Percy? Ser que a Sra. Weasley ainda consideraria Harry como um filho se descobrisse que ele possibilitara a Fred e George iniciar uma carreira que ela achava inadequada?
Parado onde os gmeos o haviam deixado, tendo por companhia apenas a culpa que lhe pesava na boca do estmago, Harry ouviu algum dizer seu nome. A voz grave e ressonante de Kingsley Shacklebolt era audvel mesmo no meio de toda a conversa.
 - ... por que Dumbledore no promoveu Potter a monitor? indagava Kingsley.
 - Deve ter tido suas razes - respondeu Lupin.
 - Mas teria demonstrado sua confiana nele.  o que eu teria feito - insistiu Kingsley - principalmente com o Profeta Dirio a ataclo com tanta freqncia...
Harry no virou a cabea; no queria que Lupin nem Kingsley soubessem que entreouvira. Embora no sentisse a menor fome, acompanhou Nundungus de volta  mesa. Seu prazer na festa se evaporara com a mesma velocidade com que surgiu; ele desejou estar deitado em seu quarto.
Olho-Tonto Moody cheirava uma coxa de galinha com o que lhe sobrara do nariz; evidentemente no conseguiu perceber vestgio algum de veneno, porque em seguida arrancou um naco com uma dentada.
 - ... o punho  feito de carvalho americano com um verniz antimaldio e tem controle antivibrao embutido - dizia Ron a Tonks.
A Sra. Weasley deu um grande bocejo.
 - Bem, acho que vou dar um jeito naquele sem-forma antes de ir dormir... Arthur, no quero esse pessoalzinho acordado at tarde, est bem? Boa-noite, Harry, querido.
Ela saiu da cozinha. Harry pousou o prato e se perguntou se conseguiria segui-la sem chamar ateno.
 - Voc est bem, Potter? - perguntou Moody.
 - To, timo - mentiu Harry. ' Moody tomou um gole do frasco de bolso, seu olho azul eltrico olhando de esguelha para o garoto.
 - Vem c, tenho uma coisa que talvez lhe interesse - disse.
De um bolso interno das vestes, Moody tirou uma velha fotobruxa muito danificada.
 - A Ordem da Fnix original - rosnou. - Encontrei-a  noite pas145
sada quando estava procurando a minha Capa da Invisibilidade sobressalente e, como Podmore ainda no teve a boa educao de devolver a minha boa..., pensei que o pessoal talvez gostasse de ver isso.
Harry apanhou a foto. Um pequeno grupo de bruxos, alguns acenando para ele, outros erguendo os copos, retribuindo seu olhar.
 - Aquele sou eu - disse Moody, apontando a prpria imagem sem necessidade. O Moody na foto era inconfundvel, embora o cabelo estivesse um pouco menos grisalho e o nariz, intacto. - E ali  Dumbledore ao meu lado, Dedalus Diggle do outro lado... 
essa  Marlene McKinnon, foi morta duas semanas depois de tirarmos a foto, pegaram toda a famlia dela. Estes so Frank e Alice Longbottom...
O estmago de Harry, j meio embrulhado, contraiu-se ao olhar para Alice Longbottom; conhecia aquele rosto redondo e simptico muito bem, embora nunca a tivesse visto, porque era a cara do filho, Neville.
 - ... coitados - resmungou Moody. - Melhor morrer do que passar pelo que passaram... e essa  Emelina Vance, voc j a conheceu, e aquele  Lupin, obviamente... Beijo Fenwick, ele tambm sofreu muito, s encontramos pedacinhos dele... cheguem para l - acrescentou, metendo o dedo na foto, e as pessoas fotografadas se deslocaram para o lado, para que outras, que estavam parcialmente na sombra, pudessem passar ao primeiro plano.
 - Esse  Edgar Bomes... irmo de Amlia Bomes, pegaram ele e a famlia tambm, era um grande bruxo... Sturgius Podmore, pombas, como est jovem... Cartaco Dearborn desapareceu seis meses depois da foto, nunca encontramos seu corpo... Hagrid, naturalmente, parece exatamente o que ... Elifas Doge, voc o conheceu, tinha me esquecido que usava esse chapu idiota... Gideo Prewett, foram precisos cinco Comensais da Morte para mat-lo e matar o irmo Fbio, lutaram como heris... mexam-se, mexam-se...
As figurinhas na foto se misturaram, e as que estavam escondidas bem atrs apareceram  frente.
 - Esse  o irmo de Dumbledore, Aberforth, a nica vez que o vi, sujeito esquisito... essa  Dorcas Meadowes, Voldemort a matou pessoalmente... Sirius, quando ainda usava cabelos curtos... e... esto todos a, achei que voc se interessaria!
O corao de Harry deu uma cambalhota. Seu pai e sua me estavam sorrindo para ele, sentados um de cada lado de um homenzinho de olhos aguados que Harry reconheceu imediatamente como Wormtail, o que havia denunciado o paradeiro dos dois a Voldemort e com isso provocara a morte deles. 
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 - Eh? - exclamou Moody.
Harry ergueu os olhos para o rosto cheio de cicatrizes e marcas de Moody. Ele evidentemente tinha a impresso de que acabara de mostrar a Harry uma coisa boa.
 - E - disse o garoto, mais uma vez tentando sorrir. - Hum... escute, acabei de me lembrar, ainda no guardei o meu...
Ele foi poupado do trabalho de inventar um objeto que ainda no tivesse guardado. Sirius acabara de dizer.
 - Que  isso que voc tem a Olho-Tonto?
E Moody voltou sua ateno para Sirius. Harry atravessou a cozinha, saiu discretamente pela porta e subiu as escadas antes que algum o chamasse de volta.
No sabia dizer por que ficara to chocado; afinal, j vira fotos dos seus pais antes e j conhecera Wormtail... mas o fato de algum mostr-los assim, de repente, quando menos esperava... ningum gostaria disso, pensou enraivecido...
E ainda por cima, v-los cercados por todas aquelas caras felizes... Beijo Fenwick, que fora encontrado em pedacinhos, e Gideo, que morrera como heri, & os Longbottom, que foram torturados at enlouquecer... todos acenando, felizes, na foto, para sempre, sem saber que estavam condenados... bom, Moody talvez achasse isso interessante... ele, Harry, achava perturbador...
O garoto subiu as escadas, p ante p, at o corredor, passou pelas cabeas empalhadas dos elfos, satisfeito de estar sozinho, mas, ao se aproximar do primeiro patamar, ouviu rudos. Algum estava soluando na sala de visitas.
 - Ol? - chamou.
No houve resposta, mas os soluos continuaram. Harry subiu os degraus restantes, de dois em dois, cruzou o patamar e abriu a porta da sala de visitas.
Algum estava encolhido contra a parede escura, a varinha na mo, todo o corpo sacudido por soluos. Esparramado no velho tapete empoeirado, em uma mancha de luar, visivelmente morto, encontravase Ron.
Todo o ar pareceu fugir dos seus pulmes; Harry teve a sensao de que estava atravessando o cho; seu crebro congelou - Ron morto, no, no era possvel...
Mas, espere um momento, no podia ser - Ron estava l embaixo...
 - Sra. Weasley? - chamou Harry com a voz embargada.
 - R - r - riddikulus! - soluava a bruxa, apontando a varinha, trmula, para o corpo do filho.
Craque. 
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O corpo de Ron se transformou no de Bill, de barriga para cima, braos e pernas abertos, olhos abertos e vidrados. A Sra. Weasley voltou a soluar.
Craque.
O corpo do Sr. Weasley substituiu o de Bill, seus culos tortos, um filete de sangue escorrendo pelo rosto.
 - No! - gemia a Sra. Weasley. - No... riddikulusl Riddikulus! RIDDIKULUS!
Craque. Gmeos mortos. Craque. Percy morto. Craque. Harry morto...
 - Sra. Weasley, saia daqui! - gritou Harry, contemplando o prprio cadver estirado no cho. - Deixe outra pessoa...
 - Que est acontecendo?
Lupin subira correndo  sala, seguido de perto por 
Sirius e Moody, que fechava a fila, batendo a perna de pau. Lupin olhava da Sra. Weasley para o cadver de Harry no cho, e pareceu compreender tudo no mesmo instante. Puxando a varinha, disse, em tom muito claro e firme.
 - Riddikulus!
O corpo de Harry desapareceu. Um globo de prata pairou no ar sobre o local em que estivera o cadver. Lupin sacudiu a varinha mais uma vez e o globo desapareceu em uma baforada de fumaa.
 - Ah... ah... ah! - engoliu a Sra. Weasley em seco e tornou a se desmanchar numa torrente de lgrimas com o rosto entre as mos.
 - Molly - disse Lupin desolado, aproximando-se dela. - Molly, no...
No segundo seguinte, ela soluava de se acabar no ombro de Lupin.
 - Molly, foi apenas um sem-forma - disse ele consolando-a, dando-lhe palmadinhas na cabea. - Apenas um sem-forma idiota...
 - Eu os vejo m-m-mortos o tempo todo! - gemeu a Sra. Weasley no ombro do bruxo. - Todo o t-t-tempo! T-t-tenho sonhos...
Sirius ficou olhando fixamente para o pedao do tapete em que estivera deitado o sem-forma fingindo ser Harry. Moody olhava para o garoto, que evitou seu olhar. Tinha a estranha sensao de que o olho mgico de Moody o acompanhara desde a cozinha.
 - No d-d-diga ao Arthur - pedia a Sra. Weasley, agora engolindo o choro e enxugando nervosamente os olhos com os punhos. No q-q-quero que ele saiba... fui boba...
Lupin lhe deu um leno, e ela assoou o nariz.
 - Harry, sinto muito. Que  que voc vai pensar de mini? - perguntou trmula. - No consigo nem me livrar de um sem-forma...
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 - Bobagem - disse Harry, tentando sorrir.
 - Estou t-t-to preocupada - disse ela, as lgrimas mais uma vez saltando-lhe dos olhos. - Metade da f-f-famlia est na Ordem, ser uma b-b-bno se todos sobreviverem... e P-P-Percy no est falando conosco... e se alguma coisa t-t-terrvel acontecer antes de termos feito as p-p-pazes com ele? E o que vai acontecer se Arthur e eu morrermos, quem  que vai t-t-tomar conta de Ron e Giny?
 - Molly, chega - disse Lupin com firmeza. - Agora no  como da ltima vez. A Ordem est mais bem preparada, contamos com uma dianteira, sabemos o que Voldemort pretende...
A Sra. Weasley soltou um gritinho de medo ao ouvir esse nome.
 - Ah, Molly, vamos, j  tempo de voc se acostumar a ouvir o nome dele... escute, no posso prometer que ningum vai sair ferido, ningum pode prometer isso, mas estamos muito melhor do que estvamos da ltima vez. Voc no fazia parte da Ordem naquele tempo, por isso no compreende. Da ltima vez havia vinte Comensais da Morte para cada um de ns, e eles foram nos matando um a um...
Harry lembrou-se da fotografia, dos seus pais sorridentes. Sabia que Moody ainda o observava.
 - No se preocupe com Percy - disse Sirius abruptamente. - Ele vai mudar de opinio. E apenas uma questo de tempo, e Voldemort vai sair das sombras; e quando isto acontecer, o Ministrio inteiro vai nos pedir perdo. E no tenho muita certeza se vamos aceitar o pedido deles - acrescentou com amargura.
 - Agora, quanto a quem vai cuidar de Ron e Giny se voc e Arthur morrerem - disse Lupin com um leve sorriso - que  que voc acha que vamos fazer, deix-los morrer de fome?
A Sra. Weasley deu um sorriso trmulo.
 - Estou sendo boba - murmurou outra vez, enxugando os olhos.
Mas Harry fechando a porta do quarto atrs de si uns dez minutos depois, no conseguiu achar que a Sra. Weasley fosse boba. Via seus pais sorrindo para ele na velha foto danificada, sem saber que suas vidas, como a de tantos outros  sua volta, estavam chegando ao fim. A imagem do sem-forma se transformando no cadver de cada membro da famlia da Sra. Weasley no parava de lampejar diante dos seus olhos.
Sem aviso, a cicatriz em sua testa queimou de dor e seu estmago revirou horrivelmente.
 - Pra com isso - disse com firmeza, esfregando a cicatriz  medida que a dor foi diminuindo.
 - Primeiro sinal de loucura, falar com a prpria cabea - disse a voz sonsa do quadro vazio na parede.
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Harry no lhe deu ateno. Sentiu-se mais velho do que jamais se sentira na vida e parecia-lhe extraordinrio que h pouco menos de uma hora estivesse preocupado com uma loja de logros e com quem eanhara um distintivo de monitor.

- - CAPTULO DEZ
Luna Lovegood
Harry teve uma noite inquieta. Seus pais entravam e saam dos seus sonhos, sempre calados; a Sra. Weasley soluava sobre o cadver de Kreacher, observada por Ron e Hermione, que estavam usando coroas, e mais uma vez Harry se viu descendo por um corredor que terminava em uma porta fechada. Acordou bruscamente com a cicatriz formigando e encontrou Ron j vestido e falando com ele.
 - ...  melhor se apressar, mame est furiosa, diz que vamos perder o trem...
Havia grande confuso e barulho na casa. Pelo que ouviu enquanto se vestia rapidamente, Harry conseguiu entender que Fred e George tinham enfeitiado seus males para voar escada abaixo, a fim de economizar o trabalho de carreg-los, e, em conseqncia, eles haviam colidido diretamente com Giny e feito a irm rolar dois lances de escada at o corredor; a Sra. Black e a Sra. Weasley estavam ambas berrando a plenos pulmes.
 - ... PODERIAM T-LA MACHUCADO SERIAMENTE, SEUS IDIOTAS...
 - MESTIOS IMUNDOS, EMPORCALHANDO A CASA DOS MEUS PAIS...
Hermione entrou correndo no quarto com o rosto afogueado, na hora em que Harry estava calando os tnis. Edwig se equilibrava no ombro da garota, que carregava Crookshanks a se debater em seus braos.
 - Mame e papai acabaram de mandar Edwig de volta. - A coruja saiu esvoaando documente e foi se empoleirar no teto de sua gaiola. - Voc j est pronto?
 - Quase. A Giny est bem? - perguntou Harry, pondo os culos no rosto.
 - A Sra. Weasley j cuidou dela - disse Hermione. - Mas agora Olho-Tonto est protestando que no podemos sair at Sturgius chegar, ou ficar faltando uma pessoa na guarda.
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 - Guarda? - perguntou Harry. - Temos de ir a King's Cross com uma guarda?
 - Voc tem de ir a King's Cross com uma guarda - corrigiu-o Hermione.
 - Por qu? - perguntou Harry, irritado. - Pensei que Voldemort estivesse agindo nas sombras ou ser que voc est me dizendo que ele vai pular de dentro de um lato de lixo e tentar me matar?
 - Eu no sei, foi o que Olho-Tonto disse - respondeu Hermione desatenta, olhando para o relgio - mas se no sairmos logo decididamente vamos perder o trem...
 - SER QUE VOCS PODEM DESCER AQUI, AGORA, POR FAVOR! - berrou a Sra. Weasley, e Hermione deu um salto como se tivesse se escaldado, e saiu correndo do quarto. Harry agarrou Edwig, enfiou-a sem cerimnia na gaiola e saiu atrs da amiga, arrastando seu malo.
O retrato da Sra. Black uivava de fria, mas ningum se preocupava em fechar as cortinas sobre seu retrato para faz-la calar; todo aquele estardalhao no corredor com certeza iria tornar a despert-la.
 - Harry, voc vem comigo e com Tonks - gritou a Sra. Weasley, tentando abafar os repetidos guinchos de "SANGUES-RUINS! RAL! CRIATURAS DA IMUNDCIE!" - Deixe o malo e a coruja, Alastor vai cuidar da bagagem... 
ah, pelo amor de Deus, Sirius, Dumbledore disse nol
Um cachorro peludo aparecera ao lado de Harry quando ele tentava escalar os vrios males que atravancavam o hall e chegar  Sra. Weasley.
 - Ah, francamente... - respondeu a Sra. Weasley, desesperada. bom, seja mas por sua conta e risco!
Ela abriu com violncia a porta de entrada e saiu para o dia palidamente iluminado de setembro. Harry e o cachorro a acompanharam. A porta bateu s costas deles, e os guinchos da Sra. Black cessaram instantaneamente.
 - Cad a Tonks? - perguntou Harry, olhando a toda volta, enquanto descia os degraus de pedra do nmero doze, que sumiram no instante em que eles pisaram a calada.
 - Est nos esperando ali adiante - respondeu a Sra. Weasley secamente, evitando olhar o cachorro preto que se sacudia ao lado de Harry.
Uma velha cumprimentou-os na esquina. Tinha cabelos grisalhos muito crespos e usava um chapu roxo em feitio de torta de porco.
 - A, beleza, Harry! - cumprimentou Tonks, com uma piscade-
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la. -  melhor a gente se apressar, no acha, Molly? - acrescentou, verificando a hora.
 - Eu sei, eu sei - gemeu a Sra. Weasley, apertando o passo - mas Olho-Tonto queria esperar por Sturgius... se ao menos Arthur tivesse nos arranjado carros do Ministrio outra vez... mas Fudge ultimamente no o deixa pedir emprestado nem um tinteiro vazio... como  que os Muggles conseguem viajar sem magia...
Mas o cachorro preto deu um latido alegre e correu animado ao redor deles, assustando os pombos e caando o prprio rabo. Harry no pde deixar de rir. Sirius ficara preso em casa por muito tempo. A Sra. Weasley contraiu os lbios de um jeito quase igual ao de tia Petunia.
Levaram vinte minutos para chegar a King's Cross a p, e nada mais excitante aconteceu durante esse tempo, exceto Sirius ter espantado uns gatos para divertir Harry. Uma vez na estao, eles pararam displicentemente ao lado da barreira entre as plataformas nove e dez at no haver ningum  vista, depois, um a um, atravessaram para a plataforma nove e meia, onde o Expresso de Hogwarts aguardava, arrotando fumaa escura sobre a plataforma apinhada de alunos que iam embarcar e suas famlias. Harry aspirou aqueles cheiros familiares e sentiu seu nimo fortalecer... ia realmente regressar...
 - Espero que os outros cheguem a tempo - comentou a Sra. Weasley, ansiosa, olhando para o arco de ferro trabalhado que abarcava a plataforma e por onde chegariam os novos passageiros.
 - Belo co, Harry! - disse um rapaz alto com cachos rastafri.
 - Obrigado, Linus - disse Harry sorrindo, enquanto Sirius sacudia a cauda freneticamente.
 - Ah, que bom! - exclamou a Sra. Weasley, parecendo aliviada. A vem Alastor com a bagagem, vejam...
com um bon de carregador cobrindo os olhos dspares, Moody passou mancando pelo arco, atrs de um carrinho carregado com as malas dos garotos.
 - Tudo bem - murmurou ele para a Sra. Weasley e Tonks - acho que ningum nos seguiu...
Segundos depois, o Sr. Weasley surgiu na plataforma com Ron e Herrnione. Tinham praticamente descarregado o carrinho de bagagem quando Fred, George e Giny apareceram com Lupin.
 - Nenhum problema? - rosnou Moody.
 - Nada - respondeu Lupin.
 - Ainda assim, vou dar parte de Sturgius a Dumbledore - disse Moody -  a segunda vez em uma semana que ele no aparece. Est ficando to irresponsvel quanto Nundungus.
k
 - bom, cuidem-se bem - desejou Lupin, apertando a mo de todos. Despediu-se de Harry por ltimo e lhe deu uma palmada no ombro. - Voc tambm, Harry. Tenha cuidado.
 - , cabea baixa e olhos alertas - disse Moody, apertando a mo do garoto tambm. - E no se esqueam, todos vocs cuidado com o que escrevem. Se tiverem dvida sobre alguma coisa, no a mencionem em carta.
 - Foi timo conhecer vocs - disse Tonks, abraando Hermione 
e Giny. - Logo nos reveremos, espero.
Soou um primeiro apito; os alunos, ainda na plataforma, correram para o trem.
 - Depressa, depressa - disse a Sra. Weasley, distrada, abraandoos a esmo, e segurando Harry duas vezes. - Escrevam... se comportem... se esqueceram alguma coisa ns mandaremos... agora subam no trem, depressa...
Por um breve momento, o enorme co negro ergueu-se nas patas traseiras e apoiou as dianteiras nos ombros de Harry, mas a Sra. Weasley empurrou o garoto em direo  porta do trem.
 - Pelo amor de Deus, Sirius, comporte-se mais como um cachorro! - sibilou ela.
 - At mais! - gritou Harry pela janela aberta, quando o trem comeou a andar, enquanto Ron, Hermione e Giny acenavam ao seu lado. As silhuetas de Tonks, Lupin, Moody e do Sr. e da Sra. Weasley foram encolhendo rapidamente, mas o cachorro preto continuou saltando ao lado da janela, abanando o rabo; gente na plataforma agora pouco visvel ria de ver o co correndo atrs do trem, ento contornaram uma curva, e Sirius desapareceu.
 - Ele no devia ter vindo com a gente - comentou Hermione, manifestando preocupao na voz.
 - Ah, anime-se - disse Ron - ele no v a luz do dia h meses, coitado.
 - bom - disse Fred, batendo palmas - no podemos ficar aqui conversando o dia inteiro, temos negcios a discutir com o Linus. Vemos vocs mais tarde. - E ele e George desapareceram pelo corredor  direita.
O trem continuou a ganhar velocidade, fazendo os garotos que continuavam em p balanarem, e transformando as casas em imagens fugidias.
 - Ento, vamos arranjar uma cabine? - convidou Harry.
Ron e Hermione se entreolharam. Hum - falou Ron 
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 - Ns... bem... Ron e eu temos de ir para o carro dos monitores - disse Hermione, sem jeito.
Ron no estava olhando para Harry; parecia vivamente interessado nas unhas da mo esquerda.
 - Ah - respondeu Harry. - Certo. timo.
 - Acho que no temos de ficar l a viagem inteira - acrescentou Hermione depressa. - Nossas cartas dizem que vamos receber instrues dos monitores-chefes e depois patrulhar os corredores de tempos em tempos.
 - timo - repetiu Harry. - bom, eu... eu talvez veja vocs mais tarde, ento.
 - E, com certeza - disse Ron, lanando um olhar esquivo e ansioso ao amigo. -  chato ter de ir para l, eu preferia... mas temos de ir... quero dizer, no estou me divertindo, no sou o Percy - concluindo em tom de desafio.
 - Sei que voc no  - disse Harry, rindo. Mas quando Hermione e Ron arrastaram os males, Crookshanks e Pig, engaiolada, em direo  frente do trem, Harry teve uma estranha sensao de perda. Nunca viajara no Expresso de Hogwarts sem Ron.
 - Anda - disse-lhe Giny - se formos logo, poderemos guardar lugares para eles.
 - Certo - concordou Harry, pegando a gaiola de Edwig com uma das mos e a ala do seu malo com a outra. Eles avanaram com dificuldade pelo corredor, espiando pelas vidraas das cabines e descobrindo que j estavam ocupadas. Harry no pde deixar de notar que muitos garotos o olharam com grande interesse e que vrios cutucaram os vizinhos e apontaram para ele. Depois de registrar esse comportamento em cinco carros consecutivos, ele lembrou que, durante o vero inteiro, o Profeta Dirio andara informando aos seus leitores que ele era um mentiroso exibicionista. Perguntou-se, desolado, se as pessoas que agora o olhavam e cochichavam teriam acreditado naquelas histrias.
No ltimo carro, eles encontraram Neville Longbottom, o garoto do quinto ano, colega de Harry na Grifindore, o rosto redondo brilhando com o esforo de arrastar o malo e segurar, com apenas uma das mos, o seu sapo Trevor, que se debatia.
 - Oi, Harry - ofegou. - Oi Giny... est tudo cheio... no consegui encontrar um lugar!
 - Do que  que voc est falando? - respondeu Giny, que se espremera para passar por Neville e espiar a cabine atrs dele. - Tem lugar nesse a, s tem a Di-lua/Luna Lovegood...
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Neville murmurou alguma coisa sobre no querer incomodar ningum.
 - No seja bobo - disse Giny dando risadas. - Ela  legal.
Giny abriu a porta e puxou seu malo para dentro. Harry e Neville a seguiram.
 - Oi, Luna - cumprimentou ela - tudo bem se a gente ocupar esses lugares?
A garota ao lado da janela ergueu os olhos. Tinha cabelos louros, sujos e mal cortados, at a cintura, sobrancelhas muito claras e olhos saltados, que lhe davam um ar de permanente surpresa. Harry entendeu na hora por que Neville preferira procurar outra cabine. A garota emanava uma aura 
de ntida birutice. Talvez fosse porque guardara a varinha atrs da orelha esquerda, por medida de segurana, ou porque tivesse decidido usar um colar de rolhas de cerveja amanteigada, ou ainda porque estivesse lendo a revista de cabea para baixo. Seus olhos estudaram Neville e se fixaram em Harry.
Ela fez que sim com a cabea.
 - Obrigada - disse Giny, sorrindo para ela.
Harry e Neville guardaram os trs males e a gaiola de Edwig no bagageiro e se sentaram. Luna observou-os por cima da revista invertida, que se chamava O Pasquim. Aparentemente, ela no piscava com tanta freqncia quanto as pessoas normais. No parava mais de olhar para Harry, que se acomodara no assento defronte, e agora desejava no ter feito aquilo.
 - Boas frias, Luna? - perguntou Giny.
 - Boas - disse Luna sonhadora, sem tirar os olhos de Harry. - E, foram bem divertidas, sabe. Voc  Harry Potter - acrescentou.
 - Eu sei que sou - respondeu Harry.
Neville riu. Luna voltou ento seus olhos claros para ele.
 - Eu no sei quem voc .
 - No sou ningum - respondeu Neville, apressado.
 - No, no  no - disse Giny com rispidez. - Neville Longbottom, Luna Lovegood. Luna est no mesmo ano que eu, mas  da Ravenclaw.
 - O esprito sem limites  o maior tesouro do homem - disse Luna entoando o ditado.
E erguendo a revista o suficiente para esconder o rosto, ela se calou. Harry e Neville se entreolharam com as sobrancelhas erguidas. Giny reprimiu uma risadinha.
O trem avanou barulhento, levando-os em velocidade para o campo aberto. O dia estava estranho, meio instvel; em um momen-
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to o carro se inundava de sol e no seguinte passavam sob agourentas nuvens escuras.
 - Adivinhem o que ganhei de aniversrio? - perguntou Neville.
 - Mais um Lembrol? - perguntou Harry, lembrando-se do dispositivo em forma de bola de gude que a av de Neville lhe mandara na tentativa de melhorar sua incrvel falta de memria.
 - No - respondeu o garoto. - At que um Lembrol viria a calhar, perdi o antigo h sculos... no, olhe s isso...
Ele enfiou na mochila a mo livre - a outra segurava Trevor firmemente - e, depois de procurar um pouco, tirou um vaso contendo algo parecido com um pequeno cacto cinzento, exceto que era recoberto de pstulas, em vez de espinhos.
 - Mimbulus mimbletona - disse orgulhoso.
Harry olhou para a coisa. Pulsava levemente, o que lhe dava a aparncia sinistra de um rgo interno avariado.
 -  uma escrofulria realmente rara - comentou Neville radiante. - Nem sei se na estufa de Hogwarts tem uma. Mal posso esperar para mostrar  Prof Sprout. Meu tio-av Algie conseguiu-a para mim na Assria. vou ver se consigo multiplic-la.
Harry sabia que o assunto favorito de Neville era Herbologia, mas, por mais que se esforasse, no conseguia imaginar o que o garoto poderia querer com aquela plantinha nanica.
 - Ela... hum... ela faz alguma coisa? - perguntou.
 - Muita coisa! - respondeu Neville, orgulhoso. - Tem um fantstico mecanismo de defesa. Tome, segure o Trevor aqui para mim...
Ele largou o sapo no colo de Harry e tirou uma pena da mochila. Os olhos saltados de Luna Lovegood tornaram a aparecer por cima da borda da revista invertida, para espiar o que Neville estava fazendo. O garoto segurou a escrofulria prxima dos olhos, a lngua entre os dentes, escolheu um ponto e espetou com fora a planta.
A planta espirrou lquido de todas as pstulas; jatos verde-escuros, malcheirosos, espessos. Eles bateram no teto, nas janelas, e salpicaram a revista de Luna Lovegood; Giny, que erguera os braos para proteger o rosto bem em tempo, ficou parecendo que usava um chapu verde pegajoso, mas Harry, cujas mos tinham estado ocupadas com Trevor para impedir que o sapo fugisse, recebeu o jato em cheio no rosto. Cheirava a estrume ranoso.
Neville, cujo rosto e tronco tambm estavam encharcados, sacudiu a cabea para limpar o excesso dos olhos.
 - D-desculpem - disse gaguejando. - Eu no tinha experimentado isso antes... no pensei que seria to... mas no se preocupem, esta

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escrofulria no  venenosa - acrescentou ele, nervoso, enquanto Harry cuspia um bocado de seiva no cho.
Neste exato momento, a porta da cabine se abriu.
 - Ah... ol, Harry - disse uma voz agitada. - Hum... cheguei em m hora?
Harry limpou as lentes dos culos com a mo livre. Uma garota bonita, de cabelos negros e brilhantes, estava parada  porta sorrindo para ele Cho Chang, 
Sickera do time de quidditch de Ravenclaw.
 - Ah... oi - disse Harry, desconcertado.
 - Hum... - respondeu Cho. - Bem... pensei em dar um al... ento tchau.
Gorando um pouco, a garota fechou a porta e foi embora. Harry se largou no banco e gemeu. Gostaria que Cho o encontrasse sentado com um grupo muito legal, se acabando de rir de uma piada que tivessem acabado de contar; e no ali, com Neville e Luna Lovegood, segurando um sapo e pingando escrofulria.
 - Tudo bem - disse Giny, procurando consolar o garoto. - Olhe, podemos nos livrar de tudo isso facilmente. - E puxando a varinha ordenou Limpar!
A escrofulria desapareceu.
 - Desculpe - tornou a dizer Neville, com uma vozinha tmida. Ron e Hermione s apareceram depois de uma hora, altura em
que o carrinho de comida j passara. Harry, Giny e Neville j haviam comido as tortinhas de abbora e se entrelinham em trocar os cartes dos sapos de chocolate, quando a porta da cabine se abriu e os dois entraram acompanhados por Crookshanks e Pig, que soltava pios agudos em sua gaiola.
 - Estou morto de fome - disse Ron, guardando Pig ao lado de Edwig, passando a mo num sapo de chocolate de Harry e se atirando no lugar a seu lado. Abriu, ento, a embalagem, arrancou a cabea do sapo com uma dentada e se recostou, com os olhos fechados, como se tivesse tido uma manh exaustiva.
 - bom, tem dois monitores do quinto ano de cada casa - disse Hermione, parecendo completamente desapontada quando se sentou. - Um garoto e uma garota.
 - E adivinhem quem  o monitor da Slytherin? - disse Ron, mantendo os olhos fechados.
 - Malfoy - respondeu Harry na mesma hora, certo de que seus piores receios teriam se confirmado.
 - Claro - disse Ron amargurado, enfiando o resto do sapo na boca e apanhando mais um.
 - E aquela completa vaca Pansy Parkinson - disse Hermione com
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ferocidade. - Como foi que chegou  monitora, sendo mais obtusa que um trasgo lesado...
 - Quem so os da Hufflepuff? - perguntou Harry.
 - Ernie Macmillan e Ana Abbott - respondeu Ron com a voz empastada.
 - E Antony Goldstein e Padma Patil da Ravenclaw - continuou Hermione.
 - Voc foi ao Baile de Inverno com Padma Patil - disse uma voz imprecisa.
Todos se viraram para Luna Lovegood, que olhava sem piscar para Ron, por cima de O Pasquim. Ele engoliu o sapo de uma vez.
 - E, eu sei que fui - disse ele, parecendo ligeiramente surpreso.
 - Ela no gostou muito - informou-lhe Luna. - Acha que voc no a tratou bem, porque no quis danar com ela. Acho que eu no teria me importado - acrescentou pensativa. - No gosto muito de danar.
Luna tornou a se esconder atrs de O Pasquim. Ron ficou olhando para a capa da revista de boca aberta por alguns segundos, depois procurou Giny com o olhar para obter uma explicao, mas a irm havia enterrado os ns dos dedos na boca para sufocar um acesso de riso. Ron sacudiu a cabea, confuso, depois olhou para o relgio.
 - Temos de patrulhar os corredores a intervalos - disse a Harry e Neville - e podemos castigar os alunos que no estiverem se comportando. Mal posso esperar para apanhar Crabbe e Goyle fazendo alguma coisa...
 - Voc no pode abusar da sua posio, Ron! - ralhou Hermione.
 - Certo, porque o Malfoy no vai abusar nem um pouquinho da dele - respondeu Ron com sarcasmo.
 - Ento voc vai se rebaixar ao nvel dele?
 - No, s vou garantir que apanho os amigos dele antes que ele apanhe os meus.
 - Pelo amor de Deus, Ron...
 - vou fazer Goyle escrever cem vezes a mesma frase, ele vai morrer, odeia escrever - disse Ron alegremente. E baixando a voz para imitar os grunhidos de Goyle, contraiu o rosto fingindo dolorosa concentrao e escreveu no ar. - "Eu... no... devo... ter... cara... de... bunda... de macaco.
Todos riram, mas ningum riu mais do que Luna Lovegood. Soltou um grito de alegria que fez Edwig acordar e bater as asas, e Crookshanks pular para o alto do bagageiro, sibilando. Luna riu tanto que a revista escapou-lhe das mos, escorregou pelas pernas e foi parar no cho.
 - Essa foi boa! 
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Seus olhos marejados de lgrimas fixavam Ron, enquanto tentava recuperar o flego. Completamente aparvalhado, ele olhava para os amigos, que agora riam da expresso em seu rosto e do riso absurdamente prolongado de Luna, se balanando para a frente e para trs, comprimindo os lados do corpo.
 - Voc est tentando me fazer de bobo? - perguntou Ron enrugando a testa.
 - Bunda... de macaco! - ela engasgava, segurando as costelas. Todos apreciavam Luna rir, exceto Harry, que, batendo os olhos
na revista ainda no cho, reparou em alguma coisa que o fez abaixarse rapidamente para apanh-la. 
De cabea para baixo, fora difcil dizer qual era a foto da capa, mas Harry agora percebia que era uma charge malfeita de Cornelius Fudge, apenas reconhecvel por causa do chapu-coco verde-limo. Uma das mos do ministro apertava uma bolsa de ouro; a outra esganava um duende. A legenda da charge perguntava At onde ir Fudge para se apoderar de Gringotts?
Abaixo, uma chamada para os outros ttulos da revista.

Corrupo na Liga de Quidditch
Como os Tomados esto assumindo o controle
Segredos das antigas runas revelados
Sirius Black Vtima ou Vilo?
 - Posso dar uma olhada? - perguntou ele ansioso a Luna. 
A garota concordou com a cabea, ainda de olhos em Ron, ofegante de tanto rir.
Harry abriu a revista e correu os olhos pelo ndice. At aquele momento esquecera-se completamente da revista que Kingsley entregara ao Sr. Weasley para Sirius, mas devia ser essa mesma edio de O Pasquim.
Ele localizou a pgina e voltou sua ateno para o artigo, excitado.
Era tambm ilustrado por uma charge bem ruinzinha; de fato, Harry nem teria percebido que representava Sirius, se no houvesse legenda. O padrinho estava em p no alto de uma pilha de ossos humanos, empunhando a varinha. O ttulo do artigo era
SIRIUS - NEGRO COMO O PINTAM?
Famoso assassino em massa ou inocente sensao musical?
Harry precisou ler a primeira linha vrias vezes para se convencer de que entendera corretamente. Desde quando Sirius era uma sensao musical?
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Durante catorze anos acreditou-se que Sirius Black fosse culpado do assassinato em massa de doze Muggles inocentes e um bruxo. Sua audaciosa fuga de Azkaban h dois anos desencadeou a maior caada humana que o Ministrio da Magia j conduziu. Nenhum de ns jamais questionou que ele merece ser recapturado e devolvido aos dementadores. MAS SER QUE ELE MERECE?
Recentemente vieram a pblico novas e surpreendentes provas de que Black pode no ter cometido os crimes pelos quais foi mandado para Azkaban. De fato, diz Dris Purkiss, da via Acntia, 18, Little Norton, Black talvez nem tenha presenciado a matana.
O que as pessoas no percebem  que Sirius Black  um nome falso", diz a Sra. Purkiss. "O homem que elas pensam ser Sirius Black  na realidade Toquinho Boardman, vocalista do popular conjunto Os Duendeiros, e que se retirou da vida pblica depois de ser atingido na orelha, por um nabo, em um concerto, em Little Norton Church Hall, h quase quinze anos. Reconheci-o no instante em que vi sua foto no jornal. Ora, Toquinho no poderia ter cometido aqueles crimes, porque no dia em questo estava, por acaso, saboreando um jantar romntico  luz de velas em minha companhia. J escrevi ao ministro da Magia e estou aguardando que muito breve concedam perdo total a Toquinho, ou melhor, Sirius.
Harry terminou de ler e ficou olhando a pgina, incrdulo. Talvez fosse uma piada, pensou, talvez a revista publicasse invencionices com freqncia. Ele folheou as pginas anteriores e encontrou a notcia sobre Fudge.
Cornelius Fudge, ministro da Magia, h cinco anos quando foi eleito negou que tivesse planos para assumir a administrao do banco dos bruxos, o Gringotts. Ele sempre insistiu em afirmar que quer apenas cooperar pacificamente com os guardies do nosso ouro. MAS SER QUE QUER MESMO?
Fontes ligadas ao ministro revelaram recentemente que a mais cara ambio de Fudge  assumir o controle da reserva de ouro dos duendes e que no hesitar em usar a fora se for preciso.
E no seria a primeira vez, tampouco", declarou um funcionrio bem informado. "Cornelius Fudge o Mata-Duendes  como seus amigos o chamam. Se os leitores pudessem ouvi-lo quando ele pensa que no h ningum por perto, ali, no pra de falar nos duendes que matou; mandou afogar, mandou atirar ao alto de edifcios, mandou envenenar, man dou cozinhar para rechear tortas...
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Harry no quis continuar a ler. Fudge podia ter muitos defeitos, mas o garoto achava extremamente difcil imagin-lo dando ordens para assar duendes para rechear tortas. Ele folheou o resto da revista. Parando aqui e ali, leu uma acusao de que os Tornados de Tutshill estavam vencendo o campeonato da Liga de Quidditch, combinando chantagem, envenenamento de vassouras e tortura; uma entrevista com um bruxo que dizia ter voado at 
a lua em uma Cleansweep 6 e trazido um saco de sapos lunares para provar o seu feito; e um artigo sobre runas antigas que ao menos explicava o motivo de Luna estar lendo O Pasquim de cabea para baixo. Segundo a revista, se a pessoa observasse as runas de cabea para baixo elas revelariam um feitio para transformar as orelhas de um inimigo em cunquates. De fato, comparada com os demais artigos de O Pasquim, a insinuao de que Sirius pudesse realmente ser o vocalista dos Duendeiros parecia at bastante sensata.
 - Alguma coisa que preste a? - perguntou Ron, quando Harry fechou a revista.
 - Claro que no - respondeu Hermione criticamente, antes que Harry pudesse responder. - O Pasquim s tem bobagens, todo o mundo sabe disso.
 - Desculpe - disse Luna; sua voz perdeu momentaneamente a vagueza. - Meu pai  o editor.
 - Eu... ah - disse Hermione, visivelmente constrangida. - Bem... tem coisas interessantes... quero dizer,  bem...
 - Pode me devolver, obrigada - disse Luna com frieza, e, curvando-se para frente, puxou-a das mos de Harry. Folheando rapidamente at a pgina cinqenta e sete, tornou a segur-la de cabea para baixo, decidida, e desapareceu por trs da revista, no momento em que a porta da cabine se abriu pela terceira vez.
Harry olhou; j esperava por isso, o que no tornou mais agradvel a viso de Draco Malfoy ladeado por seus dois comparsas Crabbe e Goyle.
 - Que ? - disse agressivamente, antes que Malfoy pudesse abrir a boca.
 - Modos, Potter, ou terei de lhe dar uma deteno - entoou Malfoy, cujos cabelos lisos e louros e o queixo pontudo eram exatamente iguais aos do pai. - Como est vendo, ao contrrio de voc, fui promovido a monitor, o que quer dizer que, ao contrrio de voc, tenho o poder de distribuir castigos.
 -  - disse Harry - mas, ao contrrio de mim, voc  um babaca, por isso se manda e deixa a gente em paz.
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Ron, Hermione, Giny e Neville riram. Malfoy crispou o lbio.
 - Vem c, Potter, como  que voc se sente perdendo a liderana para o Weasley?
 - Cala a boca, Malfoy - mandou Hermione rispidamente.
 - Parece que toquei num ponto sensvel - disse ele, sorrindo com afetao. - bom, trate de se cuidar, Potter, porque vou estar na sua cola como um co de caa, caso voc saia da linha.
 - Fora daqui! - disse Hermione, ficando de p.
Abafando o riso, Malfoy lanou um ltimo olhar malicioso a Harry e saiu da cabine com os dois amigos pesades em sua esteira. Hermione bateu a porta da cabine e virou-se para Harry, que percebeu imediatamente que a amiga, como ele, registrara o que Malfoy dissera e ficara igualmente abatida.
 - Joga mais um sapo para ns - disse Ron, que pelo jeito nada percebera.
Harry no podia falar com franqueza na frente de Neville e Luna. Trocou mais um olhar nervoso com Hermione, depois ficou olhando para fora da janela.
Achara engraada a idia de Sirius t-lo acompanhado  estao, mas de repente achou-a irresponsvel, se no positivamente perigosa... Hermione estava certa... Sirius no devia ter vindo. E se o Sr. Malfoy tivesse reparado no co preto e comentasse com Draco? E se tivesse deduzido que os Weasley, Lupin, Tonks e Moody sabiam onde Sirius estava escondido? Ou ser que o fato de Malfoy ter usado a palavra "co" fora coincidncia?
O tempo permaneceu indefinido  medida que rumavam sempre para o norte. A chuva salpicou as janelas de m vontade, depois o sol fez uma plida apario e logo as nuvens o encobriram. Quando anoiteceu e as luzes foram acesas nos carros, Luna enrolou O Pasquim, guardou-o cuidadosamente na mochila e passou a encarar, um a um, os colegas de cabine.
Harry estava sentado com a testa encostada na janela do trem, tentando captar um vislumbre distante de Hogwarts, mas era uma noite sem luar e a janela riscada de chuva estava suja.
 -  melhor nos trocarmos - disse Hermione. Ela e Ron prenderam no peito os distintivos de monitor. Harry viu Ron apreciando a prpria imagem na janela escura.
Finalmente o trem comeou a reduzir a velocidade e eles ouviram a zoeira que sempre havia quando os alunos corriam a preparar a bagagem e os animais de estimao para o desembarque. Como Ron e
Hermione deviam supervisar a movimentao, eles desapareceram da cabine, deixando para Harry e os outros cuidarem de Crookshanks e Pig.
 - Eu levo essa coruja, se voc quiser - disse Luna a Harry, estendendo a mo para Pig, enquanto Neville guardava Trevor cuidadosamente no bolso interno das vestes.
 - Ah... hum... obrigado - disse o garoto, entregando-lhe a gaiola e erguendo Edwig com mais firmeza nos braos.
O grupo saiu lentamente da cabine, sentindo o primeiro impacto do ar noturno em seus rostos ao engrossarem a confuso de 
alunos no corredor. Aos poucos, foram se deslocando para as portas. Harry sentiu o cheiro dos pinheiros que ladeavam a trilha at o lago. Desceu para a plataforma e olhou ao redor, procurando ouvir a chamada familiar de "alunos do primeiro ano aqui... primeiro ano...
Mas a chamada no veio. Em vez disso, uma voz bem diferente, uma voz feminina enrgica gritava "Alunos do primeiro ano faam fila aqui, por favor! Todos os alunos de primeiro ano para c!
Uma lanterna veio balanando em direo a Harry, e,  sua luz o garoto viu o queixo proeminente e o severo corte dos cabelos da Prof Grubbly-Plank, a bruxa que assumira o Trato das Criaturas Mgicas no lugar de Hagrid, por uns tempos, no ano anterior.
 - Onde est Hagrid? - perguntou ele em voz alta.
 - No sei - disse Giny - mas  melhor a gente sair do caminho, estamos bloqueando a porta.
-Ah, ...
Harry e Giny se separaram enquanto caminhavam pela plataforma para se afastar da estao. Empurrado pela aglomerao de alunos, Harry procurou divisar, no escuro, um relance de Hagrid; ele tinha de estar ali, contara com isso - rever Hagrid era uma das coisas que mais desejara. Mas no havia sinal do amigo.
Ele no pode ter ido embora, disse Harry a si mesmo enquanto avanava lentamente pelo estreito portal da sada, para se juntar aos outros na rua. Vai ver apanhou uma gripe ou outra coisa qualquer...
Ele procurou Ron ou Hermione com os olhos, querendo saber o que pensavam da reapario da Prof Grubbly-Plank, mas nenhum dos dois estava por perto. Ento ele se deixou impelir para a estrada escura e lavada de chuva,  sada da Estao de Hogsmeade.
Ali se encontravam aguardando mais ou menos cem carruagens, sem cavalos, que sempre levavam os alunos mais adiantados at o castelo. Harry deu uma olhada rpida, afastou-se um pouco para vigiar a chegada dos amigos, ento deu uma segunda olhada.
As carruagens no eram mais sem cavalos. Havia animais parados
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entre os varais dos carros. Se precisasse design-los por algum nome ele supunha que os teria chamado de cavalos, embora possussem alguma coisa reptiliana tambm. Eram completamente descarnados, com os couros negros colados ao esqueleto, no qual cada osso era visvel. As cabeas semelhavam a de drages, e os olhos, sem pupilas, eram brancos e fixos. Da juno das espduas saam asas - imensas e negras, coriceas, que pareciam pertencer a morcegos gigantes. Imveis e quietos na escurido, os bichos eram estranhos e sinistros. Harry no conseguia entender por que as carruagens seriam puxadas por esses cavalos horrorosos quando eram perfeitamente capazes de se mover sozinhas.
 - Cad o Pig? - indagou a voz de Ron logo atrs de Harry.
 - A Luna vem trazendo ele a - disse Harry, virando-se depressa, ansioso para consultar o amigo sobre Hagrid. - Onde  que voc acha que...
 - ... o Hagrid est? No sei - disse Ron, parecendo preocupado.
 - Tomara que esteja bem...
A uma pequena distncia, Draco Malfoy seguido por um pequeno grupo de comparsas, inclusive Crabbe, Goyle e Pansy Parkinson, afastava do caminho alguns alunos de segundo ano, de ar tmido, para poderem apanhar uma carruagem. Segundos depois, Hermione emergiu ofegante da multido.
 - Malfoy estava agindo de maneira absolutamente revoltante com um garoto de primeiro ano l atrs. Juro que vou dar parte dele; ele s est usando o distintivo h trs minutos e j est abusando mais do que nunca das pessoas... onde est o Crookshanks?
 - Est com a Giny - disse Harry. - Olhe ela ali...
Giny acabara de surgir do ajuntamento, segurando um Crookshanks que esperneava.
 - Obrigada - disse Hermione, substituindo Giny na tarefa. - Vamos logo, vamos pegar uma carruagem juntos, antes que lotem todas...
 - Ainda no apanhei Pig! - disse Ron, mas Hermione j ia se adiantando em direo  carruagem desocupada mais prxima. Harry ficou para trs com Ron.
 - Que  que voc acha que so essas coisas? - perguntou Harry, indicando com a cabea os horrendos cavalos, enquanto os outros alunos passavam por eles em bando.
 - Que coisas? .
 - Esses cavalos... 
Luna apareceu segurando a gaiola de Pchinos braos; a corujinha pipilava excitada, como de costume. 
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 - Pronto, aqui est - disse ela. -  uma corujinha bem simptica,
no?
 - Hum... ... ela  legal - disse Ron com maus modos. - Bem, vamos ento, vamos entrar... que  que voc estava dizendo, Harry?
 - Eu estava perguntando que bichos horrveis so esses que parecem cavalos? - e continuou andando com Ron e Luna para a carruagem em que Hermione e Giny j estavam sentadas.
 - Que bichos que parecem cavalos?
 - Esses bichos que esto puxando as carruagens! - disse Harry impaciente. Afinal, eles estavam a menos de um metro do mais prximo; e o bicho os observava com aqueles olhos brancos 
e fixos. Ron, no entanto, se virou para Harry com um ar perplexo.
 - Do que  que voc est falando?
 - Estou falando daquilo... olhe!
Harry agarrou Ron pelo brao e girou seu corpo de modo a obrig-lo a ficar cara a cara com o cavalo alado. Ron olhou direto para o cavalo durante um segundo, depois tornou a olhar para Harry.
 - Para o que  que eu devo olhar?
 - Para... ali, entre os varais! Atrelados  carruagem! Bem ali na frente...
Mas, como Ron continuava a parecer confuso, ocorreu a Harry um estranho pensamento.
 - Voc... voc no est vendo nada?
 - Vendo o qu?
 - Voc no est vendo a coisa que est puxando a carruagem? Ron agora comeou a se assustar seriamente.
 - Voc est bem, Harry?
 - Eu... ...
Harry sentiu-se completamente desnorteado. O cavalo estava ali, diante dele, um slido reluzente  luz que vinha da janela da estao s costas deles, o vapor saa de suas narinas no ar frio da noite. No entanto, a no ser que Ron estivesse fingindo - e se estivesse seria uma brincadeira muito sem graa - ele no estava vendo nada.
 - Vamos entrar, ento? - convidou Ron hesitante, olhando para Harry como se estivesse preocupado com o amigo.
 - E - disse Harry. - , entre...
 - Est tudo bem - disse uma voz sonhadora ao lado de Harry, quando Ron desapareceu no interior escuro da carruagem. - Voc no est ficando maluco nem nada. Eu tambm vejo.
 - V? - exclamou desesperado, virando-se para Luna. Ele via os cavalos de asas de morcegos refletidos nos grandes olhos prateados da garota.
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 - Ah, vejo. Sempre os vi desde o meu primeiro dia de escola. Eles sempre puxaram as carruagens. No se preocupe. Voc  to normal quanto eu.
Sorrindo suavemente, ela entrou no interior mofado da carruagem. Harry a acompanhou, mas nem to tranqilo assim.
 - CAPTULO ONZE
A nova cano do Chapu Seletor
Harry no quis contar aos outros que ele e Luna estavam tendo o mesmo tipo de alucinao, se  que era o caso, por isso no voltou a mencionar os cavalos quando se sentou na carruagem e bateu a porta. Ainda assim, ele no conseguiu evitar olhar pela vidraa as silhuetas dos animais do lado de fora.
 - Todo mundo viu a tal Grubbly-Plank? - perguntou Giny. Que  que ela est fazendo aqui de novo? Hagrid no pode ter ido embora, pode?
 - Eu vou ficar bem satisfeita se ele tiver ido, ele no  um professor muito bom, ? - disse Luna.
 - , sim! - exclamaram Harry, Ron e Giny, zangados.
Harry lanou um olhar incisivo a Hermione. Ela pigarreou e disse depressa
 - Hum... ... ele  muito bom.
 - bom, l na Ravenclaw achamos que ele  uma piada - respondeu Luna, sem se surpreender.
 - Ento vocs tm um senso de humor bem idiota - retorquiu Ron, no momento em que as rodas rangeram, entrando em movimento.
Luna no pareceu se perturbar com a grosseria de Ron; muito ao contrrio, mirou-o durante algum tempo, como se ele fosse um programa de televiso levemente interessante.
Balanando com estrondo, as carruagens avanaram em comboio at a estrada. Quando cruzaram os altos pilares de pedra com os javalis alados, que ladeavam o porto para os terrenos da escola, Harry se inclinou para a frente tentando ver se havia luzes na cabana de Hagrid junto  Floresta Proibida, mas os terrenos estavam na mais completa escurido. O castelo de Hogwarts, porm, se aproximava cada vez mais um conjunto altaneiro de torrees, muito negro, recortado contra o cu escuro, em que resplandecia, alaranjada, aqui e ali, uma janela no alto. . , , ,
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As carruagens pararam, tilintando, perto da escadaria de pedra que levava s portas de carvalho, e Harry foi o primeiro a descer. Virou-se novamente para procurar janelas iluminadas na orla da floresta, mas decididamente no havia sinal de vida na cabana de Hagrid. com relutncia, porque alimentara uma esperanazinha de que tivessem desaparecido, o garoto se virou para os bichos estranhos e esquelticos parados e quietos no ar frio da noite, em que refulgiam seus olhos brancos e vazios.
No passado, Harry j vivera a experincia de ver algo que Ron no via, mas fora uma imagem no espelho, uma coisa com muito menos substncia do que cem bichos de aparncia muito slida e suficientemente fortes para puxar uma frota de carruagens. Se pudesse acreditar em Luna, os bichos sempre haviam existido, s que invisveis.
Por que, ento, de repente Harry podia v-los e Ron no?
 - Voc vem com a gente ou no? - perguntou Ron ao seu lado.
 - Ah, estou indo - disse Harry, depressa, e se juntou ao grande nmero de alunos que subiam rapidamente as escadas para entrar no castelo.
O saguo flamejava  luz dos archotes, ecoando os passos dos que atravessavam o piso de lajotas em direo s portas duplas,  direita, que davam acesso ao Salo Principal e ao banquete de abertura do ano letivo.
As quatro mesas compridas dispostas no salo foram se enchendo sob um cu escuro sem estrelas, que era exatamente igual ao cu que podia ser visto pelas altas janelas do aposento. As velas flutuavam  meia altura ao longo das mesas, iluminando os fantasmas prateados que pontilhavam o salo e os rostos dos alunos que conversavam, pressurosos, trocando notcias sobre as frias, cumprimentando os colegas das outras casas, aos gritos, observando os cortes de cabelo e as vestes uns dos outros. Mais uma vez, Harry reparou nas pessoas que juntavam as cabeas para cochichar quando ele passava; trincou os dentes e tentou agir como se no visse nem tampouco se importasse.
Luna se separou deles ao passarem pela mesa da Ravenclaw. Quando chegaram  da Grifindore, Giny foi saudada por alguns quartanistas e saiu para se sentar com eles; Harry, Ron, Hermione e Neville encontraram lugares juntos, mais ou menos no meio da mesa, entre Nick Quase Sem Cabea, o fantasma da Grifindore, e Parvati Patil e Lavender Brown - as duas o cumprimentaram com tanta leveza e excessiva simpatia que Harry teve a certeza de que haviam acabado de falar dele uma frao de segundo antes. Mas tinha coisas mais importantes com que se preocupar; olhou por cima das cabeas dos colegas,
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diretamente para a mesa dos professores que ocupava a parede principal do salo.
 - Ele no est l.
Ron e Hermione tambm correram os olhos pela mesa, embora isso no fosse necessrio; o porte de Hagrid o tornava instantaneamente 
bvio em qualquer fila.
 - Ele no pode ter ido embora - disse Ron, levemente ansioso.
 - Claro que no - afirmou Harry.
 - Vocs no acham que ele est... ferido, nem nada parecido, acham? - perguntou Hermione. 
 - No - respondeu Harry, na mesma hora. ,
 - Mas, ento, onde  que ele est? disse muito baixinho, para
Neville, Parvati e Lavender no poderem ouvir.
 - Talvez ele ainda no tenha voltado. Sabe, da misso, da coisa que esteve fazendo durante o vero para o Dumbledore.
 - ... , deve ser isso - disse Ron, parecendo mais tranqilo, mas Hermione mordeu o lbio, examinando a mesa dos professores de uma ponta  outra, como se esperasse alguma explicao conclusiva para a ausncia de Hagrid.
 - Quem  aquela? - perguntou bruscamente, apontando para o meio da mesa dos professores.
Os olhos de Harry acompanharam os da amiga. Pousaram primeiro no Prof. Dumbledore, sentado na cadeira dourada de espaldar alto ao centro da longa mesa, trajando vestes roxo-escuras pontilhadas de estrelas prateadas e um chapu igual. A cabea do diretor estava inclinada para a mulher sentada ao seu lado, a qual lhe falava ao ouvido. Ela parecia, pensou Harry, com a tia solteirona de algum atarracada, com os cabelos curtos, crespos, castanho-acinzentados, presos por uma horrvel faixa rosa  Alice que combinava com o casaquinho corde-rosa peludo que trazia sobre as vestes. Ento ela virou ligeiramente o rosto para tomar um golinho do clice, e ele reconheceu, com grande choque, a cara de sapo plida com bolsas sob os olhos saltados.
 -  a tal da Umbridge!
 - Quem? - perguntou Hermione.
 - Estava na minha audincia, trabalha para o Fudge!
 - Bonito casaquinho - debochou Ron.
 - Ela trabalha para o Fudge! - repetiu Hermione, franzindo a testa. - Que  que ela est fazendo aqui, ento?
 - No sei...
Hermione esquadrinhou a mesa dos professores, com os olhos apertados.
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 - No - murmurou ela - no, com certeza que no...
Harry no entendeu o que a amiga estava dizendo, mas no perguntou; sua ateno fora atrada pela Prof Grubbly-Plank, que acabara de aparecer por trs da mesa dos professores; ela foi andando at a ponta da mesa e ocupou o lugar que deveria ser de Hagrid. Isto significava que os alunos do primeiro ano j deviam ter atravessado o lago e chegado ao castelo, e, de fato, alguns segundos depois, as portas para o saguo se abriram. Uma longa fila de garotos de cara assustada entrou, encabeada pela Prof McGonagall, que vinha trazendo o banquinho em que repousava o velho chapu de bruxo, cheio de remendos e cerzidos, com um largo rasgo na copa esfiapada.
O vozerio no Salo Principal foi cessando. Os calouros se enfileiraram diante da mesa dos professores, de frente para os demais estudantes, a Prof McGonagall colocou cuidadosamente o banquinho diante deles, e recuou um pouco.
Os rostos dos aluninhos refulgiam palidamente  luz das velas. Um garotinho bem no meio da fila dava a impresso de estar tremendo. Harry se lembrou, por um instante, do que sentira quando estava ali, esperando o teste desconhecido que iria determinar a Casa a que pertenceria.
A escola inteira aguardava, prendendo a respirao. Ento, o rasgo junto  copa do chapu escancarou-se como uma boca, e o Chapu Seletor prorrompeu a cantar
Antigamente quando eu era novo E Hogwarts apenas alvoreava - .
Os criadores de nossa nobre escola Pensavam que jamais iriam se separar; Unidos por um objetivo comum, Acalentavam o mesmo desejo, Ter a melhor escola de magia do mundo E transmitir seus conhecimentos. "Juntos construiremos e ensinaremos!" Decidiram os quatro bons amigos Jamais sonhando que chegasse um dia Em que poderiam se separar, Pois onde se encontrariam amigos iguais A Salazar Slytherin e Goderick Gryffindor? A no ser em outro par semelhante, , Como Helga Hufflepuffe e Rowena Ravenclaw?
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Ento como pde malograr a idia E toda essa amizade fraquejar? Ora estive presente e posso narrar Uma histria triste e deplorvel. Disse Slytherin "Ensinaremos s . Os da mais pura ancestralidade, Disse Ravenclaw "Ensinaremos os De inegvel inteligncia." Disse Gryffindor "Ensinaremos os , ., De nomes ilustres por grandes feitos." Disse Hufflepuff "Ensinarei todos, E os tratarei com igualdade." Diferenas que pouco pesaram Quando no incio vieram  luz, Pois cada fundador ergueu para si Uma casa em que podia admitir Apenas os que quisesse, por isso Slytherin, aceitou apenas os bruxos De puro-sangue e grande astcia, Que a ele pudessem vir a igualar, E somente os de mente mais aguda Tornaram-se alunos de Ravenclaw, Enquanto os mais corajosos e ousados Foram para o destemido Gryffindor. A 
boa Hufflepuff recebeu os restantes E lhes ensinou tudo que conhecia, Assim casas e idealzadores Mantiveram amizade firme e fiel. Hogwarts trabalhou em paz e harmonia Durante vrios anos felizes, Mas ento a discrdia se insinuou Nutrida por nossas falhas e medos. As casas que, como quatro pilares, Tinham sustentado o nosso ideal, Voltaram-se umas contra as outras e Divididas buscaram dominar. Por um momento pareceu que a escola Em breve encontraria um triste fim, Os duelos e lutas constantes
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Os embates de amigo contra amigo E finalmente chegou uma manh Em que o velho Slytherin se re,tirou E embora a briga tivesse cessado, Deixou-nos todos muito abatidosE nunca desde que reduzidos ,A
A trs, seus quatro fundadores As Casas retomaram a unio Que de incio pretenderam manter. E agora o Chapu Seletor aqui est ' E todos vocs sabem para qu '
Eu divido vocs entre as casas Pois esta  a minha razo de ser Mas este ano farei mais do que escolher Ouam atentamente a minha cano Embora condenado a separ-los Preocupa-me o erro de sempre assim agir Preciso cumprir a obrigao, sei Preciso quarte-los a cada ano Mas questiono se selecionar No poder trazer o fim que receio. Ah, conheo os perigos, os sinais Mostra-nos a histria que tudo lembra, Pois nossa Hogwarts corre perigo Que vem de inimigos externos, mortais E precisamos nos unir em seu seio Ou miremos de dentro para fora Avisei a todos, preveni a todos... Daremos agora incio  seleo.
O Chapu voltou  imobilidade inicial; prorromperam aplausos, embora pontilhados, pela primeira vez na lembrana de Harry, por murmrios e cochiches. Por todo o salo os estudantes trocavam comentrios com seus vizinhos, e Harry, aplaudindo como todo o mundo, sabia exatamente o que eles estavam falando.
 - Se expandiu um pouco este ano, no? - comentou Ron, com as sobrancelhas erguidas.
 - Sem a menor dvida - respondeu Harry.
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O Chapu Seletor em geral se limitava a descrever as diferentes qualidades procuradas pelas Casas de Hogwarts, e o seu prprio papel na seleo dos alunos. Harry no se lembrava jamais de t-lo ouvido dar conselhos  escola.
 - Ser que eleja deu avisos no passado? - indagou Hermione, em tom ligeiramente nervoso.
 - Certamente que sim - respondeu Nick Quase Sem Cabea, transpirando experincia, debruando-se sobre Neville para responder  garota (Neville fez uma careta; era muito desagradvel ter um fantasma se debruando por dentro da gente). - O Chapu sente que  sua obrigao de honra alertar a escola sempre que acha...
Mas a Prof McGonagall, que estava querendo ler em voz alta a lista dos nomes dos alunos do primeiro ano, lanou aos estudantes que cochichavam aquele tipo de olhar que chamusca. Nick Quase Sem Cabea levou um dedo transparente aos lbios e tornou a se sentar empertigado, no mesmo instante em que os murmrios cessaram bruscamente. com um ltimo olhar de censura que percorreu as quatro mesas, a Prof McGonagall baixou os olhos para o longo pergaminho que segurava e chamou o primeiro nome
 - Abercrombie, Euan.
O garoto de olhar aterrorizado em que Harry reparara anteriormente avanou aos arrancos e colocou o Chapu na cabea; a nica coisa que impediu a pea de descer direto at os seus ombros foram as suas orelhas de abano. O Chapu refletiu um momento, depois 
o rasgo junto  copa tornou a se abrir e gritou
 - Grifindore!
Harry aplaudiu entusiasticamente com o restante dos alunos da casa quando Euan Abercrombie se dirigiu cambaleando  mesa deles e se sentou, dando a impresso de que gostaria muito de afundar cho adentro e nunca mais ser visto por ningum.
Lentamente, a longa fila de calouros foi encurtando. Nas pausas entre as chamadas dos nomes e as decises do Chapu Seletor, Harry ouvia os roncos fortes na barriga de Ron. Finalmente, "Zeller, Rosa" foi selecionada para Hufflepuff, a Prof McGonagall recolheu o Chapu e o banquinho e levou-os embora, ao mesmo tempo que o Prof. Dumbledore se levantava.
Quaisquer que tivessem sido as suas mgoas com relao ao diretor, Harry se sentiu reconfortado de ver Dumbledore em p diante da escola. Entre a ausncia de Hagrid e a presena daqueles cavalos dragontinos, sentia que seu regresso a Hogwarts, to esperado, estava repleto de impensveis surpresas, como notas dissonantes em uma msica familiar. Mas isto agora, pelo menos, era exatamente como
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devia ser o diretor se levantava para dar boas-vindas a todos antes de iniciar o banquete que abria o ano letivo.
 - Aos nossos recm-chegados - comeou Dumbledore com uma voz ressonante, os braos muito abertos e um enorme sorriso nos lbios - bem-vindos! Aos nossos antigos alunos um bom regresso! H um momento para discursos, mas ainda no  este atacar!
Ouviram-se risos de apreciao e uma exploso de aplausos, enquanto Dumbledore se sentava elegantemente e atirava as longas barbas por cima do ombro para mant-las longe do prato - pois a comida aparecera do nada, e as cinco longas mesas gemiam sob o peso dos pernis e tortas e travessas de legumes, pes e molhos e jarras de suco de abbora.
 - Excelente - exclamou Ron, com uma espcie de gemido de saudades, e passou a mo na travessa mais prxima com costeletas e comeou a empilh-las em seu prato, observado tristonhamente por Nick Quase Sem Cabea.
 - Que  que o senhor ia dizendo antes da Seleo? - perguntou Hermione ao fantasma. - Sobre os conselhos do Chapu?
 - Ah, sim - disse Nick, que pareceu satisfeito de ter uma razo para desviar o rosto de Ron, que agora comia batatas assadas com um entusiasmo quase indecente. - Sim, j ouvi o Chapu dar conselhos vrias vezes antes, sempre em momentos em que percebe grande perigo para a escola. E sempre,  claro, seu conselho  o mesmo unam-se, fortaleam-se por dentro.
 - Comele sacasc taapigo senchpu? - perguntou Ron.
Sua boca estava to cheia que Harry achou que j era um feito ele conseguir produzir algum som.
 - Como disse? - perguntou Nick Quase Sem Cabea educadamente, enquanto Hermione fazia cara de indignao. Ron deu uma enorme engolida e disse
 - Como  que ele pode saber que a escola est em perigo sendo um Chapu?
 - No fao a menor idia - respondeu Nick Quase Sem Cabea.
 - Naturalmente ele vive no escritrio de Dumbledore, ento imagino que perceba o que est se passando.
 - E ele quer que todas as Casas sejam amigas? - perguntou Harry, olhando para a mesa da Slytherin, onde Draco Malfoy presidia a corte. -  ruim, hein?
 - Bem, voc no deveria tomar essa atitude - disse Nick, censurando-o. - Cooperao pacfica  a chave. Ns, fantasmas, embora pertenamos a Casas diferentes, mantemos laos de amizade.
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Apesar da concorrncia entre Grifindore e Slytherin, eu jamais sonharia em puxar uma discusso com o Baro Sangrento.
 - Porque o senhor tem pavor dele! - disse Ron.
Nick Quase Sem Cabea pareceu extremamente ofendido.
 - Pavor? Espero que eu, Sir Nicolas de Mimsy-Porpington, nunca tenha sido autor de uma covardia na vida! O nobre sangue que corre em minhas veias...
 - Que sangue? - perguntou Ron. - Certamente o senhor no tem mais...?
 -  uma figura de linguagem! - disse Nick Quase Sem Cabea, agora to aborrecido que sua cabea tremia agourentamente 
no pescoo semidecapitado. - Presumo que ainda tenha o privilgio de usar as palavras que quiser, mesmo que os prazeres da mesa me sejam negados! Mas estou muito acostumado a estudantes fazerem piadas com a minha morte, posso lhe assegurar!
 - Nick, ele no estava realmente caoando de voc! - disse Hermione, atirando um olhar furioso a Ron.
Infelizmente a boca de Ron estava novamente cheia a ponto de explodir, e s o que ele conseguiu dizer foi
 - Nam quis aorre cec. - O que Nick no pareceu achar que fosse um pedido de desculpas apropriado. Erguendo-se no ar, ajeitou o chapu emplumado e afastou-se deles, deslizando para o outro extremo da mesa, indo pousar entre os irmos Creevey Colin e Dnis.
 - Parabns, Ron - disse Hermione rispidamente.
 - Que foi? - perguntou o garoto indignado, tendo conseguido finalmente engolir a comida que tinha na boca. - No tenho o direito de fazer uma simples pergunta?
 - Ah, esquece - disse Hermione irritada, e os dois passaram o resto da refeio num silncio amuado.
Harry estava por demais acostumado s implicncias entre os dois para se dar ao trabalho de reconcili-los; achou que era melhor empregar o seu tempo a comer diligentemente sua torta de carne com rins e depois um pratarraz de torta de caramelo.
Quando todos os alunos terminaram de comer e o nvel de barulho no salo recomeou a aumentar, Dumbledore tornou a se levantar. As conversas morreram imediatamente e todos se viraram para o diretor. Harry estava se sentindo agradavelmente sonolento agora. Sua cama de dossel o esperava em algum lugar l em cima, maravilhosamente quente e macia...
 - Bem, agora que estamos todos digerindo mais um magnfico banquete, peo alguns minutos de sua ateno para os habituais avisos de incio de trimestre - anunciou Dumbledore. - Os alunos do pri-
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meiro ano precisam saber que o acesso  floresta em nossa propriedade  proibido aos estudantes... e a esta altura alguns dos nossos antigos estudantes j devem ter aprendido isso tambm. (Harry, Ron e Hermione trocaram sorrisinhos.)
 - O Sr. Filch, o zelador, me pediu, segundo ele pela quadricentsima, sexagsima segunda vez, para lembrar a todos que no  permitido praticar magia nos corredores durante os intervalos das aulas, nem fazer outras tantas coisas, que podem ser lidas na extensa lista afixada  porta da sala dele.
 - Houve duas mudanas em nosso corpo docente este ano. Temos o grande prazer de dar as boas-vindas  Prof Grubbly-Plank, que retomar a direo das aulas de Trato das Criaturas Mgicas; estamos tambm encantados em apresentar a Prof Umbridge, nossa nova responsvel pela Defesa Contra as Artes das Trevas.
Houve uma rodada de aplausos educados, mas pouco entusisticos, durante a qual Harry, Ron e Hermione trocaram olhares ligeiramente alarmados; Dumbledore no dissera por quanto tempo Grubbly-Plank iria ensinar.
O diretor continuou
 - Os testes para entrar para os times de quidditch das casas sero realizados...
Ele interrompeu o que ia dizendo, com um olhar indagador  Prof Umbridge. Como ela no era muito mais alta em p do que sentada, por um momento ningum entendeu por que Dumbledore parar de falar, mas ento a professora pigarreou
 - Hem, hem - e ficou claro que se levantara e pretendia falar. Dumbledore pareceu surpreso apenas por um instante, ento,
sentou-se com elegncia e olhou atento para a Prof Umbridge, como se ouvi-la fosse a coisa que mais desejasse na vida. Os outros membros do corpo docente no foram to competentes em esconder sua surpresa. As sobrancelhas da Prof Sprout chegaram a desaparecer por baixo dos cabelos rebeldes, e Harry nunca vira a boca da Prof McGonagall mais fina. Nenhum professor novo jamais interrompera Dumbledore antes. Muitos estudantes sorriam abobados; era bvio que essa mulher no conhecia os hbitos de Hogwarts.
 - Obrigada, diretor - disse a professora, sorrindo afetadamente - pelas bondosas palavras de boas-vindas.
Sua voz era aguda, soprada e meio infantil, e, mais uma vez, Harry sentiu uma onda de averso que no conseguia explicar; s sabia que tudo nela o enojava, desde a voz tola ao casaquinho peludo
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cor-de-rosa. Ela tossiu mais uma vez para clarear a voz (hem, hem), e continuou.
 - Bem, devo dizer que  um prazer voltar a Hogwarts! - Ela sorriu, revelando dentes muito pontiagudos. - E ver rostinhos to felizes voltados para mim!
Harry olhou para os lados. Nenhum dos rostinhos que viu pareciam felizes. Pelo contrrio, todos pareciam meio chocados ao ouvir algum se dirigir a eles como se tivessem cinco anos de idade.
 - Estou muito ansiosa 
para conhecer todos vocs, e tenho certeza de que seremos bons amigos!
Os estudantes se entreolharam ao ouvir isso; alguns mal conseguiram esconder os sorrisos.
 - Serei amiga dela desde que no tenha de pedir emprestado aquele casaquinho - sussurrou Parvati para Lavender, e as duas desataram a rir em silncio.
A Prof. Umbridge tornou a pigarrear (hem, hem), mas, quando continuou, um pouco do modo soprado de falar desaparecera de sua voz. Pareceu muito mais objetiva, e suas palavras tinham um tom montono de discurso decorado.
 - O ministro da Magia sempre considerou a educao dos jovens bruxos de vital importncia. Os dons raros com que vocs nasceram talvez no frutifiquem se no forem nutridos e aprimorados por cuidadosa instruo. As habilidades antigas, um privilgio da comunidade bruxa, devem ser transmitidas s novas geraes ou se perdero para sempre. O tesouro oculto de conhecimentos mgicos acumulados pelos nossos antepassados deve ser preservado, suplementado e polido por aqueles que foram chamados  nobre misso de ensinar.
A Prof Umbridge fez uma pausa e uma reverncia aos seus colegas, mas nenhum deles lhe retribuiu o cumprimento. As sobrancelhas escuras da Prof McGonagall tinham se contrado de tal modo que ela decididamente parecia um falco, e Harry a viu trocar um olhar significativo com a Prof Sprout quando Umbridge fez mais um hem, hem, Q continuou o discurso.
 - Todo diretor e diretora de Hogwarts trouxe algo novo  pesada tarefa de dirigir esta escola histrica, e assim deve ser, pois sem progresso haver estagnao e decadncia. Por outro lado, o progresso pelo progresso no deve ser estimulado, pois as nossas tradies comprovadas raramente exigem remendos. Ento um equilbrio entre o velho e o novo, entre a permanncia e a mudana, entre a tradio e a inovao...
Harry percebeu que sua ateno estava oscilando, como se seu
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crebro estivesse entrando e saindo de sintonia. O silncio que sempre prevalecia no salo quando Dumbledore falava ia se rompendo  medida que os alunos aproximavam as cabeas, cochichando e abafando risinhos. na mesa da Ravenclaw, Cho Chang conversava animadamente com as amigas. Alguns lugares adiante de Cho, Luna Lovegood puxara o seu Pasquim. Entrementes, na mesa de Hufflepuff, Ernie Macmillan era um dos poucos que ainda olhavam para a Prof Umbridge, de olhar vidrado, e Harry tinha certeza de que estava apenas fingindo ouvir, numa tentativa de honrar o novo distintivo de monitor que reluzia em seu peito.
A Prof Umbridge no parecia notar o desassossego da platia. Harry teve a impresso de que uma revolta de grandes propores poderia ter estourado bem embaixo do nariz dela e a bruxa teria continuado a discursar. Os professores, porm, ainda ouviam com muita ateno, e Hermione parecia estar bebendo cada palavra que Umbridge dizia, embora, a julgar por sua expresso, a desagradasse totalmente.
 - ... porque algumas mudanas sero para melhor, enquanto outras viro, na plenitude do tempo, a ser reconhecidas como erros de julgamento. Entrementes, alguns velhos hbitos sero conservados, e muito acertadamente, enquanto outros, antigos e desgastados, precisaro ser abandonados. Vamos caminhar para a frente, ento, para uma nova era de abertura, eficincia e responsabilidade, visando a preservar o que deve ser preservado, aperfeioando o que precisa ser aperfeioado e cortando, sempre que encontrarmos, prticas que devem ser proibidas.
A bruxa se sentou. Dumbledore aplaudiu. O corpo docente acompanhou a sua deixa, embora Harry reparasse que vrios professores bateram as mos apenas uma ou duas vezes antes de parar. Alguns alunos secundaram os aplausos, mas a maioria foi apanhada de surpresa pelo fim do discurso, porque no ouvira mais do que umas poucas palavras do todo, e antes que eles pudessem comear a aplaudir devidamente, Dumbledore tornou a se erguer.
 - Muito obrigado, Prof Umbridge, foi um discurso muito esclarecedor - disse, curvando-se para a bruxa. - Agora, como eu ia dizendo, os testes de quidditch sero realizados...
 - Certamente que foi esclarecedor - disse Hermione em voz baixa.
 - Voc est me dizendo que gostou? - perguntou Ron baixinho, virando o rosto, perplexo, para ela. - Foi o discurso mais chato que j ouvi, e olha que eu fui criado com o Percy.
 - Eu disse esclarecedor e no agradvel. Explicou muita coisa.
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 - Foi? - admirou-se Harry. - Me pareceu uma grande enrolao.
 - Mas havia coisas importantes no meio da enrolao - disse Hermione, sria.
 - Havia? - perguntou Ron, sem entender.
 - Que tal "o progresso pelo progresso no deve ser estimulado"? Ou ento "cortando sempre que encontrarmos prticas que devem ser proibidas"?
 - bom, 
e o que  que isso significa? - perguntou Ron impaciente.
 - Vou-lhe dizer o que significa - disse Hermione agourentamente. - Significa que o Ministrio est interferindo em Hogwarts.
Houve um grande estardalhao ao redor deles; obviamente Dumbledore dispensara a escola, porque todos estavam se levantando, prontos para abandonar o salo. Hermione levantou-se de um pulo, parecendo agitada.
 - Ron, temos de mostrar aos alunos do primeiro ano aonde ir!
 - Ah,  - disse Ron, que obviamente se esquecera. - Ei... Ei, vocs a! Anezinhos!
 - Ron!
 - Ora, eles so, so nanicos...
 - Eu sei, mas voc no pode cham-los de anes!... Alunos do primeiro ano! - chamou Hermione com autoridade, correndo o olhar ao longo da mesa. - Por aqui, por favor!
Um grupo de alunos novos passou timidamente pelo vo entre as mesas da Grifindore e Hufflepuff, todos se esforando o mximo para no serem os primeiros. Pareciam realmente muito pequenos; Harry tinha certeza de que no era to jovem assim quando chegara ali. Sorriu para eles. Um garoto louro ao lado de Euan Abercrombie pareceu petrificar; cutucou o colega e cochichou alguma coisa em seu ouvido. Euan se apavorou tambm e lanou um olhar de horror a Harry, que sentiu o sorriso escorregar pelo seu rosto como a seiva da escrofulria.
 - Vejo vocs mais tarde - disse a Ron e Hermione, e saiu do Salo Principal sozinho, fazendo o possvel para ignorar novos cochiches, olhares e as pessoas que apontavam quando ele passou. Manteve os olhos em um ponto fixo  frente enquanto se deslocava pelo ajuntamento no saguo, depois subiu correndo a escadaria de mrmore, tomou uns atalhos secretos e no tardou a deixar a maior parte das pessoas para trs.
Fora burro em no prever isso, pensou com raiva ao caminhar pelos corredores bem mais vazios do andar superior. Naturalmente que todos o encaravam; ele sara do labirinto Tribruxo dois meses
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antes agarrado ao corpo de um colega morto dizendo que vira Lord 	Voldemort voltar ao poder. No tinha havido muito tempo no ltimo trimestre para ele se explicar antes de todos partirem para as frias
 - mesmo que tivesse se sentido  altura de relatar para toda a escola detalhadamente os terrveis acontecimentos naquele cemitrio.
Harry chegara ao fim do corredor que levava  sala comunal da Grifindore e parar diante do retrato da Mulher Gorda, antes de se dar conta de que no conhecia a nova senha.
 - Hum... - disse sombriamente, olhando para a Mulher Gorda, que alisava as dobras do vestido de cetim rosa e retribua seu olhar com severidade.
 - No tem senha, no entra - sentenciou ela com ar superior.
 - Harry, eu sei! - Algum vinha ofegando s suas costas e, quando ele se virou, viu Neville que se aproximava em passo de marcha. Adivinhe qual ? Uma vez na vida eu vou ser capaz de me lembrar...
 - Ele acenou com o cacto ano que mostrara no trem. - Mimbulus mimbletonia!
 - Certo - disse a Mulher Gorda, e seu retrato girou para o lado dos garotos como se fosse uma porta, deixando  mostra um buraco redondo na parede, pelo qual Harry e Neville entraram.
A sala comunal da Grifindore tinha a aparncia hospitaleira de sempre, uma sala aconchegante e circular na torre da Casa, repleta de poltronas fofas e velhas mesas desconjuntadas. Um fogo muito vivo crepitava na lareira e uns poucos alunos aqueciam nele as mos, antes de subir para os dormitrios; do outro lado da sala, Fred e George Weasley estavam espetando alguma coisa no quadro de avisos. Harry acenou para eles e continuou seu caminho em direo  porta dos dormitrios dos garotos; no estava disposto a conversar naquele momento. Neville o acompanhou.
Dean Thomas e Seamus Finnigan haviam chegado ao dormitrio primeiro, e estavam ocupados em cobrir as paredes ao lado de suas camas com psteres e fotografias. Estavam conversando, quando Harry empurrou a porta, mas pararam bruscamente no instante em que o viram. Harry ficou imaginando se teriam estado conversando sobre ele, e em seguida se estaria ficando paranico.
 - Oi - disse Harry, andando em direo ao seu malo e abrindo-o.
 - Oi, Harry - respondeu Dean, que estava vestindo um pijama com as cores do West Ham. - Boas frias?
 - Nada ms - murmurou, uma vez que um relato fiel das suas frias teria levado a maior parte da noite, e ele no estava com disposio para tanto
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 - , foi legal - riu Dean. - Pelo menos foi melhor que a de Seamus, ele estava me contando.
 - Ora, que foi que aconteceu, Seamus? - perguntou Neville enquanto colocava seu Mimbulus mimbletonia carinhosamente sobre o armrio  cabeceira.
Seamus no respondeu imediatamente; estava demorando todo o 
tempo do mundo para garantir que o seu pster do time de quidditch Francelhos de Kenmare ficasse perfeitamente enquadrado. Ento falou, ainda de costas para Harry
 - Minha me no queria que eu voltasse.
 - Qu? - exclamou Harry, parando em meio ao gesto de despir as vestes.
 - Ela no queria que eu voltasse a Hogwarts.
Seamus afastou-se do pster e apanhou o prprio pijama no malo, ainda sem encarar Harry.
 - Mas... por qu? - perguntou Harry espantado. Ele sabia que a me de Seamus era bruxa e no conseguia entender, portanto, por que teria assumido a mesma atitude dos Dursley.
Seamus no respondeu at ter acabado de abotoar o pijama.
 - bom - disse medindo as palavras. - Suponho que... por sua
causa.
 - Que  que voc quer dizer com isso? - perguntou Harry depressa.
Seu corao estava disparando. Tinha a vaga sensao de que alguma coisa estava acossando-o.
 - bom - continuou Seamus, ainda evitando olhar para Harry - ela... hum... bom no  s voc,  o Dumbledore tambm...
 - Ela acredita no Profeta Dirio? - perguntou Harry. - Ela acha que sou um mentiroso e Dumbledore um velho caduco?
Seamus ergueu os olhos para ele.
 -  mais ou menos isso.
Harry no disse nada. Atirou a varinha sobre a sua mesa-decabeceira, despiu as vestes, enfiou-as com raiva no malo e vestiu o pijama. Estava farto daquilo; farto de ser a pessoa para quem todos olham e de quem falam o tempo todo. Se algum deles soubesse, se algum deles tivesse a mais plida idia do que era se sentir a pessoa a quem todas aquelas coisas aconteciam... A Sra. Finnigan no fazia idia, aquela burra, pensou com ferocidade.
Ele entrou na cama e comeou a fechar o cortinado  volta, mas, antes que pudesse completar o gesto, Seamus disse
 - Vem c... que foi que aconteceu realmente naquela noite em que... voc sabe, em que... com Cedric Diggory e tudo?
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Seamus parecia ao mesmo tempo nervoso e ansioso. Dean que estivera debruado sobre o prprio malo, tentando encontrar um chinelo, ficou to estranhamente imvel que Harry percebeu que estava com os ouvidos na conversa.
 - Para que  que voc est me perguntando? - retrucou Harry. Voc no l o Profeta Dirio como a sua me, por que no o l? O jornal vai lhe dizer tudo que voc precisa saber.
 - No comece a atacar minha me - respondeu Seamus com rispidez.
 - Ataco qualquer um que me chame de mentiroso - disse Harry. - No fale assim comigo!
 - Falo com voc como quiser - respondeu Harry, sua irritao aumentando to rpido que ele agarrou com violncia a varinha que estava na mesa-de-cabeceira. - Se voc tem algum problema em dividir o dormitrio comigo, v pedir  McGonagall para transferir voc... assim sua mame vai parar de se preocupar...
 - Deixe a minha me fora disso, Potter! ;
 - Que  que est acontecendo? ! Ron aparecera  porta. Seus olhos arregalados correram de
Harry, que estava ajoelhado na cama com a varinha apontada para Seamus, a este, parado ali com os punhos erguidos.
 - Ele est atacando a minha me! - berrou Seamus.
 - Qu? - falou Ron. - Harry no faria isso... conhecemos sua me, gostamos dela...
 - Isto foi antes de ela comear a acreditar em cada palavra que aquele Profeta Dirio nojento escreve sobre mim! - gritou Harry a plenos pulmes.
 - Ah - disse Ron, a compreenso se espalhando pelo seu rosto sardento. -Ah... certo.
 - Voc sabe do que mais? - disse Seamus, com raiva, lanando a Harry um olhar venenoso. - Ele tem razo, eu no quero mais dormir no mesmo dormitrio que ele, ele  doido.
 - Voc est errado, Seamus - disse Ron, cujas orelhas estavam comeando a ficar vermelhas sempre um sinal de perigo.
 - Estou errado, ? - gritou Seamus, que ao contrrio de Ron comeava a ficar branco. - Voc acredita naquela baboseira que ele contou sobre Voc-Sabe-Quem, , voc acha que ele est dizendo a verdade?
 - Acho sim! - respondeu Ron com raiva.
 - Ento voc  doido tambm - disse Seamus com repugnncia.
 - Ah, ? bom, infelizmente para voc, companheiro, eu tambm sou monitor! - disse Ron, apontando para o peito. - Portanto, a no ser que voc queira receber uma deteno,  melhor ter cuidado com o que diz!
Seamus ficou olhando por uns segundos, avaliando se a deteno seria um preo razovel a pagar pelo que ia em sua cabea, mas, com uma interjeio de desprezo, deu as costas, pulou na cama e correu as cortinas com tanta violncia que elas se romperam do dossel e caram em um monte empoeirado no cho. Ron olhou aborrecido para Seamus, e em seguida para Dean e Neville.
 - Os pais de mais algum tm alguma coisa contra o Harry? perguntou com agressividade.
 - Meus pais so Muggles, cara - disse Dean, sacudindo os ombros.
 - No sabem nada sobre mortes 
em Hogwarts, porque no sou idiota de contar a eles.
 - Voc no conhece a minha me, ela extrai qualquer coisa de qualquer um! - retrucou Seamus. - E, de qualquer forma, seus pais no recebem o Profeta Dirio. No sabem que o nosso diretor foi dispensado da Corte Suprema dos Bruxos e da Confederao Internacional dos Bruxos porque est ficando caduco...
 - Minha av diz que isso tudo  tolice - disse Neville com a sua voz aguda. - Ela diz que o Profeta Dirio  que est em decadncia, e no Dumbledore. Ela cancelou a nossa assinatura. Acreditamos em Harry - encerrou Neville. E entrou na cama, puxou as cobertas at o queixo, e ficou espiando para Seamus por cima delas, como uma corujinha. - Minha av sempre disse que Voc-Sabe-Quem voltaria um dia. Ela diz que se Dumbledore diz que ele voltou, ento ele voltou.
Harry sentiu um arroubo de gratido por Neville. Ningum disse mais nada. Seamus apanhou a varinha, consertou as cortinas e desapareceu por trs delas. Dean entrou na cama, virou para o outro lado e se calou. Neville, que aparentemente no tinha mais nada a dizer, ficou admirando com carinho o seu cacto iluminado pelo luar.
Harry recostou-se em seus travesseiros enquanto Ron se ocupava com a cama ao lado, guardando o que era seu. Sentia-se abalado com a discusso que tivera com Seamus, de quem sempre gostara muito. Quantas outras pessoas iam insinuar que ele estava mentindo ou era desequilibrado?
Ser que Dumbledore sofrer assim o vero inteiro, quando primeiro a Corte dos Bruxos e depois a Confederao Internacional o excluram de suas fileiras? Ser que era raiva o que sentia de Harry, talvez, que impedira Dumbledore de se comunicar com ele durante meses? Afinal, os dois estavam nisso juntos; Dumbledore tinha acreditado em Harry, anunciado sua verso dos fatos  escola inteira e depois  comunidade bruxa. Qualquer um que achasse que Harry era
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mentiroso tinha de pensar que Dumbledore tambm o era, ou ento que Dumbledore fora enganado...
No fim eles sabero que estamos certos, pensou Harry, infeliz, quando Ron entrou na cama e apagou a ltima vela do dormitrio. Mas restou a indagao quantos outros ataques como o de Seamus ele teria de suportar at que aquele momento chegasse?
 - CAPTULO DOZE
A professora Umbridge
Seamus vestiu-se correndo na manh seguinte e saiu do dormitrio, antes que Harry tivesse sequer calado as meias.
 - Ser que ele acha que vai pirar se ficar muito tempo comigo no mesmo quarto? - perguntou Harry em voz alta, quando a bainha das vestes de Seamus desapareceu de vista.
 - No se preocupe, Harry - murmurou Dean, guindando a mochila aos ombros - ele s est...
Mas aparentemente no foi capaz de dizer o que era que Seamus estava, e, aps uma ligeira pausa constrangida, acompanhou-o na sada do quarto.
Neville e Ron fizeram aquela cara de o problema--dele-e-nonosso, para Harry, mas isto no o consolou. Quanto mais ele teria de suportar?
 - Que foi que aconteceu? - perguntou Hermione cinco minutos depois, alcanando Harry e Ron, que atravessavam a sala comunal a caminho do caf da manh, como os demais. - Voc est com uma cara absolutamente... Ah, pelo amor de Deus.
Ela acabara de olhar para o quadro de avisos da sala comunal, onde fora afixado um enorme aviso. 
GALEES DE GALEES! - Sua mesada no est acompanhando suas sadas? Gostaria de ganhar um extra? Procure Fred e George Weasley,
sala comunal da Grifindore,
para trabalhos simples, meio expediente e virtualmente indolores.
(Lamentamos informar que todo o trabalho ser realizado por conta e risco do candidato.) 
 - Eles so o fim - disse Hermione sria, retirando o aviso que Fred e George haviam pregado por cima do cartaz, informando a data
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do primeiro fim de semana em Hogsmeade em outubro. - Vamos ter de falar com eles, Ron.
Ron pareceu decididamente assustado.
 - Por qu?
 - Porque somos monitores! - respondeu Hermione, enquanto saam pelo buraco do retrato. -  nossa obrigao acabar com esse tipo de coisa!
Ron no respondeu; Harry percebeu, por sua expresso contrariada, que a perspectiva de impedir Fred e George de fazer exatamente o que gostavam no era uma coisa que o amigo achasse convidativa.
 - Em todo o caso, que aconteceu, Harry? - continuou Hermione, enquanto desciam a escada com a coleo de retratos de velhos bruxos e bruxas, que no lhes deram a menor ateno, absortos que estavam nas prprias conversas. - Voc parece realmente zangado com alguma coisa.
 - Seamus acha que Harry est mentindo sobre Voc-Sabe-Quem resumiu Ron, ao ver que Harry no respondia.
Hermione, de quem Harry esperara uma reao indignada em sua defesa, suspirou.
 - , a Lavender tambm acha isso - comentou tristonha.
 - Andou batendo um papinho agradvel com ela, em que o assunto foi se Harry  ou no um idiota em busca de ateno, foi? perguntou o garoto em voz alta.
 - No - respondeu Hermione calmamente. - na verdade eu disse a ela para parar de ficar falando bobagens sobre voc. E seria bem simptico se voc parasse de reagir furiosamente com a gente, Harry, porque, caso voc no tenha reparado, Ron e eu estamos do seu lado.
Fez-se uma breve pausa.
 - Desculpem - disse Harry em voz baixa.
 - Tudo bem - respondeu Hermione com dignidade. Balanou ento a cabea - Voc no se lembra do que o Dumbledore disse na festa de encerramento do ano passado?
Harry e Ron, os dois, olharam-na sem entender, e Hermione tornou a suspirar.
 - Sobre Voc-Sabe-Quem. Ele disse que "o dom que ele tem de disseminar a discrdia e a inimizade  muito grande. E s podemos combat-lo criando laos igualmente fortes de amizade e confiana...
 - Como  que voc se lembra dessas coisas? - perguntou Ron, olhando a amiga com admirao.
 - Eu presto ateno - respondeu ela, com uma ligeira rispidez.
t
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 - Eu tambm, mas ainda assim no conseguiria repetir exatamente o que...
 - A questo - continuou Hermione em voz alta -  que isto  exatamente o tipo de coisa a que Dumbledore estava se referindo. Voc-Sabe-Quem s voltou h dois meses e j estamos brigando entre ns. E o alerta do Chapu Seletor foi o mesmo fiquem juntos, fiquem unidos...
 - E Harry entendeu certo ontem  noite - retorquiu Ron. - Se isto significa que teremos de ser amiguinhos do pessoal de Slytherin... pode esquecer.
 - bom, acho que  uma pena que a gente no esteja procurando se unir ao pessoal das outras casas - respondeu Hermione irritada.
Os trs tinham chegado ao p da escadaria de mrmore. Uma fila de quartanistas da Ravenclaw ia atravessando o saguo; ao avistarem Harry, agruparam-se depressa, como se 
tivessem medo de que ele atacasse os retardatrios.
 - , devamos realmente estar tentando fazer amizade com gente como essa - disse Harry sarcasticamente.
Eles acompanharam os alunos da Ravenclaw que entravam no Salo Principal, e instintivamente olharam para a mesa dos professores. A Prof Grubbly-Plank conversava com a Prof Sinistra, de Astronomia, e Hagrid mais uma vez esteve conspcuo apenas por sua ausncia. O teto encantado refletia o estado de nimo de Harry era um cinzachuva deprimente.
 - Dumbledore nem mencionou por quanto tempo aquela Grubbly-Plank vai ficar - comentou, ao se dirigirem  mesa da Grifindore.
 - Talvez... - disse Hermione pensativa.
 - Qu? - perguntaram Harry e Ron ao mesmo tempo.
 - bom... talvez ele no quisesse chamar ateno para o fato de Hagrid no estar aqui.
 - Que  que voc quer dizer com chamar ateno? - perguntou Ron, meio rindo. - Como  possvel a gente no notar?
Antes que Hermione pudesse responder, uma garota alta e negra, com longos cabelos tranados, veio diretamente at Harry.
 - Oi, Angelina.
 - Oi - disse ela animada - boas frias? - E sem esperar resposta - Escute, fui nomeada capit da equipe de quidditch da Grifindore.
 - Boa! - exclamou Harry, sorrindo para a garota; suspeitava que os papos antes dos jogos talvez no fossem mais to longos quanto os de Oliver Wood costumavam ser, o que s poderia ser uma melhora.
 - E, bem, precisamos de um novo goleiro agora que Oliver foi
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embora. Os testes vo ser na sexta-feira, s cinco horas, e eu gostaria que o time todo estivesse l, est bem? Ento veremos como o jogador novo vai se ajustar.
 - OK - concordou Harry. Angelina sorriu para ele e se afastou.
 - Eu tinha esquecido que Wood se formou - disse Hermione, distrada, quando se sentou ao lado de Ron e puxou um prato de torradas para perto. - Suponho que isso v fazer uma grande diferena para o time?
 - Suponho que sim - concordou Harry, sentando no banco defronte. - Era um bom goleiro...
 - Ainda assim, no vai ser ruim receber sangue novo, vai? - perguntou Ron.
com um forte deslocamento de ar e rudos de batidas, centenas de corujas entraram voando pelas janelas superiores. Desceram por todo o salo, trazendo cartas e pacotes para seus donos, e deixando cair uma verdadeira chuva de pingos sobre as pessoas que tomavam caf; sem a menor dvida estava chovendo pesado l fora. De Edwig nem sinal, mas Harry no se surpreendeu; seu nico correspondente era Sirius, e ele duvidava que o padrinho tivesse alguma novidade para lhe contar apenas vinte e quatro horas depois de se separarem. Hermione, porm, teve de afastar depressa o seu suco de laranja para abrir espao para uma enorme coruja-de-igreja molhada, que trazia um encharcado Profeta Dirio no bico.
 - Para que  que voc ainda est recebendo isso? - perguntou Harry irritado, pensando em Seamus, enquanto Hermione colocava um nuque na bolsinha de couro presa  perna da coruja que em seguida levantou vo. - Eu no estou mais...  um monte de baboseiras.
 -  melhor saber o que o inimigo est dizendo - respondeu Hermione sombriamente, e, desdobrando o jornal, desapareceu por trs dele, s reaparecendo quando Harry e Ron tinham terminado a refeio.
 - Nada - disse simplesmente, enrolando o jornal e guardando-o ao lado do prato. - Nada sobre voc nem Dumbledore nem nada.
A Prof McGonagall agora vinha passando pela mesa distribuindo os horrios.
 - Olhem s hoje! - gemeu Ron. - Histria da Magia, dois tempos de Poes, Adivinhao e dois tempos de Defesa Contra as Artes das Trevas... Binns, Snape, Trelawney e a tal Umbridge, tudo no mesmo dia! Gostaria que Fred e George trabalhassem mais rpido para aprontar aqueles kits Mata-Aulas...
 - Ser que os meus ouvidos me enganam? - perguntou Fred, que
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vinha chegando com George e se apertou no banco de Harry. - com certeza os monitores de Hogwarts no desejam matar aulas!
 - Olhe s o que temos hoje - disse Ron rabugento, metendo o horrio embaixo do nariz de Fred. - E a pior segunda-feira que j vi na vida.
 - Um argumento vlido, maninho - disse Fred, examinando a coluna do dia. - Posso lhe ceder um pouco de Nug Sangra-Nariz baratinho, se quiser.
 - Por que baratinho? - perguntou Ron desconfiado.
 - 
Porque voc no vai parar de sangrar at murchar inteiro, ainda no temos um antdoto - disse George, servindo-se de um arenque.
 - Obrigado - disse Ron, mal-humorado, guardando o horrio no bolso - mas acho que fico com as aulas.
 - E por falar nos seus kits Mata-Aulas - disse Hermione encarando os gmeos com um olhar penetrante - vocs no podem pr anncios pedindo cobaias no quadro de avisos da Grifindore.
 - Quem disse? - perguntou George, espantado.
 - Digo eu - respondeu Hermione. - E Ron. '
 - Me deixe fora disso - disse Ron na mesma hora. Hermione olhou feio para ele. Fred e George deram risadinhas
debochadas.
 - Voc vai mudar esse seu tom muito breve, Hermione - disse Fred, enchendo de manteiga um pozinho de minuto. - Voc vai comear o quinto ano, e no vai demorar muito para nos suplicar por um kit Mata-Aula.
 - E por que comear o quinto ano significa que vou querer um kit Mata-Aula? - perguntou Hermione.
 - O quinto ano  o ano dos exames para obter os Nveis Ordinrios em Magia - disse George.
 - E da?
 - E da que os seus exames vm a, no ? E os professores vo esfregar o nariz de vocs com tanta fora naquela pedra de amolar que ele vai ficar em carne viva - disse Fred com satisfao.
 - Metade da nossa turma teve probleminhas nervosos quando estavam se aproximando os exames - disse George satisfeito. - Crises de choro e chiliques... Patrcia Stimpson no parava de desmaiar...
 - O Ken Towler ficou cheio de furnculos, lembra? - perguntou Fred, recordando.
 - Mas foi porque voc ps p de fura-frunco no pijama dele retrucou George.
 - Ah, foi mesmo - disse Fred, rindo. - Tinha me esquecido... s vezes  difcil lembrar de tudo, no ?
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 - Em todo o caso,  um ano de pesadelo, o quinto - concluiu George. - Pelo menos se voc costuma se preocupar com os resultados de exames. Bem ou mal, Fred e eu conseguimos manter nosso moral.
 - E... vocs conseguiram, quanto foi mesmo, trs N.O.M.s cada um? - disse Ron.
 - Foi - respondeu Fred, despreocupadamente. - Mas achamos que o nosso futuro no ser no mundo das realizaes acadmicas.
 - Debatemos seriamente se amos nos dar ao trabalho de voltar e completar o stimo ano - disse George, animado - agora que temos...
Calou-se a um olhar de Harry, que percebera que George estava a ponto de mencionar o prmio Tribruxo que ele dera aos gmeos.
 - ... agora que conseguimos os nossos N.O.M.s - continuou George, depressa. - Quero dizer, ser que realmente precisamos dos N.I.E.M.s? Mas achamos que mame no iria agentar ver a gente abandonando a escola cedo, no depois de Percy ter virado o maior imbecil do mundo.
 - Mas no vamos desperdiar o nosso ltimo ano aqui - disse Fred, correndo os olhos com carinho pelo Salo Principal. - Vamos us-lo para pesquisar um pouco o mercado, descobrir exatamente o que o aluno mdio de Hogwarts precisa comprar em uma loja de logros, avaliar cuidadosamente os resultados da nossa pesquisa, e ento fabricar a mercadoria exata para atender  demanda.
 - Mas onde  que vocs vo arranjar o ouro para abrir uma loja de logros? - perguntou Hermione, sem acreditar. - Vocs vo precisar de muitos ingredientes e materiais... e de um local tambm, suponho...
Harry no olhou para os gmeos. Sentiu o rosto quente; intencionalmente, deixou cair o garfo no cho e mergulhou embaixo da mesa para apanh-lo. Ouviu Fred dizer l no alto
 - No nos faa perguntas e no diremos mentiras, Hermione. Vamos, George, se chegarmos cedo, talvez a gente consiga vender umas Orelhas Extensveis antes da aula de Herbologia.
Harry saiu de baixo da mesa e viu Fred e George se afastando, cada um levando uma pilha de torradas.
 - Que foi que ele quis dizer com isso? - perguntou Hermione, olhando de Harry para Ron. - "No nos faa perguntas..." Isso quer dizer que eles j tm algum ouro para comear a loja de logros?
 - Sabe, eu tenho pensado nisso - disse Ron, com a testa enrugada. - Eles me compraram um conjunto de vestes a rigor este vero e no consegui entender onde arranjaram o dinheiro.
Harry resolveu que estava na hora de mudar o rumo da conversa para guas menos perigosas.
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 - Vocs acham que  verdade que o ano vai ser realmente duro? Por causa dos exames?
 - Ah, vai - respondeu Ron. - com certeza, no acham? Os N.O.M.s so muito importantes, afetam os empregos a que a gente vai poder se candidatar e tudo. Recebemos orientao profissional tambm, mais para o fim do ano, o Bill me contou. Assim a gente pode escolher os N.I.E.M.s que vai 
querer fazer no ano seguinte.
 - Vocs sabem o que vo querer fazer quando terminarem Hogwarts? - perguntou Harry aos outros dois, quando deixavam o Salo Principal, pouco depois, para assistir  aula de Histria da Magia.
 - No tenho muita certeza - disse Ron lentamente. - Exceto que... bom...
Ele pareceu ligeiramente encabulado.
 - Qu? - insistiu Harry.
 - bom, seria legal ser auror - disse Ron, em tom displicente.
 - Ah, isso seria - apoiou Harry, com fervor.
 - Mas eles so, tipo, a elite - disse Ron. -  preciso ser realmente fera. E voc, Hermione?
 - No sei. Acho que gostaria de fazer alguma coisa que realmente valesse a pena.
 - Ser auror vale a pena! - disse Harry.
 - E, claro que vale, mas no  a nica coisa que vale a pena - disse Hermione, pensativa - quero dizer, se eu pudesse levar o FALE adiante...
Harry e Ron tomaram o cuidado de evitar se olhar.
A Histria da Magia era, por consenso, a disciplina mais chata que a bruxidade inventara. Binns, o professor fantasma, tinha uma voz asmtica e montona que era quase uma garantia de provocar grave sonolncia em dez minutos, cinco em tempo de calor. Ele jamais variava a maneira de dar aulas, falava sem fazer uma nica pausa, enquanto a turma anotava suas palavras, ou melhor, mirava sonolentamente o vazio. Harry e Ron at agora tinham conseguido passar raspando, copiando as anotaes de Hermione antes dos exames; somente ela parecia capaz de resistir ao poder soporfico da voz de Binns.
Hoje, eles sofreram quarenta e cinco minutos de cantilena sobre as guerras dos gigantes. Harry ouviu o bastante em apenas dez minutos para perceber, mesmo vagamente, que nas mos de outro professor o assunto poderia ter tido algum interesse, depois o seu crebro se desligou, e ele passou os trinta e cinco minutos restantes jogando forca com Ron em um canto de pergaminho, enquanto Hermione lanava aos dois olhares de censura pelo canto do olho.
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 - E como seria - perguntou ela friamente, quando os trs saam da sala para o intervalo (Binns desaparecia atravs do quadro-negro) se este ano eu me recusasse a emprestar as minhas anotaes a vocs?
 - No passaramos no N.O.M. Se voc quiser ter isso pesando na sua conscincia, Hermione...
 - Ora, seria bem merecido. Vocs nem ao menos tentam escutar o que ele diz, tentam?
 - Tentamos - disse Ron. - S que no temos o seu crebro nem a sua memria nem a sua concentrao... voc  simplesmente mais inteligente do que ns... voc acha bonito esfregar isso na cara da gente?
 - Ah, no me venha com essa baboseira - disse Hermione, mas pareceu um pouco menos zangada quando saiu  frente deles para o ptio molhado.
Caa uma chuvinha fina e nevoenta, que fazia os contornos das pessoas paradas em grupos ao redor do ptio parecerem esfumados. Harry, Ron e Hermione escolheram um canto isolado sob uma sacada que pingava abundantemente, virando para cima as golas das vestes para se protegerem do ar gelado de setembro, enquanto conversavam sobre o dever que Snape pediria na primeira aula do ano. Tinham chegado a concordar que, muito provavelmente, seria algo de extrema dificuldade para apanh-los desprevenidos ao fim de dois meses de frias, quando algum entrou no ptio e veio na direo deles.
 - Ol, Harry!
Era Cho Chang e, mais, vinha sozinha outra vez. Isto era muito incomum. Quase sempre Cho estava cercada por um bando de garotas risonhas; Harry se lembrou da agonia por que passara para encontr-la sozinha e convid-la para o Baile de Inverno.
 - Oi - disse Harry, sentindo seu rosto esquentar. Pelo menos desta vez voc no est coberto de seiva de escrofulria, disse a si mesmo. Cho parecia estar pensando mais ou menos a mesma coisa.
 - Voc conseguiu limpar aquela coisa, ento?
 - Claro - disse Harry, tentando sorrir, como se a lembrana do ltimo encontro fosse engraada e no mortificante. - Ento, voc teve... hum... as frias foram boas?
No momento em que disse isso ele desejou que no o tivesse dito
 - Cedric era o namorado de Cho e a lembrana de sua morte devia ter afetado as frias dela to fortemente quanto afetara as de Harry Alguma coisa pareceu retesar em seu rosto, mas ela respondeu
 - Ah, foram bem, voc sabe...
 - Isso  um emblema dos Tornados? - perguntou Ron de repente, apontando para a frente das vestes de Cho, onde havia um
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emblema azul-celeste brasonado com um T duplo dourado. - Voc no torce por eles, torce?
 - Toro - respondeu Cho.
 - Voc sempre torceu por eles, ou s depois que comearam a ganhar destaque na diviso? - perguntou Ron, no que Harry considerou um tom desnecessariamente inquisitive.
 - Toro por eles desde que tinha seis anos de idade - respondeu Cho tranqilamente. - Em todo o caso... a gente se v, Harry.
Ela se afastou, e Hermione 
aguardou at Cho ter atravessado metade do ptio para brigar com Ron.
 - Voc no tem um pingo de sensibilidade! 
 - Qu? Eu s perguntei a ela se...
 - Voc no percebeu que ela queria falar com Harry sozinha?
 - E da? Podia ter falado, eu no estava impedindo... !
 - Droga, por que voc estava atacando a garota por causa do time de quidditch?
 - Atacando? Eu no estava atacando a Cho, estava s...
 - Quem se importa se ela torce pelos Tornados?
 - Ah, nem vem, metade das pessoas que a gente v usando esses emblemas s os compraram na ltima temporada...
 - E que diferena faz?
 - Quer dizer que no so fs de verdade, s esto aproveitando a onda...
 - A sineta - disse Harry desanimado, porque Ron e Hermione estavam alterados demais para ouvi-la. Os dois no pararam de discutir durante todo o caminho para a masmorra de Snape, o que deu a Harry muito tempo para refletir que, entre Neville e Ron, ele teria muita sorte se um dia conseguisse conversar com Cho dois minutos, de que ele pudesse lembrar sem ter vontade de fugir do pas.
E, no entanto, pensou, ao entrarem na fila que se formava do lado de fora da porta da sala de Snape, Cho tinha resolvido vir falar com ele, no tinha? Fora namorada de Cedric; podia muito bem ter odiado Harry por sair vivo do labirinto do Tribruxo enquanto Cedric morrera, ainda assim, estava falando com ele de maneira perfeitamente amigvel e no como se o achasse doido, nem mentiroso nem responsvel, de alguma maneira sinistra, pela morte do namorado... sim, sem a menor dvida, ela resolvera vir falar com ele, e pela segunda vez em dois dias... e, com este pensamento, Harry comeou a se animar. At mesmo o som agourento da porta da masmorra de Snape rangendo ao abrir no estourou a bolhinha de esperana que parecia ter crescido em seu peito. Ele entrou na sala atrs de Ron e Hermione, e os
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acompanhou  mesa de sempre, no fundo da sala, ignorando os rudos rspidos e irritados que ambos produziam.
 - Quietos - disse Snape friamente, fechando a porta ao passar.
No havia real necessidade de dar essa ordem; no momento em que a turma ouviu a porta fechar, o silncio se instalou e todo o bulcio terminou. A mera presena de Snape era, em geral, suficiente para garantir o silncio da classe.
 - Antes de comearmos a aula de hoje - disse o professor, caminhando imponente at a escrivaninha e correndo os olhos pelos alunos - acho oportuno lembrar a todos que em junho prximo prestaro um importante exame, no qual provaro o quanto aprenderam sobre a composio e o uso das poes mgicas. Por mais debilides que sejam alguns alunos desta turma, eu espero que obtenham no mnimo um "Aceitvel" no seu N.O.M., ou tero de enfrentar o meu... desagrado.
O seu olhar recaiu desta vez sobre Neville, que engoliu em seco.
 - Quando terminar este ano, naturalmente, muitos de vocs deixaro de estudar comigo - continuou Snape. - S aceito os melhores na minha turma de Poes preparatria para o N.I.E.M., o que significa que alguns de ns certamente vamos dizer adeus.
Seu olhar pousou em Harry e seu lbio se crispou. O garoto encarou-o de volta, sentindo um prazer sinistro em pensar que poderia desistir de Poes depois do quinto ano.
 - Mas ainda teremos um ano antes do feliz momento das despedidas - disse Snape suavemente - portanto, pretendam ou no tentar os exames dos N.I.E.M.s, aconselho a todos que se concentrem em obter a nota alta que sempre espero dos meus alunos de N.O.M.
Hoje vamos aprender a misturar uma poo que sempre  pedida no exame dos Nveis Ordinrios em Magia a Poo da Paz, uma beberagem para acalmar a ansiedade e abrandar a agitao. Mas fiquem avisados se pesarem muito a mo nos ingredientes, vo mergulhar quem a beber em um sono pesado e por vezes irreversvel, por isso prestem muita ateno no que vo fazer.
 esquerda de Harry, Hermione sentou-se mais reta, com uma expresso de extrema ateno.
 - Os ingredientes e o mtodo - Snape fez um gesto rpido com a varinha - esto no quadro-negro - (eles apareceram ali) - encontraro tudo de que precisam - ele tornou a agitar a varinha - n armrio do estoque - (a porta do armrio mencionado se abriu) - e vocs tm uma hora e meia... podem comear.
Exatamente como Harry, Ron e Hermione haviam previsto, Snape no poderia ter passado para os alunos uma poo mais difcil 
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e demorada. Os ingredientes tinham de ser acrescentados ao caldeiro na ordem e quantidade precisas; a mistura tinha de ser mexida o nmero exato de vezes, primeiro no sentido horrio, depois no antihorrio; o calor e as chamas em que a poo ia cozinhar tinham de ser reduzidos a um nvel exato, por um nmero especfico de minutos, antes do ltimo ingrediente ser adicionado.

 - Um vapor claro e prateado deve se desprender da poo - avisou Snape - dez minutos antes de ficar pronta.
Harry, que suava profusamente, correu o olhar desesperado pela masmorra. Seu caldeiro estava liberando uma enorme quantidade de vapor cinza-escuro; o de Ron cuspia fagulhas verdes. Seamus cutucava febrilmente as chamas na base do caldeiro com a ponta da varinha, pois elas pareciam estar se apagando. A superfcie da poo de Hermione, no entanto, apresentava uma nvoa prateada de vapor, e quando Snape passou por ela olhou do alto do seu narigo sem fazer comentrios, o que significava que no conseguira encontrar nada a criticar. Junto ao caldeiro de Harry, porm, o professor parou, e olhou-o com um horrvel sorriso de afetao no rosto.
 - Potter, que  que voc acha que isto ?
Os alunos da Slytherin sentados na frente da sala ergueram a cabea, pressurosos adoravam ouvir Snape implicar com Harry.
 - A Poo da Paz - respondeu o garoto, tenso.
 - Diga-me, Potter - perguntou Snape baixinho - voc sabe ler? Draco Malfoy deu uma risada.
 - Sei, sim senhor - disse Harry, os dedos apertando a varinha.
 - Leia a terceira linha das instrues para mim, Potter.
Harry apertou os olhos para ver o quadro-negro; no era fcil ler as instrues atravs da nvoa de vapor multicolorido que agora enchia a masmorra.
 - Acrescente a pedra da lua moda, mexa trs vezes no sentido anti-horrio, deixe cozinhar durante sete minutos, depois junte duas gotas de xarope de helboro.
Seu nimo despencou. Ele no juntara o helboro, passara direto para a quarta linha das instrues, depois de cozinhar a poo durante sete minutos.
 - Voc fez tudo que estava na terceira linha, Potter? 
 - No, senhor - respondeu Harry baixinho. 
 - Como disse?
 - No - repetiu o garoto mais alto. - Esqueci o helboro.
 - Eu sei que esqueceu, Potter, o que significa que essa poo no serve para nada. Evanesce!
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O contedo do caldeiro de Harry desapareceu; ele ficou parado como um tolo ao lado do caldeiro vazio.
 - Os alunos que conseguiram ler as instrues encham um frasco com uma amostra de sua poo, colem uma etiqueta com o seu nome escrito com clareza e tragam-no  minha escrivaninha para verificao - disse Snape. - Dever de casa trinta centmetros de pergaminho sobre as propriedades da pedra da lua e seus usos no preparo de poes, a ser entregue na tera-feira.
Enquanto todos a sua volta enchiam os frascos, Harry guardou o que era seu, espumando de raiva. Sua poo no estava pior do que a de Ron, que agora exalava um cheiro horrvel de ovo podre; ou a de Neville, que atingira a consistncia de cimento recm-misturado, e agora ele tentava extrair do caldeiro; mas era apenas ele, Harry, que iria receber zero no trabalho do dia. Ele guardou a varinha na mochila e se largou na carteira, observando os demais se dirigirem  escrivaninha de Snape com frascos cheios e arrolhados. Quando finalmente a sineta tocou, Harry foi o primeiro a sair da masmorra, e j comeara a almoar quando Ron e Hermione vieram se juntar a ele no Salo Principal. O teto se transformara em um cinza ainda mais sujo durante a manh. A chuva fustigava as janelas.
 - Foi realmente injusto - disse Hermione, consolando-o e, sentando-se ao seu lado, serviu-se do empado de batata com carne rnoda. - A sua poo estava quase to ruim quanto a de Goyle; quando ele a despejou no frasco a coisa explodiu e incendiou as vestes dele.
 - E, fazer o qu - disse Harry olhando carrancudo para o prato - desde quando Snape foi justo comigo?
Os outros no responderam; os trs sabiam que a inimizade de Snape e Harry fora absoluta desde o momento em que o amigo pusera os ps em Hogwarts.
 - Eu realmente pensei que talvez ele fosse melhorar um pouquinho este ano - disse Hermione, desapontada. - Quero dizer... sabe...
 - ela olhou para os lados cautelosamente; havia meia dzia de lugares vazios de cada lado deles e ningum passava pela mesa... - agora que ele est na Ordem e tudo.
 - Cogumelos venenosos no mudam sua natureza - disse Ron sabiamente. - Em todo o caso, eu sempre achei Dumbledore meio matusquela por confiar em Snape. Onde est a prova de que ele realmente parou de trabalhar para Voc-Sabe-Quem?
 - Acho que Dumbledore provavelmente tem muitas provas, mesmo que no as revele a voc - retorquiu Hermione.
 - Ah, calem a boca, vocs dois - disse Harry, rudemente, quan197
do Ron abriu a boca para responder. Hermione e Ron congelaram, demonstrando estar zangados e ofendidos. - Ser que no podem dar um tempo? Sempre brigando um com o outro, esto me enlouquecendo. - E, largando o empado pela metade, atirou a mochila s costas e deixou os dois sentados ali.
Harry subiu dois 
degraus de cada vez da escadaria de mrmore, passando pelos numerosos estudantes que corriam para almoar. A raiva que acabara de extravasar to inesperadamente ainda queimava dentro dele, e a viso dos rostos chocados de Ron e Hermione lhe proporcionou uma sensao de profunda satisfao. Bem feito para eles, pensou, ser que no podem dar um descanso... brigam o tempo todo...  suficiente para fazer qualquer um subir pelas paredes...
Em um dos patamares, ele passou pelo grande retrato de Sir Cadogan; o cavalheiro desembainhou a espada e brandiu-a ferozmente contra Harry, que no lhe deu ateno.
 - Volte aqui seu co pestilento! Fique parado e lute! - berrou com a voz abafada pelo visor da armadura, mas Harry simplesmente continuou o seu caminho e, quando Sir Cadogan tentou segui-lo, correndo para o retrato do lado, foi repelido por seu dono, um cachorro de cara feroz.
Harry passou o resto do intervalo para o almoo sentado sozinho sob o alapo, no alto da Torre Norte. Em conseqncia disso, foi o primeiro a subir a escada prateada que levava  sala de aula de Sibila Trelawney, quando a sineta tocou.
Depois de Poes, Adivinhao era a aula de que Harry menos gostava, principalmente por causa do hbito que tinha a Prof Trelawney de predizer sua morte prematura com freqncia. Uma mulher magra, envolta em pesados xales e refulgente de colares, ela sempre lembrara a Harry uma espcie de inseto, cujos culos ampliavam enormemente seus olhos. Estava atarefada, colocando exemplares de livros encadernados em couro, mas muito usados, sobre cada uma das mesinhas instveis que atravancavam sua sala, quando Harry entrou. Porm, a luz refletida pelos abajures cobertos por lenos de seda e pelo fogo baixo e nauseante da lareira era to fraca que a professora pareceu no ter notado a presena do garoto quando ele se sentou nas sombras. Os demais alunos foram chegando nos cinco minutos seguintes. Ron apareceu no alapo, olhou atentamente a toda volta, localizou Harry e se encaminhou direto para ele, ou o mais diretamente que pde, depois de contornar mesas, cadeiras e pufes repolhudos.
 - Hermione e eu paramos de discutir - disse ele, sentando-se ao lado do amigo. v
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 - timo - resmungou Harry.
 - Mas Hermione diz que acha que seria legal se voc parasse de descontar sua raiva na gente.
 - Eu no estou...
 - Eu estou s transmitindo o recado - disse Ron, interrompendo-o. - Mas acho que ela tem razo. No  nossa culpa o modo do Seamus e do Snape tratarem voc.
 - Eu nunca disse isso...
 - Bom-di - saudou a Prof Trelawney, com a voz difusa e sonhadora de sempre, e Harry parou de falar, sentindo-se mais uma vez chateado e ligeiramente envergonhado. - E bom retorno  Adivinhao. Eu estive naturalmente acompanhando o destino de vocs com a maior ateno durante as frias, e estou felicssima que todos tenham voltado a Hogwarts sos e salvos, como, alis, eu sabia que aconteceria.
Vocs vo encontrar nas mesas  sua frente exemplares do Orculo dos sonhos, da autoria de Inigo Imago. A interpretao dos sonhos  um meio dos mais importantes para adivinhar o futuro, e que por isso pode muito provavelmente ser exigido no seu N.O.M. No que eu acredite,  claro, que ser aprovado ou no em um exame tenha a mais remota importncia, quando tratamos da arte sagrada da adivinhao. Se a pessoa tem o Olho que V, os certificados e as sries concludas no vm ao caso. Contudo, o diretor gosta que vocs prestem exames, portanto...
A voz da professora foi baixando delicadamente, no deixando aos alunos a menor dvida de que ela considerava a sua disciplina acima de detalhes srdidos como exames.
 - Abram, por favor, na Introduo, e leiam o que Imago tem a dizer sobre a interpretao de sonhos. Depois, quero que se dividam em pares e usem o Orculo dos sonhos para interpretar os sonhos mais recentes um do outro. Comecem.
Uma coisa boa a dizer desta aula  que no durava dois tempos. na altura em que todos terminaram de ler a introduo ao livro, restavam menos de dez minutos para a interpretao de sonhos. na mesa ao lado da de Harry e Ron, Dean fizera par com Neville, que imediatamente embarcou em uma interminvel explicao sobre um pesadelo que envolvia uma tesoura gigantesca usando o melhor chapu de sua av; Harry e Ron apenas se entreolharam sombriamente.
 - Nunca me lembro dos meus sonhos - disse Ron. - Conta voc.
 - Voc deve lembrar pelo menos um deles - disse Harry, impaciente.
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Ele no ia dividir seus sonhos com ningum. Sabia perfeitamente bem o que significava o pesadelo freqente com um cemitrio, e no precisava de Ron nem da Prof Trelawney, nem daquele livro idiota para lhe dizer.
 - bom, uma noite dessas eu sonhei que estava jogando quidditch
 - disse Ron, contraindo o rosto num esforo para se lembrar. - Que  que voc acha que isso significa?
 - Provavelmente que voc vai ser devorado por um marshmallow gigante ou outra coisa assim - disse Harry, folheando as pginas do Orculo dos sonhos, sem interesse. Era um trabalho 
muito sem graa procurar fragmentos de sonhos no Orculo, e Harry no se sentiu mais animado quando a professora mandou preparar um dirio com os sonhos de um ms, como dever de casa. Quando a sineta tocou, ele e Ron foram os primeiros a descer pela escada, Ron resmungando em voz alta.
 - Voc j percebeu quanto dever de casa j temos? Binns mandou fazer um trabalho de quarenta e cinco centmetros sobre as guerras dos gigantes, Snape quer trinta centmetros sobre o uso das pedras da lua, e agora temos de fazer um dirio de sonhos durante um ms para Trelawney! Fred e George no estavam errados sobre o ano dos exames, sabe?  melhor aquela tal Umbridge no nos dar nada...
Quando os dois entraram na sala de aula de Defesa Contra as Artes das Trevas, encontraram a Prof Umbridge j sentada  escrivaninha, usando o casaquinho peludo cor-de-rosa da noite anterior e o lao de veludo preto na cabea. Novamente Harry se lembrou, sem querer, de um mosco encarrapitado insensatamente na cabea de um sapo ainda maior.
A turma entrou na sala em silncio; a Prof Umbridge era, at aquele momento, uma incgnita, e ningum sabia se seria ou no adepta da disciplina rigorosa.
 - bom, boa-tarde! - disse ela finalmente, quando a turma inteira acabou de sentar.
Alguns alunos murmuraram "boa-tarde" em resposta.
 - Tss-tss - muxoxou a professora. - Assim no vai dar, concordam? Eu gostaria que os senhores, por favor, respondessem "Boatarde, Prof Umbridge." Mais uma vez, por favor. Boa-tarde, classe!
 - Boa-tarde, Prof Umbridge - entoaram os alunos monotonamente.
 - Agora sim - disse a professora com meiguice. - No foi muito difcil, foi? Guardem as varinhas e apanhem as penas.
Muitos alunos trocaram olhares sombrios; nunca antes  ordem
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guardem as varinhas" se seguira uma aula que eles achassem interessante. Harry enfiou a varinha de volta na mochila e apanhou pena, tinta e pergaminho. A Prof Umbridge abriu a bolsa e tirou a prpria varinha, que era excepcionalmente curta, e com ela deu uma pancada forte no quadro-negro; imediatamente apareceu ali escrito
Defesa Contra as Artes das Trevas
Um Retorno aos Princpios Bsicos
 - bom, o ensino que receberam desta disciplina foi um tanto interrompido e fragmentrio, no  mesmo? - afirmou a Prof Umbridge, virando-se para encarar a turma, com as mos perfeitamente cruzadas diante do corpo. - A mudana constante de professores, muitos dos quais no parecem ter seguido nenhum currculo aprovado pelo Ministrio, infelizmente teve como conseqncia os senhores estarem muito abaixo dos padres que esperaramos ver no ano dos N.O.M.s.
Os senhores ficaro satisfeitos de saber, porm, que tais problemas agora sero corrigidos. Este ano iremos seguir um curso de magia defensiva, aprovado pelo Ministrio e cuidadosamente estruturado em torno da teoria. Copiem o seguinte, por favor.
Ela tornou a bater no quadro; a primeira mensagem desapareceu e foi substituda por "Objetivos do Curso".
. Compreender os princpios que fundamentam a magia defensiva.
2. Aprender a reconhecer as situaes em que a magia defensiva pode legalmente ser usada.
3. Inserir o uso da magia defensiva em contexto de uso. '
Por alguns minutos o som de penas arranhando pergaminhos encheu a sala. Depois que todos copiaram os trs objetivos do curso da Prof Umbridge, ela perguntou
 - Todos tm um exemplar de Teoria da magia defensiva de Wilbert Slinkhard?
Ouviu-se um murmrio baixo de concordncia por toda a sala.
 - Acho que vou tentar outra vez - disse ela. - Quando eu fizer uma pergunta, gostaria que os senhores respondessem "Sim, senhora, Prof Umbridge" ou "No, senhora, Prof Umbridge". Ento todos tm um exemplar de Teoria da magia defensiva de Wilbert Slinkhard?
 - Sim, senhora, Prof Umbridge - ecoou a resposta pela sala.
 - timo. Eu gostaria que os senhores abrissem na pgina cinco e lessem o Captulo Um, "Elementos Bsicos para Principiantes". No precisaro falar. 201
A Prof Umbridge deu as costas ao quadro e se acomodou na cadeira da escrivaninha, observando todos os alunos, com aqueles olhos empapuados de sapo. Harry abriu  pgina cinco do seu exemplar de Teoria da magia defensiva e comeou a ler.
Era desesperadamente montono, to ruim quanto escutar o Prof. Binns. Sentiu sua concentrao ir fugindo; logo tinha lido a mesma linha meia dzia de vezes, sem absorver nada alm das primeiras palavras. Vrios minutos se passaram em silncio. Ao seu lado, Ron virava e revirava a pena entre os dedos distraidamente, os olhos fixos no mesmo ponto da pgina. Harry olhou para a direita 
e teve uma surpresa que sacudiu o seu torpor. Hermione sequer abrira seu exemplar de Teoria da magia defensiva. Olhava fixamente a Prof Umbridge com a mo levantada.
Harry no se lembrava de Hermione jamais ter deixado de ler quando a mandavam faz-lo, ou resistir  tentao de abrir qualquer livro que passasse embaixo do seu nariz. Olhou-a, indagador, mas ela meramente balanou a cabea, a indicar que no ia responder perguntas, e continuou a encarar a professora, que olhava com igual resoluo para o outro lado.
Depois de se passarem vrios minutos, porm, Harry j no era o nico que olhava para Hermione. O captulo que a professora os mandara ler era to tedioso que um nmero cada vez maior de alunos estava preferindo observar a muda tentativa de Hermione de ser notada pela professora a continuar penando para ler os "Elementos Bsicos para Principiantes".
Quando mais da metade da classe estava olhando para Hermione e no para os livros, a professora pareceu decidir que no podia continuar a ignorar a situao.
 - Queria me perguntar alguma coisa sobre o captulo, querida? perguntou ela a Hermione, como se tivesse acabado de reparar nela.
 - No, no  sobre o captulo - respondeu Hermione.
 - Bem,  o que estamos lendo agora - disse a professora, mostrando seus dentinhos pontiagudos. - Se a senhorita tem outras perguntas, podemos tratar delas no final da aula.
 - Tenho uma pergunta sobre os objetivos do curso - disse Hermione.
A Prof Umbridge ergueu as sobrancelhas.
 - E como  o seu nome?
 - Hermione Granger.
 - Muito bem, Srta. Granger, acho que os objetivos do curso so perfeitamente claros se lidos com ateno - respondeu em um tom de intencional meiguice. 
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 - Bem, eu no acho que estejam - concluiu Hermione secamente. - No h nada escrito no quadro sobre o uso de feitios defensivos.
Houve um breve silncio em que muitos alunos da turma viraram a cabea para reler, de testa franzida, os trs objetivos do curso ainda escritos no quadro-negro.
 - O uso de feitios defensivos? - repetiu a Prof Umbridge, dando uma risadinha. - Ora, no consigo imaginar nenhuma situao que possa surgir nesta sala de aula que exija o uso de um feitio defensivo, Srta. Granger. Com certeza no est esperando ser atacada durante a aula, est?
 - No vamos usar magia? - exclamou Ron, em voz alta.
 - Os alunos levantam a mo quando querem falar na minha aula, Sr...?
 - Weasley - respondeu Ron, erguendo a mo no ar.
A Prof Umbridge, ampliando o seu sorriso, virou as costas para ele. Harry e Hermione imediatamente ergueram as mos tambm. Os olhos empapuados da professora se detiveram por um momento em Harry, antes de se dirigir a Hermione.
 - Sim, Srta. Granger? Quer me perguntar mais alguma coisa?
 - Quero. Certamente a questo central na Defesa Contra as Artes das Trevas  a prtica de feitios defensivos.
 - A senhorita  uma especialista educacional do Ministrio da Magia, Srta. Granger?
 - No, mas...
 - Bem, ento, receio que no esteja qualificada para decidir qual  a "questo central" em nenhuma disciplina. Bruxos mais velhos e mais inteligentes que a senhorita prepararam o nosso novo programa de estudos. A senhorita ir aprender a respeito dos feitios defensivos de um modo seguro e livre de riscos...
 - Para que servir isso? - perguntou Harry, em voz alta. - Se formos atacados, no ser em um...
 - Mo, Sr. Potter! - entoou a Prof Umbridge.
Harry empunhou o dedo no ar. Mais uma vez, a professora prontamente lhe deu as costas, mas agora vrios outros alunos tinham erguido as mos. 
 - O seu nome ? - perguntou a professora a Dean. - Dean Thomas.
 - Diga, Sr. Thomas.
 - Bem,  como disse o Harry, no ? Se vamos ser atacados, ento no ser livre de riscos.
 - Repito - disse a professora, sorrindo para Dean de modo muito irritante - o senhor espera ser atacado durante as minhas aulas?
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 - No, mas... interrompeu-o. 
 - No quero criticar o modo como as coisas tm sido conduzidas nesta escola - disse ela, um sorriso pouco convincente distendendo sua boca rasgada - mas os senhores foram expostos a alguns bruxos muito irresponsveis nesta disciplina, de fato muito irresponsveis, isto para no falar - ela deu uma risadinha desagradvel - em mestios extremamente perigosos.
 - Se a senhora est se referindo ao Prof. Lupin - disse Dean, zangado, esganiando a voz - ele foi o melhor que j...
 - Mo, Sr. Thomas! Como eu ia dizendo os senhores foram apresentados a feitios muito 
complexos, imprprios para a sua faixa etria e potencialmente letais. Algum os amedrontou, fazendo-os acreditar na probabilidade de depararem com ataques das trevas com freqncia...
 - No, isto no aconteceu - protestou Hermione - s que...
 - Sua mo no est erguida, Srta. Granger!
Hermione ergueu a mo. A Prof Umbridge virou-lhe as costas.
 - Pelo que entendi, o meu antecessor no somente realizou maldies ilegais em sua presena, como chegou a aplic-las nos senhores.
 - Ora, no fim ficou provado que ele era um manaco, no foi? respondeu Dean, acalorado. - E veja bem, ainda assim aprendemos um bocado.
 - Sua mo no est erguida, Sr. Thomas! - gorjeou a professora. Agora o Ministrio acredita que um estudo terico ser mais do que suficiente para prepar-los para enfrentar os exames, que, afinal,  para o que existe a escola. E o seu nome ? - acrescentou ela, fixando o olhar em Parvati, que acabara de erguer a mo.
 - Parvati Patil, e no tem uma pequena parte prtica no nosso N.O.M. de Defesa Contra as Artes das Trevas? No temos de demonstrar que somos capazes de realizar contrafeitios e coisas assim?
 - Desde que tenham estudado a teoria com muita ateno, no h razo para no serem capazes de realizar feitios sob condies de exame cuidadosamente controladas - respondeu a professora, encerrando o assunto.
 - Sem nunca ter praticado os feitios antes? - perguntou Parvati, incrdula. - A senhora est nos dizendo que a primeira vez que poderemos realizar feitios ser durante o exame?
 - Repito, desde que tenham estudado a teoria com muita ateno...
 - E para que vai servir a teoria no mundo real? - perguntou Harry em voz alta, seu punho mais uma vez no ar.
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A Prof Umbridge ergueu a cabea.
 - Isto  uma escola, Sr. Potter, no  o mundo real - disse mansamente.
 - Ento no devemos nos preparar para o que estar nos aguardando l fora?
 - No h nada aguardando l fora, Sr. Potter.
 - Ah, ? - A raiva de Harry, que parecia estar borbulhando sob a superfcie o dia todo, agora comeou a atingir o ponto de ebulio.
 - Quem  que o senhor imagina que queira atacar crianas de sua idade? - perguntou a professora, num tom horrivelmente meloso.
 - Humm, vejamos... - disse Harry numa voz fingidamente pensativa. - Talvez... Lord Voldemort?
Ron ofegou. Lavender Brown soltou um gritinho. Neville escorregou pela lateral do banco. A Prof Umbridge, porm, sequer piscou. Estava encarando Harry com uma expresso de sinistra satisfao no rosto.
 - Dez pontos perdidos para a Grifindore, Sr. Potter.
A sala ficou parada e em silncio. Todos olhavam para Umbridge ou para Harry.
 - Agora gostaria de deixar algumas coisas muito claras.
A Prof Umbridge ficou em p e se curvou para a turma, suas mos de dedos grossos e curtos abertas sobre a escrivaninha.
 - Os senhores foram informados de que um certo bruxo das trevas retornou do alm...
 - Ele no estava morto - protestou Harry zangado - mas, sim senhora, ele retornou!
 - Sr. Potter-o-senhor-j-fez-sua-casa-perder-dez-pontos-nopiore-as-coisas-para-si-mesmo - disse a professora sem parar para respirar e sem olhar para ele. - Como eu ia dizendo, os senhores foram informados de que um certo bruxo das trevas est novamente solto. Isto  mentira.
 - NO  mentira! - disse Harry. - Eu o vi, lutei com ele.
 - Deteno, Sr. Potter! - disse a Prof Umbridge, em tom de triunfo. - Amanh  tarde. Cinco horas. Na minha sala. Repito, isto  uma mentira. O Ministrio da Magia garante que no estamos ameaados por nenhum bruxo das trevas. Se os senhores continuam preocupados, no se acanhem, venham me ver quando estiverem livres. Se algum est alarmando os senhores com lorotas sobre bruxos das trevas renascidos, eu gostaria de ser informada. Estou aqui para ajudar. Sou sua amiga. E agora, por favor, continuem sua leitura. Pgina cinco. "Elementos Bsicos para Principiantes".
A Prof Umbridge sentou-se  escrivaninha. Harry, no entanto,
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ficou em p. Todos o olhavam; Seamus parecia meio apavorado, meio fascinado.
 - Harry, no! - sussurrou Hermione, em tom de alerta, puxandoo pela manga, mas ele desvencilhou o brao da mo da amiga.
 - Ento, segundo a senhora, Cedric Diggory caiu morto porque quis, foi? - perguntou Harry, com a voz tremendo.
A turma prendeu coletivamente a respirao, porque nenhum colega, exceto Ron e Hermione, jamais ouvira Harry falar do que acontecera na noite em que Cedric morrera. Todos olhavam avidamente de Harry para a professora, que erguera os olhos e encarava o garoto sem o menor vestgio de falso sorriso no 
rosto.
 - A morte de Cedric Diggory foi um trgico acidente - disse ela, com frieza.
 - Foi assassinato - disse Harry. Ele sentia seu corpo tremer. Pouco falara com outras pessoas sobre isso, e muito menos com trinta colegas que o escutavam ansiosos. - Voldemort o matou, e a senhora sabe disso.
O rosto da Prof Umbridge estava inexpressivo. Por um momento, Harry pensou que fosse berrar com ele. Ento ela falou, com a sua voz mais macia, mais meiga e mais infantil
 - Venha c, Sr. Potter, querido.
Ele chutou sua cadeira para o lado, contornou Ron e Hermione e foi  escrivaninha da professora. Podia sentir o resto da classe prendendo a respirao. Estava to furioso que no se importava com o que fosse acontecer.
A Prof Umbridge puxou um pequeno rolo de pergaminho corde-rosa da bolsa, esticou-o sobre a escrivaninha, molhou a pena no tinteiro e comeou a escrever, curvada sobre o pergaminho para que Harry no pudesse ver o que estava escrevendo. Ningum falava. Passado um minuto e pouco, ela enrolou o pergaminho e lhe deu um toque com a varinha; ele se selou, sem emendas, de modo que o garoto no o pudesse abrir.
 - Leve isto  Prof McGonagall, querido - disse estendendo a ele o bilhete.
Harry apanhou-o sem dizer palavra e saiu da sala, sem sequer olhar para Ron e Hermione, batendo a porta ao passar. Andou muito depressa pelo corredor, o bilhete para McGonagall apertado na mo, mas, ao virar um canto, deu de cara com Pives, o poltergeist, um homenzinho de boca grande que flutuava de costas no ar, fazendo malabarismos com vrios tinteiros.
 - Ora,  o Pirado do Potter! - gargalhou Pives, deixando dois
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tinteiros carem no cho, onde se estilhaaram, salpicando tinta nas paredes; Harry pulou para trs para escapar, e rosnou.
 - D o fora, Pives.
 - , o Pirado est irritado - exclamou Pives, perseguindo Harry pelo corredor, caoando enquanto o sobrevoava. - Que foi desta vez, meu querido amigo Pirado? Ouvindo vozes? Tendo vises? Falando - Pives produziu um rudo porco com a boca - lnguas'?
 - Eu disse, me deixa em PAZ! - berrou Harry, descendo o lance mais prximo de escadas a correr, mas Pives simplesmente escorregou de costas pelo corrimo da escada.
Ah, muitos acham que ele est rosnando, o pobre Pottinht, Mas outros so mais caridosos e dizem que est s triste, ; Mas Pives sabe das coisas e diz que  pura pirao...
 -CALA A BOCA!
Uma porta  sua esquerda escancarou-se e a Prof McGonagall saiu de sua sala parecendo implacvel e ligeiramente estressada.
 - Afinal por que  que voc est gritando, Potter? - perguntou com rispidez, enquanto Pives dava divertidas gargalhadas e desaparecia de vista. - Por que no est em aula?
 - Me mandaram ver a senhora - disse Harry formalmente.
 - Mandaram? Que  que voc quer dizer com mandaram?
Ele estendeu o bilhete da Prof Umbridge. A Prof McGonagall apanhou-o, franzindo a testa, abriu-o com um toque de varinha, desenrolou-o e comeou a ler. Seus olhos correram de um lado a outro por trs dos culos quadrados enquanto lia o que Umbridge escrevera, e a cada linha se tornavam mais apertados.
 - Venha aqui, Potter.
Ele entrou atrs dela na sala. A porta se fechou automaticamente.
 - Ento? - perguntou-lhe a professora, zangada. - E verdade?
 -  verdade o qu? - perguntou Harry, um pouco mais agressivamente do que pretendera. - Professora? - acrescentou tentando parecer mais educado.
 -  verdade que voc gritou com a Prof Umbridge?
 - Sim, senhora.
 - Chamou-a de mentirosa?
 - Chamei.
 - Disse a ela que Aquele-Que-No-Deve-Ser-Nomeado retornou?
 - Sim, senhora.
A Prof McGonagall sentou-se  escrivaninha, observando Harry com a testa enrugada. Ento disse
 - Coma um biscoito, Harry.
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 - Coma... o qu?
 - Coma um biscoito - repetiu ela impaciente, apontando uma lata com estampa escocesa em cima de uma das pilhas de papis sobre sua mesa. - E sente-se.
Tinha havido uma outra ocasio em que Harry esperara levar umas bastonadas da professora, mas, em lugar disso, fora indicado por ela para a equipe de quidditch da Grifindore. Ele se deixou afundar na cadeira  frente da escrivaninha e se serviu de um trito de gengibre, sentindo-se to confuso e atrapalhado quanto na ocasio anterior.
A Prof McGonagall depositou o bilhete sobre a escrivaninha e olhou muito sria para Harry.
 - Potter, voc precisa ter cuidado.  ; Harry engoliu o biscoito e encarou a professora.

Seu tom de voz no se parecia com o que ele estava acostumado a ouvir; no era enrgico, seco nem severo; era baixo e ansioso e, de alguma forma, muito mais humano do que o habitual.
 - O mau comportamento na classe de Dolores Umbridge poder lhe custar muito mais do que a perda de pontos e uma deteno.
 - Que  que a senhora...
 - Potter, use o bom senso - retorquiu a Prof McGonagall, com um brusco retorno  sua maneira usual. - Voc sabe de onde ela vem, voc deve saber a quem ela est se reportando.
A sineta tocou anunciando o fim da aula. No andar de cima e por todos os lados, ouviu-se o tropel elefantino de centenas de estudantes em marcha.
 - Diz aqui que ela lhe deu uma deteno para cada noite desta semana a comear amanh - disse McGonagall, tornando a consultar o bilhete.
 - Todas as noites desta semana! - repetiu Harry horrorizado. Mas, professora, ser que a senhora no poderia...?
 - No poderia - respondeu ela taxativamente. -Mas...
 - Ela  sua professora e tem todo o direito de lhe dar detenes. Voc se apresentar na sala dela amanh s cinco horas para a primeira. Lembre-se, pise mansinho perto de Dolores Umbridge.
 - Mas eu estava dizendo a verdade! - disse Harry, indignado. Voldemort voltou, a senhora sabe que sim; o Prof. Dumbledore sabe que sim...
 - Pelo amor de Deus, Potter! - exclamou a Prof McGonagall, acertando os culos, muito zangada (contrara horrivelmente o rosto quando ele usara o nome de Voldemort). - Voc acha realmente que
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o que est em jogo so verdades ou mentiras? O que est em jogo  manter a sua cabea baixa e a sua irritao sob controle!
Ela se levantou, as narinas abertas e a boca muito fina, e Harry fez
o mesmo.
 - Coma outro biscoito - disse, irritada, empurrando a lata para o garoto.
 - No, muito obrigado - disse Harry, com frieza. , . , - ; - No seja ridculo - ralhou McGonagall. Ele tirou mais um.
 - Obrigado - agradeceu de m vontade.
 - Voc no escutou com ateno o discurso de Dolores Umbridge no banquete de abertura do ano letivo, Potter?
 - Escutei, sim. Eu a escutei... dizer... o progresso ser proibido ou... bem, queria dizer que... o Ministrio da Magia est tentando interferir em Hogwarts.
A Prof McGonagall mirou-o por um momento, depois fungou, contornou a escrivaninha e segurou a porta aberta para ele.
 - Bem, fico contente que pelo menos voc escute a Hermione Granger - disse, mandando-o sair com um gesto.
,
 - CAPTULO TREZE
A deteno com Dolores
O jantar no Salo Principal quela noite no foi uma experincia agradvel para Harry. A notcia sobre o seu torneio de gritos com Umbridge se espalhara com excepcional velocidade, mesmo para os padres de Hogwarts. Ele ouviu cochichos a toda volta enquanto comia, sentado entre Ron e Hermione. O engraado  que nenhum dos colegas que cochichavam parecia se importar que ele ouvisse o que diziam a seu respeito. Muito ao contrrio, pareciam esperar que ele se zangasse e recomeasse a gritar, para poder ouvir a histria em primeira mo.
 - Ele diz que viu Cedric Diggory ser assassinado... -Ele acha que enfrentou Voc-Sabe-Quem - Ah, qual ... 
 - Quem  que ele acha que est enganando? .
 - Nem vem...
 - O que no entendo - disse Harry com a voz vacilante, descansando a faca e o garfo (suas mos tremiam demais para segur-los com firmeza) -  por que todos acreditaram na histria h dois meses quando Dumbledore a contou...
 - A questo , Harry, que no tenho muita certeza de que acreditaram - disse Hermione muito sria. - Ah, vamos sair daqui.
Ela bateu com os prprios talheres na mesa; Ron olhou cobioso para a torta de ma que ainda no terminara, mas acompanhouos. As pessoas ficaram olhando os trs sarem do salo.
 - O que quis dizer com essa histria de no ter certeza de que tenham acreditado em Dumbledore? - perguntou Harry a Hermione, quando chegaram ao patamar do primeiro andar.
 - Olhe, voc no entende como foi depois que a coisa aconteceu
 - explicou Hermione em voz baixa. - Voc chegou no meio do gramado segurando o cadver do Cedric... nenhum de ns viu o que aconteceu no labirinto... S tnhamos a palavra do Dumbledore de que Voc-Sabe-Quem tinha retornado, matado Cedric e lutado com. voc.
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 - O que  verdade! - disse Harry em voz alta.
 - Eu sei que , Harry, por isso ser que pode, por favor, parar de se enfurecer comigo? - pediu Hermione, cansada. - S que antes de poderem assimilar a verdade, todos foram embora, passar as frias em casa, lendo durante dois meses que voc  pirado e Dumbledore est ficando senil!
A chuva martelava as vidraas enquanto voltavam, pelos corredores vazios,  Torre da Grifindore. Harry teve a sensao de que seu primeiro dia havia durado uma semana, mas ainda restava uma montanha de deveres para fazer antes de deitar. Uma dor latejante comeou a se fixar sobre seu olho direito. Ele espiou pelas janelas, lavadas de chuva, os terrenos da escola, agora escuros, antes de virar para o corredor da Mulher Gorda. A cabana de Hagrid continuava apagada.
 - Mimbulus mimbletonia - disse Hermione, antes que a Mulher Gorda pudesse perguntar. O quadro girou, expondo o buraco que ocultava, e os trs passaram.
A sala comunal estava quase vazia; a maioria dos alunos ainda jantava no salo. Crookshanks se desenroscou e deixou a poltrona para ir ao encontro deles, ronronando alto, e quando Harry, Ron e Hermione se acomodaram em suas cadeiras favoritas, diante da lareira, ele saltou com leveza para o colo da dona e se aconchegou ali como uma almofadinha laranja e peluda. Harry ps-se a contemplar as chamas, sentindo-se vazio e exausto.
 - Como Dumbledore pde ter deixado isso acontecer? - exclamou Hermione de repente, fazendo Harry e Ron se sobressaltarem. Crookshanks pulou do colo dela, parecendo ofendido. Ela socou os braos da poltrona, furiosa, fazendo pedacinhos do enchimento escaparem pelos pudos. - Como  que ele pde deixar aquela mulher horrvel dar aulas para ns? E justamente no ano em que temos de prestar os N.O.M.s?
 - Bom, nunca tivemos grandes professores de Defesa Contra as Artes das Trevas, tivemos? - disse Harry. - Voc sabe qual  a situao, Hagrid nos contou, ningum quer o cargo, dizem que est azarado.
 - , mas da a empregar algum que se recusa a nos deixar praticar magia! Qual  a do Dumbledore?
 - E ainda por cima est tentando convencer as pessoas a espionarem para ela - disse Ron sombriamente. - Esto lembrados de quando ela disse que queria que a gente fosse contar se ouvisse algum dizendo que Voc-Sabe-Quem voltou?
 - E claro que ela est aqui para espionar, isto  bvio, por que outra razo Fudge iria querer que ela viesse? - retorquiu Hermione.
 - No comecem a discutir outra vez - disse Harry, cansado,
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quando Ron abriu a boca para revidar. - Ser que no podemos... vamos s fazer os deveres, tir-los do caminho...
Eles apanharam as mochilas a um canto e tornaram a sentar nas poltronas diante da lareira. As pessoas estavam voltando do jantar agora. 
Harry manteve o rosto desviado do buraco do retrato, mas ainda assim sentia os olhares que estava atraindo.
 - Vamos fazer o do Snape primeiro? - perguntou Ron, mergulhando a pena no tinteiro. - "As propriedades... da pedra da lua... e seus usos... na preparao de poes" - murmurou ele, escrevendo as palavras no topo do pergaminho, ao mesmo tempo que as enunciava. - Pronto.
Ele sublinhou o ttulo, depois ergueu os olhos para Hermione, cheio de expectativa.
 - Ento, quais so as propriedades da pedra da lua e seus usos na preparao de poes?
Mas Hermione no estava ouvindo; tinha os olhos apertados, tentando ver o canto mais distante da sala, onde Fred, George e Linus Jordan estavam sentados no meio de um grupinho de calouros de ar inocente, todos mastigando alguma coisa que parecia ter sido tirada de um grande saco de papel na mo de Fred.
 - No, sinto muito, mas agora eles foram longe demais - disse ela se levantando com um ar decididamente furioso. - Vamos, Ron.
 - Eu... qu? - perguntou Ron, procurando visivelmente ganhar tempo. - No... vamos, Hermione... no podemos repreender os caras por estarem distribuindo doces.
 - Voc sabe perfeitamente bem que so pedaos de Nug SangraNariz ou... ou Vomitilhas ou...
 - Fantasias Debilitantes? - sugeriu Harry em voz baixa.
Um a um, como se uma marreta invisvel tivesse acertado uma pancada na cabea deles, os calouros comearam a desmaiar nas poltronas; alguns escorregaram direto para o cho, outros caram por cima dos braos da poltrona, com as lnguas penduradas para fora. A maioria dos colegas que observavam a cena ria; mas Hermione aprumou os ombros e marchou diretamente para onde estavam Fred e George agora em p, pranchetas na mo, observando atentamente os calouros. Ron fez um esforo parcial para se levantar da poltrona, hesitou um instante e em seguida murmurou para Harry
 - Ela est controlando a situao - e afundou na poltrona o mximo que os seus ossos compridos permitiram.
 - J basta! - disse Hermione com autoridade a Fred e George, fazendo os dois erguerem a cabea ligeiramente surpresos.
 - , voc tem razo - disse George, confirmando com a cabea - essa dosagem parece bastante forte, no ? 
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 - Eu disse a vocs hoje de manh que no podiam testar suas porcarias nos estudantes!
 - Ns estamos pagando a eles! - respondeu Fred, indignado.
 - No me interessa, isso pode ser perigoso!
 - Bobagem - disse Fred.
 - Calma a, Hermione, eles esto bem! - tranqilizou-a Linus, enquanto ia de calouro em calouro, enfiando doces roxos em suas bocas abertas.
 - Esto sim, olhe, esto recuperando os sentidos - disse George. Alguns dos calouros estavam de fato voltando a si. Vrios deles
pareciam to chocados de se ver cados no cho, ou pendurados nas poltronas, que Harry teve a certeza de que Fred e George no lhes explicara o efeito dos doces.
 - Est se sentindo legal? - perguntou George carinhosamente a uma menininha de cabelos escuros cada aos seus ps.
 - Acho... acho que estou - respondeu ela, trmula.
 - Excelente! - exclamou Fred muito feliz, mas, no segundo seguinte, Hermione arrebatara de suas mos a prancheta e o saco de papel com Fantasias Debilitantes.
 - NO, no  excelente!
 - Claro que , eles esto vivos, no esto? - respondeu Fred, zangado.
 - Voc no pode fazer isso, e se tivesse deixado os garotos realmente doentes?
 - No vamos deixar ningum doente, j testamos os doces em ns mesmos, isto  s para verificar se todo o mundo reage igual...
 - Se vocs no pararem com isso, eu vou...
 - Nos dar uma deteno? - perguntou Fred, em tom de quem diz quero-ver-voc-tentar.
 - Mandar a gente escrever frases? - perguntou George, debochando. Todos os que acompanhavam a cena estavam rindo. Hermione se
empertigou; seus olhos se estreitaram e sua cabeleira densa pareceu estalar de eletricidade.
 - No - disse, com a voz tremendo de raiva - mas vou escrever pra sua me.
 - Voc no faria isso - disse George horrorizado, recuando um passo.
 - Ah, faria, sim - confirmou ela, sria. - No posso impedir vocs de comerem essas porcarias, mas vocs no vo d-las aos calouros.
Fred e George ficaram aterrados. Estava claro que, em sua opinio,
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a ameaa de Hermione era um golpe muito baixo. Com um ltimo olhar de ameaa aos gmeos, ela atirou a prancheta e o saco de Fantasias Debilitantes nos braos de Fred e voltou  sua poltrona junto  lareira.
Ron agora se enfiara to no fundo da poltrona que seu nariz encostava nos joelhos.
 - Obrigada pelo apoio, Ron - disse Hermione causticamente.
 - Voc resolveu a situao muito bem sozinha - murmurou ele. Hermione olhou por alguns segundos para o pergaminho que
deixara em branco, depois disse, nervosa
 - Ah, no adianta, agora no consigo mais me concentrar. vou me deitar.
Ela abriu a mochila com violncia; Harry pensou que fosse guardar os livros, mas, em lugar disso, tirou dois objetos de l informes, colocou-os cuidadosamente sobre a mesa junto  lareira, cobriu-os com alguns pedaos de pergaminho amarrotados e uma pena quebrada e deu alguns 
passos atrs para admirar o efeito.
 - Em nome de Merlim, que  que voc est fazendo? - perguntou Ron, observando-a como se temesse que a amiga estivesse perdendo o juzo.
 - So gorros para os elfos domsticos - esclareceu ela, animada, agora enfiando os livros na mochila. - Fiz durante o vero. Sou uma tricoteira bem lenta, sem magia, mas agora que estou de volta  escola vou poder fazer muitos mais.
 - Voc vai deixar gorros para os elfos domsticos? - perguntou Ron vagarosamente. - E vai cobri-los com lixo?
 -  - respondeu Hermione em tom de desafio, atirando a mochila s costas.
 - Isto no  direito - disse Ron zangado. - Voc est induzindoos a apanharem os gorros. Est liberando os elfos sem saber se eles querem ser liberados.
 - Claro que eles querem ser liberados! - respondeu Hermione na mesma hora, embora seu rosto comeasse a corar. - No se atreva a tocar nesses gorros, Ron!
Ela saiu da sala. Ron esperou at Hermione desaparecer pela porta que levava ao dormitrio das garotas, depois tirou o lixo de cima dos gorros de l.
 - Eles precisam ao menos ver o que esto apanhando - disse com firmeza. - Em todo o caso... - e enrolou o pergaminho em que escrevera o ttulo do trabalho para Snape - no tem sentido tentar terminar o dever agora, no sou capaz de faz-lo sem a Hermione. No tenho a menor idia do que se deve fazer com pedras da lua, e voc?
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Harry balanou a cabea, reparando, ao fazer esse movimento, que a dor em sua tmpora direita piorava. Pensou no longo trabalho sobre as guerras dos gigantes e sentiu uma pontada forte. Sabendo perfeitamente que, quando amanhecesse, iria se arrepender de no ter terminado os deveres, empilhou os livros e os guardou na mochila.
 - vou me deitar tambm.
Passou por Seamus a caminho da porta para o dormitrio dos garotos, mas no o olhou. Harry teve a impresso fugaz de que o colega comeara a abrir a boca para falar, mas ele apressou o passo e alcanou a paz reconfortante da escada circular sem ter de suportar mais nenhuma provocao.
O dia seguinte amanheceu to escuro e chuvoso quanto o anterior. Hagrid continuava ausente da mesa dos professores durante o caf da manh.
 - Mas, do lado positivo, hoje no teremos Snape - disse Ron para animar.
Hermione deu um enorme bocejo e se serviu de caf. Parecia bem satisfeita com alguma coisa, e quando Ron lhe perguntou qual era o motivo de tanta satisfao, ela respondeu simplesmente
 - Os gorros desapareceram. Parece que os elfos domsticos afinal querem ser liberados.
 - Eu no confiaria nisso - disse Ron, em tom cortante. - Talvez no contem os gorros como roupas. Eu no achei que parecessem gorros, pareciam mais bexigas de l.
Hermione no falou mais com ele o resto da manh.
Aos dois tempos de Feitios, seguiram-se outros dois de Transfigurao. O Prof. Flitwick e a Prof McGonagall passaram os primeiros quinze minutos de suas aulas falando  turma sobre a importncia dos N.O.M.s.
 - O que vocs precisam lembrar - disse o pequeno Prof. Flitwick, com sua voz de ratinho, encarrapitado como sempre em uma pilha de livros para poder ver por cima do tampo da mesa -  que esses exames podem influenciar o seu futuro durante muitos anos! Se vocs ainda no pensaram seriamente em suas carreiras, agora  o momento de o fazerem. Entrementes, receio que iremos trabalhar com mais afinco que nunca, para garantir que vocs possam provar o que valem!
Depois dessa introduo, eles passaram mais de uma hora recordando os Feitios Convocatrios, que, segundo o Prof. Flitwick, cairiam com certeza nos exames, e ele arrematou a aula passando a maior quantidade de deveres de Feitios que seus alunos j haviam recebido. 
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Em Transfigurao, foi igual, se no pior.
 - Vocs no podem passar nos exames - disse a Prof McGonagall muito sria - sem se aplicarem seriamente ao estudo e  prtica. No vejo razo alguma para algum nesta classe deixar de passar no N.O.M. de Transfigurao, se trabalhar como deve. - Neville fez um muxoxinho de descrena. - E voc tambm, Longbottom. No h nenhum problema com o seu trabalho a no ser sua falta de confiana. Ento... hoje vamos comear a estudar os Feitios de Desapario. So mais fceis do que os Conjuratrios, que 
normalmente vocs no experimentariam at os N.I.E.M.s, mas esto includos entre as mgicas mais difceis que sero exigidas nos N.O.M.s.
McGonagall tinha toda razo; Harry achou os Feitios de Desapario dificlimos. No final do segundo tempo de aula, nem ele nem Ron tinham conseguido fazer desaparecer as lesmas com que estavam praticando, embora Ron anunciasse, esperanoso, que achava que a dele ficara um pouco mais plida. Por outro lado, Hermione fez desaparecer, com xito, a sua lesma, na terceira tentativa, ganhando, da professora, dez pontos para Grifindore. Foi a nica pessoa que no recebeu dever de casa; todos os outros receberam ordem de praticar o feitio e se preparar para uma nova tentativa com as lesmas na tarde seguinte.
Agora, ligeiramente em pnico com a quantidade de deveres de que precisavam dar conta, Harry e Ron passaram a hora do almoo na biblioteca, pesquisando os usos das pedras da lua no preparo de poes. Ainda zangada com a calnia de Ron sobre seus gorros de l, Hermione no os acompanhou. Quando chegaram  aula de Trato das Criaturas Mgicas,  tarde, a cabea de Harry voltou a doer.
O dia se tornara frio e ventoso, e quando desciam o gramado em direo  cabana de Hagrid, na orla da Floresta Proibida, sentiram pingos de chuva no rosto. A Prof Grubbly-Plank aguardava a turma a uns dez metros da porta de entrada de Hagrid, em p diante de uma longa mesa de cavalete cheia de gravetos. Quando Harry e Ron chegaram mais perto, ouviram grandes gargalhadas s suas costas; ao se virarem, viram Draco Malfoy, que vinha em sua direo, cercado pela gangue de sempre de colegas da Slytherin. Obviamente, dissera algo muito engraado, porque Crabbe, Goyle, Pansy Parkinson e os demais continuaram a rir gostosamente ao se reunirem em torno da mesa, e, a julgar pelo modo insistente de olhar para Harry ele no teve muita dificuldade em adivinhar quem era o alvo da graa.
 - Todos presentes? - perguntou em tom seco a Prof GrubblyPlank, quando os alunos da Slytherin e Grifindore finalmente chega-
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ram. - Vamos comear logo, ento. Quem  capaz de me dizer o nome dessas coisas?
A professora indicou o montinho de gravetos sobre a mesa. A mo de Hermione se ergueu. Atrs dela, Malfoy fez uma imitao dentua de Hermione dando pulinhos de ansiedade para responder a perguntas. Pansy teve um acesso de riso que se transformou quase num grito, quando os gravetos sobre a mesa saltaram no ar e revelaram se parecer com minsculos diabretes de madeira, cada um com nodosos braos e pernas marrons, dois dedos de graveto na ponta das mos e uma cara gaiata e achatada que lembrava cortia, em que brilhavam dois olhinhos de besouro.
 - Uhhhhh! - exclamaram Parvati e Lavender, irritando Harry completamente. Qualquer um pensaria que Hagrid jamais mostrara s duas outros seres impressionantes; confessadamente, os vermes foram meio sem graa, mas as salamandras e os hipogrifos tinham sido bem interessantes, e os explosivins talvez at demais.
 - Por favor, falem baixo, meninas! - disse a Prof Grubbly-Plank energicamente, espalhando um punhado de algo parecido com arroz integral entre os bichos-gravetos, que imediatamente atacaram a comida. - Ento... algum sabe o nome desse bichos? Srta. Granger?
 - Tronquilhos - respondeu Hermione. - So guardies de rvores, em geral vivem em rvores prprias para varinhas.
 - Cinco pontos para a Grifindore - disse a Prof Grubbly-Plank.
 - So tronquilhos, como disse corretamente a Srta. Granger, em geral vivem em rvores que fornecem material de qualidade para varinhas. Algum sabe o que eles comem?
 - Bichos-de-conta - respondeu prontamente Hermione, o que explicava por que aquilo que Harry pensara serem gros de arroz integral estava se mexendo. - E tambm ovos de fada, quando conseguem encontr-los.
 - Muito bem, garota, fique com mais cinco pontos. Portanto, sempre que precisarem da madeira de uma rvore em que h um tronquilho alojado,  bom levar um presente de bichos-de-conta  mo para distrair ou aplacar seu guardio. Eles podem no parecer perigosos, mas, se forem irritados, tentaro arrancar os olhos da pessoa com os dedos, que, como vocs vem, so muito afiados e nem um pouco desejveis perto dos olhos. Ento, se vocs quiserem se aproximar um pouco mais, apanhem uns bichos-de-conta e um tronquilho. Tenho aqui o suficiente para dividi-los por grupos de trs, vocs podem estud-los com mais ateno. Quero que faam individualmente um esboo com todas as partes do corpo identificadas, at o final da aula. 
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A turma avanou para a mesa. Harry intencionalmente deu a volta por trs, de modo a terminar ao lado da Prof Grubbly-Plank.
 - Aonde foi o Hagrid? - perguntou ele, enquanto os outros escolhiam os tronquilhos.
 - No  da sua conta - respondeu a professora, reprimindo-o, a mesma atitude da ltima vez 
que Hagrid no aparecera para dar aula. Com um sorriso afetado espalhado pelo rosto pontudo, Draco Malfoy debruou-se por cima de Harry e apanhou o maior tronquilho que havia.
 - Quem sabe - disse Malfoy a meia voz, de modo que somente Harry pudesse ouvi-lo - aquele retardado no acabou se machucando pra valer?
 - Quem sabe o que vai lhe acontecer se no calar a boca? - respondeu Harry pelo canto da boca.
 - Vai ver ele anda se metendo com coisa grande demais para ele, se  que est me entendendo.
Malfoy se afastou rindo, por cima do ombro, para Harry, que repentinamente se sentiu mal. Ser que Malfoy sabia de alguma coisa? Afinal, o pai dele era um Comensal da Morte; e se tivesse informao de que algo sucedera a Hagrid, e que ainda no chegara ao conhecimento da Ordem? Ele tornou a dar a volta  mesa depressa e foi se juntar a Ron e Hermione, que estavam acocorados na grama a alguma distncia, tentando persuadir um tronquilho a parar quieto, tempo suficiente para poderem desenh-lo. Harry puxou o pergaminho e a pena, agachou-se ao lado dos outros e contou, aos sussurros, o que Malfoy acabara de falar.
 - Dumbledore saberia se alguma coisa tivesse acontecido ao Hagrid - disse Hermione na mesma hora. - Mostrar preocupao  fazer o jogo do Malfoy;  dizer a ele que no sabemos exatamente o que est acontecendo. Temos de ignor-lo, Harry. Tome aqui, segure o tronquilho um instante, para eu poder desenhar a cara dele...
 - E - ouviram a voz clara e arrastada de Malfoy no grupo mais prximo - papai esteve conversando com o ministro h uns dois dias, sabe, e parece que o Ministrio est realmente decidido a agir com rigor para acabar com o ensino de segunda classe desta escola. Por isso, mesmo que aquele retardado supernutrido reaparea, ele provavelmente ser despedido na hora!
-AI!
Harry apertara o tronquilho com tanta fora que quase o partira, e o bicho acabara de revidar, golpeando-lhe a mo com os dedos afiados, produzindo dois cortes longos e profundos. Harry largou-o no cho. Crabbe e Goyle, que j estavam dando gargalhadas com a idia
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de Hagrid ser despedido, riram com mais vontade ao ver o tronquiIho disparar em direo  floresta, um homenzinho de graveto, logo engolido pelas razes das rvores. Quando a sineta tocou ao longe, ecoando pelos terrenos da escola, Harry enrolou o seu desenho manchado de sangue e foi para a aula de Herbologia, com a mo enrolada no leno de Hermione, o riso zombeteiro de Malfoy ainda ressoando em seus ouvidos.
 - Se ele chamar Hagrid de retardado mais uma vez... - disse enfurecido.
 - Harry, no v brigar com Malfoy, no se esquea de que agora ele  monitor e poderia fazer sua vida muito difcil...
 - Uau, como seria uma vida muito difcil? - perguntou Harry sarcasticamente. Ron riu, mas Hermione franziu a testa. Juntos, eles foram andando pelos canteiros de hortalias. O cu continuava incapaz de decidir se queria ou no chover.
 - Eu s gostaria que Hagrid no demorasse a voltar, nada mais disse Harry em voz baixa, quando chegaram s estufas. - E no me diga que a tal Grubbly-Plank  melhor como professora! - acrescentou em tom de ameaa.
 - Eu no ia dizer - respondeu Hermione calmamente.
 - Porque ela nunca vai ser to boa quanto o Hagrid - afirmou ele, muitssimo consciente de que acabara de presenciar uma aula exemplar de Trato das Criaturas Mgicas, e estava absolutamente aborrecido com isso.
A porta da estufa mais prxima se abriu e alguns alunos do quarto ano saram, inclusive Giny.
 - Oi - disse ela, alegremente, ao passar. Alguns segundos depois, saiu Luna Lovegood, atrs do resto da turma, o nariz sujo de terra e os cabelos amarrados em um n no alto da cabea. Quando viu Harry seus olhos salientes pareceram se arregalar de excitao, e ela traou uma reta at ele. Muitos colegas de Harry se viraram curiosos para olhar. Luna inspirou profundamente e anunciou, sem sequer dar um al preliminar - Acredito que Aquele-Que-No-Deve-Ser-Nomeado retornou, e acredito que voc lutou com ele e conseguiu fugir.
 - Hum... certo - disse Harry, sem jeito. Luna estava usando brincos que pareciam rabanetes cor de laranja, algo que Parvati e Lavender pareciam ter notado, porque davam risadinhas e apontavam para as orelhas dela.
 - Podem rir - disse Luna, erguendo a voz, aparentemente sob a impresso de que Parvati e Lavender estavam rindo do que ela dissera e no do que estava usando - mas as pessoas achavam que Blibbering Humdinger e Crumple-Horned Snorkack tambm no existiam.
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 - Ora, e tinham razo, no? - perguntou Hermione, impaciente.
 - No havia Blibbering Humdinger nem Crumple-Horned Snorkack.
Luna lanou-lhe um olhar de secar planta e foi embora, com um movimento de impacincia que fazia os rabanetes balanarem loucamente. Parvati e Lavender agora no eram as nicas a cair na gargalhada.
 - Voc se importa de no ofender as nicas pessoas que acreditam em mim? - pediu 
Harry a Hermione a caminho da aula.
 - Ah, pelo amor de Deus, Harry, voc pode arranjar gente melhor que ela. Giny me contou tudo sobre a Luna; pelo jeito, ela s acredita nas coisas quando no h provas de sua existncia. Bem, eu no esperaria outra coisa de algum cujo pai edita O Pasquim.
Harry pensou nos sinistros cavalos alados que vira na noite da chegada, e em Luna lhe dizendo que tambm era capaz de v-los. Seu nimo minguou ligeiramente. Ser que ela mentira? Mas, antes que pudesse dedicar muito tempo ao assunto, Ernie Macmillan se aproximara dele.
 - Eu quero que voc saiba, Potter - disse em alto e bom som - que no so apenas os excntricos que apoiam voc. Eu, pessoalmente, acredito em voc cem por cento. Minha famlia sempre se manteve firme ao lado de Dumbledore, e eu tambm.
 - Hum... muito obrigado, Ernie - disse Harry, surpreso mas satisfeito. Ernie podia ser pomposo em ocasies como aquela, mas Harry estava disposto a apreciar profundamente um voto de confiana de algum que no usava rabanetes pendurados nas orelhas. As palavras do colega sem dvida apagaram o sorriso do rosto de Lavender Brown e, quando Harry se virou para falar com Ron e Hermione, ele vislumbrou a expresso no rosto de Seamus, que parecia ao mesmo tempo confusa e desafiadora.
No foi surpresa para ningum que a Prof Sprout comeasse a aula fazendo uma preleo sobre a importncia dos N.O.M.s. Harry gostaria que todos os professores parassem com aquilo; estava comeando a sentir ansiedade e contores no estmago cada vez que se lembrava da quantidade de deveres que tinha a fazer, uma sensao que piorou dramaticamente quando a Prof Sprout passou para os alunos mais um trabalho no final da aula. Cansados e exalando um forte cheiro de bosta de drago, o adubo favorito da professora, os alunos da Grifindore marcharam de volta ao castelo, sem querer muita conversa; fora mais um longo dia.
Como Harry estava faminto, e teria sua primeira deteno com Umbridge s cinco horas, rumou direto para o salo, sem deixar a mochila na Torre da Grifindore, na esperana de engolir alguma coisa
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antes de enfrentar o que ela lhe reservara. Mal alcanara a entrada para o Salo Principal, porm, ouviu uma voz zangada berrando
 - Ei, Potter!
 - Que  agora? - murmurou, cansado, e ao se virar deu de cara com Angelina Johnson, que parecia estar barbaramente irritada.
 - vou lhe dizer o que  agora - disse, caminhando decidida ao seu encontro e metendo o dedo com fora em seu peito. - Como foi que voc arranjou uma deteno para as cinco horas na sexta-feira?
 - Qu? Por que... ah, sim, os testes para goleiro!
 - Ah, agora ele se lembra! - vociferou Angelina. - Eu no avisei que queria fazer um teste com o time completo, para escolher algum que se ajustasse com todos"} Eu no avisei que fiz reserva especial para o campo de quidditch? E agora voc decidiu que no vai comparecer!
 - Eu no decidi que no vou comparecer! - defendeu-se Harry, mordido com a injustia daquelas palavras. - Recebi uma deteno daquela Umbridge, s porque disse a ela a verdade sobre Voc-SabeQuem.
 - Muito bem, pois pode ir direto a ela e pedir para dispensar voc na sexta-feira - disse Angelina com ferocidade - e no quero nem saber como vai fazer isso. Diga a ela que Voc-Sabe-Quem  produto de sua imaginao, se quiser, mas d um jeito de estar l!
Angelina se afastou enfurecida.
 - Sabe de uma coisa? - disse Harry a Ron e Hermione ao entrarem no Salo Principal. - Acho que  melhor a gente checar com o Unio de Puddlemere se o Oliver Wood por acaso morreu durante um treinamento, porque a Angelina parece que est encarnando o esprito dele.
 - Voc acha que tem alguma probabilidade da Umbridge liberar voc na sexta-feira? - perguntou Ron, ctico, quando se sentaram  mesa da Grifindore.
 - Menos que zero - disse Harry deprimido, virando umas costeletas de cordeiro no prato e comeando a comer. - Mas  melhor eu tentar, no ? vou me oferecer para cumprir mais duas detenes ou outra coisa assim, no sei... - Ele engoliu a batata que enchia sua boca e acrescentou - Espero que ela no me segure muito tempo hoje  noite. Voc tem conscincia de que temos de escrever trs trabalhos, praticar os Feitios de Desapario para a McGonagall, treinar um contrafeitio para o Flitwick, terminar o desenho do tronquilho e comear aquele dirio idiota de sonhos para a Trelawney?
Ron gemeu e, por alguma razo, ergueu os olhos para o teto. que vai chover.
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 - Que  que isso tem a ver com os nossos deveres de casa? - perguntou Hermione, erguendo as sobrancelhas.
 - Nada - disse Ron na mesma hora, as orelhas corando.
s cinco para as cinco, Harry despediu-se dos amigos e rumou para a sala da Umbridge, no terceiro andar. Quando bateu na porta, ouviu uma voz melosa
 - Entre. - Ele entrou cautelosamente, olhando a toda volta. Conhecera essa sala  poca dos seus trs ocupantes anteriores.

Quando Gilderoy Lockhart a usara, tinha as paredes cobertas de fotos dele sorridente. Quando Lupin a ocupara, parecia que a pessoa ia deparar com alguma fascinante criatura das trevas em uma gaiola ou em um tanque, se aparecesse para visit-lo. Na poca do Moody impostor, a sala se enchera de instrumentos e artefatos para a deteco de malfeitos e dissimulaes.
Agora, porm, estava completamente irreconhecvel. As superfcies tinham sido protegidas por capas de rendas e tecidos. Havia vrios vasos de flores secas, cada um sobre um paninho, e, em uma parede, havia uma coleo de pratos decorativos, estampados com enormes gatos em tecnicolor, cada um com um lao diferente ao pescoo. Eram to hediondos que Harry ficou mirando-os, paralisado, at a Prof Umbridge tornar a falar.
 - Boa-noite, Sr. Potter.
Harry se assustou e olhou para os lados. A princpio no a notara, porque ela estava usando vestes de flores de tons plidos que se fundiam perfeitamente com a toalha de mesa sobre a escrivaninha s suas costas.
 - Noite, Prof1 Umbridge - respondeu Harry formalmente.
 - Muito bem, sente-se - disse ela, apontando para uma mesinha forrada com uma toalha de renda, junto a qual ela colocara uma cadeira de espaldar reto. Havia sobre a mesa uma folha de pergaminho em branco, aparentemente  sua espera.
 - Hum - comeou Harry sem se mexer - Prof Umbridge. Hum... antes de comearmos, eu... eu gostaria de lhe pedir um... favor.
Os olhos saltados da professora se estreitaram.
 - Ah, ?
 - Bem, eu sou... eu sou do time de quidditch da Grifindore. E eu devia participar dos testes para escolher um novo goleiro s cinco horas na sexta-feira e eu estava... estava pensando se poderia faltar  deteno nessa noite e cumprir... cumprir outra noite... trocar...
Ele percebeu muito antes de chegar ao fim do pedido que no ia adiantar. 
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 - Ah, no - disse Umbridge, dando um sorriso to grande que parecia ter acabado de engolir uma mosca particularmente suculenta.
 - Ah, no, no, no. Este  o seu castigo por espalhar histrias nocivas, maldosas, para atrair atenes, Sr. Potter, e com certeza os castigos no podem ser ajustados para atender  convenincia do culpado. No, o senhor estar aqui s cinco horas amanh, depois de amanh, e na sexta-feira tambm, e cumprir as suas detenes conforme programado. Acho muito bom o senhor estar sendo privado de alguma coisa que realmente queira fazer. Isto ir reforar a lio que estou querendo lhe ensinar.
Harry sentiu o sangue anuir  cabea e ouviu um tambor tocando nos ouvidos. Ento ele contava histrias nocivas, maldosas, para atrair atenes, era?
A professora o observava com a cabea ligeiramente inclinada para um lado, mantendo o largo sorriso no rosto, como se soubesse exatamente o que ele estava pensando, e esperasse para ver se ele recomearia a gritar. Com um esforo concentrado, Harry desviou os olhos dela, largou a mochila ao lado da cadeira de espaldar reto e se sentou.
 - Pronto - disse a professora com meiguice. - J estamos comeando a controlar melhor o nosso gnio, no estamos? Agora o senhor vai escrever algumas linhas para mim, Sr. Potter. No, no com a sua pena - acrescentou, quando Harry se curvou para abrir a mochila. - O senhor vai usar uma especial que tenho. Tome aqui.
E lhe entregou uma pena longa e preta, com a ponta excepcionalmente aguda.
 - Quero que o senhor escreva No devo contar mentiras - disse a professora brandamente.
 - Quantas vezes? - perguntou Harry, com uma imitao bastante crvel de boa educao.
 - Ah, o tempo que for preciso para a frase penetrar - disse Umbridge com meiguice. - Pode comear.
A professora foi para sua escrivaninha, se sentou e se debruou sobre uma pilha de pergaminhos que pareciam deveres para corrigir. Harry ergueu a pena preta e afiada, e ento percebeu o que estava faltando.
 - A senhora no me deu tinta.
 - Ah, voc no vai precisar de tinta - disse ela, com um leve tom de riso na voz.
Harry encostou a ponta da pena no pergaminho e escreveu No devo contar mentiras.
E soltou uma exclamao de dor. As palavras apareceram no per223
gaminho em tinta brilhante e vermelha. Ao mesmo tempo, elas se replicaram nas costas de sua mo direita, gravadas na pele como se tivessem sido riscadas por um bisturi - contudo, mesmo enquanto observava o corte brilhante, a pele tornou a fechar, deixando o lugar um pouco mais vermelho que antes, mas, de outra forma, inteiro.
Harry virou a cabea para olhar a Umbridge. Ela o observava, a boca rasgada e bufondea distendida em um sorriso.
 - Pois no?
 - Nada - disse Harry em voz baixa.
Ele tornou a voltar 
sua ateno para o pergaminho, tocou-o com a pena, escreveu No devo contar mentiras, e sentiu a ardncia nas costas da mo pela segunda vez; e de novo as palavras cortaram sua pele; e, de novo, sararam segundos depois.
E assim a tarefa prosseguiu. Repetidamente Harry escreveu as palavras no pergaminho, no com tinta, como logo veio a perceber, mas com o prprio sangue. E sucessivamente as palavras eram gravadas nas costas de sua mo, fechavam e reapareciam da prxima vez que ele tocava o pergaminho com a pena.
A noite desceu  janela da Umbridge. Harry no perguntou quando teria permisso de parar. Sequer consultou seu relgio. Sabia que ela o observava  procura de sinais de fraqueza, e ele no iria manifestar nenhum, nem mesmo se tivesse de se sentar ali a noite inteira, cortando a prpria mo com aquela pena...
 - Venha c - disse ela, depois do que lhe pareceram muitas horas. Ele se levantou. Sua mo ardia dolorosamente. Quando baixou os
olhos, viu que o corte fechara, mas a pele estava em carne viva.
 - Mo - disse ela.
Ele a estendeu. Umbridge a segurou nas dela. Harry reprimiu um estremecimento quando ela o tocou com seus dedos grossos e curtos, que exibiam vrios anis velhos e feios.
 - Tss, tss, parece que ainda no gravou fundo o bastante - disse sorrindo. - Bom, teremos de tentar outra vez amanh  noite, no  mesmo? Pode ir.
Harry saiu da sala sem dizer uma palavra. A escola estava bem deserta; com certeza passara da meia-noite. Caminhou lentamente pelo corredor, ento, ao virar um canto, e certo de que ela no o ouviria, saiu correndo.
Ele no tivera tempo de praticar os Feitios de Desapario, no escrevera um nico sonho em seu dirio e no terminara o desenho do tronquilho, tampouco fizera os trabalhos. Harry dispensou o caf da manh no dia seguinte para poder escrever uns dois sonhos que
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inventou para o dirio da Adivinhao, a primeira aula do dia, e ficou surpreso de ver que um Ron desgrenhado lhe fazia companhia.
 - Por que  que voc no fez isso ontem  noite? - perguntou Harry, enquanto o amigo corria os olhos pela sala comunal, transtornado,  procura de inspirao. Ron, que estivera ferrado no sono, quando Harry voltou ao dormitrio, murmurou alguma coisa como "estava fazendo outra coisa", curvou-se para o seu pergaminho e escreveu algumas palavras.
 - Vai ter de servir - concluiu, fechando o dirio com violncia.
 - Disse que sonhei que estava comprando sapatos novos, ela no pode encontrar nada esquisito nisso, pode?
Os dois correram para a Torre Norte juntos.
 - E como  que foi a deteno com a Umbridge? Que foi que ela mandou voc fazer?
Harry hesitou por uma frao de segundo, depois respondeu
 - Escrever..
 - - Ento no foi to ruim, hein?
 - No. I
 - Ei... ia me esquecendo... ela liberou voc na sexta-feira? 
 - No.
Ron deu um gemido de solidariedade.
Foi mais um dia pssimo para Harry; um dos piores em Transfigurao, pois no havia praticado nenhum dos Feitios de Desapario. Teve de abrir mo da hora do almoo para terminar o desenho do tronquilho e, nesse meio-tempo, as professoras McGonagall e Grubbly-Plank passaram mais deveres que ele no tinha a menor perspectiva de terminar aquela noite, por causa de sua segunda deteno com a Umbridge. E, para coroar, Angelina Johnson foi procur-lo outra vez na hora do jantar e, ao saber que no poderia participar dos testes para a escolha do goleiro na sexta-feira, disse-lhe que no estava nem um pouco impressionada com a atitude dele e que esperava que os jogadores que pretendiam continuar na equipe pusessem os treinamentos acima dos demais compromissos.
 - Estou cumprindo uma deteno! - berrou Harry quando ela ia se afastando. - Voc acha que eu prefiro ficar trancado em uma sala com aquela sapa velha a jogar quidditch?
 - Pelo menos ela s lhe mandou escrever - disse Hermione, consolando-o, quando Harry afundou de novo no banco e olhou para o empado de carne e rins, que j no lhe apetecia tanto. Sinceramente, no  um castigo to horrvel.
Harry abriu a boca, tornou a fech-la e concordou com a cabea. No tinha muita certeza realmente dos motivos para no contar a
Ron e Hermione exatamente o que estava acontecendo na sala de Umbridge s sabia que no queria ver os seus olhares de horror; isto faria a coisa toda parecer pior e, portanto, mais difcil de enfrentar. Sentia tambm, muito vagamente, que isto era entre ele e Umbridge, uma luta particular de vontades, e no ia dar  professora a satisfao de saber que se queixara do castigo.
 - No consigo acreditar na quantidade de deveres de casa 
que temos - comentou Ron infeliz.
 - Bem, por que voc no os fez ontem  noite? - perguntou-lhe Hermione. - Afinal aonde  que voc foi?
 - Fui... me deu vontade de caminhar - disse Ron sonsamente. Harry teve a ntida impresso de que ele no era o nico que
estava omitindo informaes naquele momento.
A segunda deteno foi to ruim quanto a anterior. A pele nas costas da mo de Harry se irritou mais rapidamente, e dali a pouco estava vermelha e inflamada. Ele achou pouco provvel que os cortes continuassem a sarar com tanta eficincia por muito tempo. Logo, o corte ficaria gravado em sua mo e Umbridge, talvez, se desse por satisfeita. Mas Harry no deixou escapar nenhuma exclamao de dor e, do momento em que entrou na sala ao momento em que foi dispensado, novamente aps a meia-noite, ele nada disse alm de "boa-noite" ao entrar e ao sair.
A situao dos seus deveres, no entanto, agora estava desesperadora, e quando ele voltou  sala comunal de Grifindore, embora exausto, no foi para a cama, mas abriu os livros e comeou o trabalho de Snape sobre a pedra da lua. Eram duas e meia quando terminou. Sabia que no fizera um bom trabalho, mas no havia como remediar; a no ser que entregasse alguma coisa, sofreria, a seguir, uma deteno de Snape. Ento respondeu rapidamente s perguntas que a Prof McGonagall passara para os alunos, improvisou alguma coisa sobre a forma correta de tratar os tronquilhos para a Prof Grubbly-Plank e se arrastou para a cama, onde se largou inteiramente vestido por cima das cobertas e adormeceu imediatamente.
A quinta-feira transcorreu em um atordoamento de cansao. Ron parecia muito sonolento tambm, embora Harry no conseguisse imaginar o porqu. A terceira noite de deteno se passou do mesmo jeito que as duas anteriores, exceto que, depois de duas horas, as palavras No devo contar mentiras no desapareceram das costas da mo de Harry, permaneceram ali, escorrendo gotculas de sangue. A pausa no rudo da pena afiada fez a Prof Umbridge erguer a cabea.
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 - Ah - disse ela brandamente, dando a volta  escrivaninha para examinar a mo. - timo. Isto deve lhe servir de lembrete, no? Pode ir por hoje.
 - Ainda tenho de voltar amanh? - perguntou Harry, apanhando a mochila com a mo esquerda em lugar da direita dolorida.
 - Ah, claro - disse a professora, com um sorriso to amplo quanto antes. - Acho que podemos gravar a mensagem um pouco mais fundo, com mais uma noite de trabalho.
Harry jamais considerara antes a possibilidade de que poderia haver um professor no mundo que ele odiasse mais do que Snape, mas quando voltava para a Torre da Grifindore teve de admitir que encontrara uma forte concorrente. Ela  maligna, pervertida, louca, velha...
 - Ron?
Ele alcanara o alto da escada, virar  direita e quase colidira com Ron, que estava escondido atrs de uma esttua de Lachlan, o Desengonado, agarrado  sua vassoura. Ron deu um grande salto, surpreso de ver Harry, e tentou esconder a nova Cleansweep Onze s suas costas.
 - Que  que voc est fazendo? 
 - ...nada. Que  que voc est fazendo? 
Harry amarrou a cara para ele. 
; - Anda, pode me contar! Para que voc est se escondendo aqui?
 - Estou me escondendo de Fred e George, se  que precisa saber. Eles acabaram de passar com um bando de calouros. Aposto que esto testando coisas nos garotos outra vez. Quero dizer, eles no podem mais fazer isso na sala comunal, no , no com a Hermione presente.
Ele falava rpido e de um modo febril.
 - Mas voc est carregando a vassoura, voc no tem voado, tem?
 - perguntou Harry.
 - Eu... bem... bem... t bem, vou lhe contar mas no ria, t? disse defensivamente, e ficando mais vermelho a cada segundo. Eu... eu pensei em fazer um teste para goleiro da Grifindore, agora que tenho uma vassoura decente. Pronto. Agora vai. Pode rir.
 - No estou rindo - disse Harry. Ron piscou os olhos. -  uma idia genial! Seria realmente legal se voc entrasse para a equipe! Nunca vi voc jogar de goleiro, voc  bom?
 - No sou ruim - respondeu Ron, imensamente aliviado com a reao de Harry. - Charly, Fred e George sempre me fizeram atuar de goleiro para eles, quando treinavam durante as frias.
 - Ento voc est praticando hoje  noite?
 - Toda noite, desde tera-feira... mas sozinho. Tenho tentado enfeitiar umas Quaffle para me atacar, mas no tem sido fcil e no sei
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se vai adiantar muito. - Ron parecia agitado e ansioso. - Fred e George vo rir de se acabar quando eu aparecer para os testes. Ainda no pararam de curtir com a minha cara desde que fui nomeado monitor.
 - Eu gostaria de estar l - disse Harry amargurado, quando os dois saram caminhando em direo  sala comunal.
 - E, eu tam... Harry, que  isso nas costas da sua mo?
Harry que acabara de coar o nariz com a mo direita 
livre, tentou escond-la, mas foi to bem-sucedido quanto Ron escondendo a Cleansweep.
 -  s um corte... no  nada... ...
Mas Ron agarrara o brao dele e o erguera  altura dos olhos. Houve uma pausa, durante a qual ele ficou olhando fixamente as palavras gravadas na pele, com ar de nusea, e em seguida soltou o brao de Harry.
 - Pensei que voc tivesse dito que ela estava s mandando voc escrever!
Harry hesitou, mas afinal de contas Ron fora sincero com ele, ento contou-lhe a verdade sobre as horas que estava passando na sala de Umbridge.
 - A megera velha! - exclamou Ron num sussurro de revolta quando pararam diante da Mulher Gorda, que dormitava tranqilamente com a cabea encostada na moldura do quadro. - Ela  doente! Vai procurar a McGonagall, diga alguma coisa!
 - No - disse Harry na mesma hora. - No vou dar a ela a satisfao de saber que me atingiu.
 - Atingiu? Voc no pode deix-la escapar impune!
 - No sei qual  o poder que McGonagall tem sobre ela - disse Harry.
 - Dumbledore, ento, conte ao Dumbledore!
 - No - disse Harry categoricamente.
 - Por que no?
 - Eleja tem muita coisa na cabea - disse Harry, mas este no era o motivo verdadeiro. No ia procurar Dumbledore para pedir ajuda, se desde junho o diretor no falara com ele nem uma vez.
 - Bom, eu acho que voc devia - comeou Ron, mas foi interrompido pela Mulher Gorda, que estivera a observ-los sonolenta, e agora explodia
 - Vocs vo me dar a senha ou terei de ficar acordada a noite inteira esperando que acabem de conversar?
A sexta-feira amanheceu sombria e encharcada como o resto da semana. Embora Harry olhasse automaticamente para a mesa dos
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professores quando entrava no Salo Principal, foi sem muita esperana de ver Hagrid, e ele logo voltou seus pensamentos para problemas mais urgentes, como a momentnea pilha de deveres que precisava dar conta e a perspectiva de mais uma deteno com a Umbridge.
Duas coisas o sustentaram naquele dia. Uma foi o pensamento de que j era quase o fim de semana; a outra era que, por mais horrenda que certamente seria sua ltima deteno com a Umbridge, ele teria uma viso do campo de quidditch da janela da sala e poderia, com sorte, ver alguma coisa do treino de Ron. Eram raios muito plidos de sol, na verdade, mas Harry era grato por qualquer coisa que pudesse atenuar sua presente escurido; nunca tivera uma primeira semana pior em Hogwarts.
s cinco horas daquela tarde ele bateu  porta da sala da Prof Umbridge para o que sinceramente esperava que fosse a ltima vez, e ela o mandou entrar. O pergaminho estava preparado sobre a mesa com a toalha de renda, a caneta preta afiada do lado.
 - O senhor sabe o que fazer, Sr. Potter - disse Umbridge, com um sorriso meigo.
Harry apanhou a pena e espiou pela janela. Se empurrasse a cadeira uns trs centmetros para a direita... sob o pretexto de ficar mais prximo  mesa, ele conseguiria. Tinha agora uma vista distante da equipe de quidditch da Grifindore, voando no campo para cima e para baixo, e havia meia dzia de vultos escuros parados junto s trs altas balizas, aparentemente esperando a vez de serem testados. Era impossvel dizer qual era o Ron a essa distncia.
No devo contar mentiras, escreveu Harry. O corte nas costas de sua mo direita abriu e recomeou a sangrar.
No devo contar mentiras. O corte ficou mais fundo, aferroando, ardendo.
No devo contar mentiras. O sangue escorreu pelo seu pulso.
Ele arriscou mais uma espiada pela janela. Quem defendia o gol agora estava fazendo um trabalho realmente medocre. Kate Bell marcou duas vezes nos poucos segundos que Harry se atreveu a olhar. Desejando muito que o goleiro no fosse Ron, ele voltou sua ateno para o pergaminho pontilhado de sangue.
No devo contar mentiras.
No devo contar mentiras. ' '

Ele erguia a cabea sempre que achava que podia arriscar quando ouvia a pena de Umbridge arranhando ou uma gaveta se abrindo. O terceiro candidato foi muito bem, o quarto, terrvel, o quinto se desviou de um Bludjer excepcionalmente bem, mas se atrapalhou com uma defesa fcil. O cu foi escurecendo e Harry duvidou de que pudesse ver o sexto e o stimo.
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No devo contar mentiras, No devo contar mentiras.
O pergaminho agora brilhava com as gotas de sangue de sua mo, que queimava de dor. Quando ele tornou a erguer a cabea, a noite cara e o campo de quidditch j no era visvel.
 - Vamos ver se 
voc j absorveu a mensagem? - disse a voz branda de Umbridge, meia hora depois.
Encaminhou-se para ele, esticando os dedos curtos e cheios de anis para o seu brao. Ento, quando ela o segurou para examinar as palavras gravadas na pele, a dor o queimou, no nas costas da mo, mas na cicatriz em sua testa. Ao mesmo tempo, Harry teve uma sensao extremamente peculiar na regio do estmago.
Desvencilhou o brao das mos da professora e ficou em p de um salto, encarando-a. Ela o encarou de volta, um sorriso distendendo sua boca rasgada e frouxa.
 - , di, no ? - disse baixinho.
Ele no respondeu. Seu corao batia muito forte e acelerado. Ser que estava se referindo  mo dele ou sabia o que ele acabara de sentir na testa?
 - Bom, acho que cheguei ao ponto que queria, Sr. Potter. O senhor pode ir.
Harry apanhou a mochila e saiu da sala o mais rpido que pde.
Fique calmo, disse a si mesmo, ao subir correndo a escada. Fique calmo, pode ser que no signifique necessariamente o que voc pensa que significa...
 - Mimbulus mimbletonia! - ofegou para a Mulher Gorda, que mais uma vez girou para a frente.
Uma gritaria o acolheu. Ron veio correndo ao seu encontro, o rosto radiante e derramando na frente das vestes a cerveja amanteigada do clice que segurava.
 - Harry, consegui! Entrei, sou o goleiro!
 - Qu? Ah... genial! - exclamou Harry tentando sorrir naturalmente, enquanto seu corao continuava a disparar e sua mo, a latejar e doer.
 - Tome uma cerveja amanteigada. - Ron empurrou uma garrafa para ele. - Nem posso acreditar... aonde foi a Hermione?
 - Ali - disse Fred, que tambm bebia cerveja amanteigada, apontando para uma poltrona junto  lareira. Hermione estava cochilando, a bebida balanando precariamente na mo.
 - Bom, ela disse que estava contente quando contei - comentou Ron, parecendo ligeiramente desapontado.
 - Deixe a Hermione dormir - disse George, depressa. Somente uns
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momentos depois  que Harry reparou que vrios calouros  volta deles traziam sinais inconfundveis de sangramentos nasais recentes.
 - Venha aqui, Ron, veja se uma das vestes antigas de Oliver cabe em voc - chamou-o Kate . - Podemos tirar o nome dele e colocar o seu no lugar...
Quando Ron se afastou, Angelina se aproximou de Harry.
 - Desculpe se fui um pouco grossa com voc hoje mais cedo, Potter - disse de chofre. - Essa coisa de administrar  muito estressante, sabe. Estou comeando a pensar que fui um pouco dura com o Oliver, s vezes. - Ela estava observando Ron por cima da borda do clice, com a testa ligeiramente franzida.
 - Escute, eu sei que ele  o seu melhor amigo, mas no  fabuloso - disse, sem rodeios. - Acho que com um pouco de treinamento ele vai ficar legal. Vem de uma famlia de bons jogadores de quidditch. Estou apostando que tem um pouco mais de talento do que demonstrou hoje, para ser sincera. Vitria Frobisher e Godofredo Hooper voaram melhor hoje  noite, mas Hooper  um choro, est sempre se lamentando sobre uma coisa ou outra e a Vitria faz parte de tudo que  tipo de sociedade. Ela mesma admitiu que, se os treinos coincidirem com o Clube de Feitios, o clube viria em primeiro lugar. Em todo o caso, vamos ter um treino s duas horas, amanh, veja se d um jeito de aparecer desta vez. E me faa um favor, ajude o Ron o mais que puder, OK?
Ele concordou com a cabea, e Angelina voltou para a companhia de Alicia Spinnet. Harry foi se sentar ao lado de Hermione, que acordou com um sobressalto quando ele descansou a mochila.
 - Ah, Harry,  voc... que bom para o Ron, no ? - disse ela com o olhar turvo. - Estou to... to... to cansada - e bocejou. Fiquei acordada at uma hora da manh fazendo mais gorros. Esto desaparecendo que  uma loucura!
E sem a menor dvida, agora que olhava com ateno, Harry viu que havia gorros de l escondidos por toda a sala, onde elfos desatentos poderiam acidentalmente apanh-los.
 - Que legal! - comentou distrado; se no contasse a algum logo, iria explodir. - Escute, Hermione, eu estava na sala da Umbridge e ela segurou o meu brao...
Ela o escutou com ateno. Quando Harry terminou, disse lentamente.
 - Voc est preocupado que Voc-Sabe-Quem esteja controlando a Umbridge como fazia com o Quirrell?
 - Bem - respondeu ele, baixando a voz -  uma possibilidade, no? 
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 - Suponho que sim - disse Hermione, embora no parecesse convencida. - Mas acho que no de estar possuindo a Umbridge do mesmo jeito que possua Quirrell, quero dizer, ele agora est vivo de verdade, no est? Tem corpo prprio, no precisaria partilhar o de algum. Mas suponho que pudesse ter dominado a Umbridge com a Maldio Imperius...
Harry observou Fred, George e Linus fazendo malabarismos 
com garrafas vazias de cerveja amanteigada durante uns instantes. Ento Hermione falou
 - Mas no ano passado a sua cicatriz doeu quando ningum estava tocando voc, e Dumbledore no disse que isso estava ligado ao que Voc-Sabe-Quem estava sentindo naquele momento? Quero dizer, talvez isto no tenha nenhuma ligao com a Umbridge, talvez seja s uma coincidncia que aconteceu na hora em que voc estava com ela.
 - Ela  maligna - disse Harry categoricamente. - Pervertida.
 - Ela  horrorosa, concordo, mas... Harry, acho que voc devia dizer a Dumbledore que sua cicatriz doeu.
Era a segunda vez em dois dias que algum o aconselhava a procurar Dumbledore, e sua resposta a Hermione foi exatamente igual  que dera a Ron.
 - No vou incomod-lo com isso. Como voc acabou de dizer, no  nada muito importante. Tem dodo intermitentemente o vero inteiro... foi um pouco pior hoje  noite, s isso...
 - Harry, eu tenho certeza de que Dumbledore iria querer ser incomodado com isso...
 -  - respondeu antes que pudesse se controlar -  a nica parte minha com que Dumbledore se importa, a minha cicatriz, no  mesmo?
 - No diga isso, no  verdade!
 - Acho que vou escrever a Sirius e ver o que ele acha...
 - Harry, voc no pode mencionar uma coisa dessas numa carta!
 - disse Hermione alarmada. - No lembra que Moody falou para termos cuidado com o que escrevemos? No podemos garantir que as corujas no sejam mais interceptadas!
 - Tudo bem, tudo bem, ento no vou contar a ele, tampouco! disse Harry irritado. E se levantou. - vou me deitar. Por favor, avise ao Ron para mim, sim?
 - Ah, no - disse Hermione, parecendo aliviada - se voc est indo, ento quer dizer que tambm posso ir, sem ser mal-educada. Estou absolutamente exausta e quero fazer mais gorros amanh. Escute, voc pode me ajudar se quiser,  bem divertido, e estou
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pegando prtica, j sei fazer desenhos e pompons e todo o tipo de
enfeites agora.
Harry olhou bem para o rosto da amiga, que irradiava felicidade, e tentou parecer que se sentia vagamente tentado pela oferta.
 - Hum... no, acho que no vou querer, obrigado. Hum... amanh no. Tenho montes de deveres para fazer...
E dirigiu-se lentamente para a escada do dormitrio dos garotos, deixando-a ligeiramente desapontada.
l
 - CAPTULO CATORZE
Percy e Pedfood
Harry foi o primeiro a acordar em seu dormitrio na manh seguinte. Continuou deitado por um momento, observando a poeira rodopiar no raio de sol que entrava pela fresta do cortinado de sua cama, e saboreou o pensamento de que era sbado. A primeira semana do trimestre parecia ter se arrastado uma eternidade, como uma gigantesca aula de Histria da Magia.
A julgar pelo silncio modorrento e o frescor do raio de sol, devia ter acabado de amanhecer. Ele abriu o cortinado, levantou-se e comeou a se vestir. O nico som, alm do pipilar distante dos passarinhos, era a respirao lenta e profunda dos seus colegas da Grifindore. Ele abriu a mochila sem fazer barulho, tirou o pergaminho e a pena, saiu do dormitrio e rumou para a sala comunal.
Indo direto a sua poltrona velha e macia junto  lareira, agora apagada, Harry se acomodou confortavelmente e desenrolou o pergaminho, ao mesmo tempo que corria os olhos pela sala. Os pedaos de pergaminho amarrotados, as bexigas, as jarras vazias e as embalagens de doces, que em geral juncavam a sala ao fim de cada dia, haviam desaparecido, bem como todos os gorros que Hermione tricotara para os elfos. Imaginando vagamente quantos elfos teriam sido liberados, quisessem ou no, Harry destampou o tinteiro, mergulhou a pena e, em seguida, a manteve suspensa alguns centmetros acima da superfcie amarelada e lisa, se concentrando... mas decorrido mais ou menos um minuto, ele se viu contemplando a grade da lareira vazia, sem ter a menor idia do que iria dizer.
Pde, ento, avaliar como teria sido difcil para Ron e Hermione lhe escreverem cartas durante as frias. Como  que iria contar a Sirius tudo que acontecera na ltima semana, e fazer todas aquelas perguntas que estava ansioso para fazer, sem dar aos possveis ladres de cartas muita informao que no gostaria que obtivessem?
Sentou-se imvel por algum tempo, mirando a lareira, ento, finalmente, tomando uma deciso, mergulhou a pena no tinteiro mais uma vez e apoiou-a com firmeza no pergaminho.
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Querido Snuffles,
Espero que esteja bem, a primeira semana aqui foi horrvel, estou realmente feliz que o fim de semana tenha chegado.
Temos uma nova professora de Defesa Contra a Arte das Trevas, a Prof Umbridge. Ela  quase to simptica quanto a sua me. Estou lhe escrevendo porque aquela coisa sobre a qual lhe escrevi no vero passado tomou a acontecer ontem  noite, quando eu estava cumprindo uma deteno com a Umbridge.
Estamos 'todos com saudades do nosso maior amigo, e gostaramos que ele no demorasse a voltar.
Responda logo, por favor. 
Tudo de bom, 
Harry 
Ele releu, ento, a carta vrias vezes, tentando analis-la do ponto de vista de uma pessoa de fora. No conseguiu ver como algum poderia saber do que ele estava falando - ou com quem estava falando
 - s pela leitura de sua carta. Tinha esperana de que Sirius percebesse a insinuao sobre Hagrid, e dissesse quando ele voltaria. Harry no quis perguntar diretamente para no chamar muita ateno para o que Hagrid poderia estar fazendo, enquanto ausente de Hogwarts.
Considerando que era uma carta muito curta, levara muito tempo para ser escrita; trabalhava seu texto, enquanto o sol fora entrando at a metade da sala e ele agora ouvia, ao longe, a movimentao nos dormitrios do andar de cima. Lacrando o pergaminho com cuidado, ele passou pelo buraco do retrato e se dirigiu ao corujal.
 - Eu no tomaria esse caminho se fosse voc - disse Nick Quase Sem Cabea, atravessando de maneira desconcertante uma parede um pouco alm, quando Harry seguia pelo corredor. - Pives est planejando pregar uma pea na prxima pessoa que passar pelo busto de Paracelso, ali adiante.
 - Tem a ver com Paracelso caindo na cabea da pessoa? - perguntou Harry.
 - Por mais engraado que parea, tem sim - respondeu Nick Quase Sem Cabea entediado. - A sutileza nunca foi um ponto forte do Pives. Estou indo procurar o Baro Sangrento... talvez ele possa pr um fim nisso... at mais, Harry...
 - Ah, tchau - disse o garoto e, em lugar de virar  direita, virou  esquerda, tomando um caminho mais longo, porm mais seguro, para o corujal. Seu nimo foi crescendo  medida que passava por janela aps janela em que se via um cu muito azul; tinha treino mais tarde, finalmente ia voltar ao campo de quidditch. 
Alguma coisa se esfregou em seus tornozelos. Ele olhou e viu a gata cinzenta e esqueltica do zelador, Mrs. Norris, se esgueirando pelo corredor. Ela fixou em Harry os olhos amarelos feito lmpadas, por um momento, antes de desaparecer atrs de uma esttua de Vilfredo, o Melanclico.
 - No estou fazendo nada errado - gritou Harry para o bichano. Mrs. Norris tinha o ar inconfundvel de quem vai denunciar 
um aluno para o seu chefe, contudo Harry no conseguia entender o porqu; estava perfeitamente em seu direito de ir ao corujal em um sbado de manh.
O sol j ia alto quando Harry entrou no corujal, e a falta de vidros nas janelas ofuscou sua viso; grossos raios prateados de sol cortavam em todos os sentidos o recinto circular, em que centenas de corujas se aninhavam nas traves, um tanto incomodadas com a luz matinal, algumas visivelmente recm-chegadas da caa. O cho coberto de palha produzia um rudo de triturao quando ele caminhava sobre pequenos ossos de animais,  procura de Edwig.
 - Ah, a est voc - exclamou ao localiz-la perto do teto abobadado. - Desa, tenho uma carta para voc.
Com um pio suave, ela abriu as grandes asas brancas e voou para o ombro dele.
 - Muito bem, eu sei que aqui diz Snuffles por fora - disse ao entregar a carta para a coruja prender no bico e, sem saber exatamente por qu, cochichou - mas  para Sirius, OK?
Edwig piscou os olhos cor de mbar uma vez, e ele tomou o gesto como entendimento.
 - Faa um vo seguro, ento - desejou-lhe Harry, e levou-a at uma das janelas; fazendo uma presso momentnea em seu brao, Edwig levantou vo para o cu excepcionalmente claro. Observou a ave at ela se transformar num pontinho negro e desaparecer, ento voltou seu olhar para a cabana de Hagrid, perfeitamente visvel desta janela, e perfeitamente desabitada, a chamin sem fumaa, as cortinas corridas.
As copas das rvores da Floresta Proibida balanavam  brisa suave, e Harry parou para contempl-las, saboreando o ar fresco que batia em seu rosto, pensando no quidditch mais tarde... ento, ele o viu. Um cavalo alado e reptiliano, igual aos que puxavam as carruagens de Hogwarts, com as asas negras e coriceas abertas como as de um pterodctilo, saiu do meio das rvores como um pssaro enorme e grotesco. Fez um grande crculo no ar e tornou a mergulhar entre as rvores. A coisa toda ocorreu com tal rapidez que Harry mal pde acreditar no que vira, exceto que seu corao estava batendo descontrolado.
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A porta do corujal se abriu s suas costas. Ele pulou assustado e, virando-se depressa, viu Cho Chang segurando uma carta e um embrulho nas mos.
 - Oi - disse Harry automaticamente.
 - Ah... oi - respondeu ela ofegante. - No achei que houvesse algum aqui em cima to cedo... S me lembrei h cinco minutos que  aniversrio da minha me.
Ela mostrou o embrulho.
 - Certo - comentou ele. Seu crebro parecia ter emperrado. Queria dizer alguma coisa engraada e interessante, mas a viso daquele horrvel cavalo alado continuava fresca em sua mente.
 - Dia bonito - disse, fazendo um gesto abrangendo as janelas. Suas entranhas pareciam estar encolhendo de vergonha. O tempo. Ele estava falando do tempo...
 -  - concordou Cho, procurando uma coruja adequada. - Boas condies para o quidditch. No sa a semana toda, e voc?
 - Tambm no - disse Harry.
Cho escolheu uma das corujas-de-igreja. Induziu-a a descer e pousar em seu brao, onde a ave esticou a perna de boa vontade para ela poder prender o embrulho.
 - Ah, Grifindore j tem um novo goleiro?
 - Tem.  o meu amigo Ron Weasley, voc o conhece?
 - Aquele que odeia torcedores dos Tornados? - perguntou Cho, sem se alterar. - Ele  bom?
 - , acho que . Mas no vi o teste dele, estava cumprindo uma deteno.
Cho ergueu a cabea, ainda sem terminar de prender o embrulho  perna da coruja.
 - Aquela tal Umbridge no presta - disse, baixando a voz. - Lhe dar uma deteno s porque voc disse a verdade sobre... sobre a morte dele. Todo o mundo soube, a escola inteira comentou. Voc foi realmente corajoso ao enfrent-la daquele jeito.
As entranhas de Harry tornaram a inchar to rapidamente que ele sentiu que seria at capaz de flutuar acima do cho sujo de titica. Quem se importava com um cavalo alado idiota? Cho achava que ele tinha sido realmente corajoso. Por um instante, refletiu se devia mostrar sem querer, propositalmente, sua mo cortada, enquanto a ajudava a atar o embrulho  coruja... mas na mesma hora que lhe ocorreu esse pensamento excitante, a porta do corujal tornou a se abrir.
Filch, o zelador, entrou chiando no aposento. Havia marcas roxas em suas bochechas fundas e riscadas de pequenas veias, seu queixo tremia e seus cabelos grisalhos estavam despenteados; obviamente
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viera correndo at ali. Mrs. Norris seguia-o, colada aos seus calcanhares, espiando as corujas no alto e miando com fome. Houve um esvoaar inquieto nas traves e uma grande coruja marrom clicou o bico de forma ameaadora.
 - Ah-ah - disse Filch, dando um passo em direo a Harry, sacudindo as bochechas moles de raiva. - Tive uma dica de que voc estava pretendendo despachar um grande pedido de Bombas de Bosta!
Harry cruzou os braos e encarou o zelador.
 - Quem lhe disse que eu estava 
fazendo um pedido de Bombas de Bosta?
Cho olhou de Harry para Filch, tambm franzindo a testa; a coruja-de-igreja em seu brao, cansada de se equilibrar em uma perna s, deu um pio de aviso, mas a garota fingiu no ouvir.
 - Tenho minhas fontes - disse Filch, com um sibilo presunoso.
 - Agora me entregue o que est despachando.
Sentindo-se imensamente grato de que no tivesse demorado a despachar sua carta, Harry disse
 - No posso, j foi.
 - Foi? - exclamou Filch, com o rosto contrado de raiva. . ; '
 - Foi - disse Harry calmamente.
O zelador abriu a boca furioso, contorceu-a por alguns segundos, depois varreu com o olhar as vestes de Harry.
 - Como  que posso saber que voc no est com o pedido no bolso?
 - Porque... 
 - Eu o vi despachar - disse Cho, aborrecida. 
Filch virou-se para ela.
 - Voc o viu...?
 - Isto mesmo, eu o vi - confirmou ela com ferocidade. 
Houve uma pausa momentnea em que Filch encarou Cho com
um olhar penetrante, e Cho o retribuiu com a mesma intensidade, ento o zelador deu as costas e saiu arrastando os ps em direo  porta. Parou com a mo na maaneta, e olhou mais uma vez para Harry.
 - Se eu sentir o menor cheirinho de Bomba de Bosta...
E desceu as escadas pisando forte. Mrs. Norris lanou um olhar desejoso para as corujas e seguiu o dono. Harry e Cho se entreolharam.
 - Obrigado - disse Harry.
 - No foi nada - disse ela, terminando finalmente de prender o embrulho  outra perna da coruja, corando ligeiramente. - Voc no estava fazendo um pedido de Bombas de Bosta, estava?
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 - No.
 - Ento, por que ser que ele achou que voc estava? - perguntou Cho enquanto levava a coruja at a janela.
Harry encolheu os ombros. Sentia-se to perplexo quanto ela, embora, estranhamente, o caso no o preocupasse muito naquele momento.
Os dois deixaram o corujal, juntos.  entrada do corredor que levava para a ala oeste do castelo, Cho disse
 - vou virar aqui. Bom, voltaremos... voltaremos a nos ver, Harry.
 - ... voltaremos.
Cho sorriu para ele e foi embora. Harry continuou seu caminho, sentindo uma grande alegria interior. Conseguira manter uma conversa inteira com ela sem se atrapalhar nem uma vez... voc foi realmente corajoso ao enfrent-la daquele jeito... Cho o chamara de corajoso... no o odiava por estar vivo...
Naturalmente, ela preferira o Cedric, ele sabia disso... embora se ele ao menos tivesse convidado Cho para o Baile antes do Cedric, as coisas poderiam ter sido diferentes... ela parecera lamentar com sinceridade que precisasse recusar o seu convite...
 - Dia - disse Harry, animado, para Ron e Hermione, ao se juntar a eles  mesa da Grifindore no Salo Principal.
 - Por que  que voc est com esse ar to satisfeito? - perguntou Ron surpreso, observando Harry.
 - Hum... quidditch mais tarde - respondeu ele, feliz, puxando para perto uma grande travessa de bacon com ovos.
 - Ah... ... - disse Ron. Ele descansou no prato a torrada que estava comendo e tomou um grande gole de suco de abbora. Depois disse - Escute... voc toparia sair mais cedo comigo? S para... hum... me ajudar a praticar um pouco antes do treino? Assim voc poderia, sabe, me ajudar a focalizar melhor minha viso.
 - T, OK - disse Harry.
 - Olhe, acho que vocs no deviam - disse Hermione sria. - Os dois j esto realmente atrasados com os deveres de casa...
Mas interrompeu o que ia dizer; o correio matinal estava chegando e, como sempre, o Profeta Dirio veio voando em sua direo no bico de uma coruja-das-torres, que pousou perigosamente prxima do aucareiro, e estendeu a perna. Hermione meteu um nuque na bolsinha de couro, apanhou o jornal e esquadrinhou a primeira pgina, criticamente, enquanto a coruja levantava vo.
 - Alguma coisa interessante? - perguntou Ron. 
Harry riu, sabendo que o amigo estava interessado em impedir que Hermione continuasse a falar sobre os deveres. 
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 - No - suspirou ela - s uma bobagem sobre a baixista da banda As Esquisitonas que vai casar.
Hermione abriu o jornal e desapareceu atrs de suas pginas. Harry concentrou-se em se servir de uma nova poro de ovos com bacon. Ron examinava as janelas superiores do salo, parecendo ligeiramente preocupado.
 - Espere um instante - disse Hermione de repente. - Ah, no... Sirius!
 - Que aconteceu? - disse Harry, puxando o jornal com tanta 
violncia que o rasgou ao meio, ficando uma metade na mo da amiga e a outra na dele.
 - "O Ministrio da Magia recebeu uma informao de fonte fidedigna que Sirius Black, notrio assassino de massa... blablabl... est presentemente escondido em Londres!" - leu Hermione em sua metade, com um sussurro angustiado.
 - Lcio Malfoy, aposto que foi - disse Harry em tom baixo e indignado. - Ele reconheceu Sirius na plataforma...
 - Qu? - disse Ron, parecendo alarmado. - Voc no disse...
 - Psiu! - fizeram os outros dois.
 - "... o Ministrio da Magia alerta a comunidade bruxa que Black  muito perigoso... matou treze pessoas... evadiu-se de Azkaban..." as bobagens de sempre - concluiu Hermione, pousando sua metade do jornal e olhando amedrontada para Harry e Ron. - Bom, ele simplesmente no poder sair de casa outra vez,  s - sussurrou. Dumbledore avisou-o para no sair.
Harry baixou os olhos, deprimido, para o pedao do Profeta que rasgara. A maior parte da pgina estava tomada por um anncio da Madame Malkin Roupas para Todas as Ocasies que, pelos dizeres, estava em liquidao.
 - Ei! - exclamou ele, esticando o jornal na mesa para que Hermione e Ron pudessem ver - Olhem s isso!
-J tenho todas as vestes que quero - disse Ron.
 - No - tornou Harry. - Olhe... esse pedacinho de notcia aqui... Ron e Hermione se curvaram para ler; a notcia no chegava a
trs centmetros e estava no fim de uma coluna. Seu ttulo era
INVASO NO MINISTRIO
Sturgius Podmore, 38 anos, residente nos jardins Laburnum 2, Clapham, compareceu perante a Suprema Corte dos Bruxos sob a acusao de invadir o Ministrio da Magia e tentar roubar o bruxo-vigia Erick Munch, que o encontrou tentando forar uma porta de segurana mxima  uma hora da manh. Podmore, que se recusou a se defender, foi consi-
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derado culpado das duas acusaes e sentenciado a seis meses em Azkaban.
 - Sturgius Podmore? - repetiu Ron lentamente. - Ele  aquele cara que parece que tem a cabea coberta de palha, no ?  dos que pertencem  Ord...
 - Ron, psiu! - disse Hermione lanando um olhar aterrorizado em volta.
 - Seis meses em Azkaban! - sussurrou Harry, chocado. - S por tentar passar por uma porta!
 - No seja bobo, no foi s por tentar passar por uma porta. Afinal, que  que ele estava fazendo no Ministrio da Magia  uma da madrugada? - murmurou Hermione.
 - Voc acha que ele estava fazendo alguma coisa para a Ordem?
 - perguntou Ron baixinho.
 - Esperem um instante... - disse Harry lentamente. - Sturgius devia ter ido nos levar ao embarque, lembram?
Os dois olharam para ele.
 - , devia fazer parte da guarda que ia nos levar a King's Cross, lembra? E Moody ficou todo aborrecido porque ele no apareceu; ento ser que no estaria fazendo um servio para eles?
 - Bom, talvez no esperassem que ele fosse pego - ponderou Hermione.
 - Poderia ser um flagrante forjado! - exclamou Ron excitado. No... escutem aqui! - continuou, baixando a voz teatralmente ao ver a expresso ameaadora no rosto de Hermione. - O Ministrio suspeitava que ele fosse um dos seguidores de Dumbledore... no sei... ento o atraram ao Ministrio, e ele no estava tentando forar porta alguma! Talvez tenham inventado alguma coisa para apanh-lo!
Houve uma pausa enquanto Harry e Hermione consideravam a idia. Harry achou que parecia muito forada. Hermione, por sua vez, pareceu bem impressionada.
 - Sabem, eu no ficaria nada surpresa se isso fosse verdade.
Ela dobrou sua metade do jornal pensativa. Quando Harry descansou os talheres, ela pareceu despertar do devaneio.
 - Certo, muito bem, acho que primeiro devemos encarar aquele trabalho para a Sprout sobre os arbustos autofertilizantes e, se tivermos sorte, poderemos comear o Feitio para Conjurar a Vida antes do almoo...
Harry sentiu uma pontadinha de remorso ao pensar na pilha de deveres que o aguardava no andar de cima, mas o cu estava claro,
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estimulantemente azul, e ele no montava sua Firebolt havia uma semana...
 - Quero dizer, podemos fazer isso hoje  noite - disse Ron, quando os dois desceram os gramados em direo ao campo de quidditch, com as vassouras aos ombros e o alerta calamitoso de Hermione de que no iriam passar nos N.O.M.s ainda ressoando em seus ouvidos. - E temos amanh. Ela se preocupa demais com o trabalho, esse  que  o problema dela... - Ron fez uma pausa e acrescentou num tom um pouco mais ansioso - Voc acha que ela estava falando srio quando disse que no nos deixaria copiar as anotaes dela?
 - Acho - respondeu Harry. - Ainda assim, treinar tambm  importante, temos de praticar se quisermos 
continuar na equipe de quidditch...
 -  verdade - disse Ron, num tom mais esperanoso. - E temos tempo suficiente para fazer tudo...
Ao se aproximarem do campo de quidditch, Harry olhou para sua direita, onde as rvores da Floresta Proibida balanavam sombriamente. Nada saa voando dali; o cu estava vazio, exceto por umas poucas corujas distantes esvoaando em torno da torre do corujal. Ele tinha bastante com que se preocupar; o cavalo alado no estava lhe fazendo mal algum; tirou-o da cabea.
Os dois apanharam bolas no armrio do vestirio e foram trabalhar, Ron guardando as trs altas balizas, Harry ocupando a posio de artilheiro e tentando fazer a Quaffle passar por Ron. Harry achou que o amigo era bom; bloqueou trs quartos dos gols que Harry tentou marcar, e foi jogando melhor  medida que continuavam a praticar. Depois de umas duas horas, eles voltaram ao castelo para o almoo - durante o qual Hermione deixou bem claro que achava os dois irresponsveis - em seguida voltaram ao campo de quidditch para o treino marcado. Todos os companheiros de equipe, exceto Angelina, j se encontravam no vestirio quando eles entraram.
 - Tudo bem, Ron? - cumprimentou-o George com uma piscadela.
 - Tudo - respondeu Ron, que fora ficando cada vez mais quieto a caminho do campo.
 - Pronto para nos fazer dar vexame, Ronquinho monitor? disse Fred, ao emergir descabelado da abertura das vestes de quidditch, um sorriso ligeiramente malicioso no rosto.
 - Cala a boca - respondeu Ron, impassvel, pondo as vestes da equipe pela primeira vez. Ficaram boas nele, considerando que tinham pertencido a Oliver Wood, cujos ombros eram mais largos.
 - OK, todos - disse Angelina saindo da sala do capito, j de um-
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forme. - Vamos comear; Alicia e Fred, se puderem, tragam o caixote de bolas. Ah, tem um pessoal l fora que veio assistir, mas quero que vocs finjam que no esto vendo, t?
Alguma coisa em seu tom pretensamente casual levou Harry a pensar que talvez soubesse quem eram os espectadores sem convite, e acertou em cheio quando saram do vestirio para a claridade do campo, ouviram uma tempestade de vaias e assobios da equipe de quidditch da Slytherin e de mais alguns, agrupados no meio das arquibancadas vazias; suas vozes ecoavam ruidosamente pelo estdio.
 - Que  aquilo que o Weasley est montando? - berrou Malfoy, debochando com o seu jeito arrastado de falar. - Por que algum lanaria um feitio de vo num pedao de pau velho e mofado como aquele?
Crabbe, Goyle e Pansy davam escandalosas gargalhadas. Ron montou sua vassoura e deu impulso do cho, e Harry o seguiu, observando as orelhas do amigo ficarem vermelhas.
 - No ligue para eles - disse acelerando para alcanar Ron - veremos quem vai rir depois que jogarmos contra eles...
 -  exatamente a atitude que quero, Harry - aprovou Angelina, voando em torno deles com a Quaffle embaixo do brao, e desacelerando para planar diante de toda a equipe j no ar. - OK, todos, vamos comear com alguns passes s para esquentar, o time todo, por favor...
 - Ei, Johnson, afinal que penteado  esse? - esganiou-se Pansy da arquibancada. - Por que algum iria querer parecer que tem minhocas saindo do crnio?
Angelina afastou suas longas trancas do rosto e continuou calmamente
 - Ento se espalhem e vamos ver o que conseguimos fazer.
Harry deu meia-volta e se afastou dos outros em direo  extremidade do campo. Ron recuou para o gol oposto. Angelina ergueu a Quaffle com uma das mos e atirou-a com fora para Fred, que a passou a George, que a passou a Harry, que a passou a Ron, que a deixou cair.
Os garotos da Slytherin, liderados por Malfoy, urraram de tanto rir. Ron, que mergulhara em direo ao solo para apanhar a Quaffle antes que ela tocasse o cho, saiu mal do mergulho e escorregou pelo lado da vassoura, em seguida voltou  altura normal de jogo, corando. Harry viu Fred e George se entreolharem, mas, o que no era normal, nenhum dos dois disse nada, pelo que ele se sentiu grato.
 - Passe adiante, Ron - gritou Angelina, como se nada tivesse acontecido.
Ron atirou a Quaffle para Alicia, que a passou a Harry, que a passou a George... , .," ... .-.", ,. - ,-.., .
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 - Ei, Potter, como est sua cicatriz? - gritou Malfoy. - Tem certeza de que no precisa se deitar um pouco? J deve fazer, o qu, uma semana que voc esteve na ala hospitalar, isso  um recorde para voc, no , no?
George passou a bola para Angelina; ela inverteu o passe para Harry, pegando-o desprevenido, mas ele apanhou a bola 
nas pontinhas dos dedos e emendou rapidamente o passe para Ron, que mergulhou para apanhar a bola, mas perdeu-a por pouco.
 - Assim no d, Ron - disse Angelina, aborrecida, quando ele tornou a mergulhar em direo ao solo atrs da Quaffle. - Se liga!
Seria difcil dizer o que estava mais escarlate; se a Quaffle ou a cara de Ron, quando ele mais uma vez recuperou a altura normal. Malfoy e o resto dos colegas da Slytherin uivaram de tanto rir.
Na terceira tentativa, Ron apanhou a Quaffle; talvez por alvio, ele a passou com tanto entusiasmo para Kate que a bola vazou pelas mos estendidas da jogadora e bateu com fora em seu rosto.
 - Desculpe! - gemeu Ron, precipitando-se para a frente a ver se a machucara.
 - Volte  sua posio, ela est tima - vociferou Angelina. - Mas, quando estiver passando a bola para uma companheira de equipe, tente no derrub-la da vassoura, t? Deixa isso para os Bludjer!
O nariz de Kate estava sangrando. L embaixo, os garotos da Slytherin batiam os ps e caoavam. Fred e George correram para Kate.
 - Aqui, tome isso - disse Fred entregando  jogadora alguma coisa pequena e roxa que tirara do bolso - vai parar o sangramento rapidinho.
 - Tudo bem - gritou Angelina. - Fred e George, vo buscar seus bastes e um Bludjer. Ron v para as balizas. Harry, solte a Snitch quando eu mandar. Vamos visar o gol do Ron,  bvio.
Harry disparou atrs dos gmeos para apanhar a Snitch.
 - Ron est melando tudo, no t? - murmurou George, quando os trs pousaram junto ao caixote das bolas e o abriram para tirar um dos Bludjer e a Snitch.
 -  s nervoso - disse Harry - ele estava timo quando praticamos hoje de manh.
 - Ah, bem, espero que ele no tenha dado o melhor antes do treino - comentou Fred desalentado.
Eles voltaram ao ar. Quando Angelina apitou, Harry parou a Snitch, e Fred e George deixaram o Bludjer voar. Daquele momento em diante, Harry parou de perceber o que os outros estavam fazendo. Sua tarefa era recapturar a minscula bola dourada de asas que valia cento
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e cinqenta pontos para o time do Sicker, e realizar isso exigia enorme velocidade e destreza. Ele acelerou, descrevendo crculos, indo ao encontro dos Chaser e se desviando deles, o ar clido do outono fustigando seu rosto, os gritos distantes da turma da Slytherin um ronco sem sentido em seus ouvidos... mas, cedo demais, o toque do apito o fez parar.
 - Pra... pra... PRA! - berrou Angelina. - Ron... voc no est cobrindo a baliza do meio!
Harry se virou para olhar Ron, que estava planando diante do aro da esquerda, deixando os outros dois completamente descobertos.
 - Ah... desculpe...
 - Voc no pode ficar parado, observando os Chaser! - disse Angelina. - Ou fica na posio central at que precise se mexer para defender um aro, ou ento fica circulando os aros, no sai vagando para o lado, foi assim que voc deixou passar os ltimos trs gols!
 - Desculpe... - repetiu Ron, seu rosto vermelho brilhando como um farol contra o azul-claro do cu.
 - E Kate, ser que voc no pode dar um jeito no sangramento desse nariz?
 - Est piorando! - disse a garota com a voz embargada, tentando estancar o sangue com a manga do uniforme.
Harry olhou para Fred, que parecia ansioso, verificando os bolsos. Viu-o tirar uma coisa roxa, examin-la por um segundo e ento procurar Kate com o olhar, evidentemente horrorizado.
 - Bom, vamos experimentar outra vez. - Angelina fingia no ouvir o pessoal da Slytherin, que agora inventara uma cantilena de "Grifindore  fregus", "Grifindore  fregus", mas apesar disso havia uma certa rigidez na maneira com que montava sua vassoura.
Desta vez, a equipe no chegara a completar trs minutos de vo quando o apito de Angelina tornou a soar. Harry, que acabara de avistar a Snitch orbitando a baliza oposta, parou sentindo-se visivelmente aborrecido.
 - Que foi agora? - perguntou, impaciente,  Alicia, que estava mais prxima.
 - Kate.
Harry virou-se e viu Angelina, Fred e George voando a toda velocidade em direo a Kate. Harry e Alicia acorreram tambm. Era claro que Angelina parar o treino bem em tempo; Kate estava branco-gesso e coberta de sangue. 
 - Ela precisa ir para a ala hospitalar - disse Angelina.
 - Ns a levaremos - disse Fred. - Ela... hum... talvez tenha engolido uma Vagem Bolha-de-Sangue por engano... , i v
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 - Bem, no adianta continuar sem dois Beater e uma artilheira - anunciou Angelina, mal-humorada, quando Fred e George dispararam para o castelo, amparando Kate. - Anda gente, vamos trocar de roupa.
A turma da Slytherin continuou a cantilena enquanto eles se dirigiam ao vestirio.
 - Como foi o treino? - perguntou Hermione, com indiferena, meia hora mais tarde quando Harry e Ron passaram pelo buraco do retrato e entraram na sala comunal da Grifindore.
 - Foi... - comeou Harry.
 - Uma meleca - disse Ron 
com a voz cava, afundando numa poltrona ao lado de Hermione. Ela ergueu os olhos para Ron, e o gelo que estivera lhe dando pareceu derreter.
 - Bom, foi s o seu primeiro treino - disse em tom de consolo - leva tempo para...
 - Quem disse que fui eu que melei tudo? - retorquiu Ron. .
 - Ningum - respondeu ela, espantada. - Pensei...
 - Voc pensou que eu s podia estragar tudo?
 - No,  claro que no! Olhe, voc disse que foi uma meleca, ento eu s...
 - vou comear a fazer os deveres - anunciou Ron, enfurecido, e saiu pisando forte em direo  escada para o dormitrio dos garotos, e desapareceu. Hermione se virou para Harry.
 - Ele foi uma meleca? ,
 - No - disse Harry lealmente. Hermione ergueu as sobrancelhas.
 - Bem, suponho que podia ter jogado melhor - murmurou Harry - mas foi s o primeiro treino, como voc mesmo disse...
Aparentemente, nem Harry nem Ron conseguiram adiantar muito os seus deveres naquela noite. Harry sabia que o amigo estava preocupado demais com seu pssimo desempenho no treino de quidditch, e ele prprio estava achando difcil tirar da cabea aquela cantilena de "Grifindore  fregus".
Os garotos passaram o domingo inteiro enterrados nos livros na sala comunal, que se enchia e se esvaziava ao seu redor. Fazia mais um belo dia de sol, e a maioria dos colegas da casa passou o tempo nos terrenos da escola, aproveitando o que bem poderia ser a ltima apario do sol daquele ano. Quando anoiteceu, Harry teve a impresso de que algum andara malhando o seu crebro contra sua caixa craniana.
 - Sabe, provavelmente devamos tentar adiantar os deveres durante a semana - murmurou Harry para Ron, quando finalmente puseram de lado o longo trabalho pedido pela Prof McGonagall sobre o
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Feitio para Conjurar a Vida, e se voltaram infelizes para o trabalho igualmente longo e difcil da Prof Sinistra, sobre as vrias luas de Jpiter.
 -  - respondeu Ron, esfregando os olhos ligeiramente congestionados, e atirando a quinta folha de pergaminho que estragava na lareira ao lado. - Escuta... vamos perguntar a Hermione se podemos dar uma olhada no que ela fez?
Harry olhou para a amiga, que estava sentada com Crookshanks ao colo; conversava alegremente com Giny, segurando  sua frente um par de agulhas de tric que lampejava no ar, e agora tecia um par de meias informes para elfos.
 - No - respondeu deprimido - voc sabe que ela no vai deixar. Ento continuaram a estudar enquanto o cu l fora se tornava
gradualmente mais escuro. Aos poucos, o nmero de colegas na sala comunal recomeou a diminuir. s onze e trinta, Hermione se aproximou deles, bocejando.
 - Quase no fim?
 - No - disse Ron secamente.
 - A lua maior de Jpiter  Ganimedes e no Calisto - disse ela, apontando para uma linha no trabalho de Astronomia de Ron, por cima do seu ombro - e  Io que tem os vulces.
 - Obrigado - agradeceu ele asperamente, riscando as frases erradas.
 - Desculpe, eu s... ,.,
 - Eu sei, timo, voc s veio at aqui para criticar... -Ron...
 - No tenho tempo para ouvir sermo, t, Hermione. Estou at o pescoo...
 - No... olhe!
Hermione estava apontando para a janela mais prxima. Harry e Ron olharam. Uma bela coruja-das-torres estava pousada no parapeito da janela, olhando para Ron dentro da sala.
 - Aquela no  Hermes? - perguntou Hermione, parecendo espantada.
 - Caracas,  mesmo! - respondeu Ron baixinho, largando a pena e se levantando. - Para que ser que o Percy est me escrevendo?
Ele foi at a janela e a abriu; Hermes entrou, pousou sobre o trabalho de Ron e estendeu a perna em que estava presa a carta. O garoto desamarrou-a, e a coruja partiu imediatamente, deixando pegadas de tinta no desenho que Ron fizera da Lua.
 - Decididamente  a letra de Percy - disse Ron, afundando de volta na poltrona e fixando as palavras no exterior do perganinho
JL
Ronald Weasley, Grifindore, Hogwarts. Ele olhou para os outros dois Que  que vocs acham?
 - Abre! - pediu Hermione, ansiosa, e Harry concordou com a cabea.
Ron desenrolou o perganinho e comeou a ler.  medida que seu olhar descia pelo pergaminho, mais carrancudo ele ia ficando. Quando terminou de ler, parecia absolutamente enojado. Atirou a carta para Harry e Hermione, que juntaram as cabeas e leram
Caro Ron
Acabei de saber (por ningum menos que o ministro da Magia em pessoa, que soube por sua nova professora, Prof Umbridge) que voc foi nomeado monitor em Hogwarts.
Fiquei agradavelmente surpreso quando ouvi a notcia, e primeiramente preciso 
lhe dar os meus parabns. Devo admitir que sempre receei que voc tomasse o que poderamos chamar de "caminho do Fred e do George", em lugar de seguir os meus passos, por isso pode imaginar o que senti quando soube que voc parou de zombar da autoridade e decidiu assumir uma responsabilidade de peso.
Mas quero lhe dar mais do que os parabns, Ron, quero lhe dar um conselho, razo pela qual estou preferindo mandar esta carta  noite em vez de mand-la pelo correio matinal. Esperemos que voc possa l-la longe de olhares curiosos e evitar perguntas embaraosas.
Por uma coisa que o ministro deixou escapar quando me contou que voc agora  monitor, deduzo que voc ainda esteja vendo o Harry Potter com muita freqncia. Preciso lhe dizer, Ron, que nada pode torn-lo mais vulnervel de perder seu distintivo do que continuar se confraternizando com esse garoto. Tenho certeza de que voc est surpreso com isso
 - sem dvida voc dir que Potter sempre foi o favorito de Dumbledore - mas me sinto na obrigao de lhe informar que Dumbledore talvez no continue por muito tempo  frente de Hogwarts, e as pessoas realmente influentes tm uma opinio diferente - e provavelmente mais exata - do comportamento de Potter. No direi muito mais do que isso, mas se voc ler o Profeta Dirio amanh ter uma boa idia para que lado esto soprando os ventos - e veja se consegue reconhecer o seu caro irmo!
Seriamente, Ron, voc no quer ser igualado a Potter, poderia ser muito prejudicial para os seus projetos futuros, e estou me referindo aqui  sua vida depois de terminar a escola tambm. Como voc deve saber, uma vez que o nosso pai acompanhou Potter ao tribunal, ele compareceu a uma audincia disciplinar este vero, perante toda a Corte Suprema, e no saiu com uma boa imagem. Foi inocentado por uma mera tecnicali-
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dade, se quer saber, e muitas pessoas com quem falei continuam convencidas de que ele  culpado.
Talvez voc tenha receio de cortar seus vnculos com Potter - sei que ele pode ser desequilibrado e violento - mas se isso o preocupar de alguma forma, ou se observou mais alguma coisa no comportamento de Potter ..-. que o possa estar incomodando, peo que v procurar Dolores Umbridge, uma mulher realmente encantadora que estou certo que ter muito prazer em aconselh-lo.
Isto me leva a lhe dar mais conselhos. Como j insinuei acima, o regime de Dumbledore em Hogwarts talvez esteja no fim. Sua lealdade, Ron, no deve ser a ele, mas  escola e ao ministro. Lamento muito saber que, at o momento, a Prof Umbridge est encontrando muito pouca cooperao dos professores em seu esforo para realizar as mudanas necessrias , em Hogwarts que o ministro to ardentemente deseja (embora sua tarefa deva ficar mais fcil a partir da prxima semana - leia o Profeta Dirio amanh!). S lhe adiantarei uma coisa - um estudante que se mostrar disposto a ajudar a Prof Umbridge agora talvez fique bem colocado para se candidatar  funo de monitor-chefe dentro de mais uns dois anos!
Sinto muito no ter podido v-lo com mais freqncia durante o vero. Di-me criticar os nossos pais, mas receio que no possa continuar a viver sob o teto deles enquanto insistirem em se misturar com o grupo perigoso que cerca Dumbledore. (Se voc estiver escrevendo  mame uma hora dessas, talvez possa lhe dizer que um tal Sturgius Podmore, que  um grande amigo de Dumbledore, recentemente foi mandado para Azkaban por invadir o Ministrio. Talvez isto abra os olhos deles para o tipo de ral com que presentemente esto convivendo.) Considero-me uma pessoa de muita sorte por ter escapado do estigma de me associar com gente dessa laia. - o ministro no poderia ter sido mais generoso comigo - e realmente espero, Ron, que voc tambm no permita que os laos de famlia o ceguem para a natureza equivocada das crenas e atos dos nossos pais. Com sinceridade, espero que, em tempo, eles percebam como estavam enganados, e naturalmente estarei pronto a aceitar desculpas formais quando esse dia chegar.
Por favor, reflita com muita ateno sobre o que eu disse, particularmente quanto ao Harry Potter, e parabns mais uma vez por ser agora monitor. 
Seu irmo, 
Percy.
Harry ergueu os olhos para Ron.
 - Ento - disse, tentando dar a impresso de que achava a coisa toda uma piada. - Se voc quiser... hum... como  mesmo? - Ele
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consultou a carta de Percy. - Ah, sim... cortar os vnculos comigo, juro que no serei violento.
 - Me d isso aqui - disse Ron, estendendo a mo. - Ele  - disse Ron 
gaguejando e rasgando a carta de Percy ao meio - a maior - e rasgou-a em quartos - anta - e mais uma vez em oitavos - do mundo.
 - E atirou os pedaos no fogo.
 - Vamos, precisamos terminar esse dever antes do dia amanhecer
 - disse a Harry com renovada energia, tornando a puxar o trabalho da Prof Sinistra para perto.
Hermione olhava Ron com uma estranha expresso no rosto.
 - Ah, me d isso aqui - disse de repente.
 - Qu? - perguntou Ron.
 - Me d esses deveres, vou dar uma lida e corrigi-los.
 - Voc est falando srio? Ah, Hermione, voc  uma salvao disse Ron - que  que eu...
 - O que vocs podem dizer  o seguinte Prometemos que nunca mais deixaremos os deveres para a ltima hora - disse ela, estendendo as duas mos para receber os trabalhos dos garotos, mas, ainda assim, tinha o ar de quem estava achando uma certa graa.
 - Mil vezes obrigado, Hermione - disse Harry com a voz fraca, entregando o seu texto e tornando a afundar na poltrona, esfregando os olhos.
Passava agora da meia-noite e a sala comunal estava deserta, exceto pelos trs garotos e Crookshanks. O nico som era o da pena de Hermione riscando frases aqui e ali nos trabalhos, e o farfalhar das pginas dos livros de referncia espalhados pela mesa em que ela conferia os vrios dados. Harry estava exausto. Sentia-se tambm estranho, doente, com um vazio no estmago que no tinha ligao alguma com o cansao, mas tudo a ver com a carta que agora enegrecia e se encrespava em meio s chamas.
Ele sabia que metade das pessoas em Hogwarts o considerava estranho, e at doido; sabia que o Profeta Dirio andara fazendo insinuaes falsas a seu respeito durante meses, mas havia alguma coisa diferente em v-las escritas daquele jeito, na letra de Percy, em saber que estava aconselhando Ron a terminar a amizade com ele e at a contar histrias sobre ele a Umbridge, o que tornava sua situao mais real aos seus olhos como nada antes o fizera. Conhecia Percy havia quatro anos, se hospedara em sua casa durante as frias de vero, dividira uma barraca com ele durante a Copa Mundial de Quidditch, chegara a receber dele o nmero de pontos totais pela segunda tarefa no Torneio Tribruxo no ano anterior, no entanto, agora, Percy o achava desequilibrado e possivelmente violento. 
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E, sentindo uma onda de simpatia pelo padrinho, Harry pensou que Sirius provavelmente era a nica pessoa que ele conhecia que, de fato, seria capaz de compreender o que estava sentindo naquele momento, porque se encontrava na mesma situao. Quase todas as pessoas no mundo bruxo achavam que ele era um perigoso homicida e um grande seguidor de Voldemort, e ele precisara conviver com isso durante catorze anos...
Harry piscou os olhos. Acabara de ver uma coisa no fogo que no poderia estar ali. Tornara-se visvel em um lampejo e desaparecera imediatamente. No... no poderia estar ali... ele imaginara porque estivera pensando em Sirius...
 - OK, escreva a - disse Hermione a Ron, empurrando-lhe o trabalho e uma folha escrita com sua letra - e depois acrescente a concluso que fiz.
 - Hermione, sinceramente, voc  a pessoa mais maravilhosa que eu j conheci - disse Ron com a voz fraca - e se eu tornar a ser grosseiro com voc...
 - Saberei que voc voltou ao normal - completou ela. - Harry, o seu est bom, exceto o pedacinho final. Acho que voc deve ter entendido mal a Prof Sinistra. A lua Europa  coberta de gelo, no de grelos... Harry?
Harry escorregara da poltrona sobre os joelhos e agora estava agachado no tapete pudo e chamuscado, espiando as chamas.
 - Hum... Harry? - chamou Ron inseguro. - Por que  que voc est a embaixo?
 - Porque acabei de ver a cabea de Sirius no fogo - disse Harry. Falou isso calmamente; afinal, vira a cabea de Sirius nesse
mesmo fogo no ano anterior, e falara com ele; contudo no tinha muita certeza se realmente a vira desta vez... e desaparecera to depressa...
 - A cabea de Sirius? - repetiu Hermione. - Voc quer dizer como na vez em que ele quis falar com voc durante o Torneio Tribruxo? Mas ele no faria isso agora, seria... Sirius!
Ela exclamou, os olhos fixos na lareira; Ron deixou cair a pena. Ali, no meio das lnguas de fogo, estava parada a cabea de Sirius, os cabelos longos e escuros emoldurando o seu rosto sorridente.
 - Eu estava comeando a pensar que voc iria se deitar antes de todos os outros terem desaparecido - disse ele. - Tenho verificado de hora em hora.
 - Voc tem aparecido no fogo de hora em hora? - perguntou Harry com um ar de riso no rosto.
 - S por uns segundos para ver se a barra estava limpa... , - .-.,.
l
 - Mas e se algum o tivesse visto? - perguntou Hermione, ansiosa.
 - Bom, acho que uma garota... caloura pelo jeito... talvez tenha me visto de relance mais cedo, mas no se preocupe - apressou-se Sirius a dizer, quando Hermione levou a mo  boca - desapareci no instante em que ela me encarou, e aposto que deve ter pensado que eu era uma tora de madeira de forma esquisita ou outra coisa qualquer.
 - Mas, Sirius, isto  um risco enorme 
 - comeou Hermione.
 - Voc est parecendo a Molly. Esta foi a nica maneira que pude imaginar de responder  carta de Harry sem recorrer a um cdigo os cdigos so decifrveis.
 meno da carta de Harry, Hermione e Ron se viraram para encarar o amigo.
 - Voc no contou que tinha escrito a Sirius! - disse Hermione
em tom de acusao.
 - Me esqueci. - O que era absolutamente verdade; seu encontro com Cho no corujal varrera todo o resto de sua cabea. - No me olhe assim, Hermione, no havia nenhuma maneira de algum ter extrado informaes secretas da carta, havia, Sirius?
 - No, estava muito boa - disse ele sorrindo. - Em todo o caso,  melhor nos apressarmos, caso algum venha nos perturbar... a sua cicatriz.
 - O qu...? - perguntou Ron, mas Hermione o interrompeu.
 - Ns lhe falaremos depois. Continue, Sirius.
 - Bom, eu sei que no tem a menor graa quando di, mas achamos que no h realmente nada com que se preocupar. Ela doeu o tempo todo no ano passado, no foi?
 - Foi, e Dumbledore disse que isso acontecia toda vez que Voldemort estava sentindo uma emoo muito intensa - confirmou Harry, ignorando, como sempre, as caretas de Ron e Hermione. Ento, talvez ele estivesse apenas, sei l, realmente furioso ou outra coisa qualquer na noite em que cumpri aquela deteno.
 - Bem, agora que ele voltou dever doer com mais freqncia disse Sirius.
 - Ento voc acha que no teve nenhuma ligao com o fato da Umbridge me tocar quando eu estava cumprindo a. deteno? - perguntou Harry.
 - Duvido. Conheo a reputao dela, e tenho certeza de que no  uma Comensal da Morte...
 - Ela  maligna bastante para ser - disse Harry em tom sombrio, e Ron e Hermione concordaram vigorosamente com a cabea.
 - , mas o mundo no est dividido entre os bons e os Comensais
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da Morte - disse Sirius com um sorriso enviesado. - Mas sei que ela no  flor que se cheire... voc devia ouvir o que o Remus diz dela.
 - Lupin a conhece? - perguntou Harry, lembrando-se dos comentrios da Umbridge sobre mestios perigosos na primeira aula.
 - No, mas ela apresentou um projeto de lei contra lobisomens h dois anos, que torna quase impossvel para ele arranjar um emprego.
Harry se lembrou da aparncia mais andrajosa de Lupin ultimamente, e a sua raiva da Umbridge aumentou ainda mais.
 - Que  que ela tem contra lobisomens? - perguntou Hermione, indignada.
 - Tem medo, imagino - disse Sirius, sorrindo da indignao da garota. - Aparentemente, ela tem averso a semi-humanos; no ano passado tambm fez campanha para que os sereianos fossem arrebanhados e etiquetados. Imagine desperdiar tempo e energia perseguindo sereianos quando h biltres como o Kreacher  solta por a.
Ron riu, mas Hermione pareceu aborrecida.
 - Sirius! - disse em tom de censura. - Francamente, se voc fizesse um mnimo esforo com o Kreacher, tenho certeza de que ele corresponderia. Afinal de contas, voc  o nico membro da famlia dele que restou, e o Prof. Dumbledore disse...
 - Ento, como so as aulas da Umbridge? - interrompeu-a Sirius.
 - Est treinando vocs para matar mestios?
 - No - respondeu Harry, ignorando a cara de ofendida de Hermione por ter sido interrompida em sua defesa do Kreacher. - Ela no est deixando a gente usar magia.
 - S o que fazemos  ler livros-texto idiotas - disse Ron.
 - Ah, bom, era de esperar. A informao que temos de dentro do Ministrio  que Fudge no quer que vocs recebam treinamento de combate.
 - Treinamento de combate! - repetiu Harry incrdulo. - Que  que ele acha que estamos fazendo aqui, formando um exrcito bruxo?
 -  exatamente o que ele acha que vocs esto fazendo - disse Sirius - ou melhor,  exatamente o que ele receia que Dumbledore esteja fazendo - formando seu exrcito particular, com o qual poder tomar de assalto o Ministrio da Magia.
Ao ouvir isso, os garotos fizeram uma pausa, depois Ron disse
 - Essa  a coisa mais idiota que eu j ouvi, mesmo levando em conta todas as que Luna Lovegood inventa.
 - Ento estamos sendo impedidos de aprender Defesa Contra as Artes das Trevas porque Fudge tem medo que a gente use os feitios contra o Ministrio? - perguntou Hermione, furiosa.
 - E - confirmou Sirius. - Fudge acha que Dumbledore no se
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deter diante de nada para tomar o poder. Est ficando cada dia mais paranico com relao a Dumbledore.  uma questo de tempo ele mandar prend-lo sob alguma acusao fajuta. Isto lembrou a Harry a carta de Percy.
 - Voc sabe se vai sair alguma coisa sobre o Dumbledore no Profeta Dirio amanh? Percy, o irmo de Ron, acha que sair...
 - No sei. No vi ningum da Ordem 
o fim de semana inteiro, esto todos ocupados. Ficamos somente o Kreacher e eu...
Havia uma ntida nota de amargura na voz de Sirius.
 - Ento voc tambm no teve nenhuma notcia de Hagrid?
 - Ah... - disse Sirius - bom, eleja devia estar de volta, ningum tem muita certeza do que aconteceu. - Ento, notando a expresso chocada dos garotos, acrescentou depressa - Mas Dumbledore no est preocupado, ento vocs no precisam ficar nervosos. Tenho certeza de que Hagrid est timo.
 - Mas se ele j devia estar de volta - comentou Hermione com uma vozinha ansiosa.
 - Ele e Madame Maxime estavam juntos, estivemos em contato com ela e soubemos que os dois tiveram de se separar na volta... mas no h nada que sugira que ele esteja machucado ou... bem, nada que sugira que ele no esteja perfeitamente bem.
Pouco convencidos, Harry, Ron e Hermione se entreolharam preocupados.
 - Escute, no saia por a fazendo perguntas sobre a ausncia de Hagrid - acrescentou Sirius. - Assim, ir atrair mais ateno para o fato de ele no ter voltado, e sei que Dumbledore no quer isso. Hagrid  duro, vai se sair bem. - E quando viu que os garotos no pareceram se animar, Sirius perguntou - E, afinal, quando  o prximo fim de semana de vocs em Hogsmeade? Estive pensando, nos samos muito bem com o disfarce de cachorro na estao, no foi? Achei que podia...
 - NO! - exclamaram Harry e Hermione juntos, muito alto.
 - Sirius, voc no leu o Profeta Dirio? - perguntou Hermione, nervosa.
 - Ah, aquilo - comentou Sirius rindo - sempre esto adivinhando onde estou, mas no tm realmente a menor idia...
 - , mas acho que desta vez eles tm - disse Harry. - O Malfoy disse uma coisa no trem que nos fez pensar que ele sabia que era voc, e o pai dele estava na plataforma, Sirius... voc sabe, o Lcio Malfoy... ento no aparea por aqui em hiptese alguma. Se Malfoy o reconhecer de novo...
 - Est bem, est bem, entendi o recado. - Ele pareceu desgosto-
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so. - Foi s uma idia, pensei que voc talvez gostasse de se encontrar comigo.
 - Gostaria, s no quero ver voc atirado de volta em Azkaban! Houve uma pausa em que Sirius olhou para Harry, uma ruga
entre seus olhos fundos.
 - Voc parece menos com o seu pai do que eu pensei - disse finalmente, com uma inconfundvel frieza na voz. - O risco teria sido a arte mais divertida para o James.
 - Olhe...
 - Bom,  melhor eu ir andando. Estou ouvindo Kreacher descer as escadas - disse Sirius, mas Harry teve certeza de que ele estava mentindo. - vou lhe escrever dizendo quando poderei voltar ao fogo, ento, est bem? Se voc puder arriscar.
Ouviu-se um estalido mnimo e o ponto em que estivera a cabea de Sirius foi retomado pelas chamas saltitantes.
 - CAPTULO QUINZE
A Alta Inquisidora de Hogwarts
Os garotos pensaram que na manh seguinte teriam de esquadrinhar meticulosamente o Profeta Dirio da Hermione para encontrar o artigo que Percy mencionara em sua carta. No entanto, a coruja-entregadora mal levantara vo da jarra de leite em que pousara quando Hermione j deixava escapar uma enorme exclamao e abria o jornal todo para mostrar uma grande foto de Dolores Umbridge com um enorme sorriso, piscando lentamente para eles sob a manchete.
MINISTRIO QUER REFORMA NA EDUCAO
DOLORES UMBRIDGE NOMEADA PRIMEIRA ALTA INQUISIDORA DA HISTRIA
 - Umbridge... Alta Inquisidora? - foi a exclamao sombria de Harry, deixando escorregar da ponta dos dedos a torrada meio comida. - Que  que eles querem dizer com isso?
Hermione leu em voz alta 
 - Ontem  noite, o Ministrio da Magia surpreendeu a todos aprovando uma lei que concede ao prprio rgo um nvel de controle sem precedentes sobre a Escola de Magia e Bruxaria de Hogwarts.
J h algum tempo, o ministro tem se mostrado apreensivo com o que acontece em Hogwarts", comentou seu assistente-jnior, Percy Weasley. "O decreto  uma resposta s preocupaes expressadas por pais ansiosos que sentem que a escola est trilhando um caminho que desaprovam.
No  a primeira vez nas, ltimas semanas que o ministro Cornelius Fudge tem usado novas leis para realizar aperfeioamentos na escola de magia. Em 30 de agosto recente, foi aprovado o Decreto de Educao n
22, para assegurar que, na eventualidade do atual diretor no conseguir apresentar um candidato a uma vaga de professor, o Ministrio selecione uma pessoa habilitada.
Foi assim que Dolores Umbridge acabou sendo indicada para o
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corpo docente de Hogwarts", disse Weasley ontem  noite. "Dumbledore no conseguiu encontrar ningum, ento o Ministrio nomeou Umbridge e, naturalmente, ela alcanou imediato sucesso...
 - Ela o QUE? - exclamou Harry em voz alta.
 - Espere, ainda tem mais - disse Hermione sria
 - "... imediato sucesso, revolucionando inteiramente o ensino da Defesa Contra as Artes das Trevas e informando em primeira mo ao ministro o que est realmente ocorrendo em Hogwarts.
 esta funo que o Ministrio est formalizando agora ao aprovar o . Decreto de Educao n". 23, que cria o cargo de Alta Inquisidora de Hogwarts.
Inicia-se assim uma nova fase no plano ministerial para enfrentar o que alguns tm chamado de queda nos padres de Hogwarts", diz Weasley. "A Inquisidora ter poderes para inspecionar seus colegas educadores e se assegurar de que estejam satisfazendo os padres desejados. O cargo foi oferecido  Prof Umbridge, que aceitou a nova incumbncia e a ir acumular com o cargo docente que ora exerce.
As novas medidas do Ministrio receberam o apoio entusistico dos pais dos alunos de Hogwarts.
Eu me sinto muito mais tranqilo agora que sei que Dumbledore est sujeito a avaliaes justas e objetivas", declarou o Sr. Lcio Malfoy,
4,  noite passada de sua manso de Wiltshire. "Muitos de ns, que no fundo queremos que nossos filhos sejam felizes e bem-sucedidos, estvamos preocupados com algumas decises excntricas que Dumbledore andou tomando nos ltimos anos, e ficamos contentes de saber que o Ministrio est atento  situao.
Sem dvida, entre as decises excntricas mencionadas encontram-se as nomeaes controversas apontadas pelo nosso jornal, entre as quais se incluem a contratao do lobisomem Remus Lupin, do meiogigante Rbeo Hagrid e do ex-auror delirante Olho-Tonto Moody.
Naturalmente, correm muitos boatos de que Alvo Dumbledore, que no passado foi o Chefe Supremo da Confederao Internacional de Bruxos e Bruxo-presidente da Suprema Corte, no est mais  altura de administrar a prestigiosa Escola de Hogwarts.
Acho que a nomeao da Inquisidora  o primeiro passo para assegurar que Hogwarts tenha um diretor em quem possamos depositar nossa confiana", declarou uma fonte do Ministrio  noite passada.
Os juizes da Suprema Corte, Griselda Marchbanks e Tibrio Ogden, renunciaram aos seus mandatos, em protesto  criao do cargo de Inquisidora de Hogwarts.
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Hogwarts  uma escola e no um posto avanado do gabinete de Cornelius Fudge", declarou Madame Marchbanks. "Trata-se de mais uma tentativa repugnante de desacreditar Alvo Dumbledore.
(Leiam a histria completa das supostas ligaes de Madame Marchbanks com grupos de duendes subversivos na p. 17.)
Hermione terminou de ler e olhou para os dois garotos sentados  sua frente.
 - Ento agora sabemos como foi que acabamos alunos da Umbridge! 
Fudge aprovou o "Decreto de Educao" e forou a sua contratao! Agora lhe concedeu o poder de inspecionar os outros professores! - Hermione ofegava e tinha os olhos muito brilhantes. No consigo acreditar.  um absurdo\
 - Sei que  - disse Harry. E olhou para sua mo direita, agarrada ao tampo da mesa, e viu o leve contorno branco das palavras que Umbridge o forara a gravar na pele.
Mas no rosto de Ron comeou a se abrir um sorriso.
 - Que foi? - perguntaram Harry e Hermione juntos, olhando para ele.
 - Ah, mal posso esperar para ver a McGonagall ser inspecionada disse feliz. - A Umbridge no vai saber nem o que foi que a acertou.
 - Ah, vamos - disse Hermione, levantando-se de um salto -  melhor irmos andando, se ela estiver inspecionando a classe de Binns no vamos querer chegar atrasados...
Mas a Prof Umbridge no estava inspecionando a aula de Histria da Magia, que foi to desinteressante quanto a da segundafeira anterior, tampouco estava na masmorra de Snape, quando eles chegaram para os dois tempos de Poes, em que o trabalho de Harry sobre a pedra da lua foi-lhe devolvido com um enorme e garranchoso "D" no canto superior.
 - Dei a vocs as notas que teriam recebido se tivessem apresentado esses trabalhos no seu N.O.M. - disse Snape com um sorriso afetado, ao passar pelos alunos devolvendo os deveres. - Isto dever lhes dar uma idia realista do que esperar no exame.
Snape foi at a frente da classe e se voltou para a turma.
 - O nvel geral dos deveres foi abissal. A maioria de vocs no teria passado se fosse um exame real. Espero observar um esforo bem maior no trabalho desta semana sobre as variedades de antdotos para venenos ou terei de comear a distribuir detenes para os tapados que receberem "D".
O professor riu com afetao quando Malfoy deu uma risadinha e disse num sussurro ressonante 
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 - Teve gente que recebeu um "D"? Ha!
Harry percebeu que Hermione estava olhando de esguelha para ver que nota o garoto recebera; mas Malfoy escorregou o trabalho para dentro da mochila o mais depressa que pde, sentindo que preferia guardar essa informao s para ele.
Decidido a no dar a Snape um pretexto para anular seu exerccio, Harry leu e releu cada linha de instruo no quadro-negro pelo menos trs vezes antes de segui-la. Sua Soluo para Fortalecer no ficou exatamente um turquesa-claro como a da Hermione, mas, pelo menos, ficou azul e no rosa, como a de Neville, e ele depositou o seu frasco na mesa de Snape ao final da aula, com uma sensao em que se mesclaram o desafio e o alvio.
 - Bom, no foi to ruim quanto na semana passada, no ? comentou Hermione quando subiam as escadas das masmorras para atravessar o Saguo de Entrada e ir almoar. - E o dever de casa tambm no foi nada mau, no ?
Ao ver que nem Ron nem Harry respondiam, ela insistiu
 - Quero dizer, tudo bem, eu no esperava a nota mxima, no se Snape estiver corrigindo pelos padres do N.O.M., mas um "aprovado"  bastante animador nesse estgio, no acham?
Harry produziu um som indistinto com a garganta.
 - Claro, muita coisa pode acontecer entre agora e o exame, temos bastante tempo para melhorar, mas as notas que estamos recebendo so uma espcie de base, no acham? A partir delas podemos ir construindo. ..
Os trs se sentaram  mesa da Grifindore.
 -  bvio que eu teria vibrado se tivesse recebido a nota mxima...
 - Hermione - disse Ron com rispidez - se voc quiser saber que notas ns tiramos  s perguntar.
 - Eu no... eu no tive inteno... bom, se vocs quiserem me dizer...
 - Tirei um "P" - disse Ron, servindo uma concha de sopa em seu prato. - Contente?
 - Ora, no tem do que se envergonhar - disse Fred, que acabara de chegar  mesa com George e Linus Jordan, e estava se sentando  direita de Harry. - No h nada de errado com um saudvel "P".
 - Mas - perguntou Hermione - "P" no significa...
 - "Passvel", isso mesmo - disse Linus. - Mas ainda  melhor do que um "D", no ? "Deplorvel"?
Harry sentiu o rosto esquentar, e fingiu um pequeno acesso de tosse provocado pelo po. Quando se recuperou do acesso, lamentou ver que Hermione continuava falando sobre as notas do N.O.M.
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 - Ento a melhor nota  "O" de "Qtimo" - ia dizendo - depois tem o "A".
 - No, o "E" -George a corrigiu. - "E" de "Excede Expectativas". Sempre achei que Fred e eu devamos ter recebido "E" em tudo, porque excedemos as expectativas s de comparecer para prestar os exames.
Todos riram, exceto Hermione, que insistiu.
 - Ento, depois do "E" tem o "A", de "Aceitvel", e esta  a ltima nota para aprovao, no ?
 -  - respondeu Fred, enfiando um pozinho inteiro na sopa, transferindo-o para a boca e o engolindo de uma s vez.
 - A vem o 
"P" de "Passvel" - Ron ergueu os dois braos fingindo comemorar - e "D" de "Deplorvel".
 - E por fim o "T" -George lembrou ao irmo.
perguntou Hermione, parecendo admirada. - Ainda abaixo de "D"? Que  que significa "T"?
 - "Trasgo" - disse George imediatamente.
Harry tornou a rir, embora no tivesse muita certeza se George estaria ou no brincando. Ele imaginou tentar esconder de Hermione que recebera "Ts"em todos os seus N.O.M.s, e decidiu imediatamente se esforar mais dali em diante.
 - Vocs j tiveram uma aula inspecionada? - perguntou Fred.
 - No - respondeu Hermione na hora. - Vocs j?
 - Acabamos de ter uma, antes do almoo - disse George. - Feitios.
 - E como foi? - perguntaram Harry e Hermione juntos. Fred sacudiu os ombros.
 - Nada mau. Umbridge s ficou escondida em um canto, tomando notas em uma prancheta. Vocs conhecem o Flitwick, ele a tratou como convidada, e no pareceu se incomodar. Ela no disse muita coisa. Fez umas perguntas a Alicia, para saber como so normalmente as aulas, Alicia respondeu que eram realmente boas, e foi s.
 - No consigo ver o velho Flitwick recebendo nota baixa comentou George - ele normalmente consegue fazer todo o mundo passar bem nos exames.
 - Com quem vocs tm aula hoje  tarde? - perguntou Fred a Harry 
 - Trelawney... 
 - ... e a prpria Umbridge.
 - Vai, seja bonzinho e fica calmo com a Umbridge hoje - disse George. - Angelina vai enlouquecer a mulher se voc perder mais um treino de quidditch. 
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Mas Harry no precisou esperar at a Defesa Contra as Artes das Trevas para encontrar a Prof Umbridge. Estava sentado em uma cadeira no fundo da sombria sala de Adivinhao, tirando da mochila o seu dirio de sonhos, quando Ron lhe deu uma cotovelada nas costelas e, ao olhar para o lado, ele viu a Prof Umbridge surgir pelo alapo no piso. A turma, que estivera conversando alegre, calou-se imediatamente. A queda abrupta no nvel do barulho fez a Prof Trelawney, que vagava pela sala distribuindo exemplares do Orculo dos sonhos, virar-se para olhar.
 - Boa-tarde, professora - disse a Prof Umbridge com seu largo sorriso. - Voc recebeu o meu bilhete, espero? Informando a hora e a data da sua inspeo?
A Prof Trelawney fez um breve aceno com a cabea e, parecendo muito descontente, deu as costas  recm-chegada, e continuou a distribuir os livros. Ainda sorridente, a Prof Umbridge agarrou o espaldar da poltrona mais prxima e puxou-a at a frente da classe, de modo a coloc-la alguns centmetros atrs da cadeira da Prof Trelawney. Sentou-se, ento, apanhou a prancheta na bolsa florida e ergueu a cabea em atitude de expectativa, aguardando o incio da aula.
A Prof Trelawney apertou os xales em volta do corpo, com as mos ligeiramente trmulas, e inspecionou a turma atravs das enormes lentes de aumento dos seus culos.
 - Hoje continuaremos o nosso estudo dos sonhos profticos disse, numa corajosa tentativa de reproduzir o seu tom mstico habitual, embora sua voz tremesse um pouco. - Dividam-se em pares, por favor, e interpretem as ltimas vises noturnas do colega com a ajuda do Orculo.
Ela fez um movimento largo para retomar o seu lugar, viu a Prof Umbridge sentada bem ao lado, e imediatamente se desviou para a esquerda, em direo a Parvati e Lavender, que j discutiam absortas o sonho mais recente de Parvati.
Harry abriu o seu exemplar do Orculo dos sonhos, observando Umbridge veladamente. Ela j estava tomando notas na prancheta. Decorridos alguns minutos, levantou-se e comeou a andar pela sala, acompanhando Trelawney, escutando suas conversas com os alunos e fazendo perguntas aqui e ali. Harry baixou, ligeiro, a cabea para o seu livro.
 - Pense num sonho depressa - pediu a Ron - caso a sapa velha venha para o nosso lado.
 - J fiz isso da ltima vez - protestou Ron - agora  a sua vez, voc me conta um.
 - Ah, no sei... - disse Harry desesperado, que no conseguia se
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lembrar de ter sonhado coisa alguma nos ltimos dias. - Vamos dizer que eu tenha sonhado que estava... afogando Snape no meu caldeiro. , esse deve servir...
Rindo, Ron abriu o seu Orculo dos sonhos.
 - OK, temos de somar a sua idade  data em que voc teve o sonho, o nmero de letras que tem o tema do sonho... seria "afogar", "caldeiro" ou "Snape"?
 - No importa, escolha 
qualquer um - disse Harry, arriscando um olhar para trs. Umbridge estava agora colada ao ombro de Trelawney, tomando notas enquanto a professora de Adivinhao interrogava Neville sobre o seu dirio de sonhos.
 - Em que noite voc tornou a sonhar com isso? - perguntou Ron imerso em clculos.
 - No sei,  noite passada, quando voc quiser - respondeu Harry, tentando escutar o que Umbridge dizia  Prof Trelawney.
Agora as duas estavam apenas a uma mesa de distncia. A Prof Umbridge anotava mais alguma coisa na prancheta e a Prof Trelawney parecia extremamente aborrecida.
 - Agora - perguntou Umbridge, erguendo os olhos para Trelawney - exatamente h quanto tempo voc vem ocupando este cargo?
A Prof Trelawney encarou a outra zangada, os braos cruzados e os ombros curvados para a frente, como se quisesse se proteger ao mximo da possvel indignidade da inspeo. Aps uma breve pausa em que parecia decidir se a pergunta no era ofensiva, se era razovel deix-la passar, respondeu em um tom profundamente ofendido
 - Quase dezesseis anos.
 - Um bom tempo - comentou a Prof Umbridge, fazendo outra anotao na prancheta. - Ento foi o Prof. Dumbledore que a nomeou?
 - Correto - respondeu secamente. Umbridge fez mais uma anotao.
 - E voc  tetraneta da famosa vidente Cassandra Trelawney?
 - Sou - confirmou ela erguendo um pouco mais a cabea. Mais um registro na prancheta.
 - Mas acho... corrija-me se eu estiver enganada... que voc  a primeira em sua famlia desde Cassandra Trelawney a ser dotada de Segunda Viso?
 - Esses dons muitas vezes saltam... hum... trs geraes - disse a Prof Trelawney. .
O sorriso bufondeo da Prof Umbridge se ampliou, - Naturalmente - disse com meiguice, fazendo mais um registro.
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 - Bem, ento ser que poderia profetizar alguma coisa para mim? - E ergueu os olhos com ar indagador, ainda sorridente.
A Prof Trelawney ficou tensa, como se no conseguisse acreditar no que ouvia.
 - No estou entendendo - disse agarrando convulsivamente o xale em torno do pescoo muito magro.
 - Gostaria que voc fizesse uma profecia para mim - disse a Prof Umbridge muito claramente.
Harry e Ron agora no eram as nicas pessoas que observavam e escutavam furtivamente por trs dos livros. A maioria da turma observava paralisada a Prof Trelawney quando ela se empertigou toda, os colares e as pulseiras tilintando.
 - O Olho Interior no v quando recebe ordem! - disse em tom escandalizado.
 - Entendo - respondeu a outra brandamente fazendo mais uma anotao.
 - Eu... mas... mas... esperei - disse a Prof Trelawney de repente, tentando falar no seu tom habitualmente etreo, embora o efeito mstico ficasse um tanto arruinado pelo modo com que tremia de raiva.
 - Eu... eu acho que estou vendo alguma coisa... alguma coisa que diz respeito a voc... uma coisa escura... um grave perigo...
A Prof Trelawney apontou um dedo trmulo para Umbridge que continuou a sorrir brandamente para ela, de sobrancelhas erguidas.
 - Receio... receio que voc esteja correndo um grave perigo! terminou Trelawney dramaticamente.
Houve uma pausa. As sobrancelhas de Umbridge continuaram erguidas.
 - Certo - disse com suavidade, anotando mais uma vez alguma coisa. - Bom, se isto  realmente o melhor que consegue fazer...
E virou as costas, deixando a Prof Trelawney pregada no cho, com o peito arfante. Harry olhou para Ron e percebeu que o amigo estava pensando exatamente o mesmo que ele os dois sabiam que a Prof Trelawney era uma velha charlatona, mas, por outro lado, tinham tal averso a Umbridge, que se viram tomando o partido de Trelawney - isto , at ela cair em cima deles alguns segundos depois.
 - Muito bem? - disse, estalando os longos dedos embaixo do nariz de Harry, de forma estranhamente enrgica. - Deixe-me ver o progresso que vocs fizeram no dirio de sonhos, por favor.
E quando terminou de interpretar os sonhos de Harry em alto e bom som (os quais, at mesmo os que envolviam comer mingau de aveia, pelo visto profetizavam para ele uma morte precoce e horripilante), o garoto estava se sentindo muito menos solidrio com Trelawney. Durante todo o tempo, a Prof Umbridge se manteve afastada alguns passos, tomando notas na prancheta e, quando a sineta tocou, foi a primeira a descer pela corda prateada, e j os aguardava quando eles chegaram  classe de Defesa Contra as Artes das Trevas, dez minutos depois.
Ela sorria e cantarolava baixinho quando os alunos entraram. Harry e Ron 
contaram a Hermione, que estivera na aula de Aritmancia, exatamente o que acontecera em Adivinhao, enquanto apanhavam os seus exemplares de Teoria da defesa em magia, mas, antes que Hermione pudesse fazer alguma pergunta, a Prof Umbridge chamara a ateno dos alunos e todos se calaram.
 - Guardem as varinhas - mandou ela com um sorriso, e aqueles que esperanosamente haviam apanhado as varinhas, com tristeza as repuseram nas mochilas. - Como terminamos o captulo um na aula passada, hoje eu gostaria que abrissem na pgina dezenove e comeassem a ler o captulo dois "Teorias de defesa comuns e suas derivaes". No haver necessidade de conversar.
Ainda sorrindo, aquele sorriso amplo e presunoso, ela se sentou  escrivaninha. A turma deu um suspiro audvel quando abriu, como se fossem um s aluno, a pgina dezenove. Harry ficou imaginando, entediado, se haveria no livro captulos suficientes para mant-los lendo durante todas as aulas do ano, e ia verificar o ndice quando reparou que Hermione erguera novamente a mo no ar.
A professora tambm reparou e, alm disso, parecia ter preparado uma estratgia para essa eventualidade. Em lugar de tentar fingir que no reparara em Hermione, ela se levantou e deu a volta na primeira fila de carteiras at ficar cara a cara com a garota, ento se inclinou e murmurou, de modo que o restante da classe no pudesse ouvi-la
 - O que  agora, Srta. Granger?
-J li o captulo dois.
 - Ento passe para o captulo trs. J li tambm. J li o livro todo.
A Prof Umbridge piscou os olhos, mas recuperou sua pose quase instantaneamente.
 - Bem, ento, voc dever poder me dizer o que Slinkhard escreveu sobre as contra-maldies no captulo quinze.
 - Ele escreveu que a denominao contra-maldies  imprpria
 - respondeu Hermione imediatamente. - E que contra-maldio  apenas o nome que as pessoas do s suas maldies quando querem faz-las parecer mais aceitveis.
A Prof Umbridge, ergueu as sobrancelhas, e Harry percebeu que estava impressionada, ainda que a contragosto. 
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 - Mas eu discordo - continuou Hermione. 
As sobrancelhas da professora subiram um pouco mais, e seu
olhar se tornou visivelmente frio.
 - A senhorita discorda?
 - , discordo - confirmou Hermione, que, ao contrrio de Umbridge, no murmurava, falava em uma voz alta e clara, que a essa altura j atrara a ateno do resto da turma. - O Sr. Slinkhard no gosta de maldies, no ? Mas acho que podem ser muito teis quando so usadas defensivamente.
 - Ah, ento essa  a sua opinio? - disse a professora, se esquecendo de murmurar e endireitando o corpo. - Bom, receio que seja a opinio do Sr. Slinkhard que conte nesta sala de aula, e no a sua, Srta. Granger.
 - Mas... - recomeou Hermione.
 - Agora basta - disse a professora. Voltou, ento, para a frente da sala e se postou ali, mas toda a segurana que exibira no incio da aula se perdera. - Srta. Granger, vou tirar cinco pontos da Grifindore.
Houve uma ecloso de murmrios.
 - Por qu? - perguntou Harry indignado.
 - No se meta! - cochichou Hermione para ele, ansiosa.
 - Por perturbar minha aula com interrupes sem sentido - disse a Prof Umbridge suavemente. - Estou aqui para lhes ensinar, usando um mtodo aprovado pelo Ministrio que no inclui convidar alunos a darem suas opinies sobre assuntos de que pouco entendem. Os professores anteriores desta disciplina podem ter permitido aos senhores maior liberdade, mas como nenhum deles... com a possvel exceo do Prof. Quirrell, que pelo menos parece ter se restringido a assuntos apropriados para sua idade... teria passado em uma inspeo do Ministrio...
 - , Quirrell foi um grande professor - disse Harry em voz alta - exceto pelo pequeno problema de ter Lord Voldemort saindo pela nuca.
Este pronunciamento foi seguido de um dos mais retumbantes silncios que Harry j ouvira. Ento...
 - Acho que mais uma semana de deteno lhe faria bem, Sr. Potter - disse Umbridge com voz sedosa.
O corte nas costas da mo de Harry mal sarara e, na manh seguinte, j voltava a sangrar. Ele no se queixou durante a deteno da noite; estava decidido a no dar a Umbridge essa satisfao; repetidamente ele escreveu no devo contar mentiras, e nenhum som escapou de seus lbios, embora o corte se aprofundasse a cada letra.
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A pior parte desta segunda semana de detenes foi, exatamente como George predisse, a reao de Angelina. Ela encostou-o contra a parede na hora em que ele chegou  mesa da Grifindore para o caf da manh de tera-feira, e gritava to alto que a Prof McGonagall se levantou da mesa dos professores e correu para os dois.
 - Srta. Johnson, como se atreve a fazer um estardalhao desses no Salo Principal? Cinco pontos a menos para Grifindore!
 - Mas, professora, ele arranjou outra deteno...
 - Que histria  essa, Potter? - perguntou a professora 
rispidamente, virando-se para Harry. - Deteno? De quem?
 - Da Prof Umbridge - murmurou Harry, sem encarar os olhos penetrantes por trs dos culos de aros quadrados.
 - Voc est me dizendo - perguntou ela, baixando a voz para que o grupo de alunos curiosos da Ravenclaw atrs deles no pudesse ouvir
 - que depois do aviso que lhe dei na segunda-feira passada voc se descontrolou outra vez na aula da Prof Umbridge?
 - Sim, senhora - murmurou Harry olhando para o cho.
 - Potter, voc precisa se controlar! Voc est caminhando para uma sria encrenca! Menos cinco pontos para Grifindore outra vez!
 - Mas... qu... professora, no! - exclamou Harry, indignado com a injustia. -J estou sendo castigado por ela, por que a senhora precisa nos tirar pontos tambm?
 - Porque as detenes parecem no produzir o menor efeito em voc! - respondeu a professora, azeda. - No, nem mais uma palavra de reclamao, Potter! E quanto  Srta. Johnson, no futuro restrinja os seus gritos ao campo de quidditch ou se arriscar a perder a funo de capit do time!
A Prof McGonagall voltou  mesa dos professores. Angelina lanou a Harry um olhar de profundo descontentamento e foi embora, ao que Harry se atirou no banco ao lado de Ron, espumando.
 - Ela tirou cinco pontos da Grifindore porque minha mo est sendo fatiada todas as noites! Como  que isso pode ser justo, como?
 - Eu sei, cara - disse Ron solidrio, servindo bacon no prato do amigo. - Ela est completamente baralhada.
Hermione, porm, meramente folheou as pginas do Profeta Dirio e no fez nenhum comentrio.
 - Voc acha que McGonagall estava com a razo, no ? - perguntou Harry, zangado,  foto de Cornelius Fudge que tampava o rosto de Hermione.
 - Eu gostaria que ela no tivesse descontado pontos de voc, mas acho que tem razo quando o avisa para no perder a cabea com a
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Umbridge - disse a voz de Hermione, enquanto Fudge gesticulava com energia, na primeira pgina, obviamente fazendo um discurso.
Harry no falou com Hermione durante toda a aula de Feitios, mas, quando entraram em Transfigurao, ele esqueceu que estava zangado com a amiga. A Prof Umbridge achava-se sentada a um canto, com sua prancheta, e essa viso apagou a cena do caf da manh de sua lembrana.
 - Excelente - sussurrou Ron, quando se sentaram nos lugares de sempre. - Vamos - ver se a Umbridge recebe o que merece.
A Prof McGonagall entrou decidida na sala, sem dar a menor indicao de que sabia que a Prof Umbridge se achava presente.
 - Agora chega - disse ela, e os alunos fizeram imediato silncio.
 - Sr. Finnigan, tenha a bondade de vir at aqui e entregar esses deveres aos seus colegas... Srta. Brown, por favor, apanhe esta caixa de ratinhos... no seja tola, menina, eles no vo lhe fazer mal... e d um a cada aluno...
 - Hem, hem - fez a Prof Umbridge, usando a mesma tossezinha boba que usara para interromper Dumbledore na primeira noite do ano letivo. A Prof McGonagall fingiu no ouvir. Seamus devolveu a Harry o trabalho dele, que o apanhou sem olhar para o colega e viu, para seu alvio, que conseguira um "A".
 - Muito bem, ouam todos com ateno... Dean Thomas, se fizer isto outra vez com o ratinho lhe darei uma deteno... a maioria da turma conseguiu fazer desaparecer as lesmas, e mesmo aqueles que as deixaram com vestgios do caracol entenderam o objetivo do feitio. Hoje, vamos...
 - Hem, hem - fez a Prof Umbridge.
 - Sim? - disse a Prof McGonagall se virando, as sobrancelhas to juntas que pareciam formar uma linha nica e severa.
 - Eu estava me perguntando, professora, se a senhora teria recebido o meu bilhete avisando a data e a hora da sua insp...
 - Obviamente que a recebi, ou teria lhe perguntado o que est fazendo na minha sala de aula - disse ela, dando as costas com firmeza  Prof Umbridge. Muitos estudantes trocaram olhares de alegria.
 - Como eu ia dizendo hoje, vamos praticar o Feitio da Desapario em ratinhos, que  bem mais difcil. Bem, o Feitio da Desapario...
 - Hem, hem.
 - Eu me pergunto - disse a Prof McGonagall numa fria glida, virando-se para a outra - como  que voc espera avaliar os meus mtodos de ensino habituais se continua a me interromper? Em geral, eu no permito que as pessoas falem quando eu estou falando, entende?
A Prof Umbridge pareceu que tinha levado uma bofetada no
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rosto. No falou, mas endireitou o pergaminho em sua prancheta e comeou a escrever furiosamente.
Parecendo supremamente indiferente, a Prof McGonagall se dirigiu mais uma vez  turma.
 - Como eu ia dizendo o Feitio da Desapario se torna mais difcil quanto maior a complexidade do animal a se fazer desaparecer. 
A lesma, como invertebrado, no apresenta grande desafio; o ratinho, como mamfero, oferece um desafio muito maior. No , portanto, um feitio que se possa realizar com a cabea no jantar. Vocs j conhecem a frmula cabalstica, ento vejamos o que so capazes de fazer...
 - Como  que ela pode me fazer preleo de que no devo me descontrolar com a Umbridge! - resmungou Harry para Ron, baixinho, mas estava sorrindo; sua raiva da Prof McGonagall tinha praticamente evaporado.
A Prof Umbridge no acompanhou McGonagall pela sala como fizera com a Trelawney; talvez tenha percebido que a colega no permitiria. Fez, no entanto, um nmero muito maior de anotaes, sentada em seu canto, e quando McGonagall finalmente disse aos alunos para guardarem o material e sair, ela se levantou com uma expresso muito sria no rosto.
 - Bom,  um comeo - disse Ron, erguendo um rabo de rato comprido e retorcido e largando-o de volta na caixa que Lavender estava passando pela classe.
Quando os alunos saram enfileirados da sala, Harry viu a Prof Umbridge se aproximar da escrivaninha da McGonagall; ele cutucou Ron, que, por sua vez cutucou Hermione, e os trs intencionalmente ficaram para trs para escutar.
 - H quanto tempo voc est ensinando em Hogwarts? - perguntou a Prof Umbridge.
 - Trinta e nove anos, agora em dezembro - respondeu McGonagall bruscamente, fechando sua bolsa com um estalo.
Umbridge fez uma anotao.
 - Muito bem, voc receber o resultado da inspeo dentro de dez dias.
 - Mal posso esperar - respondeu McGonagall, com uma voz fria e indiferente, e se encaminhou para a porta. - Andem depressa vocs trs
 - acrescentou, empurrando Harry, Ron e Hermione  sua frente.
Harry no pde deixar de lhe dar um leve sorriso, e seria capaz de jurar que recebeu outro em resposta.
Ele pensou que s tornaria a ver Umbridge  noite, na deteno, mas estava muito enganado. Quando iam descendo os gramados em
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direo  Floresta, para assistir  aula de Trato das Criaturas Mgicas, encontraram-na, com a prancheta, ao lado da Prof11 Grubbly-Plank.
 - Normalmente no  voc que ensina esta disciplina, correto? Harry a ouviu perguntar quando se aproximaram da mesa de cavalete, onde o grupo de tronquilhos capturados se atropelava para apanhar bichos-de-conta como se fossem gravetos vivos.
 - Correto - respondeu a Prof Grubbly-Plank, com as mos nas costas e o corpo balanando sobre a planta dos ps. - Sou uma professora substituta, ocupando o lugar do Prof. Hagrid.
Harry trocou olhares apreensivos com Ron e Hermione. Malfoy estava cochichando com Crabbe e Goyle; ele certamente adoraria essa oportunidade para contar histrias sobre Hagrid a uma funcionria do Ministrio.
 - Humm - fez a Prof Umbridge, baixando a voz, embora Harry ainda pudesse ouvi-la muito claramente. - Eu estive pensando... o diretor me parece estranhamente relutante em fornecer informaes voc poderia me dizer o que est causando a prolongada licena de afastamento do Prof. Hagrid?
Harry viu Malfoy erguer a cabea.
 - Creio que no - disse a professora em tom despreocupado. Sei tanto quanto voc. Recebi uma coruja do Dumbledore, gostaria que eu desse aulas durante umas duas semanas. Aceitei.  tudo que sei. Bom... posso comear, ento?
 - Claro, por favor - disse a Prof Umbridge, escrevendo em sua prancheta.
Umbridge adotou uma abordagem diferente nesta aula e caminhou entre os alunos, fazendo perguntas sobre criaturas mgicas. A maioria soube responder bem, e Harry se animou um pouco; pelo menos a turma no estava deixando Hagrid mal.
 - De um modo geral - perguntou a Prof Umbridge, voltando para perto da Prof Grubbly-Plank depois de interrogar Dean Thomas longamente - o que  que voc, como membro temporrio do quadro docente, uma observadora externa, suponho que poderamos dizer, que  que voc acha de Hogwarts? Voc acha que recebe apoio suficiente da diretoria da escola?
 - Ah, sim, Dumbledore  excelente - disse a Prof GrubblyPlank com entusiasmo. - Estou muito feliz com o modo com que a escola  administrada, realmente muito feliz.
Com um ar de educada incredulidade, Umbridge fez uma minscula anotao na prancheta e continuou
 - E o que  que voc est planejando cobrir em suas aulas durante o ano, presumindo  claro, que o Prof. Hagrid no volte?
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 - Ah, repassarei com os alunos as criaturas que so pedidas com maior freqncia no N.O.M. No h muito mais a fazer eles j estudaram os unicrnios e os pelcios. Pensei em abordar os pocots e os amassos, me certificar de que so capazes de reconhecer os crupes e os ourios, entende...
 - Bem, em todo o caso voc parece saber o que est fazendo - concluiu a Prof Umbridge, ticando muito enfaticamente o pergaminho na prancheta. Harry no 
gostou da nfase que ela deu ao "voc", e gostou menos ainda quando a professora fez a pergunta seguinte a Goyle. - Agora, ouvi dizer que tem havido alunos feridos nesta classe.
Goyle deu um sorriso idiota. Malfoy se apressou a responder.
 - Foi comigo. Levei uma lambada de um hipogrifo.
 - Hipogrifo? - repetiu a Prof Umbridge, agora escrevendo freneticamente.
 - S porque ele foi burro demais e no deu ouvidos s instrues de Hagrid - comentou Harry, zangado.
Ron e Hermione gemeram. A Prof Umbridge virou a cabea lentamente na direo de Harry.
 - Mais uma noite de deteno, creio eu - disse brandamente. Bem, muito obrigada, Grubbly-Plank, acho que  tudo que preciso saber. Voc receber o resultado de sua inspeo dentro de dez dias.
 - Que bom! - disse a Prof Grubbly-Plank, e a Prof Umbridge comeou a subir o gramado para voltar ao castelo.
Era quase meia-noite quando Harry deixou a sala de Umbridge aquela noite, sua mo agora sangrava tanto que manchava o leno em que ele a enfaixara. Esperava que a sala comunal estivesse vazia quando voltasse, mas Ron e Hermione estavam acordados  sua espera. Ficou feliz em v-los, principalmente porque Hermione estava disposta a se solidarizar com ele ao invs de critic-lo.
 - Tome - disse, ansiosa, estendendo uma tigelinha com um lquido amarelo - encharque a mo nisso,  uma soluo de tentculos de murtisco em salmoura e depois peneirados, deve ajudar.
Harry colocou a mo, que sangrava e doa, na tigela e experimentou uma maravilhosa sensao de alvio. Crookshanks se enrolou em suas pernas, ronronando alto, depois saltou para o seu colo e se acomodou.
 - Obrigado - disse, agradecido, cocando atrs das orelhas do gato com a mo esquerda.
 - Eu ainda acho que voc devia reclamar - disse Ron em voz baixa. -
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 - No - disse Harry categoricamente. 
 - McGonagall ia endoidar se soubesse...
 - Provavelmente ia. E quanto tempo voc acha que levaria para Umbridge aprovar outro decreto dizendo que quem reclamar da Alta Inquisidora ser imediatamente despedido?
Ron abriu a boca para retorquir, mas no emitiu som algum e, passado um instante, tornou a fechar a boca, derrotado.
 - Ela  uma mulher horrvel - disse Hermione baixinho. - Horrvel. Sabe, eu estava dizendo ao Ron quando voc entrou... temos de fazer alguma coisa a respeito dela.
 - Eu sugiro veneno - disse Ron com ferocidade.
 - No... quero dizer, alguma coisa para divulgar que  uma pssima professora, e que no vamos aprender Defesa alguma com ela explicou Hermione.
 - Bom, e o que  que podemos fazer? - perguntou Ron bocejando. -J  tarde  bea, no  no? Ela foi nomeada e veio para ficar, Fudge vai garantir isso.
 - Bom - disse Hermione hesitante. - Sabe, estive pensando hoje... - Lanou um olhar nervoso a Harry, e ento prosseguiu Estive pensando... talvez tenha chegado a hora de simplesmente... simplesmente nos virarmos sozinhos.
 - Nos virarmos sozinhos fazendo o qu? - perguntou Harry desconfiado, mantendo a mo flutuando na essncia de murtisco.
 - Bom... aprendendo Defesa Contra as Artes das Trevas sozinhos
 - concluiu Hermione.
 - Ah, corta essa - gemeu Ron. - Voc quer que a gente faa trabalho extra? Voc tem idia do quanto Harry e eu estamos outra vez atrasados com os nossos deveres e s estamos na segunda semana de aulas?
 - Mas isto  muito mais importante do que os deveres de casa. Harry e Ron arregalaram os olhos para ela.
 - Pensei que no houvesse nada mais importante no universo do que os deveres de casa! - caoou Ron.
 - No seja bobo, claro que h - rebateu Hermione, e Harry notou, com um mau pressgio, que o rosto da amiga se tornara inesperadamente radioso, com aquele tipo de fervor que o FALE normalmente lhe inspirava. - Trata-se de nos prepararmos, como disse o Harry na primeira aula da Umbridge, para o que nos aguarda l fora. Trata-se de garantir que realmente possamos nos defender. Se no aprendermos nada o ano inteiro...
 - No podemos fazer muita coisa sozinhos - disse Ron com um
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qu de derrota na voz. - Quero dizer, tudo bem, podemos ir procurar maldies na biblioteca e tentar pratic-las, suponho...
 - No, concordo, j passamos da fase em que podemos aprender apenas com livros - disse Hermione. - Precisamos de um professor, de verdade, que possa nos mostrar como usar os feitios e nos corrigir quando errarmos.
 - Se voc est falando do Lupin... - comeou Harry.
 - No, no, no estou falando de Lupin. Ele est ocupado demais com a Ordem e, de qualquer jeito, o mximo que poderamos v-lo seria nos fins de semana em Hogsmeade, e 
eles no acontecem com tanta freqncia assim.
 - Quem, ento? - perguntou Harry, franzindo a testa para a amiga.
Hermione deu um suspiro muito profundo.
 - Ser que no est bvio? Estou falando de voc, Harry. Houve um momento de silncio. Uma leve brisa noturna sacudiu as vidraas atrs de Ron, e o fogo oscilou.
 - Falando de mim, o qu? - perguntou Harry.
 - Estou falando de voc nos ensinar Defesa Contra as Artes das Trevas.
Harry encarou Hermione. Depois se virou para Ron, pronto para trocar os olhares exasperados que s vezes trocavam quando Hermione detalhava esquemas fora da realidade como o FALE, mas, para seu desnimo, Ron no parecia exasperado.
Estava com a testa ligeiramente enrugada, em aparente reflexo. Ento disse
 -  uma idia. 
 - O que  uma idia? - perguntou Harry. 
 - Voc. Nos ensinar.
 -Mas... i
Harry estava sorrindo agora, certo de que os dois estavam gozando com a cara dele.
 - Mas eu no sou professor, no sei...
 - Harry, voc foi o melhor do ano em Defesa Contra as Artes das Trevas - disse Hermione.
 - Eu? - Harry agora estava com um sorriso maior que nunca. No, no fui, voc me bateu em todos os testes...
 - No  verdade - respondeu Hermione calmamente. - Voc me bateu no terceiro ano o nico ano em que ns dois prestamos exames e tivemos um professor que realmente conhecia o assunto. E no estou falando de notas, Harry. Pense no que voc j fez!
 - Como assim? 
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 - Sabe de uma coisa, no tenho certeza se quero algum burro assim como professor - disse Ron a Hermione, com um sorriso afetado. Em seguida virou-se para Harry.
 - Vamos raciocinar - disse, fazendo uma cara igual  de Goyle quando se concentrava. - Uh... primeiro ano voc salvou a Pedra Filosofal de Voc-Sabe-Quem.
 - Mas aquilo foi sorte - retrucou Harry. - No foi habilidade...
 - Segundo ano - interrompeu-o Ron - voc matou o basilisco e destruiu Riddle
 - , mas se Fawkes no tivesse aparecido, eu...
 - Terceiro ano - disse Ron, ainda mais alto - voc enfrentou e ps para correr uns cem Dementadores de uma vez s...
 - Voc sabe que aquilo foi por acaso, se o Viratempo no tivesse...
 - No ano passado - continuou Ron, agora quase aos gritos - voc tornou a enfrentar Voc-Sabe-Quem...
 - Escutem aqui! - disse Harry, quase com raiva, porque agora os dois, Ron e Hermione, estavam rindo tolamente. - Querem me escutar um instante? Parece muito legal quando vocs falam, mas foi tudo sorte metade do tempo eu nem sabia o que estava fazendo, no planejei nada, fiz apenas o que me ocorreu na hora, e quase sempre tive ajuda...
Ron e Hermione continuavam a rir tolamente, e a irritao de Harry comeou a crescer; nem ele sabia por que estava ficando to zangado.
 - No fiquem a sentados com esse sorriso bobo como se soubessem mais do que eu, era eu quem estava l, ou no? - perguntou, indignado. - Eu sei o que aconteceu, est bem? E no me safei de nada porque era genial em Defesa Contra as Artes das Trevas, me safei porque... porque recebi ajuda na hora certa ou porque tive um palpite certo... mas fiz tudo s cegas, no tinha a menor idia do que estava fazendo... E PAREM DE RIR!
A tigela de essncia de murtisco caiu no cho e se partiu. Harry percebeu que estava em p, embora no conseguisse se lembrar de ter se levantado. Crookshanks disparou para baixo de um sof. Os sorrisos de Ron e Hermione tinham sumido.
 - Vocs no sabem como ! Vocs, nenhum dos dois, vocs nunca tiveram de encarar Voldemort, no ? Vocs pensam que  s decorar uma p de feitios e lanar contra ele, como se estivessem na sala de aula ou coisa parecida? O tempo todo voc sabe que no tem nada entre voc e a morte a no ser o seu... o seu crebro ou sua garra ou o que seja... como se algum pudesse pensar direito quando sabe que est a um nanossegundo de ser morto ou torturado, ou est vendo
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seus amigos morrerem... nunca nos ensinaram isso nas aulas, como  que se lida com essas coisas... e vocs dois ficam a sentados, achando que sou um garotinho sabido por estar em p aqui, vivo, como se Diggory fosse burro, como se tivesse feito besteira; vocs no entendem, podia muito bem ter sido eu, e teria sido se Voldemort no precisasse de mim...
 - No estvamos falando 
nada disso, cara - disse Ron, estupefato.
 - No estvamos falando mal do Diggory, no... voc entendeu tudo ao contrrio...
Ele olhou desamparado para Hermione, cujo rosto exibia uma expresso de choque.
 - Harry - disse ela timidamente - voc no est vendo? E por isso... por isso mesmo que precisamos de voc... precisamos saber como  realmente... enfrentar ele... enfrentar o V-Voldemort.
Era a primeira vez que ela dizia o nome de Voldemort e isso, mais do que qualquer outro argumento, foi o que acalmou Harry. Ainda ofegante, ele tornou a se sentar na poltrona, percebendo, ao faz-lo, que sua mo voltara a latejar barbaramente. Desejou no ter quebrado a tigela com a essncia de murtisco.
 - Bom... pense no assunto - disse Hermione baixinho. - Por favor?
Harry no conseguiu pensar em nada para responder. J estava se sentindo envergonhado por ter explodido. Concordou com a cabea, sem ter perfeita noo com o que estava concordando.
Hermione se levantou.
 - Bom, vou me deitar - disse, no tom mais natural que pde. Hum... noite.
Ron se levantou tambm.
 - Voc vem? - perguntou, sem jeito, ao amigo.
 - vou. Num... num minuto. vou limpar essa sujeira.
Ele indicou a tigela partida no cho. Ron assentiu com a cabea e foi embora.
 - Reparo - murmurou Harry, apontando a varinha para os cacos de porcelana. Eles se juntaram, a tigela ficou como nova, mas no havia como fazer a essncia de murtisco voltar  tigela.
De repente, sentia-se to cansado que ficou tentado a se largar na poltrona e dormir ali, mas, em vez disso, fez um esforo para se levantar e seguiu o exemplo de Ron. Sua noite inquieta foi mais uma vez pontuada por sonhos de longos corredores e portas fechadas, e ele acordou no dia seguinte com a cicatriz formigando outra vez.
--CAPTULO DEZESSEIS
No Cabea dejavali , .
Hermione no mencionou sua sugesto para Harry ensinar Defesa Contra as Artes das Trevas durante duas semanas inteiras. Finalmente as detenes do garoto com a Umbridge terminaram (ele duvidava de que as palavras agora gravadas nas costas de sua mo viessem a desaparecer totalmente). Ron tivera mais quatro treinos de quidditch e no levara nenhum grito nos ltimos dois, e os trs amigos tinham conseguido fazer desaparecer seus ratinhos em Transfigurao (alis, Hermione j se adiantara e estava fazendo desaparecer gatinhos), quando o assunto foi novamente abordado, em uma noite de violenta tempestade, no final de setembro, quando os trs estavam sentados na biblioteca procurando ingredientes de poes para um dever passado por Snape.
 - Eu estive me perguntando - disse Hermione, de repente - se voc j voltou a pensar na Defesa Contra as Artes das Trevas, Harry.
 - Claro que pensei - disse Harry rabugento - no consigo esquecer, e no daria mesmo, com aquela megera ensinando a gente...
 - Estou falando da idia que Ron e eu tivemos... - Ron lanou a Hermione um olhar assustado e ameaador. Ela fechou a cara para ele. - Ah, tudo bem ento, a idia que eu tive... de voc nos ensinar.
Harry no respondeu imediatamente. Fingiu estar examinando uma pgina de Contravenenos asiticos, porque no queria dizer o que estava pensando.
Refletira bastante sobre o assunto nos ltimos quinze dias. Por vezes lhe pareceu uma idia maluca, tal como na noite em que Hermione a propusera, mas em outras ele se surpreendera pensando nos feitios que o haviam ajudado mais em seus vrios encontros com criaturas das trevas e Comensais da Morte - de fato, surpreendera-se planejando, subconscientemente as aulas...
 - Bom - disse lentamente, quando no dava mais para fingir que estava achando Contmvenenos asiticos interessante - , eu... pensei um pouco.
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 - E? - perguntou Hermione pressurosa.
 - No sei - disse o garoto procurando ganhar tempo. E olhou para Ron.
 - Achei uma boa idia desde o comeo - interveio Ron, que parecia mais interessado em entrar na conversa agora que tinha certeza de que o amigo no ia recomear a gritar.
Harry mexeu-se pouco  vontade na cadeira.
 - Vocs prestaram ateno quando eu disse que muita coisa foi sorte?
 - Prestamos, Harry - confirmou Hermione gentilmente - mas no adianta fingir que voc no  bom em Defesa Contra as Artes das Trevas, porque . Voc foi a nica pessoa no ano passado que conseguiu se livrar completamente da Maldio Imperius, voc  capaz de produzir um Patrono, voc sabe fazer uma quantidade de coisas que bruxos adultos no conseguem, o Vtor sempre disse...
Ron se virou to depressa para Hermione que pareceu dar um mau jeito no pescoo. Esfregando-o, falou
 - ? 
Que foi que o Vitinho disse?
 - Ho, ho - caoou Hermione com a voz entediada. - Disse que Harry sabia fazer coisas que nem ele sabia, e olha que estava cursando o ltimo ano de Durmstrang.
Ron ficou olhando Hermione desconfiado.
 - Voc continua em contato com ele?
 - E se continuar? - perguntou Hermione, calmamente, embora seu rosto estivesse um pouco corado. - Posso ter um correspondente se...
 - Ele no queria ser s seu correspondente - Ron a contradisse em tom de acusao.
Hermione sacudiu a cabea exasperada e, ignorando Ron que continuava a observ-la, dirigiu-se a Harry
 - Ento, que  que voc acha? Vai nos ensinar?
 - S voc e Ron, est bem?
 - Bom - disse Hermione, tornando a parecer um tantinho ansiosa. - Bom... agora no vai perder as estribeiras outra vez, Harry, por favor... mas acho realmente que voc devia ensinar qualquer um que quisesse aprender. Quero dizer, estamos falando em nos defender de V-Voldemort. Ah, no seja pattico, Ron. No parece justo que a gente no oferea essa oportunidade a outras pessoas.
Harry refletiu por um momento, depois disse:
 - T, mas duvido que mais algum alm de vocs dois me queira como professor. Sou pirado, lembram?
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 - Bom, acho que voc ficaria surpreso com o nmero de pessoas que estariam interessadas em ouvir o que voc tem a dizer - disse Hermione sria. - Escute - ela se curvou para Harry; Ron, que continuava a observ-la de cara amarrada. Curvou-se para frente tambm para escutar - voc sabe que o primeiro fim de semana de outubro  o da visita a Hogsmeade? E se dissermos a quem estiver interessado para se encontrar com a gente na vila e discutir o assunto?
 - Por que temos de fazer isso fora da escola? - perguntou Ron.
 - Porque sim - respondeu Hermione, voltando ao diagrama do Repolho Chins Gluto que estava copiando. - Acho que a Umbridge no ficaria muito feliz se descobrisse o que estamos tramando.
Harry aguardava com ansiedade a viagem de fim de semana a Hogsmeade, mas uma coisa o preocupava. Sirius mantivera um silncio absoluto desde que aparecera no fogo, no comeo de setembro; Harry sabia que o deixara aborrecido quando disse que no queria que ele fosse - mas ainda se preocupava, de tempos em tempos, com que Sirius pudesse jogar a cautela para o alto e aparecer. Que iriam fazer se o enorme cachorro preto aparecesse correndo pela rua em sua direo, em Hogsmeade, talvez at debaixo do nariz de Draco Malfoy?
 - Bom, voc no pode culp-lo por querer passear - disse Ron, quando Harry discutiu o seu receio com eles. - Quero dizer, Sirius est foragido h mais de dois anos, no , e sei que no deve ter sido moleza, mas pelo menos ele estava livre, no ? Agora est trancado o tempo todo com aquele elfo horrendo.
Hermione olhou feio para Ron, mas ignorou a desfeita ao Kreacher.
 - O problema  que - disse ela a Harry - enquanto V-Voldemort... - ah, Ron, pelo amor de Deus... no sair em campo aberto, Sirius vai ter de continuar escondido, no ? Quero dizer, aquele Ministrio idiota no vai reconhecer que Sirius  inocente at aceitar que Dumbledore esteve dizendo a verdade o tempo todo. E, quando os patetas recomearem a capturar os verdadeiros Comensais da Morte, ficar bvio que Sirius no  um deles... Quero dizer, para comear ele nem tem a Marca.
 - Acho que ele no  idiota de aparecer - disse Ron apoiando Hermione. - Dumbledore ficaria furioso se isso acontecesse, e Sirius ouve Dumbledore, mesmo que no concorde com o que ouve.
Como Harry continuava com um ar preocupado, Hermione falou
 - Escute, Ron e eu andamos sondando gente que achamos que
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poderia querer aprender Defesa Contra as Artes das Trevas, e uns colegas pareceram interessados. Dissemos a eles para se encontrarem com a gente em Hogsmeade.
 - Certo - disse Harry, distrado, seus pensamentos ainda em
Sirius.
 - No se preocupe, Harry - disse Hermione baixinho. - Voc j tem um prato cheio sem o Sirius.
Naturalmente 
a garota estava certa, ele mal conseguia se manter em dia com os deveres, embora estivesse se saindo muito melhor agora que no passava todas as noites detido na sala de Umbridge. Ron estava mais atrasado com os deveres do que ele, porque embora ambos tivessem treinos de quidditch duas vezes por semana, Ron ainda tinha as obrigaes de monitor. Mas Hermione, que estava cursando mais disciplinas do que os dois, no somente terminara todos os deveres como tambm encontrava tempo para tricotar mais roupas para elfos. Harry tinha de admitir que o tric de Hermione estava melhorando; quase sempre, agora, j era possvel diferenar os gorros das meias.
O dia da visita a Hogsmeade amanheceu claro, mas ventoso. Depois do caf da manh, eles se enfileiraram perante Filch, que conferiu seus nomes na longa lista de alunos que tinham permisso dos pais ou guardies para visitar a vila. Com uma ligeira pontada de remorso, Harry se lembrou de que, se no fosse por Sirius, ele nem poderia ir.
Quando chegou a vez de Harry, Filch, o zelador, cheirou-o longamente, procurando algum cheiro diferente. Depois fez-lhe um breve aceno com a cabea e segurou a tremedeira do queixo, e Harry foi em frente, desceu a escada de pedra e saiu para o dia frio e ensolarado.
 - Hum... por que o Filch estava cheirando voc? - perguntou Ron, quando ele, Harry e Hermione saram, decididos, pela estrada que levava aos portes.
 - Imagino que estivesse procurando cheiro de Bombas de Bosta
 - disse Harry com uma risadinha. - Esqueci de contar a vocs...
E narrou o que acontecera no dia em que fora despachar a carta para Sirius, e Filch embarafustou pelo corujal segundos depois, exigindo ver a carta. Para sua surpresa, Hermione achou a histria interessantssima, de fato, muito mais do que ele prprio.
 - Ele falou que algum lhe dera uma dica de que voc estava encomendando Bombas de Bosta. Mas quem ter sido?
 - No sei - disse Harry, dando de ombros. - Talvez Malfoy, ele acharia isso uma grande piada.
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Os trs passaram entre os altos pilares de pedra, encimados pelos javalis alados, e viraram  esquerda, tomando a estrada para a vila, a fora do vento fazendo os cabelos fustigarem seus olhos.
 - Malfoy? - disse Hermione ctica. - Bom... ... talvez...
E ela continuou absorta em seus pensamentos durante todo o caminho at a periferia de Hogsmeade.
 - Aonde  que estamos indo, afinal? - perguntou Harry. - Ao Trs Vassouras?
 - Ah... no - respondeu Hermione, despertando do seu devaneio - no, est sempre lotado e muito barulhento. Disse aos outros para nos encontrarem no Cabea de Javali, o outro pub, sabe qual , fora da estrada principal. Acho que  um pouco... sabe... suspeito... mas os estudantes em geral no vo l, por isso acho que no seremos ouvidos.
Eles desceram a rua principal, passaram pela Zonko s - Logros e Brincadeiras, onde no se surpreenderam de encontrar Fred, George e Linus, passaram pelo correio, de onde as corujas saam em intervalos regulares, e viraram para uma ladeira lateral, no alto da qual havia uma pequena estalagem. Um letreiro maltratado de madeira estava pendurado sobre a porta, em um suporte enferrujado, com o desenho da cabea decepada de um javali, pingando sangue na toalha branca que o envolvia. O letreiro rangia ao vento quando eles se aproximaram. Os trs hesitaram  porta.
 - Bem, vamos - disse Hermione, ligeiramente nervosa. Harry entrou  frente.
No era nada parecido com o Trs Vassouras, cujo grande bar dava a impresso de calor e reluzente limpeza. O Cabea de Javali compreendia uma salinha mal mobiliada e muito suja, e tinha um cheiro forte, talvez de cabras. As janelas curvas eram to incrustadas de fuligem que pouqussima luz solar conseguia chegar  sala, iluminada com tocos de velas postos sobre mesas de madeira tosca. O cho,  primeira vista, parecia ser de terra batida, mas, quando Harry o pisou, deu para perceber que havia pedra sob o que concluiu ser uma camada secular de sujeira acumulada.
Harry lembrou-se de Hagrid ter mencionado o pub no seu primeiro ano de escola. ", a gente v muita gente esquisita no Cabea de Javali", dissera para explicar como havia ganho o ovo de drago de um estranho encapuzado que encontrara ali.  poca, Harry se perguntara por que Hagrid no tinha achado curioso que o forasteiro mantivesse o rosto oculto durante o encontro; agora ele via que manter o rosto oculto era uma espcie de moda no Cabea de Javali. Havia um homem no bar que trazia a cabea toda envolta em sujas bandagens cinzentas, embora ainda conseguisse engolir incontveis
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copos de uma substncia ardente e fumegante por uma fenda no lugar da boca; dois vultos encapuzados se achavam sentados a uma mesa junto a uma janela; Harry julgaria que fossem Dementadores 
se no estivessem conversando com um forte sotaque de Yorkshire, e em um canto sombrio junto  lareira havia uma bruxa com um vu negro e espesso que lhe caa at os ps. S era possvel ver a ponta do seu nariz porque seu volume fazia o vu levantar um pouco.
 - No sei como est se sentindo, Hermione - murmurou Harry, quando atravessaram o recinto at o bar. Ele olhava especialmente para a bruxa com o pesado vu. - No lhe ocorreu que a Umbridge possa estar embaixo daquilo?
Hermione lanou um olhar de avaliao para a figura velada.
 - A Umbridge  mais baixa do que aquela mulher - murmurou.
 - E, de qualquer forma, mesmo que venha aqui no h nada que possa fazer para nos impedir, Harry, porque verifiquei mais de duas vezes as regras da escola. No estamos fora do permetro permitido; perguntei especificamente ao Prof. Flitwick se os estudantes tinham permisso para entrar no Cabea de Javali e ele disse que sim, mas recomendou vrias vezes que trouxssemos os nossos copos. E consultei tudo em que pude pensar sobre grupos de estudo e deveres, e decididamente estamos cobertos. S no acho que seja uma boa idia a gente ficar alardeando o que est fazendo.
 - No - disse Harry - principalmente porque no  bem um grupo para fazer deveres que estamos organizando, no ?
O barman saiu de um aposento nos fundos e se aproximou deles. Era um velho de ar rabugento, com uma espessa cabeleira e barbas grisalhas. Era alto e magro, e Harry achou-o vagamente familiar.
 - Qu? - resmungou ele.
 - Trs cervejas amanteigadas, por favor - disse Hermione.
O homem meteu a mo sob o balco e tirou trs garrafas muito empoeiradas, muito sujas, e bateu-as em cima do bar.
 - Seis sicles.
 - Eu pago - disse Harry entregando-lhe, depressa, a moeda de prata. Os olhos do homem fotografaram Harry, e se detiveram uma frao de segundo em sua cicatriz. Ento ele virou as costas e guardou o dinheiro numa velha registradora de madeira, cuja gaveta se abriu automaticamente para receb-lo. Harry, Ron e Hermione se retiraram para a mesa mais afastada do bar e se sentaram, correndo o olhar ao seu redor. Ento, o homem com as bandagens cinzentas e sujas bateu no balco com os ns dos dedos e recebeu mais uma bebida fumegante do barman.
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 - Querem saber de uma coisa? - murmurou Ron, olhando para o bar entusiasmado. - Poderamos pedir qualquer coisa que quisssemos aqui. Aposto como aquele sujeito nos venderia qualquer coisa, no ia nem ligar. Eu sempre quis experimentar usque de fogo... 
 - Voc... ... monitor - lembrou Hermione com rispidez. - Ah - exclamou Ron, o sorriso sumindo do rosto. - ...
 - Ento, quem foi que voc disse que viria encontrar a gente? perguntou Harry, abrindo a tampa enferrujada da cerveja amanteigada e tomando um gole.
 - Meia dzia de pessoas - repetiu Hermione, verificando o relgio e olhando para a porta, ansiosa. - Pedi para chegarem por volta dessa hora, e tenho certeza de que todos sabem onde fica... ah, veja, talvez sejam elas agora.
A porta do pub se abrira. Uma faixa larga de poeira e luz dividiu momentaneamente o recinto, e em seguida desapareceu, bloqueada pela chegada de vrias pessoas.
Primeiro entrou Neville com Dean e Lavender, seguidos de perto por Parvati e Padma Patil com (e aqui o estmago de Harry deu uma volta completa) Cho e uma de suas amigas risonhas, ento (sozinha e parecendo to sonhadora que poderia ter entrado por acaso) Luna Lovegood; depois Kate Bell, Alicia Spinnet e Angelina Johnson, Clin e Dnis Creevey, Ernie Macmillan, Justin Finch-Fletchley, Ana Abbott, e uma garota da Hufflepuff, com uma longa trana descendo pelas costas, cujo nome Harry no sabia; trs garotos da Ravenclaw que ele tinha certeza de que se chamavam Antony Goldstein, Michael Comer e Terncio Boot, Giny, seguida de um garoto louro e magricela de nariz arrebitado, que Harry reconheceu vagamente como jogador do time de quidditch da Hufflepuff e, fechando a fila, Fred e George Weasley com o amigo Linus Jordan, todos trs carregando grandes sacas de papel, cheias de artigos da Zonko's.
 - Meia dzia de pessoas? - exclamou Harry, rouco, para Hermione. - Meia dzia de pessoas?
 - E, bom, a idia pareceu muito popular - respondeu Hermione, feliz. - Ron, quer puxar mais umas cadeiras para c?
O barman congelara no ato de limpar mais um copo, com um trapo to imundo que parecia nunca ter sido lavado. Possivelmente nunca vira seu bar to cheio.
 - Oi - disse Fred, chegando primeiro ao bar e contando rapidamente seus companheiros - pode nos servir... vinte e cinco cervejas amanteigadas, por favor?
O barman o encarou por um momento, ento, jogando no cho o seu trapo, irritado, como se tivesse sido interrompido no meio de
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alguma coisa importante, comeou a passar as cervejas amanteigadas cheias de poeira de baixo para cima do balco.
 - Obrigado - disse Fred, distribuindo-as. - Pessoal, pode ir se coando, no tenho ouro para tudo isso...
Harry observava, entorpecido, enquanto o enorme grupo apanhava as cervejas com Fred e procurava moedas nos bolsos para paglas. 
No conseguia imaginar para que toda essa gente aparecera at lhe ocorrer o horrvel pensamento de que poderiam estar esperando uma espcie de discurso, ao que ele se virou para Hermione.
 - Que foi que voc andou dizendo a essas pessoas? - perguntou em voz baixa. - Que  que elas esto esperando?
 - Eu j falei, s querem ouvir o que voc tem a dizer - disse Hermione para acalm-lo, mas Harry continuou a olhar to zangado que ela acrescentou depressa - Voc no tem de fazer nada por enquanto, eu vou falar com eles primeiro.
 - Oi, Harry - cumprimentou Neville, sorrindo e se sentando em frente a ele.
Harry tentou retribuir o sorriso, mas no respondeu; sua boca estava excepcionalmente seca. Cho acabara de sorrir para ele e se sentara  direita de Ron. A amiga dela, que tinha cabelos louro-avermeIhados e crespos, no sorriu, mas deu a Harry um olhar cheio de desconfiana, indicando que, se tivesse tido escolha, no estaria ali.
Em pares e trios, os recm-chegados se acomodaram em volta de Harry, Ron e Hermione, alguns parecendo muito excitados, outros curiosos, Luna mirando sonhadoramente o espao. Quando todos terminaram de puxar cadeiras e se sentar, a conversa morreu. Todos os olhares se concentraram em Harry.
 - Hum - comeou Hermione, a voz ligeiramente mais alta do que normalmente, nervosa. -Bom... hum... oi.
O grupo transferiu as atenes para ela, embora os olhares continuassem a se voltar a intervalos para Harry.
 - Bom... hum... bom, vocs sabem por que esto aqui. Hum... bom, Harry, aqui, teve a idia, quero dizer - (Harry lhe lanara um olhar cortante.) - eu tive a idia... que seria bom se as pessoas que quisessem estudar Defesa Contra as Artes das Trevas, e quero dizer realmente estudar, sabem, e no as bobagens que a Umbridge est fazendo com a gente... - (A voz de Hermione de repente se tornou mais forte e mais confiante.) ( - Porque ningum pode chamar aquilo de Defesa Contra as Artes das Trevas.) ( - Apoiado, apoiado - disse Antony Goldstein, e Hermione pareceu se animar.) - Bom, eu pensei que seria bom se ns, bom, nos encarregssemos de resolver o problema... 
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Ela parou, olhou de esguelha para Harry e continuou
 - Com isso, eu quero dizer aprender a nos defender direito, no somente em teoria, mas praticando realmente os feitios...
 - Mas acho que voc tambm quer passar no N.O.M. de Defesa Contra as Artes das Trevas, no? - perguntou Michael Comer.
 - Claro que quero - respondeu Hermione imediatamente. Mas, mais do que isso, quero receber treinamento em defesa adequado porque... porque... - ela tomou flego e concluiu - porque Lord Voldemort retornou.
A reao foi imediata e previsvel. A amiga de Cho guinchou e derramou cerveja amanteigada na roupa; Terncio Boot teve uma contrao involuntria; Padma Patil se arrepiou; e Neville deu um ganido estranho, que ele conseguiu transformar em uma tossida. Todos, porm, olharam fixamente, e at mesmo pressurosamente, para Harry.
 - Bom... pelo menos este  o plano - disse Hermione. - Se vocs quiserem se juntar a ns, precisamos resolver como vamos...
 - E cad a prova de que Voc-Sabe-Quem retornou? - perguntou o jogador louro da Hufflepuff, num tom bem agressivo.
 - Bom, Dumbledore acredita que sim... - comeou Hermione.
 - Voc quer dizer que Dumbledore acredita nele - interrompeu o garoto louro, indicando Harry com a cabea.
 - Quem  voc? - perguntou Ron, sem muita polidez.
 - Zacarias Smith, e acho que tenho o direito de saber exatamente o que faz voc afirmar que Voc-Sabe-Quem retornou.
 - Olhe - respondeu Hermione, intervindo rapidamente - no foi bem para tratar desse assunto que organizamos a reunio...
 - Tudo bem, Hermione - disse Harry.
Acabara de lhe ocorrer por que havia tantas pessoas ali. E achou que Hermione devia ter previsto. Algumas daquelas pessoas, talvez at a maioria, aparecera na esperana de ouvir a histria de Harry em primeira mo.
 - O que me faz afirmar que Voc-Sabe-Quem retornou? - ele repetiu a pergunta, encarando Zacarias nos olhos. - Eu o vi. Mas Dumbledore contou a toda a escola o que aconteceu no ano passado, e, se voc no acreditou nele, tambm no vai acreditar em mim, e no vou perder a tarde tentando convencer ningum.
O grupo inteiro pareceu ter prendido a respirao enquanto Harry falava. Ele teve a impresso de que at o barman estava ouvindo; continuara a limpar o mesmo copo com o trapo imundo, deixando-o cada vez mais sujo.
Zacarias falou, mudando de tom
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 - S o que Dumbledore nos contou no ano passado foi que Cedric Diggory foi morto por Voc-Sabe-Quem, e que voc trouxe o cadver de volta a Hogwarts. Ele no nos deu detalhes, no nos contou exatamente como Cedric foi morto, acho que todos gostariam de ouvir...
 - Se voc veio ouvir, exatamente, como  que Voldemort mata algum, eu no vou poder ajud-lo. - Sua irritao, ultimamente sempre to  flor da pele, estava mais uma vez crescendo. No tirou os olhos do rosto agressivo de Zacarias Smith, 
e estava decidido a no olhar para Cho. - No quero falar sobre Cedric Diggory, est bem? Portanto, se  para isto que voc veio,  melhor ir embora.
Ele lanou um olhar zangado em direo a Hermione. Achava que aquilo era culpa dela; resolvera pint-lo como uma espcie de aberrao, e  claro que todos tinham aparecido s para saber at que ponto chegava sua histria delirante. Mas nenhum deles se levantou, nem mesmo Zacarias Smith, embora continuasse a observar Harry atentamente.
 - Ento - recomeou Hermione, com a voz novamente muito esganiada. - Ento, como eu ia dizendo... se vocs quiserem aprender alguma defesa, ento precisamos resolver como vamos fazer isso, com que freqncia vamos nos encontrar e aonde vamos nos...
 -  verdade - interrompeu a garota, com a longa trana nas costas, olhando para Harry - que voc  capaz de produzir um Patrono?
Correu um murmrio de interesse pelo grupo quando ela disse isso.
 - Sou - confirmou Harry, ligeiramente na defensiva.
 - Um Patrono corpreo?
A frase despertou uma lembrana na cabea de Harry.
 - Hum... voc conhece Madame Bones? - perguntou ele. A garota sorriu.
 - E minha tia. Sou Susan Bomes. Ela me contou como foi a sua audincia. Ento...  verdade mesmo? Voc conjura um Patrono em forma de veado?
 - Conjuro.
 - Caramba, Harry! - exclamou Linus, parecendo profundamente impressionado. - Eu no sabia disso!
 - Mame disse a Ron para no espalhar - comentou Fred, sorrindo para Harry. - Disse que Harry j chamava muita ateno sem isso.
 - Ela no est errada - murmurou Harry, e algumas pessoas deram risadas.
A bruxa de vu, sentada sozinha, mexeu-se ligeiramente na cadeira.
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 - E voc matou um basilisco com aquela espada que fica na sala de Dumbledore? - perguntou Terncio Boot. - Foi o que um dos quadros na parede me contou quando estive l no ano passado...
 - Hum... , matei, sim.
Justin Finch-Fletchley assobiou, os irmos Creevey se entreoIharam, assombrados, e Lavender Brown exclamou baixinho "Uau!" Harry estava se sentindo um pouco quente em volta do pescoo agora; e determinado a olhar para qualquer lugar menos para Cho.
 - E no nosso primeiro ano - contou Neville ao grupo - ele salyou a Pedra Teosofal... 
 - Filosofal - sibilou Hermione.
 - Isso... das mos de Voc-Sabe-Quem - concluiu Neville.
Os olhos de Ana Abbott estavam redondos como dois galees.
 - E isso para no mencionar - disse Cho (Harry se virou instantaneamente para ela; Cho estava olhando para ele e sorrindo; seu estmago deu mais uma cambalhota) - todas as tarefas que ele precisou realizar no Torneio Tribruxo no ano passado passar por drages, sereianos e acromntulas e outros seres...
Houve um murmrio de concordncia favorvel em torno da mesa. As entranhas de Harry se reviravam. Ele tentou acertar sua expresso para no parecer demasiado presunoso. O fato de que Cho acabara de elogi-lo tornara muitssimo mais difcil dizer o que jurara que diria aos colegas.
 - Escutem - disse ele e todos silenciaram na mesma hora - no quero parecer que estou tentando ser modesto nem nada, mas... tive muita ajuda em tudo que fiz...
 - No, com o drago voc no teve - disse Michael Comer imediatamente. - Aquilo foi um vo superirado...
 - ... bom - concordou Harry, sentindo que seria grosseiro discordar.
 - E ningum ajudou voc a se livrar dos Dementadores, agora no vero - disse Susan Bomes.
 - No - concordou Harry - no, OK, eu sei que fiz algumas coisas sem ajuda, mas o que estou tentando dizer  que...
 - Voc est tentando fugir do compromisso de nos mostrar tudo isso? - perguntou Zacarias.
 - Tenho uma idia - disse Ron em voz alta, antes que Harry pudesse falar - por que voc no cala a boca?
 - Ora, todos viemos para aprender com Harry, e agora ele est dizendo que, no duro, no sabe fazer nada disso.
 - No foi isso que ele disse - reagiu Fred. 
 - Quer que a gente limpe seus ouvidos para voc? - perguntou
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George, tirando um longo instrumento metlico de aspecto letal, de dentro de uma das sacas da Zonkos.
 - Ou enfie isso em qualquer outra parte do seu corpo, para falar a verdade, no somos muito luxentos - acrescentou Fred.
 - Bom - disse Hermione depressa - continuando... a questo  estamos de acordo que queremos tomar aulas com o Harry?
Houve um murmrio de aprovao geral. Zacarias cruzou os braos e se manteve calado, talvez porque estivesse ocupado demais em prestar ateno ao instrumento na mo de Fred.
 - Certo - disse Hermione, 
parecendo aliviada de que alguma coisa tivesse sido finalmente decidida. - Bom, ento, a prxima questo  com que freqncia vamos ter essas aulas? Na verdade, eu acho que no adianta nada nos encontrarmos menos de uma vez por semana...
 - Calma a - disse Angelina - precisamos ter certeza de que no vo se chocar com o nosso treino de quidditch.
 - No - disse Cho - nem com o nosso.
 - Nem com o nosso - acrescentou Zacarias.
 - Tenho certeza de que vamos encontrar uma noite que sirva para todos - disse Hermione, com leve impacincia - mas, sabem, as aulas so muito importantes, estamos falando de aprender a nos defender dos Comensais da Morte de V-Voldemort...
 - Muito bem! - bradou Ernie Macmillan, que Harry esperara que falasse muito antes disso. - Pessoalmente, eu acho que as aulas so realmente importantes, possivelmente mais importantes do que qualquer outra coisa que vamos fazer este ano, at mesmo os N.O.M.s que
vem ai!
Ernie olhou para os lados ostensivamente, como se esperasse que os colegas fossem gritar "Claro que no so!", mas ningum disse nada, ento ele continuou
 - Pessoalmente, no consigo entender por que o Ministrio nos impingiu uma professora intil como essa, em um perodo to crtico. E bvio que se recusam a admitir o retorno de Voc-Sabe-Quem, mas da a nos mandar uma professora que est tentando nos impedir por todos os meios de usar feitios defensivos...
 - Ns achamos que a razo por que Umbridge no quer que treinemos Defesa Contra as Artes das Trevas - disse Hermione -  que ela tem uma idia alucinada de que Dumbledore pode usar os alunos da escola como um exrcito particular. Acha que ele poderia fazer uma mobilizao contra o Ministrio.
Quase todos pareceram perplexos com essa notcia todos, exceto Luna, que comeou a falar
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 - Bom, isso faz sentido. Afinal de contas, Cornelius Fudge tem um exrcito particular.
 - Qu? - exclamou Harry, completamente perturbado com a inesperada informao.
 - , ele tem um exrcito de heliopatas - confirmou ela, solenemente.
 - No, no tem - retorquiu Hermione com rispidez.
 - Tem sim.
 - E o que so heliopatas? - perguntou Neville, sem entender.
 - So espritos do fogo - explicou Luna, arregalando os olhos saltados e parecendo mais maluca que nunca - figuras altas, grandes e flamejantes que galopam pela terra queimando tudo que encontram...
 - Isso no existe, Neville - disse Hermione com azedume.
 - Ah, existe, existe, sim! - repetiu Luna, zangada.
 - Me desculpe, mas onde est a prova de que existe? - retorquiu Hermione.
 - H muitos depoimentos de testemunhas oculares. S porque voc tem a mentalidade to tacanha que precisa que se enfie as coisas embaixo do seu nariz...
 - Hem, hem - fez Giny, numa imitao to perfeita da Prof Umbridge, que vrias pessoas se viraram assustadas, mas em seguida caram na gargalhada. - Ns no estvamos decidindo quantas vezes vamos nos encontrar para tomar aulas de defesa?
 - Estvamos - disse Hermione na mesma hora - sim, estvamos, voc tem razo, Giny. .<
 - Bom, uma vez por semana parece legal - sugeriu Linus.
 - Desde que... - comeou Angelina.
 - T, t, o treino de quidditch - disse Hermione em tom tenso.
 - Bom, a outra coisa  decidir onde vamos nos encontrar...
Isso j era mais difcil; o grupo todo se calou.
 - Na biblioteca? - sugeriu Kate Bell, aps alguns instantes. ;
 - No consigo imaginar Madame Pince muito satisfeita vendo a gente fazer maldies na biblioteca - disse Harry.
 - Talvez uma sala fora de uso? - sugeriu Dean.
 -  - concordou Ron. - Talvez a McGonagall nos ceda a sala dela, j fez isso quando Harry estava praticando para o Tribruxo.
Mas Harry tinha certeza de que, desta vez, McGonagall no seria to cordata. Apesar de tudo que Hermione dissera sobre a legalidade de estudos e trabalhos em grupo, ele tinha a ntida impresso de que esta atividade poderia ser considerada muito mais rebelde.
 - Certo, vamos tentar encontrar um lugar - disse Hermione. l
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Mandaremos um recado para todos quando tivermos acertado a hora e o local do primeiro encontro.
Ela vasculhou a bolsa e tirou um pergaminho e uma pena, ento hesitou, como se estivesse criando coragem para dizer alguma coisa.
 - Acho... acho que todos deviam escrever seus nomes para sabermos quem est presente. Mas acho tambm - e inspirou profundamente - que todos devemos concordar em no sair por a anunciando o que estamos fazendo. Ento, se vocs assinarem estaro concordando em no contar a Umbridge nem a mais ningum o que pretendemos fazer.
Fred estendeu a mo para o pergaminho e o assinou com animao, mas Harry reparou na mesma hora 
que vrias pessoas pareciam bem menos satisfeitas com a perspectiva de colocar os nomes na lista.
 - Hum... - disse Zacarias lentamente, sem receber o pergaminho que George tentava lhe passar - bom... tenho certeza de que Ernie vai me avisar quando souber da reunio.
Mas Ernie parecia bem hesitante em assinar, tambm. Hermione ergueu as sobrancelhas para ele.
 - Eu... bom, ns somos monitores - desabafou. - E se descobrirem essa lista... bom, quero dizer... voc mesma disse, se a Umbridge descobrir...
 - Voc acabou de dizer ao grupo que era a coisa mais importante que voc ia fazer este ano - lembrou-lhe Harry.
 - Eu... certo - disse Ernie - acredito realmente nisso, s que...
 - Ernie, voc realmente acha que eu deixaria essa lista largada por a? - perguntou Hermione, irritada.
 - No. No, claro que no - disse Ernie, perdendo um pouco da ansiedade. - Eu...  claro, vou assinar.
Ningum mais fez objees depois de Ernie, embora Harry tenha visto a amiga de Cho lanar a ela um olhar de censura, antes de acrescentar o nome  lista. Quando a ltima pessoa - Zacarias - assinou, Hermione recolheu o pergaminho e guardou-o com cuidado na bolsa. Havia um clima estranho no grupo agora. Era como se tivessem acabado de assinar uma espcie de contrato.
 - Bom, o tempo est correndo - disse Fred com vivacidade, ficando em p. -George, Linus e eu temos uns artigos de natureza delicada para comprar, veremos vocs depois.
Novamente em trios e pares, o restante do grupo tambm se despediu. Cho transformou o ato de fechar a bolsa para sair em um verdadeiro ritual, seus longos cabelos negros, balanando  frente do rosto e ocultando-o como um vu, mas a amiga permaneceu ao seu lado, de braos cruzados, estalando a lngua, de modo que Cho no
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teve outra escolha seno sair com ela. Quando a amiga abriu a porta do pub, Cho olhou para trs e acenou para Harry.
 - Bom, acho que tudo correu bastante bem - comentou Hermione feliz, enquanto ela, Harry e Ron saam do Cabea de Javali, para o dia ensolarado, alguns minutos mais tarde. Harry e Ron iam agarrados s suas garrafas de cerveja amanteigada.
 - Aquele Zacarias  um chato - disse Ron, olhando de cara feia para o vulto de Smith, apenas discernvel a distncia.
 - Tambm no gosto muito dele - admitiu Hermione - mas ele me ouviu conversando com Ernie e Ana na mesa da Hufflepuff, e pareceu realmente interessado em vir, e a, que  que eu podia dizer? Mas, na verdade, quanto maior o nmero de pessoas melhor ser, quero dizer, Michael Comer e os amigos dele no teriam vindo se ele no estivesse saindo com a Giny...
Ron, que estava bebendo as ltimas gotas da sua cerveja amanteigada, engasgou-se e cuspiu cerveja nas vestes.
 - Ele est O QUE? - engrolou Ron, indignado, suas orelhas agora parecendo cachinhos de carne crua. - Ela est saindo com... minha irm est saindo... que  que voc quer dizer, com Michael Comer?
 - Bom,  por isso que ele e os amigos vieram, acho, bom,  claro que esto interessados em aprender defesa, mas se Giny no tivesse contado a Michael o que estava acontecendo...
 - Quando foi que isso... quando foi que ela...?
Eles se conheceram no Baile de Inverno e se reencontraram no fim do ano passado - disse Hermione muito conciliadora. Os trs tinham acabado de entrar na rua Principal, e ela parou  porta da Escriba Penas Especiais, onde havia um bonito arranjo de penas de faiso na vitrina.
 - Humm... eu bem que gostaria de comprar uma pena nova. Ela entrou na loja. Harry e Ron a acompanharam.
 - Qual deles era o Michael? - Ron exigiu saber, furioso. <
 - O moreno - disse Hermione. v - ri /> - No gostei dele.
 - Grande novidade - resmungou Hermione baixinho.
 - Mas - Ron seguiu Hermione por uma fileira de penas dispostas em potes de cobre - pensei que Giny gostasse do Harry!
Hermione olhou-o penalizada e sacudiu a cabea.
 - Giny costumava gostar do Harry, mas desistiu j faz meses. No que ela no goste de voc, claro - acrescentou gentilmente para Harry, enquanto examinava uma longa pena preta e dourada.
Harry, cuja cabea ainda estava tomada pelo aceno de despedida de Cho, no achou o assunto to interessante quanto Ron, que positivamente tremia de indignao, mas levou-o a perceber uma coisa que at ali no havia registrado.
 - Ento  por isso que ela agora fala? - perguntou a Hermione. Ela no costumava falar na minha frente.
 - Exato. Acho que vou levar esta...
Hermione foi at o balco e pagou quinze sicles e dois nuques, com Ron bafejando em seu pescoo.

 - Ron - disse ela com severidade ao se virar e sentir que pisava o p do amigo -  exatamente por isso que Giny no lhe disse que est se encontrando com o Michael, ela sabia que voc no ia aceitar. Ento, por favor, pare de insistir no assunto, pelo amor de Deus.
 - Que  que voc quer dizer com isso? Quem  que no est aceitando alguma coisa? No vou ficar falando de nada... - Mas continuou resmungando baixinho pelo caminho.
Hermione girou os olhos para Harry e ento comentou em voz baixa, enquanto Ron continuava a murmurar imprecaes contra Michael Comer.
 - E por falar em Michael e Giny... e a Cho e voc?
 - Como assim? - perguntou Harry depressa.
Foi como se a gua estivesse fervendo e subisse rapidamente dentro dele uma sensao escaldante que fez seu rosto arder no frio. Ser que fora assim to bvio?
 - Bom - disse Hermione com um leve sorriso - ela simplesmente no conseguia tirar os olhos de voc.
Harry nunca apreciara antes como a vila de Hogsmeade era bonita.
 - CAPTULO DEZESSETE
Decreto da Educao Nmero Vinte e Quatro
Harry se sentiu mais feliz pelo resto do fim de semana do que se sentira at ali. Ele e Ron passaram a maior parte do domingo mais uma vez recuperando o atraso nos deveres, e, embora isso no pudesse ser considerado diverso, em vez de ficarem debruados sobre as mesas da sala comunal, os dois levaram o trabalho para o jardim e se recostaram  sombra de uma frondosa faia  margem do lago, para aproveitar a despedida do sol outonal. Hermione, que naturalmente estava em dia com os deveres, levou com ela uns novelos de l e encantou as agulhas de tric, que cuavam e brilhavam no ar ao seu lado, produzindo mais gorros e cachecis.
Saber que estavam fazendo alguma coisa para resistir a Umbridge e ao Ministrio, e que ele era uma parte importante dessa rebeldia, dava a Harry uma sensao de imenso contentamento. Ele no parava de reviver em sua mente a reunio de sbado toda aquela gente acorrendo ao seu encontro para aprender Defesa Contra as Artes das Trevas... e as expresses em seus rostos quando ouviram algumas das coisas que ele havia feito... e Cho elogiando o seu desempenho no Torneio Tribruxo - saber que todas aquelas pessoas no o achavam um pirado mentiroso, mas algum que merecia admirao, inflou de tal forma o seu ego que ele continuava animado na manh de segunda-feira, apesar da perspectiva iminente de assistir a todas as aulas de que menos gostava.
Ele e Ron desceram do dormitrio, discutindo a idia proposta por Angelina de que deviam trabalhar uma nova jogada chamada Giro da Preguia, no treino de quidditch daquela noite, e, somente quando j estavam no meio da sala banhada de sol, eles repararam na novidade que j atrara a ateno de um grupinho de alunos.
Um grande aviso fora afixado ao quadro da Grifindore; to grande que cobria tudo que ali estava as ofertas de livros de feitio de segunda mo, os lembretes sobre o regulamento da escola pregados por Argus Filch, o horrio de treinamento do time de quidditch, as propostas para trocar certos cartes de sapos de chocolate por outros, os ltimos
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anncios dos Weasley pedindo testadores, as datas dos fins de semana em Hogsmeade, e os avisos de achados e perdidos. O novo aviso estava impresso em grandes letras pretas e tinha um selo de aspecto muito oficial embaixo, ao lado de uma assinatura rebuscada e clara. ..
POR ORDEM DA ALTA INQUISIDORA DE HOGWARTS
Todas as organizaes, sociedades, times, grupos e clubes estudantis esto doravante dissolvidos.
Uma organizao, sociedade, um time, grupo ou clube  aqui definido como uma reunio regular de trs ou mais estudantes.
A permisso para reorganiz-los dever ser solicitada  Alta Inquisidora (Prof Umbridge).
Nenhuma organizao, sociedade, 
nenhum time, grupo ou clube estudantil poder existir sem o conhecimento e a aprovao da Alta Inquisidora.
O estudante que tiver organizado ou pertencer a uma organizao, sociedade, um time, grupo ou clube no aprovado pela
Alta Inquisidora ser expulso. - .-'...

O acima disposto est em conformidade com o Decreto da Educao Nmero Vinte e Quatro
 Assinado:
 Dolores Jane Umbridge
Harry e Ron leram o aviso por cima das cabeas de alguns segundanistas ansiosos.
 - Isto quer dizer que vo fechar o Clube das Bexigas? - perguntou um deles ao amigo.
 - Acho que vai ficar tudo bem com as Bexigas - comentou Ron sombriamente, fazendo o garoto se sobressaltar. - Porm, acho que no teremos tanta sorte, e voc? - perguntou a Harry quando os segundanistas se afastaram rapidamente.
Harry estava relendo o aviso todo. A felicidade que se apossara dele no sbado desapareceu. Suas entranhas pulsavam de raiva.
 - Isto no  coincidncia - disse, fechando os punhos com fora.
 - Ela sabe.
 - No pode saber - disse Ron imediatamente.
 - Havia umas pessoas escutando naquele pub. E, vamos encarar os fatos, no sabemos em quantos dos que apareceram podemos confiar... qualquer um poderia ter ido correndo contar a Umbridge...
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I
E pensara que haviam acreditado nele, que at o admiravam...
 - Zacarias Smith! - disse Ron na mesma hora, dando um soco na mo. - Ou... achei que aquele Michael Comer tinha realmente um olhar maroto, tambm...
 - Ser que a Hermione j viu isso? - perguntou Harry, olhando para a porta que levava ao dormitrio das garotas.
 - Vamos contar pra ela - disse Ron. De um salto, ele abriu a porta e comeou a subir a escada em espiral.
Estava no sexto degrau quando ouviu uma buzina alta e triste, e os degraus se fundiram formando um escorrega comprido e liso, como o de um parque de diverses. Por um breve instante, Ron tentou continuar correndo, seus braos e pernas se agitaram como as ps de um moinho, ento caiu para trs e deslizou, ligeiro, pelo escorrega recm-criado, indo cair de costas aos ps de Harry.
 - Hum... acho que no querem a gente no dormitrio das meninas - disse Harry, ajudando Ron a se levantar e tentando no rir.
Duas garotas do quarto ano desceram a toda pelo escorrega, muito contentes.
 - O, quem tentou subir? - riam, pulando em p, e olhando curiosas para Harry e Ron.
 - Eu - respondeu Ron, ainda bastante amarrotado. - No tinha idia de que isso poderia acontecer. E no  justo! - acrescentou para Harry, quando as garotas saram em direo ao buraco do retrato, ainda rindo feito loucas. - Hermione pode ir ao nosso dormitrio, como  que no podemos...?
 - Bom,  uma regra antiquada - disse Hermione, que acabara de escorregar tranqilamente at eles, sentada em um tapete, e agora se levantava - mas Hogwarts uma histria conta que os fundadores acharam que os meninos mereciam menos confiana do que as meninas. Em todo o caso, por que vocs estavam tentando entrar l?
 - Para falar com voc... vem ver isso! - disse Ron, arrastando-a at o quadro de avisos.
Os olhos de Hermione relancearam pelo aviso. Sua expresso petrificou.
 - Algum deve ter contado a ela! - disse Ron, zangado.
 - No podem ter feito isso - contestou Hermione, em voz baixa.
 - Voc  to ingnua! Acha que s porque  honrada e digna de confiana...
 - No, eles no podem ter feito isso, porque lancei um feitio no pergaminho que todos assinamos - disse Hermione, sria. - Pode crer, se algum foi correndo contar a Umbridge, ns saberemos exatamente quem foi, e a pessoa vai realmente se arrepender.
 - Que  que vai acontecer? - perguntou Ron, ansioso.
 - Bom, vamos dizer que a acne da Helosa Midgeon vai parecer umas sardas engraadinhas. Anda, vamos descer para tomar caf e ver o que os outros acham... ser que isso foi afixado em todas as casas?
Ficou imediatamente bvio ao entrarem no Salo Principal que o aviso de Umbridge no aparecera apenas na Torre da Grifindore. Havia uma intensidade peculiar nas conversas, e uma multiplicao das idas e vindas 
de alunos correndo s mesas e se consultando sobre o que haviam lido. Harry Ron e Hermione tinham acabado de sentar quando Neville, Dean, Fred, George e Giny caram em cima deles.
 - Vocs viram?
 - Acham que ela sabe?
 - Que vamos fazer? 
Todos olhavam para Harry. Ele passou os olhos pelo salo para ter
certeza de que no havia professores por perto.
 - Claro que vamos continuar do mesmo jeito - confirmou em voz baixa.
 - Eu sabia que voc ia dizer isso - disse George, abrindo um grande sorriso e dando pancadinhas no brao de Harry.
 - Os monitores tambm? - perguntou Fred, olhando curioso para Ron e Hermione.
 - Claro - disse Hermione calmamente.
 - A vm Ernie e Ana Abbott - disse Ron, olhando por cima do ombro. - E aqueles caras da Ravenclaw e Smith... e nenhum deles parece ter marcas no rosto.
Hermione teve uma reao de alarme.
 - Esquea as marcas, os idiotas no podem vir aqui agora, vai parecer realmente suspeito; vo sentar! - vociferou Hermione para Ernie e Ana, fazendo gestos frenticos para voltarem  mesa da Hufflepuff. -Mais tarde! Falaremos... com... vocs... deposl
 - vou dizer ao Michael - disse Giny, impaciente, deslizando para fora do banco - o boboca, francamente...
Ela correu para a mesa da Ravenclaw; Harry observou-a afastando-se. Cho estava sentada no muito longe, conversando com a amiga de cabelos crespos que levara ao Cabea de Javali. Ser que o aviso da Umbridge a faria recear novos encontros?
Mas eles s perceberam a amplitude das repercusses do aviso quando estavam saindo do Salo Principal para a aula de Histria da Magia.
 - Harry! Ron! Era Angelina que corria em seu encalo, aflita, absolutamente desesperada.,
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 - Tudo bem - disse Harry baixinho, quando ela se aproximou o suficiente para ouvi-lo. - Vamos continuar...
 - Voc no est entendendo que ela incluiu o quidditch nisso? Teremos de procur-la e pedir permisso para reorganizar a equipe da Grifindore!
 - Qu? - disse Harry. 
 - Nem pensar - disse Ron estarrecido.
 - Vocs leram o aviso, ela menciona os times tambm! Ento, escute aqui, Harry... estou dizendo isso pela ltima vez... por favor, por favor, no perca a cabea com a Umbridge de novo ou ela pode no deixar a gente jogar mais!
 - OK, OK - concordou Harry, porque Angelina parecia  beira das lgrimas. - No se preocupe. vou me comportar...
 - Aposto como a Umbridge vai estar na Histria da Magia - disse Ron com ferocidade, quando se encaminhavam para a aula de Binns. - Ela ainda no o inspecionou... aposto que vai estar l.
Mas se enganou; o nico professor presente quando entraram era Binns, flutuando alguns centmetros acima de sua cadeira, como sempre, preparando-se para continuar sua montona lengalenga sobre a guerra dos gigantes. Harry nem sequer tentou acompanhar o que ele estava dizendo; rabiscava a esmo em seu pergaminho, fingindo no entender os olhares e cutucadas freqentes de Hermione, at que uma, particularmente dolorosa, nas costelas, o fez erguer os olhos aborrecido.
 - Que foi?
Ela apontou para a janela. Harry olhou. Edwig estava encarrapitada no estreito peitoril, olhando fixamente para ele pela grossa vidraa, uma carta amarrada  perna. Harry no entendeu; tinham acabado de tomar o caf da manh; por que ela no entregara a carta ento, como sempre? Muitos dos seus colegas estavam apontando Edwig uns para os outros tambm.
 - Ah, eu sempre adorei essa coruja,  to linda - Harry ouviu Lavender suspirar para Parvati.
Ele olhou para o Prof. Binns, que continuava a ler suas anotaes, serenamente inconsciente de que a ateno da turma estava ainda menos concentrada nele do que o normal. Harry saiu discretamente da carteira, abaixou-se e percorreu a fila at a janela, onde soltou o trinco, e a abriu muito devagarinho.
Esperou que Edwig esticasse a perna para ele remover a carta e depois voasse para o corujal, mas, no instante em que a janela abriu o suficiente, ela pulou para dentro, piando triste. Ele fechou a janela lanando um olhar ansioso ao Prof. Binns, tornou a se abaixar e a vol295
tar correndo para sua carteira, com Edwig ao ombro. Sentou-se de novo, transferiu a coruja para o colo e fez meno de remover a carta amarrada  sua perna.
S ento percebeu que as penas da coruja estavam estranhamente arrepiadas, algumas tinham sido dobradas para trs e ela mantinha as asas em um ngulo esquisito.
 - Ela est ferida! - sussurrou Harry, curvando-se para a ave. Hermione e Ron 
se inclinaram para mais perto; Hermione chegou mesmo a descansar a pena. - Olhem... tem alguma coisa errada com a asa dela...
Edwig estava tremendo; quando Harry fez meno de tocar sua asa, ela se assustou, eriando as penas como se estivesse se enchendo de ar, e deu ao dono um olhar de censura.
 - Prof. Binns - chamou Harry em voz alta, e todos na classe se viraram para olh-lo. - No estou me sentindo bem.
O professor ergueu os olhos de seus papis, parecendo espantado, como sempre, de ver diante dele uma sala cheia de gente.
 - No est se sentindo bem? - repetiu nebulosamente.
 - Nada bem - disse Harry com firmeza, levantando-se com Edwig escondida s costas. - Acho que preciso ir  ala hospitalar.
 - Sei - disse o professor, nitidamente muito constrangido. - Sei... sei, ala hospitalar... bem, v ento, Perkins...
Uma vez fora da sala, Harry reps Edwig no ombro e saiu apressado pelo corredor, somente se detendo para pensar quando a porta de Binns j desaparecera de vista. A primeira pessoa que ele escolheria para tratar de Edwig teria sido Hagrid, naturalmente, mas como no fazia idia de onde andava, a nica opo que lhe restava era encontrar a Prof Grubbly-Plank e esperar que ela o ajudasse.
Ele espiou os terrenos ventosos e nublados da escola pela janela. No viu sinal da professora prximo  cabana de Hagrid; se no estava dando aulas, provavelmente estaria na sala dos professores. Ele resolveu descer com Edwig balanando em seu ombro e piando fraco.
Duas grgulas de pedra ladeavam a sala dos professores. Quando Harry se aproximou, uma delas crocitou
 - Voc devia estar na aula, filhinho.
 -  urgente - disse Harry com rispidez.
 - , urgente ? - comentou a segunda grgula, numa voz esganiada. - Bom, isto nos pe em nosso lugar, no ?
Harry bateu  porta. Ouviu passos, a porta se abriu, e deparou com a Prof McGonagall.
 - Voc no recebeu mais uma deteno! - exclamou ao v-lo, seus culos quadrados faiscando assustadoramente.
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 - No, professora! - apressou-se a tranqiliz-la.
 - Ento, por que no est na aula?
 - Pelo jeito  urgente - comentou a segunda grgula em tom de crtica.
 - Estou procurando a Prof Grubbly-Plank - explicou Harry. - A minha coruja est ferida.
 - Coruja ferida, foi o que disse?
A Prof Grubbly-Plank apareceu ao ombro da McGonagall, fumando um cachimbo e trazendo nas mos um exemplar do Profeta Dirio.
 - Foi - confirmou Harry, retirando Edwig cuidadosamente do ombro - apareceu depois das outras corujas de correio com a asa esquisita, veja...
A professora prendeu o cachimbo firmemente entre os dentes e recebeu a coruja de Harry, observada pela Prof McGonagall.
 - Humm - fez a professora, o cachimbo balanando ligeiramente enquanto falava. - Parece que alguma coisa a atacou. Mas no imagino o que poderia ter sido. Os Testrlios s vezes caam pssaros, mas Hagrid treinou os de Hogwarts muito bem para no tocarem em corujas.
Harry no sabia nem se importava com o que seriam Testrlios; s queria saber se Edwig ia ficar boa. A Prof McGonagall, porm, olhou para o garoto com perspiccia, e perguntou
 - Voc sabe que distncia essa coruja viajou, Potter?
 - Hum, acho que veio de Londres.
Seus olhos encontraram os dela brevemente e ele percebeu, pelo jeito com que as sobrancelhas da professora se juntaram sobre o nariz, que compreendia que Londres significava o largo Grimmauld, doze.
A Prof Grubbly-Plank tirou um monculo de dentro das vestes e encaixou-o no olho para examinar mais atentamente a asa de Edwig.
 - Devo poder resolver isso se voc deix-la comigo, Potter, em todo o caso ela no deve voar muito longe por alguns dias.
 - Hum... certo... obrigado - disse Harry, na hora em que a sineta anunciava o intervalo.
 - Tudo bem - disse a Prof Grubbly-Plank, tornando a entrar na sala dos professores.
 - Um momento, Billlhermina! - chamou McGonagall. - A carta de Potter!
 - Ah, ! - exclamou Harry, que momentaneamente esquecera o pergaminho atado  perna de Edwig. A Prof Grubbly-Plank entregou-a e desapareceu no interior da sala de professores, levando a
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coruja que olhava fixamente para Harry, como se no pudesse acreditar que o dono fosse abandon-la assim. Sentindo um ligeiro remorso, ele se virou para sair, mas a Prof McGonagall o chamou.
 - Potter!
 - Sim, senhora professora.
Ela olhou para os dois lados do corredor; havia estudantes vindo de ambas as direes.
 - No se esquea - disse depressa em voz baixa, seus olhos no pergaminho que ele segurava - de que os canais de comunicao, de e para Hogwarts, podem estar sendo vigiados, sim?
 - Eu... - comeou a dizer Harry, mas as ondas de estudantes que vinham pelo corredor estavam quase alcanando-os. A professora lhe fez um breve aceno com a cabea e se retirou, deixando Harry ser empurrado para o ptio pela multido. 
Ele localizou Ron e Hermione, j parados em um canto abrigado, as golas das capas viradas para cima para proteg-los do vento. Harry abriu o pergaminho, correu para os amigos e leu cinco palavras na caligrafia de Sirius.
Hoje, mesma hora, mesmo lugar.
 - Edwig est bem? - perguntou Hermione ansiosa, assim que a distncia permitiu que ele a ouvisse.
 - Aonde foi que voc a levou? - perguntou Ron.
 - Para a Grubbly-Plank. Encontrei a McGonagall... escutem...
E contou-lhes o que a professora dissera. Para sua surpresa, nenhum dos dois pareceu se abalar. Ao contrrio, trocaram olhares muito significativos.
 - Qu? - disse Harry, olhando de Ron para Hermione e novamente para o amigo.
 - Bom, eu estava justamente dizendo ao Ron... e se algum tivesse tentado interceptar Edwig? Quero dizer, ela nunca se machucou em um vo antes, no ?
 - Afinal, de quem  a carta? - perguntou Ron, tirando o bilhete da mo de Harry.
 - Snuffles - disse Harry baixinho.
 - "Mesma hora, mesmo lugar?" Ele quer dizer a lareira na sala comunal?
 - E bvio - disse Hermione, lendo tambm o pergaminho. Mas manifestou sua apreenso. - S espero que ningum mais tenha lido isso...
 - Mas ainda estava lacrado e tudo - disse Harry, tentando convencer a si mesmo e a Hermione. - E ningum ia entender o que quer dizer se no soubesse que falei com ele antes, ia?
 - No sei - disse Hermione nervosa, pendurando a mochila s
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costas, quando a sineta tornou a tocar - no seria difcil tornar a lacrar um pergaminho usando magia... e se algum estiver vigiando a Rede de Flu... mas no vejo como podemos avis-lo para no vir sem interceptarem o aviso tambm!
Eles desceram a escada para as masmorras onde tinham aula de Poes, os trs absortos em seus pensamentos, mas, ao chegarem ao ltimo degrau, foram chamados  realidade pela voz de Draco Malfoy, que estava parado bem  porta da sala de Snape, sacudindo um pergaminho de aspecto oficial e falando mais alto do que necessrio para que eles pudessem ouvir todas as palavras que dizia.
 - , na mesma hora a Umbridge deu  equipe da Slytherin permisso para continuar a jogar. Fui pedir a ela logo que acordei. Bom, seria automtico, quero dizer, ela conhece meu pai muito bem, ele est sempre entrando e saindo do Ministrio... vai ser interessante ver se a Grifindore vai ganhar permisso para continuar a jogar, no acham?
 - No aceitem provocao - cochichou Hermione, implorando a Harry e Ron, que observavam Malfoy, os rostos tensos e os punhos fechados. -  o que ele quer.
 - Quero dizer - continuou Malfoy, alteando um pouco mais a voz, os olhos cinzentos brilhando malevolamente para Harry e Ron - se  uma questo de influncia com o Ministrio, acho que eles no tm muita chance... pelo que diz meu pai, h anos que esto procurando uma desculpa para despedir o Arthur Weasley... e quanto a Potter... meu pai diz que  apenas uma questo de tempo, logo o Ministrio vai mandar despach-lo para o Hospital St. Mungus... parece que l tem uma enfermaria especial para gente que teve o crebro fundido por magia.
Malfoy fez uma careta grotesca com a boca aberta e os olhos girando nas rbitas. Crabbe e Goyle deram os seus habituais grunhidos de riso, e Pansy Parkinson guinchou de prazer.
Alguma coisa colidiu com fora contra o ombro de Harry, empurrando-o para o lado. Uma frao de segundo depois, ele percebeu que Neville, s suas costas, acabara de avanar diretamente contra Malfoy.
 - Neville, nol
Harry saltou para a frente e agarrou Neville pelas vestes; o garoto lutou freneticamente, os punhos sacudindo no ar, tentando desesperadamente chegar a Malfoy, que pareceu, por um instante, extremamente espantado.
 - Me ajude! - gritou Harry para Ron, conseguindo passar um brao pelo pescoo de Neville e pux-lo para trs, afastando-o dos
alunos da Slytherin. Crabbe e Goyle flexionaram os braos colocando-se  frente de Malfoy, prontos para brigar. Ron agarrou os braos de Neville e juntos, ele e Harry, conseguiram arrastar o garoto para junto dos alunos da Grifindore. O rosto dele estava escarlate; a presso que Harry fazia sobre sua garganta deixava-o ininteligvel, saltavam palavras estranhas de sua boca.
 - No... graa... no... Mungus... 
mostre... a ele...
A porta da masmorra se abriu. Apareceu Snape. Seus olhos negros correram pelos alunos da Grifindore at o ponto em que Harry e Ron lutavam com Neville.
 - Brigando, Potter, Weasley, Longbottom? - indagou, com sua voz fria e desdenhosa. - Dez pontos a menos para a Grifindore. Solte Longbottom, Potter, ou receber uma deteno. Para dentro todos vocs.
Harry largou Neville, que ficou ofegando, de cara amarrada para ele.
 - Tive de segurar voc - exclamou Harry, apanhando sua mochila. - Crabbe e Goyle iam estraalhar voc.
Neville no disse nada, apenas agarrou a prpria mochila e entrou
na masmorra.
 - Em nome de Merlim - perguntou Ron lentamente, ao acompanharem Neville - o que foi aquilo?
Harry nada respondeu. Sabia exatamente por que o assunto de pessoas confinadas em St. Mungus, vtimas de danos ao crebro produzidos por magia, perturbava Neville fortemente, mas jurara a Dumbledore que no contaria a ningum o segredo de Neville. Nem mesmo Neville imaginava que ele soubesse.
Harry, Ron e Hermione ocuparam seus lugares habituais no fundo da sala, tiraram seus pergaminhos, penas e exemplares de Mil ervas e fungos mgicos.  sua volta, a turma murmurava sobre o que Neville acabara de fazer, mas, quando Snape fechou a porta da masmorra com uma pancada ressonante, todos imediatamente se calaram.
 - Vocs iro notar - disse Snape, com sua voz baixa e desdenhosa - que hoje temos uma convidada conosco.
Ele indicou, com um gesto, um canto sombrio da masmorra, e Harry viu a Prof Umbridge sentada, com a prancheta sobre os joelhos. Olhou de esguelha para Ron e Hermione, as sobrancelhas erguidas. Snape e Umbridge, os dois professores que mais detestava. Ficava difcil decidir qual ele queria que vencesse qual.
 - Hoje vamos continuar a nossa Soluo para Fortalecer. Vocs encontraro suas misturas como as deixaram na ltima aula; se foram feitas corretamente, elas devero ter maturado a contento durante o
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fim de semana... as instrues... - ele acenou com a varinha - ... no quadro. Podem comear.
A Prof Umbridge passou a primeira meia hora da aula tomando notas em seu canto. Harry estava muito interessado em ouvi-la questionar Snape; to interessado, que comeou a descuidar de sua poo outra vez.
 - Sangue de salamandra, Harry! - gemeu Hermione, agarrando o pulso dele para impedi-lo de adicionar o ingrediente errado pela terceira vez - e no suco de rom!
 - Certo - respondeu Harry distrado, pondo o frasco de lado e continuando a observar o canto. Umbridge acabara de se levantar. Ah - exclamou baixinho, quando ela passou entre duas filas de carteiras em direo a Snape, que estava curvado para o caldeiro de Dean Thomas.
 - Bom, a turma parece bastante adiantada para seu nvel - disse ela, animada, para as costas de Snape. - Embora eu questione se  aconselhvel lhes ensinar uma poo como a Soluo para Fortalecer. Acho que o Ministrio preferiria que fosse retirada do programa.
Snape se endireitou, lentamente, e se virou para encarar Umbridge.
 - Agora... h quanto tempo voc est ensinando em Hogwarts? perguntou ela, com a pena em posio sobre a prancheta.
 - Catorze anos. - A expresso de Snape era indefinvel. Com os olhos em Snape, Harry acrescentou algumas gotas  sua poo; o lquido sibilou ameaadoramente e mudou de turquesa para laranja.
 - Voc se candidatou primeiro ao cargo de professor de Defesa Contra as Artes das Trevas, no foi? - perguntou a professora a Snape.
 - Foi - respondeu ele em voz baixa
 - Mas no foi aceito? 
O lbio de Snape se crispou 
 -  bvio. -..
A Prof Umbridge fez uma anotao na prancheta.
 - E voc tem se candidatado regularmente quele cargo desde que foi admitido na escola?
 - Sim - respondeu Snape, quase sem mover os lbios, a voz baixa. Parecia muito irritado.
 - Tem alguma idia por que Dumbledore tem se recusado consistentemente a nome-lo? - perguntou Umbridge.
 - Sugiro que pergunte a ele - respondeu Snape aos arrancos. '.
 - Ah, perguntarei - disse a professora com um sorriso meigo.
 - Suponho que isto seja relevante? - perguntou Snape, estreitamdo os olhos negros. 
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 - Ah , , sim, o Ministrio quer ter uma compreenso abrangente dos professores... hum... sua vida pregressa.
Ela virou as costas, saiu em direo a Pansy Parkinson e comeou a interrog-la sobre as aulas. Snape olhou para Harry, e seus olhos se encontraram por um segundo. O garoto baixou os olhos depressa para sua poo, que agora congelava abominavelmente, soltando um cheiro forte de borracha queimada.
 - Ento, sem nota outra vez, Potter - disse Snape maliciosamente, esvaziando o caldeiro de Harry com um aceno da varinha. - Voc vai me fazer 
um trabalho escrito sobre a composio correta desta poo, indicando como e por que errou, para me entregar na prxima aula, entendeu?
 - Sim, senhor - respondeu Harry furioso. Snape j passara dever de casa para a turma e havia um treino de quidditch  noite; isto significaria mais umas duas noites sem dormir. Parecia impossvel que tivesse acordado quela manh se sentindo muito feliz. S o que sentia agora era um desejo ardente de ver o fim deste dia.
 - Talvez eu mate a aula de Adivinhao - disse, deprimido, quando chegaram ao ptio depois do almoo, o vento aoitando as barras das vestes e dos chapus. - vou fingir que estou doente e fazer o trabalho do Snape na hora da aula, ento no terei de ficar acordado metade da noite.
 - Voc no pode matar a aula de Adivinhao - disse Hermione severamente.
 - Olhem quem est falando, voc abandonou Adivinhao e detesta a Trelawney! - disse Ron indignado.
 - Eu no detesto a Trelawney - contestou Hermione, com ar superior. - Acho simplesmente que ela  uma professora apavorante e uma charlatona velha das boas. Mas Harry j faltou  Histria da Magia e acho que ele no devia perder mais nenhuma aula hoje!
Havia verdade demais no argumento para no escut-lo, ento, meia hora depois, Harry ocupou o seu lugar no ambiente excessivamente perfumado e quente da aula de Adivinhao, sentindo-se aborrecido com todos. A Prof Trelawney estava mais uma vez distribuindo os exemplares do Orculo dos sonhos. Harry achou que seu tempo seria mais bem empregado no ensaio pedido por Snape, por castigo, do que sentado ali, tentando encontrar sentido em sonhos inventados.
Mas, pelo visto, ele no era a nica pessoa em Adivinhao que estava de mau humor. A Prof Trelawney bateu com um exemplar do Orculo na mesa entre Harry e Ron e se afastou majestosa, os lbios contrados; jogou o exemplar seguinte em Seamus e Dean, que passou
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de raspo pela cabea de Seamus, e empurrou o ltimo exemplar no peito de Neville com tanta fora que ele escorregou do pufe.
 - Muito bem, podem comear! - disse a professora alto, a voz aguda e meio histrica - vocs sabem o que fazer! Ou ser que sou uma professora to subcapacitada que vocs nunca aprenderam a abrir um livro?
A turma olhou para ela perplexa, depois se entreolhou, embora Harry soubesse qual era o problema. Quando a professora voltou num movimento brusco para sua cadeira de espaldar alto, os olhos, aumentados pelas lentes, cheios de lgrimas de raiva, ele inclinou a cabea para Ron e murmurou
 - Acho que ela recebeu o resultado da inspeo.
 - Professora? - disse Parvati Patil com a voz abafada (ela e Lavender sempre haviam admirado a Prof Trelawney). - Professora, h algum... hum... problema?
 - Problema! - exclamou ela com a voz pulsante de emoo. Certamente que no! Fui insultada, certamente... fizeram insinuaes contra mim... acusaes infundadas... mas, no, no h nenhum problema, certamente que no!
Ela tomou flego, estremecendo, e desviou o olhar de Parvati, as lgrimas de raiva vazando por baixo dos culos.
 - Nem quero falar - sua voz embargou - dos dezesseis anos de servio dedicado... eles passaram, aparentemente, despercebidos... mas no vou admitir insultos... no, no vou admitir!
 - Mas, professora, quem est insultando a senhora? - perguntou Parvati timidamente.
 - A Instituio - respondeu ela numa voz grave, dramtica e trmula. - Aqueles que tm os olhos demasiado nublados pelas coisas mundanas para Ver o que Vejo, Saber o que Sei... naturalmente, ns, Videntes, sempre fomos temidos, sempre perseguidos... , infelizmente, a nossa sina.
Ela engoliu em seco, enxugou as faces molhadas com a ponta do xale, depois puxou um lencinho bordado de dentro da manga e assoou o nariz com fora, fazendo um barulho parecido com o de Pives soprando puns com a boca.
Ron deu uma risadinha. Lavender lanou-lhe um olhar de censura.
 - Professora - disse Parvati - a senhora est se referindo...  alguma coisa que a Prof Umbridge...?
 - No me fale nessa mulher! - exclamou Trelawney, pondo-se repentinamente de p, suas contas tilintando e seus culos soltando lampejos. - Faa o favor de continuar o seu trabalho!
E ela passou o resto da aula caminhando entre os alunos, as lgri303
mas ainda escorrendo por baixo dos culos, resmungando baixinho palavras que pareciam ameaas.
 - ... posso muito bem preferir me retirar... a indignidade da coisa... em observao... veremos... como  que ela ousa...
 - Voc e Umbridge tm alguma coisa em comum - disse Harry a Hermione, baixinho, quando tornaram a se encontrar em Defesa Contra as Artes das Trevas. - Ela obviamente tambm considera Trelawney uma charlat velha... parece que a ps em observao.
Umbridge 
entrou na sala nesse instante, usando seu lao de veludo preto e uma expresso de grande satisfao ntima.
 - Boa-tarde, turma.
 - Boa-tarde, Prof Umbridge - repetiram eles sem entusiasmo.
 - Guardem as varinhas, por favor.
Mas, desta vez, no houve nenhuma agitao em resposta; ningum se dera o trabalho de tirar a varinha da mochila.
 - Por favor, abram na pgina trinta e quatro de Teoria da defesa em magia, e leiam o terceiro captulo, intitulado "O Caso das Respostas No-Ofensivas ao Ataque Mgico". No haver...
 - ... necessidade de conversar - disseram, baixinho, Harry, Ron e Hermione.
 - No tem treino de quidditch - disse Angelina em tom cavo, quando Harry, Ron e Hermione entraram na sala comunal depois do jantar daquela noite.
 - Mas eu me controlei! - disse Harry horrorizado. - No disse nada pra ela, Angelina, juro, eu...
 - Eu sei, eu sei - respondeu Angelina, infeliz. - Ela simplesmente falou que precisava de um tempo para pensar.
 - Pensar o qu? - perguntou Ron zangado. - Ela deu permisso a Slytherin, por que no a ns?
Mas Harry podia imaginar o quanto Umbridge estava se deliciando em manter sobre a cabea deles a ameaa de no haver uma equipe de quidditch da Grifindore, e podia facilmente compreender por que to cedo ela no iria querer abrir mo dessa arma que mantinha apontada para eles.
 - Bem - disse Hermione - olhe o lado bom da coisa, pelo menos agora voc vai ter tempo de fazer o trabalho do Snape!
 - E isso  um lado bom, ? - retrucou Harry, enquanto Ron olhava incrdulo para Hermione. - Nada de quidditch e uma dose extra de Poes?
Harry se largou em uma cadeira, puxou com relutncia o trabalho de Poes para fora da mochila e comeou a trabalhar. Foi muito
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difcil se concentrar; mesmo sabendo que Sirius s apareceria na lareira muito mais tarde, no conseguia deixar de olhar o fogo, a intervalos de minutos, s para ter certeza. Havia ainda uma zoeira incrvel na sala. Fred e George, aparentemente, haviam aperfeioado um tipo de kit Mata-Aula, e se alternavam em demonstr-lo para uma turma que dava vivas e gritos.
Primeiro, Fred dava uma mordida na ponta laranja de um doce, e em seguida vomitava espetacularmente em um balde que colocara  sua frente. Depois, ele se forava a engolir a ponta roxa do doce, ao que a vontade de vomitar cessava imediatamente. Linus Jordan, que estava ajudando na demonstrao, fazia desaparecer o vmito a intervalos regulares, sem pressa, com o mesmo Feitio da Desapario que Snape vivia usando para as poes de Harry.
Com a repetio regular dos vmitos e aplausos, e o barulho que Fred e George faziam, anotando os pedidos antecipados dos colegas, Harry estava achando excepcionalmente difcil se concentrar no mtodo correto para preparar a Soluo para Fortalecer. Hermione no estava ajudando a melhorar nada; os aplausos e rudos do vmito batendo no fundo do balde eram pontuados por seus sonoros resmungos de desaprovao, que para Harry, no mnimo, tinham o poder de desconcentr-lo ainda mais.
 - Ento vai l e faz eles pararem! - disse irritado, depois de riscar o peso da garra de grifo em p que errara pela quarta vez.
 - No posso, tecnicamente eles no esto fazendo nada errado disse Hermione trincando os dentes. - Eles tm todo o direito de comer as porcarias que quiserem, e no encontro nenhuma regra que diga que os outros idiotas no tm o direito de compr-las, no at que fique provado que elas sejam de alguma maneira perigosas, e pelo visto no so.
Ela, Harry e Ron assistiram a George projetar o vmito no balde, engolir o resto do doce e se erguer, sorrindo, com os braos abertos, para receber os prolongados aplausos.
 - Sabem, eu no entendo por que Fred e George s foram aprovados em trs N.O.M.s cada um - disse Harry, observando como Fred, George e Linus recebiam ouro dos colegas pressurosos. - Eles realmente sabem das coisas.
 - Eles s sabem coisas espalhafatosas que no tm real utilidade para ningum - disse Hermione depreciando.
 - No tm real utilidade? - disse Ron em tom tenso. - Hermione, eles j ganharam uns vinte e seis galees!
Levou muito tempo para o ajuntamento em volta dos gmeos Weasley se dispersar, depois Fred, Linus e George ficaram acordados,
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ainda um bom tempo, contando o dinheiro, por isso j passava muito da meia-noite quando Harry, Ron e Hermione conseguiram ficar sozinhos na sala comunal. Finalmente, Fred fechou a porta para os dormitrios dos meninos, sacudindo sua caixa de galees, com estardalhao, para ver Hermione amarrar a cara. Harry, que fizera pouqussimo progresso com o trabalho de Poes, decidiu 
parar por aquela noite. Ao guardar os livros, Ron, que tirava um cochilo na poltrona, deu um ronco abafado, acordou e olhou com a vista ainda turva para a lareira.
 - Sirius! - exclamou.
Harry se virou depressa. O rosto e a cabeleira negra e desgrenhada de Sirius pairavam nas chamas.
 - Oi - saudou-os sorridente.
 - Oi - responderam Harry, Ron e Hermione em coro, e se ajoelharam no tapete diante da lareira. Crookshanks ronronou alto e chegou perto do fogo, tentando, apesar do calor, aproximar o focinho de Sirius.
 - Como vo as coisas?
 - No muito boas - respondeu Harry enquanto Hermione afastava Crookshanks, para impedi-lo de chamuscar os bigodes. - O Ministrio nos imps mais um decreto, o que significa que no podemos ter equipes de quidditch...
 - Nem grupos secretos de Defesa Contra as Artes das Trevas? perguntou Sirius.
Houve uma breve pausa.
 - Como  que voc soube? - indagou Harry.
 - Vocs precisam escolher com mais cuidado o local onde se renem - disse Sirius, dando um sorriso ainda maior. - Logo o Cabea de Javali, eu lhe pergunto?
 - Bom, era melhor do que o Trs Vassouras - disse Hermione defensivamente. - Est sempre lotado...
 - O que significa que seria mais difcil ouvir vocs - disse Sirius.
 - Voc tem muito que aprender, Hermione.
 - Quem nos ouviu? - perguntou Harry.
 - Nundungus,  claro - e quando todos fizeram cara de espanto, ele deu uma risada. - Era a bruxa de vu.
 - Aquela era Nundungus? - exclamou Harry atordoado. - Que  que ele estava fazendo no Cabea de Javali?
 - Que  que voc acha que ele estava fazendo? - perguntou Sirius impaciente. - Vigiando voc,  claro. 
Eu continuo sendo seguido? - indagou Harry aborrecido.
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 - Continua, sim, e ainda bem, no , se a primeira coisa que voc faz no fim de semana de folga  organizar um grupo ilegal de Defesa!
Mas ele no parecia zangado nem preocupado. Pelo contrrio, olhava Harry com visvel orgulho.
 - Por que Nundungus estava se escondendo da gente? - perguntou Ron desapontado. - Teramos gostado de rev-lo.
 - Ele foi expulso do Cabea de Javali h vinte anos - disse Sirius - e o barman tem boa memria. Perdemos a Capa da Invisibilidade sobressalente de Moody quando Sturgius foi preso, ento ultimamente o Nundungus tem se vestido muitas vezes de bruxa... em todo o caso... primeiro, Ron, jurei lhe passar um recado de sua me.
 - Foi? - exclamou Ron apreensivo.
 - Ela manda dizer que em hiptese alguma voc deve tomar parte em um grupo secreto e ilegal de Defesa Contra as Artes das Trevas. Manda dizer que, sem a menor dvida, voc ser expulso e o seu futuro arruinado. Ela manda dizer que mais tarde haver muito tempo para voc aprender a se defender e que ainda  muito criana para estar se preocupando com isso agora. Ela tambm aconselha - (os olhos de Sirius se voltaram para os outros dois) - Harry e Hermione a no continuarem com o grupo, embora reconhea que no tem autoridade alguma sobre nenhum dos dois, e simplesmente suplica que se lembrem de que ela quer o bem de ambos. Ela teria escrito tudo isso, mas, se a coruja fosse interceptada, vocs estariam realmente enrascados, e no pde vir falar pessoalmente porque est de servio hoje  noite.
 - Como de servio hoje  noite? - perguntou Ron depressa.
 - No se preocupe, coisas da Ordem - disse Sirius. - Por isso fiquei sendo o mensageiro, no se esquea de dizer a ela que transmiti a mensagem completa, porque acho que ela no confia em mim.
Houve mais uma pausa em que Crookshanks, miando, tentou alcanar a cabea de Sirius com a pata, e Ron brincou com um buraco no tapete.
 - Ento, voc quer que eu diga que no vou tomar parte no grupo de Defesa? - murmurou ele finalmente.
 - Eu? Com certeza que no! - exclamou Sirius fazendo uma cara surpresa. - Acho uma idia excelente!
 - Acha mesmo? - disse Harry, sentindo o peito aliviado.
 - Claro que sim! Voc acha que seu pai e eu teramos baixado a cabea e aceitado ordens de uma megera velha como a Umbridge?
 - Mas... no perodo passado voc s fez me dizer para ter cuidado e no correr riscos...
 - No ano passado, todos os indcios mostravam que algum den307
tro de Hogwarts estava tentando matar voc, Harry! - disse Sirius impaciente. - Este ano, sabemos que tem algum fora de Hogwarts que gostaria de matar todos ns, por isso acho que aprender a se defender corretamente  uma excelente idia!
 - E se formos expulsos? - perguntou Hermione, com uma expresso intrigada no rosto.
 - Mas, Hermione, essa histria toda foi idia 
sua! - exclamou Harry olhando para a amiga.
 - Eu sei que foi. Eu s queria saber a opinio de Sirius - disse ela sacudindo os ombros.
 - Bom,  melhor ser expulso e capaz de se defender do que se sentar em segurana na escola sem ter idia de nada.
 - Apoiado, apoiado - exclamaram Harry e Ron entusiasticamente.
 - Ento, como  que vocs esto organizando o grupo? Onde vo se encontrar?
 - Bom, isso  um probleminha - disse Harry. - No sei onde vamos poder nos encontrar.
 - Que tal a Casa dos Gritos? - sugeriu Sirius.
 - Ei, seria ideal! - exclamou Ron excitado, mas Hermione manifestou seu ceticismo, e os trs olharam para ela, a cabea de Sirius girando nas chamas.
 - Bom, Sirius,  que vocs eram s quatro a se encontrar na Casa dos Gritos quando estavam na escola - comentou Hermione - e todos eram capazes de se transformar em animais e suponho que pudessem se espremer embaixo de uma nica Capa da Invisibilidade, se quisessem. Mas ns somos vinte e oito e nenhum  animago, por isso iramos precisar no de uma capa, mas de um toldo da invisibilidade...
 - Um bom argumento - disse Sirius, parecendo ligeiramente desapontado. - Bom, tenho certeza que vocs vo arranjar algum lugar. Costumava haver uma passagem secreta bem espaosa atrs daquele espelho grande no quarto andar, talvez vocs tivessem bastante espao para praticar maldies ali.
 - Fred e George me disseram que foi bloqueada - disse Harry, balanando a cabea. - Ruiu ou coisa assim.
 - Ah... - disse Sirius, enrugando a testa. - Bom, terei de pensar e voltar...
Ele parou de falar. Seu rosto tornou-se de repente tenso. Virouse de lado, parecendo olhar para a parede slida da lareira.
 - Sirius? - chamou Harry ansioso.
Mas ele desaparecera. Harry ficou olhando boquiaberto para as chamas por um instante, depois se voltou para Ron e Hermione.
308
 - Por que ser...?
Hermione soltou uma exclamao de horror e ficou em p de um pulo, ainda fixando o fogo.
Aparecera uma mo entre as chamas, tateando como se quisesse agarrar alguma coisa uma mo gorducha de dedos curtos, coberta de anis feios e antiquados.
Os trs saram correndo.  porta do dormitrio dos meninos, Harry olhou para trs. A mo de Umbridge ainda gesticulava entre as chamas, como se soubesse exatamente onde estivara momentos antes a cabeleira de Sirius, e continuava decidida a agarr-la. . ... ;
 - CAPTULO DEZOITO
A Armada de Dumbledore
 - Umbridge anda lendo suas cartas, Harry. No h outra explicao.
 - Voc acha que Umbridge atacou Edwig? - perguntou ele, indignado.
 - Tenho quase certeza - disse Hermione, sria. - Cuidado, o seu sapo est fugindo.
Harry apontou a varinha para o sapo que estava saltando, esperanoso, em direo  outra ponta da mesa
 - Accio! - e o bicho voou acabrunhado para a mo dele.
Feitios era uma das melhores aulas para se bater um papinho particular; em geral, havia tanto movimento e atividade que o perigo de ser ouvido era mnimo. Hoje, com a sala cheia de sapos a coaxar e corvos a crocitar, alm de um aguaceiro que bateu com fora nas vidraas da sala, a conversa de Harry, Ron e Hermione, aos cochichos, sobre o quase sucesso de Umbridge em agarrar Sirius, passou despercebida.
 - Ando suspeitando desde que Filch acusou voc de ter encomendado Bombas de Bosta, porque achei aquilo uma mentira muito idiota - murmurou Hermione. - Quero dizer, uma vez que sua carta fosse lida, teria ficado muito claro que voc no estava encomendando nada, ento estava limpo seria uma piada meio sem graa, no acha no? Ento pensei e se algum quisesse apenas uma desculpa para ler suas cartas? Bom, ento teria sido uma sada perfeita para a Umbridge fazer isso - dava a dica a Filch, deixava-o fazer o trabalho sujo de confiscar a carta, ento, ou arranjava um jeito de roubar a carta dele ou exigia v-la - acho que Filch no teria feito objeo. Quando foi que ele levantou a voz para defender o direito de um estudante? Harry, voc est esganando seu sapo.
Harry olhou para baixo; estava de fato apertando o sapo com tanta fora que os olhos do bicho saltavam das rbitas; ele o reps imediatamente na mesa.
 - Ontem  noite foi por um triz - disse Hermione. - Fico imaginando se a Umbridge sabe como chegou perto. Silencio!
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O sapo em que ela estava praticando o Feitio Silenciador ficou mudo no meio de uma coaxada, e lhe lanou um olhar de censura.
 - Se ela tivesse apanhado o Snuffles... Harry terminou a frase pela amiga.
 - ... Ele provavelmente estaria de volta a Azkaban hoje pela manh. - E acenou a varinha sem realmente se concentrar; seu sapo inchou como um balo verde, e emitiu um silvo agudo.
 - Silencio! - ordenou Hermione apontando depressa sua varinha para o sapo de Harry, que se esvaziou silenciosamente diante dos olhos deles. - Bom, ele no devia tentar de novo,  s isso. S no sei  como vamos avis-lo. No podemos lhe mandar uma coruja.
 - Acho que ele no se arriscaria outra vez - comentou Ron. Sirius no  burro, sabe que ela quase o pegou. Silencio!
O enorme e feio corvo diante dele soltou um crocito debochado.
 - Silencio! SILENCIO!
O corvo crocitou ainda mais alto.
 -  o modo como voc est usando sua varinha - disse Hermione, observando Ron criticamente. - Voc no quer fazer um aceno,  mais uma estocada.
 - Os corvos so mais difceis do que os sapos - retrucou Ron, irritado.
 - timo, vamos trocar - disse Hermione, apanhando o corvo de Ron e substituindo-o pelo prprio sapo gordo. - Silencio! - O corvo continuou a abrir e fechar o bico afiado, mas no emitiu som algum.
 - Muito bem, Srta. Granger! - exclamou a voz fraquinha do Prof. Flitwick, sobressaltando Harry, Ron e Hermione. - Agora, deixe-me ver o senhor experimentar, Sr. Weasley.
 - Qu..? Ah... sim, senhor - disse Ron, muito atrapalhado. Hum... Silencio!
Ele deu uma estocada to forte no sapo que o espetou no olho o sapo deu um crocito ensurdecedor e saltou fora da mesa.
Ningum se surpreendeu que Harry e Ron tivessem recebido ordem de praticar o Feitio Silenciador como dever de casa.
Os alunos tiveram permisso para continuar no interior da escola durante o intervalo, por fora do temporal que desabava l fora. Eles encontraram um lugar para sentar em uma sala barulhenta e cheia no primeiro andar, onde Pives flutuava, como se sonhasse, prximo ao lustre, soprando, a intervalos, uma pelota de tinta na cabea de algum. Nem bem haviam sentado quando Angelina apareceu, tentando passar pelos grupos de estudantes que conversavam, para se aproximar deles.
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 - Conseguimos a permisso! - anunciou. - Para reorganizar a equipe de quidditch!
 - timo! - disseram Ron e Harry juntos.
 - No ? - disse Angelina radiante. - Fui  McGonagall e acho que ela deve ter apelado para o Dumbledore. Em todo o caso, a Umbridge teve de ceder. Ah! Ento, quero vocs no campo s sete horas hoje  noite, est bem? Precisamos recuperar o tempo perdido. Vocs tm conscincia de que faltam s trs semanas para o nosso primeiro jogo?
Angelina se 
afastou, se espremendo entre os colegas, escapou por um triz de uma pelota de tinta de Pives, que acabou atingindo um calouro prximo, e desapareceu de vista.
O sorriso de Ron esmoreceu um pouco ao espiar pela janela, que agora estava opaca tal o volume de chuva que caa.
 - Espero que a chuva passe. Que  que voc tem, Hermione? Ela tambm estava olhando para a janela, mas no parecia que
realmente a visse. Seus olhos estavam desfocados e havia rugas em sua testa.
 - Estava s pensando... - respondeu, enrugando a testa para a janela lavada de chuva.
 - Em Siri... Snuffles? - perguntou Harry.
 - No... no  bem nele... - disse Hermione lentamente. - Estou mais me questionando... Suponho que a gente esteja fazendo a coisa certa... acho... no est?
Harry e Ron se entreolharam.
 - Bom, isso esclarece tudo - disse Ron. - Teria sido rnuito chato se voc no tivesse se explicado com clareza.
Hermione olhou para Ron como se acabasse de perceber que ele estava presente.
 - Eu estava pensando - disse com a voz mais forte agora - se estamos fazendo a coisa certa, criando esse grupo de Defesa Contra as Artes das Trevas.
 - Hermione, a idia foi sua, para comear! - lembrou Ron, indignado.
 - Eu sei - disse ela, torcendo os dedos. - Mas depois de falar com Snuffles...
 - Mas ele  completamente a favor - retorquiu Harry.
 - Eu sei - disse Hermione, voltando a contemplar a janela. - Foi isso que me fez pensar que talvez no seja uma boa idia...
Pives flutuava por cima deles de barriga para baixo, a pelota preparada; automaticamente, os trs ergueram as mochilas para proteger a cabea at ele passar.

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 - Vamos entender bem isso - disse Harry aborrecido, quando repuseram as mochilas no cho. - Sirius concorda conosco, ento voc acha que no devemos prosseguir?
Hermione pareceu tensa e bastante infeliz. Olhando para as prprias mos, disse
 - Sinceramente, voc confia no julgamento dele?
 - Confio! - respondeu Harry na mesma hora. - Ele sempre nos deu timos conselhos!
Uma pelota.de tinta passou voando pelos trs e atingiu Kate Bell em cheio na orelha. Hermione observou Kate se levantar depressa e comear a atirar coisas em Pives; passou-se algum tempo at Hermione recomear a falar, e parecia estar escolhendo as palavras com muito cuidado.
 - Voc no acha que ele ficou... assim meio... irresponsvel... desde que ficou preso no largo Grimmauld? Voc no acha que ele est... assim meio que... vivendo atravs da gente?
 - Que  que voc quer dizer com "vivendo atravs da gente"? retorquiu Harry.
 - Quero dizer... bom, acho que ele adoraria estar formando sociedades secretas de Defesa bem embaixo do nariz de algum do Ministrio... acho que est realmente frustrado com o pouco que pode fazer onde est... ento acho que est meio que... nos instigando.
Ron parecia absolutamente perplexo.
 - Sirius tem razo, voc fala igualzinho  minha me. Hermione mordeu o lbio e no respondeu. A sineta tocou na
hora em que Pives mergulhou sobre Kate e despejou um tinteiro cheio na cabea dela.
O tempo no melhorou at o fim do dia, de modo que s sete horas, quela noite, quando Harry e Ron desceram para o treino no campo de quidditch, ficaram encharcados em poucos minutos, seus ps escorregavam na grama empapada. O cu estava um cinzento escuro e tempestuoso, e foi um alvio receber o calor e a luz dos vestirios, mesmo sabendo que a trgua seria apenas temporria. J encontraram Fred e George debatendo se deveriam usar um dos seus prprios doces Mata-Aula para fugir ao treino.
 - ... mas aposto como ela saberia o que fizemos - disse Fred pelo canto da boca. - Se ao menos eu no tivesse oferecido uma Vomitilha a ela ontem.
 - Poderamos tentar o Febricolate - murmurou George - ningum viu ainda... tta ,
 - Funciona? - indagou Ron esperanoso, quando as marteladas
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da chuva no telhado se intensificaram e o vento uivou ao redor do prdio.
 - Bom, funciona - disse Fred - sua temperatura subiria na hora.
 - Mas voc tambm ganharia uns enormes furnculos cheios de pus - explicou George - e ainda no descobrimos como nos livrar deles.
 - No estou vendo nenhum furnculo - disse Ron olhando bem para os gmeos.
 - No, bem, voc no veria - disse Fred sinistramente - eles no saem em lugares que a gente normalmente expe ao pblico.
 - Mas montar em uma vassoura literalmente pela o...
 - Muito bem, escutem todos - disse Angelina em voz alta, saindo da sala do capito. - Sei que o tempo no est ideal, mas h 
uma possibilidade de precisarmos jogar contra a Slytherin em condies muito parecidas, ento  uma boa idia descobrir como vamos enfrent-los. Harry, voc no fez alguma coisa com os seus culos para eles no embaarem na chuva quando jogamos contra os Hufflepuff naquele temporal?
 - Foi a Hermione que fez - disse Harry. Ele puxou a varinha, deu um toque nos culos e ordenou - Impervius
 - Acho que devamos experimentar isso - disse Angelina. - Se ao menos pudssemos deixar a chuva fora do rosto, melhoraria realmente a nossa visibilidade, ento todos juntos Impervius! OK Vamos!
Todos guardaram as varinhas no bolso interno das vestes, puseram a vassoura ao ombro e seguiram Angelina para fora dos vestirios.
Eles chapinharam pela lama cada vez mais funda at o meio do campo; a visibilidade continuava muito ruim mesmo com o Feitio para Impermeabilizar; a claridade ia desaparecendo depressa, e verdadeiras cortinas de chuva varriam os terrenos da escola.
 - Muito bem, quando eu apitar - gritou Angelina.
Harry deu impulso do cho, espalhando lama em todas as direes, e disparou para o alto, com o vento a desvi-lo ligeiramente do rumo. Ele no fazia idia de como ia ver a Snitch com aquele tempo; j estava tendo bastante dificuldade em ver o nico Bludjer com que estavam praticando; com apenas um minuto de treino, a bola quase o desmontou e ele precisou usar o Giro da Preguia para evit-la. Infelizmente Angelina no viu. Na verdade, ela no parecia capaz de ver nada; nenhum deles tinha a menor idia do que o outro estava fazendo. O vento aumentava; mesmo quela distncia, Harry podia ouvir o rudo da chuva castigando a superfcie do lago.
Angelina manteve o treino por quase uma hora antes de se declarar derrotada. Levou a equipe, molhada e desolada, de volta aos vs-
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tirios, insistindo que o treino no fora um desperdcio de tempo, embora sem convico na voz. Fred e George estavam com um ar particularmente chateado; os dois tinham as pernas arqueadas e faziam caretas a cada movimento. Harry os ouvia reclamar, em voz baixa, enquanto enxugava o cabelo.
 - Acho que alguns dos meus se romperam - disse Fred com a voz cava.
 - Os meus no - disse George, fazendo uma careta. - Esto latejando pra caramba... parece que incharam.
 - AI! - gritou Harry.
Ele comprimiu o rosto com a toalha, seus olhos contrados de dor. Sentira a cicatriz na testa queimar intensa e dolorosamente, como no sentia havia semanas.
 - Que foi? - perguntaram vrias vozes.
Harry saiu de trs da toalha; viu o vestirio borrado porque no estava usando culos, mas, ainda assim, percebia que os rostos de todos se voltavam para ele.
 - Nada - murmurou - enfiei o dedo no olho, foi s.
Mas lanou a Ron um olhar expressivo e os dois se deixaram ficar para trs, quando os companheiros de equipe saram, um a um, bem agasalhados em suas capas, os chapus enterrados na cabea para cobrir as orelhas.
 - Que aconteceu? - perguntou Ron, no momento em que Alicia desapareceu pela porta. - Foi a cicatriz?
Harry concordou com a cabea.
 - Mas... - Apavorado, Ron foi at a janela e olhou para a chuva l fora - ele... ele no pode estar perto da gente agora, pode?
 - No - murmurou Harry, afundando em um banco e esfregando a testa. - Provavelmente est a quilmetros de distncia. Doeu porque ele est com raiva.
Harry no pretendera dizer aquilo, e, aos seus ouvidos, as palavras pareceram ter sido pronunciadas por um estranho - contudo, percebeu imediatamente que eram verdadeiras. Ele no sabia como sabia, mas o fato  que sabia; Voldemort, onde quer que estivesse, o que quer que estivesse fazendo, estava enfurecido.
 - Voc viu? - perguntou Ron, horrorizado. - Voc teve uma viso, ou coisa parecida?
Harry ficou muito quieto, olhando para os ps, deixando sua mente e sua lembrana relaxarem depois da dor.
Um emaranhado confuso de formas, um clamor de vozes...
 - Ele quer ver alguma coisa concluda, mas isto no est acontecendo na velocidade que ele quer. ......... .i'; 
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Novamente, surpreendeu-se ao ouvir as palavras saindo-lhe da boca, mas tinha plena certeza de que eram verdadeiras.
 - Mas... como  que voc sabe? - perguntou Ron.
Harry sacudiu a cabea e cobriu os olhos com as mos, comprimindo-os com as palmas. Explodiram estrelinhas. Sentiu Ron se sentar no banco ao lado dele e percebeu que o amigo o observava.
 - Foi isso que aconteceu da outra vez? - perguntou Ron num sussurro. - Quando sua cicatriz doeu na sala da Umbridge? VocSabe-Quem estava zangado?
Harry sacudiu a cabea.
 - Que foi ento?
Harry relembrou. Estava olhando para a cara da Umbridge... 
sua cicatriz doera... sentira aquela coisa esquisita no estmago... uma sensao estranha e saltitante... uma sensao de felicidade... mas, naturalmente, ele no a reconhecera pelo que era, pois se sentira, at aquele momento, muito infeliz...
 - Da ltima vez foi porque ele estava satisfeito. Realmente satisfeito. Pensou que... ia acontecer uma coisa boa. E na vspera de voltarmos para Hogwarts... - Harry lembrou do momento em que sua cicatriz doera barbaramente, no quarto que dividia com Ron, no largo Grimmauld... - ele estava furioso...
Ele se virou para Ron, que o olhava boquiaberto.
 - Voc podia substituir Trelawney, cara - disse o amigo assombrado.
 - No estou fazendo profecias.
 - No, voc sabe o que voc est fazendo? - perguntou Ron, ao mesmo tempo temeroso e impressionado. - Harry, voc est lendo a mente de Voc-Sabe-Queml
 - No - disse Harry, sacudindo a cabea. - E mais o que ele est sentindo, suponho. Estou recebendo imagens dos sentimentos dele. Dumbledore falou que uma coisa assim estava acontecendo no ano passado. Disse que quando Voldemort se aproximava de mim, ou quando sentia dio, eu sabia. Bom, agora eu estou sentindo quando ele se alegra tambm...
Houve uma pausa. O vento e a chuva aoitavam o prdio.
 - Voc tem de contar isso para algum - disse Ron. 
 - Contei ao Sirius da ltima vez. 
 - Bom, ento conte desta vez! 
 - No posso, posso? - disse Harry deprimido. - Umbridge est vigiando as corujas e as lareiras, lembra? 
 - Bom, ento ao Dumbledore. 
 - Acabei de dizer que ele j sabe - respondeu-Harry com rispidez,
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levantando-se, apanhando a capa no cabide e se embrulhando nela. - No adianta falar outra vez.
Ron fechou a prpria capa, observando Harry, pensativo.
 - Dumbledore ia gostar de saber. Harry sacudiu os ombros.
 - Anda logo... ainda temos de praticar o Feitio Silenciador. Eles voltaram apressados pelo terreno escuro, escorregando e tropeando nos gramados lamacentos, em silncio. Harry no parava de pensar. Que  que Voldemort queria que fosse feito e que no estavam fazendo com suficiente rapidez?
... ele tem outros planos... planos que pode executar realmente na surdina... coisas que pode obter furtivamente... como uma arma. Algo que ele no possua da ltima vez.
Harry no pensava nessas palavras havia semanas; estivera por demais absorto no que acontecia em Hogwarts, por demais ocupado nas batalhas com a Umbridge, na injustia de toda a interferncia do Ministrio... mas agora elas voltavam  sua lembrana e o faziam pensar... A clera de Voldemort faria sentido se ele no estivesse mais perto de pr as mos na arma, qualquer que fosse. Ser que a Ordem o frustrara, o impedira de obt-la? Onde a guardavam? Na posse de quem estaria agora?
 - Mimbulus mimbletonia - disse a voz de Ron, e Harry voltou  realidade bem em tempo de passar pelo buraco do retrato.
Pelo visto, Hermione fora se deitar cedo, deixando Crookshanks enrascado em uma poltrona prxima e uma variedade de gorros para elfos, feitos em malha com bolinhas em relevo, sobre a mesa junto  lareira. Harry ficou contente que a amiga no estivesse ali, pois no estava com muita vontade de discutir a dor na cicatriz e de ouvi-la insistir, tambm, que ele devia procurar o Dumbledore. Ron no parava de lhe lanar olhares ansiosos, mas Harry apanhou os livros de Feitios e se aplicou em terminar o trabalho, embora, como s estivesse fingindo se concentrar, quando Ron anunciou que ia dormir, ele ainda no escrevera muita coisa.
A meia-noite chegou e se foi enquanto Harry lia e relia o trecho sobre os usos da cocleria, ligstica e do boto-de-prata, sem entender uma nica palavra.
Estas prantas son mas efficaces para enframar o cellebro e, por tanto, munto uzadas em Poans para Confonder e Entontecer, coamdo ei bruxo dezejaproduzir quemtura en a cabeza e inquyetaon...
... Hermione disse que Sirius estava se tornando irresponsvel, confinado no largo Grimmauld...
... mas efficaces para enframar o cellebro e, por tanto, munto uzadas...
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... o Profeta Dirio acharia que seu crebro estava inflamado se descobrisse que ele sabia o que Voldemort estava pensando...
... por tanto, munto uzadas em Poans para Confonder e Entontecer...
... a palavra era mesmo confundir; por que ele sabia o que Voldemort estava sentindo? Que ligao esquisita era essa entre os dois, que Dumbledore nunca fora capaz de 
explicar satisfatoriamente?
... coamdo ei bruxo dezeja...

... como Harry gostaria de dormir... '"; 
... dezeja produzir quemtura en a cabeza e inquyetaon... '"'
... estava quente e confortvel na poltrona diante da lareira, a chuva que continuava a bater com fora nas vidraas, Crookshanks ronronava, e as chamas estalavam...
O livro escorregou das mos frouxas de Harry e caiu com um baque surdo no tapete da lareira. A cabea do garoto rolou para o lado...
Ele estava mais uma vez andando por um corredor sem janelas, seus passos ecoavam no silncio.  medida que a porta no fim do corredor ia parecendo maior, seu corao foi batendo mais forte de excitao... se ele ao menos pudesse abri-la... passar para o outro lado...
Esticou a mo... as pontas dos dedos estavam apenas a centmetros...
 - Harry Potter, meu senhor!
Ele acordou sobressaltado. As velas todas haviam se apagado na sala comunal, mas alguma coisa se movia ali perto.
 - Quem est a? - indagou Harry, sentando-se reto na cadeira. O fogo quase se extinguira, a sala estava muito escura.
 - Dobby trouxe sua coruja, meu senhor! - disse uma voz esganiada.
 - Dobby? - perguntou Harry, com a voz engrolada, tentando enxergar, no escuro da sala, a origem da voz.
Dobby, o elfo domstico, estava parado junto  mesa em que Hermione deixara meia dzia dos gorros de tric. Suas enormes orelhas pontudas espetavam para fora do que pareceu a Harry a coleo de gorros que Hermione tricotara at ali; ele usava uns sobre os outros, de modo que sua cabea parecia ter alongado mais de meio metro, e, bem no topo do ltimo, vinha Edwig, piando com serenidade e obviamente curada.
 - Dobby se ofereceu para devolver a coruja de Harry Potter disse o elfo, com sua voz fina e uma expresso de inegvel adorao no rosto. - A Prof* Grubbly-Plank diz que est completamente curada, meu senhor. - Ele fez uma reverncia to profunda que seu nariz fino como um lpis roou a superfcie puda do tapete da lareira, e
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I
Edwig, soltando um pio indignado, voou para o brao da poltrona de Harry.
 - Obrigado, Dobby! - disse Harry, acariciando a cabea de Edwig e piscando com fora, procurando se livrar da imagem da porta em seu sonho... fora muito vivido. Voltando sua ateno para Dobby, ele reparou que o elfo tambm estava usando vrios cachecis e incontveis pares de meia, de modo que seus ps pareciam demasiado grandes para o seu corpo.
 - Hum... voc tem recolhido todas as roupas que Hermione deixa na sala?
 - Ah, no, meu senhor - disse Dobby feliz. - Dobby tem levado algumas para Winky tambm, meu senhor.
...... - Sei, como vai a Winky?
, As orelhas do elfo baixaram ligeiramente.
 - Winky continua bebendo muito, meu senhor - disse ele triste, seus enormes olhos verdes, grandes feito bolas de tnis, baixos. - Ela continua a no ligar para roupas, Harry Potter. Os outros elfos domsticos tambm no. Nenhum deles quer mais limpar a Torre da Grifindore, no com os gorros e meias escondidos por toda parte, acham isso insultante, meu senhor. Dobby limpa tudo sozinho, meu senhor, mas Dobby no se importa, porque sempre tem esperana de encontrar Harry Potter e, hoje  noite, meu senhor, ele realizou este desejo! - Dobby tornou a mergulhar at o cho em nova reverncia.
 - Mas Harry Potter no parece feliz - disse o elfo, se erguendo e olhando timidamente para o garoto. - Dobby o ouviu resmungar durante o sono. Harry Potter estava tendo pesadelos?
 - No eram realmente pesadelos - disse Harry, bocejando e esfregando os olhos. -J tive sonhos piores.
O elfo examinou Harry com seus grandes globos. Ento disse muito srio, baixando as orelhas
 - Dobby gostaria de poder ajudar Harry Potter, porque Harry Potter libertou Dobby e Dobby  muito, mas muito mais feliz agora.
Harry sorriu.
 - Voc no pode me ajudar, Dobby, mas obrigado pelo oferecimento.
Harry se inclinou e apanhou o livro de feitios. Teria de tentar concluir o trabalho no dia seguinte. Ao fechar o livro, a luz das chamas iluminou as finas cicatrizes nas costas de sua mo - o resultado de suas detenes com a Umbridge...
 - Espere um instante, tem uma coisa que voc pode fazer por mim, Dobby - disse lentamente.
O elfo olhou ao redor, radiante.
 - Diz, Harry Potter, meu senhor!
 - Preciso encontrar um lugar onde vinte e oito pessoas possam praticar Defesa Contra as Artes das Trevas sem serem descobertas por nenhum dos professores. Principalmente - Harry apertou o livro que segurava de modo que as cicatrizes brilharam brancas como prolas - a Prof Umbridge.
Ele esperou que o sorriso do elfo fosse desaparecer, suas orelhas carem; esperou que Dobby dissesse que era impossvel, ou ento que tentaria encontrar, mas no tinha grandes esperanas. O que no esperava  que o elfo fosse 
dar um saltinho, abanar alegremente as orelhas e bater palmas.
 - Dobby conhece o lugar perfeito, meu senhor! - disse satisfeito.
 - Dobby ouviu os outros elfos falarem quando chegou a Hogwarts. Ns o conhecemos com o nome de Sala Vem e Vai, meu senhor, ou ento a Sala Precisa.
 - Por qu? - perguntou Harry, curioso.
 - Porque  uma sala em que a pessoa s pode entrar - disse Dobby srio - quando tem real necessidade dela. s vezes existe, s vezes no, mas quando aparece est sempre equipada para atender  necessidade de quem a procura. Dobby j a usou, meu senhor - disse o elfo, baixando a voz com cara de culpa - quando Winky estava muito bbada; ele a escondeu na Sala Precisa e encontrou l antdotos para cerveja amanteigada, e uma boa cama para elfos, onde deitou Winky at ela curar a bebedeira... e Dobby sabe que o Sr. Filch encontrou l materiais de limpeza de reserva quando acabou os que tinha, meu senhor, e...
 - E se voc realmente precisasse de um banheiro - perguntou Harry de repente, lembrando-se de um comentrio que Dumbledore fizera no Baile de Inverno no Natal anterior - a sala se encheria de penicos?
 - Dobby imagina que sim, meu senhor - disse ele, concordando vigorosamente com a cabea. -  uma sala fantstica, meu senhor.
 - Quantas pessoas sabem que ela existe? - tornou a perguntar Harry, sentando-se mais reto na poltrona.
 - Muito poucas, meu senhor. A maioria tropea nela quando precisa, mas muitas vezes nunca a encontra outra vez, porque no sabe que ela est sempre l, esperando ser necessria, meu senhor.
 - Parece genial - exclamou Harry, com o corao disparando. Parece perfeita, Dobby. Quando voc pode me mostrar onde fica?
 - Quando quiser, Harry Potter, meu senhor - disse Dobby, parecendo encantado com o entusiasmo de Harry. - Podemos ir agora, se
Quiser.
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Por um instante o garoto se sentiu tentado a acompanhar Dobby. J ia se levantando, pensando em correr ao dormitrio para apanhar a Capa da Invisibilidade quando uma voz que j ouvira antes, muito parecida com a de Hermione, cochichou em seu ouvido irresponsvel. Era, afinal, muito tarde, e ele estava exausto.
 - Hoje no, Dobby - disse Harry relutante, tornando a se sentar.
 - Isto  realmente importante... No quero estragar a oportunidade, vai precisar de planejamento. Escute, voc pode me dizer exatamente onde fica essa tal Sala Precisa e como se chega l?
As vestes dos garotos se enfunavam e giravam em torno do corpo enquanto eles chapinhavam pela horta inundada, a caminho da aula de Herbologia, onde mal se conseguia ouvir o que a Prof Sprout dizia, tal a chuva que batia no teto da estufa, com a fora do granizo. A aula da tarde de Trato das Criaturas Mgicas ia ser transferida dos terrenos varridos pela tempestade para uma sala livre no andar trreo, e, para intenso alvio dos garotos, Angelina procurara a equipe na hora do almoo para avisar que cancelara o treino de quidditch.
 - Que bom - disse Harry baixinho, ao ouvir a notcia - porque encontramos um lugar para o nosso primeiro encontro de Defesa. Hoje  noite, oito horas, stimo andar, em frente quela tapearia do Barnabs, o Amalucado, sendo abatido a cacetadas pelos trasgos. Voc pode avisar a Kate e a Alicia?
Ela pareceu ligeiramente surpresa, mas prometeu avisar as outras. Harry, esfomeado, voltou a ateno para o seu pur com salsichas. Quando ergueu os olhos para tomar um gole de suco de abbora, viu Hermione observando-o.
 - Que foi? - perguntou guturalmente.
 - Bom...  que nem sempre os planos de Dobby so seguros. No est lembrado quando ele fez voc perder todos os ossos do brao?
 - Essa sala no  s uma idia maluca do Dobby; Dumbledore a conhece tambm, me falou nela no Baile de Inverno.
A expresso de Hermione se desanuviou.
 - Dumbledore lhe falou da sala?
 - De passagem.
 - Ah, bom, ento, tudo bem - disse imediatamente, sem fazer mais objees.
Acompanhados por Ron, eles gastaram a maior parte do dia procurando as pessoas que tinham assinado a lista no Cabea de Javali, para avisar onde se encontrariam quela noite. Para um certo desapontamento de Harry, foi Giny quem conseguiu encontrar Cho
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Chang e a amiga primeiro; mas, at o fim do jantar, o garoto estava confiante de que a notcia fora passada a cada um dos vinte e cinco colegas que haviam aparecido no Cabea de Javali.
s sete e meia, Harry, Ron e Hermione deixaram a sala comunal da Grifindore, Harry segurando um certo pergaminho antigo. Os quintanistas tinham permisso para circular nos corredores at s nove horas, mas os trs no paravam de olhar para o lado, nervosos, ao se dirigir 
ao stimo andar.
 - Genta a - pediu Harry, desdobrando o pergaminho no alto da ltima escada, batendo nele com a varinha e murmurando - Juro solenemente que estou mal-intencionado.
Apareceu um mapa de Hogwarts na superfcie do pergaminho em branco. Minsculos pontos negros se moviam nele identificados por nomes, mostrando onde estavam as vrias pessoas.
 - Filch est no segundo andar - disse Harry segurando o mapa perto dos olhos - e Mrs. Norris, no quarto andar.
 - E a Umbridge? - perguntou Hermione ansiosa.
 - Na sala dela - respondeu, apontando para o mapa. - OK, vamos.
Os trs saram apressados pelo corredor, at o local que Dobby descrevera, um trecho de parede lisa defronte  enorme tapearia retratando a insensata tentativa de Barnabs, o Amalucado, ensinar bale aos trasgos.
 - OK - disse Harry em voz baixa, enquanto um trasgo rodo de traas fazia uma pausa no gesto contnuo de dar cacetadas na futura professora de bale para observ-los - Dobby disse para passar por este trecho de parede trs ve/es, nos concentrando muito no que precisamos.
Os garotos assim fizeram, girando nos calcanhares ao chegar  janela pouco adiante da parede vazia, e seguindo at o vaso do tamanho de um homem na outra extremidade. Ron apertou os olhos e se concentrou; Hermione murmurou alguma coisa; os punhos de Harry estavam fechados quando fixou o olhar em frente.
Precisamos de um lugar para aprender a lutar... pensou ele. D-nos um lugar para praticar... um lugar em que no possam nos encontrar...
 - Harry! - exclamou Hermione com vivacidade, ao retornarem depois da terceira passagem.
Uma porta muito lustrosa aparecera na parede. Ron ficou olhando um tanto desconfiado. Harry estendeu a mo, segurou a maaneta de lato, abriu a porta e foi o primeiro a entrar em uma sala espaosa, iluminada com archotes bruxuleantes como os que iluminavam as masmorras oito andares abaixo.
As paredes estavam cobertas de estantes e, em lugar de cadeiras,
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havia grandes almofadas de seda no cho. Um conjunto de prateleiras no fundo da sala continha uma srie de instrumentos como BisbiIhoscpios, Sensores de Segredos e um grande Espelho-de-Inimigos rachado, que Harry tinha certeza de ter visto pendurado, no ano anterior, na sala do falso Moody.
 - Elas vo ser timas quando estivermos praticando Estuporamento - comentou Ron entusiasmado, batendo em uma das almofadas com o p.
 - E olhem s esses livros! - exclamou Hermione excitada, passando um dedo pelas lombadas de grandes tomos encadernados em couro. Compndio de feitios comuns e seus contrafeitios... Vencendo as artes das trevas pela astcia... Feitios auto defensivo s... uau... - Ela olhou para Harry, o rosto radiante, e ele viu que a presena de centenas de livros finalmente convencera Hermione de que o que estavam fazendo era certo. - Harry, que maravilha, aqui tem tudo de que precisamos!
E, sem perder tempo, ela puxou Maldies para os amaldioados da prateleira, sentou-se na almofada mais prxima e comeou a ler.
Ouviram, ento, uma leve batida na porta. Harry olhou para os lados. Giny, Neville, Lavender, Parvati e Dean haviam chegado.
 - Opa - exclamou Dean, correndo os olhos pela sala, impressionado. - Que lugar  esse?
Harry comeou a explicar, mas, antes que terminasse, chegava mais gente, e ele precisava recomear a histria. Quando finalmente deu oito horas, todas as almofadas estavam ocupadas. Harry foi at a porta e experimentou a chave que havia na fechadura; ela girou com um rudo convincente e todos se calaram, de olhos nele. Hermione marcou cuidadosamente a pgina de Maldies para os azarados, e ps o livro de lado.
 - Bom - disse Harry, ligeiramente nervoso. - Esta foi a sala que encontramos para as aulas prticas e vocs... hum... obviamente a acharam boa.
 -  fantstica! - exclamou Cho, e vrias pessoas murmuraram em concordncia.
 -  estranho - disse Fred, examinando-a com a testa enrugada. Uma vez nos escondemos do Filch aqui, lembra, George? Mas era s um armrio de vassouras.
 - Ei, Harry, que  isso? - perguntou Dean do fundo da sala, indicando os Bisbilhoscpios e o Espelho-de-Inimigos.
 - Detectores de bruxaria das trevas - disse Harry passando entre as almofadas para se aproximar. - Basicamente eles mostram quando bruxos das trevas ou inimigos esto por perto, mas voc no pode confiar neles totalmente porque podem ser enganados... ..u> *fr
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Ele mirou por instantes o Espelho-de-Inimigos rachado; havia vultos escuros se movendo, embora no desse para reconhecer nenhum. Deu, ento, as costas ao espelho.
 - Bom, estive pensando no tipo de coisa que devamos fazer primeiro e... hum... - Ele reparou que havia uma mo erguida. - Que foi Hermione?
 - Acho que devemos eleger um lder - disse ela.
 - Harry  o lder - disse Cho, olhando 
para Hermione como se ela tivesse enlouquecido.
O estmago de Harry deu uma cambalhota para trs.
 - E, mas acho que devamos votar isso como deve ser - respondeu Hermione sem se perturbar. - Torna a coisa formal e d a ele autoridade. Ento todos acham que Harry deve ser o nosso lder?
Todos ergueram as mos, at mesmo Zacarias Smith, embora o fizesse de m vontade.
 - Hum... certo, obrigado - disse Harry, que sentia o rosto arder.
 - E... que foi Hermione?
 - Acho tambm que devemos ter um nome - disse ela, animada, a mo ainda no ar. - Incentivaria o esprito de equipe e a unio, que  que vocs acham?
 - Ser que podemos ser a Liga Anti-Umbridge? - perguntou Angelina esperanosa.
 - Ou o Grupo Ministrio da Magia S Tem Retardados? - sugeriu Fred.
 - Eu estive pensando - disse Hermione franzindo a testa para Fred - mais em um nome que no anunciasse a todo o mundo o que pretendemos fazer, de modo que a gente possa se referir ao grupo fora das reunies sem correr perigo.
 - A Associao de Defesa? - arriscou Cho. - A AD, para que ningum saiba do que estamos falando?
 - E, a AD  bom - concordou Giny. - S que devia significar a Armada de Dumbledore, porque o maior medo do Ministrio  uma fora armada de Dumbledore.
Ouviram-se vrios murmrios de agrado e gargalhadas  sugesto.
 - Todos a favor da AD? - perguntou Hermione com um ar autoritrio, ajoelhando-se na almofada para contar. - H uma maioria a favor... moo aprovada!
Ela prendeu o pergaminho com as assinaturas de todos na parede e escreveu em cima, em letras garrafais
ARMADA DE DUMBLEDORE
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 - Certo - disse Harry, quando voltou a se sentar - vamos comear a praticar ento? Eu estive pensando, devamos comear pelo Expelliarmus, sabem, o Feitio para Desarmar. Sei que  bem bsico, mas eu o achei realmente til...
 - Ah, corta essa - disse Zacarias, virando os olhos para o alto e cruzando os braos. - No acho que o Expelliarmus v nos ajudar a enfrentar Voc-Sabe-Quem, vocs acham?
 - Usei-o contra ele - disse Harry calmamente. - Salvou minha vida em junho.
Zacarias boquiabriu-se feito bobo. O resto da sala ficou muito silenciosa.
 - Mas, se voc acha que no est  sua altura, pode se retirar. O garoto no se mexeu. Nem os demais.
 - OK - disse Harry, a boca um pouco mais seca do que o normal ao sentir todos os olhares nele. - Acho que todos deviam se dividir em pares para praticar.
Era uma sensao estranha estar dando ordens, mas no to estranha quanto v-las obedecidas. Todos se levantaram na mesma hora e se dividiram. Previsivelmente, Neville acabou sem par.
 - Voc pode praticar comigo - disse-lhe Harry. - Certo... ento quando eu contar trs, ento... um, dois, trs...
A sala se encheu repentinamente de gritos de "Expelliarmus!"'. Varinhas voaram em todas as direes; os feitios sem pontaria atingiram livros e prateleiras, mandando-os pelos ares. Harry era por demais rpido para Neville, cuja varinha saiu rodopiando de sua mo, bateu no teto em meio a uma chuva de fascas e caiu com estrpito em cima de uma prateleira, de onde Harry a recuperou com um Feitio Convocatrio. Olhando  volta, ele achou que agira bem sugerindo que praticassem primeiro os feitios bsicos; havia muito feitio malfeito; vrios colegas no estavam conseguindo desarmar os oponentes, meramente os faziam pular para trs ou fazer caretas quando os feitios passavam por cima de suas cabeas.
 - Expelliarmus! - exclamou Neville, e Harry apanhado de surpresa, sentiu sua varinha voar da mo.
 - CONSEGUI! - gritou Neville, cheio de alegria. - Eu nunca tinha feito isso antes... CONSEGUI!
 - Boa! - disse Harry, encorajando-o em lugar de lembrar que, em um duelo verdadeiro, seu oponente provavelmente no estaria olhando na direo oposta com a varinha pendurada ao lado do corpo. Escute, Neville, voc pode revezar com o Ron e a Hermione por alguns minutos, para eu poder andar pela sala e ver como os outros esto se virando? 
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Harry foi para o meio da sala. Alguma coisa muito estranha estava acontecendo com Zacarias Smith. Toda vez que ele abria a boca para desarmar Antony Goldstein, a varinha voava de sua mo, mas Antony no parecia estar emitindo som algum. Harry no precisou olhar muito longe para solucionar o mistrio; Fred e George estavam a vrios passos do garoto e se revezavam apontando as varinhas para as costas de Zacarias.
 - Desculpe, Harry - apressou-se George 
a dizer, quando seus olhos se encontraram. - No pudemos resistir.
Harry andou em volta dos pares, tentando corrigir os que estavam realizando mal o feitio. Giny fazia dupla com Michael Comer; estava se saindo muito bem, enquanto o namorado ou era muito ruim ou no estava querendo enfeiti-la. Ernie Macmillan acenava desnecessariamente com a varinha, dando ao parceiro tempo para se pr em guarda; os irmos Creevey agiam com entusiasmo, mas sem pontaria, e eram os principais responsveis pelos livros que saltavam das prateleiras ao redor; Luna Lovegood era igualmente instvel, por vezes fazia a varinha de Justin Finch-Fletchley sair rodopiando da mo, mas, em outras, fazia apenas os cabelos dele ficarem em p.
 - OK, parar! - gritou Harry. - Parar! PARAR!
Preciso de um apito, pensou, e imediatamente localizou um em cima da fileira de livros mais prxima. Apanhou-o e apitou com fora. Todos baixaram as varinhas.
 - No foi nada mau - disse Harry - mas decididamente h margem para melhorar. - Zacarias amarrou a cara para ele. - Vamos experimentar outra vez.
Ele tornou a circular pela sala, parando aqui e ali para fazer sugestes. Lentamente, o desempenho geral melhorou. Harry evitou se aproximar de Cho e da amiga por algum tempo, mas, depois de dar duas voltas pelos outros pares da sala, sentiu que no podia continuar a ignor-las.
 - Ah, no - exclamou Cho um tanto alterada quando ele se aproximou. - Expelliarmious! Eu... quero dizer Expellimellius, ah, desculpe, Marieta!
A manga da amiga de cabelos crespos pegara fogo; Marieta apagou-o com a prpria varinha e amarrou a cara para Harry, como se tivesse sido culpa dele.
 - Voc me deixou nervosa, eu estava fazendo tudo direito antes!
 - disse Cho a Harry se lastimando.
 - - Foi bastante bom - mentiu Harry, mas, quando a garota ergueu as sobrancelhas, ele acrescentou. - Bom, no, foi uma droga, mas eu sei que voc sabe fazer direito, estive observando de longe. ;
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Ela riu. A amiga Marieta olhou para os dois meio azeda e virou as costas.
 - No ligue para ela - murmurou Cho. - Na realidade, no queria estar aqui, mas eu a obriguei a vir. Os pais dela a proibiram de fazer qualquer coisa que possa aborrecer a Umbridge. Voc entende... a me dela trabalha para o Ministrio.
 - E os seus pais? - perguntou Harry.
 - Bom, eles me proibiram de desagradar a Umbridge, tambm disse Cho, aprumando o corpo com orgulho. - Mas se eles acham que no vou combater Voc-Sabe-Quem, depois do que aconteceu com o Cedric...
Ela se calou, parecendo um tanto confusa, e seguiu-se um silncio constrangido entre os dois; a varinha de Terncio passou zunindo pela orelha de Harry e atingiu com fora o nariz de Alicia.
 - Bom, meu pai d muito apoio a qualquer ao antiministrio! disse Luna, com orgulho, atrs de Harry; evidentemente estivera escutando a conversa, enquanto Justin tentava se desembaraar das vestes que cobriam sua cabea. - Ele est sempre dizendo que acreditaria em qualquer coisa sobre Fudge; quero dizer, o nmero de duendes que Fudge mandou assassinar! E  claro que ele usa o Departamento de Mistrios para desenvolver venenos terrveis, que secretamente d a qualquer um que discorde dele. E depois tem o Umgubular Slashkilter...
 - No pergunte - murmurou Harry para Cho quando ela abriu a boca, parecendo intrigada. A garota riu.
 - Ei, Harry - chamou Hermione do outro extremo da sala - voc viu que horas so?
Ele olhou para o relgio e se assustou ao ver que j eram nove e dez, o que significava que precisavam voltar s suas salas comunais imediatamente ou se arriscar a ser punidos por Filch por estar fora da rea permitida. Ele apitou; todos pararam de gritar "Expelliarmus!", e o ltimo par de varinhas bateu no cho.
 - Bom, foi bastante bom - disse Harry - mas passamos da hora,  melhor pararmos por aqui. Mesma hora, mesmo lugar, na semana que vem?
 - Antes! - pediu Dean, ansioso, e muitos concordaram com a cabea.
, Angelina, porm, apressou-se a dizer.
ia -HJ - A temporada de quidditch j vai comear, as equipes tambm psecisam treinar!
 - Digamos, na prxima quarta  noite, ento - sugeriu Harry -
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a podemos decidir se queremos mais reunies. Vamos,  melhor ir andando.
Ele puxou o Mapa do Maroto e examinou-o, cuidadosamente, procurando sinal de professores no stimo andar. Deixou, ento, os colegas sarem em grupos de trs e quatro, observando os pontinhos, ansiosamente, a ver se voltavam em segurana aos seus dormitrios os da Hufflepuff no corredor do poro que tambm levava s cozinhas; os da Ravenclaw na torre do lado oeste do castelo; e os da Grifindore no corredor do retrato da Mulher Gorda.
 - Foi realmente bom, realmente bom, Harry - disse Hermione, quando finalmente restaram apenas ela, ele e Ron.

 - , foi mesmo! - disse Ron entusiasmado, quando passaram pela porta e a viram se confundir com a pedra s costas deles. - Voc me viu desarmando a Hermione, Harry?
 - S uma vez - disse Hermione mordida. - Peguei voc muito mais vezes do que voc me pegou...
 - Eu no peguei voc s uma vez, foram pelo menos trs...
 - Bom, se voc est contando a vez em que tropeou nos ps e derrubou a varinha da minha mo...
Eles discutiram todo o caminho de volta  sala comunal, mas Harry no estava ouvindo. Tinha um olho no Mapa do Maroto, e pensava tambm em Cho dizendo que ele a deixava nervosa. --r
CAPTULO DEZENOVE-
T* O Leo e a Cobra
Harry teve a sensao de que estava carregando uma espcie de talism no peito, nas duas semanas seguintes, um segredo luminoso que o ajudou a suportar as aulas de Umbridge e at tornou-lhe possvel sorrir insossamente ao encarar os olhos horrveis e saltados da professora. Ele e a AD estavam resistindo debaixo do nariz dela, fazendo exatamente o que Umbridge e o Ministrio mais temiam, e sempre que devia estar lendo o livro de Wilberto Slinkhard, durante as aulas, ele se regalava com as agradveis lembranas das reunies mais recentes, revendo como Neville conseguira desarmar Hermione, como Clin dominara a Maldio de Impedimento depois de se esforar trs reunies seguidas, como Parvati executara um Feitio Redutor com tanta perfeio que reduzira a p a mesa em que estavam os bisbilhoscpios.
Ele estava achando quase impossvel fixar uma noite por semana para as reunies da AD, porque precisavam acomodar os treinos de trs equipes de quidditch diferentes, em geral remarcadas por causa das ms condies do tempo; mas Harry no lamentava; sentia que provavelmente era melhor manter os horrios de suas reunies imprevisveis. Se algum os estivesse vigiando, ficaria difcil distinguir um padro.
Hermione no tardou a inventar um mtodo muito inteligente de comunicar o dia e a hora da reunio seguinte a todos os membros, caso precisassem mud-los de um momento para o outro, porque pareceria suspeito se os alunos das diferentes Casas fossem vistos atravessando o Salo Principal para conversar uns com os outros com muita freqncia. Ela deu a cada membro da AD um galeo falso (Ron ficou muito excitado quando viu a cesta de moedas e convenceu-se de que Hermione estava realmente distribuindo ouro).
 - Vocs esto vendo os nmeros na borda das moedas? - explicou Hermione ao final da quarta reunio, erguendo uma para mostrar. A moeda brilhava macia e amarela  luz dos archotes. - Nos galees verdadeiros, este  apenas o nmero de srie referente ao duende que cunhou a moeda. Mas, nas moedas falsas, os nmeros vo ser troca329
dos para informar o dia e a hora da reunio seguinte. As moedas ficaro quentes quando a data mudar, ento se vocs as carregarem no bolso podero sentir. Cada um vai levar uma, e quando Harry mudar os nmeros na moeda dele, porque eu usei um Feitio de Proteu, todas mudaro para se igualar  dele.
Um silncio total acolheu suas palavras, e Hermione olhou desapontada os rostos que a encaravam.
 - Bom... achei que era uma boa idia - disse insegura - quero dizer, mesmo que a Umbridge nos mande virar os bolsos pelo avesso, no h nada suspeito em carregar um galeo, h? Mas... bom, se vocs no quiserem usar as moedas...
 - Voc sabe fazer um Feitio de Proteu? - admirou-se Terncio Boot.
-Sei.
 - Mas isso... isso  nvel de N.I.E.M. - comentou pouco convencido.

 - Ah - respondeu Hermione, tentando parecer modesta. - Ah... bom... , suponho que seja.
 - Como  que voc no pertence  Ravenclaw? - perguntou Boot, fixando-a com um olhar prximo ao assombro. - Com uma inteligncia dessa?
 - Bom, o Chapu Seletor pensou seriamente em me mandar para Ravenclaw - contou Hermione animada - mas acabou se decidindo pela Grifindore. Ento, isso quer dizer que vamos usar os galees?
Houve um murmrio de concordncia e todos se adiantaram para apanhar uma moeda na cesta. Harry olhou de esguelha para Hermione. ''">
 - Sabe o que essas moedas me lembram? ;
 - No, o qu?
 - As cicatrizes dos Comensais da Morte. Voldemort toca em uma delas e todas ardem, e seus seguidores sabem que devem se reunir a ele.
 - Bom...  - disse Hermione em voz baixa - foi de onde copiei a idia... mas voc vai notar que decidi gravar a data em metal em vez de grav-la na pele dos nossos colegas.
 - ... prefiro do seu jeito - disse Harry, sorrindo ao enfiar a moeda no bolso. - Imagino que o nico perigo  que a gente possa gastar a moeda sem querer.
 - No tem a menor chance - disse Ron, que estava examinando o seu galeo falso com tristeza - no tenho um galeo verdadeiro para confundir com este.
Quando o primeiro jogo da temporada, Grifindore contra Slytherin, comeou a se aproximar, as reunies da AD foram suspensas
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porque Angelina insistiu em fazer treinos quase dirios. O fato de que a Copa de Quidditch no se realizava havia tanto tempo aumentava o interesse e a excitao que cercava o prximo jogo; os alunos da Ravenclaw e da Hufflepuff estavam vivamente interessados no resultado, porque eles,  claro, estariam jogando com as duas equipes no ano seguinte; e os diretores das Casas das equipes competidoras, embora tentassem disfarar sob um falso esprito esportivo, estavam decididos a ver o seu prprio time vitorioso. Harry percebeu o quanto a Prof McGonagall queria derrotar a Slytherin quando ela se absteve de passar dever de casa na semana que antecedeu ao jogo.
 - Acho que no momento j temos muito com que nos ocupar disse com altivez. Ningum quis acreditar no que estava ouvindo at v-la olhando diretamente para Harry e Ron e dizer muito sria Me acostumei a ver a Taa de Quidditch na minha sala, rapazes, e realmente no quero ser obrigada a entreg-la ao Prof. Snape, ento usem o tempo extra para treinar, sim?
Snape no foi um partidrio menos bvio; reservou o campo de quidditch para a Slytherin com tanta freqncia que a equipe da Grifindore teve dificuldade em encontr-lo livre para treinar. Fazia-se tambm de surdo com relao s muitas queixas de que os alunos da Slytherin estavam tentando amaldioar os jogadores da Grifindore nos corredores da escola. Quando Alicia Spinnet apareceu na ala hospitalar com as sobrancelhas crescendo to densa e rapidamente que obscureciam sua viso e tampavam sua boca, Snape insistiu que a garota devia ter experimentado nela mesma um Feitio para Engrossar os Cabelos, e se recusou a ouvir as catorze testemunhas que confirmavam ter visto o goleiro da Slytherin, Milo Bletchley, lanar o feitio nas costas da garota quando ela estava estudando na biblioteca.
Harry se sentia otimista quanto s chances da Grifindore; afinal de contas, jamais haviam perdido para a equipe de Malfoy. Era verdade que o desempenho de Ron ainda no chegara no nvel do de Oliver, mas ele estava se esforando o mximo para melhorar. Sua maior fraqueza era a tendncia a perder a confiana quando fazia uma bobagem; se deixava passar um gol, se atrapalhava e, com isso, se tornava mais vulnervel a deixar passar vrios. Em contrapartida, Harry vira Ron fazer algumas defesas espetaculares quando estava em forma; durante um treino memorvel, ficara pendurado na vassoura por uma das mos e chutara a Quaffle com tanta fora para longe do aro que ela percorrera toda a extenso do campo e atravessara o aro do meio na extremidade oposta; a equipe achara que essa defesa se comparava favoravelmente com uma outra, feita recentemente por Barry Ryan, o goleiro da seleo da Irlanda, contra o melhor artilheiro da Polnia,
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Ladislau Zamojski. At mesmo Fred dissera que 
Ron ainda poderia fazer com que ele e o irmo se orgulhassem dele, e que estavam pensando seriamente em admitir seu parentesco com ele, coisa que, garantiam-lhe, vinham tentando negar havia quatro anos.
A nica preocupao real de Harry era que Ron estava deixando que as tticas da Slytherin o perturbassem mesmo antes de entrarem em campo. Harry, naturalmente, aturava os comentrios maldosos deles havia mais de quatro anos, por isso, murmrios como "Oi, Potty, ouvi dizer que Warrington jurou derrubar voc da vassoura no sbado", em vez de gelar seu sangue, o faziam rir. "A pretenso de Warrington  to pattica, que eu ficaria mais preocupado se ele estivesse mirando na pessoa ao meu lado", retrucava ele, o que fazia Ron e Hermione rirem e apagava o sorriso presunoso da cara de Pansy Parkinson.
Mas Ron nunca estivera sujeito a uma campanha incansvel de desaforos, caoadas e intimidaes. Quando os alunos da Slytherin, alguns do stimo ano e consideravelmente maiores que ele, murmuravam ao passar nos corredores "Reservou seu leito na ala hospitalar, Weasley?", ele no ria, e seu rosto adquiria um delicado tom verde. Quando Draco Malfoy o imitava largando a Quaffle (o que ele fazia sempre que os dois se avistavam), as orelhas de Ron irradiavam um fulgor vermelho e suas mos tremiam tanto que ele seria capaz de deixar cair tambm o que estivesse segurando na hora.
Outubro terminou numa investida de ventos uivantes e chuvas impiedosas, e novembro chegou, frio como uma barra de ferro congelada, com espessas geadas matinais e correntes de ar cortantes que queimavam as mos e os rostos desprotegidos. O cu e o teto do Salo Principal estavam um perolado cinza plido, os picos das montanhas que cercavam Hogwarts, cobertos de neve, e a temperatura do castelo cara tanto que muitos estudantes usavam grossas luvas de pele de drago para se proteger quando saam para os corredores no intervalo das aulas.
A manh do jogo alvoreceu clara e fria. Quando Harry acordou, olhou para a cama de Ron e o viu sentado, muito reto, abraando os joelhos, olhando fixamente para o espao.
 - Voc est bem? - perguntou Harry.
Ron respondeu afirmativamente com a cabea, mas no falou. Harry se lembrou sem querer da ocasio em que o amigo acidentalmente lanara nele mesmo um feitio que o fez vomitar lesmas; estava to plido e suado como naquele dia, para no falar na relutncia em abrir a boca. 
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 - Voc s precisa tomar caf - disse Harry para anim-lo. Vamos.
O Salo Principal estava se enchendo depressa quando eles chegaram, a conversa mais alta e o clima mais exuberante do que o normal. Quando passaram pela mesa da Slytherin, o barulho aumentou. Harry olhou e viu que, alm dos habituais cachecis e gorros verdee-prata, cada um deles estava usando um distintivo prateado, que, na forma, lembrava uma coroa. Por alguma razo, muitos deles acenaram para Ron, s gargalhadas. Harry tentou ver o que estava escrito nos distintivos, mas estava to preocupado em fazer Ron passar rpido pela mesa que no quis se deter tempo suficiente para ler.
Eles foram recebidos entusiasticamente na mesa da Grifindore, onde todos usavam vermelho-e-ouro, mas, em lugar de animar Ron, os vivas pareceram acabar de minar o seu moral; ele se largou no banco mais prximo, parecendo estar diante da ltima refeio da vida.
 - Eu devia estar maluco quando fiz isso - disse num sussurro rouco. - Maluco.
 - No seja tapado - disse Harry com firmeza, passando-lhe uma seleo de cereais - voc vai ficar timo.  normal se sentir nervoso.
 - Sou uma meleca - crocitou ele em resposta. - Sou um trapalho. No sou capaz de jogar nem para salvar a pele. Onde  que eu estava com a cabea?
 - Controle-se - disse Harry com severidade. - Olhe aquela defesa que voc fez com o p ainda outro dia, at o Fred e o George disseram que foi genial.
Ron voltou um rosto torturado para Harry.
 - Aquilo foi por acaso - sussurrou infeliz. - No era minha inteno, escorreguei da vassoura quando vocs no estavam olhando e, quando tentei me endireitar, chutei acidentalmente a Quaffle.
 - Bom - disse Harry, recuperando-se rapidamente da desagradvel surpresa - mais alguns acasos iguais quele e o jogo est no papo, no acha?
Hermione e Giny sentaram-se defronte aos dois usando cachecis, luvas e rosetas vermelho-e-ouro.
 - Como  que voc est se sentindo? - Giny perguntou a Ron, que agora contemplava o resto de leite no fundo da tigela vazia de cereal, como se considerasse seriamente a possibilidade de se afogar ali.
 - Ele est s nervoso - disse Harry.
 - Bom,  um bom sinal, acho que a pessoa nunca se sai to bem nos exames se no estiver um pouco nervosa - disse Hermione com entusiasmo.
 - Al - cumprimentou uma voz vaga e sonhadora s costas deles.
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Harry olhou Luna Lovegood viera da mesa da Ravenclaw. Muitos estudantes a seguiam com os olhos, alguns davam gargalhadas e a apontavam sem disfarces; Luna conseguira arranjar um chapu em forma de cabea de leo em tamanho natural, e o colocara precariamente na cabea.
 - Estou torcendo pela Grifindore - disse, apontando sem necessidade para o chapu. - Olhe s o que ele faz...
Ela ergueu a mo e deu um toque de varinha 
no chapu. O leo escancarou a boca e soltou um rugido extremamente real, que sobressaltou todos que estavam por perto.
 -  timo, no ? - disse Luna, feliz. - Eu queria que ele estivesse mastigando uma cobra para representar a Slytherin, entendem, mas o tempo foi pouco. Em todo o caso... boa sorte, Ronald!
Ela se afastou como se flutuasse. Os garotos ainda no tinham se recuperado do choque que fora o chapu de Luna quando Angelina se aproximou correndo, acompanhada por Kate e Alicia, cujas sobrancelhas tinham sido misericordiosamente restauradas por Madame Pomfrey.
 - Quando vocs estiverem prontos - disse ela - vamos direto para o campo, verificar as condies e trocar de roupa.
 - Estaremos l daqui a pouco - Harry a tranqilizou. - O Ron precisa comer alguma coisa.
Mas, passados dez minutos, ficou claro que Ron no conseguiria comer mais nada, e Harry achou melhor lev-lo para os vestirios. Ao se levantarem da mesa, Hermione os acompanhou, e, segurando o brao de Harry, puxou-o para um lado.
 - No deixe Ron ver o que tem naqueles distintivos do pessoal da Slytherin - cochichou pressurosa.
Harry olhou-a curioso, mas ela sacudiu a cabea num gesto de aviso; Ron vinha em direo a eles, parecendo perdido e desesperado.
 - Boa sorte, Ron - disse Hermione, ficando na ponta dos ps e lhe dando um beijo na bochecha. - E para voc tambm, Harry...
Ron pareceu se reanimar ligeiramente quando tornaram a cruzar o Salo Principal. Ele encostou a mo no lugar em que Hermione o beijara, parecendo intrigado, como se no tivesse muita certeza do que acabara de acontecer. Parecia distrado demais para reparar nas coisas ao seu redor, mas Harry lanou um olhar curioso para os distintivos em forma de coroa quando passaram pela mesa da Slytherin, e desta vez distinguiu as palavras gravadas:
Weasley  o nosso rei
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Com uma sensao desagradvel de que aquilo no podia significar nada de bom, ele apressou Ron na travessia do saguo e na descida da escada de pedra, e saram para o ar gelado.
A grama coberta de gelo produzia um rudo de triturao sob seus ps ao caminharem pelos gramados em direo ao estdio. No havia vento algum e o cu estava um branco perolado uniforme, o que significava que a visibilidade seria boa, sem o transtorno de receber a luz do sol direto nos olhos. Harry apontou esses dados animadores para Ron, mas no tinha muita certeza de que o amigo o ouvisse.
Angelina j se trocara e estava falando com o resto da equipe quando eles entraram. Harry e Ron vestiram os uniformes (Ron tentou fazer isso de trs para a frente durante vrios minutos at Alicia se apiedar dele e ajud-lo), depois se sentaram para ouvir a preleo pr-jogo, enquanto l fora o vozerio no parava de aumentar  medida que os espectadores saam em um fluxo contnuo do castelo para o campo.
 - OK, acabei de descobrir a escalao final da Slytherin - disse Angelina, consultando um pedao de pergaminho. - Os Beater do ano passado, Derrick e Bole, saram, mas parece que o Montague os substituiu pelos gorilas de sempre, em vez de escolher algum que saiba voar particularmente bem. So dois caras chamados Crabbe e Goyle, no sei muita coisa sobre eles...
 - Ns sabemos - disseram Harry e Ron juntos.
 - Bom, eles no parecem ter inteligncia suficiente para diferenciar as extremidades da vassoura - continuou Angelina, embolsando o pergaminho - mas, por outro lado, eu sempre me surpreendi que Derrick e Bole conseguissem encontrar o caminho do campo sem precisar de placas de sinalizao.
 - Crabbe e Goyle so iguais - garantiu-lhe Harry. Ouviam-se centenas de passos subindo as arquibancadas do
campo. Alguns espectadores cantavam, embora Harry no conseguisse entender as palavras. Estava comeando a se sentir nervoso, mas sabia que as borboletas em seu estmago no eram nada se comparadas s de Ron, que apertava a barriga e olhava reto em frente outra vez, de queixo duro e a pele cinza-claro.
 - Est na hora - avisou Angelina com a voz abafada, consultando o relgio. - Vamos, galera... boa sorte.
A equipe se levantou, ps as vassouras nos ombros e saiu em fila indiana do vestirio para a claridade ofuscante do dia. Foram saudados por um grande clamor, no qual Harry continuava a ouvir um canto, embora abafado pelos aplausos e vaias. .
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A equipe da Slytherin j os aguardava formada. Seus jogadores tambm usavam os tais distintivos em forma de coroa. O novo capito, Montague, tinha a forma fsica de Duddley Dursley, braos macios que lembravam presuntos peludos. Atrs dele, rondavam Crabbe e Goyle, quase to grandes como ele, piscando idiotamente no 
cu, balanando os bastes novos de Beater. Malfoy estava parado de um lado, a cabea louro-prateada refletindo o sol. Seus olhos encontraram os de Harry, e ele deu um sorriso debochado, batendo no distintivo que levava ao peito.
 - Capites, apertem as mos - ordenou Madame Hooch, quando Angelina e Montague se aproximaram. Harry pde ver que Montague estava tentando quebrar o dedos de Angelina, embora ela nada demonstrasse. - Montem as vassouras...
Madame Hooch levou o apito  boca e soprou.
As bolas foram soltas no ar, e os catorze jogadores dispararam para o alto. Pelo canto do olho, Harry viu Ron passar como um raio em direo s balizas. Harry continuou a subir em alta velocidade, se esquivou de um Bludjer, e comeou a dar uma grande volta pelo campo, procurando no ar um brilho dourado; do outro lado do estdio, Draco Malfoy fazia exatamente a mesma coisa.
E  Johnson -Johnson com a Quaffle, que jogadora  essa garota,  o que venho dizendo h anos, mas ela continua a no querer sair comigo...
-JORDAN! - berrou a Prof McGonagall.
...  s uma gracinha, professora, um toque de interesse humano - e ela se livra de Warrington, passa por Montague, ela - ai - foi atingida nas costas por um Bludjer lanado por Crabbe... Montague apanha a Quaffle, Montague torna a subir pelo campo e - belo Bludjer agora de George Weasley, um Bludjer na cabea de Montague, que larga a Quaffle, quem a apanha  Kate Bell, Kate Bell da Grifindore atrasa a bola para Alicia Spinnet e Spinnet se afasta...
Os comentrios de Linus Jordan ecoavam pelo estdio, e Harry fazia esforo para escut-los apesar do assobio do vento em seus ouvidos e do vozerio do pblico, que berra, vaia e canta.
... foge de Warrington, evita um Bludjer - esse foi por pouco, Alicia - e o pblico est adorando o jogo, ouam, que  que eles esto cantando?
E Linus parou para escutar, a cantoria soou alta e clara na seo verde-e-prata da Slytherin nas arquibancadas.
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... Weasley no pega nada...
... No bloqueia aro algum...
...Ei, Ei, Ei, , , ...
...Weasley  o nosso rei.
...Weasley nasceu no lixo...
...Sempre deixa a bola entrar...
...A vitria j  nossa...
...Weasley  o nosso rei.
...e Alicia passa outra vez para Angelina!", gritou Linus, e quando Harry mudou de direo, suas entranhas fervendo com o que acabara de ouvir, percebeu que Linus estava tentando abafar a cantoria.
Vai Angelina - agora ela s precisa passar pelo goleiro! - ELA CHUTA - ELA - aaah...
Bletchley, o goleiro de Slytherin, defendeu bem; lanou a Quaffle para Warrington, que saiu em velocidade, ziguezagueando entre Alicia e Kate; a cantoria das arquibancadas se tornava cada vez mais alta e ele foi se aproximando de Ron.
Weasley  o nosso rei, 
Weasley  o nosso rei, 
Sempre deixa a bola entrar 
Weasley  o nosso rei.
Harry no conseguiu se conter abandonando a busca da Snitch, virou sua Firebolt para Ron, uma figura solitria na extremidade do campo, planando diante das trs balizas enquanto o troncudo Warrington avanava para ele.
Warrington tem a Quaffle, Warrington vai em direo aos aros, est fora do alcance dos Bludjer e tem apenas o goleiro pela frente...
Uma grande onda sonora se elevou das arquibancadas da Slytherin
...Weasley no pega nada
No bloqueia aro algum... ...
...  o primeiro teste do novo goleiro da Grifindore, Weasley, irmo dos Beater Fred e George...  um talento que promete vamos garoto!
Mas o grito de alegria veio do lado da Slytherin Ron dera um mergulho s cegas, de braos muito abertos, e a Quaffle passara entre eles, atravessando direto o seu aro central.
Ponto para Slytherin! - entrou a voz de Linus entre os aplausos e vaias do pblico embaixo - dez a zero para Slytherin - que pouca sorte, Ron!
Os alunos de Slytherin cantaram ainda mais alto
WEASLEY NASCEU NO LIXO EI, EI, EI, EI...
... e a Grifindore retoma a posse e temos Kate Bell atravessando o campo com energia...", gritou Linus se enchendo de coragem, embora a cantoria agora estivesse to ensurdecedora que ele mal conseguia se fazer ouvir.
A VITRIA J  NOSSA WEASLEY  O NOSSO REI...
 - Harry, QUE  QUE VOC EST FAZENDO? - berrou Angelina, sobrevoando-o para acompanhar Kate Bell. - MEXA-SE!
Harry se deu conta de que parar no ar por mais de um minuto, observando o andamento da partida sem pensar um instante onde estaria a Snitch; horrorizado ele mergulhou e recomeou a circular o campo, tentando ignorar o coro que agora atroava o estdio
WEASLEY  O NOSSO REI, WEASLEY  O 
NOSSO REI...
No viu sinal da Snitch em lugar algum; Malfoy continuava a circular o estdio como ele. Cruzaram na metade da volta pelo campo, seguindo em direes opostas e Harry ouviu Malfoy cantando em voz alta
WEASLEY NASCEU NO LIXO... , . ;
... e a vem Warrington de novo - berrou Linus - que passa para Pucey Pucey ultrapassa Alicia, vamos Angelina, d para pegar ele, afinal no deu, mas foi um belo Bludjer de Fred Weasley, quero dizer, George Weasley, ah, que diferena faz, foi um dos gmeos, e Warrington larga a Quaffle e Kate Bell... hum... larga tambm... ento a Quaffle sobra para Montague que sai voando pelo campo, vamos Grifindore, bloqueia ele agora!
Harry contornou veloz a extremidade do campo por trs das balizas da Slytherin, fazendo fora para no olhar para o que estava acon_
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tecendo na extremidade do campo defendida por Ron. Quando passou pelo goleiro da Slytherin, ouviu Bletchley acompanhando o coro do pblico embaixo.
WEASLEY NO PEGA NADA...
... e Pucey se livra mais uma vez de Alicia e ruma diretamente para o gol, segura a bola, Ron!
Harry no - precisou olhar para saber o que acontecera ouviu-se um gemido terrvel no lado da Grifindore, acompanhado de novos gritos e aplausos dos alunos da Slytherin. Olhando para baixo, Harry viu a cara de buldogue de Pansy Parkinson bem na frente da arquibancada, de costas para o campo, regendo a torcida da Slytherin que urrava
...EI, EI, EI, EI WEASLEY  O NOSSO REI ..." 
Mas vinte a zero no era problema, ainda havia tempo para a Grifindore igualar o placar ou capturar a Snitch. Uns trs gols e eles tomariam a dianteira como sempre, Harry procurou se tranqilizar, subindo, descendo e entrecruzando com os demais jogadores em busca de um brilho que vira e que, afinal, era a correia do relgio de Montague.
Mas Ron deixou entrar mais dois gols. Havia um toque de pnico no desejo que Harry sentia de encontrar a Snitch imediatamente. Se conseguisse captur-lo logo, terminaria o jogo de uma vez.
... e Kate Bell da Grifindore escapa de Pucey, se abaixa para fugir de Montague, bela virada, Kate, e atira para Angelina, que agarra a Quaffle, ultrapassa Warrington, est voando para o gol, vamos,  agora Angelina... E  PONTO PARA GRIFINDORE! Quarenta a dez, quarenta a dez para Slytherin, e Pucey tem a posse da Quaffle...
Harry ouviu o ridculo chapu de leo de Luna rugir no meio dos vivas da Grifindore e se sentiu fortalecido; apenas trinta pontos de diferena, isso no era nada, podiam se recuperar facilmente. Harry evitou um Bludjer que Crabbe disparara em sua direo e retomou a varredura frentica do campo em busca da Snitch, vigiando, caso Malfoy desse indicao de que o localizara, mas Malfoy, como ele, continuava a voar  volta do estdio, procurando sem sucesso.
... Pucey atira para Warrington, Warrington para Montague, Montague devolve a Pucey... Johnson intercepta, Johnson toma a Quaffle, atira para Bell, a coisa parece boa - quero dizer - ruim - Bell 
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atingida por um Bludjer de Goyle, da Slytherin, e  Pucey quem retoma a...
WEASLEY NASCEU NO LIXO

SEMPRE DEIXA A BOLA ENTRAR A VITRIA J  NOSSA...
Finalmente Harry o viu o minscula Snitch de ouro esvoaava a poucos metros do cho no campo da Slytherin.
Ele mergulhou...
Em questo de segundos, Malfoy veio varando o cu  esquerda de Harry, um borro verde-e-prata deitado sobre a vassoura...
O snitch contornou a base de uma das balizas e saiu para o outro lado das arquibancadas; sua mudana de direo beneficiou Malfoy, que estava mais prximo; Harry inverteu o rumo 
da sua Firebolt, e ele e Malfoy estavam agora emparelhados.
 curta distncia do cho, Harry ergueu a mo direita da vassoura, esticou-a para a Snitch...  direita, o brao estendido de Malfoy tambm esticou, tateou...
Tudo terminou em dois segundos desesperados, esbaforidos, vertiginosos - os dedos de Harry se fecharam sobre a bolinha minscula e rebelde - as unhas de Malfoy tentaram agarr-la inutilmente nas costas da mo do oponente - Harry empinou a vassoura, apertando na mo a bola que se debatia, e os espectadores da Grifindore gritaram sua aprovao ao lance...
Estavam salvos, no importava que Ron tivesse deixado entrar aqueles gols, ningum se lembraria desde que a Grifindore tivesse ganho...
TAPUM.
Um Bludjer atingiu Harry nos rins e ele foi lanado para fora da vassoura. Por sorte, estava a menos de dois metros do cho, pois mergulhara muito baixo para apanhar a Snitch, mas ficou sem ar e caiu com as costas chapadas no cho congelado. Ele ouviu o apito agudo de Madame Hooch, um clamor nas arquibancadas em que se misturavam assobios, berros furiosos e vaias, um baque e, ento, a voz frentica de Angelina.
 - Voc est bem?
 - Claro que estou - respondeu Harry carrancudo, segurando sua mo e deixando que ela o ajudasse a se levantar. Madame Hooch voava velo/mente em direo a um dos jogadores da Slytherin acima, embora, do ngulo em que estava, ele no conseguisse ver quem era.
 - Foi aquele bandido do Crabbe - disse Angelina, furiosa - ati-
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rou o Bludjer no momento em que viu que voc tinha capturado a Snitch... mas ns ganhamos, Harry, ns ganhamos!
Harry ouviu um bufo s costas e se virou, ainda apertando a Snitch na mo Draco Malfoy pousara ali perto. O rosto branco de fria, ainda assim conseguia desdenhar.
 - Salvou o pescoo do Weasley, no foi? Nunca vi um goleiro pior... mas tambm, nasceu no lixo... gostou da minha letra, Potter?
Harry no respondeu. Virou-se para se reunir ao resto de sua equipe que agora aterrissava, um a um, berrando e dando socos no ar; todos, exceto Ron que desmontara da vassoura prximo s balizas e parecia estar caminhando lentamente para os vestirios, sozinho.
 - Queramos acrescentar mais uns versos! - gritou Malfoy, enquanto Kate e Alicia abraavam Harry. - Mas no encontramos rimas para gorda e feia, queramos cantar alguma coisa sobre a me dele, sabe...
 - Inveja mata - disse Angelina, lanando a Malfoy um olhar enojado.
 - ... tambm no conseguimos encaixar "fracassado intil"... para o pai dele, sabe...
Fred e George perceberam o que Malfoy estava dizendo. A meio caminho de apertar a mo de Harry, eles se retesaram, encarando Malfoy.
 - Deixa para l! - disse Angelina na mesma hora, segurando o brao de Fred. - Deixa para l, Fred, deixa ele gritar, ele s est frustrado porque perdeu, o metido...
 - ... mas voc gosta dos Weasley, no  Potter? - continuou Malfoy, caoando. - Passa as frias l e tudo, no ? No sei como voc agenta o fedor, mas suponho que para algum criado por Muggles, at o pardieiro dos Weasley cheira bem...
Harry agarrou George. Entrementes, eram necessrios os esforos conjuntos de Angelina, Alicia e Kate para impedir Fred de pular em cima de Malfoy, que ria abertamente. Harry olhou para os lados procurando Madame Hooch, mas ela ainda estava brigando com Crabbe por seu ataque ilegal com o Bludjer.
 - Ou vai ver - disse Malfoy, recuando com um sorriso debochado - voc se lembra como a casa da sua me fedia, Potter, e o chiqueiro dos Weasley faz lembrar dela...
Harry no percebeu que largara George, s soube  que um segundo depois os dois estavam atracados com Malfoy. Esquecera-se completamente de que todos os professores estavam assistindo; tudo que queria era infligir a Malfoy o mximo de dor possvel; sem tempo para puxar a varinha, ele apenas recuou, o punho fechado sobre a
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snitch, e enterrou-a com toda a fora que pde no estmago de Malfoy...
 - Harry! HARRY! JORGE! NO!
Ele ouvia as garotas gritando, Malfoy berrando, George xingando, um apito tocando e os urros do pblico, mas ele no deu ateno a nada. At algum prximo gritar Impedimenta!, e ele ser derrubado de costas no cho por fora do feitio, no desistiu da tentativa de socar cada centmetro de Malfoy ao alcance de sua mo.
 - Que  que voc acha que est fazendo? - berrou Madame Hooch, quando Harry se levantou de um salto. 
Aparentemente fora ela quem o atingira com a Maldio de Impedimento; a juza segurava o apito em uma das mos e a varinha na outra; largara a vassoura a alguns passos de distncia. Malfoy estava dobrado no cho, choramingando e gemendo, o nariz ensangentado; George exibia um lbio inchado; Fred ainda estava sendo contido  fora por trs Chaser, e Crabbe dava gargalhadas mais atrs. - Nunca vi um comportamento igual, j para o castelo, os dois, e direto para a sala da diretora de sua Casa! Vo! Agora!
Harry e George saram do campo, ofegantes, sem trocar palavra. Os uivos e as vaias do pblico foram se tornando mais fracos  medida que se aproximavam do saguo de entrada, onde no ouviam nada exceto o som dos prprios passos. Harry se deu conta de que alguma coisa ainda se debatia em sua mo direita, cujos ns ele ferira ao bater no queixo de Malfoy. Baixando os olhos, viu as asas de prata da Snitch saindo por entre seus dedos, tentando se libertar.
Haviam acabado de chegar  porta da sala da Prof McGonagall quando ela apareceu marchando pelo corredor atrs deles. Usava o cachecol da Grifindore, mas arrancou-o do pescoo com as mos trmulas ao se aproximar, com o rosto lvido.
 - Entrem! - ordenou furiosa, apontando para a porta. Harry e George obedeceram. Ela deu a volta  escrivaninha e os encarou, tremendo de raiva, atirando o cachecol ao cho.
 - Ento? Nunca vi uma exibio to vergonhosa. Dois contra um! Expliquem-se!
 - Malfoy nos provocou - disse Harry formalmente.
 - Provocou vocs? - gritou a professora, batendo na mesa com tanta fora que uma lata escorregou para um lado e se abriu, enchendo o cho de lagartos de gengibre. - Ele tinha acabado de perder, no tinha? Claro que queria provocar vocs! Mas o que pode ter dito para justificar o que vocs dois...
 - Ele insultou meus pais - vociferou George. - E a me de Harry.
 - Mas em vez de deixarem Madame Hooch resolver vocs dois
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decidiram fazer uma exibio de duelo de Muggles, no foi? - urrou a Prof McGonagall. - Vocs tm idia do que...
 - Hem, hem.
Harry e George se viraram rpido. Dolores Umbridge estava parada  porta da sala, envolta em uma capa de tweed verde que enfatizava enormemente sua semelhana com um sapo gigante, e sorria daquele jeito horrvel, doentio e agourento que Harry aprendera a associar com desgraa iminente.
 - Posso ajudar, Prof McGonagall? - perguntou ela com sua voz meiga mas venenosa.
O sangue afluiu ao rosto de McGonagall.
 - Ajudar? - repetiu, num tom de voz controlado. - Que  que voc quer dizer com ajudar?
A Prof Umbridge entrou na sala, ainda exibindo seu sorriso doentio.
 - Ora, achei que poderia agradecer um reforo de autoridade. Harry no teria se surpreendido de ver fascas saltarem das narinas da Prof McGonagall.
 - Pois se enganou - disse ela voltando as costas  Umbridge. Agora,  bom os dois me ouvirem com ateno. No sei qual foi a provocao que Malfoy fez, no quero saber se ele ofendeu cada membro das suas famlias, o seu comportamento foi vergonhoso e vou dar a cada um uma semana de deteno! No olhe assim para mim, Potter, voc mereceu! E se um dos dois voltar...
 - Hem, hem.
A Prof McGonagall fechou os olhos como se rezasse pedindo pacincia quando tornou a voltar o rosto para a Prof Umbridge.
 - Sim?
 - Acho que eles merecem muito mais do que detenes - disse Umbridge ampliando o sorriso.
Os olhos de McGonagall se abriram de repente.
 - Mas, infelizmente - disse, tentando retribuir o sorriso, o que fazia parecer que estivesse acometida de ttano - o que conta  o que eu penso, porque eles pertencem  minha Casa, Dolores.
 - Bom, Minerva, na realidade - disse Umbridge afetando um sorriso. - Acho que voc vai descobrir que o que eu penso realmente conta. Vejamos, onde est? Cornelius acabou de me enviar... quero dizer - ela deu uma risadinha fingida enquanto remexia na bolsa - o ministro acabou de me enviar... ah, sim...
Puxou um pergaminho que agora comeava a desdobrar, pigarreando com exagero antes de comear a l-lo.
 - Hem, hem... Decreto Educacional n? 25. 
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 - Mais um, no! - explodiu a Prof McGonagall.
 - , mais um - respondeu a outra ainda sorrindo. - Alis, Minerva, foi voc que me fez ver que precisvamos de mais uma emenda... lembra-se de como voc passou por cima da minha cabea, quando eu no quis deixar a equipe de quidditch da Grifindore se reorganizar? Como voc levou o caso a Dumbledore, que insistiu que a equipe tivesse permisso de jogar? Ento, agora eu no poderia permitir isso. Entrei imediatamente em contato com o ministro, e ele concordou comigo que a Alta Inquisidora precisa ter o poder de retirar privilgios de alunos, ou ela, ou seja, eu, teria menos autoridade 
que os professores comuns. E voc est vendo agora, no est, Minerva, como eu tinha razo em tentar impedir a equipe da Grifindore de se reorganizar? Temperamentos violentos... em todo o caso, eu estava lendo a emenda para voc... hem, hem... "Doravante a Alta Inquisidora ter autoridade suprema sobre todas as punies, sanes e cortes de privilgios referentes aos estudantes de Hogwarts, e o poder de alterar tais punies, sanes e cortes de privilgios que tiverem sido ordenados por outros membros do corpo docente. Assinado, Cornelius Fudge, ministro da Magia, Ordem de Merlim Primeira Classe etc. etc.
Ela enrolou o pergaminho e tornou a guard-lo na bolsa, ainda sorrindo.
 - Portanto... eu realmente acho que terei de proibir esses dois de voltarem a jogar quidditch para sempre - disse ela, olhando de Harry para George e de volta a McGonagall.
Harry sentiu a Snitch se debater enlouquecido em sua mo.
 - Nos proibir? - disse ele, e sua voz lhe pareceu estranhamente distante. - De voltar a jogar... para sempre?
 - , Potter, acho que uma proibio definitiva deve funcionar disse Umbridge, ampliando o seu sorriso ao observar o esforo do garoto para compreender o que ela acabara de dizer. - O senhor e o Sr. Weasley aqui. E acho que, para ficarmos seguros, o gmeo deste rapaz tambm deve ser proibido, se os seus companheiros de equipe no o tivessem contido, estou certa de que teria atacado o jovem Sr. Malfoy tambm. Quero que suas vassouras sejam confiscadas, naturalmente. E as guardarei em segurana na minha sala para ter certeza de que no desobedecero  minha proibio. Mas no sou injusta, Prof McGonagall - continuou ela, voltando-se para a colega, que agora olhava para ela de p e to imvel que parecia esculpida em gelo. - O resto do time pode continuar jogando, no vi sinais de violncia em nenhum deles. Bom... boa-tarde para todos.
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E com uma expresso satisfeitssima, Umbridge saiu da sala, deixando atrs de si um silncio horrorizado.
 - Proibidos - ressoou a voz de Angelina, mais tarde naquela noite na sala comunal. - Proibidos. Sem Sicker e sem Beater... que meleca  que ns vamos fazer?
Nem parecia que haviam ganho o jogo. Para todo o lado que Harry olhava havia rostos desolados e enfurecidos; os jogadores da equipe estavam largados em volta da lareira, todos menos Ron, que no era visto desde o final da partida.
 - E to injusto - disse Alicia, atordoada. - Quero dizer, e Crabbe e aquele Bludjer que ele lanou depois que o apito j tinha tocado? Ela proibiu o Crabbe?
 - No - respondeu Giny infeliz; ela e Hermione estavam sentadas de cada lado de Harry. - Crabbe recebeu frases para escrever, ouvi Montague contar isso s gargalhadas na hora do jantar.
 - E proibir o Fred quando ele nem fez nada! - admirou-se Alicia furiosa, batendo com o punho no joelho.
 - No  minha culpa se no fiz - disse Fred, com uma expresso feroz no rosto - eu teria quebrado aquele merdinha todo se vocs trs no estivessem me segurando.
Harry contemplava, infeliz, a vidraa escura. A neve caa. O snitch que ele apanhara mais cedo voava sem parar pela sala comunal; as pessoas acompanhavam sua trajetria como se estivessem hipnotizadas, e Crookshanks saltava de uma cadeira para outra, tentando apanh-lo.
 - vou me deitar - disse Angelina, levantando-se devagar. - No final, a gente talvez descubra que tudo isso no passou de um sonho mau... talvez eu acorde amanh e descubra que ainda no jogamos...
Logo Alicia e Kate a acompanharam. Fred e George subiram algum tempo depois, fechando a cara para todos por quem passavam, e Giny no se demorou muito mais. Somente Harry e Hermione continuaram ao p da lareira.
 - Voc viu Ron? - perguntou Hermione em voz baixa. ; Harry balanou a cabea.
 - Acho que ele est nos evitando. Onde  que voc acha que ele...
Mas, neste exato momento, ouviram um rangido, o retrato da Mulher Gorda girou e Ron atravessou o buraco do retrato. Estava de fato muito plido e havia neve em seus cabelos. Quando viu Harry e Hermione, ele parou de chofre.
 - Onde voc esteve? - perguntou Hermione, ansiosa, se erguendo.
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 - Andando - murmurou. Ele ainda usava o uniforme de quidditch.
 - Voc parece enregelado - disse Hermione. - Vem sentar aqui com a gente!
Ron foi at a lareira e se largou na poltrona mais distante de Harry, sem olh-lo. O snitch roubado sobrevoava suas cabeas.
 - Sinto muito - murmurou ele, olhando para os ps.
 - Pelo qu? - perguntou Harry.
 - Por pensar que sabia jogar quidditch. vou pedir demisso logo de manh.
 - Se voc pedir demisso - disse Harry irritado - s sobraro trs jogadores na equipe. - E quando Ron o olhou 
intrigado, ele informou - Fui proibido de jogar definitivamente. Fred e George tambm.
 - Qu? - gritou Ron.
Hermione contou-lhe a histria toda. Harry no suportaria repeti-la. Quando terminou, Ron pareceu mais agoniado que nunca.
 - Tudo isso foi minha culpa... 
 - Voc no me fez bater em Malfoy - respondeu Harry zangado.
 - ... se eu no fosse to ruim em quidditch...
 - No tem nada a ver
. - ... foi aquela msica que me deixou nervoso...
 - ... teria deixado qualquer um nervoso.
Hermione se levantou e foi at a janela, para se afastar da discusso, olhar os flocos de neve carem em rodopios contra a vidraa.
 - Olha aqui, pra com isso, t! - explodiu Harry. - J t bem ruim sem voc se culpar por tudo!
Ron se calou, mas ficou sentado olhando infeliz para a barra molhada das vestes. Passado algum tempo, disse, sem graa
 - Nunca me senti to mal na vida.
 - Entre para o nosso clube - respondeu Harry com amargura.
 - Bom - disse Hermione, a voz ligeiramente trmula - Sei de uma coisa que pode animar os dois.
 - Ah, ? - disse Harry, incrdulo.
 -  - respondeu ela se afastando da janela escurssima, salpicada de flocos, um grande sorriso a iluminar seu rosto - Hagrid voltou.
 - CAPTULO VINTE -
A histria de Hagrid
Harry correu ao dormitrio dos meninos para apanhar a Capa da Invisibilidade e o Mapa do Maroto em seu malo; foi to rpido, que ele e Ron se aprontaram para sair pelo menos cinco minutos antes de Hermione voltar apressada do dormitrio das meninas, usando cachecol, luvas e um dos gorros que fizera para os elfos.
 - Ora, est frio l fora! - defendeu-se, quando Ron deu um muxoxo de impacincia.
Passaram sorrateiros pelo buraco do retrato, e se cobriram depressa com a capa - Ron crescera tanto que agora precisava se encolher para impedir que os ps aparecessem - ento, andando devagar e cautelosamente, eles desceram as vrias escadas, parando a intervalos para verificar no mapa sinais de Filch ou de Mrs. Norris. Tiveram sorte; no viram ningum exceto Nick Quase Sem Cabea, que flutuava distrado, cantarolando de boca fechada algo que lembrava horrivelmente "Weasley  nosso rei". Eles se esquivaram pelo saguo de entrada e da para os terrenos nevados e silenciosos da escola. Com o corao batendo forte, Harry viu quadradinhos de luz dourados  frente e fumaa saindo em espirais pela chamin de Hagrid. Saiu em passo acelerado, os outros dois se acotovelando e dando encontres para acompanh-lo. Excitados, esmagavam ao caminhar a neve que se adensava, e finalmente chegaram  porta de madeira da cabana. Quando Harry levantou o punho e bateu trs vezes, um cachorro comeou a latir excitado dentro da casa.
 - Hagrid, somos ns! - disse Harry pelo buraco da fechadura.
 - Eu devia saber! - exclamou uma voz rouca.
Os garotos sorriram um para o outro sob a capa; podiam adivinhar pela voz de Hagrid que ele estava satisfeito.
 - Cheguei h trs minutos... sai da frente, Fang... sai da frente, cachorro burro...
A tranca foi retirada, a porta se abriu com um rangido e a cabea de Hagrid apareceu na fresta.
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Hermione gritou.
 - Pelas barbas de Merlim, fale baixo! - disse Hagrid depressa, olhando assustado por cima da cabea dos garotos. - Debaixo da capa, ? Vamos, entrem, entrem!
 - Desculpe! - exclamou Hermione, enquanto os trs se espremiam para entrar na casa de Hagrid e puxavam a capa para ele poder v-los.
 - Eu s... ah, Hagrid!
 - No foi nada, no foi nada! - apressou-se Hagrid a dizer, fechando a porta e correndo para fechar todas as cortinas, mas Hermione continuava a contempl-lo horrorizada.
Os cabelos dele estavam empastados de sangue e o olho esquerdo fora reduzido a uma fenda inchada, no meio de uma massa roxa e preta. Havia muitos cortes em seu rosto e em suas mos, alguns ainda sangrando, e ele andava desengonado, fazendo Harry suspeitar de que tivesse quebrado algumas costelas. Era bvio que acabara de chegar; uma grossa capa de viagem estava jogada por cima de uma cadeira e uma mochila suficientemente 
grande para caber vrias criancinhas estava apoiada na parede ao lado da porta. Hagrid, duas vezes o tamanho de um homem normal, agora mancava at a lareira para pendurar nela uma chaleira de cobre.
 - Que foi que aconteceu com voc? - quis saber Harry, enquanto Fang danava em volta dos trs, tentando lamber seus rostos.
 - J disse, nada - respondeu Hagrid com firmeza. - Quer uma xcara?
 - Pra com isso - disse Ron - voc est todo arrebentado.
 - Estou dizendo, estou bem - insistiu Hagrid, se erguendo e tentando sorrir para os garotos, mas fazendo caretas. - Caramba, como  bom ver vocs trs de novo, foram boas as frias, eh?
 - Hagrid voc foi atacado! - comentou Ron. ' ;r

 - Pela ltima vez, no foi nada! - repetiu Hagrid.
 - Voc diria que no foi nada se um de ns aparecesse com um quilo de carne moda no lugar da cara? - perguntou Ron.
 - Voc devia procurar Madame Pomfrey - disse Hermione com ansiedade na voz - alguns desses cortes esto bem feios.
 - vou cuidar deles, est bem? - retrucou ele, desencorajando perguntas.
Hagrid foi at a enorme mesa de madeira que ficava no centro da cabana e puxou para o lado uma toalha de ch que a cobria. Embaixo, havia um pedao de carne crua, sangrenta e levemente esverdeada, um pouco maior que um pneu normal.
 - Voc no vai comer isso, vai, Hagrid? - perguntou Ron se aproximando da carne para ver melhor. - Parece envenenada. -
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 - E assim que deve parecer,  carne de drago. E no a trouxe para comer.
Ele apanhou a carne e chapou-a do lado esquerdo do rosto. Sangue esverdeado escorreu para sua barba, e ele deu um gemido de satisfao.
 - Assim est melhor. Alivia a dor, sabem.
 - Ento, vai nos contar o que aconteceu com voc? - perguntou Harry.
 - No posso, Harry. Ultraconfidencial. Vai custar mais do que o meu emprego se eu lhe contar.
 - Foram os gigantes que o espancaram, Hagrid? - perguntou Hermione baixinho.
Os dedos de Hagrid afrouxaram sobre a carne de drago, e ela escorregou sumarenta para o seu peito.
 - Gigantes? - exclamou ele, segurando o enorme bife antes que chegasse ao cinto e repondo-o no rosto. - Quem foi que falou em gigantes? Com quem vocs andaram conversando? Quem disse a vocs que eu estive... quem disse que eu estive... eh?
 - Adivinhamos - disse Hermione em tom de quem se desculpa.
 - Ah, foi , foi ? - tornou Hagrid, fixando-a severamente com
o olho que no estava tapado pela carne.
 - Foi meio... bvio - disse Ron. Harry confirmou com a cabea. Hagrid arregalou os olhos para eles, em seguida bufou, atirou a
carne de volta  mesa e foi ver a chaleira, que agora assobiava.
 - Nunca vi garotos para saber mais do que devem como vocs murmurou, derramando gua fervendo em trs dos seus caneces em forma de balde. - E isso no  um elogio, no. Abelhudos,  como chamam. Intrometidos.
Mas sua barba tremeu.
 - Ento voc foi procurar os gigantes? - disse Harry sorridente, sentando-se  mesa.
Hagrid ps o ch diante de cada um, sentou-se, tornou a apanhar a carne e a chap-la no rosto.
 - Est bem - resmungou. - Fui.
 - E encontrou-os? - perguntou Hermione, abafando a voz.
 - Bom, eles no so difceis de encontrar, para ser sincero - disse Hagrid. - Bem grandinhos, sabem. 
 - Onde  que eles ficam? - perguntou Ron.
 - Nas montanhas - disse Hagrid de m vontade. 
 - Ento por que os Muggles no...?
 - Encontram, sim - disse Hagrid sombriamente. mortes deles sempre so divulgadas como acidentes de montanhismo, no  mesmo?
Ele ajeitou melhor a carne de modo a faz-la cobrir a parte mais machucada.
 - Vamos, Hagrid, conte pra gente o que voc andou fazendo! disse Ron. - Conte pra gente como foi atacado pelos gigantes e Harry pode lhe contar como foi atacado pelos Dementadores...
Hagrid engasgou dentro da caneca e largou a carne, tudo ao mesmo tempo uma grande quantidade de cuspe, ch e sangue de drago salpicou a mesa, enquanto o gigante tossia e tentava falar e a carne escorregava devagarinho e batia com suavidade no cho.
 - Como assim, atacado por Dementadores? - rosnou Hagrid.
 - Voc no soube? - perguntou-lhe Hermione, arregalando os olhos.
 - No sei nada do que andou 
acontecendo desde que viajei. Estive em uma misso secreta, e no queria corujas me seguindo por toda parte. Dementadores desgraados! Voc no est falando srio!
 - Estou, sim, apareceram em Little Whinging e atacaram a mim e meu primo, e ento o Ministrio da Magia me expulsou...
 - QU? -; m
 - ... e tive de comparecer a uma audincia e tudo, mas conte  gente sobre os gigantes, primeiro. 
 - Voc foi expulso'? ; '
 - Conte as suas frias de vero e lhe contarei as minhas. Hagrid lhe deu um olhar penetrante com o nico olho aberto.
Harry sustentou esse olhar, com uma expresso de inocente determinao no rosto.
 - Ah, t bem - conformou-se Hagrid.
Ele se abaixou e arrancou a carne de drago da boca de Fang.
 - Ah, Hagrid, no faz isso, no  higi... - comeou Hermione, mas Hagrid j tacara a carne no olho inchado.
Tomou outro gole restaurador de ch, depois contou ;
 - Bom, viajamos assim que o ano letivo terminou...
 - Madame Maxime foi com voc, ento? - interrompeu Hermione.
 - , foi - confirmou Hagrid, e uma expresso branda apareceu nos poucos centmetros de rosto que no estavam sombreados pela barba ou pela carne verde. - , fomos s ns dois. E vou dizer uma coisa, ela no tem medo de dureza, a Olmpia. Sabem,  uma mulher fina e bem vestida, e, sabendo aonde amos, fiquei imaginando como iria se sentir escalando montanhas e dormindo em grutas e tudo, mas ela no reclamou nem uma vez. 
350
 - Voc sabia aonde estavam indo? - perguntou Harry. - Sabia onde os gigantes estavam?
 - Bom, Dumbledore sabia e nos disse.
 - Eles ficam escondidos? - perguntou Ron. -  segredo onde eles moram?
 - No, no  - respondeu Hagrid, sacudindo a cabea peluda. E s que a maioria dos bruxos no tem interesse em saber, desde que estejam bem longe. Mas o lugar em que eles moram  bem difcil de se alcanar, pelo menos para os humanos, ento precisvamos das instrues de Dumbledore. Levamos um ms para chegar l...
 - Um ms? - exclamou Ron, como se nunca tivesse ouvido falar em uma viagem que durasse um tempo to ridiculamente longo. Mas por que voc no podia simplesmente pegar uma Chave de Portal ou outro transporte qualquer?
Passou uma expresso curiosa pelo olho destampado de Hagrid ao fitar Ron; era quase um olhar de pena.
 - Estvamos sendo vigiados, Ron - respondeu rouco.
 - Como assim?
 - Voc no entende. O Ministrio est de olho em Dumbledore e em todo o mundo que acha que  partidrio dele, e...
 - Ns sabemos disso - Harry apressou-se a dizer, interessado em ouvir o resto da histria - ns sabemos que o Ministrio est vigiando Dumbledore.
 - Por isso voc no podia usar magia para chegar l? - perguntou Ron, perplexo. - Vocs tiveram de agir como Muggles o caminho todo?
 - Bom, no foi bem o caminho todo - explicou Hagrid com ar astuto. - S precisamos ter cuidado, porque Olmpia e eu damos um pouco na vista...
Ron fez um rudo entre um bufo e uma fungada, e tomou depressa um gole de ch.
 - ... ento no somos difceis de seguir. Fingimos que estvamos tirando umas frias juntos, ento chegamos  Frana e agimos como se estivssemos indo para o lugar onde fica a escola de Olmpia, porque sabamos que estvamos sendo seguidos por algum do Ministrio. Tivemos de viajar devagar, porque no tenho permisso de usar magia, e sabamos que o Ministrio estava procurando uma desculpa para nos prender. Mas conseguimos enganar a anta que estava nos seguindo nos arredores de Di-Jo...
 - Aaaah, Dijon? - exclamou Hermione excitada. - Estive l nas frias. Voc viu...?
Calou-se ao ver a cara de Ron.
 - Depois disso, nos arriscamos a usar um pouco de magia e no
"
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foi uma viagem ruim. Demos de cara com uns trasgos malucos na fronteira com a Polnia e tive uma ligeira discordncia com um vampiro em um pub de Minsk, mas, afora isso, no poderia ter sido mais
tranqila.
Ento, chegamos ao lugar e comeamos a subir as montanhas
procurando sinais deles. Tivemos de abandonar a magia quando nos aproximamos mais. Em parte, porque eles no gostam de bruxos e no queramos deixlos irritados muito cedo e, em parte, porque Dumbledore nos prevenira que Voc-Sabe-Quem devia estar atrs dos gigantes e tudo. Disse que era quase certo que j tivesse despachado um mensageiro. Disse que tivssemos muito cuidado para no chamar ateno quando nos aproximssemos, para o caso de haver 
Comensais da Morte por perto
Hagrid fez uma pausa para tomar um grande gole de ch.
 - Continua! - pediu Harry pressuroso.
 - Encontrei eles - disse Hagrid, resumindo. - Passamos por uma crista de montanha uma noite e l estavam eles, acampados do outro lado. Pequenas fogueiras acesas embaixo e enormes sombras... parecia que estvamos vendo partes da montanha se mexendo.
 - Que tamanho eles tm? - perguntou Ron com a voz abafada.
 - Uns seis metros - disse Hagrid com displicncia. - Alguns dos maiores talvez tivessem uns sete metros.
 - E quantos havia? - perguntou Harry. -.
 - Calculo que uns setenta ou oitenta. .. ;
 - S? - admirou-se Hermione. s
 -  - respondeu Hagrid com tristeza - restam oitenta e havia muitos mais, devia ter umas cem tribos diferentes em todo o mundo. Mas j faz muito tempo que esto morrendo. Os bruxos mataram alguns,  claro, mas principalmente os gigantes se mataram uns aos outros e agora esto morrendo mais rpido que nunca. No foram feitos para viver agrupados. Dumbledore diz que a culpa  nossa, foram os bruxos que os foraram a morar bem longe, e que eles no tiveram escolha seno ficar juntos para a prpria proteo.
 - Ento, voc os viu e a?
 - Bom, esperamos at amanhecer, no queramos nos aproximar no escuro, escondidos, para nossa prpria segurana - disse Hagrid. L pelas trs horas da manh, eles dormiram onde estavam sentados mesmo. No tivemos coragem de dormir. Primeiro porque queramos ter certeza de que nenhum deles ia acordar e subir at onde estvamos, e segundo porque os roncos eram incrveis. Provocaram uma avalanche pouco antes do dia clarear.
Em todo o caso, quando clareou descemos para falar com eles.

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 - Assim? - perguntou Ron, parecendo assombrado. - Vocs simplesmente entraram em um acampamento de gigantes?
 - Bom, Dumbledore disse  gente como fazer. Dar presentes ao Gurgue, apresentar os respeitos, vocs sabem.
 - Dar presentes ao qu?
 - Ah, ao Gurgue, quer dizer, chefe.,;' - Como  que voc sabia qual era o Gurgue? - perguntou Ron. Harry achou graa.
 - Sem problema. Era o maior, o mais feio e o mais preguioso. Sentado ali, esperando que os outros lhe levassem comida. Cabras mortas e coisas do gnero. O nome era Karkus, calculo que tivesse uns vinte e dois, vinte e trs anos, e o peso de um elefante macho adulto. A pele feito couro de rinoceronte e tudo.
 - E voc simplesmente foi at ele? - perguntou Hermione ofegante.
 - Bom... desci at ele, at onde estava deitado no vale. Os gigantes acamparam nessa depresso entre quatro montanhas bastante altas, entendem,  margem de um lago, e Karkus estava deitado ali, bradando para os outros alimentarem ele e a mulher. Olmpia e eu descemos a encosta da montanha...
 - Mas eles no tentaram matar vocs quando os viram? - perguntou Ron incrdulo.
 - Com certeza era o que estava na cabea de alguns - disse Hagrid, encolhendo os ombros - mas fizemos o que Dumbledore nos tinha dito para fazer, erguer o presente bem alto, manter os olhos no Gurgue e no dar ateno aos outros. Ento, foi o que fizemos. E eles ficaram quietos, observando a gente passar, chegamos at os ps de Karkus, nos curvamos e colocamos o nosso presente na frente dele.
 - Que  que se d a um gigante? - perguntou Ron curioso. Comida?
 - Nam, ele no tem problema para arranjar comida. Levamos uma coisa mgica. Gigantes gostam de magia, s no gostam quando a usamos contra eles. Em todo o caso, naquele primeiro dia demos um ramo de fogo gubraiciano.
Hermione exclamou baixinho
 - Uau! - Mas Harry e Ron enrugaram a testa intrigados.
 - Um ramo de...?
 - Fogo perptuo - disse Hermione irritada. - Vocs j deviam conhecer. O Prof. Flitwick j mencionou esse tal fogo no mnimo duas vezes em aula.
 - Bom, em todo o caso - disse Hagrid depressa, intervindo antes que Ron pudesse responder. - Dumbledore enfeitiou o ramo para
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arder para sempre, o que no  coisa que qualquer bruxo possa fazer, ento eu o depositei na neve aos ps de Karkus e disse Um presente para o Gurgue dos gigantes de Alvo Dumbledore, que lhe envia respeitosos cumprimentos. -., - ,
 - E que foi que Karkus disse? - perguntou Harry ansioso.
 - Nada. No falava ingls.
 - T brincando!
 - No fez diferena - continuou Hagrid imperturbvel. - Dumbledore tinha avisado que isso podia acontecer. Karkus sabia o suficiente para dar um berro e chamar uns gigantes que sabiam a nossa lngua, e eles traduziram para ns.
 - E ele gostou do presente? - perguntou 
Ron.
 - Ah, sim, fizeram um alvoroo quando entenderam o que era disse Hagrid, virando o pedao de carne para pr o lado mais frio sobre o olho inchado. - Ficou muito satisfeito. Ento eu disse "Alvo Dumbledore pede ao Gurgue para falar com o seu mensageiro quando ele voltar amanh com outro presente.
 - Por que voc no podia falar naquele dia mesmo? - perguntou Hermione.
 - Dumbledore queria que a gente fosse muito devagar. Deixasse eles verem que cumprimos nossas promessas. Voltaremos amanh com outro presente, e ento voltar com outro presente, d uma boa impresso, entende? E d tempo a eles para experimentarem o primeiro presente e descobrir que  bom, e fazer eles quererem mais. Em todo o caso, gigantes como Karkus... se a gente d informaes demais, nos matam s para simplificar as coisas. Ento, recuamos com uma reverncia e fomos embora, arranjamos uma pequena gruta para passar a noite e, na manh seguinte, voltamos e desta vez encontramos Karkus sentado esperando por ns e demonstrando ansiedade.
 - E voc falou com ele?
 - Ah, sim. Primeiro lhe demos de presente um bonito elmo de guerra, indestrutvel, feito por duendes, sabem, e ento sentamos e conversamos.
 - Que foi que ele disse?
 - No falou muito. Ouviu a maior parte do tempo. Mas fez sinais positivos. Eleja ouvira falar de Dumbledore, ouvira que ele fora contra matar os ltimos gigantes na Inglaterra. Karkus pareceu estar muito interessado no que Dumbledore tinha a dizer. E alguns dos outros, principalmente os que sabiam algum ingls, se reuniram a nossa volta e tambm escutaram. Estvamos muito esperanosos quando nos despedimos naquele dia. Prometemos voltar no dia seguinte com outro presente.
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Mas naquela .noite tudo desandou.
 - Como assim? - perguntou Ron depressa.
 - Bom, como eu disse, eles no nasceram para viver juntos, os gigantes - disse Hagrid tristemente. - No em grupos grandes como aquele. No conseguem se refrear, quase se matam uns aos outros a intervalos de semanas. Os homens lutam entre eles e as mulheres lutam entre elas; os que sobram das antigas tribos lutam entre si, e isso sem falar nas disputas por comida e melhores fogueiras e lugares para dormir. Seria de se esperar, j que a raa toda est quase desaparecendo, que parassem com isso, mas...
Hagrid deu um profundo suspiro.
 - Naquela noite houve uma briga, assistimos da entrada da nossa caverna, de onde se via o vale. Durou horas, voc no acreditaria no barulho. E, quando o sol nasceu, a neve estava vermelha e a cabea dele no fundo do lago.
 - A cabea de quem? - exclamou Hermione.
 - De Karkus - disse Hagrid pesaroso. - Havia um novo Gurgue, Golgomate. - Ele tornou a suspirar. - Bom, no tnhamos contado com um novo Gurgue dois dias depois de fazer contato amigvel com o primeiro, e tnhamos a estranha impresso de que Golgomate no estaria to interessado em nos escutar, mas precisvamos tentar.
 - Vocs foram falar com ele? - perguntou Ron incrdulo. Depois de terem visto ele arrancar a cabea de outro gigante?
 - Claro que fomos - disse Hagrid - no tnhamos viajado to longe para desistir em dois dias! Descemos com o presente que pretendamos dar a Karkus.
Percebi que no ia adiantar antes mesmo de abrir a boca. Ele estava sentado l com o elmo de Karkus na cabea, rindo da gente, quando nos aproximamos. Ele  vigoroso, um dos maiores do grupo. Cabelos pretos e dentes da mesma cor e um colar de ossos. Alguns dos ossos me pareceram humanos. Bom, resolvi tentar, entreguei a ele um enorme rolo de couro de drago, e disse 'Um presente para o Gurgue dos gigantes.' No instante seguinte eu estava pendurado no ar de cabea para baixo, agarrado por dois companheiros dele.
Hermione levou as duas mos  boca.
 - E como foi que voc saiu dessa'? - perguntou Harry.
 - No teria sado se Olmpia no estivesse l - disse Hagrid. - Ela puxou a varinha e executou feitios com a maior velocidade que j vi algum executar. Fantstico. Atingiu os dois que estavam me segurando bem no olho, com Feitios Conjunctivitus, e eles me largaram na mesma hora no cho, mas a entramos em uma roubada porque tnhamos usado magia contra eles, e isso  o que os gigantes odeiam nos
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bruxos. Tivemos de dar no p e sabamos que depois disso no poderamos voltar ao acampamento deles.
 - Caramba, Hagrid - exclamou Ron baixinho.
 - Ento como  que voc levou tanto tempo para voltar pra casa se s passou trs dias l? - admirou-se Hermione.
 - No partimos trs dias depois! - disse Hagrid, indignado. Dumbledore estava 
confiando na gente!
 - Mas voc acabou de dizer que no poderiam voltar l!
 - No de dia, no poderamos, no. Tivemos de repensar a coisa toda. Passamos uns dois dias escondidos em uma gruta, observando. E o que vimos no foi nada bom.
 - Eles arrancaram mais cabeas? - perguntou Hermione com repugnncia.
 - No. Gostaria que sim.
 - Como assim?
 - No tardamos a descobrir que ele no fazia objees a todos os bruxos s a ns.
 - Comensais da Morte? - indagou Harry depressa.
 -  - disse Hagrid sombriamente. - Uns dois apareciam para visit-lo todos os dias, levando presentes para o Gurgue, e ele no pendurava essas visitas pelos ps.
 - Como  que voc sabe que eram Comensais da Morte? - perguntou Ron.
 - Porque reconheci um deles - respondeu em voz baixa e zangada. - Macnair, se lembram? O cara que mandaram vir sacrificar o Buckbeack?  tarado, ele. Gosta de matar tanto quanto o Golgomate; no admira que estejam se dando to bem.
 - Ento Macnair convenceu os gigantes a se unirem a Voc-SabeQuem? - perguntou Hermione desesperada.
 - Calma a, ainda no terminei minha histria! - exclamou Hagrid indignado, e, considerando que no queria contar nada aos garotos, agora parecia estar gostando. - Eu e Olmpia discutimos o problema e concordamos que s porque o Gurgue parecia estar favorecendo Voc-Sabe-Quem no significava que todos iriam segui-lo. Tnhamos de tentar convencer alguns dos outros, os que no tinham querido Golgomate para Gurgue.
 - Como  que vocs iam saber quem eram? - perguntou Ron.
 - Ora, eram os que estavam sendo espancados, ou no? - disse Hagrid paciente. - Os que tinham juzo estavam saindo do caminho de Golgomate, se escondendo nas grutas em torno da ravina exatamente como ns. Ento, resolvemos explorar as grutas  noite, e ver se no conseguiramos convencer alguns. 
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 - Vocs saram explorando as grutas  procura de gigantes? - disse Ron, com assombro na voz.
 - Bom, no eram os gigantes que nos preocupavam mais. Estvamos mais preocupados com os Comensais da Morte. Dumbledore nos recomendara que no nos metssemos com eles se pudssemos evitar, e o problema era que sabiam que andvamos por perto, imagino que Golgomate tenha contado.  noite, quando os gigantes estavam dormindo e queramos sair rondando as grutas, Macnair e o outro estavam explorando as montanhas  nossa procura. Foi difcil impedir Olmpia de saltar em cima deles - disse Hagrid, os cantos da boca repuxando para cima sua barba desgrenhada - ela estava doida para atac-los... tem uma coisa quando se encrespa, a Olmpia... impetuosa, sabem, imagino que seja o sangue francs dela...
Hagrid contemplou o fogo com os olhos embaados. Harry lhe permitiu trinta segundos de reminiscncias antes de pigarrear alto.
 - Ento, que foi que aconteceu? Voc chegou a se aproximar de algum dos outros gigantes?
 - Qu? Ah... ah, claro que sim. Na terceira noite depois que mataram Karkus, nos esgueiramos para fora da gruta em que estvamos escondidos e voltamos  ravina, mantendo os olhos muito abertos para os Comensais da Morte. Entramos em algumas grutas, mas nada, ento, l pela sexta gruta, encontramos trs gigantes escondidos.
 - A gruta devia estar apertada - comentou Ron.
 - No tinha lugar nem para um amasso - disse Hagrid.
 - Eles no atacaram vocs quando os viram? - perguntou Hermione.
 - Provavelmente teriam atacado se tivessem condies, mas estavam muito feridos, os trs; o bando de Golgomate deixou-os desacordados de tanta pancada; eles tinham recuperado a conscincia e se arrastado at o abrigo mais prximo que encontraram. Em todo o caso, um deles sabia um pouquinho de ingls e traduziu para os outros, e o que tnhamos a dizer parece que no caiu muito mal. Ento voltamos vrias vezes para visitar os feridos... calculo que em um determinado momento tnhamos convencido uns seis ou sete.
 - Seis ou sete? - exclamou Ron ansioso. - No  nada mal, eles vm ajudar a gente a lutar contra Voc-Sabe-Quem?
Mas Hermione perguntou
 - O que voc quis dizer com "em um determinado momento", Hagrid?
Hagrid olhou-a entristecido.
 - O grupo de Golgomate tomou a gruta de assalto. Depois disso, os que sobreviveram no quiseram mais nada conosco.
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 - Ento no vir gigante nenhum? - perguntou Ron, parecendo desapontado.
 - No - confirmou Hagrid, soltando um grande suspiro e tornando a virar o pedao de carne para aplicar o lado mais frio no rosto - mas cumprimos o que fomos fazer, levamos a mensagem de Dumbledore, e alguns a ouviram, e espero que um dia se lembrem. Talvez, os que no quiserem ficar perto de Golgomate se mudem das montanhas e  at possvel que se lembrem que Dumbledore  a favor deles... talvez eles venham 
ento.
A neve agora cobria a janela. Harry percebeu que os joelhos de suas vestes estavam encharcados. Fang estava babando em seu colo.
 - Hagrid? - disse Hermione, baixinho, passado algum tempo.
 - Humm?
 - Voc ouviu... viu algum sinal de... descobriu alguma coisa sobre su... sua... me enquanto esteve l?
O olho destampado de Hagrid se fixou nela, e Hermione sentiu medo.
 - Desculpe... eu... esquece...
 - Morta. H anos. Eles me contaram. '
 - Ah... eu... realmente lamento - disse Hermione, com a voz fraquinha. Hagrid encolheu os ombros enormes.
 - No precisa - disse brusco. - No me lembro muito dela. No foi uma boa me.
Eles ficaram em silncio. Hermione olhou nervosa para Harry e Ron, claramente querendo que dissessem alguma coisa.
 - Mas voc ainda no nos explicou como foi que ficou nesse estado, Hagrid - disse Ron, indicando o rosto manchado de sangue de Hagrid.
 - Ou por que demorou tanto a voltar - acrescentou Harry. Sirius falou que Madame Maxime voltou h sculos...
 - Quem atacou voc? - perguntou Ron.
 - No fui atacado! - respondeu Hagrid enfaticamente. - Eu...
Mas o restante de sua frase foi abafada por uma sucesso de batidas na porta. Hermione prendeu a respirao; sua caneca escorregou Por entre os dedos e se espatifou no cho; Fang latiu. Os quatro se voltaram para a janela ao lado da porta. A sombra de um vulto pequeno e atarracado se mexeu por trs da cortina fina.
 - E ela] - sussurrou Ron.
 - Entrem aqui embaixo! - disse Harry depressa; agarrando a Capa da Invisibilidade, ele a rodou no ar para cobrir Hermione e ele, enquanto Ron dava a volta na mesa e mergulhava sob a capa tam-
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bem. Agarrados, os trs recuaram para um canto. Fang latia nervoso para a porta. Hagrid parecia completamente confuso.
 - Hagrid, esconda nossas canecas!
Hagrid apanhou as canecas de Harry e Ron e escondeu-as sob a almofada da cesta de Fang, que agora saltava contra a porta; Hagrid empurrou-o para o lado com o p e a abriu.
A Prof Umbridge estava parada ali, trajando o seu casaco de tweed verde e o gorro combinando, com abas sobre as orelhas. Os lbios contrados, ela recuou para olhar o rosto de Hagrid; mal chegava ao seu umbigo.
 - Ento - disse ela devagar e em voz alta, como se estivesse falando com algum surdo. - Voc  o Hagrid, no ?
Sem esperar pela resposta, ela entrou na sala, os olhos saltados girando em todas as direes.
 - Sai para l - exclamou ela com rispidez, sacudindo a bolsa contra Fang, que saltara em cima dela e tentava lamber seu rosto.
 - Hum... no quero ser mal-educado - disse Hagrid, encarando-a - mas, diabos, quem  a senhora?
 - Meu nome  Dolores Umbridge.
Seus olhos esquadrinhavam a cabana. Duas vezes, olhou diretamente para o canto em que Harry estava, espremido entre Ron e Hermione.
 - Dolores Umbridge? - exclamou Hagrid, parecendo inteiramente confuso. - Pensei que a senhora fosse do Ministrio, a senhora no trabalha com Fudge?
 - Eu era subsecretria snior do ministro - confirmou ela, agora andando pela cabana e absorvendo cada mnimo detalhe, desde a mochila de viagem encostada  parede at a capa de viagem largada sobre a cadeira. - Agora sou professora de Defesa Contra as Artes das Trevas...
 - Tem muita coragem - disse Hagrid. - No tem mais muita gente que queira aceitar esse cargo.
 - ... e Alta Inquisidora de Hogwarts - continuou ela, no demonstrando que o ouvira.
 - E o que  isso? - perguntou Hagrid, franzindo a testa.
 - E exatamente o que eu ia perguntar - disse Umbridge, apontando para os cacos de loua no cho que restavam da caneca de Hermione.
 - Ah - disse Hagrid, com um olhar contrariado para o canto em que Harry, Ron e Hermione estavam escondidos - ah, isso foi... foi o Fang. Ele quebrou a caneca. Ento tive de usar esta outra.
Hagrid apontou para a caneca da qual estava bebendo, uma das
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mos ainda comprimindo a carne de drago sobre o olho. Umbridge estava de frente para ele agora, examinando cada detalhe de sua aparncia, como fizera com a cabana.
 - Ouvi vozes - disse ela em voz baixa.
 - Eu estava conversando com o Fang - respondeu Hagrid corajosamente.
 - E ele estava conversando com voc?
 - Bom... de certa maneira - respondeu Hagrid, parecendo pouco  vontade. - s vezes digo que Fang  quase humano...
 - H trs pares de pegadas na neve que vm do castelo  sua cabana - disse Umbridge com astcia.
Hermione ofegou; Harry tampou 
a boca da amiga com a mo. Por sorte, Fang estava farejando alto em volta da barra da saia da Prof Umbridge, e ela no pareceu ter ouvido.
 - Bom, eu acabei de voltar - explicou Hagrid, indicando com sua manzorra a mochila. - Talvez algum tenha vindo me visitar mais cedo e no tenha me encontrado.
 - No h pegadas saindo de sua cabana.
 - Bom, eu... eu no sei por que seria... - respondeu Hagrid, puxando nervosamente a barba e tornando a olhar para o canto em que estavam os garotos, como se pedisse ajuda. - Hum...
Umbridge se virou e andou pela cabana estudando tudo atentamente. Abaixou-se para espiar embaixo da cama. Abriu os armrios de Hagrid. Passou a cinco centmetros de onde Harry, Ron e Hermione estavam colados contra a parede; Harry chegou a encolher a barriga quando ela passou. Depois de espiar dentro do enorme caldeiro que Hagrid usava para cozinhar, ela se virou e disse
 - Que foi que aconteceu com voc? Como foi que se feriu dessa maneira?
Hagrid retirou depressa a carne de drago do rosto, o que na opinio de Harry foi um erro, porque o hematoma preto e roxo em volta do seu olho agora estava claramente visvel, sem falar no sangue recente que congelara em seu rosto.
 - Ah... tive um pequeno acidente - disse pouco convincente.
 - Que tipo de acidente?
 - Aaa... tropecei.
 - Tropeou - repetiu ela calmamente.
 - E, foi. Na... na vassoura de um amigo. Eu no vo. Bom, olhe bem o meu tamanho, acho que no haveria vassoura que agentasse comigo. Um amigo meu cria cavalos abraxanos. No sei se a senhora j viu algum, bichos enormes, alados, sabe, eu tinha dado uma volta em um deles e estava... .  -jvi ?r -
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 - Onde  que voc esteve? - perguntou Umbridge interrompendo calmamente a tagarelice de Hagrid.
 - Onde  que eu...?
 - Esteve, isso mesmo. O trimestre comeou h dois meses. Outra professora precisou cobrir suas aulas. Nenhum dos seus colegas soube me dar informao alguma sobre o seu paradeiro. Voc no deixou endereo. Onde esteve?
Houve uma pausa em que Hagrid encarou Umbridge com o olho que acabara de destampar. Dava quase para Harry ouvir seu crebro trabalhando furiosamente.
 - Estive... estive fora tratando da sade.
 - Tratando da sade - repetiu a Profa. Umbridge. Seus olhos perpassaram o rosto descolorido e inchado de Hagrid; o sangue de drago pingava lenta e silenciosamente em seu colete. - Entendo.
 - E - continuou Hagrid - um pouco de ar fresco, a senhora entende...
 - Entendo, como guarda-caa deve ser difcil encontrar ar fresco
 - disse Umbridge meigamente. A pequena rea do rosto de Hagrid, que no estava preta ou roxa, corou.
 - Bom... mudana de cenrio, a senhora sabe...
 - Cenrio de montanhas? - tornou Umbridge rpida. Ela sabe, pensou Harry desesperado.
 - Montanhas? - repetiu Hagrid, claramente pensando rpido. No, preferi o sul da Frana. Um pouco de sol e... e mar.
 - Verdade? Voc no parece ter se bronzeado muito.
 - No... bom... pele sensvel - respondeu Hagrid, tentando sorrir insinuante. Harry reparou que ele havia perdido dois dentes. Umbridge olhou-o com frieza; o sorriso dele vacilou. Ento ela ergueu a bolsa para abra-la contra o corpo e disse
 - Naturalmente, vou informar ao ministro o seu atraso em voltar.
 - Certo - respondeu Hagrid, confirmando com um aceno de cabea.
 - Voc precisa saber tambm que, como Alta Inquisidora, tenho o dever espinhoso mas necessrio de inspecionar os meus colegas. Portanto,  provvel que muito breve nos vejamos de novo.
Ela se virou bruscamente e se dirigiu  porta.
 - A senhora est nos inspecionando? - repetiu Hagrid sem entender, olhando para as costas da bruxa.
 - Ah, sim - respondeu Umbridge mansamente, virando-se para olh-lo, a mo na maaneta. - O Ministrio est resolvido a extirpar os professores incompetentes, Hagrid. Boa-noite.
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Ela saiu, fechando a porta com um estalo. Harry fez meno de tirar a Capa da Invisibilidade, mas Hermione agarrou seu pulso.
 - Ainda no - cochichou em seu ouvido. - Talvez ela ainda no tenha ido embora.
Hagrid parecia estar pensando a mesma coisa; atravessou a sala mancando e abriu uma fresta na cortina.
 - Est voltando para o castelo - disse em voz baixa. - Caramba... inspecionando as pessoas, -?
 -  - confirmou Harry retirando a capa. - Trelawney j est em observao...
 - Hum... que tipo de coisa voc est planejando fazer com a gente em aula, Hagrid? - perguntou Hermione.
 - Ah, no se preocupe, tenho um monte de aulas preparadas 
disse Hagrid entusiasmado, recolhendo a carne de drago da mesa e chapando-a novamente em cima do olho. Tenho uns dois bichos que andei criando para o ano do N.O.M.; esperem para ver, so realmente especiais.
 - Hum... especiais de que maneira? - perguntou Hermione sondando.
 - No vou dizer - respondeu ele, feliz. - No quero estragar a surpresa.
 - Escute, Hagrid - disse Hermione com urgncia, deixando de lado todo o fingimento - a Prof Umbridge no vai ficar nada satisfeita se voc trouxer para a aula alguma coisa que seja perigosa demais.
 - Perigosa? - disse Hagrid jovialmente, sem entender. - No seja boba, eu no traria para vocs nada que fosse perigoso! Quero dizer, tudo bem, eles sabem se defender...
 - Hagrid, voc precisa passar na inspeo da Umbridge, e para conseguir isso seria realmente melhor que ela o visse nos ensinando a cuidar de pocots, como diferenciar ourios de porcos-espinhos, coisas desse gnero - disse Hermione sria.
 - Mas isso no  muito interessante, Hermione - replicou Hagrid. O que eu tenho  muito mais impressionante. Venho criando eles h anos. Calculo que eu tenha o nico rebanho domesticado da GrBretanha.
 - Hagrid... por favor... - pediu Hermione, com uma nota de verdadeiro desespero na voz. - Umbridge est procurando qualquer desculpa para se livrar de professores que ela acha que so muito prximos de Dumbledore. Por favor, Hagrid, ensine a gente alguma coisa sem graa que vai ser pedida no nosso exame.
Mas Hagrid meramente deu um enorme bocejo e lanou um olhar ansioso de um nico olho para a vasta cama a um canto.
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 - Escute, foi um dia comprido e est tarde - disse ele, dando uma palmadinha carinhosa no ombro de Hermione, que fez os joelhos da garota dobrarem e bater no cho com um rudo surdo. -Ah... desculpe... - E puxou-a para cima pela gola das vestes. - Olhe, pare de se preocupar comigo, juro que tenho material realmente bom programado para as aulas, agora que voltei...  melhor vocs voltarem para o castelo e no se esqueam de apagar as pegadas por onde vo passar, eh?
 - No sei se Hagrid conseguiu entender o seu recado - comentou Ron um pouco mais tarde quando, depois de verificarem que a barra estava limpa, voltaram para o castelo pela neve que se acumulava, sem deixar vestgios, graas ao Feitio que Hermione lanava ao passarem.
 - Ento voltarei amanh - disse Hermione decidida. - vou planejar as aulas para ele, se for preciso. No me importo que mande a Trelawney embora, mas ela no vai se livrar de Hagrid, no!
CAPTULO VINTE
O olho da Cobra
Hermione voltou  cabana de Hagrid no domingo pela manh, avanando com dificuldade pela neve de meio metro de altura. Harry e Ron queriam acompanh-la, mas a montanha de deveres de casa tornara a atingir uma altura alarmante, por isso, contrariados, eles ficaram na sala comunal, tentando ignorar os gritos alegres que chegavam l de fora, onde os estudantes se divertiam patinando no lago gelado, andando de tobog e, o que era pior, enfeitiando bolas de neve para voar at a Torre da Grifindore e bater com fora nas janelas.
 - Oi! - berrou Ron, finalmente perdendo a pacincia e metendo a cabea para fora da janela - Sou monitor, e se mais uma bola de neve bater nesta janela... AI!
Ele recuou com um movimento brusco, o rosto coberto de neve.
 -  o Fred e o George - comentou com amargura, batendo a janela. - Babacas...
Hermione voltou da casa de Hagrid pouco antes do almoo, tremendo um pouco de frio, as vestes midas at os joelhos.
 - Ento? - perguntou Ron, erguendo a cabea quando ela entrou. - Conseguiu planejar todas as aulas com ele?
 - Bom, eu tentei - respondeu ela desanimada, afundando na poltrona ao lado de Harry. Puxou, ento, a varinha e, com um floreio, fez sair ar quente da ponta; em seguida apontou-a para as vestes, que comearam a desprender vapor  medida que foram secando. - Ele nem estava l quando cheguei, bati no mnimo meia hora. E quando saiu mancando da Floresta...
Harry gemeu. A Floresta Proibida estava apinhada com o tipo de animais com maior probabilidade de causar a demisso de Hagrid.
 - Que  que ele est criando l? Ele disse?
 - No - respondeu Hermione infeliz. - Disse que quer fazer surpresa. Tentei explicar o papel da Umbridge, mas ele simplesmente no entende. Repetiu o tempo todo que ningum com o juzo perfeito 
iria preferir estudar ourios em vez de quimeras... ah, no acho
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que ele tenha uma quimera - acrescentou ao ver a expresso de espanto nos rostos de Harry e Ron. - Mas no  por falta de tentar, pelo comentrio que fez sobre a dificuldade de obter ovos. No sei quantas vezes eu repeti que ele faria melhor se seguisse o programa da Grubbly-Plank, sinceramente acho que no ouviu nem metade do que eu disse. E est meio estranho, sabe? Continua sem querer dizer onde arranjou aqueles ferimentos.
O reaparecimento de Hagrid  mesa dos professores na manh do dia seguinte no foi recebido com entusiasmo por todos os alunos. Alguns, como Fred, George e Linus, gritaram de alegria e saram correndo pelo corredor entre as mesas da Grifindore e Hufflepuff para apertar sua mo enorme; outros, como Parvati e Lavender, trocaram olhares sombrios e balanaram a cabea. Harry sabia que muitos preferiam as aulas da Prof Grubbly-Plank, e o pior  que uma pequena parte dele, imparcial, sabia que os colegas tinham boas razes para GrubblyPlank uma aula interessante era aquela em que ningum corria o risco de ter a cabea arrancada.
Foi com uma certa apreenso que os trs amigos se encaminharam para a aula de Hagrid na tera-feira, bem agasalhados contra o frio. Harry estava preocupado, no somente com o que Hagrid decidira ensin-los, mas tambm com o comportamento do restante da turma, particularmente o de Malfoy e seus comparsas, se Umbridge estivesse observando.
No entanto, a Alta Inquisidora no estava visvel enquanto venciam com dificuldade a neve em direo a Hagrid, que os esperava na orla da Floresta. Sua aparncia no tranqilizava; os hematomas que estavam roxos no sbado  noite agora estavam matizados de verde e amarelo, e alguns dos seus cortes ainda pareciam sangrar. Harry no conseguia entender ser que Hagrid fora atacado por alguma criatura cujo veneno impedia os ferimentos de sararem? E, como para completar sua figura sinistra, Hagrid carregava por cima do ombro uma coisa que parecia a metade de uma vaca morta.
 - Vamos trabalhar aqui hoje! - anunciou alegremente aos estudantes que se aproximavam, indicando com a cabea as rvores escuras s suas costas. - Um pouco mais protegidos! De qualquer maneira, eles preferem o escuro.
 - Que  que prefere o escuro? - Harry ouviu Malfoy perguntar rispidamente a Crabbe e Goyle, com um indcio de pnico na voz. Que foi que ele disse que prefere o escuro vocs ouviram?
Harry lembrou-se da nica outra ocasio em que Malfoy entrara na Floresta; tampouco fora muito corajoso ento. Ele sorriu por den365
tro; depois do jogo de quidditch achava timo qualquer coisa que causasse mal-estar a Malfoy.
 - Prontos? - perguntou Hagrid animado, olhando para os alunos.
 - Bom, ento, estive guardando uma viagem  Floresta para o seu quinto ano. Pensei em irmos ver os bichos 
em seu habitat natural. Agora, o que vamos estudar hoje  bem raro. Calculo que eu seja a nica pessoa na Gr-Bretanha que conseguiu domestic-los.
 - Voc tem mesmo certeza de que eles esto domesticados? disse Malfoy, o pnico em sua voz era ainda mais pronunciado. - No seria a primeira vez que voc traz bichos selvagens para a aula, no ?
Os alunos da Slytherin murmuravam concordando, e alguns da Grifindore tambm pareciam achar que Malfoy tinha uma certa razo.
 - Claro que esto domesticados - garantiu Hagrid, fechando a cara e erguendo um pouco a vaca morta para ajeit-la no ombro.
 - Ento, que foi que aconteceu com o seu rosto? - quis saber Malfoy.
 - Cuide da sua vida! - disse Hagrid, zangado. - Agora, se acabaram de fazer perguntas bobas, me sigam!
Ele se virou e entrou na Floresta Proibida. Ningum parecia muito disposto a segui-lo. Harry olhou para Ron e Hermione, que suspiraram, mas concordaram com a cabea, e os trs entraram atrs de Hagrid, liderando o resto da turma.
Caminharam uns dez minutos at chegar a um ponto em que as rvores cresciam to juntas que era sombrio como ao anoitecer, e no havia neve no cho. Com um gemido, Hagrid depositou a metade da vaca no cho, recuou e se virou para olhar os alunos, a maioria dos quais se esgueirava de rvore em rvore em sua direo, espiando para os lados nervosamente como se esperassem ser atacados a qualquer momento.
 - Cheguem mais, cheguem mais - encorajou-os Hagrid. - Agora eles vo ser atrados pelo cheiro da carne, mas de qualquer maneira vou cham-los, porque vo gostar de saber que sou eu.
Ele se virou, sacudiu a cabea desgrenhada para tirar os cabelos do rosto e soltou um grito estranho e agudo que ecoou por entre as rvores escuras como o chamado de uma ave monstruosa. Ningum riu a maioria estava apavorada demais para emitir qualquer som.
Hagrid deu novo grito agudo. Passou-se um minuto em que a turma continuou a espiar nervosamente sobre os ombros e por trs das rvores para avistar o que quer que estivesse a caminho. Ento, quando Hagrid jogou os cabelos para trs mais uma vez e encheu o enorme peito, Harry cutucou Ron e apontou para o espao vazio entre dois teixos nodosos. 
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Dois olhos vidrados, brancos, brilhantes, foram crescendo na penumbra, depois surgiram a cara draconina, o pescoo e, em seguida, o corpo esqueltico de um enorme cavalo alado negro emergiu da escurido. O animal correu os olhos pela turma por alguns segundos, balanando a longa cauda negra, ento comeou a arrancar pedaos da vaca morta com seus caninos pontiagudos.
Harry foi invadido por uma grande onda de alvio. Ali, finalmente, estava a prova de que no imaginara esses bichos, de que eram reais Hagrid conhecia a existncia deles tambm. Olhou animado para Ron, mas o amigo continuava a espiar entre as rvores e, passados alguns segundos, cochichou
 - Por que  que Hagrid no chama outra vez?
A maioria dos outros alunos expressava no rosto uma ansiedade confusa e nervosa, como a de Ron, e continuava a olhar para todos os lados, exceto para o cavalo, a pouco mais de um metro deles. Havia apenas mais duas pessoas que pareciam capazes de v-los um garoto magricela da Slytherin, parado logo atrs de Goyle, que observava o cavalo comer com uma cara de intenso nojo; e Neville, cujo olhar acompanhava o balano da longa cauda negra.
 - Ah, e a vem mais um! - anunciou Hagrid orgulhoso, quando viu aparecer do meio das rvores escuras um segundo cavalo, que fechou as asas contra o corpo e mergulhou a cabea para devorar a carne.
 - Agora... levantem as mos... quem consegue v-los? Imensamente satisfeito de que finalmente fosse entender o mistrio desses cavalos, Harry ergueu a mo. Hagrid fez um aceno para ele.
 - Sim... sim, eu sabia que voc seria capaz de v-los - disse srio.
 - E voc tambm, Neville, eh? E...
 - Com licena - perguntou Malfoy com a voz desdenhosa - mas que  exatamente que eu devia estar vendo?
Em resposta, Hagrid apontou para a carcaa da vaca no cho. A turma inteira contemplou-a com espanto por alguns segundos, ento vrias pessoas exclamaram, e Parvati soltou um grito agudo. Harry entendeu por qu os pedaos de carne se soltando dos ossos e desaparecendo no ar deviam parecer realmente estranhos.
 - Que  que est fazendo isso? - perguntou Parvati aterrorizada, recuando para trs da rvore mais prxima. - Que  que est comendo a vaca?
 - Testrlios - disse Hagrid, orgulhoso, e Hermione soltou em voz baixa um "Ah!" de compreenso ao ombro de Harry. - Hogwarts tem um rebanho deles aqui na Floresta. Agora, quem sabe...?
 - Mas eles realmente trazem m sorte! - interrompeu Parvati,
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parecendo assustada. - Dizem que do todo o tipo de azar s pessoas que os vem. A Prof Trelawney me contou uma vez...
 - No, no, no - contestou Hagrid rindo - isso  pura superstio, isto , eles so muito inteligentes e teis!  claro que esses daqui no trabalham muito, s puxam as carruagens da escola, a no ser que Dumbledore v fazer uma 
viagem longa e no queira materializar... e a vm mais dois, olhem...
Mais dois cavalos saram silenciosamente de trs das rvores, um deles passou muito perto de Parvati, que estremeceu e se encostou mais perto da rvore, dizendo
 - Senti alguma coisa, acho que est perto de mim!
 - No se preocupe, ele no vai machucar voc - disse Hagrid paciente. - Certo, agora, quem  capaz de me dizer por que alguns de vocs vem os Testrlios e outros no?
Hermione ergueu a mo.
 - Diga, ento - pediu Hagrid, sorrindo para a garota.
 - S podem ver os Testrlios - respondeu ela - as pessoas que j viram a morte.
 - Exatamente - disse Hagrid, muito solene - dez pontos para a Grifindore. Agora, os Testrlios...
 - Hem, hem.
A Prof Umbridge chegara. Estava a alguns passos de Harry, usando novamente a capa e o chapu verdes, a prancheta  mo. Hagrid, que nunca ouvira o pigarro fingido da Umbridge, olhou com certa preocupao para o Testrlio mais prximo, evidentemente pensando que ele produzira o som.
 - Hem, hem.
 - Ah, ol! - disse Hagrid sorrindo, ao localizar a origem do rudo.
 - Voc recebeu o bilhete que mandei  sua cabana hoje pela manh? - perguntou Umbridge, no mesmo tom alto e pausado que usara com ele anteriormente, como se estivesse se dirigindo a algum ao mesmo tempo estrangeiro e retardado. - Avisando que eu viria inspecionar sua aula?
 - Ah, sim - respondeu Hagrid animado. - Fico satisfeito que tenha encontrado o local sem dificuldade! Bom, como pode ver ou, no sei, ser que a senhora pode? Hoje estamos estudando Testrlios...
 - Desculpe? - disse a Prof Umbridge em voz alta, levando a mo em concha  orelha e franzindo a testa - Que foi que voc disse?
Hagrid pareceu um pouco confuso.
 - Ah... Testrlios] - disse, elevando a voz. - Cavalos alados... hum... grandes, sabe! _..",-
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Ele agitou os braos gigantescos, esperanoso. A Prof Umbridge ergueu as sobrancelhas para ele e resmungou alguma coisa enquanto anotava na prancheta Tem... de... recorrer... a... grosseira... gesticulao.
 - Bom... em todo o caso... - disse Hagrid voltando-se para a turma e parecendo ligeiramente atrapalhado - hum... que  que eu ia dizendo?
 - Parece... esquecer... o... que... estava dizendo - murmurou Umbridge, suficientemente alto para todos ouvirem. Draco Malfoy parecia sentir que o Natal chegara um ms antes; Hermione, por outro lado, ficara escarlate de fria reprimida.
 - Ah, sim - disse Hagrid, lanando um olhar preocupado  prancheta de Umbridge, mas prosseguindo valorosamente. - Eu ia contar a vocs como foi que formamos um rebanho. Ento, comeamos com um macho e cinco fmeas. Este - ele deu uma palmadinha carinhosa no primeiro cavalo que aparecera - de nome Tenebrus, treva, o meu grande favorito, foi o primeiro a nascer na Floresta...
 - Voc tem cincia - disse Umbridge em voz alta, interrompendo-o - que o Ministrio da Magia classificou os Testrlios como "perigosos"?
O nimo de Harry afundou como uma pedra, mas Hagrid meramente deu uma risadinha.
 - Os Testrlios no so perigosos! Tudo bem, so capazes de tirar um pedao de algum que realmente os importunar...
 - Manifesta... prazer... ... idia... de... violncia - murmurou Umbridge, registrando em sua prancheta.
 - Ora... vamos! - exclamou Hagrid, parecendo um pouco ansioso agora. - Quero dizer, um co morde se a pessoa o aula, no?... mas os Testrlios somente ganharam m reputao por causa dessa histria de morte... as pessoas costumavam pensar que traziam mau agouro, no  mesmo? Simplesmente no entendiam, no ?
Umbridge no respondeu; terminou de fazer a ltima anotao, ento olhou para Hagrid e disse, mais uma vez alteando a voz e enunciando as palavras devagar
 - Por favor, continue sua aula como sempre, eu vou andar um pouco - ela imitou uma pessoa andando (Malfoy e Pansy Parkinson tiveram acessos silenciosos de riso) entre os alunos (ela apontou cada integrante da turma) e fazer perguntas. - Ela apontou para a boca indicando o ato de falar.
Hagrid arregalou os olhos para ela, visivelmente incapaz de compreender por que estava agindo como se no soubesse ingls normal. Hermione agora tinha lgrimas de fria nos olhos.
 - Sua megera, sua megera maligna! - sussurrou ela, enquanto
Umbridge andava em direo a Pansy Parkinson. - Eu sei o que voc est fazendo, sua bruxa horrvel, pervertida, malvola...
 - Hum... em todo o caso - disse Hagrid, tentando nitidamente recuperar o fio de sua aula - ento... os Testrlios. Sim. Bom, h muitas coisas boas sobre eles...
 - Voc acha - perguntou a Prof Umbridge a Pansy com voz ressonante - que  capaz de entender o Prof. Hagrid quando ele fala?
Tal como Hermione, Pansy 
tinha lgrimas nos olhos, mas eram lgrimas de riso, na verdade, e sua resposta foi quase incoerente na tentativa de conter o riso.
 - No... porque... bom... muitas vezes... parecem grunhidos.
Umbridge registrou a resposta em sua prancheta. As poucas partes ss do rosto de Hagrid coraram, mas ele tentou agir como se no tivesse ouvido a resposta da aluna.
 - Hum... sim... coisas boas sobre os Testrlios. Uma vez que sejam domesticados, como este rebanho, as pessoas nunca mais se perdero. Eles tm um espantoso senso de direo,  s dizer aonde se quer ir...
 - Supondo que eles consigam entender voc, naturalmente disse Malfoy alto, e Pansy desatou em um novo acesso de riso. A Prof Umbridge sorriu indulgentemente para os dois e se dirigiu a Neville.
 - Voc consegue ver os Testrlios, Longbottom, verdade? Neville assentiu com a cabea.
 - Quem foi que voc viu morrer? - perguntou ela, seu tom indiferente.
 - Meu... meu av - disse Neville.
 - E o que acha deles? - perguntou a professora, indicando com a mo curta e grossa os cavalos, que a essa altura tinham limpado uma boa parte da carcaa at os ossos.
 - Hum - disse Neville nervoso, lanando um olhar a Hagrid. Bom... eles... aah... tudo bem.
 - Os... alunos... se... sentem... demasiado... intimidados... para... admitir... que... tm... medo - murmurou Umbridge, fazendo mais uma anotao na prancheta.
 - No! - protestou Neville, parecendo aborrecido. - No, no tenho medo deles!
 - Est tudo bem - disse Umbridge, lhe dando palmadinhas no ombro, com o que ela pretendia que fosse um sorriso de compreenso, embora parecesse a Harry mais um esgar maldoso. - Bom, Hagrid - Umbridge tornou a olhar para ele, falando mais uma vez alta e lentamente - Acho que tenho o suficiente para trabalhar. Voc receber (ela imitou o gesto de apanhar alguma coisa a sua frente) os resultados de sua inspeo (ela apontou para a prancheta) dentro de
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dez dias. - Ergueu os dez dedos curtos das mos, e, com o sorriso mais largo e bufondeo que j dera sob aquele gorro verde, ela saiu apressada, deixando Malfoy e Pansy Parkinson tendo acessos de risos, Hermione tremendo de fria e Neville parecendo confuso e aborrecido.
 - Aquela grgula velha, nojenta, mentirosa, deturpadora! explodiu Hermione meia hora depois, quando voltavam ao castelo pelo caminho que haviam aberto na neve mais cedo. - Vocs esto vendo o que ela est tramando?  aquele preconceito contra mestios outra vez est tentando pintar Hagrid como uma espcie de trasgo retardado, s porque a me dele era giganta, e, ah, no  justo, na realidade nem foi uma aula ruim, quero dizer, tudo bem, se tivessem sido explosivins, mas os Testrlios so bem aceitveis de fato, tratando-se de Hagrid, so realmente timos!
 - A Umbridge disse que eles so perigosos - lembrou Ron.
 - Bom,  como disse o Hagrid, eles sabem se cuidar sozinhos retrucou Hermione impaciente - e suponho que uma professora como a Grubbly-Plank normalmente no nos apresentaria a eles antes dos N.I.E.M.s, mas, bom, eles so muito interessantes, no acharam? Como tem gente que pode v-los e gente que no pode! Eu gostaria de poder.
 - Gostaria? - perguntou Harry calmamente. De repente ela fez uma cara de horror.
-Ah, Harry... desculpe... no, claro que no... foi realmente uma burrice dizer isso.
 - Tudo bem - disse ele depressa - no se preocupe.
 -  de surpreender que tanta gente pudesse v-los - comentou Ron. - Trs em uma turma...
 - , Weasley, ns estvamos mesmo imaginando - comentou uma voz maliciosa. Sem que fossem pressentidos, Malfoy, Crabbe e Goyle vinham logo atrs, o rudo dos seus passos abafado pela neve. Voc acha que se visse algum sentindo o cheiro deles voc conseguiria ver melhor a Quaffle?
Ele, Crabbe e Goyle deram grandes gargalhadas ao ultrapass-los a caminho do castelo, depois comearam a cantar "Weasley  o nosso rei". As orelhas de Ron ficaram vermelho vivo.
 - No ligue para eles, no ligue - disse Hermione, puxando a varinha e executando o feitio para produzir ar quente e assim poder abrir mais facilmente um caminho pela neve intacta entre eles e as estufas.
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Dezembro chegou, trazendo mais neve e uma decidida avalanche de deveres de casa para os quintanistas. As tarefas de monitor de Ron e Hermione tambm se tornaram mais pesadas com a aproximao do Natal. Eles foram chamados para supervisar a decorao do castelo ("Tenta pendurar festes com o Pives segurando a outra ponta e tentando estrangular voc com ela", disse Ron), tomar conta dos alunos de primeiro e segundo anos que passam os intervalos das aulas dentro do castelo por causa do frio cortante ("E eles so uns melequentos atrevidos, sabe, decididamente no ramos mal-educados assim quando freqentvamos o primeiro ano", comentou Ron), e patrulhar 
os corredores dividindo turnos com Argus Filch, que suspeitava que o esprito natalino pudesse se manifestar numa ecloso de duelos de bruxos ("Ele tem bosta nos miolos", disse Ron furioso). Enfim, andavam to ocupados que Hermione precisou parar de tricotar gorros para elfos e ficou preocupada que s lhe sobrassem trs.
 - Todos esses elfos, coitados, que eu no pude liberar ainda, terei de passar o Natal aqui porque no h gorros suficientes!
Harry, que no tivera coragem de contar a ela que Dobby estava levando tudo, curvou-se ainda mais para o seu dever de Histria da Magia. Em todo o caso, ele no queria pensar no Natal. Pela primeira vez em sua carreira escolar, queria muito passar as festas longe de Hogwarts. Entre a proibio de jogar quidditch e a preocupao se Hagrid seria ou no posto em observao, ele sentia muita raiva da escola naquele momento. A nica coisa que antegozava eram os encontros da AD, e estes teriam de ser interrompidos durante as festas, porque quase toda a turma iria passar as frias com a famlia. Hermione ia esquiar com os pais, uma coisa que Ron achava muito engraado, pois nunca ouvira falar de Muggles que atavam pranchas finas de madeira aos ps para deslizar montanha abaixo. Ron ia para A Toca. Harry amargara muitos dias de inveja at Ron dizer em resposta  sua pergunta como iria para casa passar o Natal "Mas voc tambm vai! Eu no falei? J faz semanas que mame me escreveu dizendo para convidar voc!
Hermione ergueu os olhos para o teto, mas o nimo de Harry foi ao cu achava que o Natal na Toca era realmente maravilhoso, embora ligeiramente prejudicado pelo remorso de que no fosse poder passar as festas com Sirius. Ps-se a imaginar se no seria possvel convencer a Sra. Weasley a convidar seu padrinho para pass-las juntos. Ainda que duvidasse de que Dumbledore fosse permitir que Sirius deixasse o largo Grimmauld, ele no podia deixar de pensar que a Sra. Weasley talvez no o quisesse; os dois viviam se desentendendo. Sirius no entrara em contato com Harry desde sua ltima apario no
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fogo, e, embora o garoto soubesse que com a Umbridge em constante vigilncia seria insensato tentar se comunicar, no lhe agradava imaginar Sirius sozinho na antiga casa da me, talvez estourando um solitrio saquinho surpresa com o Kreacher.
Harry chegou cedo  Sala Precisa para a ltima reunio antes das festas, e ficou contente de ter feito isso, porque quando os archotes se acenderam ele viu que Dobby se encarregara de decorar a sala para o Natal. Sabia que fora o elfo, porque ningum mais penduraria cem bolas douradas no teto, todas com o rosto de Harry Potter e a legenda "HARRY CHRISTMAS!".
Harry tinha acabado de baixar a ltima delas quando a porta se entreabriu e Luna Lovegood entrou, com a cara de sonhadora de sempre.
 - Ol - disse distante, olhando para o que restara das decoraes.
 - Esto bonitas, foi voc quem as pendurou?
 - No, foi Dobby o elfo domstico.
 - Visgo - disse ela sonhadoramente, apontando para um cacho de frutinhos brancos pendurados quase em cima da cabea de Harry. Ele saltou para longe dos frutos. - Bem pensado - disse Luna muito sria.
 - Muitas vezes est infestado de Narguils.
Harry foi salvo da necessidade de perguntar o que eram Narguils pela chegada de Angelina, Kate e Alicia. As trs estavam sem flego e pareciam sentir muito frio.
 - Bom - disse Angelina maquinalmente, tirando a capa e atirando-a a um canto - finalmente conseguimos substituir voc.
 - Me substituir? - perguntou Harry sem entender.
 - Voc, Fred e George - disse ela impaciente. - Temos um novo Sicker.
 - Quem? - perguntou Harry depressa. 
 - Giny Weasley - informou Kate. 
Harry boquiabriu-se.
 - , eu sei - disse Angelina, puxando a varinha e flexionando o brao - mas ela  realmente boa. No se compara a voc,  claro acrescentou amarrando a cara - mas como no podemos ter voc...
Harry engoliu a resposta que gostaria de dar; ser que ela imaginava por um segundo sequer que ele no lamentava sua expulso da equipe cem vezes mais do que ela?
 - E os Beater? - perguntou, tentando manter a voz calma.
 - Andrew Kirke - respondeu Alicia, sem entusiasmo - e Jack Sloper. Nenhum dos dois  genial, mas comparados aos outros que apareceram...
A chegada de Ron, Hermione e Neville encerrou essa conversa deprimente, e cinco minutos depois a sala estava bastante cheia para
impedir que Harry visse os eloqentes olhares de censura de Angelina.
 - OK - disse ele, chamando todos  ordem. - Achei que hoje deveramos repassar o que j fizemos at agora, porque  a ltima reunio antes das frias e no tem sentido comear nada novo antes de uma pausa de trs semanas...
 - No vamos fazer nada novo? - exclamou Zacarias, resmungando, insatisfeito, suficientemente alto para ser ouvido por toda a sala. Se eu soubesse nem 
teria vindo.
 - Ento todos lamentamos muito que Harry no tenha lhe avisado - retrucou Fred em voz alta.
Vrias pessoas abafaram risinhos. Harry viu Cho rindo, e teve a sensao j conhecida de que seu estmago estava despencando, como se tivesse pulado sem querer um degrau de escada.
 - ... podemos praticar aos pares - continuou Harry. - Vamos comear com a Maldio de Impedimento durante dez minutos, ento podemos apanhar as almofadas e experimentar o Feitio Estuporante mais uma vez.
Todos se dividiram obedientemente, Harry fez par com Neville como sempre. Logo a sala se encheu de gritos intermitentes de "Impedimenta!". As pessoas ficavam paralisadas por mais ou menos um minuto, enquanto o parceiro olhava a esmo pela sala, observando o trabalho dos outros pares, depois recuperava os movimentos e era sua vez de amaldioar.
Neville estava irreconhecvel, tal o seu progresso. Depois de ter se recuperado trs vezes seguidas, Harry mandou Neville se reunir a Ron e Hermione para poder andar pela sala e observar os outros. Quando passou, Cho deu-lhe um grande sorriso; ele resistiu  tentao de passar mais vezes por ela.
Transcorridos os dez minutos da Maldio de Impedimento, eles espalharam as almofadas pelo cho e comearam a praticar mais uma vez o Estuporante. O espao era realmente muito limitado para permitir que todos trabalhassem ao mesmo tempo; metade do grupo observava a outra metade por alguns minutos, depois se revezavam.
Harry sentiu-se decididamente orgulhoso ao observar o grupo.  verdade que Neville estuporou Padma Patil em vez de Dean, a quem estava visando, mas errou por muito menos do que antes, e todos os utros tinham feito enormes progressos.
Ao final de uma hora, Harry anunciou um intervalo.
 - Vocs esto ficando timos - disse sorrindo. - Quando voltaros das ferias, poderemos comear com os feitios mais importantes, talvez at com o Patrono.
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Ouviram-se murmrios de excitao. A sala comeou a se esvaziar, como sempre aos pares e trios; a maioria desejou a Harry um "Feliz Natal" ao sair. Sentindo-se animado, ele recolheu as almofadas com Ron e Hermione, e empilhou-as em ordem. Os dois saram antes; ele se demorou mais um pouco, porque Cho ainda no sara, e tinha esperana de ouvir dela votos de boas-festas.
 - No, pode ir andando - ouviu-a dizer  amiga Marieta, e seu corao deu um salto que pareceu empurr-lo para a regio do pomo -de-ado
Ele fingiu estar arrumando a pilha de almofadas. Tinha certeza de que estavam completamente a ss agora, e esperava que ela falasse. Em vez disso, ouviu uma fungada sentida.
Ele se virou e viu Cho parada no meio da sala, as lgrimas escorrendo pelo rosto.
-Qu...?
No soube o que fazer. Ela simplesmente estava parada ali, chorando em silncio.
 - Que foi? - perguntou com a voz fraca.
Cho balanou a cabea e enxugou os olhos na manga.
 - Desculpe... - disse com a voz pastosa. - Imagino que...  s que... aprendendo tudo isso... me deixa... pensando que se... se ele soubesse tudo isso... talvez ainda estivesse vivo.
O corao de Harry afundou, saiu da posio normal e foi se alojar em algum ponto prximo ao umbigo. Devia ter imaginado. Ela queria conversar sobre Cedric.
 - Ele sabia tudo isso - disse Harry pesaroso. - Era realmente bom, ou jamais teria chegado  metade daquele labirinto. Mas se Voldemort de fato quer matar uma pessoa, ela no tem a menor chance.
Cho soluou ao ouvir o nome de Voldemort, mas encarou Harry sem piscar.
 - Voc sobreviveu quando era s um beb - disse baixinho.
 - Foi - disse Harry preocupado, encaminhando-se para a porta.
 - Eu no sei por qu, nem ningum sabe, ento no  nada de que eu possa me orgulhar.
 - Ah, no comece! - disse Cho, voltando a chorar. - Realmente me desculpe por me comover assim... eu no tive inteno...
E tornou a soluar. Era muito bonita at quando os olhos estavam vermelhos e inchados. Harry se sentiu completamente infeliz. Teria ficado muito contente com um simples "Feliz Natal". - Sei que deve ser horrvel para voc - disse, enxugando os olhos na manga. - Mencionar o Cedric, quando voc o wiu morrer... Suponho que queira esquecer tudo. u vHarry no respondeu; era verdade, mas se sentiria desalmado se dissesse isso.
 - Voc  um professor realmente bom, sabe - disse Cho, com um sorriso lacrimoso. - Nunca consegui estuporar ningum antes.
 - Obrigado - disse Harry sem jeito.
Eles se olharam por um longo momento. Harry sentiu um desejo ardente de correr pela sala e, ao mesmo tempo, uma completa incapacidade de mover os ps.
 - Azevinho - disse Cho em voz baixa, apontando para o teto acima da cabea dele.
 -  - disse Harry. Sua boca estava muito seca. - Mas provavelmente deve estar cheio 
de Narguils.
 - Que so Narguils?
 - No fao a menor idia - disse Harry. Ela foi chegando mais perto. Seu crebro parecia ter sido estuporado. - Voc teria de perguntar a Di-lua. A Luna, quero dizer.
Cho fez um som engraado entre um soluo e uma risada. Estava mais perto agora. Ele poderia ter contado as sardas no nariz dela.
 - Eu gosto de voc de verdade, Harry.
Ele no conseguia pensar. Um formigamento se espalhava pelo seu corpo, paralisando seus braos, pernas e crebro.
Estava prxima demais. Ele podia ver cada lgrima pendurada em suas pestanas...
Harry voltou  sala comunal meia hora depois, e encontrou Hermione e Ron ocupando as melhores poltronas diante da lareira; quase todos os colegas j tinham ido dormir. Hermione estava escrevendo uma longa carta. J enchera metade de um pergaminho, que caa pela borda da mesa. Ron estava deitado no tapete da lareira, tentando terminar um dever de Transfigurao.
 - Por que demorou? - perguntou o amigo, quando Harry afundou na cadeira ao lado de Hermione.
Harry no respondeu. Estava em estado de choque. Metade dele queria contar a Ron e Hermione o que acontecera, mas a outra metade queria levar o segredo para o tmulo.
 - Voc est se sentindo bem, Harry? - perguntou Hermione examinando-o por cima da ponta da pena.
Harry encolheu os ombros indiferente. Na verdade, ele no sabia se estava ou no se sentindo bem.
 - Que foi? - perguntou Ron se erguendo nos cotovelos para olhar melhor o amigo. - Que aconteceu? 
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Harry no sabia muito bem como comear a contar, e continuava a no saber se queria contar. Quando acabara de decidir que no ia dizer nada, Hermione decidiu por ele.
 - Foi a Cho? - perguntou muito objetivamente. - Ela encostou voc na parede depois da reunio?
Abobalhado, Harry confirmou com a cabea. Ron deu risadinhas, s parando quando seu olhar encontrou o de Hermione.
 - Ento... ah... que  que ela queria? - perguntou ele fingindo displicncia.
 - Ela... - comeou Harry, meio rouco; pigarreou e tentou novamente. - Ela... ah...
 - Vocs se beijaram? - perguntou Hermione sem rodeios.
Ron se sentou to depressa que arremessou o tinteiro pelo tapete. Inteiramente alheio ao que fizera, olhou para Harry com grande interesse.
 - Ento? - quis saber.
Harry olhou de Ron, cujo rosto expressava um misto de curiosidade e hilaridade, para a testa levemente enrugada de Hermione, e confirmou com a cabea.
-HA!
Ron fez um gesto de vitria com o punho e desatou a rir to estridentemente que sobressaltou vrios segundanistas tmidos sentados junto  janela. Um sorriso relutante se espalhou pelo rosto de Harry ao ver Ron rolar pelo tapete. Hermione lanou a Ron um olhar de profundo desgosto, e voltou a sua carta.
 - E a? - perguntou Ron finalmente, encarando Harry - Como foi?
Harry refletiu por um momento.
 - mido - disse com sinceridade.
Ron emitiu um som que poderia indicar alegria ou nojo, era difcil dizer.
 - Porque ela estava chorando - continuou Harry pesaroso.
 - Ah - exclamou Ron, o sorriso se atenuando em seu rosto. Voc  ruim assim de beijo?
 - No sei - respondeu Harry, que no havia pensado na possibilidade, e se sentiu imediatamente preocupado. - Vai ver sou.
 - Claro que no  - disse Hermione distrada, ainda escrevendo a carta.
 - Como  que voc sabe? - perguntou Ron rispidamente.
 - Porque ultimamente Cho passa metade do tempo chorando respondeu distraidamente. - Chora na hora da comida, no banheiro, por toda parte. 
 - Mas, era de esperar que uns beijinhos a animassem - disse Ron sorrindo.
 - Ron - disse Hermione em tom muito solene, molhando a ponta da pena no tinteiro - voc  o legume mais insensvel que j tive a infelicidade de conhecer.
 - Que  que voc quer dizer com isso? - perguntou Ron indignado. - Que tipo de pessoa chora quando est sendo beijada?
 -  - disse Harry sentindo um ligeiro desespero - que tipo? Hermione olhou para os dois com uma expresso no rosto que
beirava a piedade.
 - Vocs no compreendem como a Cho est se sentindo neste momento?
 - No! - responderam Harry e Ron juntos. Hermione suspirou e descansou a pena.
 - Bom, obviamente ela est se sentindo muito triste, porque Cedric morreu. Depois, imagino que esteja se sentindo confusa porque gostava do Cedric e agora gosta do Harry, 
e no consegue entender de qual dos dois gosta mais. Depois, est se sentindo culpada, achando que  um insulto  memria do Cedric beijar o Harry, e deve estar preocupada com o que as outras pessoas vo dizer quando comear a sair com ele. E provavelmente no consegue entender seus sentimentos com relao a Harry, porque era ele quem estava junto quando Cedric morreu, ento tudo isso  muito confuso e doloroso. Ah, e est com medo de ser expulsa do time de quidditch da Ravenclaw porque est voando muito mal.
O fim de sua fala foi recebido com um silncio de breve aturdimento, ento Ron falou
 - Uma pessoa no pode sentir tudo isso ao mesmo tempo, explodiria.
 - S porque voc tem a amplitude emocional de uma colher de ch isto no significa que sejamos todos iguais - disse Hermione maldosamente, retomando sua pena.
 - Foi ela quem comeou - disse Harry. - Eu no teria... ela meio que me procurou... e no momento seguinte estava derramando lgrimas em cima de mim... eu no sabia o que fazer...
 - No  sua culpa, cara - disse Ron, parecendo assustado s de pensar.
 - Voc tinha de ser legal com ela - disse Hermione, erguendo os olhos ansiosa. - Voc foi, no?
 - Bom - respondeu Harry, um calor desagradvel subindo pelo rosto - eu meio que dei umas palmadinhas nas costas dela.
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Hermione parecia estar se controlando com extrema dificuldade para no olhar para o teto.
 - Bom, suponho que poderia ter sido pior. Vai voltar a v-la?
 - Terei, no ? Temos os encontros da AD, no temos?
 - Voc me entendeu - disse Hermione impaciente.
 ;; Harry no respondeu. As palavras da amiga descortinavam um cenrio de possibilidades assustadoras. Tentou se imaginar indo a algum lugar com Cho - Hogsmeade, talvez - e passando muitas horas sozinho com ela. Claro, ela estaria esperando que ele a convidasse depois do que acabara de acontecer... o pensamento provocou-lhe um aperto doloroso no estmago.
 - Ah, bom - disse Hermione distante, absorta outra vez em sua carta - voc ter muitas oportunidades para convid-la.
 - E se ele no quiser? - indagou Ron, que estivera observando Harry com uma expresso incomumente perspicaz.
 - No seja bobo - disse Hermione distrada. - Harry gosta dela h sculos, no , Harry?
Ele no respondeu. Verdade, gostava de Cho h sculos, mas sempre que imaginava uma cena envolvendo os dois era uma Cho se divertindo e no uma Cho soluando desconsolada em seu ombro.
 - Afinal para quem  que voc est escrevendo, Hermione? perguntou Ron, tentando ler o pergaminho que agora arrastava pelo cho. Hermione puxou-o para longe dele. 
 - Vtor.
 - Krum?
 - Quantos Vtor ns conhecemos?
Ron no respondeu, mas pareceu aborrecido. Os trs ficaram em silncio os vinte minutos seguintes, Ron terminando o trabalho de Transfigurao dando bufos de impacincia e riscando as frases; Hermione escrevendo sem parar at o fim do pergaminho, enrolando-o e lacrando-o; e Harry contemplando o fogo, desejando mais do que nunca que a cabea de Sirius aparecesse ali para lhe dar uns conselhos sobre garotas. Mas as chamas foram gradualmente baixando at s restarem brasas que se desfizeram em cinzas e, olhando ao seu redor, Harry viu que eram, mais uma vez, os ltimos a se retirarem da sala comunal.
 - Boa-noite - disse Hermione, dando um enorme bocejo a caminho da escada do dormitrio das meninas.
 - Que  que ela v no Krum? - perguntou Ron, enquanto ele e Harry subiam a escada do dormitrio dos meninos. ! 
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 - Bom - disse Harry, considerando a pergunta. - Acho que ele  mais velho, no ... e  um jogador internacional de quidditch...
 - , mas tirando isso - disse Ron, em tom irritado. - Quero dizer, ele  um babaca rabugento, no ?
 -  um pouquinho rabugento - disse Harry, cujos pensamentos continuavam em Cho.
Eles despiram as vestes e puseram os pijamas em silncio. Dean, Seamus e Neville j estavam dormindo. Harry guardou os culos sobre a mesinha-de-cabeceira e se meteu na cama, mas no fechou o cortinado; em vez disso, ficou contemplando o pedao estrelado de cu que via pela janela junto  cama de Neville. Se soubesse, 
na noite anterior, que em vinte e quatro horas iria beijar Cho Chang...
 - Noite - resmungou Ron, de algum ponto  direita.
 - Noite - respondeu Harry.
Talvez da prxima vez... se houver uma prxima vez... ela esteja um pouquinho mais feliz. Devia ter convidado Cho a sair; provavelmente ela esperasse por isso e agora estava realmente zangada com ele... ou ser que estava deitada na cama, ainda chorando por Cedric? No sabia o que pensar. As explicaes de Hermione tinham feito tudo parecer mais complicado em lugar de mais fcil de compreender.
Isso  o que eles deviam nos ensinar aqui, pensou, virando-se para o outro lado, como funciona o crebro das garotas... pelo menos seria mais til do que Adivinhao...
Neville fungou dormindo. Uma coruja piou l fora na noite.
Harry sonhou que estava de novo na sala da AD. Cho o acusava de t-la atrado ali sob falsos pretextos; disse que ele lhe prometera cento e cinqenta cartes de Sapos de Chocolate se ela aparecesse. Harry protestou... Cho gritava "Cedric me dava montes de cartes de Sapos de Chocolate, olhe aqui!" E ela tirava de dentro das vestes a mo cheia de cartes e os atirava no ar. Ento, Cho se transformou em Hermione, que disse " Voc prometeu, sim, Harry... acho que  melhor dar outra coisa a ela... que tal a sua Firebolt?" E Harry protestava que no podia dar a Cho a Firebolt, porque Umbridge a confiscara, e, afinal de contas, aquilo tudo era ridculo, ele s viera  sala da AD para pendurar algumas bolas de Natal com o formato da cabea de Dobby...
O sonho mudou...
Ele sentiu seu corpo liso, forte e flexvel. Estava deslizando entre barras de metal brilhante, pela pedra fria e escura... colado no cho, deslizando de barriga... estava escuro, contudo podia ver objetos  sua volta que refulgiam em cores estranhas e vibrantes... ele estava virando a cabea... ao primeiro relance via um corredor vazio... mas no...
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havia um homem sentado no cho mais adiante, o queixo cado sobre o peito, seu contorno brilhando no escuro...
Harry estirou a lngua... provou o cheiro do homem no ar... estava vivo mas atordoado... sentado  porta no fim do corredor...
Harry sentia vontade de morder o homem... mas precisava controlar o impulso... tinha coisa mais importante a fazer...
O homem estava se mexendo... uma capa prateada caiu de suas pernas quando ele se ps em p; e Harry viu seu contorno vibrante e difuso elevar-se acima de sua cabea, viu-o tirar uma varinha do cinto... no teve escolha... recuou ganhando altura do cho e atacou-o uma vez, duas, trs, enterrando suas presas na carne do homem, sentindo as costelas se partirem sob suas mandbulas, sentindo o sangue jorrar quente...
O homem gritou de dor... depois se calou... tombou de costas contra a parede... o sangue manchou o cho...
Sua cicatriz doa horrivelmente... parecia que ia se romper...
 - Harry! HARRY!
Ele abriu os olhos. Cada centmetro do seu corpo estava coberto de suor gelado; sua roupa de cama se enrolara nele como uma camisade-fora; tinha a sensao de que um ferro em brasa estava marcando sua testa.
 - Harry!
Ron estava parado junto dele, parecia extremamente assustado. Havia mais vultos ao p da cama de Harry. Ele apertou a cabea com as mos; a dor o cegava... ele se virou e vomitou no cho.
 - Ele est passando mal de verdade - disse uma voz cheia de pavor. - No devamos chamar algum?
 - Harry! Harry!
Ele precisava contar a Ron, era muito importante contar a ele... respirando o ar em grandes sorvos, Harry se levantou da cama, fazendo fora para no vomitar outra vez, a dor embaando sua viso.
 - Seu pai - ofegou, seu peito subia e descia. - Seu pai... foi atacado...
 - Qu? - exclamou Ron sem compreender.
 - Seu pai! Foi mordido,  grave, tinha sangue por toda parte...
 - vou buscar ajuda - disse a mesma voz apavorada, e Harry ouviu algum sair correndo do dormitrio.
 - Harry, cara - disse Ron inseguro - voc... foi s um sonho...
 - No! - protestou Harry enfurecido; era fundamental que Ron entendesse.
 - No foi um sonho... no foi um sonho comum... eu estava l, vi acontecer... fui eu que o ataquei... 
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Ele ouvia Seamus e Dean resmungando, mas no se importou. A dor em sua testa diminuiu um pouco, embora ele ainda suasse e tremesse febrilmente. Ele tornou a vomitar, e Ron deu um salto para trs para sair do caminho.
 - Harry, voc no est bem - disse com a voz hesitante. - Neville foi buscar ajuda.
 - Eu estou timo! - engasgou-se Harry, limpando a boca no pijama e tremendo descontrolado. - No tem nada errado comigo,  com o seu pai que voc tem de se preocupar... precisamos descobrir onde  que ele est... est sangrando feito 
louco... eu era... foi uma cobra enorme.
Ele tentou sair da cama, mas Ron o empurrou de volta. Dean e Seamus continuavam a cochichar ali perto. Harry no sabia se passara um minuto ou dez; simplesmente ficou sentado tremendo, sentindo a dor na cicatriz diminuir muito lentamente... ento ouviu passos apressados subindo as escadas e tornou a ouvir a voz de Neville.
 - Aqui, professora.
A Prof McGonagall entrou correndo no dormitrio, trajando o seu roupo escocs, os culos tortos na ponte do nariz ossudo.
 - Que foi, Potter? Onde est doendo?
Ele nunca sentira tanto prazer em v-la; era de um membro da Ordem da Fnix que estava precisando, e no de algum que cuidasse dele e receitasse poes inteis.
 -  o pai de Ron - disse ele, tornando a se sentar. - Foi atacado por uma cobra e  grave, eu vi acontecer.
 - Como assim, voc viu acontecer? - perguntou a professora, contraindo as sobrancelhas escuras. ;
 - No sei... eu estava dormindo e ento estava l... 
 - Voc quer dizer que sonhou com isso?
 - No! - disse Harry zangado; ser que ningum entendia? Primeiro eu estava sonhando uma coisa completamente diferente, uma coisa boba... ento o sonho foi interrompido. Foi real, eu no imaginei nada. O Sr. Weasley estava adormecido no cho e foi atacado por uma cobra gigantesca, tinha muito sangue, ele desmaiou, algum tem de descobrir onde  que ele est...
A Prof McGonagall olhava para ele atravs dos culos tortos, como se horrorizada com o que via.
 - Eu no estou mentindo e no estou enlouquecendo - disse Harry, alteando a voz at gritar. - Estou dizendo que vi acontecer!
 - Eu acredito em voc, Potter - disse McGonagall brevemente. Vista o seu roupo vamos ver o diretor.
, - CAPTULO VINTE E DOIS -
Hospital St. Mungus para Doenas e Acidentes Mgicos
Harry ficou to aliviado que ela o tivesse levado a srio que nem hesitou, saltou da cama imediatamente, vestiu o roupo e reps os culos no nariz.
 - Weasley, venha voc tambm - disse a Prof McGonagall.
Eles passaram com a professora pelas figuras silenciosas de Neville, Dean e Seamus, saram do dormitrio, desceram a escada em espiral at a sala comunal, atravessaram o buraco do retrato e foram pelo corredor da Mulher Gorda iluminado pelo luar. Harry sentiu que o pnico em seu estmago extravasaria a qualquer momento; queria correr, gritar por Dumbledore; o Sr. Weasley estava sangrando enquanto eles percorriam calmamente o corredor, e se aquelas presas (Harry fez fora para no pensar em "minhas presas") contivessem veneno? Passaram por Mrs. Norris, que virou seus olhos de holofote para eles e bufou levemente, mas a Prof McGonagall disse "Ch", e a gata se enfurnou nas sombras, e poucos minutos depois chegavam  grgula de pedra que guardava a entrada dos aposentos de Dumbledore.
 - Delcia Gasosa - disse a professora.
A grgula ganhou vida e saltou para o lado; a parede atrs se dividiu em duas e revelou uma escada de pedra que se movia continuamente para o alto, como uma escada rolante em espiral. Os trs subiram; a porta se fechou com um baque surdo e eles subiram em crculos fechados at alcanar uma porta de carvalho excepcionalmente lustrosa com uma maaneta de lato em forma de grifo.
Embora passasse muito da meia-noite, ouviam-se vozes no interior da sala, uma verdadeira babel. Parecia que Dumbledore estava recebendo no mnimo umas doze pessoas.
A Prof McGonagall bateu trs vezes com a aldrava em forma de grifo e as vozes cessaram abruptamente como se algum as tivesse desligado. A porta se abriu sozinha e a professora entrou com Harry e Ron.
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A sala estava mergulhada em sombras; os estranhos instrumentos sobre as mesas estavam silenciosos e imveis em vez de zumbir e expelir baforadas de fumaa como habitualmente faziam; os antigos diretores e diretoras nos retratos que cobriam as paredes dormiam contidos em suas molduras. Atrs da porta, um magnfico pssaro vermelho e dourado do tamanho de um cisne cochilava no poleiro com a cabea sob uma das asas.
 - Ah,  a senhora, Prof McGonagall... e... ah. Dumbledore estava sentado em uma cadeira de espaldar alto, 
escrivaninha; inclinou-se para o crculo de luz das velas que iluminavam os papis  sua frente. Usava um magnfico roupo bordado em prpura e dourado sobre uma camisa de dormir muito branca, mas parecia bem acordado, seus penetrantes olhos azuis fixavam atentamente a professora.
 - Prof. Dumbledore, Potter teve um... bom, um pesadelo comeou McGonagall. - Ele diz que...
 - No foi um pesadelo - completou Harry depressa.
A professora 
olhou para Harry, franzindo ligeiramente a testa.
 - Muito bem, ento, Potter, conte ao Prof. Dumbledore.
 - Eu... bom, eu estava dormindo... - disse Harry e, mesmo em seu desespero de fazer Dumbledore compreender, sentia-se levemente irritado que o diretor no olhasse para ele, mas examinasse os prprios dedos entrelaados. - Mas no foi um sonho comum... foi real... eu vi acontecer... - Harry tomou flego. - O pai de Ron, o Sr. Weasley, foi atacado por uma cobra gigantesca.
As palavras pareceram ecoar depois que ele as pronunciou, soando ligeiramente ridculas, at cmicas. Fez-se uma pausa em que Dumbledore se recostou e contemplou o teto, meditativo. Ron olhava de Harry para Dumbledore, o rosto plido e chocado.
 - Como foi que voc viu isso? - perguntou Dumbledore calmamente, ainda sem olhar para Harry.
 - Bom... no sei - disse Harry meio zangado; que diferena fazia?
 - Na minha cabea, suponho...
 - Voc no me entendeu - disse Dumbledore, mantendo a voz calma. - Quero dizer... voc se lembra... ah... em que posio voc estava enquanto assistia a esse ataque? Voc estava talvez parado ao lado da vtima, ou contemplava a cena do alto? ;
A pergunta era to curiosa que Harry boquiabriu-se com Dumbledore; era quase como se ele soubesse...
 - Eu era a cobra. Vi tudo do ponto de vista da cobra. 
Ningum falou por um momento, ento Dumbledore, agora
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olhando para Ron, que continuava cor de coalhada, perguntou em um novo tom mais enrgico
 - Arthur ficou gravemente ferido?
 - Ficou - respondeu Harry enfaticamente, por que eram to lentos para compreender, ser que no sabiam como uma pessoa sangrava quando presas daquele tamanho furavam o corpo dela? E por que Dumbledore no podia fazer a gentileza de encar-lo?
Mas o diretor se ergueu to depressa que deu um susto em Harry, e se dirigiu a um dos antigos retratos pendurados muito prximo do teto
 - Everard? - chamou repentinamente em voz alta. - E voc tambm Dilys!
Um bruxo de cara plida, com uma franja preta curta, e uma bruxa idosa, com longos cachos prateados, no quadro ao lado, ambos parecendo profundamente adormecidos, abriram os olhos imediatamente.
 - Vocs estavam escutando? - perguntou Dumbledore. O bruxo assentiu e a bruxa respondeu
 - Naturalmente.
 - O homem tem cabelos ruivos e usa culos - disse Dumbledore.
 - Everard, voc precisa dar o alarme, providencie para que ele seja encontrado pelas pessoas certas...
Os dois confirmaram com a cabea e se deslocaram lateralmente de seus quadros, mas, em vez de surgirem nos quadros vizinhos (como normalmente acontecia em Hogwarts), nenhum dos dois reapareceu. Um quadro agora exibia apenas um pano de fundo escuro, o outro, uma bela poltrona de couro. Harry reparou que vrios dos outros diretores e diretoras nas paredes, embora roncassem e babassem convincentemente, no paravam de espi-lo por baixo das plpebras fechadas, e de repente ele entendeu quem estava falando quando bateram na porta.
 - Everard e Dilys foram dois dos diretores mais famosos de Hogwarts - explicou Dumbledore, agora contornando Harry, Ron e a Prof McGonagall para se aproximar do magnfico pssaro adormecido no poleiro ao lado da porta. - A fama deles foi to grande que ambos tm retratos pendurados em outras importantes instituies bruxas vizinhas. Como tm liberdade de se deslocar entre os prprios retratos, podem nos contar o que pode estar acontecendo em outros lugares...
 - Mas o Sr. Weasley poderia estar em qualquer lugar! - exclamou Harry.
 - Por favor, sentem-se, os trs - pediu Dumbledore, como se
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Harry no tivesse falado. - Everard e Dilys talvez demorem a voltar. Prof McGonagall, se puder providenciar mais umas cadeiras.
McGonagall puxou a varinha do bolso do roupo e acenou; do nada, apareceram trs cadeiras, de madeira e espaldar reto, muito diferentes das confortveis poltronas de chintz que Dumbledore conjurara na audincia de Harry. O garoto se sentou, espiando o diretor por cima do ombro. O diretor agora acariciava com o dedo a cabea dourada de Fawkes. A fnix acordou imediatamente. Esticou a bela cabea para o alto, e ficou observando Dumbledore com seus olhos brilhantes 
e escuros.
 - Vamos precisar - disse ele  ave em voz baixa - de um aviso. Uma labareda lampejou no ar e a fnix desapareceu.
Em seguida, Dumbledore se encaminhou para um dos frgeis instrumentos de prata cuja funo Harry no conhecia, levou-o para a escrivaninha, sentou-se em frente e tocou o instrumento com a ponta da varinha.
O instrumento ganhou vida, imediatamente, produzindo tinidos rtmicos. Pequeninas baforadas de fumaa verde plido saram de um minsculo tubo de prata em cima. Dumbledore mirou a fumaa com ateno, a testa profundamente vincada. Passados alguns segundos, a fumacinha se transformou em um jorro constante de fumaa que espiralou pelo ar... e surgiu na ponta uma cabea de cobra, com a boca muito aberta. Harry ficou se perguntando se o instrumento estaria confirmando sua histria olhou pressuroso para Dumbledore, buscando um sinal de que estava certo, mas o diretor no ergueu a cabea.
 - Naturalmente, naturalmente - murmurou Dumbledore, ainda observando a fumaa, sem manifestar o menor sinal de surpresa. Mas dividida na essncia?
Para Harry, aquela pergunta no tinha p nem cabea. A cobra de fumaa, porm, se dividiu instantaneamente em duas cobras, que se enroscaram e ondearam no aposento mal-iluminado. Com uma expresso de penosa satisfao, Dumbledore deu mais um leve toque com a varinha no instrumento; o tinido foi se tornando mais lento at morrer, e as cobras de fumaa empalideceram, viraram uma nvoa difusa e desapareceram.
Dumbledore reps o instrumento na mesinha frgil em que estava. Harry viu muitos dos diretores nos retratos acompanharem seus gestos com os olhos, ento, percebendo que Harry os observava, depressa fingiram que estavam dormindo como antes. Harry queria perguntar para que servia aquele curioso instrumento, mas, antes que pudesse faz-lo, ouviram um grito vindo do alto da parede  direita;
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o bruxo chamado Everard reaparecera em seu quadro, ligeiramente ofegante.
 - Dumbledore!
 - Quais so as notcias? - indagou o diretor imediatamente.
 - Gritei at algum aparecer - disse o bruxo, que enxugava a testa com a cortina ao fundo - falei que tinha ouvido alguma coisa andando no andar de baixo; eles no sabiam se deviam acreditar em mim, mas desceram para verificar; voc sabe, no h quadros l embaixo de onde se possa espiar. Seja como for, eles o trouxeram para cima alguns minutos depois. No parecia nada bem, estava coberto de sangue; corri para o retrato de Elfrida Cragg para poder ver melhor quando saram.
 - Bom - disse Dumbledore ao mesmo tempo que Ron fazia um movimento convulsivo. - Suponho que Dilys o tenha visto chegar, ento...
E, momentos depois, a bruxa de cachos prateados reapareceu em seu quadro, tambm; tossindo, ela afundou na poltrona e disse
 - Eles o levaram para o St. Mungus, Dumbledore... passaram pelo meu retrato carregando-o... ele me pareceu mal...
 - Obrigado. - Dumbledore olhou para a Prof McGonagall.
 - Minerva, preciso que voc v acordar os outros garotos Weasley.
 -  claro...
A professora se levantou e se dirigiu apressada  porta. Harry lanou um olhar de esguelha para Ron, que parecia aterrorizado.
 - Dumbledore... e a Molly? - perguntou McGonagall, parando  porta.
 - Ser uma tarefa para Fawkes quando ela terminar de vigiar se h algum se aproximando - disse Dumbledore. - Mas Molly talvez j saiba... aquele relgio maravilhoso que tem...
Harry sabia que o diretor estava se referindo ao relgio que informava no as horas, mas o paradeiro e a condio dos vrios membros da famlia Weasley, e, com uma pontada, lembrou que o ponteiro correspondente ao Sr. Weasley devia, ainda agora, estar apontando para perigo mortal. Mas era muito tarde. A Sra. Weasley provavelmente estava dormindo e no olhando para o relgio. Harry sentiu um frio ao lembrar do sem-forma que se transformara no corpo sem vida do Sr. Weasley, seus culos tortos, o sangue escorrendo pelo seu rosto... mas ele no ia morrer... no podia...
Dumbledore agora remexia em um armrio s costas de Harry e Ron. Voltou carregando uma velha chaleira escurecida, que colocou cuidadosamente sobre a escrivaninha. Ergueu a varinha e murmurou
Portus!" Por um momento, a chaleira estremeceu, emitindo uma estranha luz azul; em seguida deu um ltimo estremeo e parou, escura como antes.
Dumbledore se dirigiu a outro retrato, desta vez o de um bruxo de cara inteligente e barba em ponta, que fora pintado usando as cores verde e prata da Slytherin, e, pelo jeito, dormia to profundamente que no ouvira a voz do diretor tentando acord-lo.
 - Fineus. Fineus.
Os retratados que cobriam as paredes do aposento 
j no fingiam estar dormindo; mexiam-se em suas molduras para ver melhor o que estava acontecendo. Quando o bruxo inteligente continuou a fingir que dormia, alguns deles gritaram o seu nome tambm.
 - Fineus! Fineus! FINEUS!
Ele no pde mais fingir; estremeceu teatralmente e arregalou os olhos.
 - Algum me chamou?
 - Preciso que voc visite outra vez o seu outro quadro, Fineus disse Dumbledore. - Tenho outra mensagem.
 - Visitar meu outro quadro? - exclamou Fineus com voz aguda, fingindo um longo bocejo (seu olhar correu pelo aposento e se fixou em Harry). - Ah, no, Dumbledore, estou cansado demais esta noite.
Alguma coisa na voz de Fineus pareceu familiar a Harry; onde a ouvira? Mas, antes que pudesse se lembrar, os retratos nas paredes  volta prorromperam em protestos.
 - Insubordinao, senhor! - bradou um corpulento bruxo de nariz vermelho, erguendo os punhos. - Negligncia para com o dever!
 - Temos o compromisso de honra de prestar servios ao atual diretor de Hogwarts! - exclamou um bruxo velho de aparncia frgil em quem Harry reconheceu o antecessor de Dumbledore, Armando Dippet. - Que vergonha, Fineus!
 - Devo persuadi-lo, Dumbledore? - perguntou uma bruxa de olhos de verruma, erguendo uma varinha incomumente grossa que lembrava um basto de vidoeiro.
 - Ah, muito bem - concordou o bruxo chamado Fineus, espiando a varinha com uma ligeira apreenso - embora, a essa altura, ele talvez j tenha destrudo o meu retrato, j se desfez da maioria da minha famlia...
 - Sirius no sabe destruir o seu retrato - disse Dumbledore, e Harry percebeu imediatamente onde ouvira a voz de Fineus antes saa da moldura aparentemente vazia em seu quarto no largo Grimniauld. - D a ele o recado de que Arthur Weasley foi gravemente
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ferido e que a esposa dele, filhos e Harry Potter chegaro em sua casa daqui a pouco. Entendeu?
 - Arthur Weasley, ferido, mulher, filhos e Harry Potter se hospedaro - recitou Fineus entediado. - Sim, sim... muito bem.
Ele tornou a entrar na moldura do retrato e desapareceu de vista no mesmo instante em que a porta do aposento se abriu. Fred, George e Giny vieram acompanhados pela Prof McGonagall, os trs parecendo amarfanhados e em estado de choque, ainda vestindo as roupas de dormir.
 - Harry... que  que est acontecendo? - perguntou Giny, que parecia amedrontada. - A Prof McGonagall disse que voc viu papai ser ferido...
 - Seu pai foi ferido durante um servio para a Ordem da Fnix informou Dumbledore antes que Harry pudesse falar. - Foi levado para o Hospital St. Mungus para Doenas e Acidentes Mgicos. vou mandar vocs para a casa de Sirius, que  muito mais prxima do hospital do que A Toca. Vocs vo se encontrar com sua me l.
 - Como  que ns vamos? - perguntou Fred, abalado. - P de Flu?
 - No. No momento o P de Flu no  seguro, a rede est sendo vigiada. Vocs vo usar uma Chave de Portal. - Ele indicou a velha chaleira que descansava inocentemente sobre a escrivaninha. Estamos apenas aguardando as informaes de Fineus Nigellus... quero ter certeza de que no h perigo para despachar vocs...
Apareceu uma labareda bem no meio do aposento, depois uma nica pena dourada que flutuou suavemente at o cho.
 -  o aviso de Fawkes - disse Dumbledore, recolhendo a pena quando caiu. - A Prof Umbridge j deve saber que vocs esto fora de suas camas... Minerva, v distra-la, conte-lhe qualquer histria...
A Prof McGonagall saiu num ruge-ruge de tecido escocs.
 - Ele diz que ficar encantado - disse uma voz cheia de tdio atrs de Dumbledore; o bruxo chamado Fineus reaparecera diante de sua bandeira da Slytherin. - Meu trineto sempre teve um gosto esquisito em termos de hspedes.
 - Venham aqui, ento - falou Dumbledore a Harry e aos Weasley. - E depressa, antes que mais algum aparea.
Harry e os outros se agruparam em torno da escrivaninha de Dumbledore.
 - Vocs j usaram uma Chave de Portal antes? - perguntou ele, e os garotos confirmaram com a cabea, cada um esticando a mo para tocar em alguma parte da chaleira enegrecida. - timo. Quando eu contar trs, ento... um... dois... 
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Aconteceu em uma frao de segundo na pausa infinitesimal antes de Dumbledore dizer "trs", Harry olhou para ele, estavam todos muito juntos, e os olhos azul-claros do diretor passaram da Chave do Portal para o rosto do garoto.
Na mesma hora, a cicatriz de Harry queimou como se fosse tocada por um ferro em brasa, como se a velha cicatriz tivesse se rompido
 - e involuntrio, indesejado, mas apavorantemente forte, nasceu em Harry um dio to poderoso 
que o fez sentir naquele instante que s queria atacar - morder - enterrar as presas no homem  frente dele...
 - ... trs.
Harry sentiu um forte puxo atrs do umbigo, o cho sumiu sob seus ps, sua mo colada  chaleira; colidiu com os outros enquanto avanavam velozmente em uma voragem de cores e uma lufada de vento, a chaleira puxando-os para diante... at que seus ps bateram no cho com tanta fora que seus joelhos dobraram, a chaleira caiu no cho com estrpito, e em algum lugar ali perto algum falou
 - De volta, os pirralhos do traidor do sangue.  verdade que o pai deles est morrendo?
 - FORA! - vociferou uma segunda voz.
Harry se levantou depressa e olhou  volta; tinham chegado  sombria cozinha do poro do largo Grimmauld, doze. As nicas fontes de luz eram o fogo e uma vela derretida, que iluminavam os restos de um jantar solitrio. Kreacher ia desaparecendo pela porta do corredor, lanando-lhes olhares malvolos ao mesmo tempo que repuxava a tanga; Sirius veio correndo ao seu encontro, parecendo ansioso. Estava barbado e com as roupas que usara durante o dia; havia nele tambm um ligeiro bafo de bebida que lembrava Nundungus.
 - Que  que est acontecendo? - perguntou, estendendo a mo para ajudar Giny a se levantar. - Fineus Nigellus falou que Arthur est gravemente ferido...
 - Pergunte ao Harry - respondeu Fred.
 - E, quero ouvir isso com os meus prprios ouvidos - disse George. Os gmeos e Giny olhavam fixamente para o amigo. Os passos de
Kreacher haviam parado na escada.
 - Foi - comeou Harry, isso era pior do que contar a McGonagall e a Dumbledore. - Tive uma... uma espcie de... viso...
E contou a todos o que vira, embora alterasse a histria para parecer que assistira dos bastidores quando a cobra atacou, e no atravs dos olhos da prpria cobra. Ron que continuava muito plido, lanou a Harry um olhar fugaz, mas no fez comentrios. Quando Harry terminou, Fred, George e Giny continuaram de olhos nele. Harry no sabia se estava ou no imaginando, mas achou que havia um qu de
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II
acusao no olhar dos garotos. Bom, se iam culp-lo s por ver o ataque, estava contente de no ter contado que na hora ele estava dentro da cobra.
 - Mame j chegou? - perguntou Fred, virando-se para Sirius.
 - Provavelmente ela ainda nem sabe o que aconteceu - disse Sirius. - O importante era vocs virem antes que a Umbridge pudesse interferir. Espero que Dumbledore esteja avisando a Molly agora.
 - Temos de ir ao St. Mungus - disse Giny em tom urgente. E olhou para os irmos; eles,  claro, ainda estavam de pijama. - Sirius, voc pode nos emprestar capas ou outra coisa qualquer para vestir?
 - Esperem, vocs no podem sair correndo para o St. Mungus! falou Sirius.
 - Claro que podemos ir ao St. Mungus se quisermos - disse Fred, com uma expresso obstinada. - Ele  nosso pai!
 - E como  que vocs vo explicar como souberam que Arthur foi atacado antes mesmo do hospital avisar a mulher dele?
 - Que diferena faz? - perguntou George exaltado.
 - Faz diferena, porque no queremos chamar ateno para o fato de que Harry est tendo vises de coisas que acontecem a quilmetros de distncia! - disse Sirius aborrecido. - Vocs tm idia do que o Ministrio faria com essa informao?
Fred e George fizeram cara de quem no se importava nem um pouco com o que o Ministrio pudesse fazer com coisa alguma. Ron continuava extremamente plido e silencioso.
Giny disse
 - Algum poderia ter nos contado... poderamos ter sabido o que aconteceu por outra pessoa que no o Harry.
 - Quem, por exemplo? - perguntou Sirius impaciente. - Escutem, seu pai foi ferido a servio da Ordem da Fnix e as circunstncias j so bastante suspeitas sem os filhos dele saberem o que aconteceu segundos depois, vocs poderiam prejudicar seriamente a Ordem...
 - No estamos interessados nessa Ordem idiota! - gritou Fred.
 - Estamos falando do nosso pai que est morrendo! - berrou George.
 - Seu pai sabia no que estava se metendo e no vai agradecer a vocs por estragarem as coisas para a Ordem! - retorquiu ele igualmente zangado. - E assim que , e  por isso que vocs no pertencem  Ordem, vocs no entendem, h coisas pelas quais vale a pena
morrer!
 - E fcil para voc falar, preso aqui! - urrou Fred. - No vejo voc arriscando o seu pescoo! 
O pouco colorido que restava no rosto de Sirius desapareceu. Por um momento, pareceu que sua vontade era bater em Fred, mas quando voltou a falar, foi em um tom deliberadamente calmo.
 - Sei que  difcil, mas todos temos de agir como se ainda no soubssemos de nada. Temos de ficar quietos, pelo menos at sua me dar notcias, est bem?
Fred e George continuavam rebelados. Giny, porm, foi at a cadeira mais prxima e se afundou nela. Harry olhou para Ron, que fez um movimento engraado entre um aceno de cabea e uma sacudidela de ombros, e sentaram-se tambm. Os gmeos continuaram a olhar feio 
para Sirius por mais um minuto, ento se acomodaram um de cada lado de Giny
 - Muito bem - disse Sirius animando-os - andem, vamos todos tomar alguma coisa enquanto esperamos. Acio Cerveja amanteigada!
Ele ergueu a varinha, e meia dzia de garrafas vieram voando da despensa em direo a eles, espalhando os restos da refeio de Sirius e parando em ordem diante de cada um dos seis. Todos beberam e por algum tempo os nicos sons foram a crepitao das chamas no fogo da cozinha e as batidas surdas das garrafas na mesa.
Harry s estava bebendo para ocupar as mos com alguma coisa. Seu estmago estava cheio de remorsos que ferviam e borbulhavam. No estariam aqui se no fosse ele; todos ainda estariam dormindo em suas camas. E no adiantava dizer a si mesmo que ao dar o alarme permitira que encontrassem o Sr. Weasley, porque havia ainda a questo inevitvel de ter sido ele quem atacara o Sr. Weasley, para comear.
No seja idiota, voc no tem presas, disse mentalmente, tentando se acalmar, embora a mo que segurava a garrafa de cerveja tremesse, voc estava deitado na cama, no estava atacando ningum...
Mas, ento, que foi que aconteceu na sala de Dumbledore?, perguntou-se. Senti vontade de atac-lo tambm...
Reps a garrafa na mesa, com um pouco mais de fora do que pretendia, e derramou-a. Ningum lhe prestou ateno. Ento uma erupo de chamas no ar iluminou os pratos sujos diante deles e, enquanto gritavam assustados, um pergaminho caiu com um baque surdo na mesa, acompanhado por uma nica pena da cauda da fnix.
 - Fawkes! - exclamou Sirius na mesma hora, apanhando o pergaminho. - No  a letra de Dumbledore deve ser uma mensagem de sua me, tome...
Ele entregou a carta na mo de George, que rompeu o lacre e leu em voz alta "Papai ainda est vivo. Estou indo para o St. Mungus agora. Fiquem onde esto. Mandarei notcias assim que puder. Mame!'
George olhou para todos. , , ,
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 - Ainda est vivo... - disse lentamente. - Mas d a impresso que...
Ele no precisou terminar a frase. Harry tambm teve a impresso de que o Sr. Weasley estava entre a vida e a morte. Ainda excepcionalmente plido, Ron ficou olhando para o verso da carta da me como se o pergaminho pudesse dizer alguma coisa que o consolasse. Fred puxou-o da mo de George e leu, depois olhou para Harry, que sentindo novamente a mo tremer na garrafa de cerveja amanteigada, apertou-a com mais fora para parar o tremor.
No se lembrava de ter jamais feito uma viglia noturna mais longa. Sirius sugeriu uma vez, sem muita convico, que fossem todos dormir, mas os olhares de desagrado dos Weasley foram resposta suficiente. A maior parte do tempo ficaram em silncio ao redor da mesa, observando o pavio da vela minguar aos poucos at desaparecer na cera lquida, levando ocasionalmente uma garrafa  boca, falando apenas para saber as horas, perguntar em voz alta o que estaria acontecendo, e tranqilizar um ao outro que se houvesse ms notcias eles as saberiam na hora, porque a Sra. Weasley j devia ter chegado havia muito tempo no St. Mungus.
Fred cochilou, a cabea balanando frouxamente sobre o pescoo. Giny se enroscou como um gato na cadeira, mas mantinha os olhos abertos; Harry os via refletir as chamas do fogo. Ron deitara-se com a cabea nas mos, era impossvel dizer se acordado ou adormecido. Harry e Sirius se entreolhavam de vez em quando, intrusos no pesar da famlia, esperando... esperando...
s cinco e dez da manh, pelo relgio de Ron, a porta da cozinha abriu e a Sra. Weasley entrou. Estava muito plida, mas quando todos se viraram e Fred, Ron e Harry fizeram meno de se levantar das cadeiras, ela deu um sorriso abatido.
 - Ele vai ficar bom - disse com a voz enfraquecida pelo cansao.
 - Agora est dormindo. Podemos ir v-lo mais tarde. Bill est lhe fazendo companhia no momento; vai tirar a manh de folga.
Fred tornou a se sentar com as mos no rosto. George e Giny se levantaram, correram a abraar a me. Ron deu uma risada muito trmula e virou o resto de sua cerveja amanteigada de uma vez.
 - Caf da manh! - anunciou Sirius em voz alta e feliz, levantando-se de um salto. - Onde anda aquele maldito elfo domstico? Kreacher! Creacher!
Mas Kreacher no atendeu ao seu chamado.
 - Ah, esquece - resmungou Sirius, contando as pessoas presentes.
 - Ento,  caf da manh para... vejamos... sete... bacon e ovos, acho, ch e torradas...
Harry se levantou depressa e foi para o fogo ajudar. No queria
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se intrometer na alegria dos Weasley e temia o momento em que a Sra. Weasley iria lhe pedir para contar sua viso. Porm, mal acabara de apanhar os pratos no armrio e ela j os tirava de sua mo e o puxava para um abrao.
 - No sei o que teria acontecido se no fosse voc, Harry - disse Molly com 
a voz abafada. - No teriam encontrado Arthur to cedo, e ento seria tarde demais, mas graas a voc ele est vivo e Dumbledore pde pensar em uma boa desculpa para Arthur estar onde estava, seno voc nem faz idia da encrenca em que ele se meteria, veja o que aconteceu com o coitado do Sturgius...
Harry mal conseguia suportar essa gratido, mas felizmente ela o soltou e se virou para Sirius para lhe agradecer ter tomado conta dos seus filhos a noite inteira. Sirius disse que se alegrava de poder ajudar, e esperava que todos ficassem ali at o Sr. Weasley sair do hospital.
 - Ah, Sirius, fico to agradecida... acham que ele vai ficar hospitalizado durante algum tempo, e seria maravilhoso estar mais perto... naturalmente isto talvez signifique passar o Natal aqui.
 - Quanto mais melhor! - disse Sirius, com uma sinceridade to bvia que a Sra. Weasley sorriu para ele radiante, vestiu um avental e comeou a ajud-lo a fazer o caf da manh.
 - Sirius - murmurou Harry incapaz de agentar mais um minuto sequer. - Posso dar uma palavrinha? Ah... agora?
Ele entrou na despensa escura e Sirius o seguiu. Sem prembulo, contou ao padrinho cada detalhe da viso que tivera, inclusive o fato de que ele prprio fora a cobra que atacara o Sr. Weasley. 
Quando parou para tomar flego, Sirius perguntou
 - Voc contou isso a Dumbledore?
 - Contei - disse Harry impaciente - mas ele no me disse o que significava. Bom, ele no me diz mais nada.
 - Tenho certeza de que teria dito se fosse caso para se preocupar
 - disse Sirius com firmeza.
 - Mas no  s isso - disse Harry, num tom s um pouquinho acima de um sussurro. - Sirius, acho... acho que estou ficando doido. Na sala de Dumbledore, pouco antes de embarcarmos na Chave de Portal... por uns dois segundos pensei que era uma cobra, me senti como uma cobra, minha cicatriz doeu muito quando eu olhei para Dumbledore, Sirius, tive vontade de atac-lo!
Ele s conseguia enxergar uma nesga do rosto de Sirius; o resto estava escuro.
 - Isso deve ter sido conseqncia da viso, nada mais - disse Sirius. - Voc ainda estava pensando no sonho ou qualquer coisa assim...
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 - No foi isso, no - replicou Harry balanando a cabea - foi como se uma coisa despertasse dentro de mim, como se houvesse uma cobra dentro de mim.
 - Voc precisa dormir - falou Sirius com firmeza. - Voc vai tomar caf e subir para dormir, depois do almoo poder ir ver o Arthur com os outros. Voc est em estado de choque, Harry; est se culpando por uma coisa que apenas presenciou, e foi uma sorte ter presenciado ou Arthur teria morrido. Pare de se preocupar.
Ele deu uma palmada no ombro de Harry e saiu da despensa, deixando o afilhado sozinho no escuro.
Todos menos Harry passaram o resto da manh dormindo. Ele subiu para o quarto que dividira com Ron nas ltimas semanas de frias, mas enquanto seu amigo se enfiou na cama e adormeceu em poucos minutos, ele se sentou completamente vestido, encostou-se nas frias barras metlicas da cama, intencionalmente sem conforto, decidido a no cochilar, aterrorizado com a perspectiva de se transformar em cobra durante o sono e quando acordasse descobrir que atacara Ron, ou ento de sair rastejando pela casa em busca de mais algum...
Quando Ron acordou, Harry fingiu ter dado um cochilo restaurador tambm. Os males dos garotos chegaram de Hogwarts enquanto estavam almoando, para poderem se vestir de Muggles e ir ao hospital. Todos menos Harry estavam desmedidamente felizes e tagarelas quando trocaram as vestes por jeans e camisetas. Quando Tonks e Olho-Tonto chegaram para acompanh-los a Londres, os garotos os receberam com alegria, achando graa no chapu-coco que Olho-Tonto usava, desabado para o lado para esconder o olho mgico, e lhe garantiram que Tonks, cujos cabelos estavam curtos e rosa vivo outra vez, atrairia muito menos ateno do que ele na viagem de metr.
Tonks estava muito interessada na viso que Harry tivera do ataque ao Sr. Weasley, assunto que ele no estava nem remotamente interessado em discutir.
 - No h sangue de Vidente em sua famlia, h? - perguntou ela curiosa, quando se sentaram lado a lado no trem que sacudia em direo ao centro da cidade.
 - No - respondeu Harry, pensando na Prof Trelawney e se sentindo insultado.
 - No - disse Tonks pensativa - no, suponho que no seja realmente profecia o que voc est fazendo, no ? Quero dizer, voc no est vendo o futuro, est vendo o presente...  esquisito, no , no? Mas  til... 
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Harry no respondeu; felizmente eles desembarcaram na estao seguinte, uma estao bem no centro de Londres, e, na afobao de descerem do trem, ele conseguiu deixar Fred e George se colocarem entre ele e Tonks, que ia  frente do grupo. Todos a seguiram na subida da escada rolante, Moody mancando atrs, o chapu-coco inclinado e uma das mos nodosas enfiada entre os botes do casaco, apertando a varinha. Harry pensou sentir o olho tampado fixo nele. 
Tentando evitar mais perguntas sobre seu sonho, perguntou a OlhoTonto onde ficava escondido o St. Mungus.
 - No  muito longe, no - resmungou Moody, quando saam para o ar glido de inverno em uma rua larga, cheia de lojas apinhadas de gente que fazia compras de Natal. Ele empurrou Harry para sua frente, e se colocou imediatamente atrs do garoto; Harry sabia que o olho estava girando em todas as direes sob a aba inclinada do chapu. - No foi fcil encontrar um bom local para um hospital. No havia nenhum bastante grande no beco Diagonal e no podamos constru-lo embaixo da terra como fizemos com o Ministrio; no seria saudvel. Por fim, conseguiram encontrar um edifcio  superfcie. Em teoria, os bruxos doentes poderiam ir e vir e se misturar com a multido.
Ele segurou o ombro de Harry para impedir que fossem separados por um grupo animado que fazia compras e tinha a visvel inteno de chegar a uma loja de material eltrico prxima.
 - Aqui vamos ns - disse Moody logo depois.
Haviam chegado a uma loja de departamentos, grande, antiquada, em um edifcio de tijolos aparentes, chamada Purga & Sonda Ltda. O lugar tinha um aspecto malcuidado, miservel; as vitrines exibiam meia dzia de manequins lascados com as perucas tortas, dispostos aleatoriamente, vestindo roupas de pelo menos dez anos atrs. Grandes letreiros em todas as portas empoeiradas avisavam "Fechado para Reforma." Harry ouviu uma mulher corpulenta carregada de sacas plsticas comentar com a amiga ao passar "Esse lugar no abre nunca...
 - Muito bem - disse Tonks, chamando-os para uma vitrine onde no havia nada, exceto um manequim feminino particularmente feio. Suas pestanas estavam soltando e ela vestia uma bata de nilon verde
 - Todos preparados?
Todos assentiram, agrupando-se em torno dela. Moody deu mais um empurro nas costas de Harry para ele ficar mais  frente, e Tonks se encostou no vidro, olhando para o manequim horroroso, sua respirao embaando o vidro
 - E a, beleza! - cumprimentou. - Estamos aqui para visitar Arthur Weasley. >.-.
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Harry achou um absurdo Tonks esperar que o manequim a ouvisse falando to baixo atravs do vidro, com nibus rodando s suas costas e a poeira de uma rua cheia de gente. Ento lembrou que, de qualquer modo, manequins no ouviam. No momento seguinte sua boca se abriu de espanto quando o manequim fez um leve aceno com a cabea e um sinal com o indicador, e Tonks segurou Giny e a Sra. Weasley pelos cotovelos, atravessou o vidro e desapareceu.
Fred, Ron e George entraram em seguida. Harry deu uma olhada na multido que se acotovelava ao seu redor; aparentemente nenhum transeunte se dava o trabalho de olhar para vitrines feias como as do Purga & Sonda Ltda., nem reparavam em seis pessoas que tinham acabado de se dissolver  sua frente.
 - Vamos - rosnou Moody, dando mais uma cutucada nas costas de Harry, e juntos atravessaram algo que lhes lembrou uma cortina de gua fria, embora emergissem secos e aquecidos do outro lado.
No havia sinal do feio manequim ou do espao que ocupara. Encontravam-se em uma recepo movimentada, em que havia filas de bruxos e bruxas sentados em instveis cadeiras de madeira, alguns pareciam perfeitamente normais e folheavam exemplares antigos do Semanrio das Bruxas, outros exibiam medonhas deformaes como trombas de elefante ou mos sobressalentes saindo do peito. A sala no era menos barulhenta do que a rua l fora, porque vrios pacientes faziam rudos muito estranhos uma bruxa de rosto suado no meio da primeira fila, que se abanava energicamente com um exemplar do Profeta Dirio, no parava de soltar um silvo agudo e vapor pela boca, um bruxo com cara encardida a um canto badalava como um sino toda a vez que se mexia e, a cada badalada, sua cabea vibrava horrivelmente e ele precisava levar a mo s orelhas para faz-las parar.
Bruxos e bruxas de vestes verde-claras iam e vinham pelas filas fazendo perguntas e anotaes em pranchetas como a da Umbridge. Harry reparou que usavam um emblema bordado no peito uma varinha e um osso cruzados.
 - Eles so mdicos? - perguntou a Ron, com ar de espanto.
 - Mdicos? Aqueles Muggles doidos que cortam o corpo das pessoas? Nam, so Curandeiros.
 - Aqui! - chamou a Sra. Weasley, tentando se sobrepor s renovadas badaladas do bruxo no canto, e eles a acompanharam at a fila que se formara diante de uma bruxa gordinha e loura, a uma mesa marcada Informaes. Na parede atrs dela, havia uma quantidade de avisos e cartazes do tipo UM CALDEIRO LIMPO IMPEDE QUE AS POES VIREM VENENO e NO SE DEVEM USAR ANTDOTOS A NO SER APROVADOS POR UM CURANDEIRO QUALIFICADO.
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Havia ainda um grande retrato de uma bruxa com longos cachos prateados com uma placa:
Dilys Derwent
Curandeira do St. Mungus 1722-1741 Diretora da Escola de Magia 
e Bruxaria de Hogwarts 1741-1768
Dilys examinava o grupo dos Weasley como se os contasse; quando seu olhar encontrou o de Harry, a bruxa lhe deu uma piscadela, deslocou-se para o quadro ao lado e desapareceu.
Entrementes, na fila  frente, um jovem bruxo executava um estranho improviso de jiga e tentava, entre ganidos de dor, explicar sua situao  bruxa da recepo.
 - So esses... ui... sapatos que meu irmo me deu... ai... esto comendo os meus... UI... ps... olhe s para eles, devem ter algum tipo de... ARRRRE... maldio neles e no consigo ARRRRRRE... tir-los. - Ele pulava de um p para o outro como se danasse sobre carves em brasa.
 - Os sapatos no o impedem de ler, ou impedem? - disse a bruxa loura, apontando irritada para um quadro  esquerda de sua mesa. Voc precisa ir a Danos Causados por Feitios, no quarto andar. Exatamente como est listado no quadro dos andares. Prximo!
Quando o bruxo saiu danando e mancando de lado, os Weasley avanaram alguns passos e Harry leu o quadro
ACIDENTES COM ARTEFATOS: 
Trreo
Exploso de caldeiro, retroverso de feitio, acidentes com vassouras etc. FERIMENTOS CAUSADOS POR BICHOS: 
1 andar
Mordidas, picadas, queimaduras, espinhas encravadas etc. VRUS MGICOS : 2 andar
Doenas contagiosas, tais como , 
varola dragonina, doenas evanescentes, escrofngulos etc. ENVENENAMENTO POR PLANTAS E POES 
3 andar
Urticrias, regurgitao, acessos contnuos de riso etc.
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DANOS CAUSADOS POR FEITIOS
4 andar
Maldies e feitios irreversveis, feitios malfeitos etc.
SALO DE CH DOS VISITANTES/ LOJA DO HOSPITAL 
5 andar
SE NO TIVER CERTEZA AONDE SE DIRIGIR, NO CONSEGUIR FALAR NORMALMENTE OU NO SE
se LEMBRAR DE QUEM , A NOSSA BRUXA-RECEPCIONISTA
 TER PRAZER EM ORIENT-LO.
Um bruxo muito velho e curvado com uma trompa para surdos arrastara-se at o primeiro lugar da fila.
 - Estou aqui para visitar Broderick Bode - disse num sussurro asmtico.
 - Enfermaria quarenta e nove, mas receio que esteja perdendo o seu tempo - respondeu ela, dispensando-o. - Est completamente confuso, entende, ainda acha que  uma chaleira. Prximo.
Um bruxo atarantado segurava pelo tornozelo a filhinha, que se agitava em volta de sua cabea usando imensas asas de penas que saam das costas da roupa.
 - Quarto andar - disse a bruxa com a voz entediada sem perguntar nada, e o homem desapareceu pelas portas duplas ao lado da mesa, segurando a filha como se fosse um balo de formato extravagante. Prximo!
A Sra. Weasley se aproximou da mesa.
 - Ol, meu marido, Arthur Weasley, deveria ter sido transferido para outra enfermaria hoje pela manh, pode nos dizer...?
 - Arthur Weasley? - repetiu a bruxa, correndo o dedo por uma longa lista  sua frente. - Foi, primeiro andar, segunda porta  direita, Enfermaria Dai Llewellyn.
 - Obrigada. Vamos gente.
Eles a seguiram pelas portas duplas e pelo corredor longo e estreito enfeitado com mais retratos de bruxos famosos, iluminados por bolhas de cristal cheias de velas que flutuavam junto ao teto e lembravam gigantescas bolhas de sabo. Mais bruxas e bruxos de vestes verde-claras entravam e saam pelas portas por onde passavam; um gs amarelo e malcheiroso invadiu o corredor quando emparelharam com uma das portas, e de vez em quando eles ouviam gritos distantes. Subiram um lance de escadas e chegaram ao corredor de Ferimentos Causados por Bichos, onde a segunda porta  direita estava
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sinalizada com o letreiro Enfermaria Dai Llewellyn para Acidentes "Perigosos" Mordidas Graves. Logo abaixo, havia um carto em uma moldura de lato no qual algum escrevera Curandeiro Responsvel Hipocrates Smethwyck. Curandeiro Estagirio Augusto Pye.
 - Vamos aguardar aqui fora, Molly - disse Tonks. - Arthur no vai gostar de receber tantas visitas ao mesmo tempo... primeiro entra a famlia.
Olho-Tonto resmungou sua aprovao  idia e se postou  porta com as costas apoiadas na parede do corredor, o olho mgico girando em todas as direes. Harry se afastou tambm, mas a Sra. Weasley esticou o brao e puxou-o pela porta, dizendo
 - No seja tolo, Harry, Arthur quer lhe agradecer.
A enfermaria era pequena e um tanto escura, porque a nica janela era estreita e ficava no alto da parede 
oposta  porta. A maior parte da iluminao vinha de mais bolhas de cristal agrupadas no meio do teto. As paredes eram forradas de painis de carvalho, e havia na parede um retrato de um bruxo de cara maligna em cuja placa se lia Urquhart Rackharrow, 1612-1697, Inventor do Feitio para Expelir Tripas.
S havia trs pacientes. O Sr. Weasley ocupava a cama ao fundo da enfermaria ao lado da janelinha. Harry ficou satisfeito e aliviado ao ver que ele estava recostado em vrios travesseiros lendo o Profeta Dirio,  luz do solitrio raio de sol que incidia sobre sua cama. Arthur ergueu os olhos quando o grupo se encaminhou para ele e, vendo quem eram, abriu um grande sorriso.
 - Ol! - falou, pondo o Profeta de lado. - Bill acabou de sair, Molly, precisou voltar ao trabalho, mas diz que passa para v-la mais tarde.
 - Como  que voc est, Arthur? - perguntou a Sra. Weasley, curvando-se para lhe dar um beijo na bochecha, e examinando com ansiedade o seu rosto. - Voc ainda est bem abatido.
 - Estou me sentindo perfeitamente bem - respondeu o marido animado, esticando o brao ileso para abraar Giny. - Se pudessem retirar as bandagens, eu estaria pronto para ir para casa.
 - Por que  que no podem retir-las, papai? - perguntou Fred. - Bom, comeo a sangrar como louco todas as vezes que tentam
 - explicou o Sr. Weasley animado, apanhando a varinha sobre o armrio ao lado da cama e acenando para conjurar seis cadeiras do lado de sua cama, e acomodar todos. - Parece que havia um veneno incomum nas presas daquela cobra que mantm as feridas abertas. mas eles tm certeza de que encontraro um antdoto, dizem que j tiveram casos piores do que o meu, nesse meio-tempo s preciso
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beber uma Poo para Repor o Sangue de hora em hora. J aquele sujeito ali - disse baixando a voz e indicando com a cabea a cama do lado oposto, na qual um homem de aspecto verdoso e doentio olhava fixamente para o teto. - Foi mordido por um lobisomem, coitado. No tem cura.
 - Lobisomem? - sussurrou a Sra. Weasley, fazendo uma cara assustada. - No tem perigo ele ficar em uma enfermaria coletiva? No devia estar num quarto particular?
 - Faltam duas semanas para a lua cheia - lembrou-lhe o Sr. Weasley, calmo. - Estiveram conversando com ele hoje de manh, os Curandeiros, sabem, tentando convenc-lo de que poder levar uma vida quase normal. Eu disse a ele, no mencionei nomes,  claro, mas disse que conhecia pessoalmente um lobisomem, um sujeito muito bom, que acha fcil administrar esse problema.
 - E que foi que ele respondeu? - perguntou George.
 - Que me daria mais uma mordida se eu no calasse a boca disse o Sr. Weasley tristemente. - E aquela mulher l adiante - ele indicou a outra cama ocupada ao lado da porta - no quis contar aos Curandeiros o que foi que a mordeu, o que faz a gente pensar que devia estar mexendo com alguma coisa ilegal. Mas, fosse o que fosse, arrancou-lhe um pedao da perna, o cheiro  muito ruim quando removem os curativos.
 - Ento, o senhor vai nos contar o que aconteceu, papai? - perguntou Fred, aproximando a cadeira da cama.
 - Bom, vocs j sabem, no? - disse o Sr. Weasley, dando um sorriso expressivo para Harry. -  muito simples, eu tive um dia muito longo, cochilei, fui apanhado e mordido.
 - Saiu no Profeta que voc foi atacado? - perguntou Fred apontando para o jornal que o pai pusera de lado.
 - No,  claro que no - respondeu o Sr. Weasley com um sorriso amargurado - o Ministrio no iria querer que todos soubessem que uma enorme cobra me...
 - Arthur! - alertou-o a Sra. Weasley.
 - ... me... ah... mordeu - completou ele apressadamente, embora Harry no tivesse muita certeza de que era aquilo que ele pretendia dizer.
 - Ento onde  que voc estava quando isso aconteceu, papai? perguntou George.
 - Isso  s da minha conta - respondeu o pai, embora dando um sorrisinho. E apanhando o jornal, sacudiu-o para abrir as pginas e disse - Eu estava lendo sobre a priso de Willy Widdershins quando vocs chegaram. Sabem que descobriram que era ele quem estava por
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trs daqueles banheiros que regurgitaram no vero? Uma das maldies saiu pela culatra, o vaso sanitrio explodiu e ele foi encontrado, inconsciente, nos destroos que o cobriram dos ps  cabea em...
 - Quando voc diz que estava "em servio" - interrompeu-o Fred em voz baixa - que  que voc estava fazendo?
 - Voc ouviu o que seu pai disse - sussurrou a Sra. Weasley. No vamos discutir isto aqui! Continue 
a histria do Willy Widdershins, Arthur.
 - Bom, no me pergunte como, mas o fato  que ele se livrou da acusao do banheiro - comentou o Sr. Weasley, carrancudo. - S posso supor que correu ouro...
 - Voc estava guardando ela, no era? - perguntou George em voz baixa. - A arma? A coisa que Voc-Sabe-Quem est procurando?
 - George, cale a boca! - repreendeu-o a Sra. Weasley.
 - Em todo o caso - disse o Sr. Weasley alteando a voz - agora Willy foi apanhado vendendo a Muggles maanetas que mordem, e acho que desta vez ele no vai conseguir se livrar to fcil porque, segundo o jornal, dois Muggles perderam os dedos e agora esto no St. Mungus para recuperar os ossos e apagar a memria. Imagine s, Muggles no St. Mungus! Em que enfermaria ser que esto?
E ele olhou a toda volta, como se esperasse ver um letreiro.
 - Voc no disse que Voc-Sabe-Quem tem uma cobra, Harry?
 - perguntou Fred, com os olhos no pai para observar sua reao. Uma cobra enorme? Voc a viu na noite em que ele voltou, no foi?
 - J chega - disse a Sra. Weasley, aborrecida. - Olho-Tonto e Tonks esto no corredor, Arthur, querem entrar para v-lo. E vocs podem esperar l fora - acrescentou ela para os filhos e Harry. Podem vir se despedir depois. Vo andando.
Os garotos saram em fila para o corredor. Olho-Tonto e Tonks entraram e fecharam a porta da enfermaria ao passar. Fred ergueu as sobrancelhas.
 - timo - disse calmamente, vasculhando os bolsos - que assim seja. No nos contem nada.
 - Est procurando isso? - indagou George, mostrando um emaranhado de fios cor de carne.
 - Voc leu meus pensamentos - disse Fred, sorrindo. - Vamos ver se o St. Mungus pe Feitios de Imperturbabilidade nas portas das enfermarias?
Ele e George desembaraaram os fios, separaram cinco Orelhas Extensveis e as distriburam entre todos. Harry hesitou em apanhar a sua.
 - Vamos, Harry, apanhe uma! Voc salvou a vida de papai. Se algum tem o direito de escutar atrs da porta  voc.
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Sorrindo contrafeito, Harry apanhou uma ponta do fio e inseriu-a no ouvido, como haviam feito os gmeos.
 - OK, agora! - sussurrou Fred.
Os fios cor de carne se agitaram como longos fiapos de vermes e deslizaram por baixo da porta. A princpio, Harry no ouviu nada, em seguida se assustou quando escutou Tonks sussurrando claramente como se estivesse ao seu lado.
 - ... eles vasculharam a rea toda, mas no conseguiram encontrar a cobra em lugar algum. Parece ter desaparecido depois de atacar voc, Arthur... mas Voc-Sabe-Quem no poderia ter esperado que uma cobra entrasse, poderia?
 - Calculo que a tenha mandado para vigiar - rosnou Moody - porque at agora ele no teve sorte, no ? Imagino que esteja tentando formar um quadro mais claro do que precisa enfrentar, e, se Arthur no estivesse l, a fera teria tido muito mais tempo para espionar. Ento, Potter diz que viu tudo acontecer?
 -  - respondeu a Sra. Weasley. Parecia bastante inquieta. - Sabe, Dumbledore chegou a me dar a impresso de que estava aguardando que Harry visse uma coisa dessas.
 - Ah, bom - disse Moody - tem alguma coisa estranha no menino Potter, todos sabemos.
 - Dumbledore se mostrou preocupado com Harry quando falei com ele hoje de manh - cochichou a Sra. Weasley.
 - Claro que est preocupado - engrolou Moody. - O garoto est vendo coisas de dentro da cobra de Voc-Sabe-Quem. Obviamente, Potter no compreende o que isso significa, mas se Voc-Sabe-Quem
estiver possuindo ele...
Harry arrancou a Orelha Extensvel do ouvido, o corao martelando disparado e o calor afluindo ao seu rosto. Ele olhou para os outros. Todos o encaravam, os fios ainda pendurados nas orelhas, os rostos repentinamente amedrontados.
CAPTULO VINTE E TRS
Natal na enfermaria fechada
Era por isso que Dumbledore no queria mais olhar Harry nos olhos? Ser que esperava ver Voldemort olhando atravs deles, receoso talvez que o verde vivo de repente pudesse virar vermelho, com pupilas estreitas e verticais como as de um gato? Harry se lembrava de como o rosto ofdico de Voldemort uma vez irrompera da nuca do Prof. Quirrell e passara os dedos pela prpria cabea, e se perguntava agora como seria se Voldemort irrompesse do seu crnio.
Sentiu-se sujo, contaminado como se fosse portador de um vrus letal, indigno de se sentar na viagem de volta ao lado de gente inocente e limpa, cujos corpos e mentes no estavam maculados por Voldemort... ele no apenas vira a cobra, ele fora a cobra, sabia disso
agora...
Ocorreu-lhe ento um pensamento, uma lembrana que emergira em sua mente, e que fazia suas entranhas se contorcerem como
cobras.
Que  que ele queria, alm de seguidores?
Uma coisa que s poderia obter escondido... como uma arma. Algo que
no possua da ltima vez.
 - Eu sou a arma - pensou Harry, era como 
se estivessem injetando veneno em suas veias, enregelando-o, fazendo-o suar no balano do trem ao atravessar o tnel escuro. - Sou eu que Voldemort est tentando usar,  por isso que existem guardas  minha volta aonde vou, no  para me proteger,  para proteger as outras pessoas, s que no est funcionando, no podem pr gente me guardando o tempo todo em Hogwarts... Eu ataquei o Sr. Weasley ontem  noite, fui eu.
Voldemort me levou a fazer isso e pode estar dentro de mim neste
instante, escutando os meus pensamentos...
 - Voc est bem, Harry, querido? - cochichou a Sra. Weasley,
inclinando-se por cima de Giny para falar com ele, enquanto o trem
sacudia tnel afora. - Voc no est me parecendo muito bem. Est
enjoado?
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Todos olharam para ele. Harry balanou a cabea violentamente e ergueu a cabea para ler um anncio de seguro de casas.
 - Harry, querido, voc tem certeza de que est bem? - a Sra. Weasley repetiu a pergunta preocupada, quando contornavam a relva malcuidada no centro do largo Grmniauld. - Voc est ficando cada vez mais plido... tem certeza de que dormiu hoje de manh? Suba logo para o seu quarto e durma umas duas horas antes do jantar, est bem?
Ele concordou com a cabea; ali estava uma desculpa de bandeja para no conversar com ningum, que era exatamente o que ele queria, ento, quando abriram a porta, ele passou correndo pelo portaguarda-chuvas de perna de trasgo, subiu as escadas e entrou no quarto que dividia com Ron.
Ali, comeou a andar de um lado para outro, passando pelas camas e a moldura vazia do retrato de Fineus Nigellus, seu crebro borbulhante de perguntas e idias sempre mais assustadoras.
Como foi que ele virar cobra? Talvez fosse um animago... no, no podia ser, ele saberia... talvez Voldemor fosse um animago... , pensou Harry isto encaixaria, ele naturalmente se transformaria em cobra... e quando est me possuindo, ento ns dois... mas isso ainda no explica como fui a Londres e voltei para a minha cama num espao de cinco minutos... mas, por outro lado, Voldemort  o bruxo mais poderoso do mundo, excluindo Dumbledore, provavelmente no seria problema para ele transportar algum nessa velocidade.
E ento, com uma horrvel pontada de pnico, pensou mas isto  uma insanidade - se Voldemort est me possuindo, eu estou dando a ele uma viso ntida da sede da Ordem da Fnix neste momento! Ele saber quem pertence  Ordem e onde Sirius est... e ouvi um monte de coisas que no deveria ter ouvido, tudo que Sirius me contou na noite em que cheguei...
S havia uma coisa a fazer teria de abandonar o largo Grimmauld neste instante. Passaria o Natal em Hogwarts sem os outros, o que pelo menos os manteria sos e salvos durante as festas... mas no, no adiantaria, ainda havia muita gente em Hogwarts para ele aleijar e ferir... E se fosse Seamus, Dean ou Neville da prxima vez? Ele interrompeu a caminhada e parou, olhando para a moldura vazia de Fineus Nigellus. Uma sensao de peso estava assentando no fundo do seu estmago. No tinha alternativa, teria de voltar para a Privet Drive, cortar completamente seus vnculos com outros bruxos.
Bom, se tinha de fazer isso, pensou, no adiantava continuar ali. Esforando-se ao mximo para no pensar como os Dursley iriam reagir quando o encontrassem  porta de entrada seis meses antes do esperado, ele se encaminhou para o seu malo, bateu a tampa e
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trancou-o  chave, depois automaticamente correu os olhos pelo quarto  procura de Edwig antes de lembrar que ela ficara em Hogwarts - bom, a gaiola seria uma coisa a menos a carregar - 
passou ento a mo em uma extremidade da mala e j a arrastara metade do caminho at a porta quando uma voz debochada perguntou
 - Est fugindo, ?
Ele se virou. Fineus Nigellus apareceu na tela do seu quadro, apoiado na moldura, e olhava Harry com uma expresso divertida no
rosto.
 - No, no estou fugindo - respondeu Harry secamente, arrastando o malo mais alguns passos pelo quarto.
 - Pensei - disse Fineus Nigellus, acariciando a barba em ponta que para pertencer  Grifindore a pessoa precisava ser corajosa. Est me parecendo que voc teria se dado melhor na minha casa. Ns da Slytherin somos corajosos, sim, mas no somos burros. Por exemplo, se nos derem opo, sempre escolheremos salvar a pele.
 - No  a minha pele que estou salvando - disse Harry tenso, puxando o malo por um trecho do tapete rodo de traas particularmente irregular em frente  porta.
 - Ah, estou entendendo - disse o bruxo, ainda acariciando a barba - isso no  uma fuga covarde, voc est sendo nobre.
Harry ignorou-o. Sua mo j estava na maaneta quando Fineus Nigellus disse indolentemente
 - Tenho um recado de Alvo Dumbledore para voc. Harry se virou totalmente.
 - Qual ?
 - Fique onde est.
 - Eu no me mexi! - exclamou Harry a mo ainda na maaneta.
 - Ento, qual  o recado?
 - Eu acabei de lhe dar, bobalho - disse Fineus Nigellus serenamente. - Dumbledore manda dizer Fique onde est.
 - Por qu? - perguntou Harry ansioso, deixando cair o malo. Por que ele quer que eu fique? Que mais ele disse?
 - S isso - respondeu Fineus, erguendo uma sobrancelha fina e negra, como se achasse Harry impertinente.
A irritao de Harry veio  tona como uma cobra emergindo da relva alta. Estava exausto, estava confuso alm da conta, experimentara terror, alvio, e novamente terror nas ltimas doze horas, e ainda assim Dumbledore no queria falar com ele!
 - Ento  s isso? - disse em voz alta. - Fique onde est. Foi s o que me disseram tambm quando fui atacado por aqueles Dementadores! Fique parado enquanto os adultos resolvem o problema,
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Harry! Mas no vamos nos dar ao trabalho de lhe dizer nada, porque o seu pequeno crebro talvez no possa entender!
 - Sabe - disse Fineus Nigellus, em tom ainda mais alto do que Harry - era exatamente por isso que eu detestava ser professor! Os jovens so to infernalmente convencidos de que tm absoluta razo em tudo. Ser que ainda no lhe ocorreu, meu pobre presunoso empolado, que pode haver uma excelente razo para o diretor de Hogwarts no confiar a voc cada pequeno detalhe dos planos dele? Voc nunca parou, ao se sentir desprezado, a observar que a obedincia s ordens de Dumbledore nunca o colocou em perigo? No. No, como todos os jovens, voc tem certeza de que s voc sente e pensa, s voc reconhece o perigo, s voc  bastante inteligente para perceber o que o Lorde das Trevas est planejando...
 - Ento ele est planejando alguma coisa com relao a mim? perguntou Harry depressa.
 - Foi isso que eu disse? - retorquiu Fineus Nigellus, examinando indolentemente suas luvas de seda. - Agora, se me d licena, tenho mais a fazer do que escutar as agonias de um adolescente... um bom dia para voc.
E ele deslizou para a borda da moldura e desapareceu de vista.
 - timo, ento v! - berrou Harry para a moldura vazia. - E diga ao Dumbledore que eu agradeo por nada!
A tela vazia continuou silenciosa. Espumando, Harry arrastou o malo de volta aos ps da cama, e se atirou de cara para baixo nas cobertas rodas de traas, de olhos fechados, seu corpo pesado e dolorido.
Tinha a sensao de ter viajado quilmetros sem fim... parecia impossvel que havia menos de vinte e quatro horas Cho Chang se aproximara dele sob o ramo de visgo... ele estava to cansado... tinha medo de adormecer... mas no sabia quanto tempo resistiria ao sono... Dumbledore lhe dissera para ficar... isto devia significar que podia dormir... mas tinha medo... e se acontecesse outra vez?
Ele foi afundando nas sombras...
Parecia que havia um filme em sua cabea esperando para comear. Ele se viu andando por um corredor deserto em direo a uma porta preta e simples, passando por paredes de pedra tosca, archotes, e um portal aberto para um lance de escada de pedra que descia  esquerda...
Chegou  porta fechada, mas no conseguiu abri-la... ficou parado olhando, desesperado para entrar... alguma coisa que ele desejava de todo o corao estava atrs da porta... um prmio que superava todos os seus sonhos... se ao menos sua cicatriz parasse de formigar... ento ele seria capaz de pensar com maior clareza...
 - Harry - disse a voz de Ron muito, muito distante - Mame mandou dizer que o jantar est pronto, mas que guarda alguma coisa se voc quiser continuar deitado.
Harry abriu os olhos, mas Ron j sara do quarto.
Ele no quer 
ficar sozinho comigo, pensou Harry. No depois do que ouviu Moody dizer.
Supunha que nenhum deles quisesse que ele continuasse ali, agora que sabiam o que havia dentro dele.
No desceria para jantar, no iria impor sua companhia a ningum. Virou-se para o outro lado, e uns minutos depois voltou a adormecer. Acordou muito mais tarde, nas primeiras horas da manh, suas entranhas doendo de fome, e Ron roncando na cama ao lado. Apertando os olhos para enxergar, ele viu o contorno escuro de Fineus Nigellus outra vez no quadro e lhe ocorreu que Dumbledore provavelmente mandara o bruxo para vigi-lo, caso atacasse algum.
A sensao de estar sujo se intensificou. Quase desejou no ter obedecido a Dumbledore... se era assim que ia ser sua vida no largo Grimmauld, talvez ele estivesse melhor na Privet Drive.
Todos os outros passaram a manh seguinte pendurando decoraes de Natal. Harry no se lembrava de jamais ter visto Sirius to bemhumorado; estava at cantando msicas natalinas, aparentemente satisfeito porque iria ter companhia para o Natal. Harry ouvia a voz do padrinho ecoando atravs do soalho na fria sala de visitas onde se sentara sozinho, observando pelas janelas o cu empalidecer cada vez mais, ameaando nevar, sentindo o tempo todo um prazer selvagem de estar dando aos outros a oportunidade de continuarem a falar dele, como deviam estar fazendo. Quando ouviu a Sra. Weasley chamar seu nome baixinho ao p da escada, por volta da hora do almoo, ele se retirou para mais longe no andar de cima e ignorou o seu chamado.
Por volta das seis horas, a campainha tocou e a Sra. Black recomeou a gritar. Supondo que Nundungus ou outro membro da Ordem estivesse  porta, Harry simplesmente se acomodou mais confortavelmente contra a parede do quarto de Buckbeack onde se escondera, tentando no ligar para a fome que sentia enquanto dava ratos mortos ao hipogrifo. Levou um certo susto quando algum bateu com fora na porta alguns minutos depois.
 - Sei que voc est a - ouviu a voz de Hermione. - Quer fazer o favor de sair? Quero falar com voc.
 - Que  que voc est fazendo aqui? - perguntou Harry, abrindo a porta enquanto Buckbeack recomeava a arranhar o cho coberto de
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palha  procura de pedacinhos de rato que pudesse ter deixado cair. Pensei que estivesse esquiando com seus pais.
 - Bom, para dizer a verdade, esquiar no  bem a minha praia respondeu Hermione. - Ento vim passar o Natal aqui. - Havia neve em seus cabelos e seu rosto estava corado de frio. - Mas no conte ao Ron. Eu disse que esquiar era muito bom porque ele ficou rindo muito. Meus pais esto um pouco desapontados, mas eu falei que todos os alunos que esto levando os exames a srio ficaram em Hogwarts para estudar. Eles querem que eu me d bem, vo compreender. Em todo o caso - disse com energia - vamos para o seu quarto, a me de Ron acendeu a lareira de l e mandou sanduches. Harry acompanhou-a de volta ao segundo andar. Quando entrou no quarto ficou muito surpreso de ver Ron e Giny  sua espera, sentados na cama de Ron.
 - Vim no Nitibus Andante - disse Hermione despreocupada, tirando o casaco antes que Harry tivesse tempo de falar. - Dumbledore me contou o que aconteceu ontem de manh, mas precisei esperar o encerramento oficial do trimestre para viajar. A Umbridge j est lvida de raiva porque vocs desapareceram bem debaixo do nariz dela, embora Dumbledore tenha lhe explicado que o Sr. Weasley estava no St. Mungus, e dera a todos vocs permisso para visit-lo. Ento...
Ela se sentou ao lado de Giny, e as duas e Ron olharam para Harry.
 - Como  que voc est se sentindo? - perguntou Hermione.
 - timo - disse Harry rgido.
 - Ah, no mente, Harry - disse ela com impacincia. - Ron e Giny contaram que voc est se escondendo de todo o mundo desde que voltaram do hospital.
 - Disseram, foi? - comentou Harry olhando feio para Ron e Giny. Ron olhou para os ps, mas Giny continuou impassvel.
 - E est mesmo! E no quer olhar para nenhum de ns!
 - Vocs  que no querem olhar para mim! - respondeu Harry zangado.
 - Quem sabe vocs esto se revezando para olhar e por isso se desencontram - arriscou Hermione, os cantos da boca tremendo.
 - Muito engraado - retorquiu Harry, virando as costas.
 - Ah, pare de se sentir incompreendido - disse Hermione com rispidez. - Olha, os outros me contaram o que voc ouviu ontem  noite com as Orelhas Extensveis...
 - ? - rosnou Harry as mos enfiadas nos bolsos olhando a neve cair em densos flocos l fora. - Todos ficaram falando de mim, ? Muito bem, estou me acostumando.
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 - Ns queramos falar com voc - disse Giny - mas voc ficou se escondendo desde que voltamos...
 - Eu no queria que ningum falasse comigo - respondeu Harry, sentindo-se cada vez mais exasperado.
 - Pois foi burrice sua - disse Giny zangada - uma vez que no conhece ningum que tenha sido possudo por Voc-Sabe-Quem alm de mim, e eu posso lhe dizer como  que a pessoa se sente.
Harry ficou muito quieto quando o impacto dessas palavras 
o atingiu. Ento girou nos calcanhares para encarar Giny.
 - Eu me esqueci...
 - Sorte sua - disse Giny calmamente.
 - Me desculpe - pediu ele, e estava sendo sincero. - Ento... ento, voc acha que eu no estou possudo?
 - Bom, voc consegue se lembrar de tudo que faz? Voc tem longos perodos de ausncia em que no  capaz de dizer o que andou fazendo?
Harry tentou se lembrar.
 - No.
 - Ento Voc-Sabe-Quem nunca possuiu voc - disse Giny com simplicidade. - Quando ele fez isso comigo, eu no conseguia me lembrar onde tinha estado durante horas. Dava por mim em algum lugar, e no sabia como tinha ido parar l.
Harry nem ousava acreditar, sentiu diminuir o peso em seu peito independentemente de sua vontade.
 - Mas o sonho que tive sobre seu pai e a cobra...
 - Harry, voc j teve esses sonhos antes - disse Hermione. - Voc teve vises do que Voldemort estava tramando no ano passado.
 - Esta foi diferente - contestou ele balanando a cabea. - Eu estava dentro daquela cobra. Era como se eu fosse a cobra... e se Voldemort tiver me transportado para Londres?
 - Um dia - disse Hermione muito exasperada - voc vai ler Hogwarts uma histria, e talvez se lembre de que no  possvel materializar nem desmaterializar na escola. Nem mesmo Voldemort poderia fazer voc sair voando do seu dormitrio, Harry.
 - Voc no saiu de sua cama, cara - disse Ron. - Eu vi voc se debatendo no sono pelo menos um minuto antes de conseguirmos acord-lo.
Harry recomeou a andar de um lado para outro do quarto, refletindo. O que estavam lhe dizendo no consolava apenas, fazia sentido... sem pensar, ele tirou um sanduche do prato em cima da cama e estufou-o vorazmente na boca.
Ento eu no sou uma arma, pensou Harry. Seu peito inchou de
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felicidade e alvio e ele teve vontade de fazer coro a Sirius quando o ouviram passar pela porta do quarto em direo ao de Buckbeack, cantando "Deus lhes d a paz, alegres hipogrifos", a plenos pulmes.
Como  que ele poderia ter sonhado em voltar  Privet Drive para passar o Natal? O prazer de Sirius em ter de novo a casa cheia, e principalmente em ter Harry de volta, foi contagioso. Deixara de ser o anfitrio carrancudo do vero; agora parecia resolvido que todos deviam se alegrar tanto quanto ele, se no mais do que teriam se alegrado em Hogwarts, enquanto trabalhava sem descanso nos preparativos para o Dia de Natal, limpando e decorando a casa com a ajuda dos garotos, de modo que, quando finalmente todos foram se deitar na vspera do Natal, a casa estava quase irreconhecvel. Os lustres oxidados no tinham mais teias de aranha, mas guirlandas de azevinho e serpentinas douradas e prateadas; neve mgica brilhava em montes sobre os tapetes gastos; uma grande rvore de Natal obtida por Nundungus, e decorada com fadinhas vivas, ocultava a rvore genealgica da famlia de Sirius, e at as cabeas empalhadas de elfos na parede do corredor usavam gorros e barbas de Papai Noel.
Harry acordou na manh de Natal e encontrou uma pilha de presentes ao p da cama, Ron j estava abrindo a segunda metade de uma pilha bem maior.
 - Boa safra este ano - informou a Harry, atravs de uma nuvem de papel. - Obrigado pela Bssola para Vassouras,  excelente; melhor que o presente da Hermione ela me deu uma agenda para anotar deveres...
Harry procurou entre os seus presentes e encontrou um com a caligrafia de Hermione. A amiga lhe dera tambm um livro que parecia um dirio, exceto que todas as vezes que ele abria uma pgina ouvia coisas do tipo Faa hoje ou pague o preo!
Sirius e Lupin haviam presenteado Harry com uma coleo de excelentes livros, A magia defensiva na prtica e seu uso contra as artes das trevas, contendo esplndidas e comoventes ilustraes coloridas de todos as contra-maldies e os feitios descritos. Harry folheou o primeiro volume, curioso; dava para ver que seria extremamente til nos seus planos para a AD. Hagrid lhe mandara uma carteira de pele marrom que tinha presas, que ele supunha fosse um Feitio Antiladro, mas que infelizmente o impediu de us-la para guardar dinheiro sem perder os dedos. O presente de Tonks foi um pequeno modelo de Firebolt, que ele fez voar pelo quarto desejando ainda ter a sua verso em tamanho natural; Ron lhe dera uma enorme caixa de Fejezinhos de Todos os Sabores, o Sr. e a Sra. Weasley o costumeiro suter
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tricotado  mo e algumas tortas de frutas secas e especiarias, e Dobby um quadro realmente horrendo que Harry suspeitava ter sido pintado pelo prprio elfo. Acabara de vir-lo para ver se ficava melhor de cabea para baixo quando ouviram um craque, e 
Fred e George materializaram aos ps de sua cama.
 - Feliz Natal - desejou-lhe George. - No desa agora.
 - Por que no? - perguntou Ron.
 - Mame est chorando outra vez - comentou Fred pesaroso. Percy devolveu o pulver de Natal.
 - Sem nem um bilhete - acrescentou George. - No perguntou como vai o papai nem o visitou nem nada.
 - Tentamos consol-la - disse Fred, contornando a cama para espiar o quadro de Harry. - Eu disse a ela que Percy no passa de um monte de bosta de rato metido a besta.
 - No adiantou - comentou George, se servindo de um Sapo de Chocolate. - Ento Lupin nos substituiu. Acho que  melhor deixar que ele a console antes de descermos para o caf.
 - Afinal, que  que isso pretende retratar? - perguntou Fred apertando os olhos para entender o quadro de Dobby. - Parece um gibo com dois olhos negros.
 -  o Harry! - exclamou George, apontando para as costas do quadro. -  o que diz aqui!
 - Est bem parecido - comentou Fred rindo. Harry atirou nele a nova agenda de deveres; ela bateu na parede oposta e caiu no cho dizendo alegremente Se voc ps os pingos nos is e cortou os ts ento pode fazer o que quiser!
Eles se levantaram e se vestiram. Ouviam os vrios moradores da casa desejando "Feliz Natal" uns aos outros. Na descida, encontraram Hermione.
 - Obrigada pelo livro, Harry - disse ela feliz. - H sculos que eu andava querendo essa Nova teoria de numerologial E aquele perfume  realmente diferente, Ron.
 - Nem por isso - disse Ron. - Para quem  esse a? - perguntou, indicando com a cabea o presente muito bem embrulhado que Hermione carregava.
 - Kreacher - disse ela animada.
 - E melhor no ser roupa! - preveniu-a Ron. - Voc lembra o que o Sirius disse o Kreacher sabe demais, no pode ser libertado.
 - No  roupa - respondeu Hermione - embora, se eu pudesse, certamente lhe daria outra coisa para usar em vez daquele trapo imundo. No,  uma colcha de retalhos, achei que poderia alegrar o quarto dele. 
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 - Que quarto? - perguntou Harry, baixando a voz para cochichar pois estavam passando pelo retrato da me de Sirius.
 - Bom, o Sirius diz que no  bem um quarto,  mais uma toca explicou Hermione. - Pelo que sei, ele dorme embaixo do aquecedor naquele armrio junto  cozinha.
A Sra. Weasley era a nica pessoa no poro quando eles chegaram. Estava parada ao lado do fogo e parecia ter tido uma forte gripe quando lhes desejou "Feliz Natal", e todos desviaram o olhar.
 - Ah, ento esse  o quarto do Kreacher? - disse Ron, indo at uma porta encardida no canto oposto  despensa. Harry nunca a vira aberta.
 - E - disse Hermione, agora um pouco nervosa. - Hum... acho que  melhor batermos.
Ron bateu na porta com os ns dos dedos, mas no houve resposta.
 - Deve andar bisbilhotando l em cima - disse ele, e, sem maior hesitao, escancarou a porta. - Irra!
Harry espiou para dentro. A maior parte do armrio estava ocupada por um enorme aquecedor antigo, mas no espacinho embaixo da tubulao Kreacher arrumara para ele um lugar que se assemelhava a um ninho. Um emaranhado de trapos variados e cobertores velhos malcheirosos em que Kreacher se aconchegava para dormir toda noite. Aqui e ali, entre as roupas, havia po dormido e farelos embolorados de queijo. Em um canto, brilhavam pequenos objetos e moedas que Harry imaginava que o elfo tivesse salvo, como uma pega, do expurgo que Sirius estava fazendo na casa, e tambm conseguira salvar as fotografias de famlia que Sirius jogara fora durante o vero. Os vidros podiam estar partidos, mas as pessoas em preto e branco olhavam-no com arrogncia, inclusive - ele sentiu um solavanco no estmago - a mulher de cabelos negros e plpebras cadas a cujo julgamento ele assistira na Penseira de Dumbledore Belatrix Lestrange. Pelo jeito, a fotografia dela era a favorita de Kreacher; ele a colocara  frente das demais e colara o vidro inabilmente com fita adesiva.
 - Acho que vou deixar o presente dele a - disse Hermione, colocando o embrulho bem-feito no cncavo dos trapos e cobertas, e fechando silenciosamente a porta. - Ele o encontrar mais tarde, isto resolver.
 - Pensando bem - disse Sirius saindo da despensa com um enorme peru na hora em que eles fechavam a porta do armrio - algum tem visto o Kreacher ultimamente?
 - No o vejo desde a noite em que voltamos - respondeu Harry.
 - Voc estava expulsando o Kreacher da cozinha.
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 - ... - disse Sirius franzindo a testa. - Sabe, acho que essa foi a ltima vez que o vi tambm... deve estar escondido em algum lugar l fora.
 - Ele no poderia ter ido embora? - perguntou Harry. - Quero dizer, quando voc disse "fora", ser que ele no pensou que voc queria dizer fora da casa?
 - No, no, elfos domsticos no podem ir embora a no ser que ganhem roupas. Esto presos  casa 
da famlia.
 - Eles podem sair de casa se realmente quiserem - contraps Harry. - Dobby saiu da casa dos Malfoy para me dar avisos h trs anos. Tinha de se castigar depois, mas ainda assim saa.
Sirius pareceu ligeiramente desconcertado por um momento, ento disse
 - vou procur-lo depois, imagino que o encontre l em cima, se acabando de chorar em cima dos cales velhos da minha me ou coisa parecida. Naturalmente pode ter se escondido no armrio de ventilao e morrido... mas no devo alimentar esperanas.
Fred, George e Ron riram; Hermione, porm, pareceu censur-lo.
Depois do almoo natalino, os Weasley, Harry e Hermione estavam programando visitar mais uma vez o Sr. Weasley, acompanhados por Olho-Tonto e Lupin. Nundungus apareceu em tempo de provar o pudim de Natal e a sobremesa, tendo conseguido pedir um carro "emprestado" para a ocasio, pois o metr no funcionava no dia de Natal. O carro, que Harry duvidava muito que tivesse sido obtido com o consentimento do dono, fora ampliado por dentro com um feitio, como o do velho Ford Anglia da famlia Weasley. Embora externamente tivesse tamanho normal, dez pessoas, afora Nundungus no lugar do motorista, podiam se acomodar com conforto dentro dele. A Sra. Weasley hesitou antes de entrar - Harry sabia que sua desaprovao a Nundungus conflitava com o seu desagrado em viajar sem auxlio da magia - mas, finalmente, o frio que fazia na rua e as splicas dos filhos venceram, e ela se sentou de boa vontade no banco traseiro, entre Fred e Bill.
A viagem at o St. Mungus foi muito rpida porque quase no havia trfego nas ruas. Um punhadinho de bruxas e bruxos andava furtivamente pela rua, de outro modo deserta, a caminho do hospital. Harry e os outros desceram do carro, e Nundungus virou a esquina para aguard-los. Eles foram displicentemente at a vitrine onde havia o manequim vestido de nilon verde, ento, um a um, atravessaram o vidro.
A recepo assumira um ar agradavelmente festivo os globos de cristal que iluminavam o St. Mungus haviam sido coloridos de ver-
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melho e dourado, transformando-se em gigantescas bolas natalinas iluminadas; ramos de azevinho emolduravam todas as portas; e rvores de Natal brancas cintilavam em todos os cantos, cobertas de neve mgica e pingentes de gelo, e no alto uma estrela dourada. O local estava menos cheio do que da ltima vez, embora, a meio caminho do quarto, Harry se visse empurrado para o lado por uma bruxa com uma laranjinha entalada na narina esquerda.
 - Briga de famlia, eh? - disse a bruxa da recepo dando um sorriso pretensioso. - A senhora  a terceira que vejo hoje... Danos Causados por Feitios, quarto andar.
Encontraram o Sr. Weasley recostado na cama com os restos do almoo de Natal em uma bandeja sobre o colo e uma expresso acanhada no rosto.
 - Tudo bem, Arthur? - perguntou a Sra. Weasley, depois que todos o cumprimentaram e entregaram os presentes.
 - timo, timo - respondeu ele, um pouco animado demais. Voc... hum... no viu o Curandeiro Smethwyck, viu?
 - No - respondeu sua mulher desconfiada - por qu?
 - Nada, nada - tornou ele aereamente, comeando a desembrulhar a pilha de presentes. - Bom, todos passaram um bom dia? Que foi que vocs ganharam de Natal? Ah, Harry... isto  absolutamente maravilhoso] - Acabara de abrir o presente de chaves de parafuso e fio de solda que o garoto lhe dera.
A Sra. Weasley no parecia inteiramente satisfeita com a resposta do marido. Quando ele se inclinou para apertar a mo de Harry, ela deu uma espiada nas ataduras sob sua camisa.
 - Arthur, trocaram suas ataduras! Por que trocaram suas ataduras um dia antes, Arthur? Me disseram que no precisariam troc-las at amanh.
 - Qu? - exclamou o Sr. Weasley, parecendo um tanto assustado e puxando as cobertas para cobrir o peito. - No, no... no  nada... ... eu...
Ele pareceu esvaziar como um balo sob o olhar penetrante da Sra. Weasley.
 - Bom... no se aborrea, Molly, mas Augusto Pye teve uma idia... ele  o Curandeiro Estagirio, sabe, um rapaz timo e muito interessado em... hum... medicina complementar... quero dizer, alguns remdios tradicionais dos Muggles... eles chamam de pontos, Molly e do muito certo nos... nos ferimentos dos Muggles...
A Sra. Weasley deixou escapar um grito agourento, algo entre um grito e um rosnado. Lupin se afastou da cama em direo ao lobisomem, que no tinha visitas e observava tristemente o grupo que
rodeava o Sr. Weasley; Bill resmungou alguma coisa, pretextando ir apanhar uma xcara de ch, e Fred e George se levantaram de um pulo para acompanh-lo, sorrindo.
 - Voc est querendo me dizer - ela elevava a voz a cada palavra, aparentemente sem se dar conta de que seus acompanhantes estavam procurando um lugar para sumir - que anda se metendo com remdios de Muggles?
 - Me metendo no, Molly, querida 
 - disse ele em tom de splica - foi s... s uma coisa que Pye e eu quisemos experimentar... s que, infelizmente... bom, nesses tipos de ferimentos... no parece funcionar to bem quanto espervamos...
 - O que significa...?
 - Bom... bom, no sei se voc sabe o que... o que so pontos.
 - Parece que voc andou tentando costurar a sua pele - disse a Sra. Weasley com uma risada seca - mas nem voc, Arthur, poderia ser to burro...
 - Acho que tambm vou querer uma xcara de ch - disse Harry ficando em p.
Hermione, Ron e Giny quase correram para a porta com Harry. Quando a porta se fechou, eles ouviram a Sra. Weasley gritar "COMO ASSIM, ESSA  A IDIA GERAL?
 - E tpico do papai - disse Giny balanando a cabea quando seguiam pelo corredor. - Pontos...  mole...
 - Bem, sabe, eles funcionam com ferimentos no-mgicos - disse Hermione, querendo ser justa. - Suponho que alguma coisa no veneno daquela cobra os dissolve ou coisa parecida. Onde ser que fica o salo de ch?
 - Quinto andar - disse Harry, lembrando-se do letreiro atrs da bruxa na recepo.
Eles foram andando pelo corredor, passaram por portas duplas e descobriram uma escada desconjuntada ladeada de mais retratos de Curandeiros de cara cruel. Quando subiam, os vrios Curandeiros chamaram os garotos, diagnosticando males estranhos e sugerindo remdios horrveis. Ron ficou seriamente ofendido quando um bruxo medieval gritou que ele tinha um caso grave de sarapintose.
 - E o que  isso? - perguntou ele, zangado, enquanto o Curandeiro o perseguia por mais seis quadros, empurrando os ocupantes para o lado.
 -  uma doena gravssima da pele, jovem senhor, que vai deixlo marcado de bexigas e ainda mais horrendo do que j ...
 - Olha s quem est falando! - exclamou Ron com as orelhas ficando vermelhas. 
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 - ... o nico remdio  tirar o fgado de um sapo, at-lo firmemente ao seu pescoo, e na lua cheia o jovem senhor fica nu em uma barrica de olhos de enguia...
 - Eu no tenho sarapintose!
 - Mas as feias marcas em seu rosto, jovem senhor...
 - So sardas! - disse Ron furioso. - Agora volte para o seu quadro e me deixe em paz! - Ele se virou para os outros, que estavam decididos a se manter impassveis.
 - Que andar  esse?
 - Acho que  o quinto - disse Hermione. , ..
 - No,  o quarto - contestou Harry - mais um...
Mas, ao chegar ao patamar, ele parou de chofre, arregalando os olhos para uma pequena janela recortada nas portas duplas que marcavam o incio de um corredor com o letreiro DANOS CAUSADOS POR FEITIOS. Um homem os espiava com o nariz colado no vidro. Tinha cabelos louros ondulados, olhos azul-vivos e um grande sorriso fixo que revelava dentes ofuscantemente brancos.
 - Caracas! - exclamou Ron, olhando tambm para o homem.
 - Ah, minha nossa - exclamou Hermione de repente, parecendo ofegar. - Prof. Lockhart!
O antigo professor de Defesa Contra as Artes das Trevas abriu as portas e se encaminhou para eles, usando um longo roupo lils.
 - Ora, al, vocs a! - chamou. - Imagino que queiram o meu autgrafo, no ?
 - Ele no mudou nadinha! - murmurou Harry para Giny, que sorriu.
 - Hum... como vai, professor? - falou Ron, se sentindo um pouco culpado. Fora sua varinha defeituosa que afetara assim a memria de Lockhart, e ele fora parar no St. Mungus, mas como, na hora do acidente, o bruxo estivesse tentando apagar permanentemente as memrias dos garotos, a pena que Harry sentia era limitada.
 - Estou muito bem, obrigado - respondeu o professor exuberante puxando do bolso uma pena de pavo j muito amassada. - Ento, quantos autgrafos vocs querem? Agora aprendi a fazer escrita simultnea, sabem!
 - Hum... no momento no queremos nenhum, obrigado - disse Ron, erguendo as sobrancelhas para Harry, que perguntou
 - Professor, o senhor pode ficar passeando pelos corredores? No devia estar na enfermaria?
O sorriso desapareceu gradualmente do rosto de Lockhart. Por alguns momentos, ele mirou atentamente o rosto de Harry, depois disse
 - Ns j nos encontramos antes, no? 
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 - Ah... encontramos. O senhor costumava ensinar Defesa Contra as Artes das Trevas em Hogwarts, lembra?
 - Ensinar? - repetiu ele, parecendo ligeiramente perturbado. Eu? Ensinando?
Ento o sorriso reapareceu em seu rosto to inesperadamente que assustou.
 - Ensinei tudo que voc sabe, espero, no? Bom, que tal aqueles autgrafos, ento? Vamos dizer uma dzia, para vocs poderem distribuir aos amiguinhos, e ningum ser esquecido?
Mas nesse instante apareceu uma cabea  porta no fim do corredor e uma voz chamou
 - Gilderoy, seu garoto travesso, onde  que voc anda?
Uma 
Curandeira de aspecto maternal, usando uma guirlanda de pingentes de Natal nos cabelos, saiu depressa pelo corredor, sorrindo calorosamente para Harry e os outros.
 - Ah, Gilderoy, voc tem visitas! Que beleza, e no dia de Natal! Sabem, ele nunca recebe visitas, coitadinho, e no consigo imaginar por qu, ele  to gracinha, no ?
 - Estou dando autgrafos! - disse Gilderoy  Curandeira, com outro sorriso cintilante. - Eles querem muitos, e no aceitam no como resposta! S espero que tenhamos fotografias suficientes!
 - Escutem s ele - falou a Curandeira, segurando o brao de Lockhart e sorrindo carinhosamente para o bruxo como se ele fosse uma criana precoce de dois anos. - Ele era muito conhecido h alguns anos; temos esperanas de que esse gosto pelos autgrafos seja um sinal de que sua memria esteja voltando. Querem vir por aqui? Ele est em uma enfermaria fechada, sabem, deve ter escapulido enquanto eu entrava com os presentes de Natal, normalmente a porta fica trancada... no que ele seja perigoso! Mas - e ela baixou a voz e sussurrou -  um perigo para ele mesmo, Deus o abenoe... no sabe quem , entendem, sai por a e no consegue se lembrar como voltar... que bom vocs terem vindo v-lo.
 - Ah - fez Ron, apontando inutilmente para o andar de cima - na verdade, estvamos... ah...
Mas a Curandeira sorria para eles ansiosa, e o murmrio com que Ron disse "tomar uma xcara de ch" se perdeu. Os garotos se entreolharam impotentes e acompanharam Lockhart e a Curandeira pelo corredor.
 - No vamos nos demorar - disse Ron em voz baixa.
A Curandeira apontou a varinha para a porta da Enfermaria Jano Thickey e murmurou "Alorromora." A porta se abriu e ela entrou 
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frente, segurando com firmeza o brao de Gilderoy, e o acomodou em uma poltrona ao lado da cama.
 - Esta  a nossa enfermaria para doenas prolongadas - informou a Harry, Hermione e Giny em voz baixa. - Para danos permanentes causados por feitios.  claro que com tratamento intensivo, com poes e feitios e um pouco de sorte, podemos obter alguma melhora. Gilderoy parece estar recuperando alguma conscincia; e conseguimos uma melhora sensvel no Sr. Bode, parece estar recuperando a capacidade de falar bastante bem, embora ainda no fale uma lngua reconhecvel. Bem, preciso terminar de entregar os presentes de Natal, vou deixar vocs conversarem.
Harry olhou ao seu redor. A enfermaria apresentava sinais inconfundveis de ser uma casa permanente para seus pacientes. Havia um nmero maior de pertences pessoais perto das camas do que na enfermaria do Sr. Weasley; a parede em torno da cabeceira da cama de Gilderoy, por exemplo, estava empapelada com fotos dele, todas sorrindo com dentes  mostra, acenando para os recm-chegados. Ele autografara vrias delas em uma caligrafia infantil e desajeitada. No momento em que a Curandeira o deixou na poltrona, Gilderoy puxou para perto uma pilha de fotos, apanhou uma pena e comeou a assin-las febrilmente.
 - Voc pode coloc-las no envelope - disse Gilderoy atirando no colo de Giny, uma a uma, as fotos autografadas,  medida que as assinava. - No estou esquecido, sabe, no, ainda recebo muitas cartas de fs... Gladis Gudgeon escreve semanalmente... eu s queria saber por qu. - Ele se calou, parecendo ligeiramente intrigado, em seguida sorriu e voltou a assinar as fotos com renovado vigor. - Suspeito que seja apenas pela minha beleza...
Um bruxo de rosto macilento e ar triste estava deitado na cama oposta contemplando fixamente o teto; resmungava sozinho e parecia inconsciente de tudo o mais. Duas camas adiante havia uma mulher com a cabea inteira coberta de plos; Harry lembrou-se de uma coisa parecida que acontecera a Hermione no segundo ano de escola, embora, felizmente em seu caso, o dano no tivesse sido permanente. A um extremo da enfermaria, tinham corrido cortinas floridas em torno de duas camas para proporcionar aos ocupantes e suas visitas um pouco de privacidade.
 - Tome, Agnes - disse a Curandeira animada  mulher de cara peluda, entregando-lhe uma pequena pilha de presentes de Natal. Est vendo, voc no foi esquecida. E seu filho mandou uma coruja avisando que vem visit-la hoje  noite, ento,  uma coisa boa, no ?
Agnes soltou vrios latidos fortes.
 - E, olhe s, Broderick, mandaram-lhe um vaso de planta e um lindo calendrio com um hipogrifo diferente para cada ms; isso vai alegrar as coisas, no acha? - disse a Curandeira, e se aproximando do homem que resmungava, colocou uma 
planta muito feia, com longos tentculos, sobre o seu armrio de cabeceira, e pregou o calendrio na parede com a varinha. - E... ah, Sra. Longbottom, a senhora j est indo embora?
Harry virou a cabea depressa. As cortinas em torno das duas camas no extremo da enfermaria tinham sido abertas e dois visitantes vinham pelo corredor que dividia as camas; uma velha bruxa de aparncia formidvel, usando um longo vestido verde, uma pele de raposa comida de traas e um chapu cnico enfeitado com o que era, sem erro, um urubu empalhado, e, acompanhando-a com uma expresso totalmente deprimida... Neville.
Com um claro de instantnea compreenso, Harry percebeu quem deviam ser as pessoas nas camas do fim da enfermaria. Olhou para todos os lados aflito procurando uma maneira de distrair os outros para que Neville pudesse sair da enfermaria sem que o vissem nem lhe perguntassem nada, mas Ron tambm erguera a cabea ao ouvir o nome "Longbottom", e, antes que Harry pudesse impedi-lo, chamou
 - Neville!
Neville se assustou e se encolheu como se uma bala tivesse acabado de passar por ele de raspo.
 - Somos ns, Neville! - disse Ron animado, levantando-se. Voc viu...? O Lockhart est aqui! Quem  que voc estava visitando?
 - Seus amigos, Neville, querido? - perguntou gentilmente a av do garoto, examinando os trs.
Neville pareceu desejar que estivesse em qualquer outro lugar do mundo, menos ali. Um colorido vermelho-arroxeado foi subindo pelo seu rosto gorducho, e ele tentou evitar fazer contato visual com qualquer um deles.
 - Ah, sim - disse a av, fitando Harry e estendendo a mo enrugada que lembrava uma garra para ele apert-la. - Sim, sim, eu sei quem voc ,  claro, Neville fala muito bem de voc.
 - Hum... obrigado - disse Harry apertando a mo estendida. Neville no ergueu os olhos, fixava os prprios ps, o rubor em seu rosto aumentando sem parar.
 - E vocs dois so obviamente os Weasley - continuou a Sra. Longbottom, oferecendo regiamente a mo a Ron e depois  Giny.
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 - Eu conheo seus pais... no muito bem,  claro... so boa gente, boa gente... e voc deve ser Hermione Granger?
Hermione parecia muito surpresa que a Sra. Longbottom soubesse seu nome, mas apertou-lhe a mo assim mesmo.
 - Neville me contou tudo sobre voc. Ajudou-o a sair de alguns apuros, no foi? Ele  um bom menino - disse lanando ao neto um olhar de severa apreciao do alto do nariz - mas receio dizer que no tem o talento do pai. - E ela indicou com um aceno brusco de cabea as duas camas no fim da enfermaria, fazendo o urubu empaIhado no chapu tremer assustadoramente.
 - Qu? - exclamou Ron, parecendo admirado. (Harry queria pisar o p do amigo, mas isso  muito mais difcil de fazer sem ningum notar quando se est usando jeans em vez de vestes.) -  o seu pai que est ali, Neville?
 - Que  isso! - exclamou a Sra. Longbottom com severidade. Voc no contou aos seus amigos o que aconteceu com seus pais, Neville?
Neville deu um suspiro profundo, olhou para o teto e balanou a cabea. Harry no se lembrava de ter sentido mais pena de algum, mas no conseguia pensar em algum jeito para ajudar Neville a sair daquela situao.
 - Ora, no  nenhuma vergonha! - disse a Sra. Longbottom zangada. - Voc devia sentir orgulho, Neville, orgulho! Eles no deram a sade e a sanidade para seu nico filho ter vergonha deles, entende!
 - Eu no sinto vergonha - explicou Neville com a voz fraquinha, ainda olhando para qualquer lado menos para Harry e os outros. Ron agora estava nas pontas dos ps para espiar os pacientes nas duas camas.
 - Bom, voc tem uma maneira engraada de demonstrar! - disse a Sra. Longbottom. - Meu filho e a mulher - continuou ela virandose com arrogncia para Harry Ron, Hermione e Giny - foram torturados at a insanidade pelos seguidores de Voc-Sabe-Quem.
Hermione e Giny levaram as mos  boca. Ron parou de esticar o pescoo para dar uma espiada nos pais de Neville, e pareceu mortificado. ,
 - Eles eram aurores, sabem, e muito respeitados na comunidade bruxa. Excepcionalmente talentosos, os dois. Eu... sim, Alice, querida, que foi?
A me de Neville viera andando lentamente pela enfermaria de camisola. J no tinha o rosto cheio e feliz que Harry vira na velha fotografia de Moody com os participantes da Ordem da Fnix inicial. Seu rosto estava fino e cansado agora, os olhos pareciam grandes demais e seus cabelos tinham ficado brancos, ralos e sem vida. Ela no parecia querer falar, ou talvez no fosse capaz, mas fez gestos tmidos em direo a Neville, segurando alguma coisa na mo estendida.
 - Outra vez? - disse a Sra. Longbottom, parecendo um tantinho cansada. - Muito bem, Alice querida, muito bem... Neville, apanhe, o que quer que seja.
Mas Neville j esticara a mo, em que a me deixou 
cair uma embalagem de Chicles de Baba e Bola.
 - Muito bem, querida - tornou a av de Neville num tom falsamente animado, dando palmadinhas no ombro da me do garoto.
Mas Neville disse baixinho
 - Obrigado, mame.
A me voltou vacilante para o fundo da enfermaria, cantarolando para si mesma. Neville olhou para os outros, uma expresso de rebeldia no rosto, como se os desafiasse a rir, mas Harry achava que nunca vira nada menos engraado na vida.
 - Bom,  melhor irmos andando - suspirou a Sra. Longbottom, calando longas luvas verdes. - Foi um prazer conhecer vocs. Neville, ponha a embalagem na cesta, a esta altura ela j deve ter-lhe dado o suficiente para empapelar o seu quarto.
Mas, quando saram, Harry tinha certeza de ter visto Neville guardar a embalagem do chicle no bolso.
A porta se fechou.
 - Eu nunca soube - disse Hermione com cara de espanto.
 - Nem eu - disse Ron com a voz meio rouca.
 - Nem eu - sussurrou Giny. 
Todos olharam para Harry.
 - Eu sabia - confirmou ele abatido. - Dumbledore me contou, mas eu prometi no repetir para ningum... foi por isso que Belatrix Lestrange foi mandada para Azkaban, por usar a Maldio Cruciatus nos pais de Neville at eles enlouquecerem.
 - Belatrix Lestrange fez isso? - sussurrou Hermione, horrorizada.
 - Aquela mulher de quem o Kreacher guarda a fotografia na toca?
Fez-se um longo silncio, interrompido pela voz zangada de Lockhart.
 - Olhem, eu no aprendi escrita simultnea  toa, sabem! 
CAPTULO VINTE E QUATRO
Oclumncia
Kreacher, acabou-se sabendo, andara escondido no sto. Sirius contou que o encontrara l em cima, coberto de p, sem dvida procurando mais relquias da famlia Black para esconder em seu armrio. Embora Sirius parecesse satisfeito com essa histria, Harry se sentiu inquieto. Kreacher parecia estar mais bem-humorado quando reapareceu, seus resmungos azedos tinham diminudo bastante e passara a obedecer s ordens mais docilmente do que de costume, embora uma ou duas vezes Harry o tivesse surpreendido encarando-o com avidez, mas sempre desviando rapidamente o olhar quando via que o garoto percebera.
Harry no mencionou suas vagas suspeitas a Sirius, cuja alegria comeara a evaporar muito rapidamente agora que passara o Natal.  medida que se aproximava o dia da partida dos garotos a Hogwarts, ele foi se tornando mais inclinado ao que a Sra. Weasley chamava de "macambuzice", quando ficava taciturno e resmungo e muitas vezes se retirava para o quarto de Buckbeack durante horas. Sua tristeza infiltrava-se na casa, por baixo das portas, como um gs venenoso, e infectando a todos.
Harry no queria deixar Sirius outra vez apenas em companhia de Kreacher; de fato, pela primeira vez na vida, no estava contando os dias que faltavam para regressar a Hogwarts. Voltar  escola significava colocar-se mais uma vez sob a tirania de Dolores Umbridge, que, sem dvida, conseguira passar  fora mais uma dzia de decretos na ausncia dos garotos; no havia partidas de quidditch pelas quais ansiar, agora que fora expulso; havia toda a probabilidade de que a carga de deveres de casa aumentasse  medida que os exames se aproximavam; e Dumbledore continuava distante como sempre. De fato, se no fosse pela AD, Harry achava que teria suplicado a Sirius para deix-lo abandonar Hogwarts e continuar no largo Grimmauld.
Ento, no ltimo dia de frias, aconteceu uma coisa que fez Harry positivamente temer o regresso  escola.
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 - Harry, querido - disse a Sra. Weasley, metendo a cabea no quarto que ele ocupava com Ron, onde os dois estavam jogando xadrez de bruxo observados por Hermione, Giny e Crookshanks - pode vir  cozinha? O Prof. Snape quer dar uma palavrinha com voc.
Harry no registrou imediatamente o que ouvira; uma de suas torres estava travando uma violenta batalha com um peo de Ron, e ele o incentivava com entusiasmo.
 - Achata ele... achata ele,  s um peo, seu idiota. Desculpe, Sra. Weasley, que foi que a senhora disse?
 - O Prof. Snape, querido. Na cozinha. Gostaria de lhe falar.
O queixo de Harry caiu de terror. Olhou para Ron, Hermione e Giny, todos igualmente boquiabertos para ele. Crookshanks, a quem Hermione vinha contendo com dificuldade nos ltimos quinze minutos, saltou 
alegremente sobre o tabuleiro fazendo as peas correrem a se proteger, guinchando a plenos pulmes.
 - Snape? - repetiu Harry sem entender.
 - Professor Snape, querido - corrigiu a Sra. Weasley. - Vamos logo, depressa, ele diz que no pode se demorar.
 - Que  que ele quer com voc? - indagou Ron, parecendo nervoso quando a Sra. Weasley se retirou do quarto. - Voc no fez nada, fez?
 - No! - retrucou Harry indignado, vasculhando os miolos para tentar lembrar o que poderia ter feito que levasse Snape a segui-lo at o largo Grimmauld. Ser que o seu ltimo dever merecera um "I"?
Um minuto e pouco depois, ele empurrou a porta da cozinha e encontrou Sirius e Snape sentados  longa mesa do aposento, olhando em direes opostas. O silncio entre os dois estava carregado de mtua intolerncia. Havia uma carta aberta sobre a mesa diante de Sirius.
 - Ha - fez Harry para anunciar sua presena.
Snape se virou para olh-lo, o rosto emoldurado por cortinas de cabelos oleosos.
 - Sente-se, Potter.
 - Sabe - disse Sirius em voz alta, se recostando e se apoiando nas pernas traseiras da cadeira, e falando para o teto - acho que eu preferia que voc no desse ordens aqui.  a minha casa, sabe.
Um rubor ameaador afluiu ao rosto plido de Snape. Harry sentou-se na cadeira ao lado de Sirius e defronte do professor.
 - Eu devia v-lo sozinho, Potter - disse Snape, o riso desdenhoso crispando sua boca - mas Black...
 - Sou o padrinho dele - disse Sirius, ainda mais alto.
 - Estou aqui por ordem de Dumbledore - continuou Snape, cuja
voz, em contraposio, ficava cada vez mais baixa e sibilante - mas, sem dvida, fique, Black, eu sei que voc gosta de se sentir... participante.
 - Que  que voc quer dizer com isso? - retorquiu Sirius, deixando a cadeira recair nos quatro ps com um forte baque.
 - Simplesmente que tenho certeza de que voc deve se sentir... ah... frustrado pelo fato de no poder fazer nada de til - Snape enfatizou delicadamente a frase - "pela Ordem".
Foi a vez de Sirius corar. A boca de Snape se crispou em triunfo ao se dirigir a Harry.
 - O diretor me mandou dizer, Potter, que quer que voc estude Oclumncia neste trimestre.
 - Estude o qu? - perguntou Harry sem entender. O desdm de Snape se tornou mais pronunciado.
 - Oclumncia, Potter. A defesa mgica da mente contra penetrao externa. Um ramo obscuro da magia, mas extremamente til.
O corao de Harry comeou a bater realmente forte. Defesa contra penetrao externa? Mas ele no estava sendo possudo, todos tinham concordado com isso...
 - Por que tenho de estudar essa Oclu...? - deixou escapar.
 - Porque o diretor acha que  uma boa idia - disse Snape suavemente. - Voc receber aulas particulares uma vez por semana, mas no contar a ningum o que est fazendo, muito menos a Dolores Umbridge. Entendeu?
 - Sim, senhor - disse Harry. - E quem  que vai me ensinar? Snape ergueu uma sobrancelha.
 - Eu - respondeu.
Harry teve a terrvel sensao de que suas entranhas estavam derretendo. Aulas extras com Snape que  que ele fizera para merecer isso? Olhou rpido para Sirius buscando apoio.
 - Por que Dumbledore no pode ensinar ao Harry? - perguntou Sirius agressivamente. - Por que voc?
 - Porque suponho que seja uma prerrogativa do diretor delegar as tarefas menos agradveis - disse Snape suavemente. - Posso lhe garantir que no pedi esse encargo. - Levantou-se. - Espero voc s seis horas da tarde na segunda-feira, Potter. Minha sala. Se algum lhe perguntar, diga que est tomando aulas particulares de Poes. Ningum que tenha visto voc em minhas aulas poderia negar que precisa de reforo.
Ele se virou para ir embora, a capa preta de viagem se enfunando como uma cauda.
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 - Espere um momento - pediu Sirius, sentando-se mais reto na cadeira.
Snape se virou para encarar os dois, desdenhoso.
 - Estou com muita pressa, Black. Ao contrrio de voc, tenho um tempo limitado de lazer.
 - Irei direto ao assunto, ento - falou Sirius ficando em p. Era bem mais alto do que Snape, que, Harry reparou, fechou um punho no bolso da capa, segurando, sem dvida, o punho da varinha. - Se eu souber que voc est usando essas aulas de Oclumncia para infernizar a vida de Harry, ter de acertar contas comigo.
 - Que comovente! - debochou Snape. - Mas voc com certeza j notou que Potter se parece muito com o pai dele, no ?
 - J - 
respondeu Sirius com orgulho.
 - Bom, ento sabe que ele  to arrogante que as crticas simplesmente resvalam nele - disse Snape com voz de seda.
Sirius empurrou a cadeira bruscamente para o lado e contornou a mesa em direo ao outro, ao mesmo tempo que puxava a varinha. Snape puxou a dele. Pararam se medindo, Sirius furioso, Snape calculista, seus olhos correndo da ponta da varinha para o rosto do oponente.
 - Sirius! - chamou Harry, mas o padrinho no pareceu ouvi-lo.
 - Eu lhe avisei, ranhoso - disse Sirius, seu rosto a menos de meio metro do de Snape - no me interessa se Dumbledore acha que voc se regenerou, eu sei que no...
 - Ah, ento por que no diz isso a ele? - sussurrou Snape. - Ou tem medo de que ele no leve a srio o conselho de um homem que est h seis meses se escondendo na casa da me?
 - Me diga, como anda Lcio Malfoy ultimamente? Imagino que encantado com o fato do seu cachorrinho de estimao estar trabalhando em Hogwarts, no?
 - Por falar em cachorros - disse Snape mansamente - voc sabia que Lcio Malfoy o reconheceu da ltima vez que arriscou uma escapulida? Idia brilhante, Black, deixar que o vissem em uma segura plataforma de trem... arranjou uma desculpa irrefutvel para nunca mais deixar o buraco em que se esconde, no?
Sirius ergueu a varinha.
 - NO! - berrou Harry, pulando por cima da mesa para se interpor aos dois. - Sirius, no!
 - Voc est me chamando de covarde? - berrou Sirius, tentando tirar Harry da frente, mas o garoto no se mexeu.
 - Ora, suponho que sim. 
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 - Harry - saia - da - frente! - vociferou Sirius, empurrando-o para o lado com a mo livre.
A porta da cozinha se abriu e toda a famlia Weasley mais Hermione entraram, todos parecendo muito felizes, trazendo um orgulhoso Sr. Weasley vestindo um pijama e por cima uma capa de chuva.
 - Curado! - anunciou animadamente para todos na cozinha. Completamente curado!
Ele e os outros Weasley ficaram paralisados  porta, contemplando a cena na cozinha, tambm suspensa, em que Sirius e Snape olhavam para a porta com as varinhas apontadas uma para a cara do outro e Harry, imvel entre os dois, tentando separ-los.
 - Pelas barbas de Merlim! - exclamou o Sr. Weasley, o sorriso desaparecendo do rosto. - Que  que est acontecendo aqui?
Sirius e Snape baixaram as varinhas. Harry olhou de um para outro. Ambos tinham no rosto uma expresso de extremo desprezo, contudo a entrada repentina de tantas testemunhas pareceu t-los chamado  razo. Snape embolsou a varinha e atravessou a cozinha, passando pelos Weasley sem fazer comentrio.  porta, olhou para trs.
 - Seis horas da tarde, segunda-feira, Potter.
E foi-se embora. Sirius seguiu-o com um olhar mal-humorado, a varinha segura ao lado do corpo.
 - Que  que estava acontecendo? - tornou a indagar o Sr. Weasley.
 - Nada, Arthur - respondeu Sirius, ofegante como se tivesse acabado de correr uma longa distncia. - S uma conversa amigvel entre dois velhos amigos de escola. - Aparentemente com imenso esforo, ele sorriu. - Ento... est curado? tima notcia, realmente tima.
 - No ? - disse a Sra. Weasley, conduzindo o marido at uma cadeira. - Enfim o Curandeiro Smethwyck fez sua mgica, encontrou um antdoto para o que quer que fosse que a cobra tinha nas presas, e Arthur aprendeu a lio de no se meter com medicina de Muggles, no foi querido? - acrescentou ela um tanto ameaadoramente.
 - Foi, Molly, querida - disse o Sr. Weasley, com humildade.
A refeio daquela noite deveria ter sido muito alegre, com a volta do Sr. Weasley. Harry via que Sirius procurava fazer com que assim fosse, mas o padrinho no se esforava para dar gargalhadas com as piadas de Fred e George nem oferecia aos outros mais comida; seu rosto se fechara numa expresso melanclica e reflexiva. Harry acabou separado dele por Nundungus e Olho-Tonto, que tinham passado para dar os parabns ao Sr. Weasley. Ele queria dizer a Sirius que
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no devia dar ouvidos a nada que Snape dissera, que o colega estava instigando-o deliberadamente e que os outros no pensavam que o padrinho fosse um covarde por obedecer a Dumbledore e ficar quieto no largo Grimmauld. Mas no teve oportunidade e, vendo a expresso fechada no rosto de Sirius, Harry chegou a duvidar se teria se atrevido a dizer alguma coisa mesmo se tivesse tido oportunidade. Ao invs, 
cochichou para Ron e Hermione sobre a ordem que recebera de tomar aulas de Oclumncia com Snape.
 - Dumbledore quer evitar que voc tenha aqueles sonhos com Voldemort - disse Hermione imediatamente. - Bom, voc no vai lamentar se no os tiver, vai?
 - Aulas particulares com Snape? - exclamou Ron perplexo. Eu preferia ter os pesadelos!
Os garotos deveriam regressar a Hogwarts de Nitibus no dia seguinte, acompanhados mais uma vez por Tonks e Lupin, que j se achavam tomando caf da manh na cozinha quando Harry, Ron e Hermione desceram. Os adultos pareciam estar cochichando quando Harry abriu a porta; todos olharam depressa e se calaram.
Depois de um caf da manh apressado, eles vestiram os casacos e cachecis para se proteger da glida manh de janeiro. Harry sentiu um aperto desagradvel no peito; no queria dizer adeus a Sirius. Teve uma sensao ruim com relao a essa despedida; no sabia quando voltariam a se ver e se sentiu na obrigao de dizer alguma coisa ao padrinho para impedi-lo de fazer alguma tolice - Harry se preocupava que a acusao de covardia que Snape fizera a Sirius o tivesse ferido to seriamente que ele pudesse mesmo agora estar planejando alguma sada insensata do largo Grimmauld. Mas antes que conseguisse pensar no que dizer Sirius o chamou para junto dele.
 - Quero que voc leve isto - disse baixinho, empurrando para Harry um embrulho malfeito com o tamanho aproximado de um livro.
 - Que ? - perguntou Harry.
 - Um modo de me avisar se Snape estiver infernizando sua vida. No, no abra aqui! - disse Sirius, lanando um olhar preocupado  Sra. Weasley, que tentava persuadir os gmeos a calar luvas de tric.
 - Duvido que Molly aprove, mas quero que voc o use se precisar de mim, est bem?
 - OK - disse o garoto, guardando o embrulho no bolso interno do casaco, mas sabia que jamais usaria o que quer que fosse. No seria ele, Harry, quem iria tirar Sirius do lugar em que estava seguro, por pior que Snape o tratasse nas futuras aulas de Oclumncia.
 - Vamos, ento - disse Sirius, dando uma palmada no ombro do afilhado e sorrindo triste, e antes que Harry pudesse dizer mais algu-
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ma coisa, j haviam subido e parado  porta da frente, cheia de trancas, cercados pelos Weasley.
 - Adeus, Harry, cuide-se - disse a Sra. Weasley abraando-o.
 - At outro dia, Harry, e fique de olho nas cobras para mim! falou o Sr. Weasley, cordialmente apertando sua mo.
 - Certo... - respondeu Harry distrado; era sua ltima chance de dizer a Sirius para ter cuidado; ele se virou, encarou o padrinho e abriu a boca para falar, mas, antes que o fizesse, Sirius estava lhe dando um breve abrao e dizendo com a voz rouca
 - Cuide-se bem, Harry. - No momento seguinte, o garoto se viu conduzido para o inverno glido l fora, com Tonks (hoje disfarada de mulher alta e magra da aristocracia rural, com cabelos grisalhos) apressando-o a descer os degraus.
A porta do nmero doze bateu s costas do ltimo a sair. Eles acompanharam Lupin. Quando chegaram  calada, Harry olhou para os lados. O nmero doze foi encolhendo rapidamente ao mesmo tempo que as casas laterais se ampliavam para o seu lado, fazendo-o desaparecer de vista. Uma piscadela de olhos depois, j no existia.
 - Vamos, quanto mais depressa entrarmos no nibus melhor disse Tonks, e Harry achou que havia nervosismo no olhar que ela lanou pela praa. Lupin esticou o brao direito.
BANG.
Um nibus violentamente roxo de trs andares materializou-se, tirando um fino do poste de iluminao mais prximo, que saltou para trs para sair do caminho.
Um rapaz magro, de orelhas de abano e espinhas, trajando um uniforme roxo, saltou para a calada e disse
 - Bem-vindos ao...
 - Sei, sei, j sabemos - disse Tonks brevemente. - Subam, subam, subam...
E ela empurrou Harry em direo aos degraus, para alm do motorista, que arregalou os olhos quando o garoto passou.
 - ...  Arry...!
 - Se gritar o nome dele fao voc perder a memria - murmurou Tonks, ameaando-o, e empurrando Giny e Hermione para dentro.
 - Eu sempre quis andar nesse nibus - disse Ron alegre, juntando-se a Harry e examinando tudo.
Fora de noite a ltima vez que Harry viajara de Nitibus, e os trs andares estavam ocupados por camas de metal. Agora, de manh cedo, estava mobiliado com uma variedade de cadeiras desparelhadas e dispostas a esmo em torno das janelas. Algumas pareciam ter tombado quando o nibus parou abruptamente no largo Grinimauld; uns
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poucos bruxos e bruxas ainda estavam se levantando, resmungando, e a saca de compras de algum deslizara por toda a extenso do veculo uma mistura de ovas de sapo, baratas e cremes de ovos espalharase pelo cho.
 - Parece que vamos ter de nos separar - disse Tonks brevemente, procurando poltronas vazias. - Fred, George e Giny, vo para aquelas poltronas l no fundo... Remus pode ficar com vocs.
Ela, Harry, Ron e Hermione subiram para o ltimo andar, onde havia 
duas poltronas vazias bem na frente e duas no fundo. Lalau Shunpike, o condutor, acompanhou pressurosamente os dois garotos at o fundo. As cabeas se voltaram quando Harry passou, mas, ao se sentar, viu todos os rostos tornarem a virar para a frente.
Quando Harry e Ron estavam pagando a Lalau onze sicles cada, o nibus tornou a partir, balanando sinistramente. Contornou ruidosamente o largo Grimmauld, subindo e descendo pelas caladas, depois, com outro BANG estrondoso, os passageiros foram atirados para trs; a poltrona de Ron virou, e Pig, que estava em seu colo, saiu da gaiola voando espavorida para a frente do nibus onde preferiu pousar no ombro de Hermione. Harry, que escapara de cair agarrando-se a uma arandela, espiou pela janela o nibus agora corria pelo que lhe pareceu ser uma rodovia.
 - Estamos na periferia de Birmingham - informou Lalau alegremente, em resposta  pergunta muda de Harry, enquanto Ron tentava se erguer do cho. - Voc est bem, ento, Arry? Vi o seu nome um monte de vezes no jornal durante o vero, mas nunca no era nada de bom. Eu disse ao Ernie, disse mesmo, ele no parecia pirado quando o conhecemos, o que  uma prova, no ?
Ele entregou os bilhetes aos garotos e continuou a contemplar Harry, fascinado. Pelo jeito, Lalau no se importava que algum fosse pirado, desde que fosse famoso bastante para aparecer no jornal. O Nitibus balanava assustadoramente, ultrapassando os carros pelo lado de dentro. Quando olhou para a frente do veculo, Harry viu Hermione cobrir os olhos com as mos, e Pig se equilibrar alegremente em seu ombro.
BANG.
As poltronas tornaram a correr para trs quando o Nitibus saltou da estrada de Birmingham para uma tranqila estradinha campestre cheia de curvas fechadas. As cercas vivas que ladeavam a via saltaram para longe quando o nibus avanou sobre as cercaduras. Dali, entraram na rua principal de uma cidade movimentada, depois subiram um viaduto cercado por altas montanhas, desceram para uma
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estrada assolada pelo vento entre altos prdios de apartamentos, produzindo um estrondo a cada mudana de rumo.
 - Mudei de idia - murmurou Ron, levantando-se do cho pela sexta vez. - Nunca mais quero viajar nessa coisa.
 - Escutem, a prxima parada  Ogwarts - anunciou Lalau, animado, cambaleando em direo aos garotos. - A mulher mandona l na frente que subiu com vocs deu uma gorjeta  gente para passar vocs para o comeo da fila. S vamos deixar Madame Marsh descer primeiro... - eles ouviram algum vomitando no andar de baixo, e em seguida um horrvel barulho de lquido batendo no cho - ela no est se sentindo muito bem.
Alguns minutos depois, o Nitibus parou cantando pneus  frente de um pequeno bar, que se espremeu para sair do caminho e evitar uma coliso. Eles ouviram Lalau ajudando a pobre Madame Marsh a desembarcar do nibus e os murmrios de alvio dos companheiros de viagem no segundo andar. O nibus tornou a partir, ganhando velocidade at...
BANG.
E estavam rodando por uma Hogsmeade coberta de neve. Harry viu de relance o Cabea de Javali na rua lateral, o letreiro com a cabea cortada rangendo ao vento invernoso. Flocos de neve batiam na enorme janela dianteira do nibus. E finalmente pararam nos portes de Hogwarts.
Lupin e Tonks ajudaram os garotos a desembarcar com a bagagem, e ento desceram tambm para se despedir. Harry ergueu os olhos para os trs andares do Nitibus e viu todos os passageiros espiando-os com o nariz colado s janelas.
 - Vocs estaro seguros quando entrarem - disse Tonks, lanando um olhar cauteloso para a estrada deserta. - Um bom trimestre, OK?
 - Cuidem-se bem - recomendou-lhes Lupin, apertando as mos de todos e chegando a Harry por ltimo. - E escute... - ele baixou a voz enquanto os demais trocavam adeuses de ltimo minuto com Tonks - Harry, eu sei que voc no gosta de Snape, mas ele  um magnfico Oclumente, e todos ns, inclusive Sirius, queremos que voc aprenda a se proteger, ento estude para valer, est bem?
 - E, t - disse Harry a custo, olhando para o rosto prematuramente enrugado de Lupin. - At mais, ento.
Os seis subiram penosamente a estrada escorregadia at o castelo, arrastando os males. Hermione j estava falando em tricotar uns gorros para elfos antes de dormir. Harry olhou para trs quando chegaram s portas de carvalho da entrada; o Nitibus j partira e ele
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chegou a desejar,  vista do que o esperava na noite seguinte, que ainda estivesse a bordo.
Harry passou a maior parte do dia seguinte com medo do anoitecer. Os dois tempos de Poes pela manh nada fizeram para dissipar sua agitao, pois Snape foi desagradvel como sempre. Seu desnimo se acentuou porque os membros da AD o procuraram constantemente pelos corredores durante os intervalos das aulas, perguntando, 
esperanosos, se haveria reunio quela noite.
 - Avisarei a vocs como de costume quando marcar a prxima repetiu Harry vrias vezes - mas no pode ser hoje  noite, tenho que ir... hum... a uma aula de reforo de Poes.
 - Voc tem aula de reforo em Poes? - perguntou Zacarias com ar de superioridade, abordando-o no Saguo de Entrada, depois do almoo. - Puxa vida, voc deve ser pssimo. Snape no costuma dar aulas particulares, ou costuma?
Quando Zacarias se afastou com irritante vivacidade, Ron acompanhou-o de cara feia.
 - Devo azar-lo?, ainda d para acertar daqui - disse, erguendo a varinha e mirando entre as espduas de Zacarias.
 - Deixa pra l - disse Harry deprimido. - E o que todos vo pensar, no ? Que sou realmente bur...
 - Oi, Harry - disse uma voz a suas costas. Ele se virou e deparou com Cho.
 - Ah - exclamou, seu estmago dando um salto desconfortvel. -Oi.
 - Vamos estar na biblioteca, Harry - disse Hermione com firmeza, agarrando Ron acima do cotovelo e arrastando-o em direo  escadaria de mrmore.
 - Teve um bom Natal? - perguntou Cho.
 - Nada mau...
 - O meu foi muito tranqilo. - Por alguma razo, ela parecia um pouco encabulada. - Aah... tem outro passeio a Hogsmeade no ms que vem, voc viu o aviso?
 - Qu? Ah, no, ainda no dei uma olhada no quadro de avisos desde que cheguei.
 - Tem, no Dia dos Namorados...
 - Certo - respondeu Harry, se perguntando por que ela estava dizendo isso. - Bom, suponho que voc queira...
 - S se voc quiser - disse ela ansiosa. 
Harry arregalou os olhos. Estivera a ponto de dizer "Suponho
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que voc queira saber quando  a prxima reunio da AD?", mas a resposta dela no parecia se encaixar.
 - Eu... aah...
 - Ah, tudo bem se voc no quiser - retrucou ela, parecendo mortificada. - No se preocupe. Eu... vejo voc por a.
Ela se afastou. Harry ficou parado olhando, seu crebro trabalhando freneticamente. Ento a ficha caiu.
 - Cho! Ei... CHO!
Correu atrs da garota, alcanando-a na subida da escadaria de mrmore.
 - Aah... voc quer ir comigo a Hogsmeade no Dia dos Namorados?
 - Ahhh, quero! - respondeu ela, corando e sorrindo.
 - Certo... bom... ento est combinado - disse Harry, e sentindo que, enfim, o dia no seria uma perda total, ele virtualmente saiu aos pulos at a biblioteca para apanhar Ron e Hermione antes das aulas da tarde.
As seis da tarde, no entanto, nem o claro de ter conseguido convidar Cho Chang para sair foi suficiente para desanuviar a sensao agourenta que se intensificava a cada passo que Harry dava em direo  sala de Snape.
Parou  porta ao chegar, desejando estar em qualquer outro lugar, ento, tomando flego, bateu e entrou.
A sala sombria estava forrada de estantes ocupadas por centenas de frascos de vidro em que flutuavam pedaos viscosos de plantas e bichos, em vrias poes coloridas. A um canto, havia um armrio cheio de ingredientes, o qual Snape certa vez acusara Harry - com razo - de assaltar. Mas a ateno do garoto foi atrada para a escrivaninha, onde uma bacia rasa, de pedra gravada com runas e smbolos, estava iluminada por um crculo de luz projetado por velas. Harry reconheceu-a na mesma hora - era a Penseira de Dumbledore. Perguntando-se o que estaria tal objeto fazendo ali, ele se sobressaltou ao ouvir a voz fria de Snape saindo das sombras.
 - Feche a porta, Potter.
Harry obedeceu, com a horrvel sensao de estar se fechando em uma priso. Quando se virou, Snape se deslocara para a luz e apontava silenciosamente para a cadeira diante de sua escrivaninha. Harry se sentou e o professor tambm, seus olhos frios e negros fixando-se no aluno sem piscar, a antipatia gravada em cada linha do seu rosto... " ;
 - Muito bem, Potter, voc sabe por que est aqui. O diretor me
pediu para lhe ensinar Oclumncia. S espero que voc se mostre mais competente nisso do que em Poes.
 - Certo - concordou Harry brevemente.
 - Esta aula talvez seja diferente, Potter - disse Snape, seus olhos se estreitando malevolamente - mas continuo sendo seu professor e, portanto, voc me chamar sempre de "senhor" ou de "professor".
 - Sim... senhor.
 - Vamos  Oclumncia. Como eu lhe disse na cozinha do seu querido padrinho, este ramo da magia fecha a mente  intruso e  influncia mgicas.
 - E por que o Prof. Dumbledore acha que eu preciso aprend-la, professor? - perguntou Harry, encarando Snape diretamente nos olhos e imaginando se 
receberia uma resposta.
Snape mirou-o por um momento e em seguida disse com a voz carregada de desprezo
 - Certamente at voc poderia ter chegado  resposta sozinho, no, Potter? O Lorde das Trevas  excepcionalmente competente em Legilimncia...
 - Que  isso? Professor?
 -  a capacidade de extrair sentimentos e lembranas da memria de outras pessoas...
 - Ele  capaz de ler pensamentos? - perguntou depressa, seus piores receios se confirmando.
 - Voc no tem sutileza, Potter - comentou Snape, seus olhos negros cintilando. - Voc no entende distines pouco perceptveis.  um dos defeitos que o torna um lamentvel preparador de poes.
Snape fez uma pausa, aparentemente para saborear o prazer de insultar Harry, antes de continuar
 - Somente os Muggles falam de "ler mentes". A mente no  um livro que se abre quando se quer e se examina ao bel-prazer. Os pensamentos no esto gravados no interior do crnio, para serem examinados por qualquer invasor. A mente  algo complexo e multiestratificado, Potter, ou pelo menos a maioria das mentes . - Deu um sorrisinho. - Mas  verdade que aqueles que dominam a Legilimncia so capazes, sob determinadas condies, de penetrar as mentes de suas vtimas e interpretar suas concluses corretamente. O Lorde das Trevas, por exemplo, quase sempre sabe quando algum est mentindo para ele. Somente os peritos em Oclumncia podem ocultar os sentimentos e lembranas que contradiriam a mentira, e conseguem dizer falsidades em sua presena sem serem apanhados.
Snape podia dizer o que quisesse, mas, para Harry, Legilimncia parecia leitura da mente, e a idia no lhe agradava nem um pouco.
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 - Ento ele poderia saber o que estamos pensando neste momento, professor?
 - O Lorde das Trevas se encontra a uma considervel distncia, e as paredes e terrenos de Hogwarts so guardados por muitos feitios e encantamentos antigos, para garantir a segurana fsica e mental dos que vivem aqui. O tempo e o espao contam na magia, Potter. O contato visual  muitas vezes essencial  Legilimncia.
 - Bom, ento, por que  que eu tenho de aprender Oclumncia? Snape encarou Harry, ao mesmo tempo que passava um dedo
fino nos lbios.
 - As regras normais no parecem se aplicar a voc, Potter. A maldio que no conseguiu mat-lo parece ter forjado algum tipo de ligao entre voc e o Lorde das Trevas. As evidncias sugerem que por vezes, quando sua mente est mais relaxada e vulnervel, quando voc est dormindo, por exemplo, voc compartilha os pensamentos e emoes do Lorde das Trevas. O diretor acha que  desaconselhvel que isto continue a acontecer. E quer que eu lhe ensine como fechar a mente ao Lorde das Trevas.
O corao de Harry batia acelerado agora. Nada disso fazia sentido.
 - Mas por que o Prof. Dumbledore quer fazer isto parar? - perguntou inesperadamente. - No gosto muito, mas tem sido til, no? Quero dizer... eu vi a cobra atacar o Sr. Weasley e, se no tivesse visto, o Prof. Dumbledore no poderia ter salvo a vida dele, poderia? Professor?
Snape encarou Harry durante uns minutos, ainda passando o dedo nos lbios. Quando tornou a falar, foi devagar e decididamente, como se pesasse cada palavra.
 - Pelo que parece o Lorde das Trevas no tinha tomado conscincia dessa ligao entre voc e ele at muito recentemente. Parece que voc sentia as emoes dele e partilhava seus pensamentos, sem ele saber. Contudo, a viso que voc teve pouco antes do Natal...
 - A da cobra com o Sr. Weasley?
 - No me interrompa, Potter - disse Snape em tom ameaador.
 - Como eu ia dizendo, a viso que voc teve pouco antes do Natal representou uma incurso to poderosa nos pensamentos do Lorde das Trevas...
 - Eu vi de dentro da cabea da cobra, e no da dele!
 - Acho que acabei de lhe dizer para no me interromper, no foi Potter?
Mas Harry no se importou que Snape estivesse aborrecido, pelo menos parecia estar chegando ao fundo dessa histria; sentara mais
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para a frente na cadeira de modo que, sem perceber, estava encarrapitado na borda, tenso como se estivesse prestes a voar.
 - Como  possvel eu ter visto atravs dos olhos da cobra se so os pensamentos de Voldemort que estou partilhando?
 - No pronuncie o nome do Lorde das Trevas! - ralhou Snape. Fez-se um silncio desagradvel. Os dois se encararam por cima
da Penseira.
 - O Prof. Dumbledore diz o nome dele - contestou Harry calmamente.
 - Dumbledore  um bruxo extremamente poderoso - murmurou Snape. - Embora ele possa se 
sentir seguro em usar o nome... os demais... - Ele esfregou o brao esquerdo, aparentemente sem perceber, no lugar em que Harry sabia que a Marca Negra estava gravada a fogo em sua pele.
 - Eu s queria saber - recomeou Harry, se esforando para falar com polidez - por que...
 - Voc parece ter visitado a mente da cobra porque era onde o Lorde das Trevas estava naquele determinado momento - vociferou Snape. - Estava possuindo a cobra na hora, ento voc sonhou que estava dentro dela, tambm.
 - E Vol... ele... percebeu que eu estava ali?
 - Parece que sim - respondeu Snape tranqilo.
 - Como  que sabe? - perguntou o garoto pressuroso. - Essa  a suposio do Prof. Dumbledore ou...?
 - J lhe pedi - disse Snape, empertigado na cadeira, os olhos apertados - para me chamar de "senhor".
 - Sim, senhor - disse Harry impaciente - mas como  que o senhor sabe...?
 - E suficiente que ns saibamos - disse Snape cortando a conversa. - O importante  que o Lorde das Trevas agora tem conscincia de que voc est conseguindo ter acesso aos seus pensamentos e emoes. Ele tambm deduziu que o processo provavelmente pode ser invertido; ou seja, percebeu que talvez possa acessar os seus pensamentos e emoes...
 - E ele poderia tentar me levar a fazer coisas? - perguntou Harry.
 - Professor? - acrescentou precipitadamente.
 - Poderia - respondeu Snape, em tom aparentemente frio e desinteressado. - O que nos traz de volta  Oclumncia.
Snape puxou a varinha do bolso interno das vestes e Harry se enrijeceu na cadeira, mas o professor meramente a ergueu e apontou para a raiz dos seus cabelos oleosos. Quando a retirou, escorreu uma substncia prateada da tmpora  varinha como um grosso fio de teia
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de aranha, que se partiu quando ele a afastou, e caiu graciosamente na Penseira, onde girou branco-prateada, nem gasosa nem lquida. Mais duas vezes, Snape levou a varinha  tmpora e depositou a substncia prateada na bacia de pedra, depois, sem oferecer nenhuma explicao para os seus gestos, apanhou a Penseira com cuidado, removeu-a para uma prateleira fora do caminho e voltou a encarar Harry com a varinha em posio.
 - Levante-se e apanhe sua varinha, Potter.
Harry obedeceu se sentindo nervoso. Os dois se encararam por cima da escrivaninha.
 - Voc pode usar sua varinha para tentar me desarmar, ou para se defender de qualquer outra maneira que consiga pensar.
 - E o que  que o senhor vai fazer? - perguntou Harry, acompanhando a varinha de Snape com os olhos, apreensivo.
 - vou tentar penetrar sua mente - disse Snape mansamente. Vamos ver at que ponto voc resiste. Me disseram que voc j demonstrou aptido para resistir  Maldio Imperius. Voc vai descobrir que precisar de poderes semelhantes para resistir... em guarda, agora Legilimens!
Snape atacara antes de Harry se aprontar, antes mesmo que tivesse comeado a recorrer a qualquer fora para resistir. A sala flutuou diante dos seus olhos e desapareceu; imagem aps imagem perpassou sua mente em alta velocidade como um filme de cinema mudo, to vivido que o cegava para o ambiente ao redor.
Tinha cinco anos, e observava Duddley andar na nova bicicleta vermelha, e seu peito explodia de inveja... tinha nove anos, e Estripador, o buldogue, acuava-o em uma rvore, e os Dursley riam muito embaixo, no jardim... estava sentado e tinha na cabea o Chapu Seletor, que lhe dizia que poderia ter xito na Slytherin... Hermione estava deitada na ala hospitalar, o rosto coberto por grossos plos negros... cem Dementadores avanavam contra ele  margem do lago escuro... Cho Chang se aproximava dele embaixo do ramo de visgo...
No, disse uma voz na cabea de Harry quando a lembrana de Cho se tornou mais ntida, voc no est assistindo a isto,  uma lembrana ntima...
Sentiu uma dor aguda no joelho, a sala de Snape reaparecera e ele se viu cado no cho; um dos joelhos batera dolorosamente na perna da escrivaninha do professor. Ele ergueu os olhos para Snape, que baixara a varinha e esfregava o punho. Havia um feio vergo ali, como uma marca de queimadura.
 - Voc teve inteno de produzir uma Maldio Ferreteante? perguntou Snape calmamente.
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 - No - respondeu Harry com rancor, erguendo-se do cho.
 - Achei que no - retorquiu Snape com desprezo. - Voc me deixou penetrar longe demais. Perdeu o controle.
 - O senhor viu tudo que eu vi? - perguntou Harry, inseguro se queria ouvir a resposta.
 - Vislumbres - disse Snape, crispando os lbios. - A quem pertencia 
o cachorro?
 - A minha tia Marjie - murmurou Harry, odiando Snape.
 - Bom, para uma primeira tentativa no foi to ruim quanto poderia ter sido - disse o professor erguendo novamente a varinha. Voc conseguiu finalmente me paralisar, embora tenha desperdiado tempo e energia gritando. Precisa se manter concentrado. Me repila com o seu crebro e no precisar recorrer  varinha.
 - Estou tentando - disse Harry zangado - mas o senhor no est me dizendo como fazer!
 - Tenha modos, Potter - disse Snape ameaador. - Agora, quero que feche os olhos.
O garoto lanou-lhe um olhar zangado antes de obedecer. No lhe agradava a idia de ficar parado ali, de olhos fechados, enquanto Snape o encarava, segurando uma varinha.
 - Esvazie sua mente, Potter - disse a voz fria de Snape. - Ponha de lado toda emoo...
Mas a raiva de Harry contra Snape continuava a pulsar em suas veias como veneno. Ponha de lado toda emoo? Era mais fcil pr de lado as pernas...
 - Voc no est obedecendo, Potter... vai precisar de mais disciplina... concentre-se, agora...
Harry tentou esvaziar a mente, tentou no pensar, nem lembrar, nem sentir...
 - Vamos outra vez... quando eu contar trs... um - dois - trs Legilimens!
Um enorme drago negro se empinou diante dele... seu pai e sua me lhe acenaram do espelho encantado... Cedric Diggory cara no cho de olhos vidrados olhando para ele...
 - No!
Harry estava mais uma vez de joelhos, o rosto nas mos, o crebro doendo como se algum estivesse tentando arranc-lo do crnio.
 - Levante-se! - mandou Snape com rispidez. - Levante-se! Voc no est tentando, no est fazendo esforo algum. Est me deixando acessar lembranas de que tem medo, est me dando armas!
Harry tornou a se levantar, seu corao batendo descontrolado como se tivesse realmente acabado de ver Cedric morto no cemit-
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rio. Snape estava mais plido do que o normal, e mais zangado, embora no to zangado quanto Harry.
 - Eu - estou - me - esforando - disse entre os dentes.
 - Eu o mandei se esvaziar de emoes!
 - ? Bom, estou achando difcil neste momento - vociferou Harry.
 - Ento vai descobrir que ser uma presa fcil para o Lorde das Trevas! - disse Snape com selvageria. - Tolos que tm orgulho em mostrar seus sentimentos, que no sabem controlar suas emoes, que chafurdam em lembranas tristes e se deixam provocar com tanta facilidade - em outras palavras - gente fraca - no tm a menor chance contra os poderes dele! Ele penetrar sua mente com uma facilidade absurda, Potter!
 - Eu no sou fraco - disse Harry em voz baixa, a fria agora perpassando-o de tal modo que achou que poderia atacar Snape dali a pouco.
 - Ento prove! Domine-se! - falou Snape com violncia. Controle sua raiva, discipline sua mente! Vamos tentar outra vez! Preparar, agora! Legilimens!
Ele observava o tio Vernon pregar a fenda que havia na porta para cartas... cem Dementadores atravessavam o lago da escola em sua direo... ele estava correndo por uma passagem sem janelas com o Sr. Weasley... se aproximaram da porta preta e simples no fim do corredor... Harry esperava que entrassem... mas o Sr. Weasley o desviou para a esquerda, desceram um lance de escadas de pedra...
 - Eu SEI! Eu SEI!
Estava novamente de quatro no cho da sala de Snape, a cicatriz formigando incomodamente, mas a voz que sara de sua boca era triunfante. Ele se levantou e deparou com Snape encarando-o, de varinha levantada. Parecia que, desta vez, Snape suspendera o feitio antes mesmo de Harry sequer tentar repeli-lo.
 - Que aconteceu ento, Potter? - perguntou, observando o garoto atentamente.
 - Eu vi... me lembrei - ofegou Harry. - Acabei de perceber...
 - Perceber o qu? - perguntou Snape asperamente.
Harry no respondeu imediatamente; ainda estava saboreando o momento da ofuscante percepo enquanto esfregava a testa...
Andava sonhando havia meses com um corredor sem janelas que terminava em uma porta trancada, sem se dar conta de que era um lugar real. Agora, revivendo a lembrana, entendeu que o tempo todo estivera sonhando com o corredor pelo qual correra com o Sr. Weasley no dia doze de agosto, quando se dirigiam apressados para os
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tribunais no Ministrio; era o corredor que levava ao Departamento de Mistrios, e era onde o Sr. Weasley estivera na noite em que a cobra de Voldemort o atacara.
Ele ergueu a cabea para Snape.
 - Que  que tem no Departamento de Mistrios?
 - Que foi que voc disse? - perguntou Snape em voz baixa e Harry viu, com profunda satisfao, que Snape ficara assustado.
 - Eu perguntei o que  que tem no Departamento de Mistrios, professor? - repetiu Harry.
 - E por que - perguntou 
Snape lentamente - voc perguntaria isso?
 - Porque - disse Harry observando-o atentamente para ver sua reao - aquele corredor que acabei de ver... com que estou sonhando h meses... eu acabei de reconhec-lo leva ao Departamento de Mistrios... e acho que Voldemort quer alguma coisa de...
-J lhe disse para no pronunciar o nome do Lorde das Trevas!
Os dois se encararam. A cicatriz de Harry tornou a queimar, mas ele no ligou. Snape parecia agitado, mas quando falou foi como se estivesse tentando aparentar calma e indiferena.
 - H muitas coisas no Departamento de Mistrios, Potter, poucas das quais voc entenderia e nenhuma das quais  da sua conta. Estou sendo claro?
 - Est - respondeu Harry, ainda esfregando a cicatriz que doa cada vez mais.
 - Quero voc aqui  mesma hora na quarta-feira. Continuaremos a trabalhar ento.
 - timo - disse Harry. Ele estava desesperado para sair da sala de Snape e se reunir a Ron e Hermione.
 - Voc deve esvaziar sua mente de toda emoo antes de dormir; esvazie-a, deixe-a limpa e calma, compreendeu?
 - Sim - assentiu Harry, pouco atento.
 - E fique avisado, Potter... eu saberei se voc no praticou...
 - Certo - murmurou. E apanhando a mochila, atirou-a sobre o ombro e correu para a porta da sala. Ao abri-la, virou-se para olhar Snape, que estava de costas e retirava os pensamentos da Penseira com a ponta da varinha, repondo-os cuidadosamente na prpria cabea. Harry saiu sem dizer nada, fechando a porta cuidadosamente ao passar, a cicatriz ainda latejando dolorosamente.
Harry encontrou Ron e Hermione na biblioteca, onde preparavam uma verdadeira resma de dever que Umbridge passara recentemente. Outros alunos, quase todos do quinto ano, estavam sentados s mesas prximas, iluminadas por abajures, com o nariz grudado nos
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livros, as penas arranhando o papel febrilmente, enquanto o cu emoldurado pelas janelas de caixilhos escurecia sempre mais. O nico outro som que havia era o ligeiro rangido dos sapatos de Madame Pince, que percorria os corredores entre as estantes ameaadoramente, bufando no pescoo dos que tocavam seus preciosos livros.
Harry sentia arrepios; sua cicatriz ainda doa, sentia-se quase febril. Quando se sentou defronte a Ron e a Hermione, viu seu reflexo na janela; estava muito branco e a cicatriz parecia mais visvel do que o normal.
 - Como foi? - sussurrou Hermione, e ento com o ar preocupado - Voc est bem, Harry?
 - To... timo... no sei - respondeu impaciente, fazendo careta quando tornou a sentir uma pontada na cicatriz. - Escutem... acabei de compreender uma coisa...
E contou aos dois o que acabara de ver e deduzir.
 - Ento... ento voc est dizendo... - sussurrou Ron, quando Madame Pince passava, rangendo os sapatos - que a arma, a coisa que Voc-Sabe-Quem est procurando... est no Ministrio da Magia?
 - No Departamento de Mistrios, tem de estar - cochichou Harry. - Vi a porta quando o seu pai me levou  audincia nos tribunais, e decididamente  a mesma que ele estava guardando quando a cobra o mordeu.
Hermione deixou escapar um suspiro longo e lento.
 - Claro - sussurrou.
 - Claro o qu? - perguntou Ron meio impaciente.
 - Ron, pare e pense... Sturgius Podmore estava tentando passar por uma porta no Ministrio da Magia... deve ter sido a mesma, seria coincidncia demais!
 - Como  que o Sturgius estava tentando arrombar a porta se ele est do nosso lado? - perguntou Ron.
 - Bom, no sei - admitiu Hermione. -  meio estranho...
 - Ento o que  que tem no Departamento de Mistrios? - perguntou Harry a Ron. - Seu pai alguma vez disse alguma coisa?
 - Eu sei que eles chamam as pessoas que trabalham l de "Inominveis" - disse Ron, franzindo a testa. - Porque ningum parece saber realmente o que elas fazem, um lugar esquisito para guardar uma arma.
 - No  nada esquisito, faz absoluto sentido - retrucou Hermione. - Dever ser alguma coisa ultra-secreta que o Ministrio est desenvolvendo, imagino...
 - Harry, voc tem certeza de que est se sentindo bem? 
Harry acabara de correr as duas mos com fora pela testa, como se estivesse tentando pass-la a ferro.
 - To... timo... - respondeu, baixando as mos, que tremiam. S estou me sentindo um pouco... no gosto muito dessa tal Oclumncia.
 - Acho que qualquer um se sentiria abalado se tivesse a mente atacada tantas vezes seguidas - consolou-o Hermione. - Olhe, vamos voltar  sala comunal, ficaremos um pouco mais confortveis l.
Mas encontraram a sala comunal lotada, cheia de gritos, risos e agitao; Fred e George estavam demonstrando sua ltima inveno para a loja de 
logros e brincadeiras.
 - Chapus sem Cabeas! - anunciava George, enquanto Fred apontava para um chapu cnico decorado com uma pluma cor-de-rosa para os colegas que assistiam a ele. - Dois galees cada, olhem s o Fred, agora!
Fred levou o chapu  cabea com um gesto largo, sorrindo. Por um segundo, ele pareceu realmente idiota; ento ambos, chapu e cabea, desapareceram.
Vrias meninas soltaram gritinhos, mas todos os outros deram gostosas gargalhadas.
 - Tire o chapu! - gritou George, e a mo de Fred apalpou por um momento o que parecia ser apenas vento sobre o seu ombro; ento a cabea reapareceu quando, com um novo gesto largo, ele tirou o chapu emplumado.
 - Qual  a mgica desses chapus, ento? - perguntou Hermione, distraindo-se do dever que estava fazendo para apreciar Fred e George. - Quero dizer, obviamente usaram algum tipo de Feitio da Invisibilidade, mas  muito criativo ampliar o campo da invisibilidade para alm dos limites do objeto enfeitiado... Mas imagino que o feitio no dure muito tempo.
Harry no respondeu; estava se sentindo mal.
 - vou ter de fazer isso amanh - murmurou, tornando a enfiar na mochila os livros que acabara de tirar.
 - Bom, anote na sua agenda de deveres ento! - disse Hermione animando-o. - Para no esquecer.
Harry e Ron se entreolharam quando ele meteu a mo na mochila, tirou a agenda e abriu-a hesitante.
No deixe o dever para mais tarde, seu grande preguioso!", ralhou o livro enquanto Harry anotava o dever da Umbridge. Hermione sorriu.
 - Acho que vou me deitar - disse Harry, guardando a agenda na mochila e registrando mentalmente a inteno de jog-la na lareira na primeira oportunidade que tivesse.
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Atravessou ento a sala comunal, fugindo de George, que tentava colocar nele o Chapu sem Cabea, e alcanou a paz e o frescor da escada de pedra para o dormitrio dos meninos. Sentiu-se novamente mal, como no dia em que tivera a viso da cobra, mas achou que se pudesse deitar um pouco melhoraria.
Abriu a porta do dormitrio e dera apenas um passo para dentro quando sentiu uma dor to forte que parecia que algum cortara fora o topo de sua cabea. No sabia onde estava, se em p ou deitado, nem sequer sabia o prprio nome.
Uma gargalhada manaca ecoava em seus ouvidos... fazia muito tempo que ele no se sentia to feliz... jubiloso, exttico, triunfante... uma coisa muito maravilhosa acontecera...
 - Harry? HARRY!
Algum lhe dava tapas no rosto. A gargalhada demente foi pontuada com um grito de dor. A felicidade estava se esvaindo, mas a gargalhada continuava...
Ele abriu os olhos e, ao faz-lo, tomou conscincia de que a gargalhada alucinada saa de sua prpria boca. No instante em que percebeu isso, ela cessou; Harry estava cado no cho, arquejante, olhando para o teto, sua cicatriz latejando barbaramente. Ron se curvava para ele, parecendo muito preocupado.
 - Que aconteceu? - perguntou.
 - Eu... no sei... - ofegou Harry, sentando-se. - Ele est realmente feliz... realmente feliz...
 - Voc-Sabe-Quem?
 - Alguma coisa boa aconteceu - balbuciou Harry. E tremia tanto quanto depois de ver a cobra atacar o Sr. Weasley, alm de sentir-se muito enjoado. - Alguma coisa que ele esperava que acontecesse.
As palavras foram saindo de sua boca, exatamente como acontecera no vestirio da Grifindore, como se um estranho falasse atravs dele, contudo Harry sabia que eram verdadeiras. Ele inspirou profundamente vrias vezes, desejando no vomitar em cima de Ron. Ficou satisfeito que desta vez Dean e Seamus no estivessem ali para presenciar.
 - Hermione me mandou vir ver como voc estava - disse Ron em voz baixa, ajudando o amigo a se levantar. - Diz que suas defesas deviam estar muito baixas neste momento, depois do Snape ter mexido com a sua mente... ainda assim, suponho que v ser til a longo prazo, no?
Ele olhou para Harry com ar de dvida enquanto o ajudava a alcanar a cama. Harry concordou com um aceno de cabea, sem convico, e se largou sobre os travesseiros, o corpo doendo por ter
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cado tantas vezes naquela noite, sua cicatriz ainda formigando dolorosamente. No pde deixar de sentir que a sua primeira incurso em Oclumncia enfraquecera a resistncia de sua mente, ao invs de fortalec-la, e se perguntou, extremamente agitado, o que deixara Lord Voldemort na maior felicidade dos ltimos catorze anos.
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--CAPTULO VINTE E CINCO
O besouro acossado
A pergunta de Harry foi respondida logo na manh seguinte. Quando chegou o Profeta Dirio de Hermione, ela o abriu, deu uma espiada na primeira pgina e soltou um gritinho que fez com que todos ao seu redor a olhassem.
 - Qu? - perguntaram Harry e Ron juntos.
Em resposta, ela abriu o jornal na mesa diante dos garotos e apontou para dez fotografias em preto e branco que ocupavam toda a primeira pgina, nove caras de bruxos e, a dcima, de uma bruxa. Alguns deles zombavam em silncio; outros tamborilavam os dedos nas molduras dos retratos, com insolncia. Cada foto trazia uma legenda com um nome e o crime pelo qual a pessoa fora mandada para Azkaban.
Antony Dolohov, informava a legenda sob o bruxo com o rosto plido e torto que sorria troando para Harry, condenado pelo brutal homicdio de Gideon e Fabius Prewett,
Augustus Rookwood, lia-se sob a foto do homem com o rosto marcado por bexigas e os cabelos oleosos, que se apoiava na borda da foto com ar de tdio, condenado por passar Aquele-Que-No-Deve-SerNomeado segredos do Ministrio da Magia.
Mas o olhar de Harry foi atrado para a foto da bruxa. Seu rosto se destacara no momento em que ele vira a pgina. Tinha longos cabelos escuros que pareciam malcuidados e desgrenhados, embora ele os tivesse visto sedosos, espessos e brilhantes. Ela o encarou sob as pesadas plpebras, um sorriso arrogante e desdenhoso brincando em seus lbios. Como Sirius, ela conservava feies atraentes, mas alguma coisa - talvez Azkaban - levara a maior parte da sua beleza.
Belatrix Lestrange, condenada pela tortura e incapacitao permanente de Frank e Alice Longbottom.
Hermione cutucou Harry e apontou para a manchete no alto das fotos, que ele, concentrado em Belatrix, ainda no lera.
FUGA EM MASSA DE AZKABAN
MINISTRIO TEME QUE BLACK SEJA O "PONTO DE REUNIO" PARA ANTIGOS COMENSAIS DA MORTE
 - Black? - exclamou Harry em voz alta. - No...?
 - Psiu! - sussurrou Hermione desesperada. - No fale to alto... s leia!
O Ministrio da Magia anunciou  noite passada que houve uma fuga em massa em Azkaban.
Em entrevista aos reprteres em seu gabinete, Cornelius Fudge, ministro da Magia, confirmou que dez prisioneiros de segurana mxima escaparam no incio da noite de ontem, e que eleja informou ao primeiroministro dos Muggles a natureza perigosa dos fugitivos.
Ns nos encontramos, infelizmente, na mesma posio de dois anos e meio atrs quando o assassino Sirius Black fugiu", comentou Fudge. "E achamos que as duas fugas esto relacionadas. Uma fuga nessa escala aponta para ajuda externa, e devemos nos lembrar que Black, a primeira pessoa a escapar de Azkaban, estaria em posio ideal para ajudar outros a seguirem seus passos. Cremos que muito provavelmente esses indivduos, entre os quais se inclui a prima de Black, Belatrix Lestrange, se agruparam em torno de Black 
como seu lder. Estamos, no entanto, envidando todos os esforos para capturar os criminosos, e pedimos  comunidade bruxa que se mantenha alerta e cautelosa. Em nenhuma circunstncia devem se aproximar desses indivduos.
 - Est tudo a, Harry - disse Ron, assombrado. -  por isso que ele estava to feliz ontem  noite.
 - No acredito - vociferou Harry. - Fudge est culpando Sirius pela fuga?
 - Que outra opo ele tem? - disse Hermione amargurada. - No vai poder dizer "Desculpe, pessoal, Dumbledore me avisou que isto poderia acontecer, os guardas de Azkaban se uniram a Voldemort", pare de choramingar, Ron, "e agora seus piores seguidores tambm fugiram". Quero dizer, ele passou uns seis meses anunciando para todo o mundo que voc e Dumbledore eram mentirosos, no?
Hermione abriu com violncia o jornal e comeou a ler a notcia nas pginas internas enquanto Harry corria os olhos pelo Salo Principal. No conseguia entender por que seus colegas no estavam apavorados nem sequer discutiam a terrvel notcia na primeira pgina, mas poucos tinham assinatura diria do jornal como Hermione.
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Estavam todos conversando sobre os deveres e o quidditch - e quem sabe que outras tolices - quando fora dos muros da escola mais dez Comensais da Morte haviam engrossado as fileiras de Voldemort.
Ele ergueu os olhos para a mesa dos professores. Ali, a situao era diferente Dumbledore e a Prof McGonagall conversavam absortos, ambos parecendo extremamente srios. A Prof Sprout apoiara o Profeta Dirio em um vidro de ketchup e lia a primeira pgina com tal concentrao que nem reparava nos pingos de gema de ovo que caam em seu colo da colher que segurava no ar. Entrementes, na extremidade da mesa, a Prof Umbridge comia com entusiasmo sua tigela de mingau de aveia. Uma vez na vida seus empapuados olhos de sapo no estavam varrendo o Salo Principal  procura de alunos malcomportados. Engolia o mingau com ar aborrecido, e de vez em quando lanava um olhar malvolo para o lado da mesa em que Dumbledore e McGonagall conversavam to concentrados.
 - Nossa! - exclamou Hermione com ar de dvida, continuando a ler o jornal.
 - Que foi agora? - perguntou Harry depressa; estava assustado...
 - ... horrvel - disse, abalada. Ela dobrou a pgina dez do jornal e passou-o a Harry e Ron.
MORTE TRGICA DE FUNCIONRIO DO MINISTRIO DA MAGIA
O Hospital St. Mungus prometeu um inqurito rigoroso sobre a
morte do funcionrio do Ministrio da Magia, Broderick Bode, 49 anos,
encontrado em sua cama, estrangulado por uma planta envasada. Os
Curandeiros chamados no conseguiram reanimar o Sr. Bode, que fora
ferido em um acidente de trabalho algumas semanas antes.
A Curandeira Miriam Strout, que se encontrava de servio na enfermaria do Sr. Bode na hora do incidente, foi suspensa de suas funes, sem perda de remunerao, e no foi encontrada ontem para comentar a not cia, mas um porta-voz do hospital declarou
O Hospital St. Mungus lamenta profundamente a morte do Sr.
Bode, que estava em plena recuperao antes deste trgico acidente. Temos
diretrizes rigorosas para as decoraes permitidas em nossas enfermarias,
mas, aparentemente, a Curandeira Strout, muito atarefada durante o
perodo natalino, no percebeu o perigo da planta  cabeceira do Sr. Bode.
 medida que sua fala e mobilidade melhoravam, a Curandeira Strout
-encorajou o Sr. Bode a cuidar sozinho da planta, sem saber que no era
uma inocente diafanina, mas uma muda de visgo-do-diabo que, ao ser
-< tocada pelo convalescente Sr. Bode, estrangulou-o instantaneamente. 
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O St. Mungus ainda no soube explicar a presena da planta, e pede a quem tiver alguma informao para se apresentar.
 - Bode - repetiu Ron. - Bode. Me lembra alguma coisa...
 - Ns o vimos - cochichou Hermione. - No St. Mungus, lembra? Estava na cama defronte a Lockhart, deitado, olhando para o teto. E vimos o visgo-do-diabo chegar. Ela, a Curandeira, 
disse que era presente de Natal!
Harry foi se lembrando da histria. Uma sensao de horror comeou a subir como bile  sua boca.
 - Como foi que no reconhecemos o visgo? Ns j o vimos antes... poderamos ter impedido isso de acontecer.
 - Quem espera que um visgo-do-diabo aparea em um hospital disfarado de plantinha ornamental? - perguntou Ron asperamente.
 - No  nossa culpa, quem a mandou para o cara  que  culpado! Deve ter sido uma perfeita anta, por que no verificou o que estava comprando?
 - Ah, Ron, nem vem! - disse Hermione trmula. - No acho que algum envasasse o visgo sem saber que tentaria matar quem o tocasse! Isso foi homicdio... e um homicdio engenhoso... se a planta foi enviada anonimamente, como  que algum vai descobrir quem a mandou?
Harry no estava pensando no visgo-do-diabo. Estava se lembrando de um homem de rosto macilento que entrara no nvel do Atrio, quando tomaram o elevador para o nvel nove do Ministrio no dia de sua audincia.
 - Eu conheci Bode - disse lentamente. - Eu o vi no Ministrio quando fui com o seu pai.
O queixo de Ron caiu.
 - Eu ouvi papai falar dele em casa! Era um Inominvel trabalhava no Departamento de Mistrios!
Os garotos se entreolharam por um momento, ento Hermione tornou a puxar o jornal para ela, estudou por um momento as fotos dos dez Comensais da Morte fugitivos na primeira pgina e ento ficou em p de repente.
 - Aonde  que voc vai? - perguntou Ron surpreso.
 - Enviar uma carta - disse Hermione, atirando a mochila por cima do ombro. - Bom, no sei se... mas vale a pena tentar... eu sou a nica que pode.
 - Detesto quando ela faz isso - resmungou Ron ao se levantar com Harry para sarem sem pressa do Salo Principal. - Ser que ia
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morrer se nos dissesse o que pretende fazer ao menos uma vez? S levaria mais dez segundos... eh, Hagrid!
Hagrid estava parado  porta do Salo Principal, esperando uma turma de alunos da Ravenclaw passar. Continuava to machucado quanto no dia em que voltara de sua misso aos gigantes, e havia um novo corte na ponta do seu nariz.
 - Tudo bem, vocs dois? - disse, fazendo um esforo para sorrir, mas s conseguindo produzir uma careta de dor.
 - Voc est OK, Hagrid? - perguntou Harry, acompanhando-o nas esteiras dos alunos da Ravenclaw.
 - timo, timo - respondeu Hagrid, assumindo sem sucesso um tom displicente; acenou e por pouco no bateu na assustada Prof Vector que ia passando. - Ocupado, voc sabe, o de sempre, aulas para preparar, umas salamandras tiveram podrido nas escamas, e estou em observao - murmurou.
 - Est em observao? - repetiu Ron em voz alta, de modo que vrios alunos prximos olharam curiosos. - Desculpe... quero dizer... voc est em observao? - sussurrou.
 - Eu no esperava outra coisa, para falar a verdade. Vocs talvez no tenham percebido, mas a inspeo no correu muito bem, entendem... em todo o caso - ele deu um profundo suspiro. - Melhor eu ir esfregar mais um pouco de pimenta nas salamandras ou os rabos delas vo cair. At mais, Harry... Ron...
Ele saiu pesadamente pela porta da frente e desceu a escada em direo aos terrenos molhados. Harry ficou observando-o se afastar, imaginando quantas ms notcias ele poderia suportar.
O fato de Hagrid estar em observao tornou-se conhecido em toda a escola nos dias seguintes, mas, para indignao de Harry, quase ningum pareceu se incomodar; na verdade, algumas pessoas, entre as quais se destacava Draco Malfoy, pareciam decididamente felizes. Quanto  morte estranha de um obscuro funcionrio do Ministrio da Magia no St. Mungus, Harry, Ron e Hermione pareciam ser as nicas pessoas que sabiam ou se importavam. Havia apenas um tpico de conversa nos corredores agora os dez Comensais da Morte fugitivos, cuja histria finalmente se filtrara pela escola atravs dos poucos que liam jornais. Voavam boatos de que alguns dos condenados tinham sido vistos em Hogsmeade, que deviam estar escondidos na Casa dos Gritos e que iam invadir Hogwarts, tal como haviam dito sobre Sirius um dia.
Os que pertenciam a famlias bruxas tinham sido criados ouvin449
do os nomes dos Comensais da Morte com quase tanto medo quanto o de Voldemort; os crimes que haviam cometido durante o reinado de terror do Lorde das Trevas eram lendrios. Havia parentes das vtimas entre os alunos de Hogwarts, que agora se viam transformados em involuntrios objetos de uma fama indireta e sinistra quando passavam pelos corredores Susan Bomes, cujos tio, tia e primos tinham morrido 
pela mo de um dos dez, comentou, infeliz, durante uma aula de Herbologia que agora tinha uma boa idia de como Harry se sentia.
 - E no sei como voc suporta  horrvel - disse ela sem rodeios, despejando estrume demais em sua bandeja de mudinhas de bocasde-guincho, fazendo-as se torcerem e estrilar incomodadas.
 verdade que Harry ultimamente voltara a ser comentado aos sussurros e apontado nos corredores, contudo achava ter percebido uma ligeira diferena no tom dos colegas. Agora pareciam curiosos em vez de hostis, e uma ou duas vezes teve certeza de ouvir fragmentos de conversas que sugeriam que as pessoas no estavam satisfeitas com a verso do Profeta de como e por que dez Comensais da Morte tinham conseguido escapar da fortaleza de Azkaban. Em sua confuso e medo, os que duvidavam estavam se voltando para a nica explicao que conheciam a que Harry e Dumbledore vinham apresentando desde o ano anterior.
No era apenas a atitude dos estudantes que havia mudado. Agora era bem comum deparar com dois ou trs professores conversando em sussurros urgentes nos corredores, interrompendo a conversa no momento em que viam alunos se aproximarem.
 - Obviamente eles no podem mais conversar na sala de professores - comentou Hermione em voz baixa, quando ela, Harry e Ron passaram um dia por McGonagall, Flitwick e Sprout agrupados  porta da sala de Feitios. - No com a Umbridge por l.
 - Voc acha que eles sabem de alguma novidade? - perguntou Ron, espiando por cima do ombro para os trs professores.
 - Se souberem, no vamos saber, no ? - falou Harry irritado. No depois do decreto... em que nmero estamos agora? - Pois havia aparecido um novo aviso nos quadros das Casas na manh seguinte  fuga de Azkaban 
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POR ORDEM DA ALTA INQUISIDORA DE HOGIVARTS
Doravante, os professores esto proibidos de passar informaes aos estudantes que no estejam estritamente relacionadas com as disciplinas que so pagos para ensinar.
A ordem acima est de acordo com o Decreto Educacional Nmero Vinte e Seis
Assinado Dolores Jane Umbridge, Alta Inquisidora
Este ltimo decreto fora tema de um grande nmero de piadas entre os alunos. Linus Jordan havia lembrado a Umbridge que, pelos termos da nova lei, ela no podia ralhar com Fred e George por brincarem com Snap Explosivo no fundo da sala.
 - Snap Explosivo no tem relao alguma com Defesa Contra as Artes das Trevas, professora! No  uma informao pertinente  sua disciplina!
Da prxima vez que Harry encontrou Linus, as costas de uma das mos do amigo sangravam muito. Recomendou-lhe essncia de murtisco.
Harry achara que a fuga de Azkaban pudesse deixar Umbridge mais humilde, que ela fosse se envergonhar do desastre que ocorrera bem debaixo do nariz do seu querido Fudge. Parecia, porm, que a fuga apenas intensificara o seu desejo furioso de submeter cada aspecto da vida de Hogwarts ao seu controle pessoal. Parecia decidida a obter pelo menos uma demisso sem muita demora, a nica dvida era quem iria primeiro, se a Prof Trelawney ou Hagrid.
Cada aula de Adivinhao e Trato das Criaturas Mgicas era dada em presena de Umbridge e sua prancheta. Ela rondava a lareira na sala da torre intensamente perfumada, interrompendo as aulas cada vez mais histricas da Prof Trelawney com perguntas difceis sobre ornitomancia e heptomologia, insistindo que ela previsse as respostas dos alunos antes de receb-las e exigindo que ela demonstrasse sua percia com a bola de cristal, as folhas de ch e as runas, uma a uma. Harry achou que em breve Trelawney sucumbiria sob tanta presso. Vrias vezes ele passou pela professora nos corredores - o que era em si uma ocorrncia incomum, pois em geral ela permanecia na sala da torre - murmurando tresloucada, torcendo as mos e lanando olhares aterrorizados por cima do ombro, exalando o tempo todo um forte cheiro de xerez ordinrio. Se no estivesse to preocupado com Hagrid, teria sentido pena dela, mas se algum ia
perder o emprego, s poderia haver uma opo para Harry quanto a quem devia continuar.
Infelizmente, Harry no conseguia imaginar Hagrid dando um espetculo melhor do que Trelawney. E embora ele parecesse estar seguindo o conselho de Hermione e no tivesse mostrado aos alunos mais nada assustador do que um Grupe - um bicho que pouco diferia de um co terrier exceto pela cauda bifurcada - desde antes do Natal, Hagrid tambm parecia ter se acovardado. Estava curiosamente distrado e nervoso durante as aulas, perdia o fio do que estava ensinando  
turma, respondia errado s perguntas, e todo o tempo olhava ansioso para Umbridge. Estava tambm mais distante de Harry, Ron e Hermione do que jamais estivera, e os proibira expressamente de visit-lo depois do escurecer.
 - Se ela pegar vocs, os nossos pescoos sero cortados - disse sem rodeios. E como os garotos no quisessem fazer nada que pudesse pr em risco o emprego do amigo, os trs se abstiveram de ir at sua cabana  noite.
Parecia a Harry que Umbridge estava constantemente privando-o de tudo que fazia sua vida em Hogwarts valer a pena: as visitas  casa de Hagrid, as cartas de Sirius, sua Firebolt e o quidditch. Ele se vingou da nica maneira que sabia - redobrando seus esforos na AD.
Harry ficou satisfeito de constatar que todos, at mesmo Zacarias, tinham se sentido incentivados a trabalhar com mais vigor que nunca ao saberem que mais dez Comensais da Morte estavam agora soltos. Mas em ningum essa melhoria foi mais pronunciada do que em Neville. A notcia da fuga dos atacantes dos seus pais produzira nele uma alterao estranha e at ligeiramente assustadora. Nunca mencionara o seu encontro com Harry, Ron e Hermione na enfermaria fechada do St. Mungus e, seguindo sua deixa, os garotos tinham se calado tambm. Tampouco comentara a fuga de Belatrix e dos colegas torturadores. De fato, Neville quase no falava mais durante as reunies da AD, trabalhava sem descanso em cada nova maldio e contra-maldio que Harry ensinava, seu rosto gorducho contorcido de concentrao, aparentemente insensvel aos ferimentos u acidentes, se esforando mais do que qualquer outro na sala. Estava melhorando to depressa que chegava a assustar, e quando Harry lhes ensinou o Feitio Escudo - um meio de desviar pequenos feitios e taz-los ricochetear contra o atacante - somente Hermione dominou
o feitio mais depressa do que Neville.
Harry teria dado o cu para fazer tanto progresso em Oclumncia quanto Neville nas reunies da AD. As sesses de Harry com
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Snape, que tinham comeado bastante mal, no melhoraram. Pelo contrrio, Harry sentia que estava piorando a cada aula.
Antes de comear a estudar Oclumncia, sua cicatriz formigava ocasionalmente durante a noite, ou ento em seguida a um dos estranhos vislumbres dos pensamentos ou emoes de Voldemort que captava de vez em quando. Agora, no entanto, sua cicatriz quase nunca parava de formigar, e muitas vezes ele sentia sbitos assomos de irritao ou alegria, alheios ao que estava lhe acontecendo no momento, que eram sempre acompanhados por uma ferroada particularmente dolorosa na cicatriz. Ele tinha a terrvel impresso de que estava se transformando aos poucos em uma espcie de antena alinhada com as mnimas flutuaes do humor de Voldemort, e tinha certeza de poder remontar esse aumento de sensibilidade  primeira aula com Snape. Alm do mais, agora estava sonhando quase toda a noite que caminhava pelo corredor em direo  entrada do Departamento de Mistrios, sonhos esses que sempre culminavam com ele parado cobioso diante da porta preta sem enfeites.
 - Talvez seja como uma doena - disse Hermione, parecendo preocupada, quando ele confidenciou seus pensamentos aos dois amigos. - Uma febre ou coisa assim. Tem de piorar antes de melhorar.
 - As aulas com Snape esto fazendo piorar - afirmou Harry. Estou cansado de sentir minha cicatriz doer e farto de andar pelo mesmo corredor toda noite. - Ele esfregou a testa com raiva. Gostaria que a porta se abrisse, estou cheio de ficar parado olhando para ela...
 - Isso no tem graa - disse Hermione com aspereza. Dumbledore no quer que voc tenha sonhos com aquele corredor, ou no teria pedido ao Snape que lhe ensinasse Oclumncia. Voc vai ter  que se esforar mais nas suas aulas.
 - Estou trabalhando! - respondeu Harry exasperado. - Experimente voc uma vez... Snape tentando entrar na sua cabea... no d para gargalhar, sabe!
 - Talvez... - comeou Ron lentamente.
 - Talvez o qu? - perguntou Hermione cortando-o.
 - Talvez no seja culpa de Harry que ele no consiga fechar a mente - arriscou Ron sombriamente.
 - Que  que voc est querendo dizer? - perguntou Hermione.
 - Bom, talvez Snape no esteja realmente querendo ajudar Harry...
Harry e Hermione o encararam. Ron olhou um e outro com uma expresso misteriosa e assustadora.
 - Talvez - repetiu baixando mais a voz - ele esteja, na verdade,
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tentando abrir mais a mente de Harry... facilitar a entrada de VocSabe...
 - Cala a boca, Ron - disse Hermione zangada. - Quantas vezes voc suspeitou de Snape, e quando foi que teve razo? Dumbledore confia nele, ele trabalha para a Ordem, isso deveria ser suficiente.
 - Ele costumava ser um Comensal da Morte - teimou Ron. - E nunca vimos prova de que tenha realmente trocado de lado.
 - Dumbledore 
confia nele - repetiu Hermione. - E se no pudermos confiar em Dumbledore, ento no poderemos confiar em mais ningum.
Com tanto com que se preocupar e tanto para fazer - uma assustadora quantidade de deveres que freqentemente mantinham os quintanistas trabalhando at depois da meia-noite, as reunies secretas da AD e as aulas regulares de Snape - o ms de janeiro parecia estar passando com alarmante rapidez. Antes que Harry desse por isso, fevereiro chegara, trazendo um tempo mais mido e mais quente e a perspectiva da segunda visita do ano a Hogsmeade. Harry tivera muito pouco tempo para gastar em conversas com Cho desde que haviam concordado em visitar a vila juntos, mas de repente viu-se diante da perspectiva de passar o Dia dos Namorados todo em sua companhia. Na manh do dia 14 de fevereiro vestiu-se com especial cuidado. Ele e Ron chegaram ao salo para tomar caf na hora em que pousavam as corujas trazendo o correio. Edwig no apareceu - no que Harry a esperasse - mas Hermione ia puxando uma carta do bico de uma coruja castanha desconhecida, quando eles se sentaram.
 - E j no era sem tempo! Se no tivesse vindo hoje... - comentou ela ansiosa, abrindo o envelope de onde tirou um pequeno pergaminho. Seus olhos correram da esquerda para a direita quando leu a mensagem, e uma expresso de sinistra satisfao se espalhou pelo seu rosto.
 - Escute, Harry - disse ela erguendo os olhos - isto  realmente importante. Voc acha que pode se encontrar comigo no Trs Vassouras por volta do meio-dia?
 - Bom... no sei - disse Harry em dvida. - Cho talvez esteja esperando que eu passe o dia com ela. No combinamos o que amos fazer.
 - Bom, se precisar leve ela junto - disse Hermione com urgncia. - Mas voc vai?
 - Bom... tudo bem, mas por qu?
 - Agora no tenho tempo de lhe contar, tenho de responder logo essa mensagem.
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E saiu correndo do Salo Principal, a carta apertada em uma das mos e um pedao de torrada na outra.
 - Voc vai? - Harry perguntou a Ron, que sacudiu a cabea, com um ar deprimido.
 - Nem posso ir a Hogsmeade; Angelina quer que a gente treine o dia todo. Como se isso fosse ajudar; somos o pior time que j vi. Voc devia ver o Sloper e o Kirke, so patticos, piores que eu. - Ele deu um profundo suspiro. - No sei por que a Angelina no me deixa pedir demisso de uma vez.
 - Porque voc  bom quando est em forma, s por isso - retrucou Harry irritado.
Tinha muita dificuldade em manifestar simpatia pela situao de Ron, quando ele prprio teria dado quase tudo para participar do prximo jogo contra a Hufflepuff. Ron pareceu perceber o tom do amigo, porque no tornou a mencionar a partida durante o caf, e houve uma certa frieza na maneira como se despediram pouco depois. Ron saiu para o campo de quidditch e Harry, depois de tentar assentar os cabelos, mirando-se no cncavo da colher, rumou sozinho para o Saguo de Entrada para se encontrar com Cho, sentindose muito apreensivo e se perguntando sobre o que iriam conversar.
Ela o aguardava ao lado da porta de carvalho, muito bonita com os cabelos presos atrs em um bonito rabo-de-cavalo. Os ps de Harry lhe pareceram grandes demais para o seu corpo enquanto caminhava ao encontro dela, e de repente tomou conscincia dos seus braos e como deviam parecer idiotas balanando dos lados.
 - Oi - disse Cho ligeiramente sem ar.
 - Oi - disse Harry.
Eles se olharam por um momento e Harry ento falou
 - Bom... ah... ento vamos?
 - Ah... claro...
Os dois entraram na fila de alunos a serem liberados por Filch, seus olhos se encontrando ocasionalmente, dando sorrisos esquivos, mas no conversaram. Harry sentiu alvio quando chegaram l fora, achando mais fcil caminharem em silncio do que ficar parados constrangidos. Era um dia fresco, do tipo em que sopra uma brisa, e, ao passarem pelo estdio de quidditch, Harry viu de relance Ron e Giny sobrevoando as arquibancadas e sentiu uma terrvel angstia por no estar l no alto com eles.
 - Voc realmente sente falta, no ? - perguntou Cho. 
Harry virou-se e notou que ela o observava.
 - Sinto - suspirou Harry. - Sinto mesmo. 
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 - Lembra da primeira vez que jogamos como adversrios no terceiro ano?
 - Lembro - disse Harry sorrindo. - Voc me bloqueou o tempo todo.
 - E Oliver disse para voc parar de bancar o cavalheiro e me derrubar da vassoura se precisasse - disse Cho, sorrindo com a lembrana. - Ouvi dizer que ele foi contratado pelo Orgulho de Portree,  verdade?
 - Nam, foi pelo Unio de Puddlemere; eu o vi jogando na Copa do Mundial no ano passado.
 - Ah, tambm vi voc l, lembra? Estvamos no mesmo acampamento. Foi realmente 
bom, no achou?
O assunto Copa Mundial de Quidditch levou-os pela estrada da escola e alm das grades. Harry mal conseguia acreditar como era fcil conversar com ela - de fato, no era mais difcil do que conversar com Ron e Hermione - e estava comeando a se sentir confiante e feliz quando uma enorme turma de garotas da Slytherin passou por eles, inclusive Pansy Parkinson.
 - Potter e Chang! - guinchou Pansy, que puxou um coro de risinhos de deboche. - Eca, Chang, que mau gosto... pelo menos o Diggory era bonito!
As garotas aceleraram o passo, falando e dando gritinhos crticos, lanando olhares exagerados para Harry e Cho atrs, e deixando ao passar um silncio constrangido. Harry no conseguia pensar em mais nada para dizer sobre quidditch, e Cho, levemente corada, olhava para os ps.
 - Ento... aonde  que voc quer ir? - perguntou Harry quando entraram em Hogsmeade. A rua Principal estava cheia de estudantes que caminhavam olhando vitrines e tumultuando as caladas.
 - Ah... no faz diferena - disse Cho encolhendo os ombros. Hum... vamos dar uma olhada nas vitrines ou outra coisa qualquer?
Eles foram andando em direo  Dervixes & Bangs. Um grande cartaz fora afixado  vitrine, e alguns moradores de Hogsmeade o liam. Eles se afastaram para um lado quando Harry e Cho se aproximaram, e o garoto se viu, mais uma vez, diante das fotos dos dez Comensais da Morte fugitivos. O cartaz, "Por Ordem do Ministrio da Magia", oferecia uma recompensa de mil galees a qualquer bruxo u bruxa com informaes que possibilitassem a recaptura dos condenados retratados.
 - E engraado, no  - comentou Cho em voz baixa, olhando as rotos dos Comensais da Morte - lembra quando Sirius Black fugiu e havia Dementadores por toda Hogsmeade  procura dele? E agora dez
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Comensais da Morte esto soltos e no h Dementadores em lugar nenhum...
 -  - concordou Harry, desviando os olhos do rosto de Belatrix Lestrange para os dois lados da rua Principal. - ,  bem esquisito.
Ele no lamentava que no houvesse Dementadores por ali, mas agora, pensando bem, a ausncia deles era extremamente significativa. No somente haviam deixado os Comensais da Morte escapar, como nem estavam se dando o trabalho de procur-los... parecia que agora haviam realmente escapado ao controle do Ministrio.
Os dez fugitivos estavam em todas as vitrines pelas quais eles passaram. Na altura da Loja de Penas Escriba, comeou a chover; pingos grossos e frios batiam no rosto e na nuca de Harry.
 - Ah... quer tomar um caf? - perguntou Cho hesitante, quando a chuva comeou a cair com mais intensidade.
 - Ah, vamos - disse Harry olhando ao redor. - Aonde?
 - Ah, tem um lugar realmente gostoso ali adiante; voc nunca esteve no Madame Puddifoot? - perguntou ela, animada, conduzindo-o, por uma rua lateral, a uma pequena casa de ch em que Harry nunca reparara antes. Era um lugarzinho apertado e cheio de vapor, onde tudo parecia ter sido decorado com laos e babadinhos. Lembrou a Harry desagradavelmente a sala da Umbridge.
 - Bonitinho, no ? - perguntou Cho alegre.
 - Ah...  - respondeu Harry sem sinceridade.
 - Olhe, ela preparou uma decorao para o Dia dos Namorados!
 - disse Cho, apontando para os querubins dourados que pairavam sobre as mesinhas circulares, e que a intervalos deixavam cair confetes sobre os fregueses.
 - Aaah...
Os dois se sentaram  ltima mesa que restava, ao lado da janela embaada. Roger Davies, capito do time da Ravenclaw, estava sentado a menos de meio metro com uma lourinha bonita. De mos dadas. A cena fez Harry se sentir pouco  vontade, particularmente quando, ao correr os olhos pela loja, viu que s havia casais, todos de mos dadas. Talvez Cho esperasse que ele segurasse a mo dela.
 - Que posso servir a vocs, queridos? - perguntou Madame Puddifoot, uma mulher muito corpulenta com um coque negro e brilhante, espremendo-se entre a mesa deles e a de Roger com grande dificuldade.
 - Dois cafs, por favor - pediu Cho.
No intervalo que levou para os cafs chegarem, Roger Davies e a namorada comearam a se beijar por cima do aucareiro. Harry
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gostaria que no o tivessem feito; sentia que Davies estava estabelecendo um padro com o qual Cho logo iria querer que ele competisse. Sentiu seu rosto comear a esquentar e tentou olhar pela janela, mas estava to embaada que no dava para ver a rua l fora. Para adiar o momento em que teria de olhar para Cho, Harry ergueu os olhos como se estivesse examinando a pintura e recebeu um punhado de confete no rosto, 
lanado pelos querubins.
Passados mais alguns minutos penosos, Cho mencionou Umbridge. Harry aproveitou a oportunidade com alvio, e passaram alguns momentos divertidos xingando-a, mas, como o assunto j fora examinado to plenamente durante as reunies da AD, no durou muito tempo. O silncio tornou a cair. Harry estava muito consciente dos barulhos de mastigar e engolir da mesa ao lado, e procurou desesperadamente mais alguma coisa para falar.
 - Ah... escute aqui, voc quer ir comigo ao Trs Vassouras na hora do almoo? Preciso me encontrar com Hermione Granger l.
Cho ergueu as sobrancelhas.
 - Voc precisa se encontrar com Hermione Granger? Hoje?
 - . Bom, ela me pediu, ento achei que tudo bem. Voc quer ir comigo? Ela disse que tudo bem se voc fosse.
 - Ah... bom... que simptica!
Mas Cho no parecia ter achado nada simptico. Pelo contrrio, seu tom foi frio e, de repente, ela assumiu um ar hostil.
Mais alguns minutos se passaram em total silncio, Harry tomando seu caf to depressa que logo precisaria de outro. Ao lado, Roger e a namorada pareciam estar colados pelos lbios.
A mo de Cho estava em cima da mesa, ao lado do seu caf, e Harry' comeou a sentir um impulso crescente de segur-la. Ento segure-a, disse a si mesmo, enquanto uma fonte de pnico e excitao jorrava em seu peito, estique a mo e segure-a. Surpreendente, como era muito mais difcil esticar o brao trinta centmetros e tocar a mo dela do que capturar um snitch passando veloz no ar...
Mas, na hora em que estendeu a mo, Cho retirou a dela da mesa. Estava agora observando Roger beijar a namorada com uma expresso levemente interessada.
 - Ele me convidou para sair, sabe - disse em voz baixa. - H umas duas semanas, o Roger. Mas eu no aceitei.
Harry, que agarrara o aucareiro para justificar o seu gesto repentino, no conseguiu entender por que Cho estava lhe dizendo aquilo. Se queria estar sentada na mesa ao lado, sendo calorosamente beijada por Roger Davies, ento por que concordara em vir com ele?
Continuou calado. O querubim sobre a mesa atirou mais um
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punhado de confetes neles; alguns caram no restinho frio de caf na xcara que Harry ia beber.
 - Vim aqui com Cedric no ano passado - disse Cho.
No segundo, ou pouco mais, que Harry levou para entender o que Cho dissera, suas entranhas congelaram. No conseguia acreditar que quisesse falar de Cedric neste momento, com casais se beijando ao seu redor e querubins sobrevoando suas cabeas.
A voz de Cho estava bem mais alta quando tornou a falar.
 - H um tempo que estou querendo perguntar a voc... o Cedric... ele f-f-falou em mim antes de morrer?
Este era o ltimo assunto no mundo que Harry queria discutir, e menos ainda com Cho.
 - Bom... no... - disse calmamente. - No... no houve tempo para ele dizer nada. Hum... ento... voc... assiste a muitas partidas de quidditch durante as frias? Voc torce pelos Tornados, certo?
Sua voz parecia falsamente animada e feliz. Para seu horror, os olhos dela estavam mais uma vez marejados de lgrimas, como depois da ltima reunio da AD antes do Natal.
 - Olhe - disse ele desesperado, curvando-se para ningum mais ouvir - no vamos falar de Cedric agora... vamos falar de outra coisa...
Mas, aparentemente, dissera a coisa errada.
 - Pensei - disse Cho com as lgrimas salpicando a mesa. - Pensei que voc en-en-entenderia! Preciso falar nisso! Com certeza voc tambm p-precisa falar! Quero dizer, voc viu acontecer, no v-viu?
Tudo estava saindo errado como em um pesadelo; a namorada de Roger at descolara dele para apreciar.
 - Bom... eu falei nisso - disse Harry num sussurro - com Ron e Hermione, mas...
 - Ah, voc fala com Hermione Granger! - disse Cho com voz aguda, o rosto agora brilhante de lgrimas. Outros tantos casais que se beijavam pararam para olhar. - Mas no quer falar comigo! T-talvez fosse melhor se a gente simplesmente p-pagasse a conta e voc fosse se encontrar com Hermione G-Granger, como  bvio que quer fazer!
Harry encarou-a, absolutamente perplexo, enquanto ela apanhava o guardanapo de babadinhos e secava o rosto.
 - Cho! - disse ele com a voz fraquinha, desejando que Roger agarrasse a namorada e recomeasse a beij-la para impedi-la de ficar encarando os dois.
 - V embora, ento! - disse ela, agora chorando no guardanapo.
 - No sei por que voc me convidou para sair, para comear, se com459
binou se encontrar com outras garotas depois de mim... quantas mais voc vai encontrar depois da Hermione?
 - No  nada disso! - disse Harry, e estava to aliviado de finalmente compreender o motivo do aborrecimento de Cho que riu, o que percebeu, uma frao de segundo depois, tarde demais, que tambm fora um erro.
Cho se levantou. A sala estava silenciosa e todos os observavam.
 - A gente se v por a, Harry - disse ela teatralmente, e, soluando um pouco, precipitou-se para a porta, abriu-a com violncia e saiu para 
a chuva intensa.
 - Cho! - Harry chamou, mas a porta j se fechara com um tilintar musical.
Fez-se absoluto silncio na casa de ch. Todos os olhares convergiram para Harry. Ele atirou um galeo na mesa, sacudiu o confete dos cabelos e saiu atrs de Cho.
Chovia pesado e ela no estava  vista. Harry simplesmente no entendia o que acontecera; h meia hora eles estavam se entendendo bem.
 - Mulheres! - resmungou com raiva, chapinhando pela rua lavada de chuva com as mos nos bolsos. - Afinal, para que  que ela queria falar do Cedric? Por que est sempre querendo puxar um assunto que a faz agir como se fosse uma mangueira humana?
Ele virou  direita e saiu correndo, espadanando gua, e alguns minutos depois chegava  porta do Trs Vassouras. Sabia que era cedo demais para se encontrar com Hermione, mas achou que provavelmente haveria algum l com quem ele pudesse passar o tempo. Sacudiu os cabelos molhados para afast-los e relanceou o olhar pela sala. Hagrid estava sentado sozinho em um canto, parecendo infeliz.
 - Oi, Hagrid! - chamou Harry, espremendo-se entre as mesas cheias e puxando uma cadeira para sentar ao lado do amigo.
Hagrid deu um pulo e olhou para baixo como se mal o reconhecesse. O garoto notou que havia dois novos cortes e vrios hematomas em seu rosto.
 - Ah,  voc, Harry. Voc est bom?
 - Estou timo - mentiu Harry; mas ao lado do maltratado e tristonho Hagrid sentiu que no tinha muito do que se queixar. - Ah... voc est OK?
 - Eu? Ah, estou timo, Harry, timo.
Ele olhou para o fundo do caneco de estanho, do tamanho de um balde, e suspirou. Harry no sabia o que dizer. Ficaram lado a lado em silencio por um momento. Ento Hagrid disse abruptamente.
 - No mesmo barco, voc e eu, no estamos, Arry? -Ah...
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 - ... j disse isso antes... os dois forasteiros, por assim dizer comentou Hagrid acenando a cabea sensatamente. - E os dois rfos. ... os dois rfos.
Ele tomou um longo gole.
 - Faz diferena ter uma famlia decente. Meu pai era decente. E seu pai e sua me eram decentes. Se tivessem vivido, a vida teria sido diferente, hein?
 - ... suponho que sim - concordou Harry com cautela. Hagrid parecia estar num estado de nimo muito estranho.
 - Famlia - disse sombriamente. - Podem dizer o que quiserem, o sangue  importante...
E enxugou um fio de lgrima que escorria do olho.
 - Hagrid - perguntou Harry, incapaz de se conter - onde  que voc est arranjando todos esses ferimentos?
 - Eh? - exclamou Hagrid parecendo assustado. - Que ferimentos?
 - Todos esses a! - disse Harry apontando para o seu rosto.
 - Ah... so s pancadas e arranhes normais - disse ele desencorajando perguntas -;  um trabalho espinhoso.
Ele esvaziou o caneco, descansou-o na mesa e se levantou.
 - A gente se v, Harry... cuide-se bem.
Ele saiu pesadamente do bar com um ar deprimido, e desapareceu na chuva torrencial. Harry acompanhou-o com o olhar, sentindo-se no fundo do poo. Hagrid estava infeliz e escondia alguma coisa, mas parecia decidido a no aceitar ajuda. Que estaria acontecendo? Antes que Harry pudesse continuar a refletir, ouviu algum chamando-o.
 - Harry! Harry, aqui!
Hermione acenava para ele do outro lado da sala. Ele se levantou e atravessou o pub cheio. Ainda estava a algumas mesas de distncia quando percebeu que a amiga no estava sozinha. Estava sentada  mesa com os companheiros de copos mais improvveis que ele poderia imaginar Luna Lovegood e ningum menos que Rita Skeeter, ex-jornalista do Profeta Dirio e uma das pessoas de quem Hermione menos gostava no mundo.
 - Voc chegou cedo! - disse Hermione puxando a cadeira para abrir espao para ele sentar. - Pensei que estivesse com a Cho, s esperava voc daqui a uma hora!
 - Cho? - exclamou Rita na mesma hora, se virando na cadeira para encarar Harry com avidez. - Uma garota?
Ela agarrou a bolsa de couro de crocodilo e procurou alguma coisa dentro. - - . .. 461
 - No  da sua conta se Harry estava com cem garotas - disse Hermione a Rita calmamente. - Ento pode guardar isso agora mesmo.
Rita j ia tirando uma pena verde cido da bolsa. Fazendo cara de quem fora obrigada a engolir Palha-fede, ela tornou a fechar a bolsa com um estalo.
 - Que  que vocs esto tramando? - perguntou Harry, sentando-se e olhando de Rita para Luna e desta para Hermione.
 - A Srta. Perfeio ia me dizer quando voc chegou - disse Rita tomando um grande gole de sua bebida. - Imagino que eu tenha permisso Ac falar com ele, no? - disparou contra Hermione.
 - Imagino que sim - respondeu a outra com frieza.

O desemprego no fazia bem a Rita. Seus cabelos, que antigamente eram penteados com cachos caprichosos, agora caam lisos e malcuidados em torno do rosto. A tinta escarlate nas garras de cinco centmetros estava lascada e faltavam umas pedrinhas nos seus culos de asas. Ela tomou outro grande gole e perguntou a Harry pelo canto da boca
 -  uma garota bonita, Harry?
 - Mais uma palavra sobre a vida amorosa de Harry e o trato est desfeito, eu juro - disse Hermione irritada.
 - Que trato? - perguntou Rita, enxugando a boca com as costas da mo. - Voc ainda no tinha falado em trato, Srta. Certinha, s me disse para aparecer. Ah, um dia desses... - Ela inspirou profundamente estremecendo.
 - Sei, sei, um dia desses voc vai escrever mais histrias horrorosas sobre Harry e mim - retorquiu Hermione com indiferena. Procure algum que se interesse, por que no faz isso?
 - Publicaram muitas histrias horrorosas sobre Harry este ano sem a minha ajuda - retrucou Rita, olhando-o enviesado por cima dos culos e acrescentando num sussurro rouco. - Como foi que voc se sentiu, Harry? Trado? Incompreendido?
 - Harry sente raiva,  claro - respondeu Hermione com a voz dura e clara. - Porque ele disse a verdade ao ministro da Magia e o ministro  idiota demais para acreditar.
 - Ento voc na realidade continua a afirmar que Aquele-QueNo-Deve-Ser-Nomeado retornou? - perguntou Rita, baixando o copo e submetendo Harry a um olhar penetrante, enquanto seu dedo Procurava ansiosamente o fecho da bolsa de crocodilo. - Voc sustenta todas as bobagens que Dumbledore tem dito sobre Voc-Sabe-Quem ter retornado e voc ser a nica testemunha?
 - Eu no fui a nica testemunha - vociferou Harry. - Havia mais
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de uma dzia de Comensais da Morte presentes. Quer saber o nome deles?
 - Adoraria saber - sussurrou Rita, agora tornando a mexer na bolsa, sem tirar os olhos de Harry como se o garoto fosse a coisa mais bonita que ela j vira. Uma enorme manchete "Potter acusa..." Um subttulo "Harry Potter cita os nomes dos Comensais da Morte entre ns". E embaixo uma bela fotografia "Adolescente perturbado que sobreviveu a um ataque de Voc-Sabe-Quem, Harry Potter, 15 anos, provocou indignao ontem ao acusar membros respeitveis e destacados da comunidade bruxa de serem Comensais da Morte..
A Pena de Repetio Rpida j estava na mo da reprter e a meio caminho da boca, quando a expresso arrebatada em seu rosto se desfez.
 - Mas, naturalmente - disse baixando a pena e fuzilando Hermione com o olhar - a Srta. Perfeio no iria querer ver essa histria divulgada, no?
 - Na verdade - disse Hermione com meiguice -  exatamente o que a Srta. Perfeio deseja.
Rita arregalou os olhos para Hermione. E Harry tambm. Luna, por outro lado, cantarolou baixinho como se sonhasse "Weasley  nosso rei", e mexeu sua bebida com uma cebola de coquetel na ponta de um palito.
 - Voc quer que eu noticie o que ele diz a respeito de AqueleQue-No-Deve-Ser-Nomeado? - perguntou Rita a Hermione em tom abafado.
 - Quero. A histria verdadeira. Todos os fatos. Exatamente como Harry os conta. Ele lhe dar todos os detalhes, lhe dir os nomes dos Comensais da Morte no conhecidos do pblico que ele viu l, lhe dir que aparncia tem Voldemort agora; ah, controle-se - acrescentou com desdm, atirando o guardanapo sobre a mesa, pois, ao som do nome de Voldemort, Rita se assustara tanto que derramara metade do copo de usque de fogo na roupa.
Rita enxugou a frente da capa de chuva encardida, ainda encarando Hermione. Ento disse capengamente
 - O Profeta no publicaria isso. Caso voc no tenha notado, ningum acredita nessa conversa fiada. Todos acham que ele  delirante. Agora, se voc me deixar escrever a notcia daquele ngulo...
 - No precisamos de outra notcia contando como foi que Harry ficou biruta! - exclamou Hermione zangada. - J lemos muitas dessas, muito obrigada! Quero que ele tenha a oportunidade de contar a verdade! 
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 - No h mercado para uma notcia dessas - respondeu Rita com frieza.
 - Voc quer dizer que o Profeta no publicar porque Fudge no vai deixar - disse Hermione irritada.
Rita lanou a Hermione um olhar longo e duro. Ento, curvando-se sobre a mesa se dirigiu  garota em tom objetivo.
 - Muito bem, Fudge est ameaando o Profeta, o que d no mesmo. O jornal no vai publicar uma reportagem favorvel a Harry. Ningum quer l-la. E contra o sentimento pblico. Essa ltima fuga de Azkaban j deixou as pessoas bem preocupadas. Ningum quer acreditar 
que Voc-Sabe-Quem retornou.
 - Ento o Profeta Dirio existe para dizer s pessoas o que elas querem ouvir,  isso? - perguntou Hermione criticamente.
Rita tornou a se endireitar, as sobrancelhas erguidas, e virou seu copo de Usque de Fogo.
 - O Profeta existe para vender exemplares, sua tolinha - disse com frieza.
 - Meu pai acha que  um pssimo jornal - comentou Luna, entrando inesperadamente na conversa. Chupando a cebolinha do seu coquetel, ela fixou em Rita seus olhos enormes, protuberantes, ligeiramente alucinados. - Meu pai divulga notcias importantes que acha que o pblico quer ler. No est interessado em ganhar dinheiro.
Rita olhou depreciativamente para Luna.
 - D para adivinhar que seu pai publica um jornaleco idiota de interior, no ? Provavelmente Vinte e Cinco Maneiras de se Misturar com os Muggles e as datas dos prximos bazares.
 - No - respondeu Luna, tornando a mergulhar a cebolinha na gua de gilly - ele  o editor do Pasquim.
Rita soltou um bufo to alto que as pessoas nas mesas prximas olharam assustadas.
 - Notcias importantes que ele acha que o pblico deve saber, hein? - fulminou. - Eu poderia estrumar o meu jardim com o contedo daquele trapo.
 - Bom, ento esta  a sua chance de melhorar o contedo da revista, no? - sugeriu Hermione com gentileza. - Luna diz que o pai dela ficaria muito contente em fazer uma entrevista com Harry. Ele  quem ir public-la.
Rita encarou as garotas por um momento, ento soltou gargalhadas.
 - O Pasquiml - exclamou com um cacarejo. - Vocs acham que as pessoas vo levar Harry a srio se ele aparecer no Pasquiml
 - Algumas pessoas no - disse Hermione com a voz controlada.
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 - Mas a verso que o Profeta publicou da fuga de Azkaban tinha furos enormes. Acho que muita gente dever estar se perguntando se no h uma explicao melhor para o que aconteceu, e se h uma histria alternativa, mesmo que seja publicada por um... - olhou para Luna de esguelha - em um... bom, uma revista incomum... acho que essa gente poderia gostar de l-la.
Rita ficou em silncio por algum tempo, mas mirou Hermione astutamente, a cabea um pouco inclinada para um lado.
 - Tudo bem, vamos dizer por um momento que eu aceite - disse subitamente. - Que tipo de remunerao vou receber?
 - Acho que papai no chega exatamente a pagar as pessoas para escreverem para a revista - disse Luna sonhadora. - Escrevem porque  uma honra e, naturalmente, para ver o nome delas em letra de imprensa.
A cara de Rita Skeeter ao se virar para Hermione era de quem achou outra vez forte o gosto do Palha-fede na boca.
 -  para eu fazer isso de graa?
 - Bom,  - disse Hermione calmamente, tomando um golinho da bebida. - Do contrrio, como voc j sabe, informarei s autoridades que voc nunca se registrou como animago. Naturalmente, o Profeta Dirio talvez lhe pague um bom cach por uma reportagem em primeira mo da vida em Azkaban.
Pela reao pareceu que nada daria mais prazer a Rita do que agarrar a sombrinha de papel que saa da bebida de Hermione e enfila pelo nariz da garota adentro.
 - Suponho que no tenha outra opo, no ? - disse com a voz ligeiramente trmula. Abriu, ento, a bolsa de crocodilo mais uma vez, apanhou um pergaminho e ergueu a Pena de Repetio Rpida.
 - Papai vai ficar satisfeito - disse Luna animada. Um msculo tremeu no queixo de Rita.
 - OK, Harry? - perguntou Hermione, virando-se para o garoto.
 - Pronto para contar a verdade ao pblico?
 - Suponho que sim - disse Harry observando Rita pr em posio a Pena de Repetio Rpida sobre o pergaminho que os separava.
 - Ento, pode comear, Rita - disse Hermione serenamente, pescando uma cereja do fundo do copo. 
CAPTULO VINTE E SEIS
Visto e imprevisto
Luna disse vagamente que no sabia quando a entrevista de Harry com Rita apareceria no Pasquim, pois seu pai estava esperando um longo e interessante artigo sobre as recentes aparies de Bufadores de Chifre Enrugado, e, naturalmente, seria uma histria muito importante, ento a entrevista de Harry talvez tivesse de aguardar o prximo nmero.
Harry no achou uma experincia fcil falar sobre a noite em que Voldemort retornara. Rita extraiu dele cada mnimo detalhe e ele lhe passou tudo que lembrava, sabendo que era uma grande oportunidade de contar a verdade para o mundo. Perguntava-se como as pessoas reagiriam. Imaginou que a histria confirmaria para muita gente a viso de que ele era completamente doido, especialmente porque apareceria ao 
lado de uma absoluta tolice sobre Bufadores de Chifre Enrugado. Mas a fuga de Belatrix Lestrange e seus companheiros Comensais da Morte havia dado a Harry um desejo ardente de fazer alguma coisa, produzisse ou no resultados...
 - Mal posso esperar para ver o que a Umbridge pensa de voc falar publicamente - comentou Dean, parecendo assombrado no jantar de segunda-feira  noite. Seamus despejava goela abaixo grandes garfadas de torta de frango com presunto, sentado do outro lado de Dean, mas Harry sabia que ele estava escutando.
 -  o certo, Harry - disse Neville, sentado defronte. Estava muito plido, mas continuou em voz baixa. - Deve ter sido... dureza... falar disso... no foi?
 - Foi - balbuciou Harry - mas as pessoas precisam saber do que Voldemort  capaz, no?
 - Com certeza - disse Neville concordando com a cabea - e os Comensais da Morte tambm... as pessoas precisam saber...
Neville deixou a frase no ar e voltou a ateno para sua batata assada. Seamus ergueu a cabea, mas quando seu olhar encontrou o de Harry ele tornou a baix-lo depressa para o prato. Transcorrido
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algum tempo, Dean, Seamus e Neville saram para a sala comunal, deixando Harry e Hermione  mesa esperando por Ron, que ainda no viera jantar por causa do treino de quidditch.
Cho Chang entrou no salo com a amiga Marieta. O estmago de Harry deu uma sacudida desagradvel, mas a garota no olhou para a mesa da Grifindore, e se sentou de costas para ele.
 - Ah, me esqueci de perguntar - disse Hermione animada, dando uma olhada rpida na mesa da Ravenclaw - que aconteceu no seu encontro com Cho? Por que voc voltou to cedo?
 - Aah... bom, foi... - comeou Harry puxando um prato de doce de ruibarbo para perto e se servindo mais uma vez - um completo fiasco, j que voc est perguntando.
E contou a ela o que acontecera na casa de ch de Madame Puddifoot.
 - ... ento - concluiu alguns minutos depois, quando o ltimo bocadinho de doce desapareceu - ela se levanta de repente, certo, e diz A gente se v por a, Harry - e sai correndo da loja! - Ele descansou a colher e olhou para Hermione. - Quero dizer, por que foi tudo isso? Que  que aconteceu?
Hermione olhou para a nuca de Cho e suspirou.
 - Ah, Harry - disse tristonha. - Bom, sinto muito, mas voc no teve muito tato.
 - Eu, no tive tato? - exclamou Harry indignado. - Em um momento estvamos nos dando bem, e no momento seguinte ela estava me dizendo que Roger Davies a convidou para sair e como costumava ir  droga daquela casa de ch para ficar beijando o Cedric como  que voc acha que eu devia reagir?
 - Bom, sabe - disse Hermione com o ar paciente de algum que explica a uma criana temperamental que um mais um  igual a dois - voc no devia ter dito a ela que queria se encontrar comigo no meio do namoro.
 - Mas, mas - tartamudeou Harry - ... voc me pediu para encontr-la ao meio-dia e at levar Cho junto, como  que eu ia fazer isso sem dizer a ela?
 - Voc devia ter dito de maneira diferente - explicou Hermione, ainda com aquele exasperante ar de pacincia. - Devia ter dito que era uma chatice, mas que eu tinha feito voc prometer ir ao Trs Vassouras, e que voc na verdade no queria ir, que preferia passar o dia inteiro com ela, mas infelizmente achava que era importante se encontrar comigo e se ela, por favor, por um grande favor, pudesse ir com voc e, assim, quem sabe, daria para voc sair mais depressa. E
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tambm teria sido uma boa idia mencionar que voc me acha feia acrescentou Hermione refletindo.
 - Mas eu no acho voc feia - exclamou Harry confuso. 
Hermione deu uma risada. 
 - Harry, voc  pior do que o Ron... bom, no, no  no - suspirou, na hora em que Ron entrava no salo sujo de lama e parecendo mal-humorado. - Voc aborreceu a Cho quando disse que ia se encontrar comigo, ento ela tentou fazer cimes. Foi uma maneira de tentar 
descobrir se voc gostava dela.
 - Era isso que ela estava fazendo? - admirou-se Harry enquanto Ron se sentava no banco defronte, e puxava para perto todos os pratos que conseguiu alcanar. - Bom, no teria sido mais fcil se me perguntasse se eu gostava mais dela ou de voc?
 - As garotas muitas vezes no fazem perguntas desse tipo.
 - Pois deviam! - disse Harry com veemncia. - Ento eu podia ter simplesmente respondido que gosto mais dela, e ela no precisaria ficar outra vez nervosa com a morte do Cedric!
 - Eu no estou dizendo que Cho foi sensata - disse Hermione quando Giny se reuniu a eles, to enlameada quanto Ron e igualmente chateada. - Estou s tentando mostrar como ela estava se sentindo naquele momento.
 - Voc devia escrever um livro - sugeriu Ron a Hermione enquanto cortava as batatas em seu prato - traduzindo as maluquices que as garotas fazem para os garotos poderem entend-las.
 - E - apoiou Harry com sinceridade e fervor, olhando para a mesa da Ravenclaw, onde Cho se levantara, e, ainda sem olhar para ele, saiu do salo. Sentindo-se meio deprimido, voltou-se para Ron e Giny - Ento, como foi o treino de quidditch?
 - Um pesadelo - respondeu Ron mal-humorado.
 - Ah, qual ? - disse Hermione, olhando para Giny. - Tenho certeza de que no foi to...
 - Foi, sim - confirmou Giny. - Foi um espanto. Angelina quase se desmanchou em lgrimas mais para o final.
Ron e Giny saram para tomar banho depois do jantar; Harry e Hermione voltaram para a movimentada sala comunal da Grifindore e a montanha habitual de deveres de casa. Harry estava havia meia hora s voltas com uma nova carta estelar para Astronomia quando Fred e George apareceram.
 - Ron e Giny no esto aqui? - perguntou Fred, correndo os olhos pela sala ao mesmo tempo que puxava uma cadeira, e quando Harry sacudiu negativamente a cabea, falou - Que bom. Estivemos
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assistindo ao treino deles. Vo ser massacrados. A equipe ficou um lixo sem a gente.
 - Ah, pera, Giny no  ruim - disse George querendo ser justo, sentando-se ao lado do irmo. - Alis, nem sei como conseguiu ser to boa, j que a gente nunca a deixou jogar conosco.
 - Ela arrombava o barraco em que vocs guardam vassouras no jardim desde os seis anos de idade e tirava ora uma vassoura ora outra quando vocs no estavam por perto - disse Hermione de trs de sua pilha instvel de livros de Runas Antigas.
 - Ah - exclamou George levemente impressionado. - Bom isso explica.
 - Ron j defendeu algum gol? - perguntou Hermione, espiando por cima de Hierglifos e logogramas mgicos.
 - Bom, ele  capaz de defender quando acha que no tem ningum observando - disse Fred olhando para o teto. - Ento no sbado s o que a gente precisa fazer  pedir aos espectadores para virarem as costas e baterem um papo todas as vezes que a Quaffle for arremessada para o lado dele.
Ele tornou a se levantar inquieto e foi at a janela espiar os terrenos escuros da escola.
 - Sabe, o quidditch era quase a nica coisa que fazia este lugar valer a pena. ; , .
Hermione lanou-lhe um olhar srio. , 
 - Seus exames esto chegando.
-J lhe disse antes, no estamos preocupados com os N.I.E.M.s
 - retorquiu Fred. - Os kits Mata-Aula esto prontos para o lanamento, descobrimos como nos livrar daqueles furnculos, basta umas gotas de essncia de murtisco para resolver o problema. Foi Linus quem nos sugeriu.
George deu um grande bocejo e olhou desconsolado para o cu nublado da noite.
 - Nem sei se quero assistir a esse jogo. Se Zacarias Smith nos derrotar, terei de me matar.
 - Ou, mais provavelmente, matar ele - disse Fred com firmeza.
 - Esse  o problema do quidditch - disse Hermione distraidamente, mais uma vez debruada sobre sua traduo das Runas -; cria essa animosidade e tenso entre as Casas.
Ela ergueu a cabea para procurar o exemplar do Silabrio de SpelIman e surpreendeu Fred, George e Harry, os trs olhando-a com expresses nos rostos em que se mesclavam a averso e a incredulidade.
 - E  mesmo! - exclamou ela com impacincia. -  s um jogo
OU no ?
 - Hermione - disse Harry, sacudindo a cabea - voc  boa em sentimentos e outras coisas, mas simplesmente no entende de quidditch.
 - Talvez no - disse ela ameaadora, voltando  traduo - mas pelo menos a minha felicidade no depende da habilidade de Ron defender gols.
E embora Harry preferisse ter de se atirar da Torre de Astronomia a admitir isso para a amiga, depois de assistir ao jogo no sbado seguinte ele teria dado os galees que lhe pedissem para no gostar de quidditch.
A melhor coisa que se poderia dizer sobre a partida  que foi curta; os espectadores da Grifindore s precisaram 
suportar vinte e dois minutos de agonia. Era difcil dizer o que foi pior Harry achou o preo duro entre o dcimo quarto frango de Ron, Sloper acertar a boca de Angelina em vez do Bludjer e Kirke gritar e cair para trs, quando Zacarias Smith passou veloz por ele carregando a Quaffle. O milagre foi que a Grifindore s perdeu por dez pontos Giny conseguiu capturar a Snitch bem embaixo do nariz do Sicker dos Hufflepuff, Summerby, de modo que o placar final foi duzentos e quarenta a duzentos e trinta.
 - Boa captura - disse Harry a Giny j na sala comunal, onde a atmosfera lembrava a de um enterro particularmente desanimado.
 - Tive sorte - disse encolhendo os ombros. - No era um snitch muito veloz e Summerby est gripado, espirrou e fechou os olhos exatamente na hora errada. Em todo o caso, quando voc tiver voltado  equipe...
 - Giny, fui proibido de jogar para sempre.
 - Voc foi proibido enquanto Umbridge estiver na escola - corrigiu a garota. - Faz diferena. De qualquer maneira, quando voc tiver voltado, acho que vou me candidatar a artilheira. Angelina e Alicia vo sair no ano que vem, e eu prefiro marcar gols a apanhar a Snitch.
Harry olhou para Ron, que estava encolhido a um canto, contemplando os prprios joelhos, uma garrafa de cerveja amanteigada na mo.
 - Angelina continua a no querer que ele se demita - disse Giny, como se lesse os pensamentos de Harry. - Diz que sabe que ele tem jeito para a coisa.
Harry gostava de Angelina pela f que demonstrava ter em Ron, mas, ao mesmo tempo, achava que seria realmente mais caridoso permitir que ele sasse da equipe. Ron deixara o campo sob outro coro atroador de "Weasley  nosso rei", cantado com o maior gosto pelos
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alunos da Slytherin, casa que agora era a favorita para a Copa de Quidditch.
Fred e George se aproximaram.
 - No tenho nem coragem de curtir com a cara dele - disse Fred, olhando para o irmo encolhido. - Veja bem... quando ele perdeu o dcimo quarto...
E fez gestos desencontrados como se fosse um cachorrinho nadando.
 - ... bom, vou guardar para as festinhas, eh?
Ron arrastou-se para a cama depois disso. Por respeito aos seus sentimentos, Harry aguardou um pouco antes de subir para o dormitrio, para que o amigo pudesse fingir que estava dormindo, se quisesse. Dito e feito, quando finalmente entrou no quarto Ron estava roncando um pouquinho alto demais para ser inteiramente plausvel.
Harry se deitou pensando no jogo. Fora imensamente frustrante assistir a ele da lateral do campo. Estava muito impressionado com o desempenho de Giny, mas sabia que se estivesse jogando teria capturado a Snitch antes... tinha havido um momento em que a bolinha esvoaara perto do tornozelo de Kirke; se Giny no tivesse hesitado, poderia ter conquistado a vitria para a Grifindore.
Umbridge assistia sentada alguns nveis abaixo de Harry e Hermione. Uma ou duas vezes virara-se para espi-lo, sua boca larga de sapo distendida no que ele imaginara ser um sorriso de triunfo. S de lembrar, sentia-se quente de raiva deitado ali no escuro. Depois de alguns minutos, porm, lembrou-se de que devia esvaziar a mente de toda emoo antes de dormir, conforme Snape no parava de recomendar ao fim de cada aula de Oclumncia.
Harry tentou por uns momentos, mas pensar em Snape, depois de se lembrar da Umbridge, meramente aumentava sua sensao de surdo rancor, e, em vez disso, viu-se focalizando o quanto detestava os dois. Aos poucos, os roncos de Ron foram se perdendo na distncia e sendo substitudos pelo som de uma respirao lenta e profunda. Harry levou muito mais tempo para adormecer; sentia o corpo cansado, mas seu crebro demorou a se fechar.
Sonhou que Neville e a Prof Sprout estavam valsando na Sala Precisa ao som de uma gaita de foles que a Prof McGonagall tocava. Ele os observou por uns momentos, ento resolveu ir procurar os outros membros da AD.
Mas, quando saiu da sala deparou, no com a tapearia de Barnabs, o Amalucado, mas com um archote ardendo em seu suporte na parede de pedra. Ele virou a cabea lentamente para a esquerda. L, na extremidade do corredor sem janelas, havia uma porta comum preta.
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Caminhou em sua direo com uma crescente excitao. Teve a estranha sensao de que desta vez ia finalmente ter sorte e descobrir o jeito de abri-la... j bem prximo, viu, com um sbito aumento nessa excitao, que havia uma rstia de claridade azul para o lado direito... a porta estava entreaberta... ele esticou a mo para abri-la e...
Ron soltou um ronco 
autntico, forte e rascante, e Harry acordou de repente com a mo direita estendida  sua frente no escuro, querendo abrir uma porta a centenas de quilmetros de distncia. Ele a deixou cair sentindo ao mesmo tempo desapontamento e culpa. Sabia que no deveria ter visto a porta, mas ao mesmo tempo se sentia to devorado pela curiosidade de saber o que havia por trs dela que no pde deixar de se sentir aborrecido com Ron... se ele ao menos pudesse ter segurado aquele ronco por mais um minuto.
Os dois entraram no Salo Principal para tomar o caf da manh exatamente na hora em que as corujas chegavam com o correio na segunda-feira. Hermione no era a nica pessoa que esperava ansiosa pelo Profeta Dirio quase todos ansiavam por ler mais notcias sobre os Comensais da Morte fugitivos, que, apesar de avistados vrias vezes, ainda no tinham sido recapturados. Ela pagou  coruja o nuque da entrega e desdobrou o jornal depressa enquanto Harry se servia de suco de laranja; como ele recebera apenas um bilhete o ano inteiro, teve certeza, quando a primeira coruja pousou com um baque  sua frente, de que era engano.
 - Quem  que voc est procurando? - perguntou ele, puxando languidamente o seu suco debaixo do bico da ave e se curvando para verificar o nome e o endereo do destinatrio
Harry Potter 
Salo Principal, 
Escola de Hogwarts
Enrugando a testa, ele fez meno de tirar a carta da coruja, mas, antes que o fizesse, mais trs, quatro, cinco corujas pousaram ao lado da primeira e procuraram uma posio, pisando na manteiga, derrubando o saleiro, tentando entregar a carta antes das outras.
 - Que  que est acontecendo? - indagou Ron espantado, quando a mesa da Grifindore inteira se inclinou para olhar, e outras sete corujas pousaram entre as primeiras, berrando, piando e batendo as asas.
 - Harry! - disse Hermione sem flego, enfiando as mos naquele ajuntamento de penas e retirando uma coruja-das-torres que trazia
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um embrulho comprido e cilndrico. - Acho que sei o que significa isso abra este aqui primeiro!
Harry abriu o embrulho pardo. Dele rolou um exemplar compactamente dobrado da edio de maro do Pasquim. Ele o desenrolou e viu o prprio rosto sorrindo acanhado para ele na capa da revista. Enormes letras vermelhas atravessadas na foto anunciavam
HARRY POTTER ENFIM REVELA
A VERDADE SOBRE AQUELE-QUE-NO-DEVE-SER-NOMEADO E A NOITE EM QUE VIU O SEU RETORNO
 - Parece bom, no? - comentou Luna, que vagara at a mesa da Grifindore e agora se apertava no banco entre Fred e Ron. - Saiu ontem, pedi ao papai para lhe mandar um exemplar de cortesia. Imagino que tudo isso - ela acenou abarcando as corujas que se empurravam sobre a mesa diante de Harry - sejam cartas dos leitores.
 - Foi o que pensei - disse Hermione ansiosa. - Harry voc se importa se a gente...?
 - Sirvam-se - respondeu ele, parecendo um pouco confuso. " Ron e Hermione comearam a abrir os envelopes.
 - Esta  de um cara que acha que voc pirou - disse Ron correndo os olhos pela carta. - Ah, bom...
 - Esta mulher aqui recomenda que voc experimente uma srie de Feitios de Choque no St. Mungus - disse Hermione, parecendo desapontada e amassando uma segunda.
 - Mas esta aqui parece OK - disse Harry lentamente, lendo uma longa carta de uma bruxa em Paisley. - Ei, ela diz que acredita em mim!
 - Este aqui est dividido - disse Fred, que se juntara com entusiasmo  tarefa de abrir as cartas. - Diz que voc no passa a impresso de ser maluco, mas que ele realmente no acredita que VocSabe-Quem tenha retornado, ento, agora no sabe o que pensar. Caracas, que desperdcio de pergaminho.
 - Tem um aqui que voc convenceu, Harry! - disse Hermione excitada. - Tendo lido a sua verso da histria, sou forado a concluir que o Profeta Dirio tem sido injusto com voc... por menos que eu queira pensar que Aquele-Que-No-Deve-Ser-Nomeado retornou, sou forado a aceitar que voc est falando a verdade... Ah,  maravilhoso!
 - Outra acha que voc est s ladrando - disse Ron atirando a carta que amassara por cima do ombro - ... mas esta outra diz que voc a converteu e ela agora acha que voc  um verdadeiro heri e manda junto uma foto, uau! 
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 - Que  que est acontecendo aqui? - perguntou uma voz falsamente meiga e infantil.
Harry ergueu a cabea com as mos cheias de envelopes. A Prof Umbridge estava em p atrs de Fred e Luna, seus olhos de sapo esbugalhados esquadrinhando a confuso de corujas e cartas em cima da mesa diante de Harry. As suas costas, ele viu muitos alunos observando-os com avidez.
 - Por que recebeu todas essas cartas, Sr. Potter? - perguntou ela lentamente.
 - Isso agora  crime? - exclamou Fred em voz alta. - Receber cartas?
 - Cuidado, Sr. Weasley, ou ser que terei de lhe dar uma deteno? - disse 
Umbridge. - Ento, Sr. Potter?
Harry hesitou, mas no via como poderia abafar o que fizera; agora era apenas uma questo de tempo at um exemplar do Pasquim chegar  ateno de Umbridge.
 - As pessoas esto me escrevendo porque dei uma entrevista. Sobre o que me aconteceu em junho passado.
Por alguma razo ele olhou para a mesa dos professores ao dizer isso. Harry tinha a estranhssima impresso de que Dumbledore estivera observando-o um segundo antes, mas, quando se virou, o diretor parecia absorto em conversa com o Prof. Flitwick.
 - Uma entrevista? - repetiu Umbridge, sua voz mais fina e aguda que nunca. - Como assim?
 - Uma reprter me fez perguntas e eu respondi - disse Harry. Aqui...
E atirou  professora o exemplar do Pasquim. Ela o apanhou e arregalou os olhos para a capa. Seu rosto, cor de massa de po, ficou malhado de violeta.
 - Quando foi que voc fez isso? - perguntou ela, sua voz ligeiramente trmula.
 - No ltimo fim de semana em Hogsmeade.
Ela o encarou, incandescente de fria, a revista tremendo em seus dedos curtos e grossos.
 - No haver mais passeios a Hogsmeade para o senhor, Sr. Potter
 - sussurrou ela. - Como se atreveu... como pde... - Ela tomou flego. - Tenho tentado repetidamente ensinar voc a no contar mentiras. A mensagem, pelo visto, ainda no entrou em sua cabea. Cinqenta pontos a menos para a Grifindore e mais uma semana de detenes.
Ela se afastou, apertando o exemplar do Pasquim contra o peito, seguida pelos olhares de muitos alunos.
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No meio da manh, enormes avisos haviam sido afixados por toda a escola, no apenas nos quadros das Casas, mas nos corredores e salas de aula tambm.
;1; o POR ORDEM DA ALTA INQUISIDORA DE HOGIVARTS
O estudante que for encontrado de posse da revista . O Pasquim ser expulso.
A ordem acima est de acordo com o Decreto Educacional Nmero Vinte e Sete. Assinado Dolores Jane Umbridge, Alta Inquisidora
Por alguma razo, toda as vezes que Hermione avistava um desses avisos seu rosto se iluminava de prazer.
 - Com que , exatamente, que voc est to satisfeita? - perguntou-lhe Harry.
 - Ah, Harry, voc no est vendo? - sussurrou Hermione. - Se ela quisesse fazer uma nica coisa para garantir que todo aluno da escola lesse a sua entrevista, era exatamente proibir sua leitura!
E parece que Hermione tinha toda a razo. At o fim do dia, embora Harry no tivesse visto nem um pedacinho do Pasquim em lugar algum da escola, todos pareciam estar citando a entrevista uns para os outros. Harry os ouviu cochichando nas filas s portas das salas de aulas, discutindo-a no almoo e no fundo das salas, e Hermione chegou a contar que as meninas que estavam usando os boxes nos banheiros falavam nisso quando ela passou por l antes da aula de Runas Antigas.
 - Ento elas me viram, e obviamente sabem que sei, ento me bombardearam com perguntas - contou Hermione a Harry, com os olhos brilhando - e Harry, acho que elas acreditam em voc, realmente, acho que enfim voc as convenceu!
Entrementes, a Prof Umbridge rondava a escola, parando alunos a esmo e mandando-os mostrar os livros e os bolsos. Harry sabia que a professora procurava exemplares do Pasquim, mas os estudantes estavam muito  frente dela. As pginas que continham a entrevista de Harry tinham sido reformatadas por meio de feitios para parecer cpias de livros-texto se mais algum as lesse, ou apagadas por magia at que seus donos quisessem tornar a l-las. Logo pareceu que todo o mundo na escola vira a entrevista.
Os professores obviamente tinham sido proibidos de mencionar a entrevista pelo Decreto Educacional Nmero Vinte e Seis, mas assim
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mesmo encontraram maneiras de expressar suas opinies. A Prof Sprout concedeu  Grifindore vinte pontos quando Harry lhe passou o regador de gua; um sorridente Prof. Flitwick deu a Harry uma caixa de ratinhos de acar que guinchavam, ao fim da aula de Feitios, fazendo "Psiu!", e se afastando depressa; e a Prof Trelawney irrompeu em soluos nervosos durante a aula de Adivinhao e anunciou  turma surpresa, e a uma Umbridge extremamente desaprovadora, que Harry no ia morrer cedo, viveria at uma velhice madura, seria ministro da Magia e teria doze filhos.
Mas o que deixou Harry mais feliz foi Cho alcan-lo quando ia correndo para a 
aula de Transfigurao no dia seguinte. Antes que ele entendesse o que estava acontecendo, suas mos se uniram e ela sussurrou em seu ouvido "Lamento muito, muito mesmo. Aquela entrevista foi to corajosa... me fez chorar.
Ele ficou triste ao saber que a entrevista a fizera derramar outras tantas lgrimas, mas muito alegre por voltarem a se falar, e ainda mais satisfeito quando Cho lhe deu um beijinho no rosto e se afastou correndo. E, o inacreditvel, assim que chegou  porta da sala de Transfigurao, aconteceu outra coisa igualmente boa. Seamus saiu da fila para lhe falar.
 - Eu s queria dizer - murmurou, fixando com os olhos apertados o joelho esquerdo de Harry - que acredito em voc. E mandei um exemplar da revista para minha me.
E se ainda fosse preciso mais alguma coisa para completar sua felicidade, vieram as reaes de Malfoy, Crabbe e Goyle. Harry os viu de cabeas juntas na biblioteca mais para o fim da tarde; estavam em companhia de um garoto franzino que Hermione murmurou se chamar Teodoro Nott. Os quatro se viraram para olhar Harry que procurava nas prateleiras um livro sobre Sumio Parcial Goyle estalou as juntas dos dedos ameaadoramente e Malfoy cochichou alguma coisa sem dvida ruim para Crabbe. Harry sabia muito bem por que estavam agindo assim ele citara os pais deles como Comensais da Morte.
 - E o melhor - sussurrou Hermione alegremente quando saram da biblioteca -  que eles no podem contradizer voc, porque no podem admitir que leram o artigo!
E, para coroar, Luna lhe disse ao jantar que nunca uma tiragem do Pasquim se esgotara to rpido.
 - Papai vai fazer uma segunda tiragem! - contou ela a Harry com os olhos arregalados de excitao. - Ele nem consegue acreditar, diz que as pessoas parecem ainda mais interessadas na entrevista do que nos Bufadores de Chifre Enrugado!
Harry foi heri na sala comunal da Grifindore quela noite.
k
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Atrevidos, Fred e George tinham lanado um Feitio Ampliador na capa do Pasquim e a penduraram na parede, para que a cabea gigantesca de Harry contemplasse os colegas do alto e ocasionalmente dissesse frases do tipo O MINISTRIO  RETARDADO e COMA BOSTA, UMBRIDGE em voz ressonante. Hermione no achou isso muito divertido; disse que interferia com sua concentrao e acabou indo se deitar cedo, irritada. Harry teve de admitir que o cartaz perdeu a graa uma ou duas horas depois, principalmente quando o Feitio da Fala comeou a se desgastar e se ouviam apenas palavras desconexas como "BOSTA" e "UMBRIDGE", a intervalos sempre mais freqentes, em um tom progressivamente mais alto. De fato, comeou a lhe dar dor de cabea, e sua cicatriz recomeou a formigar incomodamente. Para os gemidos de desapontamento dos muitos colegas que estavam sentados ao seu redor, lhe pedindo que recontasse a entrevista pela milsima vez, ele tambm anunciou que precisava dormir cedo.
O dormitrio estava vazio quando chegou l. Por um momento ele descansou a testa no vidro frio da janela ao lado de sua cama; o gesto pareceu aliviar a queimao na cicatriz. Ento ele se despiu e se deitou, desejando que a dor de cabea passasse. Sentia-se tambm um pouco enjoado. Virou-se de lado, fechou os olhos e adormeceu quase instantaneamente.
Estava parado em uma sala escura com cortinas, iluminada por um nico candelabro. Suas mos apertavam o encosto de uma poltrona  frente. Eram mos de dedos finos e brancos como se no vissem sol havia anos, e lembravam aranhas grandes e descoradas contra o veludo escuro da poltrona.
Mais alm, em um crculo de luz projetado no cho pelo candelabro, achava-se ajoelhado um homem de vestes negras.
 - Fui mal aconselhado, pelo que parece - disse Harry num tom de voz agudo e frio que vibrava de raiva.
 - Senhor, peo o seu perdo - disse rouco o homem ajoelhado no cho. A parte de trs de sua cabea refulgia  luz das velas. Ele parecia tremer.
 - No estou culpando voc, Rookwood - disse Harry naquela voz fria e cruel.
Largou ento a poltrona e contornou-a, aproximando-se do homem encolhido no cho, e parou diretamente sobre ele, ainda na sombra, olhando de uma altura muito maior do que a normal.
 - Voc tem certeza de suas informaes, Rookwood? - perguntou Harry.
 - Tenho sim, milorde... afinal... afinal eu costumava trabalhar no departamento. 477
 - Avery me disse que Bode poderia retir-la.
 - Bode jamais poderia ter feito isso, milorde... Bode sabia que no poderia... sem dvida foi essa a razo por que lutou tanto contra a Maldio Imperius lanada por Malfoy.
 - Levante-se, Rookwood - sussurrou Harry.
O homem ajoelhado quase tropeou na pressa de obedecer. Seu rosto era bexiguento; as marcas se destacavam  luz das velas. Ele continuou 
um pouco curvado, mesmo em p, como em uma meia reverncia, e lanava olhares aterrorizados ao rosto de Harry.
 - Voc fez bem em me informar - disse Harry. - Muito bem... Pelo visto, desperdicei meses em planos infrutferos... mas no importa... recomearemos a partir de agora. Voc tem a gratido de Lord Voldemort, Rookwood...
 - Milorde... sim, milorde... - exclamou Rookwood, sua voz rouca de alvio.
 - Precisarei de sua ajuda. Precisarei de todas as informaes que puder me dar.
 - Naturalmente, milorde, naturalmente... o que precisar.
 - Muito bem... pode se retirar. Mande Avery falar comigo. Rookwood recuou apressado, de costas, se curvando, e desapareceu pela porta.
Deixado s no aposento escuro, Harry se virou para a parede. Havia um espelho rachado e manchado pelo tempo na parede sombreada. Harry encaminhou-se para ele. Sua imagem se tornou maior e mais clara no escuro... um rosto mais branco do que uma caveira... os olhos vermelhos com fendas em lugar de pupilas. . ,
 - NO! ., ; ,. , .
 - Qu! - berrou uma voz prxima.
Harry se debateu como um louco, se enrolou nas cortinas e caiu da cama. Por alguns segundos no soube onde estava; convencido de que iria rever o rosto branco e escaveirado assomando das sombras, ento muito perto dele falou a voz de Ron.
 - Quer parar de agir feito um manaco para eu poder tirar voc daqui?
Ron puxou as cortinas e,  claridade do luar, Harry arregalou os olhos para ele, deitado de costas, a cicatriz queimando de dor. Pelo jeito, Ron estava se preparando para deitar; tinha um brao fora do roupo.
 - Algum foi atacado outra vez? - perguntou, erguendo Harry, com esforo, do cho. - Foi o papai? Foi aquela cobra?
 - No... esto todos bem... - ofegou Harry, cuja testa parecia em
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fogo. - Bom... Avery no est... est enrascado... passou para ele informaes erradas... Voldemort est furioso...
Harry gemeu e afundou na cama, tremendo, esfregando a cicatriz.
 - Mas Rookwood vai ajud-lo agora... ele est outra vez no caminho certo...
 - Do que  que voc est falando? - perguntou Ron, amedrontado. - Voc est dizendo... voc acabou de ver Voc-Sabe-Quem?
 - Eu era Voc-Sabe-Quem - disse Harry, esticando as mos no escuro e erguendo-as diante do rosto, para ver se continuavam mortalmente plidas e com os dedos longos. - Ele estava com Rookwood, um dos fugitivos de Azkaban, lembra? Rookwood acabou de contar a ele que Bode no poderia ter feito.
 - Feito o qu?
 - Retirado alguma coisa... disse que Bode sabia que no poderia... Bode estava sob a influncia da Maldio Imperius... acho que ele disse que foi o pai de Malfoy quem a lanou.
 - Bode foi enfeitiado para retirar alguma coisa? - confirmou Ron. - Mas, Harry, tem de ser...
 - A arma. - Harry terminou a frase por ele. - Eu sei.
A porta do dormitrio se abriu; Dean e Seamus entraram. Harry puxou as pernas para cima da cama. No queria dar a impresso de que acabara de acontecer algo estranho, pois Seamus s recentemente parar de achar que ele era pirado.
 - Voc disse - murmurou Ron, aproximando a cabea de Harry a pretexto de ajud-lo a se servir da gua da jarra sobre a mesa-decabeceira - que era o Voc-Sabe-Quem?
 - Disse - confirmou Harry baixinho.
Ron tomou um gole de gua exagerado e desnecessrio; Harry viu a gua escorrer do queixo para o peito do amigo.
 - Harry - disse ele, enquanto Dean e Seamus andavam pelo quarto fazendo barulho, tirando os roupes e conversando - voc tem de contar...
 - No tenho de contar a ningum - cortou-o Harry. - No teria visto nada se soubesse usar a Oclumncia. J devia ter aprendido a fechar minha mente a tudo isso.  o que eles querem.
Por eles, Harry se referia a Dumbledore. Tornou a se meter embaixo das cobertas e a se virar para o lado, dando as costas a Ron, e pouco depois ouviu o colcho do amigo ranger, quando ele tambm se deitou. A cicatriz de Harry recomeou a queimar; ele mordeu o travesseiro para no fazer barulho. Em algum lugar, sentia, Avery estava sendo castigado.
Harry e Ron esperaram at de manh para contar a Hermione exatamente o que acontecera; queriam ter absoluta certeza de que ningum os ouviria. Parados no canto habitual do ptio frio e ventoso, Harry lhe contou cada detalhe do sonho de que pde se lembrar. Quando terminou, ela continuou calada por um momento, mas fixou com uma intensidade penosa Fred e George, que estavam sem cabea vendendo seus chapus mgicos por baixo das capas, do outro lado do ptio.
 - Ento foi por isso que o mataram - concluiu em voz baixa, desviando finalmente o olhar de Fred e George. - Quando Bode tentou roubar a arma, lhe 
aconteceu alguma coisa estranha. Acho que deve haver feitios defensivos na arma, ou em volta dela, para impedir que as pessoas a peguem. Era por isso que ele estava no St. Mungus, com o crebro destrambelhado, sem conseguir falar. Mas lembram do que a Curandeira nos disse? Bode estava se recuperando. E no podiam arriscar que ele melhorasse, no ? Quero dizer, o choque do que aconteceu quando ele tocou naquela arma provavelmente desfez a Maldio Imperius. Quando recuperasse a voz, ele explicaria o que estivera fazendo, no ? Ento saberiam que ele fora enviado para roubar a arma. Naturalmente, teria sido fcil para Lcio Malfoy lanar a maldio sobre Bode. Nunca sai do Ministrio, no ?
 - E ele andava por l no dia da minha audincia - disse Harry. No... calma a... - disse lentamente. - Estava no corredor do Departamento de Mistrios naquele dia! Seu pai comentou que ele provavelmente estava querendo bisbilhotar e descobrir o que tinha acontecido na minha audincia, mas e se...
 - Sturgius! - exclamou Hermione, estupefata.
 - Como disse? - perguntou Ron, parecendo confuso.
 - Sturgius Podmore - disse Hermione sem flego. - Preso por tentar passar por uma porta! Lcio Malfoy deve ter pego ele tambm! Aposto que fez isso no dia em que voc o viu l, Harry. Sturgius estava usando a Capa da Invisibilidade de Moody, certo? Ento, e se ele estivesse guardando a porta, invisvel, e Malfoy o ouvisse mexer, ou adivinhasse que tinha algum ali, ou simplesmente tivesse lanado a Maldio Imperius contando que houvesse algum guardando a sala? Portanto, quando Sturgius teve oportunidade, quando foi novamente sua vez de tirar servio, ele tentou entrar no Departamento de Mistrios para roubar a arma para Voldemort, Ron, fique quieto, nias foi apanhado e mandado para Azkaban...
Ela olhou para Harry.
 - E agora Rookwood disse a Voldemort como conseguir a arma?
 - Eu no ouvi a conversa toda, mas foi o que me pareceu - disse
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Harry. - Rookwood costumava trabalhar l... quem sabe Voldemort vai mandar o Rookwood fazer o servio?
Hermione acenou a cabea, aparentemente com os pensamentos ainda longe. Ento, de repente, falou.
 - Mas voc no devia ter visto isso, Harry, de jeito nenhum.
 - Qu? - exclamou ele, surpreso.
'-* - Voc devia estar aprendendo a fechar a mente a esse tipo de coisa - disse Hermione, com inesperada severidade.
 - Sei que devia - disse Harry. - Mas...
 - Bom, acho que voc devia tentar esquecer o que viu - falou com firmeza. - E de agora em diante se esforar mais para aprender sua Oclumncia.
A semana no melhorou com o passar dos dias. Harry recebeu outros dois "D" em Poes; e continuou aflito com a perspectiva de Hagrid ser demitido; e no conseguiu parar de pensar no sonho em que fora Voldemort, embora no tornasse a mencion-lo para Ron e Hermione; no queria receber outro passa-fora da amiga. Desejou muito conversar com Sirius, mas isso estava fora de questo, ento tentou afastar o assunto para o fundo da cabea.
Infelizmente o fundo de sua cabea j no era o lugar seguro que fora no passado.
 - Levante-se, Potter.
Umas duas semanas depois do sonho com Rookwood, Harry se veria, mais uma vez, ajoelhado no cho da sala de Snape, tentando esvaziar a mente. Acabara de ser forado, mais uma vez, a aliviar um fluxo de lembranas infantis que nem sequer sabia que ainda guardava, a maior parte ligada a humilhaes que Duddley e sua turma lhe haviam infligido no ensino fundamental.
 - A ltima lembrana - disse Snape. - Qual foi?
 - No sei - respondeu Harry, levantando-se cansado. Estava encontrando uma dificuldade crescente em separar lembranas distintas do fluxo de imagens e sons que Snape no parava de suscitar. - O senhor se refere quela em que meu primo tentou me fazer ficar em p no vaso sanitrio?
 - No - disse Snape suavemente. - Me refiro  do homem ajoelhado no meio de um aposento mal iluminado...
 - No ... nada.
Os olhos escuros de Snape perfuraram os de Harry. Lembrando-se do que o professor dissera sobre a extrema importncia do contato visual para a Legilimncia, Harry piscou e desviou os olhos.
 - Como  que aquele homem e aquele aposento foram parar em sua mente, Potter? -perguntou Snape.
 - Foi... - respondeu Harry, olhando para todo lado menos para Snape - foi s... s um sonho que eu tive.
 - Um sonho?
Houve uma pausa em que Harry se fixou em um enorme sapo morto dentro de um frasco de lquido roxo.
 - Voc sabe para que estamos aqui, no sabe, Potter? - disse o professor em um tom baixo e perigoso. - Voc sabe para que estou cedendo as minhas noites e ocupando-as com essa tarefa montona?
 - Sei - disse Harry formalmente.
 - Ento lembre-me por que estamos aqui, Potter.
 - Para eu aprender Oclumncia - disse Harry, agora olhando 
para uma enguia morta.
 - Correto, Potter. E por mais obtuso que voc seja - Harry olhou para Snape odiando-o - seria de esperar que aps dois meses de aulas voc tivesse feito algum progresso. Quantos outros sonhos voc teve com o Lorde das Trevas?
 - Somente este - mentiu Harry.
 - Talvez - disse Snape, apertando ligeiramente seus olhos escuros e frios - talvez voc sinta prazer em ter essas vises e sonhos, Potter. Talvez eles o faam se sentir especial... importante?
 - No, no fazem - respondeu Harry de queixo duro e com os dedos apertando o punho da varinha.
 - Ainda bem, Potter - disse Snape friamente - porque voc no  especial nem importante, e no cabe a voc descobrir o que o Lorde das Trevas est dizendo aos seus Comensais da Morte.
 - No... essa  a sua tarefa, no ? - disparou Harry.
No tivera inteno de dizer isso; escapara de sua boca com a raiva. Durante muito tempo os dois se encararam, Harry convencido de que fora longe demais. Mas surgira uma expresso curiosa, quase satisfeita no rosto de Snape quando ele respondeu.
 - , Potter - disse ele com os olhos brilhando. -  a minha tarefa. Agora, se estiver pronto, recomearemos.
Ele ergueu a varinha
 - Um... dois... trs... Legilimens!
Cem Dementadores precipitavam-se sobre o lago em direo a Harry... ele fez uma careta de concentrao... estavam se aproximando... via os buracos escuros sob os capuzes... contudo. Via tambm Snape  sua frente, os olhos fixos em seu rosto, resmungando... e por alguma razo Snape foi se tornando mais ntido e os Dementadores mais difusos...
Harry ergueu a prpria varinha.
 - Protego! 
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Snape cambaleou - sua varinha voou para longe de Harry - e de repente a mente do garoto estava apinhada de lembranas que no eram dele um homem de nariz adunco gritava com uma mulher encolhida, enquanto um garotinho de cabelos escuros chorava a um canto... um adolescente de cabelos oleosos estava sentado sozinho em um quarto escuro apontando a varinha para o teto, abatendo moscas... uma garota estava rindo das tentativas de um menino magricela que tentava montar uma vassoura corcoveante...
 - CHEGA!
Harry teve a sensao de que levara um empurro no peito; cambaleou vrios passos para trs, bateu em algumas prateleiras que cobriam as paredes de Snape e ouviu alguma coisa se partir. Snape tremia ligeiramente e tinha o rosto muito plido.
As costas das vestes de Harry estavam midas. Um dos frascos s suas costas quebrara na coliso; a coisa viscosa em conserva que havia dentro girava no restinho da poo derramada.
 - Reparo - sibilou Snape, e o frasco tornou a se fechar imediatamente. - Bom, Potter... sem dvida isto foi um progresso... - Um pouco ofegante, Snape endireitou a Penseira em que ele mais uma vez guardara os pensamentos antes de comear a aula, quase como se ainda estivesse verificando se continuavam ali. - No me lembro de ter-lhe dito para usar um Feitio Escudo... mas sem dvida foi eficiente. ..
Harry no falou; sentiu que dizer qualquer coisa poderia ser perigoso. Tinha certeza de que acabara de invadir as lembranas de Snape, que acabara de ver cenas da infncia do professor. Era assustador pensar que o garotinho que chorava ao assistir a uma briga dos pais agora estava diante dele revelando tanto desprezo no olhar.
 - Vamos tentar outra vez? - disse Snape.
Harry sentiu uma excitao de temor; estava prestes a pagar pelo que acabara de acontecer, com certeza. Eles voltaram  posio em que a mesa se interpunha aos dois, Harry achando que desta vez ia ter muito mais dificuldade para esvaziar a mente.
 - Quando eu contar trs, ento - disse Snape erguendo a varinha.
 - Um... dois...
Harry no tinha tido tempo de se dominar e tentar esvaziar a mente e Snape j gritava "Legilimens!
Ele estava correndo pelo corredor do Departamento de Mistrios, deixando para trs as paredes vazias, os archotes - a porta preta e simples ia crescendo; estava correndo to depressa que ia colidir com a porta, estava a um metro dela e mais uma vez via a rstia de luz azulada...
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A porta se abrira! Ele a atravessou finalmente, e entrou em uma sala circular de piso e paredes pretas, iluminada por velas de chamas azuis, e havia outras portas a toda volta - ele precisava prosseguir - mas que porta deveria escolher...?
 - POTTER!
Harry abriu os olhos. Estava cado de costas outra vez, sem lembrana 
de ter chegado  sala; ofegava como se tivesse corrido toda a extenso do corredor do Departamento de Mistrios, realmente varado a porta preta e encontrado a sala circular.
 - Explique-se! - disse Snape, que estava em p ao lado dele, parecendo furioso.
 - No sei o que aconteceu - disse Harry com sinceridade, levantando-se. Havia um galo na parte de trs de sua cabea no ponto em que batera no cho e ele se sentia febril. - Nunca vi isso antes, quero dizer, eu lhe disse, sonhei com a porta... mas nunca esteve aberta antes...
 - Voc no est se esforando bastante!
Por alguma razo, Snape estava ainda mais furioso do que h dois minutos, quando Harry vira suas lembranas.
 - Voc  preguioso e desleixado, Potter,  de admirar que o Lorde das Trevas...
 - Ser que o senhor pode me dizer uma coisa? - disse, disparando mais uma vez. - Por que chama Voldemort de Lorde das Trevas? At hoje s ouvi Comensais da Morte o chamarem assim.
Snape abriu a boca em um esgar - uma mulher gritou em algum lugar fora da sala.
O professor virou a cabea abruptamente para o alto e ficou observando o teto.
 - Que d...? - resmungou.
Harry ouviu uma agitao abafada no Saguo de Entrada. Snape olhou para os lados, franzindo a testa.
 - Voc viu alguma coisa anormal quando veio, Potter?
Harry sacudiu a cabea negativamente. Em algum lugar acima a mulher tornou a gritar. Snape se dirigiu a passos largos para a porta, a varinha em riste, e desapareceu de vista. Harry hesitou um momento, ento seguiu-o.
Os gritos vinham de fato do Saguo de Entrada; tornaram-se mais fortes  medida que Harry corria em direo aos degraus de pedra das masmorras. Quando chegou ao alto, encontrou o saguo cheio; os alunos tinham acorrido em massa do Salo Principal, onde  jantar ainda estava sendo servido, para ver o que estava acontecendo; outros lotavam a escadaria de mrmore. Harry abriu caminho por
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um grupo compacto de alunos altos da Slytherin, e viu que os espectadores haviam formado um grande crculo, uns pareciam chocados, outros at temerosos. A Prof McGonagall estava defronte a Harry do outro lado do saguo; dava a impresso de estar se sentindo ligeiramente nauseada com o que via.
A Prof Trelawney encontrava-se no meio do Saguo de Entrada com a varinha em uma das mos e uma garrafa vazia de xerez na outra, parecendo completamente tresloucada. Seus cabelos estavam em p, os culos de tal maneira tortos que um olho estava mais aumentado do que o outro; seus inmeros xales e cachecis caam desalinhados dos ombros, dando a impresso de que ela prpria estava se rompendo. Havia dois males no cho aos seus ps, um deles de tampa para baixo; dava a impresso de que fora atirado atrs dela. A Prof Trelawney olhava fixamente, cheia de terror, para alguma coisa que Harry no podia ver, mas que parecia estar parada ao p da escadaria.
 - No! - gritava ela. - NO! Isto no pode estar acontecendo... no posso... me recuso a aceitar!
 - Voc no viu que isso ia acontecer? - perguntou uma voz infantil e aguda, parecendo insensivelmente risonha, e Harry deslocando-se ligeiramente para a direita, constatou que a viso aterrorizante de Trelawney era nada mais que a Prof Umbridge. - Incapaz como voc  de prever at o tempo que vai fazer amanh, certamente deve ter percebido que o seu lamentvel desempenho durante as minhas inspees, e a ausncia de melhoria, tornaria inevitvel a sua demisso?
 - Voc no p-pode! - berrou a Prof Trelawney, as lgrimas escorrendo pelo rosto por baixo das lentes enormes. - Voc no pode me demitir! Est-tou aqui h dezesseis anos! H-Hogwarts  a minha c...c-casa!
 - Era sua casa... - disse a Prof Umbridge, e Harry sentiu revolta de ver o prazer que distendia a cara de sapo da Umbridge enquanto apreciava a Trelawney afundar, soluando descontrolada, sobre um dos males - ... at uma hora atrs, quando o ministro da Magia contra-assinou a ordem para sua demisso. Agora, tenha a bondade de se retirar do saguo. Voc est nos constrangendo.
Mas ela continuou contemplando, com uma expresso de prazer triunfante, a Prof Trelawney tremer e gemer, balanando-se para a frente e para trs em seu malo, tomada de paroxismos de pesar. Harry ouviu um soluo abafado  sua esquerda e se virou. Lavender e Parvati choravam baixinho, abraadas. Ouviu ento passos. A Prof McGonagall se destacava dos espectadores, marchara direto para Trelawney e esta485
v lhe dando palmadinhas firmes nas costas, ao mesmo tempo que puxava um enorme leno de dentro das vestes.
 - Pronto, pronto, Sibila... se acalme... assoe o nariz no leno... no  to ruim quanto voc est pensando, agora... voc no vai precisar sair de Hogwarts...
 - Ah, srio, Prof McGonagall? - exclamou Umbridge em tom letal, 
dando alguns passos  frente. - E a sua autoridade para afirmar isso ...?
 - A minha - disse uma voz grave.
As portas de carvalho da entrada tinham se aberto. Os estudantes de ambos os lados se afastaram depressa, e Dumbledore apareceu na entrada. O que ele andara fazendo l fora Harry nem podia imaginar, mas havia algo impressionante naquela viso recortada contra a noite estranhamente brumosa. Deixando as portas escancaradas, ele atravessou o crculo de espectadores em direo  trmula Prof Trelawney, sentada no malo com o rosto manchado de lgrimas, e  Prof McGonagall ao seu lado.
 - Sua, Prof. Dumbledore? - disse Umbridge com uma risadinha particularmente desagradvel. - Receio que o senhor no esteja entendendo a situao. Tenho aqui... - ela puxou um pergaminho de dentro das vestes - uma ordem de demisso assinada por mim e pelo ministro da Magia. De acordo com o Decreto Educacional Nmero Vinte e Trs, a Alta Inquisidora de Hogwarts tem o poder de inspecionar, colocar sob observao e demitir qualquer professor que ela, isto , eu, ache que no est desempenhando suas funes conforme exige o Ministrio da Magia. Eu decidi que a Prof Trelawney est abaixo do padro esperado. Eu a demiti.
Para grande surpresa de Harry, Dumbledore continuou a sorrir. Ele baixou os olhos para a Prof Trelawney, que continuava a soluar e a engasgar em cima do malo, e disse
 - A senhora est certa,  claro, Prof Umbridge. Como Alta Inquisidora, a senhora tem todo o direito de despedir meus professores. No entanto, no tem autoridade para expuls-los do castelo. Receio - continuou ele com uma leve reverncia - que o poder de fazer isto ainda pertena ao diretor, e  meu desejo que a Prof Trelawney continue a residir em Hogwarts.
Ao ouvir isso, Trelawney deu uma risadinha tresloucada que mal escondia um soluo.
 - No... no, eu v-vou, Dumbledore! V-vou embora de Hogwarts p-procurar minha fortuna algures...
 - No - afirmou Dumbledore com severidade. -  meu desejo que voc permanea, Sibila.
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Ele se virou ento para a Prof McGonagall.
 - Ser que posso lhe pedir para acompanhar Sibila de volta aos aposentos dela?
 -  claro - disse McGonagall. - Vamos, levante-se, Sibila...
A Prof Sprout saiu correndo da aglomerao e segurou o outro brao de Trelawney. Juntas, elas passaram por Umbridge e subiram a escadaria de mrmore. O Prof. Flitwick se apressou em segui-las, empunhando a varinha  frente; disse com a vozinha esganiada "Locomotor malas!", e a bagagem da Prof Trelawney se ergueu no ar e subiu as escadas atrs dela, o Prof. Flitwick fechou o cortejo.
A Prof Umbridge estava paralisada, encarando Dumbledore, que continuava a sorrir bondosamente.
 - E o que - perguntou ela com um sussurro que ecoou pelo saguo - voc vai fazer com Sibila quando eu nomear uma nova professora de Adivinhao e precisar dos aposentos dela?
 - Ah, isso no ser problema - disse Dumbledore em tom agradvel. - Sabe, j encontrei um novo professor de Adivinhao, e ele prefere ficar no andar trreo.
 - Voc encontrou...? - exclamou Umbridge estridentemente. Voc encontrou? Permita-me lembrar-lhe, Dumbledore, que, de acordo com o Decreto Educacional Nmero Vinte e Dois...
 - O ministro tem o direito de indicar um candidato adequado se, e apenas se, o diretor no puder encontrar um - citou Dumbledore.
 - Tenho o prazer de lhe informar que desta vez o encontrei. Posso apresent-lo a voc?
E se virou para as portas abertas, pelas quais agora entrava a nvoa noturna. Harry ouviu o rudo de cascos. Correu um murmrio de espanto pelo saguo e os que estavam mais prximos das portas rapidamente recuaram mais, alguns tropeando na pressa de abrir caminho para o recm-chegado.
Em meio  nvoa surgiu um rosto que Harry j vira em uma noite escura e tempestuosa na Floresta Proibida; cabelos louroprateados e surpreendentes olhos azuis; a cabea e o tronco de um homem se completavam com o corpo de um cavalo baio.
 - Este  Firenze - disse Dumbledore feliz a uma assombrada Umbridge. - Creio que voc o aprovar.
 - CAPTULO VINTE E SETE
O centauro e o dedo-duro
l
 - Agora, aposto como voc gostaria de no ter desistido de Adivinhao, no , Hermione? - perguntou Parvati, sorrindo presunosa. Era a hora do caf da manh, dois dias depois da demisso da Prof Trelawney, e Parvati estava enrolando os clios na varinha e examinando o efeito nas costas de uma colher. Iam ter a primeira aula com Firenze naquela manh.
 - Nem tanto - disse Hermione com indiferena, lendo o Profeta Dirio. -Jamais gostei realmente de cavalos.
Ela virou a pgina do jornal e passou os olhos pelas colunas.
 - Ele no  cavalo,  centauro! - disse Lavender, chocada.
 - Um lindo centauro... - suspirou Parvati.
 - Ainda assim, continua a ter quatro patas - replicou Hermione calmamente. - Seja como for, pensei que 
vocs duas estivessem muito chateadas por Trelawney ter ido embora.
 - Estamos! - confirmou Lavender. - Fomos  sala dela visit-la; levamos uns narcisos no daqueles que grasnam como os da Sprout, dos bonitos.
 - Como  que ela est? - perguntou Harry.
 - Nada bem, coitadinha - disse Lavender penalizada. - Estava chorando e dizendo que preferia deixar o castelo para sempre a continuar no mesmo lugar que a Umbridge, e no a culpo, a Umbridge foi horrvel com ela, no foi?
 - Tenho um pressentimento de que a Umbridge s est comeando a ser horrvel - comentou Hermione sombriamente.
 - Impossvel - disse Ron devorando seu pratarraz de ovos com bacon. - Ela no pode ficar pior do que .
 - Pois escreva o que estou dizendo, ela vai querer se vingar do Dumbledore por nomear um novo professor sem consult-la - disse Hermione fechando o jornal. - Principalmente um semi-humano. Voc viu a cara que ela fez quando viu o Firenze.
Depois do caf, Hermione foi para a aula de Aritmancia enquan-
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to Harry e Ron seguiam com Parvati e Lavender para o Saguo de Entrada, caminho para a aula de Adivinhao.
 - No vamos para a Torre Norte? - perguntou Ron, intrigado ao ver Parvati passar pela escadaria de mrmore sem subir.
Parvati lhe lanou um olhar de desdm por cima do ombro.
 - Como  que voc espera que Firenze suba aquela escada? Estamos na sala onze agora, no viu no quadro de avisos ontem?
A sala onze era no trreo, no corredor que saa do saguo para o lado oposto ao Salo Principal. Harry sabia que era uma daquelas salas que no eram usadas com regularidade, e por isso dava uma impresso de abandono como o de um armrio ou quarto de guardados. Quando ele entrou logo atrs de Ron e se viu no meio de uma clareira florestal, ficou momentaneamente atordoado.
 - Que di...?
O piso da sala se revestira de um musgo primaveril no qual se erguiam rvores; seus ramos folhosos balanavam no teto e nas janelas, fazendo com que a sala se enchesse de raios de uma luz verde suave e malhada. Os alunos que j haviam chegado se acomodaram no piso terroso, com as costas apoiadas nos troncos das rvores e pedregulhos, e abraavam as pernas dobradas ou cruzadas com fora sobre o peito, todos parecendo muito nervosos. No meio da clareira, onde no havia rvores, estava Firenze.
 - Harry Potter - disse ele, estendendo a mo quando o garoto entrou.
 - Aah... oi - cumprimentou Harry, apertando a mo do centauro, que o examinou sem piscar com aqueles olhos espantosamente azuis, mas no sorriu. - Aah... que bom ver voc.
 - E voc - disse o centauro, inclinando a cabea louro-prateada.
 - Estava escrito que tornaramos a nos encontrar.
Harry reparou que havia no peito de Firenze a sombra de um hematoma em forma de casco. Quando se virou para se reunir ao resto da turma sentada no cho, viu que todos o olhavam assombrados, aparentemente muito impressionados que ele falasse com Firenze, que eles acharam assustador.
Quando a porta foi fechada e o ltimo aluno se sentou em um toco de rvore ao lado da cesta de papis, Firenze fez um gesto englobando a sala toda.
 - O Prof. Dumbledore teve a bondade de providenciar esta sala de aula para ns - disse o centauro, quando todos se calaram - imitando o meu habitat natural. Eu teria preferido ensinar a vocs na Floresta Proibida, que foi, at segunda-feira, a minha morada... mas isto j no  possvel.
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 - Por favor... aah... professor... - disse Parvati ofegante, erguendo a mo... - por que no? J estivemos l com Hagrid, no temos medo!
 - O problema no  a sua coragem - disse Firenze - mas a minha situao. No posso voltar  Floresta Proibida. O meu rebanho me baniu.
 - Rebanho? - exclamou Lavender confusa, e Harry percebeu que ela estava pensando em vacas. - Qu... ah!
A compreenso se espalhou em seu rosto.
 - H outros iguais ao senhor? 
 - perguntou atordoada.
 - Hagrid o criou, como fez com os Testrlios? - perguntou Dean curioso.
Firenze virou lentamente a cabea para encarar Dean, que pareceu perceber na hora que acabara de dizer uma coisa muito ofensiva.
 - No... quis dizer... me desculpe - terminou o garoto com a voz abafada.
 - Os centauros no so servidores nem brinquedos dos humanos
 - disse Firenze com calma.
Fez-se uma pausa, ento Parvati tornou a erguer a mo.
 - Por favor, professor... por que os outros centauros o baniram?
 - Porque eu concordei em trabalhar para o Prof. Dumbledore. E eles encaram isso como uma traio  nossa espcie.
Harry se lembrou de que, h quase quatro anos, o centauro Ronan ralhara com Firenze por permitir que Harry o cavalgasse at um lugar seguro; chamara-o de "mula". Ficou imaginando se teria sido Ronan quem escoiceara o peito de Firenze.
 - Vamos comear - disse o centauro. Ele balanou a longa cauda baia, ergueu a mo para o dossel de folhas no alto, ento baixou-a lentamente e, ao fazer isso, a claridade da sala diminuiu; agora pareciam que estavam sentados em uma clareira ao crepsculo, e surgiram estrelas no teto. Ouviram-se exclamaes e gritos sufocados, e Ron exclamou audivelmente "Caracas!
 - Deitem-se no cho - disse Firenze calmamente - e observem o cu. Ali est escrito, para os que sabem ler, o destino das nossas raas.
Harry se deitou e olhou para o cu. Uma estrela vermelha piscou para ele l do alto.
 - Sei que vocs aprenderam os nomes dos planetas e de suas luas em Astronomia, e que j mapearam o curso das estrelas no cu. Os centauros foram desvendando os mistrios desses movimentos durante sculos. Nossas descobertas nos ensinam que o futuro pode ser vislumbrado no cu que nos cobre...
 - A Prof Trelawney estudou Astrologia conosco! - disse Parvati excitada, erguendo a mo  frente do corpo para que o professor a
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visse no ar, uma vez que estava deitada de costas. - Marte causa acidentes e queimaduras e outros problemas, e quando faz ngulo com Saturno, como agora - ela desenhou um ngulo reto no ar - significa que as pessoas precisam ter extremo cuidado ao lidar com coisas quentes...
 - Isso - disse Firenze calmo - so tolices humanas.
A mo de Parvati caiu frouxamente ao lado do corpo. 
 - Ferimentos banais, pequeninos acidentes humanos - tornou Firenze, pateando o cho coberto de musgo. - No universo, eles no tm maior significao do que formigas correndo, e no so afetados pelos movimentos dos planetas.
 - A Prof Trelawney - comeou Parvati em tom ofendido e indignado.
 -  um ser humano - disse Firenze com simplicidade. - E, portanto, tem os olhos toldados e as mos tolhidas pelas limitaes de sua espcie.
Harry virou muito ligeiramente a cabea para olhar Parvati que parecia muito ofendida, assim como vrios colegas que a rodeavam.
 - Sibila Trelawney pode ter visto, eu no sei - continuou Firenze, e Harry tornou a ouvir sua cauda balanando enquanto caminhava diante da turma - mas desperdia seu tempo, principalmente, com a vaidade tola a que os humanos chamam adivinhar o futuro. Eu estou aqui para explicar a sabedoria dos centauros, que  impessoal e imparcial. Contemplamos o cu  procura das grandes ondas de maldade ou de mudana, que por vezes esto ali assinaladas. Pode levar dez anos para termos certeza do que estamos contemplando.
Firenze apontou para a estrela vermelha diretamente acima de Harry.
 - Na ltima dcada, as estrelas tm indicado que a bruxidade est vivendo apenas uma breve calmaria entre duas guerras. Marte, anunciador de conflitos, brilha intensamente sobre ns, sugerindo que a luta no tardar a recomear. Quando ocorrer, os centauros podem tentar adivinhar por meio da queima de certas ervas e folhas, pela observao de fumaa e chamas...
Foi a aula mais incomum a que Harry j assistira.  verdade que eles queimaram artemsia e malva no cho da sala, e Firenze mandouos procurar certas formas e smbolos na fumaa acre, mas no pareceu nada preocupado que nenhum dos alunos visse os sinais que ele descrevera, comentando que os humanos em geral no eram muito bons nisso e que levara anos para os centauros se tornarem competentes; e concluiu dizendo que, de todo modo, era uma tolice acreditar demais nessas coisas, porque at os centauros por vezes as interpretavam erro491
neamente. Ele no lembrava nenhum professor humano que Harry j tivesse tido. Sua prioridade no parecia ser ensinar o que sabia, mas infundir nos alunos a idia de que nada, nem mesmo o conhecimento dos centauros, era  prova de erro.
 - Ele no  muito afirmativo sobre nada, no ? - comentou Ron baixinho, quando apagavam o fogo da malva. 
 - Quero dizer, eu gostaria de saber mais detalhes sobre a tal guerra que estamos em vsperas de travar, voc no?
A sineta tocou do lado de fora da sala e todos se assustaram; Harry esquecera completamente que continuava dentro do castelo, convencido de que estava realmente na Floresta. Os alunos saram em fila, com o ar um tanto perplexo.
Harry j ia segui-los com Ron quando Firenze o chamou
 - Harry Potter, uma palavrinha, por favor.
O garoto se virou. O centauro se adiantou para ele. Ron hesitou.
 - Pode ficar. Mas feche a porta, por favor. Ron se apressou a obedecer.
 - Harry Potter, voc  amigo de Hagrid, no ? - perguntou o centauro.
 - Sou - disse Harry.
 - Ento d-lhe um aviso meu. A tentativa dele no est dando certo. Seria melhor que a abandonasse.
 - A tentativa dele no est dando certo? - repetiu Harry sem entender.
 - E seria melhor que a abandonasse - repetiu Firenze confirmando com a cabea. - Eu prprio avisaria a ele, mas fui banido, no seria prudente me aproximar da Floresta agora, Hagrid j tem problemas suficientes sem uma "guerra de centauros".
 - Mas... que  que Hagrid est tentando fazer? - perguntou Harry nervoso.
Firenze olhou-o impassvel.
 - Hagrid recentemente me prestou um grande servio e h muito tempo conquistou o meu respeito pelo cuidado que demonstra com todos os seres vivos. No trairei o seu segredo. Mas ele precisa ouvir a voz da razo. A tentativa no est dando certo. Diga isso a ele, Harry Potter. Um bom dia para vocs.
A felicidade que Harry sentira na esteira da entrevista ao Pasquim havia muito tempo se evaporara. Quando um maro montono passou despercebido para um abril tempestuoso, sua vida pareceu ter se transformado mais uma vez em uma sucesso de preocupaes e problemas.
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Umbridge continuara a assistir a todas as aulas de Trato das Criaturas Mgicas, tornando muito difcil passar o aviso de Firenze a Hagrid. Finalmente, Harry conseguiu, fingindo que perdera seu exemplar de Animais fantsticos & onde habitam, e voltando depois da aula. Quando transmitiu a mensagem de Firenze, Hagrid fixou nele seus olhos inchados e roxos por um momento, aparentemente espantado. Ento pareceu se controlar.
 - Cara legal, o Firenze - disse rouco - mas no sei do que ele est falando. A tentativa est dando certo.
 - Hagrid, que  que voc est aprontando? - perguntou Harry srio. - Porque voc precisa ter cuidado, a Umbridge j demitiu Trelawney e, se voc quer saber, ela continua prestigiada no Ministrio. Se estiver fazendo alguma coisa que no deve, voc vai...
 - Tem coisas mais importantes do que manter o emprego comentou Hagrid, embora suas mos tremessem levemente ao dizer isso, fazendo uma bacia cheia de excrementos de ourios cair no cho. - No se preocupe comigo, Harry, agora vamos andando, seja um bom menino.
Harry no teve escolha seno deixar Hagrid limpando a bosta do cho, mas se sentiu totalmente desanimado ao se arrastar de volta ao castelo.
Entrementes, tal como os professores e Hermione insistiam em lembrar, os N.O.M.s estavam cada dia mais prximos. Todos os quintanistas se sentiam de alguma forma estressados, mas Ana Abbott foi a primeira a receber uma Poo Calmante de Madame Pomfrey depois de cair no choro durante uma aula de Herbologia e soluar, dizendo que era burra demais para prestar os exames e que queria deixar a escola naquele instante.
Se no fosse pelas sesses na AD, Harry tinha a impresso de que estaria profundamente infeliz. s vezes tinha o sentimento de que vivia para as horas que passava na Sala Precisa, onde se esforava muito, mas ao mesmo tempo se divertia imensamente, inchando de orgulho ao contemplar os companheiros da AD e constatar seu progresso. De fato, Harry s vezes se perguntava como  que Umbridge iria reagir quando visse todos os participantes da AD receberem "Excelente" no N.O.M. de Defesa Contra as Artes das Trevas.
Eles tinham finalmente comeado a trabalhar o Patrono, que todos queriam muito praticar, embora Harry no parasse de lembrar a todos que produzir um Patrono no meio de uma sala de aula iluminada quando ningum os ameaava era muito diferente de produzi-lo quando estivessem enfrentando, por exemplo, um Dementador.
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 - Ah, no seja desmancha-prazeres - exclamou Cho animada, apreciando o seu Patrono em forma de cisne prateado voar pela Sala Precisa durante a ltima aula antes da Pscoa. - Eles so to bonitos!
 - Eles no tm de ser bonitos, tm  que proteger voc - disse Harry paciente. - O que realmente precisamos  de um sem-forma ou coisa parecida; foi assim 
que aprendi, tinha de conjurar o Patrono enquanto o sem-forma fingia ser um Dementador...
 - Mas isso seria realmente apavorante! - exclamou Lavender, que soltava baforadas de vapor prateado pela ponta da varinha. - E ainda no... consigo... fazer! - completou ela com raiva.
Neville estava encontrando dificuldade tambm. Seu rosto se contraa ao se concentrar, mas apenas tnues fiapinhos de fumaa prateada saam da ponta de sua varinha.
 - Voc tem de pensar em alguma coisa feliz - Harry lembrava ao garoto.
 - Estou tentando - disse Neville, infeliz, cujo empenho era tanto que seu rosto redondo chegava a brilhar de suor.
 - Harry, acho que estou conseguindo! - berrou Seamus, que fora trazido por Dean  sua primeira reunio da AD. - Olha... ah... desapareceu... mas era decididamente alguma coisa peluda, Harry!
O Patrono de Hermione, uma reluzente lontra prateada, brincava  sua volta.
 - Eles so bonitinhos, no so? - comentou ela, olhando-o com carinho.
A porta da Sala Precisa se abriu e fechou. Harry se virou para ver quem entrara, mas no parecia haver ningum. Passou-se um momento at ele perceber que as pessoas prximas  porta haviam se calado. No instante seguinte, alguma coisa puxava suas vestes na altura do joelho. Ele olhou e viu, para seu grande espanto, Dobby, o elfo domstico, mirando-o por baixo dos seus oito gorros de l habituais.
 - Oi, Dobby! Que  que voc... Que aconteceu?
Os olhos do elfo se arregalavam de terror e ele tremia. Os participantes da AD mais prximos de Harry tinham se calado; todos observavam Dobby. Os poucos Patronos que as pessoas tinham conseguido conjurar desapareceram em fumaa prateada, deixando a sala bem mais escura do que antes.
 - Harry Potter, meu senhor... - esganiou-se o elfo, tremendo da cabea aos ps. - Harry Potter, meu senhor... Dobby veio avisar... mas os elfos foram avisados para no contar...
Ele correu a bater a cabea na parede. Harry, que tinha alguma experincia com os hbitos de se castigar de Dobby, fez meno de agarr-lo, mas o elfo meramente quicou na pedra graas aos seus oito
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gorros. Hermione e algumas outras garotas soltaram gritinhos de medo e pena.
 - Que aconteceu, Dobby? - perguntou Harry, agarrando o bracinho do elfo e mantendo-o afastado de qualquer coisa que ele pudesse encontrar para se machucar.
 - Harry Potter... ela... ela...
Dobby deu um forte soco no nariz com o punho livre. Harry agarrou-o tambm.
 - Quem  "ela", Dobby?
Mas ele achava que sabia; certamente s havia uma "ela" capaz de induzir tal pavor em Dobby. O elfo ergueu os olhos, ligeiramente vesgo, e pronunciou silenciosamente.
 - Umbridge? - perguntou Harry, horrorizado.
Dobby confirmou, e em seguida tentou bater a cabea nos joelhos de Harry. O garoto o segurou  distncia dos braos.
 - Que tem a Umbridge? Dobby... ela no descobriu isso... ns... aAD?
Ele leu a resposta no rosto aflito do elfo. Com as mos presas por Harry ele tentou se chutar e caiu de joelhos.
 - Ela est vindo? - perguntou Harry calmamente. Dobby deixou escapar um uivo.
 - Est, Harry Potter, est!
Harry se endireitou e olhou para os colegas, imveis e aterrorizados, que contemplavam o elfo a se debater.
 - QUE  QUE VOCS ESTO ESPERANDO! - berrou Harry. CORRAM!
Todos se arremessaram para a sada na mesma hora, embolando na porta, ento passaram num mpeto. Harry ouviu-os correndo pelos corredores e desejou que tivessem o bom senso de no tentar ir direto para os dormitrios. Eram apenas dez para as nove; se ao menos se refugiassem na biblioteca ou no corujal, que eram mais prximos...
 - Harry, anda logo! - gritou Hermione em meio ao bolo de gente que se empurrava para sair.
Ele pegou Dobby, que continuava tentando se machucar seriamente, e correu com o elfo nos braos para o fim da fila.
 - Dobby, isto  uma ordem, volte para a cozinha com os outros elfos e, se ela perguntar se voc me avisou, minta e diga que no! E probo voc de se machucar! - acrescentou, largando o elfo no cho quando finalmente cruzou o portal e bateu a porta.
 - Obrigado, Harry Potter - disse Dobby com a sua vozinha esganiada, e afastou-se desabalado. Harry olhou para a esquerda e a direita, os outros andavam to depressa que ele viu apenas vislumbre dos
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calcanhares que voavam em cada ponta do corredor antes de desaparecer; ele comeou a correr para a direita; havia um banheiro de meninos um pouco adiante, poderia fingir que estivera ali o tempo todo se conseguisse chegar l...
 - AAARRR!
Alguma coisa o apanhou pelos tornozelos e ele caiu espetacularmente, deslizando quase dois metros pelo cho antes de parar. Algum atrs dele gargalhou. Ele se virou de frente e viu Malfoy escondido em um nicho atrs de um feio vaso em forma de drago.
 - Maldio do Tropeo, Potter! Eh, Professora... PROFESSORA! Peguei um!
Umbridge surgiu depressa em uma extremidade, ofegante, mas sorrindo satisfeita.

 -  ele! - exclamou jubilante ao ver Harry no cho. - Excelente, Draco, excelente, ah, muito bom cinqenta pontos para Slytherin! Eu me encarrego dele a partir daqui... levante-se, Potter!
Harry se ps de p, olhando para os dois. Nunca vira Umbridge com um ar to feliz. Ela imobilizou seu brao e se virou, toda sorrisos, para Malfoy.
 - V andando e veja se consegue apanhar mais algum, Draco. Diga aos outros para procurar na biblioteca algum que esteja ofegando, verifiquem os banheiros. A Srta. Parkinson pode examinar os banheiros das meninas, vamos, v andando, e voc - acrescentou ela com a voz mais suave e mais perigosa, enquanto Malfoy se afastava - voc vai comigo  sala do diretor, Potter!
Chegaram  grgula de pedra em minutos. Harry ficou imaginando quantos dos outros teriam sido apanhados. Pensou em Ron, a Sra. Weasley o mataria, e como se sentiria Hermione se fosse expulsa antes de prestar os N.O.M.s. E fora a primeira reunio do Seamus... e Neville estava progredindo tanto...
 - Delcia Gasosa - entoou Umbridge; a grgula de pedra saltou para o lado, a parede se abriu em duas metades e eles subiram a escada rolante de pedra. Chegaram  porta polida com a aldrava de grifo, mas Umbridge no se deu ao trabalho de bater, entrou direto, ainda segurando Harry com firmeza.
A sala estava cheia de gente. Dumbledore encontrava-se  escrivaninha, a expresso serena, as pontas dos longos dedos juntas. A Prof McGonagall empertigada ao seu lado, o rosto extremamente tenso. Cornelius Fudge, ministro da Magia, se balanava para a frente e para trs sem sair do lugar, ao lado da lareira, pelo visto imensamente satisfeito com a situao; Kingsley Shacklebolt e um bruxo com uma carranca e cabelos muito curtos e crespos, que Harry no reconheceu,
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estavam postados de cada lado da porta como guardas, e a figura de sardas e culos de Percy Weasley pairava excitada junto  parede, uma pena e um pesado rolo de pergaminho nas mos, aparentemente preparado para tomar notas.
Os retratos dos velhos diretores e diretoras no estavam fingindo dormir esta noite. Estavam atentos e srios, observando o que acontecia embaixo. Quando Harry entrou, alguns fugiram para quadros vizinhos e cochicharam com urgncia aos ouvidos dos colegas.
Harry se desvencilhou do aperto de Umbridge quando a porta se fechou. Cornelius Fudge o olhou com uma espcie de maligna satisfao no rosto.
 - Ora - exclamou. - Ora, ora, ora...
Harry respondeu com o olhar mais sujo que conseguiu dar. Seu corao batia descontrolado no peito, mas o crebro estava estranhamente claro e tranqilo.
 - Ele estava voltando  Torre da Grifindore - disse Umbridge. Havia uma excitao obscena em sua voz, o mesmo prazer perverso que Harry ouvira quando a Prof Trelawney se desintegrava de infelicidade no Saguo de Entrada. - O menino Malfoy o encurralou.
 - Foi mesmo, foi mesmo? - exclamou Fudge, admirado. Preciso me lembrar de contar ao Lcio. Muito bem, Potter... espero que saiba por que est aqui.
Harry tinha toda a inteno de responder com um atrevido "sim" sua boca abrira e a palavra comeara a se formar quando ele percebeu a expresso de Dumbledore. O diretor no olhava diretamente para ele - tinha os olhos fixos em um ponto por cima do seu ombro - mas, quando Harry o encarou, mexeu a cabea uma frao de segundo para cada lado..
Harry mudou de idia no meio da palavra.
 - ... no.
 - Como disse? - perguntou Fudge.
 - No - repetiu Harry com firmeza.
 - Voc no sabe por que est aqui?
 - No, senhor, no sei.
Fudge olhou incrdulo de Harry para a Prof Umbridge. O garoto se aproveitou da desateno momentnea para lanar outro olhar rpido a Dumbledore, que deu um aceno mnimo e a sombra de uma piscadela para o tapete.
 - Ento voc no faz idia - disse o ministro com a voz positivamente pesada de sarcasmo - por que a Prof Umbridge o trouxe a esta sala? Voc no sabe que infringiu o regulamento da escola?
 - Regulamento da escola? No. > ? u.-.".
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 - Nem os decretos do Ministrio? - acrescentou Fudge irritado.
 - No que eu tenha conscincia - respondeu Harry brandamente. Seu corao continuava a bater acelerado. Quase valia a pena
dizer mentiras para ver a presso sangnea de Fudge subir, mas no conseguia ver como iria dize-las impunemente; se algum informara a Umbridge sobre a AD, ento ele, o lder, poderia comear a arrumar as malas agora mesmo.
 - Ento,  novidade para voc - disse Fudge, sua voz agora pastosa de raiva - que foi descoberta uma organizao estudantil ilegal nesta 
escola?
 - , sim senhor - disse Harry, exibindo um olhar de inocncia e de surpresa pouco convincente.
 - Acho, ministro - disse Umbridge atrs do garoto com a voz sedosa - que faramos maior progresso se eu trouxesse a nossa informante.
 - , faa isso - disse Fudge com um aceno, e olhou maliciosamente para Dumbledore quando Umbridge saiu. - Nada como uma boa testemunha, no , Dumbledore?
 - Nada mesmo, Cornelius - concordou Dumbledore gravemente, inclinando a cabea.
Houve uma espera de vrios minutos, em que ningum se entreolhou, ento Harry ouviu a porta se abrir s suas costas. Umbridge entrou e passou por ele segurando pelo ombro a amiga de cabelos crespos de Cho, Marieta, que escondia o rosto nas mos.
 - No se apavore, querida, no tema - disse a Prof Umbridge com suavidade, dando-lhe palmadinhas nas costas - est tudo bem agora. Voc agiu certo. O ministro est muito satisfeito com voc. Dir  sua me que boa menina voc foi. A me de Marieta, ministro
 - acrescentou, erguendo os olhos para Fudge -  Madame Edgecombe, do Departamento de Transportes Mgicos, seo da Rede de Flu, tem nos ajudado a policiar as lareiras de Hogwarts, sabe.
 - Muito bom, muito bom! - disse Fudge cordialmente. - Tal me, tal filha, eh? Bom, vamos ento, querida, erga a cabea, no seja tmida, vamos ver o que voc tem a... grgulas galopantes!
Quando Marieta ergueu a cabea, Fudge deu um salto para trs chocado, quase se estatelando na lareira. Em seguida praguejou e sapateou na bainha da capa que comeara a fumegar. Marieta deu um guincho e puxou o decote das vestes at os olhos, mas no antes de todos verem que seu rosto estava terrivelmente desfigurado por uma quantidade de pstulas roxas muito juntas que cobriam seu nariz e suas faces formando a palavra "DEDO-DURO".
 - No se incomode com as marcas agora, querida - disse
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Umbridge impaciente - tire as vestes de cima da boca e conte ao ministro.
Mas Marieta soltou outro guincho abafado e sacudiu a cabea freneticamente.
 - Ah, muito bem, sua tolinha, eu contarei - disse Umbridge com rispidez. Tornando a refazer o sorriso doentio no rosto, disse - Bom, ministro, a Srta. Edgecombe aqui veio  minha sala pouco depois do jantar hoje  noite e me disse que queria me contar uma coisa. Contou que se eu fosse a uma sala secreta no stimo andar, s vezes conhecida como Sala Precisa, eu descobriria algo que me interessaria. Fiz-lhe mais algumas perguntas, e ela admitiu que haveria uma reunio ali. Infelizmente, naquela altura, a maldio - ela acenou impaciente para o rosto escondido de Marieta - produziu efeito, e, ao ver seu rosto no meu espelho, a menina ficou aflita demais para me fornecer maiores detalhes.
 - Bom, agora - disse Fudge, fixando Marieta com o que evidentemente imaginava que fosse um olhar paternal -  muita coragem sua, querida, ir contar  Prof Umbridge. Voc agiu certo. Agora, pode me dizer o que aconteceu na reunio? Qual era a finalidade? Quem mais estava presente?
Mas Marieta no quis falar; meramente tornou a sacudir a cabea, os olhos muito abertos e receosos.
 - Voc no tem uma contra-maldio para isso? - perguntou Fudge a Umbridge, impaciente, indicando o rosto de Marieta. - Para ela poder falar livremente?
 - Ainda no consegui descobrir uma - admitiu Umbridge a contragosto, e Harry sentiu um assomo de orgulho pelas habilidades de Hermione em maldio. - Mas no faz diferena se ela no quiser falar, eu posso continuar a histria a partir deste ponto. O senhor deve se lembrar, ministro, que lhe enviei um relatrio em outubro informando que Potter se encontrara com vrios colegas no Cabea de Javali, em Hogsmeade...
 - E qual  a sua prova disso? - interrompeu-a a Prof McGonagall.
 - Tenho o testemunho de Willy Widdershins, Minerva, que por acaso estava no bar naquela ocasio. Usava muitas bandagens,  verdade, mas sua audio estava perfeita - disse Umbridge cheia de si. - Ele ouviu cada palavra que Potter disse e veio direto  escola me relatar...
 - Ah, ento foi por isso que ele no foi processado por ter feito todos aqueles vasos sanitrios regurgitarem! - exclamou a Prof McGonagall, erguendo as sobrancelhas. - Que viso interessante do nosso sistema judicirio! 
 - Corrupo descarada! - bradou o retrato de um corpulento bruxo de nariz vermelho na parede atrs da escrivaninha de Dumbledore. - No meu tempo o Ministrio no negociava com criminosos baratos, no senhor, no negociava!
 - Obrigado, Fortescue, j chega - disse Dumbledore suavemente.
 - A finalidade do encontro de Potter com esses estudantes - continuou a Umbridge 
 - era persuadi-los a formar uma sociedade ilegal, com o fito de aprender feitios e maldies que o Ministrio declarou inadequados para a idade escolar...
 - Acho que voc vai descobrir que est enganada, Dolores - disse Dumbledore calmamente, espiando por cima dos oclinhos de meialua encarrapitados no meio do nariz adunco.
Harry olhou para o diretor. No entendia como  que Dumbledore ia livr-lo dessa; se Willy Widdershins tivesse de fato ouvido tudo que ele dissera no Cabea de Javali, simplesmente no haveria
escapatria.
 - Oho! - exclamou Fudge, recomeando a se balanar sobre os ps. - Sim, vamos ouvir a ltima lorota inventada para tirar Potter de uma confuso! Vamos, ento, Dumbledore, vamos... Willy Widdershins estava mentindo,  isso? Ou era o gmeo idntico de Potter que estava no Cabea de Javali naquele dia? Ou a explicao costumeira que envolve a reverso do tempo, um morto que retorna  vida e uns Dementadores invisveis?
Percy Weasley deixou escapar uma gostosa gargalhada.
 - Ah, essa  muito boa, ministro, muito boa!
Harry poderia ter dado um chute nele. Ento viu, para seu espanto, que Dumbledore tambm sorria gentilmente.
 - Cornelius, eu no nego, e tenho certeza de que Harry tambm no, que ele estivesse no Cabea de Javali naquele dia, nem que estivesse procurando recrutar estudantes para um grupo de Defesa Contra as Artes das Trevas. Estou apenas dizendo que Dolores est muito enganada de que tal grupo fosse,  poca, ilegal. Se voc se lembra, o Decreto Educacional que proibiu todas as associaes de estudantes s entrou em vigor dois dias depois da reunio de Harry em Hogsmeade, portanto ele no estava infringindo regulamento algum no Cabea de Javali.
Percy parecia ter sido atingido no rosto por alguma coisa muito pesada. Fudge se imobilizou no meio do seu balano, boquiaberto.
Umbridge se recuperou primeiro.
 - Tudo isso est muito bem, diretor - disse sorrindo meigamente - mas agora j faz seis meses que o Decreto Nmero Vinte e
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Quatro entrou em vigor. Se o primeiro encontro no foi ilegal, todos os que ocorreram depois certamente o so.
 - Bom - replicou Dumbledore, estudando-a com educado interesse por cima dos dedos entrelaados - eles certamente seriam, se tivessem continuado depois que o decreto entrou em vigor. Voc tem alguma prova de que os encontros continuaram?
Enquanto Dumbledore falava, Harry ouviu um rumorejo atrs, e achou que Kingsley cochichara alguma coisa. Podia jurar, tambm, que sentira alguma coisa roar o lado do seu corpo, alguma coisa suave como um sopro ou as asas de um pssaro, mas olhando para baixo no viu nada.
 - Prova? - repetiu Umbridge, abrindo aquele sorriso bufondeo.
 - Voc no esteve prestando ateno, Dumbledore? Por que acha que a Srta. Edgecombe est aqui?
 - Ah, e ela pode nos falar dos seis meses de encontros? - perguntou Dumbledore, erguendo as sobrancelhas. - Tive a impresso de que ela estava meramente relatando uma reunio hoje  noite.
 - Srta. Edgecombe - disse imediatamente - conte-nos h quanto tempo essas reunies vm acontecendo, querida. Voc pode simplesmente acenar ou balanar a cabea, tenho certeza de que isso no vai piorar as manchas. Elas tm se realizado regularmente nos ltimos seis meses?
Harry sentiu seu estmago despencar. Era o fim, tinham chegado a uma muralha de provas inegveis que nem mesmo Dumbledore seria capaz de remover.
 - S precisa acenar ou balanar a cabea, querida - disse Umbridge, tentando persuadir Marieta. - Vamos, agora, isso no vai reativar a maldio.
Todos na sala olharam para o topo da cabea da garota. Apenas seus olhos estavam visveis entre as vestes repuxadas e a franja crespa. Talvez fosse um efeito das chamas, mas seus olhos pareciam estranhamente vidrados. Ento, para absoluto assombro de Harry, Marieta balanou negativamente a cabea.
Umbridge olhou depressa para Fudge, e de novo para Marieta.
 - Acho que voc no entendeu a pergunta, entendeu, querida? Estou perguntando se voc tem ido a essas reunies nos ltimos seis meses? Voc tem, no tem?
Mais uma vez, Marieta balanou a cabea.
 - Que  que voc quer dizer balanando a cabea, querida? perguntou Umbridge impaciente.
 - Eu diria que o significado do gesto da menina foi muito claro
 - disse a Prof McGonagall com aspereza. - No houve reunies secretas nos ltimos seis meses. Estou certa, Srta. Edgecombe? Marieta acenou a cabea afirmativamente.
 - Mas houve uma reunio hoje  noite! - exclamou Umbridge furiosa. - Houve uma reunio, Srta. Edgecombe, a senhorita me falou nela, na Sala Precisa! E Potter era o lder, no era, Potter a organizou, Potter... por que voc est balanando a cabea, menina?
 - Bom, normalmente quando uma pessoa balana a cabea disse McGonagall friamente - ela quer dizer "no". Ento, a no ser que a Srta. 
Edgecombe esteja usando uma linguagem de sinais ainda desconhecida dos seres humanos...
A Prof Umbridge agarrou Marieta, virou-a de frente e comeou a sacudi-la violentamente. Uma frao de segundo depois, Dumbledore estava em p, a varinha erguida; Kingsley se adiantou e Umbridge se afastou de Marieta, sacudindo a mo no ar como se tivesse se queimado.
 - No posso permitir que voc brutalize os meus estudantes, Dolores - disse Dumbledore e, pela primeira vez, pareceu aborrecido.
 - Queira se acalmar, Madame Umbridge - disse Kingsley com sua voz profunda e lenta. - A senhora no quer se envolver em confuses.
 - No - disse Umbridge ofegante, erguendo os olhos para a figura imponente de Kingsley. - Quero dizer, sim, voc tem razo, Shacklebolt... eu... eu... perdi a cabea.
Marieta estava parada exatamente onde Umbridge a largara. No parecia nem perturbada pelo inesperado ataque da professora nem aliviada por ter sido solta; continuava a segurar as vestes na altura dos olhos vidrados e fixos em algum ponto  sua frente.
Uma repentina suspeita, ligada ao cochicho de Kingsley e  coisa que sentira passar por ele, nasceu na mente de Harry.
 - Dolores - disse Fudge, com ar de quem tentava determinar algo de uma vez por todas - a reunio de hoje  noite... a que sabemos que decididamente se realizou...
 - Sim - disse Umbridge, recuperando-se - sim... bom, a Srta. Edgecombe me informou e eu imediatamente me dirigi ao stimo andar, acompanhada por certos estudantes dignos de confiana, para apanhar em flagrante os participantes da reunio. Parece, no entanto, que eles foram avisados, porque quando chegamos ao stimo andar corriam em todas as direes. Mas no faz diferena. Tenho todos os nomes aqui, a Srta. Parkinson entrou na Sala Precisa a meu pedido para ver se haviam esquecido alguma coisa ao sair. Precisvamos de provas e a sala nos forneceu.
E, para horror de Harry, ela puxou do bolso a lista de nomes que
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Hermione havia prendido na parede da Sala Precisa e entregou-o a
Fudge.
 - No instante em que vi o nome de Potter na lista, percebi o que
tnhamos nas mos.
 - Excelente - disse Fudge, um sorriso se espalhando pelo rosto. Excelente, Dolores. E... pelo trovo...
Ele ergueu os olhos para Dumbledore, que continuava parado ao lado de Marieta, segurando a varinha frouxamente na mo.
 - Est vendo o nome que escolheram para o grupo? - disse Fudge calmo. - Armada de Dumbledore.
Dumbledore estendeu a mo e apanhou o pergaminho que Fudge segurava. Olhou para o cabealho escrito por Hermione meses antes, e por um momento pareceu incapaz de falar. Ento, ergueu a
cabea e sorriu.
 - Bom, o plano fracassou - disse com simplicidade. - Quer que eu escreva uma confisso, Cornelius, ou basta uma declarao diante
dessas testemunhas?
Harry viu McGonagall e Kingsley se entreolharem. Havia medo nos rostos de ambos. Ele no entendia o que estava acontecendo e, pelo visto, Fudge tambm no.
 - Declarao? - perguntou o ministro lentamente. - Que... eu
no...?
 - A Armada de Dumbledore, Cornelius - disse Dumbledore,
ainda sorrindo ao agitar a lista de nomes diante dos olhos de Fudge.
 - No  a Armada de Potter.  a Armada de Dumbledore.
 - Mas... mas...
A compreenso iluminou subitamente o rosto de Fudge. Ele recuou um passo, horrorizado, soltou um ganido e pulou outra vez
para longe da lareira.
 - Voc? - sussurrou, sapateando na capa em chamas.
 - Isso mesmo - confirmou Dumbledore em tom agradvel.
 - Voc organizou isso?
 - Organizei.
 - Voc recrutou esses estudantes para... para uma armada?
 - Hoje  noite seria a primeira reunio - disse Dumbledore, acenando com a cabea. - Somente para saber se eles estariam interessados em se unir a mim. Vejo agora que obviamente foi um erro convidar a Srta. Edgecombe.
Marieta confirmou com a cabea. Fudge olhou da garota para
Dumbledore, seu peito inchando.
 - Ento voc tem conspirado contra mim! - berrou.
 - Isto mesmo - respondeu Dumbledore alegremente.
 - NO! - gritou Harry.
Kingsley lanou um olhar de advertncia a ele, McGonagall arregalou os olhos ameaadoramente, mas Harry compreendera de repente o que Dumbledore ia fazer, e no podia deixar isso acontecer.
 - No... Prof. Dumbledore...!
 - Fique quieto, Harry, ou receio que ter de sair da minha sala disse Dumbledore calmamente.
 - , cale-se, Potter! - vociferou Fudge, que continuava a devorar Dumbledore com os olhos com uma espcie de prazer horrorizado. Ora, ora, ora... vim aqui esta noite esperando expulsar Potter e em
vez disso...
 - Em vez disso consegue me prender - concluiu Dumbledore
sorridente. -  como perder um nuque e encontrar um galeo, no 
mesmo?
 - Weasley! - chamou Fudge, agora positivamente tremendo de
prazer. - Weasley, voc anotou tudo, tudo que ele disse, a confisso,
est 
tudo a?
 - Sim, senhor, penso que sim! - respondeu Percy pressuroso, com o nariz sujo de tinta tal a velocidade com que fizera suas anotaes.
 - A parte em que diz que est tentando organizar uma armada contra o Ministrio, que est trabalhando para me desestabilizar?
 - Sim, senhor, anotei, sim, senhor - respondeu Percy verificando
as anotaes exultante.
 - Muito bem, ento - disse o ministro, agora irradiando felicidade - reproduza suas notas, Weasley, e mande uma cpia para o Profeta Dirio imediatamente. Se despacharmos uma coruja veloz chegar em tempo para a edio matutina! - Percy saiu correndo da sala, batendo a porta ao passar, e Fudge voltou sua ateno para Dumbledore. Voc ser agora escoltado ao Ministrio, onde ser formalmente acusado, e escoltado a Azkaban para aguardar julgamento!
 - Ah - disse Dumbledore educadamente - sim. Sim, achei que chegaramos a este pequeno transtorno.
 - Transtorno?! - exclamou Fudge, a voz vibrando de felicidade.
 - No vejo nenhum transtorno, Dumbledore!
 - Bom - replicou Dumbledore desculpando-se - receio dizer
que vejo.
 - Ah, verdade?
 - Bom... parece que voc tem a iluso de que irei... como  mesmo a expresso? Que irei sem fazer barulho. Receio dizer que no vou sem fazer barulho, Cornelius. No tenho absolutamente a inteno de ser mandado para Azkaban. Eu poderia fugir,  claro, mas que
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perda de tempo, e francamente, posso pensar em inmeras coisas que prefiro fazer.
O rosto de Umbridge corava sem parar; parecia que ela estava sendo enchida com gua fervendo. Fudge olhou para Dumbledore com uma expresso muito tola no rosto, como se estivesse aturdido por um golpe repentino e no conseguisse acreditar no que estava acontecendo. Teve um pequeno engasgo, depois olhou para Kingsley e o homem de cabelos curtos e grisalhos, o nico na sala que permanecera totalmente em silncio at ento. Este deu a Fudge um aceno de confirmao e se adiantou uns passos, afastando-se da parede. Harry viu sua mo deslizar, quase displicentemente, em direo ao bolso.
 - No seja bobo, Dawlish - disse Dumbledore em tom bondoso.
 - Estou certo de que voc  um excelente auror, tenho a impresso de que obteve "Excepcional" em todos os seus N.I.E.M.s, mas se tentar... ah... me levar  f ora terei de machuc-lo.
O homem chamado Dawlish piscou meio abobado. Tornou a olhar para Fudge, mas desta vez parecia esperar uma dica sobre o que fazer a seguir.
 - Ento - caoou Fudge recuperando-se - voc pretende enfrentar Dawlish, Shacklebolt, Dolores e a mim, sozinho, , Dumbledore?
 - Pelas barbas de Merlim, no! - disse Dumbledore sorrindo. No, a no ser que vocs sejam suficientemente insensatos de me obrigar a isso.
 - Ele no estar sozinho! - exclamou a Prof McGonagall em voz alta, metendo a mo nas vestes.
 - Ah, estar sim, Minerva - tornou Dumbledore rpido. Hogwarts precisa de voc!
 - Chega de disparates! - disse Fudge, puxando a prpria varinha.
 - Dawlish! Shacklebolt! Prendam-no!
Um raio prateado lampejou pela sala; ouviu-se um estrondo como o de um tiro e o cho tremeu; uma mo agarrou Harry pelo cangote e forou-o a se deitar no cho quando o segundo raio disparou; vrios retratos berraram, Fawkes guinchou e uma nuvem de fumaa encheu o ar. Tossindo por causa da poeira, Harry viu um vulto escuro desabar com estrpito no cho na frente dele; ouviu-se um grito agudo e um baque e algum exclamando "No!"; seguiuse o rudo de vidro quebrando, de ps se arrastando freneticamente, um gemido... e silncio.
Harry tentou virar para os lados a ver quem o estrangulava, e viu a Prof McGonagall encolhida ao seu lado; ela o livrara e a Marieta, afastando-os do perigo. A poeira ainda caa devagarinho do alto em
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cima deles. Ligeiramente ofegante, Harry viu uma figura alta vindo
em sua direo.
 - Vocs esto bem? - perguntou Dumbledore.
 - Estamos! - respondeu a Prof McGonagall, erguendo-se e arrastando com ela Harry e Marieta.
A poeira foi se dissipando. A destruio no escritrio tornou-se visvel a escrivaninha de Dumbledore fora virada, todas as mesinhas de pernas finas tinham tombado no cho, os instrumentos de prata estavam partidos. Fudge, Umbridge, Kingsley e Dawlish estavam imveis, cados no cho. Fawkes, a fnix, sobrevoava-os 
em crculos amplos, cantando baixinho.
 - Infelizmente, tive de amaldioar Kingsley tambm ou teria parecido muito suspeito - disse o diretor em voz baixa. - Ele entendeu extraordinariamente rpido, modificando a memria da Srta. Edgecombe quando os outros no estavam olhando; agradea a ele por mim, por
favor, Minerva.
Agora, eles no tardaro a acordar e ser melhor que no saibam que tivemos tempo de nos comunicar; vocs devem agir como se o tempo no tivesse passado, como se eles tivessem apenas sido derrubados, eles no se lembraro...
 - Aonde  que voc vai, Dumbledore? - sussurrou McGonagall.
 - Largo Grimmauld?
 - Ah, no - respondeu com um sorriso triste. - No vou sair para me esconder. Fudge logo ir desejar nunca ter me tirado de Hogwarts,
prometo.
 - Prof. Dumbledore... - comeou Harry.
No sabia o que dizer primeiro que sentia muito ter comeado a AD e causado toda essa confuso, ou como se sentia mal que Dumbledore estivesse partindo para salv-lo da expulso? Mas o diretor interrompeu-o antes que pudesse continuar.
 - Escute, Harry - disse com urgncia. - Voc precisa estudar Oclumncia o mximo que puder, est me entendendo? Faa tudo que o Prof. Snape mandar e pratique particularmente toda noite antes de dormir para poder fechar sua mente aos pesadelos voc vai entender a razo muito em breve, mas precisa me prometer...
O homem chamado Dawlish comeou a se mexer. Dumbledore agarrou o pulso de Harry.
 - Lembre-se... feche sua mente...
Mas quando os dedos de Dumbledore se fecharam sobre sua pele, Harry sentiu novamente aquele terrvel desejo ofdico de atacar o diretor, de mord-lo, de feri-lo...
 - ... voc vai compreender - sussurrou Dumbledore.
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Fawkes deu uma volta na sala e mergulhou em direo ao diretor. Dumbledore soltou Harry, ergueu a mo e segurou a longa cauda dourada da fnix. Houve uma labareda e os dois desapareceram.
 - Aonde  que ele foi? - bradou Fudge, levantando-se do cho. Aonde  que ele foi?
 - No sei! - berrou Quirn, tambm se pondo de p.
 - Ora, ele no pode ter desmaterializado! - exclamou Umbridge. No se pode fazer isso aqui na escola...
 - As escadas! - gritou Dawlish, e precipitou-se para a porta, escancarou-a e desapareceu, seguido de perto por Kingsley e Umbridge. Fudge hesitou, ento ficou em p lentamente, espanando a poeira da frente das vestes. Houve um longo e penoso silncio.
 - Bom, Minerva - disse Fudge desagradavelmente, endireitando a manga rasgada. - Receio dizer que este  o fim do seu amigo Dumbledore.
 - Voc acha mesmo? - desdenhou a professora.
Fudge pareceu no ouvi-la. Corria os olhos pela sala destruda. Alguns retratos o vaiaram; um ou dois at fizeram gestos obscenos com as mos.
 -  melhor voc levar esses dois para a cama - disse Fudge, tornando a olhar para McGonagall com um aceno de dispensa em direo a Harry e Marieta.
A Prof McGonagall no respondeu, mas se encaminhou com os garotos para a porta. Quando ela se fechou, Harry ouviu a voz de Fineus Nigellus
 - Sabe, ministro, discordo de Dumbledore em muita coisa... mas no se pode negar que ele tem classe...
CAPTULO VINTE E OITO
A pior lembrana de Snape
POR ORDEM DO MINISTRIO DA MAGIA, 
Dolores Jane Umbridge (Alta Inquisidora) substituiu
Alvo Dumbledore na diretoria da , Escola de Magia e Bruxaria de Hogwarts. ; A ordem acima est de acordo com o Decreto Educacional Nmero Vinte e Oito
Assinado Cornelius Oswald Fudge, 
ministro da Magia 
Os avisos foram afixados por toda a escola da noite para o dia, mas no explicavam como  que todas as pessoas que ali viviam pareciam saber que Dumbledore dominara dois aurores, a Alta Inquisidora, o ministro da Magia e seu assistente jnior para fugir. Por onde quer que Harry andasse no castelo, o nico tema das conversas era a fuga de Dumbledore e, embora alguns detalhes tivessem sido alterados nas repeties (Harry ouviu uma segundanista garantir a outra que Fudge estaria agora acamado no St. Mungus com uma abbora no lugar da cabea), era surpreendente como o restante da informao era exata. Todos sabiam, por exemplo, que Harry e Marieta eram os estudantes que haviam presenciado a cena na sala de Dumbledore e, como agora Marieta se achava na ala hospitalar, Harry se viu assediado com pedidos para contar a histria em primeira mo.
 - Dumbledore no vai demorar a voltar - disse Ernie Macmillan, confiante, ao sair da aula de Herbologia, depois de ouvir 
com ateno a histria de Harry. - Eles no puderam mant-lo afastado no nosso segundo ano e tambm no vo poder agora. O Frei Gorducho me disse - e aqui ele baixou a voz conspirativamente, obrigando Harry, Ron e Hermione a se inclinarem para ouvir - que aquela Umbridge tentou voltar  sala de Dumbledore na noite passada depois de terem vasculhado o castelo e a propriedade  procura dele. No conseguiu passar pela grgula. A sala do diretor se lacrou para impe-
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dir sua entrada - riu Ernie. - Pelo que contam, ela teve um bom acesso de raiva.
 - Ah, tenho certeza de que ela realmente se imaginou sentada l em cima na sala do diretor - disse Hermione maldosamente, quando subiam a escada para o Saguo de Entrada. - Reinando sobre todos os professores, aquela velha burra, presunosa e vida de poder que ...
 - Ora, voc realmente quer terminar essa frase, Granger? Draco Malfoy sara de trs de uma porta, seguido por Crabbe e
Goyle. Seu rosto plido e fino iluminava-se de malcia.
 - Receio que vou ter de cortar alguns pontos da Grifindore e da Hufflepuff - falou do seu jeito arrastado.
 - S os professores podem tirar pontos das Casas, Malfoy - replicou Ernie na hora.
 - Eu sei que monitores no podem tirar pontos uns dos outros retrucou Malfoy. Crabbe e Goyle deram risadinhas. - Mas os membros da Brigada Inquisitorial...
 - Os o qu? - perguntou Hermione com rispidez.
 - Brigada Inquisitorial, Granger - disse Malfoy apontando para um minsculo "I" no peito, logo abaixo do distintivo de monitor. Um grupo seleto de estudantes que apoia o Ministrio da Magia, escolhidos a dedo pela Prof Umbridge. Em todo o caso, os membros da Brigada Inquisitorial tm o poder de tirar pontos... ento, Granger, vou tirar de voc cinco por ter sido grosseira com a nossa nova diretora. Do Macmillan, cinco por me contradizer. E cinco porque no gosto de voc, Potter. Weasley, a sua camisa est para fora, por isso vou ter de tirar mais cinco. Ah, , me esqueci, e voc  uma Sangueruim, Granger, ento menos dez por isso.
Ron puxou a varinha, mas Hermione afastou-a, sussurrando -No!
 - Muito sensato, Granger - murmurou Malfoy. - Nova diretora, novos tempos... agora comporte-se, Potter Pirado... Rei Banana...
Dando boas gargalhadas, Malfoy se afastou com Crabbe e Goyle.
 - Ele estava blefando - comentou Ernie estarrecido. - No pode ter o direito de descontar pontos... isso seria ridculo... subverteria completamente o sistema monitrio.
Mas Harry, Ron e Hermione tinham se virado automaticamente para as gigantescas ampulhetas, dispostas em nichos na parede s costas deles, que registravam o nmero de pontos das Casas. Naquela manh, Grifindore e Ravenclaw estavam disputando a liderana quase empatadas. Enquanto olhavam, subiram algumas pedrinhas, reduzindo seu total nas bolhas inferiores. De fato, a nica que parecia inalterada era a ampulheta cheia de esmeraldas da Slytherin. 
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 - J reparou? - perguntou a voz de Fred.
Ele e George tinham acabado de descer a escadaria de mrmore e se reuniram a Harry Ron, Hermione e Ernie diante das ampulhetas.
 - Malfoy acabou de nos descontar uns cinqenta pontos - disse Harry furioso; enquanto observavam, viram mais pedrinhas 
subirem na ampulheta da Grifindore.
 - E, o Montague tentou nos prejudicar durante o intervalo contou George.
 - Como assim "tentou"? - perguntou Ron na mesma hora.
 - Ele no chegou a enunciar todas as palavras - disse Fred - ns o empurramos de cabea no Armrio Sumidouro do primeiro andar.
Hermione pareceu muito chocada.
 - Mas vocs vo se meter numa confuso horrvel!
 - No at o Montague reaparecer, e isso pode levar semanas, no sei aonde o mandamos - disse Fred descontrado. - Em todo o caso... decidimos que no vamos mais ligar se nos metemos ou no em confuso.
 - E algum dia vocs ligaram? - indagou Hermione.
 - Mas  claro - protestou George. - Nunca fomos expulsos, no ?
 - Sempre soubemos onde parar - acrescentou Fred.
 - s vezes ultrapassvamos um dedinho - disse George.
 - Mas sempre paramos em tempo de evitar um caos total - completou Fred.
 - Mas e agora? - perguntou Ron hesitante.
 - Agora... - comeou George. ; .
 - ... com a partida de Dumbledore - continuou Fred.
... conclumos que um certo caos... - disse George. , ;
 - ...  exatamente o que a nossa querida diretora merece - disse Fred.
 - Pois no deviam! - sussurrou Hermione. - Realmente no deviam! Ela adoraria ter uma razo para expulsar vocs!
 - Voc no est entendendo, Hermione, no ? - perguntou Fred, sorrindo para ela. - No fazemos mais questo de ficar. Sairamos agora se no estivssemos decididos a fazer alguma coisa por Dumbledore primeiro. Ento, assim sendo - ele consultou o relgio - a fase um est prestes a comear. Eu iria para o Salo Principal almoar, se fosse vocs, para os professores verem que no tm nada a ver com a coisa.
 - Nada a ver com o qu? - indagou Hermione ansiosa.
 - Vocs vero - respondeu George. - Agora, vo andando.
Fred e George desapareceram na massa crescente de alunos que descia a escadaria para almoar. Com o ar muito desconcertado, Ernie
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murmurou alguma coisa sobre terminar um dever de Transfigurao, e saiu apressado.
 - Acho que devamos sair daqui, sabe - disse Hermione nervosa.
 - S por precauo...
 - , vamos - concordou Ron, e os trs se dirigiram s portas do Salo Principal, mas Harry mal avistara o cu do dia, com nuvens brancas sopradas pelo vento, quando algum lhe bateu no ombro e, ao se virar, ele deparou quase nariz com nariz com Filch, o zelador. O garoto recuou vrios passos; Filch era melhor visto de longe.
 - A diretora quer ver voc, Potter - disse malicioso.
 - No fui eu - disse Harry tolamente, pensando no que Fred e George estavam planejando. As bochechas cadas de Filch sacudiram de riso inarticulado.
 - Conscincia pesada, eh? - exclamou asmtico. - Venha comigo. Harry olhou para Ron e Hermione, que pareciam preocupados.
Ele sacudiu os ombros, e acompanhou Filch de volta ao Saguo de Entrada, na direo contrria  mar de estudantes esfomeados.
O zelador parecia estar de excelente humor; cantarolava desafinado em voz baixa enquanto subiam a escadaria de mrmore. Quando chegaram ao primeiro andar, disse
 - As coisas esto mudando por aqui, Potter.
-J reparei - respondeu o garoto com frieza.
 - Veja... faz anos que digo a Dumbledore que ele  muito frouxo com vocs - disse Filch, com uma risadinha maldosa. - Suas ferinhas nojentas, vocs nunca soltariam Bombas de Bosta se soubessem que eu tinha poder para arrancar o couro de vocs a chicotadas, no  mesmo? Ningum teria pensado em jogar Frisbees-dentados nos corredores se eu pudesse pendurar vocs pelos tornozelos na minha sala, no ? Mas quando chegar o Decreto Educacional Nmero Vinte e Nove, Potter, vou poder fazer tudo isso... e ela pediu ao ministro para assinar uma ordem expulsando o Pives... ah, as coisas vo ser diferentes aqui com ela na diretoria...
Era bvio que Umbridge se esmerara em conquistar Filch, pensou Harry, e o pior era que ele provaria ser uma arma importante; seu conhecimento das passagens secretas e esconderijos provavelmente s perdia para o dos gmeos Weasley.
 - Chegamos - disse ele, olhando de esguelha para Harry enquanto batia trs vezes na porta da Prof Umbridge antes de abri-la. - O garoto Potter para v-la, Madame.
A sala de Umbridge, to conhecida de Harry por suas muitas detenes, no mudara, exceto por um grande bloco de madeira na escrivaninha em que dizeres dourados informavam DIRETORA. E
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tambm por sua Firebolt e as Cleansweeps de Fred e George que, ele reparou com uma pontada de dor, estavam presas por correntes e cadeados a um grosso gancho de ferro na parede atrs dela.
Umbridge se encontrava sentada  escrivaninha, escrevendo diligentemente em um pergaminho cor-de-rosa, mas ergueu a cabea e abriu um sorriso ao v-los entrar.
 - Muito obrigada, Argus - disse 
ela com meiguice.
 - Nem por isso, Madame, nem por isso - respondeu ele, curvando-se at onde seu reumatismo permitia, e saindo de costas.
 - Sente-se - disse Umbridge secamente, apontando uma cadeira. Harry obedeceu, e ela continuou a escrever mais algum tempo. Ele ficou observando os horrveis gatos que brincavam ao redor dos pratos por cima da cabea da diretora, imaginando que novo horror estaria preparando para ele.
 - Muito bem - disse Umbridge finalmente, pousando a pena e fazendo uma cara de sapo prestes a engolir uma mosca particularmente suculenta. - Que  que voc gostaria de beber?
 - Qu? - exclamou Harry, certo de que no ouvira direito.
 - Beber, Sr. Potter - disse ela, abrindo mais o sorriso. - Ch? Caf? Suco de abbora?
 medida que oferecia cada bebida, fazia um breve aceno com a varinha e um copo cheio aparecia sobre a escrivaninha.
 - Nada, muito obrigado.
 - Eu gostaria que voc bebesse alguma coisa comigo - disse ela, sua voz assumindo um tom perigosamente meigo. - Escolha uma.
 - timo... ch, ento - disse o garoto encolhendo os ombros. Ela se levantou e fez uma grande cena para acrescentar o leite, de
costas para Harry. Depois, apressou-se a lhe levar a bebida, sorrindo de maneira sinistramente meiga.
 - Pronto - exclamou, entregando-a a ele. - Beba antes que esfrie, sim? Bom, Sr. Potter... achei que devamos ter uma conversinha, depois dos acontecimentos angustiantes de ontem  noite.
Harry continuou calado. Ela se acomodou na cadeira e aguardou. Passado um longo momento de silncio, falou alegremente
 - Voc no est bebendo?
Ele levou a xcara  boca e ento, igualmente depressa, tornou a baix-la. Um dos horrveis gatos pintados atrs da diretora tinha olhos grandes, redondos e azuis como o olho mgico de Olho-Tonto Moody, e acabara de lhe ocorrer o que o bruxo diria se soubesse que ele bebera alguma coisa oferecida por uma inimiga declarada.
 - Que foi? - perguntou a nova diretora, que ainda o observava. Voc quer acar?
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 - No.
Ele tornou a levar a xcara  boca e fingiu tomar um gole, embora mantendo a boca bem fechada. O sorriso de Umbridge se ampliou.
 - Muito bem - sussurrou. - Muito bom. Ento agora... - Ela se curvou um pouco para a frente. - Onde est Alvo Dumbledore?
 - No fao a menor idia - respondeu Harry prontamente.
 - Beba, beba - incentivou ela ainda sorrindo. - Agora, Sr. Potter, no vamos fazer joguinhos infantis. Sei que o senhor sabe aonde ele foi. O senhor e Dumbledore sempre estiveram metidos nisso juntos desde o comeo. Reflita sobre a sua posio, Sr. Potter...
 - No sei onde ele est.
Harry fingiu beber mais um pouco.
 - Muito bem - disse ela parecendo descontente. - Neste caso... queira ter a bondade de me dizer o paradeiro de Sirius Black.
O estmago de Harry deu uma volta completa e a mo que segurava a xcara tremeu tanto que a fez vibrar no pires. Ele virou a xcara na boca com os lbios comprimidos, de modo que um pouco do lquido quente escorreu para suas vestes.
 - No sei - respondeu depressa demais.
 - Sr. Potter - disse Umbridge - deixe-me lembrar-lhe que fui eu que quase agarrei o criminoso Black na lareira da Grifindore em outubro. Sei perfeitamente bem que era com o senhor que ele estava se encontrando, e se eu tivesse a menor prova disso nenhum dos dois estaria  solta hoje, juro. vou repetir, Sr. Potter... onde est Sirius Black?
 - No fao idia - disse Harry em voz alta. - No tenho a menor pista.
Os dois se encararam por tanto tempo que Harry sentiu seus olhos lacrimejarem. Ento, Umbridge se levantou.
 - Muito bem, Potter, desta vez vou aceitar sua palavra, mas esteja avisado o poder do Ministrio est comigo. Todos os canais de comunicao que entram na escola ou saem dela esto sendo monitorados. Um controlador da Rede de Flu est vigiando cada lareira de Hogwarts, exceto a minha,  claro. Minha Brigada Inquisitorial est abrindo e lendo toda a correspondncia que entra no castelo e dele sai por via coruja. E o Sr. Filch est observando todas as passagens secretas de entrada e sada para o castelo. Se eu encontrar um fiapo de evidncia...
BUUM!
O prprio piso da sala sacudiu. Umbridge escorregou para um lado e se agarrou  escrivaninha para no cair, fazendo cara de espanto.
 - Que foi...?
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Ela ficou olhando a porta. Harry aproveitou a oportunidade para esvaziar a xcara de ch quase cheia no vaso de flores secas mais prximo. Ouvia gente correndo e gritando vrios andares abaixo.
 - Volte para o seu almoo, Potter! - ordenou Umbridge, empunhando a varinha e saindo apressada da sala. Harry deu-lhe alguns segundos de dianteira e, ento, correu atrs dela para ver a origem de todo aquele estardalhao.
No foi difcil saber. Um andar abaixo, reinava um pandemnio. Algum (e Harry tinha uma boa idia de quem) aparentemente tocara 
fogo em uma enorme caixa de fogos mgicos.
Drages formados inteiramente por fascas verdes e douradas voavam para cima e para baixo nos corredores, produzindo exploses e labaredas pelo caminho; rodas rosa-choque de mais de um metro de dimetro zumbiam letalmente pelo ar como discos voadores; foguetes com longas caudas de estrelas de prata cintilantes ricocheteavam pelas paredes; centelhas escreviam palavres no ar sem ningum acion-las; rojes explodiam como minas para todo lado que Harry olhava e, em vez de se queimarem e desaparecerem de vista ou pararem crepitando, quanto mais ele olhava essas maravilhas pirotcnicas mais elas pareciam aumentar em energia e mpeto.
Filch e Umbridge estavam parados no meio da escada, parecendo pregados no cho. Enquanto Harry assistia, uma das rodas maiores pareceu decidir que precisava de mais espao para manobrar saiu rodando em direo a Umbridge e Filch com um rudo sinistro. Os dois berraram de susto e se abaixaram, e a roda voou direto pela janela s costas deles e atravessou os terrenos da escola. Entrementes, vrios drages e um grande morcego roxo que fumegava agourentamente aproveitaram a porta aberta no fim do corredor e escaparam para o segundo andar.
 - Depressa, Filch, depressa! - gritou Umbridge. - Eles vo se espalhar pela escola toda se no fizermos alguma coisa Estupefaa!
Um jorro de luz vermelha projetou-se da ponta de sua varinha e bateu em um dos foguetes. Em vez de se imobilizar no ar, o artefato explodiu com tal fora que fez um furo no retrato de uma bruxa piegas no meio de um relvado; ela fugiu bem a tempo, e reapareceu segundos depois no quadro vizinho, onde dois bruxos que jogavam cartas se levantaram rapidamente e abriram espao para acomod-la.
 - No os estupore, Filch! - bradou Umbridge furiosa, como se ele fosse o responsvel pelo feitio.
 - Pode deixar, diretora! - chiou Filch, que, sendo um aborto, no Poderia ter estuporado os fogos nem tampouco os engolido. Ele correu
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para um armrio prximo, tirou uma vassoura e comeou a bater nos fogos que voavam; em poucos segundos a vassoura estava em chamas.
Harry j vira o suficiente; abaixou-se e correu para uma porta que ele sabia existir atrs de uma tapearia mais  frente no corredor, e ao entrar deu de cara com Fred e George que estavam ali escondidos, ouvindo os gritos de Umbridge e Filch, sacudindo de riso reprimido.
 - Impressionante - cochichou Harry sorrindo. - Impressionante... vocs levariam o Dr. Filibuster  falncia, podem crer...
 - Falou - sussurrou George, enxugando as lgrimas de riso do rosto. - Ah, espero que ela experimente agora faz-los desaparecer... eles se multiplicam por dez todas as vezes que algum tenta.
Os fogos continuaram a queimar e a se espalhar pela escola toda durante a tarde. Embora causassem muitos estragos, particularmente os rojes, os outros professores no pareceram se importar muito com isso.
 - Ai, ai - exclamou a Prof McGonagall ironicamente, quando um dos drages entrou voando em sua sala, emitindo fortes rudos e soltando chamas. - Srta. Brown, se importa de procurar a diretora para inform-la que temos um drago errante em nossa sala?
O resultado de tudo isso foi que a Prof Umbridge passou sua primeira tarde como diretora correndo pela escola para atender aos chamados dos professores, que no pareciam capazes de livrar suas salas dos fogos sem a sua ajuda. Quando a ltima sineta tocou e todos iam voltando  Torre da Grifindore com suas mochilas, Harry viu, com imensa satisfao, uma Umbridge desarrumada e suja de fuligem saindo com passos vacilantes e o rosto suado da sala do Prof. Flitwick.
 - Muito obrigado, professora! - disse Flitwick na sua vozinha esganiada. - Eu poderia ter me livrado dos fogos,  claro, mas no estava muito seguro se teria autoridade para tanto.
Sorrindo, ele fechou a porta da sala na cara da Umbridge, que parecia prestes a rosnar.
Fred e George foram heris naquela noite na sala comunal da Grifindore. At Hermione se esforou para atravessar a aglomerao de colegas excitados e dar parabns aos gmeos.
 - Foram fogos maravilhosos - disse com admirao.
 - Obrigado - agradeceu George, ao mesmo tempo surpreso e contente. - Fogos Espontneos Weasley. O nico problema  que gastamos todo o nosso estoque; agora vamos ter de recomear do zero.
 - Mas valeu a pena - disse Fred, que anotava os pedidos dos colegas aos berros. - Se quiser acrescentar o seu nome  lista de espera, Hermione, custa cinco galees uma caixa de Fogos Bsicos e vinte uma Deflagrao de Luxo...
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Hermione voltou  mesa em que Harry e Ron estavam sentados, contemplando as mochilas como se esperassem que os deveres de casa fossem saltar de dentro delas e comear a se fazer sozinhos.
 - Ah, por que no tiramos a noite de folga? 
 - perguntou a garota, animada, quando um rojo Weasley de cauda prateada coriscou pela janela. - Afinal, as frias da Pscoa comeam na sexta-feira, e teremos muito tempo ento.
 - Voc est se sentindo bem? - perguntou Ron, encarando a amiga sem acreditar no que ouvia.
 - Por falar nisso - continuou Hermione alegremente - sabem... acho que estou me sentindo um pouquinho... rebelde.
Harry ainda ouvia os estampidos distantes das bombas fugitivas quando ele e Ron foram se deitar uma hora mais tarde; e enquanto se despia passaram umas estrelinhas pela torre, ainda formando insistentemente a palavra "COC".
Ele se enfiou na cama, bocejando. Sem culos, os fogos que passavam de raro em raro pela janela se tornaram borrados, lembrando nuvens cintilantes, belas e misteriosas contra o fundo escuro do cu. Ele se virou para o lado, imaginando como a Umbridge estaria se sentindo em seu primeiro dia no lugar de Dumbledore, e como Fudge reagiria quando soubesse que a escola passara a maior parte do dia num estado de avanada desintegrao. Sorrindo com seus botes, Harry fechou os olhos...
Os zunidos e estampidos dos fogos que escaparam para os terrenos da escola pareciam se distanciar... ou, talvez, ele estivesse apenas se afastando dos fogos em alta velocidade...
Cara exatamente no corredor que levava ao Departamento de Mistrios. Precipitava-se agora em direo  porta preta e simples... tomara que abra... tomara que abra...
Abriu. Ele se viu na sala circular com muitas portas... atravessoua, ps a mo em outra porta igual, que abriu para dentro...
Agora se encontrava em uma sala retangular muito comprida, cheia de rudos mecnicos. Partculas de luz danavam nas paredes, mas ele no parou para investigar... precisava prosseguir...
Havia uma porta ao fundo... que tambm se abriu quando ele a tocou...
E agora estava em uma sala mal iluminada alta e larga como uma
igreja, em que no havia nada exceto prateleiras e mais prateleiras nas paredes, cada uma delas carregada de pequenas esferas empoeiradas de vidro repuxado... o corao de Harry batia rpido de excitao... ele sabia aonde ir... avanou correndo, mas seus passos no ecoavam na enorme sala deserta...
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Havia alguma coisa na sala que ele queria muito, muito mesmo... Algo que ele queria... ou mais algum queria... Sua cicatriz estava doendo... BANG!
Harry acordou instantaneamente, confuso e zangado. O som de risadas enchia o dormitrio escuro.
 - Irado! - exclamou Seamus, cuja silhueta se recortava contra a janela. - Acho que uma daquelas rodas bateu em um rojo, e os dois cruzaram, vem c ver!
Harry ouviu Ron e Dean se levantarem da cama depressa para ver melhor. Ele continuou quieto e em silncio enquanto a dor em sua cicatriz diminua e o desapontamento o invadia. Era como se algo muito bom lhe tivesse sido arrebatado no ltimo instante... desta vez chegara muito perto.
Porquinhos alados e brilhantes cor-de-rosa e prata passavam voando pelas janelas da Torre da Grifindore. Harry permaneceu deitado, ouvindo os gritos de alegria dos colegas da Grifindore nos dormitrios abaixo. Seu estmago deu uma sacudidela nauseante ao se lembrar de que teria Oclumncia na noite seguinte.
Harry passou todo o dia com medo do que Snape iria dizer se descobrisse at onde Harry penetrara no Departamento de Mistrios no ltimo sonho. Com um assomo de culpa, deu-se conta de que no praticara Oclumncia nem uma vez desde a ltima aula acontecera tanta coisa desde que Dumbledore partira; decerto no teria conseguido esvaziar a mente mesmo que tentasse. Duvidava, porm, que Snape aceitasse tal desculpa.
Ele tentou fazer um treino de ltima hora durante as aulas do dia, mas no adiantou. Hermione no parava de lhe perguntar qual era o problema sempre que ele tentava esvaziar a mente de todos os pensamentos e emoes e, afinal, o melhor momento para isso no era enquanto os professores disparavam perguntas de reviso para os alunos.
Conformado com o pior, ele se dirigiu  sala de Snape depois do jantar. No meio do saguo, porm, Cho veio correndo ao seu encontro.
 - Estou aqui - disse Harry, satisfeito de ter uma razo para adiar o seu encontro com Snape, acenando para ela do lado oposto do saguo onde ficavam as ampulhetas. A da Grifindore agora estava quase vazia. - Voc est bem? Umbridge no andou lhe perguntando sobre a AD, andou?
 - Ah, no - respondeu Cho apressada. - No, foi s que... bom, eu queria dizer... Harry, eu nunca sonhei que a Marieta fosse contar...
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 - Ah, bom - respondeu Harry mal-humorado. Ele realmente achava que Cho podia ter escolhido uma amiga com um pouco mais de cuidado; no era muito consolo saber que a Marieta continuava na ala hospitalar e Madame Pomfrey no conseguira obter a mnima melhora com suas espinhas.
 - Mas na verdade ela  uma boa pessoa. S cometeu um erro... Harry encarou-a com incredulidade.
 - Uma boa pessoa que cometeu um erro? Ela nos delatou, inclusive a voc!
 - Bom... 
ns todos escapamos, no foi? - disse Cho em tom de splica. - Voc sabe, a me dela trabalha no Ministrio,  realmente difcil para...
 - Opai de Ron trabalha no Ministrio tambm! - disse Harry furioso. - E caso voc no tenha reparado, ele no tem dedo-duro escrito na cara...
 - Isso foi realmente um truque horrvel da Hermione Granger comentou Cho impulsivamente. - Ela devia ter nos avisado que azarou aquela lista...
 - Acho que foi uma idia brilhante - respondeu ele com frieza. Cho corou e seus olhos ficaram mais brilhantes.
 - Ah, sim, me esqueci,  claro, foi idia da sua querida Hermione...
 - E no comece a chorar outra vez - preveniu-a Harry.
 - Eu no ia chorar! - gritou a garota.
 - Ento... timo. J tenho muito que agentar no momento.
 - Ento que agente! - concluiu Cho furiosa, dando as costas e indo embora.
Espumando, Harry desceu as escadas para a masmorra de Snape e, embora soubesse, por experincia, que seria muito mais fcil para Snape penetrar em sua mente se ele chegasse cheio de raiva e rancor, no conseguiu fazer nada exceto pensar em mais umas coisinhas que deveria ter dito a Cho sobre Marieta antes de chegar  porta da sala.
 - Voc est atrasado, Potter - disse o professor friamente, quando o garoto fechou a porta ao passar.
Snape estava em p de costas para Harry, removendo, como sempre, certos pensamentos e colocando-os cuidadosamente na Penseira de Dumbledore. Deixou cair o ltimo fio prateado na bacia de pedra e se virou para encarar o garoto.
 - Ento. Praticou?
 - Sim, senhor - mentiu Harry, olhando atentamente para uma das pernas da escrivaninha de Snape.
 - Bom, logo saberemos, no ? - disse ele suavemente. - Varinha na mo, Potter.
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Harry tomou sua posio habitual, de frente para Snape, com a escrivaninha entre os dois. Seu corao estava pulsando acelerado com raiva de Cho e ansiedade quanto ao que o professor estava prestes a extrair de sua mente.
 - Quando eu contar trs ento - disse Snape sem pressa. - Um... dois...
A porta da sala se abriu com fora e Draco Malfoy entrou depressa.
 - Prof. Snape, senhor... ah... me desculpe... Malfoy olhava Snape e Harry meio surpreso.
 - Tudo bem, Draco - disse Snape, baixando a varinha. - Potter est aqui para fazer uma aula de reforo em Poes.
Harry no via Malfoy to alegre desde que Umbridge aparecera para inspecionar Hagrid.
 - Eu no sabia - disse ele, olhando enviesado para Harry, que sentia o rosto arder. Teria dado muita coisa para poder gritar a verdade para Malfoy, ou, ainda melhor, para atac-lo com um bom feitio.
 - Bom, Draco, que foi? - perguntou Snape.
 -  a Prof Umbridge, professor, est precisando da sua ajuda. Encontraram Montague, professor, apareceu entalado em um vaso sanitrio no quarto andar.
 - Como foi que ele se entalou? 
No sei no, senhor, est um pouco atordoado. s
 - Muito bem, muito bem. Potter, retomaremos a aula amanha  noite.
Ele se virou e saiu da sala. Malfoy falou silenciosamente para Harry pelas costas de Snape, antes de acompanh-lo "Reforo em Poes?
Fervendo de raiva, Harry guardou a varinha no bolso das vestes e fez meno de sair da sala. Tinha no mnimo mais vinte e quatro horas para praticar; sabia que devia se sentir grato por ter escapado por um triz, embora fosse duro isto ter acontecido s custas de ouvir Malfoy contar para toda a escola que ele precisava de aulas de reforo em Poes.
Estava  porta da sala quando viu uma rstia de luz trmula danando no portal. Parou e ficou olhando, aquilo lhe lembrava alguma coisa... ento a lembrana lhe ocorreu parecia um pouco como as luzinhas que vira em sonho na noite anterior, as luzes na segunda sala que atravessara no Departamento de Mistrios.
Ele se virou. A luz vinha da Penseira em cima da escrivaninha de Snape. Seu contedo branco-prateado flua e girava. Os pensamentos de Snape... coisas que ele no queria que Harry visse, se por acaso penetrasse suas defesas... 
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Harry olhou para a Penseira, a curiosidade crescendo... Que era que Snape queria tanto esconder?
As luzes prateadas tremulavam na parede... Harry deu dois passos em direo  escrivaninha, refletindo. Poderiam ser informaes sobre o Departamento de Mistrios que Snape estivesse decidido a ocultar dele?
Harry espiou por cima do ombro, seu corao agora batia mais forte e mais depressa que nunca. Quanto tempo levaria para Snape tirar Montague do vaso? Voltaria depois diretamente para a sala ou acompanharia o garoto  ala hospitalar? 
Com certeza, a segunda possibilidade... Montague era capito da equipe da Slytherin, o professor ia querer verificar se ele estava bem.
Harry venceu os poucos passos at a Penseira e parou diante dela, contemplando suas profundezas. Hesitou, apurando o ouvido, ento, tornou a tirar a varinha. A sala e o corredor alm estavam completamente silenciosos. Ele deu uma batidinha no contedo da Penseira com a ponta da varinha.
O lquido prateado comeou a girar velozmente. Harry se inclinou para a bacia e viu que o lquido se tornara transparente. Estava, mais uma vez, contemplando uma sala de uma janela circular no teto... de fato, a no ser que estivesse muito enganado, estava vendo o Saguo de Entrada.
Sua respirao embaava a superfcie dos pensamentos de Snape... seu crebro parecia estar em um estado de indefinio... seria loucura fazer o que se sentia to tentado a fazer... ele tremia... Snape poderia voltar a qualquer momento... mas Harry pensou na raiva de Cho, na cara debochada de Malfoy, e uma ousadia imprudente o dominou.
Ele inspirou um grande sorvo de ar e mergulhou o rosto na superfcie dos pensamentos de Snape. Na mesma hora, o cho da sala sacudiu, empurrando Harry de cabea para dentro da Penseira...
Ele comeou a cair por uma escurido fria, rodopiando vertiginosamente e ento...
Encontrou-se parado no meio do Salo Principal, mas as mesas das quatro Casas haviam desaparecido. Em seu lugar, havia mais de cem mesinhas, todas dispostas da mesma maneira, e a cada uma delas se sentava um estudante, de cabea baixa, escrevendo em um rolo de pergaminho. O nico som era o arranhar das penas e o rumorejar ocasional de algum ajeitando o pergaminho. Era visivelmente uma cena de exame.
O sol entrava pelas janelas altas e incidia sobre as cabeas inclinadas, refletindo tons castanhos, acobreados e dourados na luz ambien-
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te. Harry olhou atentamente a toda volta. Snape devia estar por ali em algum lugar... era a lembrana dele...
E l estava ele, a uma mesa bem atrs de Harry. O garoto se admirou. Snape adolescente tinha um ar plido e estiolado, como uma planta mantida no escuro. Seus cabelos eram moles e oleosos e pendiam sobre a mesa, seu nariz aquilino a menos de cinco centmetros do pergaminho enquanto ele escrevia. Harry se deslocou para as costas de Snape e leu o cabealho da prova DEFESA CONTRA AS ARTES DAS TREVAS - NVEL ORDINRIO EM MAGIA.
Portanto Snape devia ter uns quinze ou dezesseis anos, aproximadamente a idade de Harry. Sua mo voava sobre o pergaminho; j escrevera pelo menos mais trinta centmetros do que os vizinhos mais prximos, e sua caligrafia era minscula e apertada.
 - Mais cinco minutos!
A voz sobressaltou Harry. Virando-se, ele viu o cocuruto do Prof. Flitwick movendo-se entre as mesas a uma pequena distncia. O professor passava agora por um garoto com cabelos negros e despenteados... muito despenteados...
Harry se movia to depressa que, se fosse slido, teria atirado as mesas pelo ar. Em vez disso, parecia deslizar, como em sonho, atravessar dois corredores e entrar em um terceiro. A nuca do garoto de cabelos negros se aproximou cada vez mais... e ele ia se endireitando agora, descansando a pena, puxando o rolo de pergaminho para perto para poder ler o que escrevera...
Harry parou diante da carteira e contemplou o seu pai com quinze anos.
A excitao explodiu no fundo do seu estmago era como se estivesse olhando para si mesmo, mas com erros intencionais. Os olhos de James eram castanho-esverdeados, seu nariz era mais comprido do que o de Harry e no havia cicatriz em sua testa, mas ambos tinham o mesmo rosto magro, a mesma boca, as mesmas sobrancelhas; os cabelos de James levantavam atrs exatamente como os do filho, suas mos poderiam ser as dele e Harry no saberia a diferena; quando o pai se levantasse, os dois teriam quase a mesma altura.
James deu um enorme bocejo e arrepiou os cabelos, deixando-os mais despenteados do que antes. Ento, olhando para o Prof. Flitwick, virou-se e sorriu para outro menino sentado quatro mesas atrs.
Com um novo choque de excitao, Harry viu Sirius erguer o polegar para James. Sirius sentava-se descontrado na cadeira, inclinando-a sobre as pernas traseiras. Era muito bonito; seus cabelos negros caam sobre os olhos com uma espcie de elegncia displicente que nem James nem Harry jamais poderiam ter tido, e uma garo521
t sentada atrs dele o mirava esperanosa, embora ele no parecesse ter notado. E duas mesas para o lado - o estmago de Harry se virou gostosamente - encontrava-se Remus Lupin. Parecia muito plido e doente (a lua cheia estaria se aproximando?), e absorto no exame 
ao reler suas respostas, coara o queixo com a ponta da pena, franzindo ligeiramente a testa.
Isto significava que Wormtail devia estar por ali tambm... e, sem erro, Harry localizou-o em segundos um garoto franzino, os cabelos cor de plo de rato e um nariz arrebitado. Wormtail parecia ansioso roa as unhas, olhava fixamente para a prova, arranhando o cho com os dedos dos ps. De vez em quando espiava esperanoso para a prova do vizinho. Harry observou Wormtail por um momento, depois o prprio pai, que agora brincava com um pedacinho de pergaminho. Desenhara um snitch e agora acrescentava as letras "L.E.". Que significariam?
 - Descansem as penas, por favor! - esganiou-se o Prof. Flitwick.
 - Voc tambm, Stebbins! Por favor, continuem sentados enquanto recolho os pergaminhos. Accio!
Mais de cem rolos de pergaminho voaram para os braos estendidos do Prof. Flitwick, derrubando-o para trs. Vrias pessoas riram. Uns dois estudantes nas primeiras mesas se levantaram, seguraram o professor pelos cotovelos e o levantaram.
 - Obrigado... obrigado - ofegou ele. - Muito bem, todos podem sair!
Harry olhou para o pai, que riscou depressa as letras que estava desenhando, levantou-se de um salto e enfiou a pena e as perguntas do exame na mochila, atirou-a sobre as costas, e ficou parado esperando Sirius.
Harry olhou para os lados e viu de relance, a uma pequena distncia, Snape, que caminhava entre as mesas em direo  porta para o Saguo de Entrada, ainda absorto no prprio exame. De ombros curvos mas angulosos, andava de um jeito retorcido, que lembrava uma aranha, e seus cabelos oleosos sacudiam pelo rosto.
Uma turma de garotas separou Snape de James, Sirius e Lupin e, plantando-se entre elas, Harry conseguiu ficar de olho em Snape enquanto apurava os ouvidos para captar as vozes de James e seus amigos.
 - Voc gostou da dcima pergunta, Moony? - perguntou Sirius quando saram no saguo.
 - Adorei - respondeu Lupin imediatamente. "Cite cinco sinais que identifiquem um lobisomem." Uma excelente pergunta.
 - Voc acha que conseguiu citar todos os sinais? - perguntou James, caoando com fingida preocupao.
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 - Acho que sim - respondeu Lupin srio, quando se reuniram aos alunos aglomerados s portas de entrada para chegar ao jardim ensolarado. - Primeiro ele est sentado na minha cadeira. Dois ele est usando minhas roupas. Trs o nome dele  Remus Lupin.
Wormtail foi o nico que no riu.
 - Eu citei a forma do focinho, as pupilas dos olhos e o rabo peludo - disse ansioso - mas no consegui pensar em mais nada...
 - Como pode ser to obtuso, Wormtail? - exclamou James impaciente. - Voc anda com um lobisomem uma vez por ms...
 - Fale baixo - implorou Lupin.
Harry tornou a olhar para trs ansioso. Snape continuava prximo, ainda absorto nas perguntas do exame - mas esta era a lembrana de Snape, e Harry tinha certeza de que se Snape decidisse sair andando em outra direo quando chegasse l fora, ele, Harry no poderia continuar a seguir o pai. Para seu profundo alvio, porm, quando James e os trs amigos comearam a descer os gramados na direo do lago, Snape os seguiu, ainda verificando as questes da prova e aparentemente sem idia fixa aonde ia. Mantendo-se um pouco  frente, Harry conseguia vigiar James e os outros.
 - Bom, achei que o exame foi moleza - ouviu Sirius comentar.
 - Vai ser uma surpresa se eu no tirar no mnimo um "Excepcional".
 - Eu tambm - disse James. Enfiou a mo no bolso e tirou um snitch de ouro que se debatia.
 - Onde voc conseguiu isso?
 - Afanei - disse James displicente. E comeou a brincar com a Snitch, deixando-o voar uns trinta centmetros e recapturando-o em seguida; seus reflexos eram excelentes. Wormtail o observava assombrado.
Os amigos pararam  sombra da mesmssima faia  beira do lago, onde Harry, Ron e Hermione haviam passado um domingo terminando os deveres, e se atiraram na grama. Harry tornou a espiar por cima do ombro e viu, para sua alegria, que Snape se acomodara na grama  sombra densa de um grupo de arbustos. Estava profundamente absorto em seu exame como antes, o que deixou Harry livre para se sentar na grama entre a faia e os arbustos, e observar os quatro sob a rvore. O sol ofuscava na superfcie lisa do lago,  margem do qual o grupo de garotas risonhas que acabara de deixar o Salo Principal se sentara, sem sapatos nem meias, refrescando os ps na gua.
Lupin apanhara um livro e estava lendo. Sirius passava os olhos pelos estudantes que andavam pelo gramado, parecendo um tanto arrogante e entediado, mas ainda assim bonito. James continuava a brincar com a Snitch, deixando-o voar cada vez mais longe, quase
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fugir, mas sempre recapturando-o no ltimo segundo. Wormtail o observava boquiaberto. Todas as vezes que James fazia uma captura particularmente difcil, Wormtail exclamava e aplaudia. Passados cinco minutos de repeties desta cena, Harry se perguntou por que o pai no mandava Wormtail 
se controlar, mas James parecia estar gostando da ateno. Harry reparou que o pai tinha o hbito de assanhar os cabelos, como se quisesse impedi-los de ficar muito arrumados, e que tambm no parava de olhar para as garotas junto  gua.
 - Quer guardar isso? - disse Sirius finalmente, quando James fez uma boa captura e Wormtail deixou escapar um viva - antes que Wormtail molhe as calas de excitao?
Wormtail corou ligeiramente, mas James riu.
 - Se estou incomodando - retrucou e guardou a Snitch no bolso. Harry teve a ntida impresso de que Sirius era o nico para quem James teria parado de se exibir.
 - Estou chateado. Gostaria que j fosse lua cheia.
 - Voc gostaria - disse Lupin sombrio por trs do livro que lia.
 Ainda temos Transfigurao, se est chateado poderia me testar. Pegue aqui... - E estendeu o livro.
Mas Sirius deu uma risada abafada.
 - No preciso olhar para essas bobagens, j sei tudo.
 - Isso vai animar voc um pouco, Pedfood - comentou James em voz baixa. - Olhem quem  que...
Sirius virou a cabea. Ficou muito quieto, como um co que farejou um coelho.
 - Excelente - disse baixinho. - Ranhoso.
Harry se virou para ver o que Sirius estava olhando.
Snape estava novamente em p, e guardava as perguntas do exame na mochila. Quando deixou a sombra dos arbustos e comeou a atravessar o gramado, Sirius e James se levantaram.
Lupin e Wormtail continuaram sentados Lupin lendo o livro, embora seus olhos no estivessem se movendo e uma ligeira ruga tivesse aparecido entre suas sobrancelhas; Wormtail olhava de Sirius e James para Snape, com uma expresso de vido antegozo no rosto.
 - Tudo certo, Ranhoso? - falou James em voz alta.
Snape reagiu to rpido que parecia estar esperando um ataque deixou cair a mochila, meteu a mo dentro das vestes e sua varinha j estava metade para fora quando James gritou
 - Expelliarmus! 
Snape voou quase quatro metros de costas e caiu
com um pequeno baque no gramado s suas costas. 
Sirius soltou uma gargalhada. 
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 - Impedimenta! - disse, apontando a varinha para Snape, que foi atirado no cho ao mergulhar para recuperar a varinha cada.
Os estudantes ao redor se viraram para assistir. Alguns haviam se levantado e foram se aproximando. Outros pareciam apreensivos, ainda outros, divertidos.
Snape estava no cho, ofegante. James e Sirius avanaram empunhando as varinhas, James, ao mesmo tempo espiando por cima do ombro as garotas  beira do lago. Wormtail se levantara assistindo  cena avidamente, contornando Lupin para ter uma perspectiva melhor.
 - Como foi o exame, Ranhoso? - perguntou James.
 - Eu vi, o nariz dele estava quase encostando no pergaminho disse Siri us maldosamente. - Vai ter manchas enormes de gordura no exame todo. no vo poder ler nem uma palavra.
Vrias pessoas que acompanhavam a cena riram; Snape era claramente impopular. Wormtail soltava risadinhas agudas. Snape tentava se erguer, mas a maldio ainda o imobilizava; ele lutava como se estivesse amarrado por cordas invisveis.
 - Espere... para ver - arquejava, encarando James com uma expresso de mais pura averso - espere... para ver!
 - Espere para ver o qu? - retrucou Sirius calmamente. - Que  que voc vai fazer, Ranhoso, limpar o seu nariz em ns?
Snape despejou um jorro de palavres e maldies, mas com a varinha a trs metros de distncia nada aconteceu.
 - Lave sua boca - disse James friamente. - Limpar!
Bolhas de sabo cor-de-rosa escorreram da boca de Snape na hora; a espuma cobriu seus lbios, fazendo-o engasgar, sufocar...
 - Deixem ele em PAZ!
James e Sirius se viraram. James levou a mo livre imediatamente aos cabelos.
Era uma das garotas  beira do lago. Tinha cabelos espessos e ruivos que lhe caam pelos ombros e olhos amendoados sensacionalmente verdes - os olhos de Harry.
A me de Harry.
 - Tudo bem, Evans? - disse James, e o seu tom de voz se tornou imediatamente agradvel, mais grave e mais maduro.
 - Deixem ele em paz - repetiu Lily. Ela olhava para James com todos os sinais de intenso desagrado. - Que foi que ele lhe fez?
 - Bom - explicou James, parecendo pesar a pergunta -  mais pelo fato de existir, se voc me entende...
Muitos estudantes que os rodeavam riram, Sirius e Wormtail inclusive, mas Lupin, ainda aparentemente absorto em seu livro, no riu, nem Lily tampouco.
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 - Voc se acha engraado - disse ela com frieza. - Mas voc no passa de um cafajeste, tirano e arrogante, Potter. Deixe ele em paz.
 - Deixo se voc quiser sair comigo, Evans - respondeu James depressa. - Anda... sai comigo e eu nunca mais encostarei uma varinha no Ranhoso.
s costas dele, a Maldio de Impedimento ia perdendo efeito. Snape estava comeando a se arrastar pouco a pouco em direo  sua varinha cada, cuspindo espuma enquanto se deslocava.
 - Eu no sairia com 
voc nem que tivesse de escolher entre voc e a lula-gigante - replicou Lily.
 - Mau jeito, Pontas - disse Sirius, animado, e se voltou para Snape. - Oi!
Mas tarde demais; Snape tinha apontado a varinha diretamente para James; houve um lampejo e um corte apareceu em sua face, salpicando suas vestes de sangue. Ele girou um segundo lampejo depois, Snape estava pendurado no ar de cabea para baixo, as vestes pelo avesso revelando pernas muito magras e brancas e cuecas encardidas.
Muita gente na pequena aglomerao aplaudiu Sirius, James e Wormtail davam gargalhadas.
Lily, cuja expresso se alterara por um instante como se fosse sorrir, disse
 - Ponha ele no cho!
 - Perfeitamente - e James acenou com a varinha para o alto; Snape caiu embolado no cho. Desvencilhou-se das vestes e se levantou depressa, com a varinha na mo, mas Sirius disse "Petrificus Totalus", e Snape emborcou outra vez, duro como uma tbua.
 - DEIXE ELE EM PAZ! - berrou Lily. Puxara a prpria varinha agora. James e Sirius a olharam preocupados.
 - Ah, Evans, no me obrigue a amaldioar voc - pediu James srio.
 - Ento desfaa o feitio nele!
James suspirou profundamente, ento se virou para Snape e murmurou um contrafeitio.
 - Pronto - disse, enquanto Snape procurava se levantar. - Voc tem sorte de que Evans esteja aqui, Ranhoso...
 - No preciso da ajuda de uma Sangue-Ruim imunda como ela! Lily pestanejou.
 - timo - respondeu calmamente. - No futuro, no me incomodarei. E eu lavaria as cuecas se fosse voc, Ranhoso.
 - Pea desculpa a Evans! - berrou James para Snape, apontandolhe a varinha ameaadoramente.
 - No quero que voc o obrigue a se desculpar - gritou Lily, voltando-se contra James. - Voc  to ruim quanto ele. 
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 - Qu? Eu NUNCA chamaria voc de... voc sabe o qu!
 - Despenteando os cabelos s porque acha que  legal parecer que acabou de desmontar da vassoura, se exibindo com esse snitch idiota, andando pelos corredores e azarando qualquer um que o aborrea s porque  capaz... at surpreende que a sua vassoura consiga sair do cho com o peso dessa cabea cheia de titica. Voc me d NUSEAS. E, virando as costas, ela se afastou depressa. . A '-. , i.;v. - Evans! - gritou James. - Ei, EVANS! -...-
Mas Lily no olhou para trs.
 - Qual  o problema dela? - perguntou James, tentando, mas no conseguindo fazer parecer que fosse apenas uma pergunta sem real importncia para ele.
 - Lendo nas entrelinhas, eu diria que ela acha voc metido, cara
 - disse Sirius.
 - Certo - respondeu James, que parecia furioso agora - certo... Houve outro lampejo, e Snape, mais uma vez, ficou pendurado
no ar de cabea para baixo.
 - Quem quer ver eu tirar as cuecas do Ranhoso?
Mas se James realmente as tirou, Harry nunca chegou a saber. Uma mo agarrou-o com fora pelo brao, fechando-se como uma tenaz. Fazendo uma careta de dor, Harry se virou para ver quem o agarrava e deparou, com uma sensao de horror, com um Snape totalmente crescido, um Snape adulto, parado bem ao lado dele, lvido de raiva.
 - Est se divertindo?
Harry se sentiu erguido no ar; o dia de vero se evaporou  sua volta; flutuou por uma escurido gelada, a mo de Snape ainda apertando seu brao. Ento, com uma sensao de desmaio, como se tivesse dado uma cambalhota no ar, seus ps bateram no piso de pedra da masmorra de Snape, e ele se viu mais uma vez ao lado da Penseira sobre a escrivaninha do bruxo, no escritrio atual e sombrio do professor de Poes.
 - Ento - disse Snape apertando tanto o brao de Harry que a mo do garoto estava comeando a ficar dormente. - Ento... andou se divertindo, Potter?
 - N-no - respondeu Harry, tentando soltar seu brao.
Era apavorante os lbios de Snape tremiam, seu rosto estava branco, seus dentes arreganhados.
 - Um homem divertido, o seu pai, no era? - perguntou Snape, sacudindo-o tanto que seus culos escorregaram pelo nariz.
 - Eu... no... 
Snape atirou Harry para longe com toda a fora. O garoto caiu pesadamente no piso da masmorra.
 - Voc no vai contar a ningum o que viu! - berrou Snape.
 - No - disse Harry, pondo-se em p o mais longe do professor que pde. - No, claro que...
 - Fora daqui, fora daqui, nunca mais quero ver voc na minha sala!
E quando Harry se precipitava em direo  porta, um frasco de baratas mortas estourou por cima de sua cabea. Ele puxou a porta com fora e voou pelo corredor afora, parando apenas quando j estava a trs andares de distncia de Snape. 
Ali 
encostou-se na parede, arquejando e esfregando o brao machucado.
No tinha o menor desejo de voltar  Torre da Grifindore to cedo, nem de contar a Ron e Hermione o que acabara de ver. O que o fazia sentir-se horrorizado e infeliz no era Snape ter gritado nem atirado frascos; mas saber o que era ser humilhado em pblico, saber exatamente como Snape se sentira quando seu pai o atormentara, e a julgar pelo que acabara de presenciar, seu pai fora to arrogante quanto Snape sempre o acusara de ser.
CAPTULO VINTE E nove
Orientao vocacional
 - Mas por que voc no tem mais aulas de Oclumncia? - perguntou Hermione, enrugando a testa.
 - Eu j falei - resmungou Harry. - Snape acha que posso continuar sozinho, agora que j aprendi o bsico.
 - Quer dizer que voc parou de ter sonhos esquisitos? - perguntou Hermione, incrdula.
 - Quase - respondeu Harry, sem olhar para ela.
 - Bom, acho que Snape no devia parar at voc ter certeza absoluta de que  capaz de control-los! - disse Hermione, indignada. Harry, acho que voc devia voltar l e pedir...
 - No - disse Harry enfaticamente. - Esquece, Hermione, OK? Era o primeiro dia dos feriados de Pscoa e Hermione, como era
seu hbito, passara uma grande parte do dia preparando horrios de reviso para os trs. Harry e Ron a deixaram preparar; era mais fcil do que discutir com a amiga e, em todo o caso, poderiam ser teis.
Ron se assustara ao descobrir que s faltavam seis semanas para os exames.
 - Como isso pode ser surpresa para voc? - perguntou Hermione enquanto coloria cada quadradinho do horrio de Ron com um toque de varinha de acordo com a disciplina.
 - No sei - comentou Ron - tem acontecido muita coisa.
 - Bom, terminei - disse ela, entregando-lhe o horrio. - Se seguir o que est a vai se dar bem.
Ron examinou o pergaminho deprimido, mas logo se animou.
 - Voc me deu uma noite de folga por semana!
 - Para o treino de quidditch.
O sorriso desapareceu do seu rosto.
 - De que adianta? - disse desanimado. - A nossa chance de ganhar a Copa de Quidditch este ano  a mesma de papai virar ministro da Magia.
Hermione no respondeu, observava Harry, que fixava imvel a
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parede oposta da sala comunal enquanto Crookshanks dava patadinhas em sua mo pedindo para o garoto lhe coar as orelhas.
 - Que foi, Harry?
 - Qu? - disse depressa. - Nada. , 
Ele apanhou seu exemplar de Teoria da defesa em magia e fingiu estar procurando alguma coisa no ndice. Crookshanks considerou-o um mau negcio, e foi se esconder embaixo da poltrona de Hermione.
 - Vi Cho hoje cedo - disse Hermione sondando. - Parecia muito infeliz, tambm... vocs brigaram outra vez?
 - Qu... ah, foi, brigamos - disse Harry, agarrando a desculpa, agradecido.
 - Por qu?
 - Aquela dedo-duro amiga dela, a Marieta.
 - , bom, eu faria o mesmo! - disse Ron zangado, baixando o horrio de revises. - Se no fosse ela...
Ron saiu desfiando reclamaes sobre Marieta Edgecombe, que Harry achou til; s precisava amarrar a cara, confirmar com a cabea e dizer "" e "Certo", sempre que Ron parava para tomar flego, deixando a mente livre para refletir, sempre mais infeliz, no que vira na Penseira.
Sentia que a lembrana daquelas cenas o devorava por dentro. Tivera tanta certeza de que seus pais eram pessoas maravilhosas que nunca hesitara em descrer 
das acusaes que Snape fazia sobre o carter do seu pai. Gente como Hagrid e Sirius no havia lhe dito que seu pai fora maravilhoso? (, veja como era o prprio Sirius  poca, disse uma voz insistente na cabea de Harry... ele era to ruim quanto o outro, no era?} Verdade, escutara uma vez a Prof McGonagall comentar que o pai dele e Sirius tinham sido criadores de casos na escola, mas os descrevera como precursores dos gmeos Weasley, e Harry no conseguia imaginar Fred e George pendurando algum de cabea para baixo s para se divertirem... a no ser que realmente o detestassem... talvez Malfoy, ou algum que realmente merecesse...
Harry tentara argumentar que Snape talvez tivesse merecido o que sofrer nas mos de James, mas Lily perguntara "Que foi que ele lhe fez?" E seu pai respondera " mais pelo fato de existir, se voc me entende." James no comeara tudo simplesmente porque Sirius dissera que estava chateado? Harry se lembrava de Lupin ter comentado no largo Grimmauld que Dumbledore o nomeara monitor na esperana de que pudesse exercer algum controle sobre James e Sirius... mas, na Penseira, ele ficara sentado ali e deixara tudo acontecer...
Harry no parava de se recordar de que Lily interferira; sua me fora decente. Contudo, a lembrana da expresso em seu rosto quan-
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do ela gritara com James o perturbara mais que qualquer outra coisa; era visvel que ela o detestava, e Harry simplesmente no conseguia entender como  que tinham acabado se casando. Uma ou duas vezes chegara a se perguntar se James a teria forado...
Durante quase cinco anos pensar em seu pai havia sido uma fonte de consolo, de inspirao. Sempre que algum dizia que ele era igual ao pai, ele se iluminava intimamente de orgulho. E agora... agora sentia frieza e infelicidade ao pensar nele.
O tempo se tornou mais ventoso, claro e quente com a passagem das frias da Pscoa, mas Harry e os demais alunos do quinto e do stimo ano estavam prisioneiros, revisando as matrias, indo e voltando da biblioteca. Harry fingia que seu mau humor no tinha outra causa seno a proximidade dos exames, e, como seus colegas da Grifindore tambm estavam fartos de estudar, sua desculpa no era questionada.
 - Harry, estou falando com voc, est me ouvindo? -Hum?
Ele olhou. Giny Weasley, parecendo ter sado de um vendaval, tinha se juntado a ele na mesa da biblioteca em que se encontrava sozinho. Era domingo, tarde da noite, Hermione voltara  Torre da Grifindore para revisar Runas Antigas, e Ron tinha treino de quidditch.
 - Ah, oi - disse Harry puxando os livros para perto. - Por que voc no est no treino?
-J acabou. Ron teve de levar Jack Sloper  ala hospitalar.
 - Por qu?
 - Bom, no temos muita certeza, mas achamos que ele se derrubou com o prprio basto. - Ela soltou um pesado suspiro. - Em todo o caso... chegou uma encomenda, e acabou de passar pelo novo processo de verificao da Umbridge.
Ela levantou um embrulho de papel pardo e o colocou sobre a mesa; fora claramente desembrulhado e descuidadamente reembruIhado. Trazia uma anotao em tinta vermelha com os dizeres Inspecionado e Aprovado pela Alta Inquisidora de Hogwarts.
 - So ovos de Pscoa mandados pela mame. Tem um para voc... pegue.
Giny lhe entregou um belo ovo de chocolate enfeitado com pequeninos pomos de glac e, segundo dizia na embalagem, continha um saquinho de Delcias Gasosas. Harry contemplou o presente por um momento, ento, para seu horror, sentiu um n na garganta. ; - Voc est OK, Harry? - perguntou a garota, calma.
 - To, to timo - disse Harry rouco. O n em sua garganta doa.
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Ele no entendeu por que um ovo de Pscoa o teria feito se sentir assim.
 - Voc parece realmente deprimido esses dias - insistiu Giny. Sabe, tenho certeza que se voc falasse com a Cho...
 - No  com a Cho que quero falar - respondeu ele bruscamente.
 - Com quem  ento? - perguntou Giny. -Eu...
Harry olhou para os lados para verificar se havia algum ouvindo. Madame Pince estava a vrias estantes de distncia, carimbando a sada de uma pilha de livros para uma nervosa Ana Abbott.

 - Gostaria de poder falar com o Sirius - murmurou. - Mas sei que no posso.
Mais para se ocupar com alguma coisa do que porque estivesse com vontade, Harry abriu seu ovo de Pscoa, partiu um bom pedao e enfiou-o na boca.
 - Bom - disse Giny lentamente, servindo-se de um pedacinho tambm - se voc quer mesmo falar com Sirius, imagino que poderamos pensar em um jeito.
 - Nem vem - disse Harry, sem esperanas. - Com a Umbridge policiando as lareiras e lendo toda a nossa correspondncia?
 - O bom de ser criada com Fred e George - disse a garota pensativa -  que a gente meio que comea a achar que tudo  possvel desde que se tenha coragem.
Harry olhou para a garota. Talvez fosse o efeito do chocolate Lupin sempre recomendara comer chocolate depois de enfrentar Dementadores - ou simplesmente porque ele enfim expressara em voz alta o desejo que ardia em seu ntimo havia uma semana, mas ele se sentiu mais esperanoso.
 - QUE  QUE VOCS ACHAM QUE ESTO FAZENDO?
 - Que droga - sussurrou Giny ficando em p imediatamente. Me esqueci...
Madame Pince veio em direo aos garotos, seu rosto enrugado contorcido de fria.
 - Chocolate na biblioteca! - berrou. - Fora... fora... FORA!
E, puxando a varinha, fez os livros, a mochila e o tinteiro de Harry expulsarem os dois da biblioteca, batendo na cabea deles enquanto corriam.
Como se quisessem enfatizar a importncia dos exames, agora prximos, um pacote de panfletos, folhetos e avisos, abordando as vrias carreiras para bruxos, apareceu nas mesas da Torre da Grifindore
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pouco antes do trmino das frias, ao mesmo tempo que um aviso no quadro dizia o seguinte
ORIENTAO VOCACIONAL
Todos os quintanistas devero ter uma breve reunio com a diretora de sua Casa durante a primeira semana do trimestre de vero para discutir suas futuras carreiras. Os horrios das consultas individuais esto listados abaixo.
Harry correu os olhos pela lista e descobriu que era esperado na sala da Prof McGonagall s duas e meia da tarde de segunda-feira, o que significaria perder a maior parte da aula de Adivinhao. Ele e outros quintanistas passaram uma boa parte do ltimo fim de semana das frias de Pscoa lendo todas as informaes sobre carreiras que haviam sido deixadas em sua Casa.
 - Bom, no estou interessado em ser Curandeiro - declarou Ron na ltima noite das frias. Lia concentrado um folheto que tinha na capa um osso e uma varinha cruzados, o emblema do St. Mungus.
 - Diz aqui que preciso no mnimo de um "E" nos N.O.M.s de Poes, Herbologia, Transfigurao, Feitios e Defesa Contra as Artes das Trevas. Quero dizer... caraas... no esto querendo nada, no ?
 - Bom,  uma profisso de muita responsabilidade, no acha? falou Hermione distrada. Ela examinava atentamente um folheto rosa e laranja intitulado "ENTO VOC ACHA QUE GOSTARIA DE TRABALHAR EM RELAES COM OS MUGGLES?" - Parece que no  preciso muita qualificao para fazer a ligao com Muggles; s pedem um N.O.M. em Estudos dos Muggles Muito mais importante  o seu entusiasmo, pacincia e um bom senso de humor!
 - Voc precisaria muito mais do que um bom senso de humor para fazer a ligao com o meu tio - comentou Harry sombriamente. - Bom senso para saber a hora de se proteger, o que  mais provvel. - Ele estava na metade de um panfleto sobre o sistema bancrio bruxo. - Escutem s isso Voc est procurando uma carreira estimulante que oferece viagens, aventuras e substanciais abonos do tesouro para compensar os riscos? Ento pense em trabalhar para o Banco Bruxo Gringotts, que no momento est recrutando desfazedores de feitios para emocionantes cargos no exterior... Mas exigem Aritmancia voc poderia se candidatar, Hermione!
 - No gosto muito de bancos - respondeu ela vagamente, agora absorta na leitura de "VOC TEM AS QUALIDADES NECESSRIAS PARA TREINAR TRASGOS DE SEGURANA?
 - Ei - chamou uma voz ao ouvido de Harry. O garoto se virou Fred e George tinham vindo se reunir a eles. - Giny nos deu uma pala533
vrinha sobre voc - disse Fred, esticando as pernas na mesa em frente e fazendo vrios livretos sobre carreiras no Ministrio da Magia escorregarem para o cho. - Ela diz que voc precisa falar com Sirius?
 - Qu? - disse Hermione na hora, parando no ar a mo que estendia para apanhar "ESTOURE NO DEPARTAMENTO DE ACIDENTES E CATSTROFES MGICAS".
 - ... - disse Harry tentando parecer displicente - 
, achei que gostaria...
 - No seja ridculo - disse Hermione, se levantando e encarando-o como se no conseguisse acreditar no que ouvia. - Com a Umbridge metendo a mo nas lareiras e revistando as corujas?
 - Bom, achamos que podemos contornar isso - disse George, se espreguiando sorridente. - Basta simplesmente promover uma distrao. Ora, voc talvez tenha notado que andamos muito quietos no front do caos nas frias de Pscoa?
 - De que adiantava, ns nos perguntamos, estragar a temporada de lazer? - continuou Fred. - De nada, respondemos. E, naturalmente, estaramos tambm atrapalhando as revises dos colegas, o que seria a ltima coisa que amos querer fazer.
Fred sacudiu a cabea fazendo cara de santo para Hermione. Ela ficou bastante surpresa com a sua considerao.
 - Mas amanh recomeamos vida normal - continuou ele animado. - E se vamos causar um certo tumulto, por que no fazer isso de modo que Harry possa bater um papo com o Sirius?
 - Sei, mas ainda assim - falou Hermione, com ar de quem explica uma coisa muito simples a algum muito obtuso - mesmo que vocs promovam uma distrao, como  que Harry vai falar com o padrinho?
 - Na sala da Umbridge - disse Harry baixinho.
Andava pensando nisso havia quinze dias e no encontrara nenhuma alternativa. A prpria Umbridge lhe dissera que a nica lareira que no estava sendo vigiada era a dela.
 - Voc... enlouqueceu? - exclamou Hermione num sussurro. Ron baixara o folheto sobre carreiras no Comrcio de Fungos
Cultivados, e observava a conversa desconfiado.
 - Acho que no - respondeu Harry sacudindo os ombros.  '
 - E como  que voc vai chegar l, para comear?
Harry estava preparado para a pergunta. 
 - O canivete de Sirius. 
 - Como?
 - No Natal do ano retrasado Sirius me deu um canivete que abre qualquer fechadura - explicou Harry. - Ento, mesmo que a
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Umbridge tenha enfeitiado a porta com um Alorromora, o que aposto que fez, no vai adiantar...
 - Que  que voc acha? - perguntou Hermione a Ron, e Harry se lembrou irresistivelmente da Sra. Weasley apelando para o marido durante o primeiro jantar de Harry no largo Grimmauld.
 - No sei - disse Ron, assustado que algum lhe pedisse para dar uma opinio. - Se  o que Harry quer fazer, ele  quem decide, no ?
 - Voc falou como um verdadeiro amigo e um autntico Weasley
 - disse Fred, dando um forte tapa nas costas do irmo. - Certo, ento. Estamos pensando em fazer isso amanh, logo depois das aulas, porque causar maior impacto se todos estiverem nos corredores; Harry, vamos comear em algum ponto da ala leste para tirar a Umbridge imediatamente da sala; imagino que poderemos lhe garantir, o qu, uns vinte minutos? - perguntou olhando para George.
 - Fcil.
 - Que tipo de distrao vai ser? - perguntou Ron.
 - Voc ver, maninho - disse Fred enquanto se levantava com George. - Ou pelo menos ver se estiver andando pelo corredor do Gregrio o Lambe-botas amanh por volta das cinco da tarde.
Harry acordou muito cedo no dia seguinte, sentindo-se quase to ansioso quanto na manh da audincia disciplinar no Ministrio da Magia. No era apenas a perspectiva de arrombar a sala de Umbridge e usar a lareira para falar com Sirius que o deixava nervoso, embora isso j fosse bastante ruim; hoje tambm seria a primeira vez que Harry chegaria perto de Snape desde que o bruxo o expulsara de sua sala.
Depois de continuar na cama por um tempinho, pensando no dia que o esperava, Harry se levantou sem fazer barulho, foi at a janela ao lado da cama de Neville e contemplou a manh realmente gloriosa. O cu estava azul-claro, enevoado, opalescente. Bem em frente, Harry viu a faia altaneira embaixo da qual seu pai um dia atormentara Snape. No tinha muita certeza se Sirius iria dizer alguma coisa que pudesse neutralizar o que ele vira na Penseira, mas estava desesperado para ouvir a verso do padrinho sobre a cena, conhecer as atenuantes que houvesse, qualquer desculpa para o comportamento do pai...
Uma coisa chamou a ateno de Harry um movimento na orla da Floresta Proibida. Harry apertou os olhos contra a claridade do sol e viu Hagrid saindo de entre as rvores. Parecia mancar. Enquanto Harry observava, ele cambaleou at a porta da cabana e desapareceu em seu interior. O garoto continuou a observar a cabana durante vrios minutos. Hagrid no reapareceu, mas saiu uma espiral de
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fumaa de sua chamin, o que indicava que no poderia estar to machucado que no fosse capaz de acender o fogo.
Harry se afastou da janela, voltou-se para o seu malo e comeou a se vestir.
Ante a perspectiva de forar a porta da sala de 
Umbridge para entrar, Harry no esperara que o dia fosse tranqilo, mas no levara em conta as quase contnuas tentativas de Hermione de dissuadi-lo do que pretendia fazer s cinco horas. Pela primeira vez na vida, ela estava, no mnimo, to desatenta ao que o Prof. Binns dizia em Histria da Magia quanto Harry e Ron, no parando de cochichar recomendaes que ele fez grande esforo para ignorar.
 - ... e se ela apanhar voc l dentro, alm de expuls-lo, poder concluir que voc andou falando com Snuffles, e, desta vez, imagino que o forar a beber a Poo da Verdade e a responder s perguntas dela...
 - Hermione - disse Ron em voz baixa e indignada - voc vai parar de brigar com o Harry e escutar o que o Binns diz ou vou ter de fazer minhas prprias anotaes?
 - Faa voc as anotaes para variar, no vai morrer por isso! Na altura em que chegaram s masmorras, nem Harry nem Ron
estavam falando com Hermione. Sem se importar, ela se aproveitou do silncio dos amigos para manter um fluxo ininterrupto de srios alertas, falando em voz baixa e sibilando com veemncia, o que levou Seamus a perder cinco minutos inteiros procurando furos em seu caldeiro.
Entrementes, Snape parecia resolvido a agir como se Harry fosse invisvel. O garoto estava, naturalmente, habituado a essa ttica, porque era uma das preferidas do seu tio Vernon, e, de um modo geral, se sentiu grato por no ter de sofrer nada pior. Alis, comparado ao que normalmente precisava aturar de Snape em matria de ironias e indiretas, achou a nova atitude um progresso, e ficou contente ao descobrir que, quando era deixado em paz, conseguia preparar uma Poo Revigorante sem problemas. No fim da aula, ele recolheu um pouco da poo em um frasco, arrolhou-o e o levou  mesa de Snape para nota, sentindo que talvez tirasse finalmente um "E".
Acabara de se virar quando ouviu o barulho de alguma coisa quebrando. Malfoy deu um grito de alegria. Harry se virou. A amostra de sua poo estava em pedaos no cho e Snape o observava com uma expresso de triunfante satisfao.
 - Upa - disse suavemente. - Mais um zero, ento, Potter.
Harry se sentiu indignado demais para falar. Voltou ao seu caldeiro, com a inteno de encher outro frasco e forar Snape a lhe dar nota, mas, para seu horror, a sobra desaparecera.
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 - Sinto muito! - disse Hermione, levando as mos  boca. - Sinto muito mesmo, Harry. Pensei que voc tivesse terminado, ento limpei o caldeiro.
Harry no conseguiu responder. Quando a sineta tocou, saiu correndo da masmorra, sem olhar para trs, e fez questo de arranjar um lugar entre Neville e Seamus para almoar, para evitar que Hermione recomeasse a atorment-lo por causa do uso da sala da Umbridge.
Seu mau humor era tanto quando chegou  Adivinhao que se esquecera da orientao vocacional com a Prof McGonagall, s lembrando quando Ron lhe perguntou por que no estava na sala dela. Tornou a subir desabalado, e chegou sem flego alguns minutos depois.
 - Desculpe, professora - arquejou, fechando a porta. - Me esqueci.
 - No tem importncia, Potter. - Mas, quando falou, algum fungou a um canto. Harry olhou.
A Prof Umbridge se achava sentada ali, com a prancheta sobre os joelhos, um babadinho exagerado em torno do pescoo e um sorrisinho medonho no rosto.
 - Sente-se, Potter - disse a Prof McGonagall secamente. Suas mos tremiam um pouco enquanto rearrumava os muitos panfletos que se amontoavam em sua mesa.
Harry se sentou de costas para a Umbridge e fez o possvel para fingir que no a ouvia arranhando a pena na prancheta.
 - Bom, Potter, esta reunio  para discutirmos as idias sobre carreiras que voc j tenha, e ajud-lo a decidir que disciplinas voc deve fazer no sexto e stimo anos - comeou McGonagall. - Voc j pensou no que gostaria de fazer quando terminasse Hogwarts?
-Ah...
Ele estava achando aquele rudo da pena arranhando o papel muito incmodo.
 - Sim? - incentivou a professora.
 - Bom, pensei, talvez, em ser auror - murmurou Harry.
 - Voc precisaria de notas excelentes para isso - disse a Prof McGonagall, puxando uma folhinha escura de baixo dos papis em sua mesa e abrindo-a. - Exige-se um mnimo de cinco N.I.E.M.s, e nenhuma nota abaixo de "Excepcional", pelo que vejo. Depois voc teria de passar por uma srie de testes rigorosos de carter e aptido, na Seo de Aurores.  uma carreira difcil, Potter, em que somente se aceitam os melhores. De fato, no me lembro de terem aceito ningum nos ltimos trs anos.
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Neste momento, a Prof Umbridge deu um pigarrinho, como se estivesse experimentando para ver se era possvel d-lo bem baixo. McGonagall ignorou-a.
 - Suponho que queira saber que disciplinas precisar estudar, no? - continuou a professora elevando um pouco a voz.
 - Quero. Suponho que Defesa Contra as Artes das Trevas, no?
 - Naturalmente - disse a Prof McGonagall com vivacidade. - Eu tambm aconselharia...
A Prof Umbridge tossiu outra vez, mais audivelmente agora. McGonagall fechou os olhos um instante, reabriu-os e continuou como se nada tivesse acontecido.
 - Eu tambm aconselharia Transfigurao, porque os aurores muitas vezes precisam 
se transfigurar e destransfigurar em seu trabalho. E devo preveni-lo, Potter, que no aceito alunos nas minhas turmas de N.I.E.M que no tenham obtido "Excede as Expectativas" ou notas mais altas no N.O.M. Eu diria que sua mdia  "Aceitvel" no momento, ento ir precisar se esforar muito antes dos exames para ter uma chance de prosseguir. Depois, ter de estudar Feitios, sempre til, e Poes - acrescentou, com um sorriso quase imperceptvel. Venenos e antdotos so disciplinas essenciais para os aurores. E devo lhe dizer que o Prof. Snape absolutamente se recusa a aceitar alunos que no tenham obtido "Excepcional" nos N.O.M.s, portanto...
A Prof Umbridge deu a tossida mais forte at aquele momento.
 - Posso lhe oferecer uma pastilha para tosse, Dolores? - perguntou McGonagall, secamente, sem olh-la.
 - Ah, no, muito obrigada - disse Umbridge com aquele sorrisinho afetado que Harry tanto odiava. - Estive pensando, ser que posso fazer uma mnima interrupozinha, Minerva?
 - Acho que voc vai descobrir que pode - disse a Prof McGonagall por entre os dentes cerrados.
 - Eu estava me perguntando se o Sr. Potter tem o temperamento certo para ser auror - disse meigamente.
 - Estava ? - disse a Prof McGonagall insolente. - Bom, Potter
 - continuou, como se no tivesse havido interrupo - se a sua ambio  sria, eu o aconselharia a se preparar em Transfigurao e Poes  altura das exigncias. Vejo que o Prof. Flitwick tem lhe dado "Aceitvel" e "Excede as Expectativas" nos ltimos dois anos, ento parece que em Feitios o seu preparo  satisfatrio. Quanto  Defesa Contra as Artes das Trevas, suas notas tm sido em geral altas, o Prof. Lupin particularmente achou voc... tem certeza de que no gostaria de uma pastilha para tosse, Dolores'?
 - Ah, no precisa, muito obrigada, Minerva - disse sorrindo afe-
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tadamente a Prof Umbridge, que acabara de tossir ainda mais alto que das ltimas vezes. - Estava preocupada que voc talvez no tivesse as notas mais recentes de Harry em Defesa Contra as Artes das Trevas. Tenho quase certeza de que inclu um bilhete.
 - O qu, essa coisa? - perguntou McGonagall num tom de repugnncia, puxando uma folha de pergaminho cor-de-rosa da pasta de Harry. Ela a leu, as sobrancelhas ligeiramente erguidas, e em seguida tornou a guard-la na pasta, sem fazer comentrios.
 - Bom, como eu ia dizendo, Potter, o Prof. Lupin achou que voc demonstrava uma acentuada aptido para a disciplina e, obviamente, para ser auror...
 - Voc entendeu o meu bilhete, Minerva? - perguntou Umbridge docemente, esquecendo de tossir.
 - Claro que entendi - respondeu McGonagall, com os dentes to cerrados que as palavras saram um pouco abafadas.
-Bom, ento, estou confusa... Receio no entender como  que voc pode dar ao Sr. Potter a falsa esperana de que...
 - Falsa esperana? - repetiu a Prof McGonagall, ainda se recusando a olhar para a outra. - Ele obteve notas altas em todos os exames de Defesa Contra as Artes das Trevas...
 - Sinto muito ter de contradiz-la, Minerva, mas, como pode ver no meu bilhete, Harry tem obtido resultados muito fracos nas minhas aulas...
 - Eu devia ter falado com mais clareza - retrucou a Prof McGonagall, finalmente se virando para encarar Umbridge nos olhos. - Ele obteve notas altas em todos os exames de Defesa Contra as Artes das Trevas aplicados por um professor competente.
O sorriso de Umbridge desapareceu com a mesma rapidez de uma lmpada queimando. Ela se recostou na cadeira, virou uma folha na prancheta e comeou a escrever realmente muito depressa, seus olhos saltados correndo de um lado para o outro. A Prof McGonagall tornou a se voltar para Harry, suas narinas estreitas arreganhadas, seus olhos em chamas.
 - Alguma pergunta, Potter?
 - Sim. Que tipo de testes de carter e aptido o Ministrio aplica no candidato, se ele tiver N.O.M.s suficientes?
 - Bom, voc precisar demonstrar capacidade de reagir bem s presses, perseverana e dedicao, porque o treinamento para auror leva mais trs anos, para no falar na habilidade excepcional em defesa prtica. Significar muito estudo mesmo depois de ter terminado a escola, por isso a no ser que voc esteja disposto a...
 - Acho que voc tambm descobrir - disse Umbridge, a voz
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muito fria agora - que o Ministrio examina a ficha dos que se candidatam a auror. A ficha policial.
 - ... a fazer outros tantos exames depois de Hogwarts, voc deveria realmente considerar outra...
 - O que significa que este garoto tem tanta chance de se tornar auror quanto Dumbledore de algum dia voltar a esta escola.
 - Ento,  uma tima chance.
 - 
Potter tem ficha policial - disse Umbridge alto.
 - Potter foi absolvido de todas as acusaes - disse McGonagall ainda mais alto.
A Prof Umbridge se levantou. Era to baixa que isso no fazia muita diferena, mas sua atitude meticulosa e afetada cedera lugar a uma fria implacvel que fazia seu rosto largo e flcido parecer estranhamente sinistro.
 - Potter no tem a menor chance de se tornar auror!
A Prof McGonagall se levantou tambm, e, no seu caso, o movimento foi muito mais impressionante; era bem mais alta que a outra.
 - Potter - disse em tom retumbante - eu o ajudarei a se tornar auror nem que seja a ltima coisa que eu faa na vida! Nem que eu tenha de lhe dar aulas todas as noites, garantirei que voc obtenha as notas exigidas!
 - O ministro da Magia jamais empregar Harry Potter! - exclamou Umbridge, sua voz se elevando furiosa.
 - Poder muito bem haver um novo ministro da Magia at Potter estar pronto para se candidatar! - gritou a Prof McGonagall.
 - Aha! - berrou a Prof Umbridge apontando o dedo curto e grosso para a colega. - ! Com certeza! Isso  o que voc quer, no , Minerva McGonagall? Voc quer ver Cornelius Fudge substitudo por Alvo Dumbledore! Voc pensa que chegar aonde estou, no  subsecretria snior do ministro e diretora tambm!
 - Voc est delirando - respondeu McGonagall, soberbamente desdenhosa. - Potter, terminamos a nossa orientao vocacional.
Harry jogou a mochila sobre o ombro e se precipitou para fora da sala, sem se atrever a olhar para a Prof Umbridge. Ouviu as duas continuarem a gritar uma com a outra por todo o corredor.
A Prof Umbridge ainda estava respirando como se tivesse participado de uma corrida, quando entrou na aula de Defesa Contra as Artes das Trevas naquela tarde.
 - Espero que voc tenha pensado duas vezes sobre o que est planejando fazer, Harry - sussurrou Hermione, no momento em que abriram os livros no captulo trinta e quatro, "No-retaliao e negociao". - Umbridge parece que j est bastante mal-humorada...
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De vez em quando Umbridge lanava olhares incandescentes a Harry, que mantinha a cabea baixa e os olhos desfocados na Teoria da defesa em magia, pensando...
Podia bem imaginar a reao da Prof McGonagall se ele fosse apanhado invadindo a sala da Umbridge, poucas horas depois de ter se empenhado por ele... no havia nada que o impedisse de voltar simplesmente  Torre da Grifindore e esperar que um dia, nas prximas frias de vero, tivesse a chance de questionar Sirius sobre a cena que presenciara na Penseira... nada, exceto que a idia de tomar essa atitude sensata lhe dava a sensao de que cara um peso de chumbo em seu estmago... e ainda havia o problema de Fred e George, cuja distrao j estava planejada, para no falar do canivete que Sirius lhe dera, no momento guardado em sua mochila com a velha Capa da Invisibilidade de seu pai.
Mas permanecia o fato de que se fosse apanhado...
 - Dumbledore se sacrificou para mant-lo na escola, Harry! sussurrou Hermione, erguendo o livro para esconder o rosto da Umbridge. - E se voc for expulso hoje, ele ter se sacrificado em vo!
Harry poderia abandonar o plano e simplesmente aprender a conviver com a lembrana do que seu pai fizera num dia de vero h mais de vinte anos...
E ento se lembrou de Sirius na lareira da sala comunal da Grifindore...
Voc parece menos com o seu pai do que eu pensei... O risco teria sido a diverso para o James...
Mas ser que ele ainda queria ser igual ao pai?
 - Harry, no faa isso, por favor no faa! - disse Hermione em tom aflito quando a sineta tocou ao fim da aula.
Ele no respondeu, no sabia o que fazer.
Ron parecia decidido a no dar opinio nem conselho; no queria olhar para o amigo, embora, quando Hermione abriu a boca para retomar a tentativa de dissuadir Harry, ele tenha dito em voz baixa.
 - D um tempo, OK? Ele sabe decidir sozinho.
O corao de Harry batia acelerado quando saiu da sala de aula. Estava na metade do corredor quando ouviu o inconfundvel barulho da distrao comeando ao longe. Havia gritos e berros ecoando em algum lugar acima; gente que saa das salas ao redor de Harry parava de chofre e olhava para o teto com medo...
Umbridge precipitou-se da sala de aula o mais rpido que suas pernas curtas podiam lev-la. Puxando a varinha, correu na direo contrria; era agora ou nunca. 
 - Harry... por favor! - pediu Hermione sem nimo. Mas ele se decidira; prendendo a mochila com mais firmeza no ombro, saiu correndo, desviando-se dos estudantes que agora corriam em direo oposta para ver qual era a confuso na ala leste.
Harry chegou ao corredor da sala de Umbridge e encontrou-o deserto. Escondendo-se depressa atrs de uma grande armadura, cujo elmo se entreabriu com um rangido para observ-lo, ele abriu a mochila, apanhou 
o canivete de Sirius e cobriu-se com a Capa da Invisibilidade. Saiu, ento, sorrateira e cautelosamente de trs da armadura, e retomou o corredor at a porta da Umbridge.
Inseriu a lmina do canivete mgico na fresta de contorno da porta e deslizou-a para cima e para baixo com delicadeza, em seguida puxou-a para fora. Ouviu um estalido mnimo, e a porta se abriu. Ele entrou na sala, fechou a porta e olhou  volta.
Nada se movia exceto os horrorosos gatinhos que continuavam a brincar nos pratos de parede acima das vassouras confiscadas.
Harry tirou a capa e, dirigindo-se  lareira, encontrou em segundos o que procurava uma caixinha contendo P de Flu.
Agachou-se, ento, diante da grade vazia da lareira, as mos tremendo. Nunca fizera isso antes, embora achasse que sabia como funcionava. Metendo a cabea dentro da lareira, apanhou uma boa pitada do p e deixou-a cair nas achas cuidadosamente empilhadas atrs dele. Na mesma hora elas espocaram em chamas verde-esmeralda.
 - Largo Grimmauld doze! - ordenou em alto e bom som. Foi uma das sensaes mais curiosas que j experimentara. J viajara usando P de Flu antes,  claro, mas ento todo o seu corpo girara muitas vezes nas chamas atravessando a rede de lareiras bruxas que cobria o pas. Desta vez, seus joelhos continuaram firmes na sala da Umbridge, e somente sua cabea se arremessou pelo fogo esmeraldino...
Ento, to abruptamente quanto se iniciara, a rotao cessou. Sentindo-se bastante enjoado como se estivesse usando um abafador excepcionalmente quente na cabea, Harry abriu os olhos e se viu olhando para fora da lareira da cozinha e para a comprida mesa de madeira, onde um homem estudava um pergaminho.
 - Sirius?
O homem se sobressaltou e olhou para os lados. No era Sirius,
mas Lupin.
 - Harry! - exclamou muito chocado. - Que  que voc... que
aconteceu, est tudo bem?
 - Est. Pensei... quero dizer, tive vontade... de bater um papo
com o Sirius.
 - vou cham-lo - disse Lupin se levantando, ainda perplexo -
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ele foi l em cima procurar o Kreacher, parece que anda se escondendo no sto outra vez...
E Harry viu Lupin sair correndo da cozinha. Agora no tinha nada para olhar exceto as pernas das cadeiras e da mesa. Ficou imaginando por que Sirius jamais mencionara como era desconfortvel falar entre as chamas; seus joelhos j estavam protestando dolorosamente contra o contato prolongado com o duro cho de pedra da sala da Umbridge.
Lupin voltou com Sirius em seu encalo momentos depois.
 - Que foi? - perguntou Sirius com urgncia, tirando os cabelos compridos e escuros dos olhos e se ajoelhando diante da lareira, de modo a ficar no mesmo nvel que Harry. Lupin tambm se ajoelhou, parecendo muito preocupado. - Voc est bem? Precisa de ajuda?
 - No - disse Harry - no  nada disso... eu s queria falar... sobre o meu pai.
Eles se entreolharam com grande surpresa, mas Harry no tinha tempo para se sentir sem jeito ou envergonhado; seus joelhos doam mais a cada segundo, e ele calculava que j haviam passado cinco minutos desde o incio da distrao; George lhe garantira apenas vinte. Portanto, mergulhou imediatamente na histria que presenciara na Pensera.
Quando terminou, nem Sirius nem Lupin falaram por um momento. Ento Lupin disse em voz baixa
 - Eu no gostaria que voc julgasse o seu pai pelo que viu, Harry. Ele s tinha quinze anos...
 - Eu tenho quinze anos! - disse Harry com veemncia.
 - Olhe, Harry - disse Sirius querendo conciliar - James e Snape se odiaram desde o primeiro momento em que se viram, foi uma dessas coisas, d para voc entender, no d? Acho que James era tudo que Snape queria ser, era popular, era bom em quidditch, bom em quase tudo. E Snape era apenas uma figurinha difcil, metido at o nariz nas Artes das Trevas enquanto James, com todos os defeitos que voc pode ter visto, Harry, sempre odiou as Artes das Trevas.
 - E, mas ele atacou Snape sem a menor razo, s porque, bom s porque voc disse que estava chateado - terminou com um ligeiro tom de pedido de desculpas na voz. ,
 - No me orgulho disso - apressou-se Sirius a dizer. Lupin olhou de lado para Sirius, ento falou
 - Olhe, Harry, o que voc tem de entender  que seu pai e Sirius eram os melhores alunos da escola em tudo que faziam, todos achavam os dois o mximo, se por vezes eles se deixavam levar...
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I - Se por vezes bancvamos uns idiotas arrogantes, voc quer dizer
 - completou Sirius. Lupin sorriu.
 - Ele no parava de despentear os cabelos - disse Harry constrangido. Sirius e Lupin riram.
 - Eu tinha me esquecido de que ele costumava fazer isso - disse Sirius carinhosamente.
 - Ele estava brincando com a Snitch? - perguntou Lupin ansioso.
 - Estava - respondeu Harry, vendo Sirius e Lupin sorrirem saudosos. - Bom... achei que 
ele era meio idiota.
 - Claro que ele era meio idiota! - disse Sirius na defensiva. - ramos todos idiotas! Bom, Moony no era tanto - disse ele honestamente, olhando para o amigo.
Mas Lupin balanou a cabea.
 - Algum dia eu disse a vocs para no atormentarem o Snape? Algum dia eu tive coragem de dizer a vocs que estavam agindo mal?
 - Bom - disse Sirius - s vezes voc fazia a gente se sentir envergonhado... j era alguma coisa...
 - E - disse Harry insistente, decidido a dizer tudo que estava pensando j que estava ali - ele no parava de olhar as garotas na beira do lago, na esperana de que estivessem olhando para ele!
 - Ah, bom, ele sempre fazia papel ridculo quando Lily estava por perto - disse Sirius encolhendo os ombros - no conseguia parar de se exibir sempre que se aproximava dela.
 - E por que ela casou com ele? - perguntou Harry infeliz. Odiava ele!
 - No, no odiava - disse Sirius.
 - Ela comeou a sair com ele no stimo ano - explicou Lupin.
 - Depois que James murchou um pouco a bola - tornou Sirius.
 - E parou de amaldioar as pessoas s para se divertir - completou Lupin.
 - At o Snape?
 - Bom - disse Lupin lentamente - Snape era um caso especial. Quero dizer, ele nunca perdia uma oportunidade de amaldioar James, ento voc no podia esperar que ele agentasse calado, no ?
 - E minha me no se importava com isso?
 - Ela no ficava sabendo, para falar a verdade - disse Sirius. Quero dizer, James no levava Snape quando ia se encontrar com ela nem o amaldioava na frente de Lily, no  mesmo?
Sirius enrugou a testa para Harry, que ainda no parecia convencido.
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 - Olhe, seu pai foi o melhor amigo que tive e era uma boa pessoa. Muita gente  idiota aos quinze anos. Ele amadureceu.
 - E, OK - disse Harry pesaroso. - S que nunca pensei que sentiria pena de Snape.
 - Agora que voc est falando - perguntou Lupin com uma ligeira ruga entre as sobrancelhas - como foi que Snape reagiu quando descobriu que voc tinha visto tudo isso?
 - Disse que nunca mais me ensinaria Oclumncia - disse Harry com indiferena - como se isso fosse um grande desapon...
 - Ele O QU? - gritou Sirius, fazendo Harry se sobressaltar e engolir um bocado de cinzas.
 - Voc est falando srio, Harry? - perguntou Lupin depressa. Ele parou de lhe dar aulas?
 - Parou - respondeu Harry, surpreso com o que considerou uma reao exagerada. - Mas tudo bem, no faz mal,  at um alvio para dizer a...
 - vou at l dar uma palavrinha com o Snape! - disse Sirius vigorosamente, e chegou a fazer meno de se levantar, mas Lupin puxou-o de volta.
 - Se algum vai dizer alguma coisa a Snape sou eu! - disse com firmeza. - Mas, Harry primeiro, voc vai procurar o Snape e dizer que em hiptese alguma ele deve parar de lhe dar aulas... quando Dumbledore souber...
 - No posso dizer isso, ele me mataria! - disse Harry indignado.
 - Voc no viu a cara dele quando samos da Penseira.
 - Harry, no h nada mais importante no mundo do que voc aprender Oclumncia! - disse Lupin com severidade. - Voc est me entendendo? Nada!
 - OK, OK - respondeu o garoto completamente desconsolado, para no dizer aborrecido. - vou tentar... vou tentar dizer alguma coisa a ele... mas no vai ser...
Calou-se. Ouvia passos a distncia.
 -  o Kreacher descendo?
 - No - respondeu Sirius, olhando para trs. - Deve ser algum do seu lado.
O corao de Harry parou vrios segundos.
 - E melhor eu ir embora! - disse apressado, e recuou a cabea para sair da lareira do largo Grimmauld. Por um momento sua cabea pareceu estar girando sobre os ombros, no momento seguinte ele estava ajoelhado diante da lareira da Umbridge, com a cabea assentada firmemente observando as chamas esmeraldinas piscarem e morrer.
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 - Rpido, rpido! - ele ouviu uma voz asmtica do lado de fora da porta da sala. - Ah, ela a deixou aberta...
Harry mergulhou para apanhar a Capa da Invisibilidade e conseguiu se cobrir bem na hora em que Filch adentrava a sala. Ele parecia absolutamente encantado com alguma coisa, e murmurava febril ao atravessar a sala, abriu uma gaveta na escrivaninha de Umbridge e comeou a mexer nos papis ali dentro.
 - Aprovao para Aoitar... Aprovao para Aoitar... finalmente vou poder... faz anos que eles esto pedindo para ser aoitados...
Ele puxou um pergaminho, beijou-o, depois saiu depressa arrastando os ps e apertando-o contra o peito.
Harry ficou em p depressa e, verificando 
se a Capa da Invisibilidade cobria completamente tanto ele quanto a mochila, abriu a porta e saiu correndo da sala atrs de Filch, que mancava mais depressa do que Harry jamais o vira fazer.
Um andar abaixo da sala de Umbridge, Harry achou que seria seguro voltar a ficar visvel. Tirou a capa, enfiou-a na mochila e continuou depressa o seu caminho. Havia muita gritaria e movimentao vindo do Saguo de Entrada. Ele desceu correndo pela escadaria de mrmore e encontrou reunida ali o que lhe pareceu a maior parte da escola.
Era igual  noite em que Trelawney fora demitida. Os estudantes estavam parados junto s paredes formando um grande crculo (alguns deles, Harry reparou, cobertos de uma substncia que parecia palhafede); professores e fantasmas tambm faziam parte da multido. Destacavam-se entre eles os membros da Brigada Inquisitorial, todos parecendo excepcionalmente satisfeitos, e Pives, que flutuava no alto, observava Fred e George no meio do saguo com o ar inconfundvel de pessoas que acabavam de ser encurraladas.
 - Ento! - disse Umbridge triunfalmente. Harry se deu conta de que a diretora estava parada a poucos degraus  frente dele, contemplando do alto suas presas. - Ento... vocs acham divertido transformar o corredor da escola em um pntano?
 - Achei bastante divertido - respondeu Fred, encarando-a sem o menor sinal de medo.
Filch abriu caminho para se aproximar de Umbridge, quase chorando de felicidade.
 - Apanhei o documento, diretora - disse rouco, acenando o pergaminho que Harry acabara de v-lo retirar da escrivaninha. - Tenho o documento e tenho as chibatas prontas... ah... me deixe fazer isso agora...
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l
 - Muito bem, Argus. Vocs dois - continuou ela, olhando para Fred e George - vocs vo aprender o que acontece com malfeitores na minha escola.
 - A senhora sabe de uma coisa? - disse Fred. - Acho que no vamos no.
Ele se virou para o irmo.
 - George, acho que j passamos da idade de receber educao em tempo integral.
 - , tenho sentido isso tambm - comentou George alegremente.
 - Est na hora de testarmos os nossos talentos no mundo real, voc no acha?
 - Decididamente.
E, antes que Umbridge dissesse uma palavra, eles ergueram as varinhas e falaram juntos
 - Ao vassouras!
Harry ouviu um estrondo ao longe. Olhando para a esquerda, abaixou-se bem em tempo. As vassouras de Fred e George, uma delas ainda arrastando a pesada corrente e o gancho de ferro com que Umbridge as pregara na parede, voaram velozes ao encontro dos seus donos; viraram  esquerda e pararam bruscamente diante dos gmeos, a corrente batendo com estrpito no cho lajeado.
 - No a veremos mais - disse Fred  Prof Umbridge, passando a perna por cima da vassoura.
 - , e no precisa mandar notcias - disse George, montando a prpria vassoura.
Fred correu o olhar pelos estudantes reunidos, para a multido que assistia silenciosa  cena.
 - Se algum tiver vontade de comprar um Pntano Porttil, conforme demonstramos l em cima, pode nos procurar no beco Diagonal, nmero noventa e trs Geniialidades Weasley - disse em voz alta. - Nossas novas instalaes.
 - Descontos especiais para os alunos de Hogwarts que jurarem que vo usar os nossos produtos para se livrar dessa morcega velha acrescentou George, apontando para a Prof Umbridge.
 - IMPEA-OS! - gritou Umbridge, mas tarde demais. Quando a Brigada Inquisitorial se aproximou, Fred e George deram impulso no cho e se projetaram quase cinco metros no ar, o gancho de ferro balanando perigosamente embaixo. Fred olhou para o poltergeist que flutuava do outro lado do saguo no mesmo nvel que os gmeos acima da multido.
 - Infernize ela por ns, Pives.
E Pives, que Harry nunca vira obedecer ordem de nenhum estudante antes, tirou o chapu em forma de sino que usava e saudou os garotos, ao mesmo tempo que Fred e George faziam a volta sob os
os
aplausos dos estudantes e saam em alta velocidade pelas portas de entrada abertas para um glorioso pr-de-sol.
fit
CAPTULO TRINTA
O gigante Grope
A histria da fuga de Fred e George para a liberdade foi narrada tantas vezes nos dias que se seguiram que Harry pde prever que logo se tornaria um episdio da histria de Hogwarts ao fim de uma semana, at os que haviam presenciado a cena estavam meio convencidos de ter visto os gmeos mergulharem com as vassouras sobre Umbridge e a bombardearem com Bombas de Bosta antes de atravessar velozmente as portas. Em decorrncia de sua partida, houve uma grande vontade de imit-los. Harry com freqncia ouvia estudantes dizerem coisas do tipo "Francamente, tem dias que simplesmente tenho vontade de montar minha vassoura e ir embora deste lugar", ou ento "Mais uma aula dessas e vou querer dar uma de Weasley.
Fred e George tomaram providncias para ningum esquec-los cedo demais. Primeiro, porque no haviam deixado instrues sobre o modo de remover o pntano que ainda enchia o corredor do quinto andar na ala leste. Umbridge e Filch tinham sido vistos experimentando diferentes mtodos para remov-lo, mas sem sucesso. Com o tempo, a rea foi fechada e Filch, rilhando os dentes furiosamente, recebeu a tarefa de carregar, atravs do pntano, os estudantes s suas salas de aula. Harry tinha certeza de que professores como McGonagall e Flitwick poderiam ter removido o pntano em um instante, mas, tal como no caso dos Fogos Espontneos, eles preferiam assistir a Umbridge se descabelar.
Depois, havia os dois grandes rombos em forma da vassoura na porta da sala da Umbridge, que as Cleansweeps de Fred e George haviam feito ao sair para se reunir aos seus donos. Filch substitura a porta e levara a Firebolt de Harry para as masmorras onde, comentava-se, Umbridge postara um trasgo de segurana armado para guard-la. Mas os problemas da diretora estavam longe de terminar.
Inspirados no exemplo dos gmeos, muitos estudantes agora competiam pelos lugares de chefes dos Criadores de Caso que eles haviam deixado vagos. Apesar da nova porta, algum conseguira
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escorregar para dentro da sala de Umbridge um pelcio de nariz peludo, que imediatamente destruiu o local  procura de objetos brilhantes, saltou sobre a diretora quando ela entrou e tentou arrancar, a dentadas, os anis em seus dedos curtos e grossos. Bombas de Bosta e Chumbinhos Fedorentos eram atirados com tanta freqncia nos corredores que se tornou moda os estudantes se protegerem com Feitios Cabea-de-Bolha antes de sair das salas de aula, o que lhes garantia um suprimento de ar fresco, ainda que lhes desse a aparncia esquisita de estarem usando aqurios invertidos na cabea.
Filch patrulhava os corredores com um aoite nas mos, desesperado para apanhar viles, mas o problema  que agora havia tantos deles que ele nunca sabia para que lado se virar. A Brigada Inquisitorial tentava ajud-lo, mas no 
paravam de acontecer coisas estranhas aos seus membros. Warrington, da equipe de quidditch da Slytherin, procurou a ala hospitalar com um terrvel problema na pele, que parecia ter sido coberta de comflakes; Pansy Parkinson, para alegria de Hermione, faltou a todas as aulas do dia seguinte porque havia lhe crescido uma galhada na cabea.
Entrementes, tornou-se conhecido o nmero de kits Mata-Aula que Fred e George tinham conseguido vender antes de deixar Hogwarts. Umbridge s precisava entrar na sala de aula para os estudantes ali reunidos comearem a desmaiar, vomitar, sentir febres perigosas ou, ento, deitar sangue pelas narinas. Gritando de raiva e frustrao, ela procurou descobrir a origem dos misteriosos sintomas, mas os alunos teimavam em lhe dizer que estavam sofrendo de "Umbridgetite". Depois de pr em deteno quatro turmas sucessivas, ela, incapaz de descobrir o segredo, foi forada a desistir e deixar os estudantes que sangravam, desmaiavam, vomitavam e suavam abandonarem sua sala em bandos.
Mas nem os usurios dos kits conseguiam competir com o senhor do caos, Pives, que parecia ter levado profundamente a srio as palavras de despedida de Fred. Gargalhando alucinado, ele voava pela escola, virando mesas, irrompendo de quadros-negros, derrubando esttuas e vasos; duas vezes ele prendeu Mrs. Norris dentro de uma armadura, de onde foi resgatada, miando alto, pelo furioso zelador. Pives quebrou lanternas e apagou velas, fez malabarismos com archotes acesos por cima das cabeas de estudantes aos berros, fez pilhas bem arrumadas de pergaminho carem dentro das lareiras ou fora das janelas; inundou o segundo andar, arrancando todas as torneiras dos banheiros, deixou cair um saco de tarantulas no meio do Salo Principal durante o caf da manh e, sempre que lhe dava na telha fazer uma pausa, passava horas seguidas flutuando atrs de Um-
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bridge, imitando o rudo de puns com a boca todas as vezes que ela falava.
Nenhum funcionrio de Hogwarts, exceto Filch, parecia estar se mexendo para ajud-la. Na verdade, uma semana depois de Fred e George partirem, Harry viu a Prof McGonagall passar por Pives, que estava decidido a soltar um lustre de cristal, e ele poderia jurar que a ouviu dizer ao poltergeist pelo canto da boca "Desenrosca para o outro lado.
Para completar, Montague ainda no se recuperara da temporada no vaso sanitrio; continuava confuso e desorientado, e seus pais foram vistos em uma manh de tera-feira subindo a estrada da escola extremamente zangados.
 - Ser que devamos dizer alguma coisa? - arriscou Hermione preocupada, comprimindo o rosto contra a janela da sala de Feitios, o que lhe permitiu ver o casal Montague entrar. - Sobre o que aconteceu com ele? Caso ajude Madame Pomfrey a cur-lo?
 - Claro que no, ele se recuperar - disse Ron indiferente.
 - Em todo o caso, mais problemas para a Umbridge, no ? disse Harry em tom satisfeito.
Ele e Ron bateram de leve com a varinha nas xcaras que deveriam enfeitiar. A de Harry ganhou quatro pernas curtas que no conseguiam alcanar a escrivaninha e se sacudiam em vo no ar. A de Ron ganhou quatro perninhas finas que ergueram a xcara com grande dificuldade, tremeram por alguns segundos, ento se dobraram, fazendo a xcara se partir em dois.
 - Reparo - disse Hermione depressa, consertando a xcara de Ron com um aceno da varinha. - Tudo est muito bem, mas e se o Montague ficar permanentemente lesado?
 - Quem se importa? - exclamou Ron irritado, enquanto sua xcara se erguia como bbeda, os joelhos tremendo violentamente. Montague no devia ter tentado tirar todos aqueles pontos da Grifindore, no ? Se voc quiser se preocupar com algum, Hermione, se preocupe comigo!
 - Com voc? - admirou-se ela, apanhando a xcara que fugia precipitadamente pela mesa com as quatro perninhas robustas com textura de salgueiro, e recolocando-a  sua frente. - Por que eu deveria me preocupar com voc?
 - Quando a prxima carta da mame acabar de passar pelo processo de censura da Umbridge - disse Ron amargurado, agora segurando sua xcara, cujas perninhas tentavam suportar o prprio peso - vou estar bem enrolado. No ficarei surpreso se ela me mandar outro Berrador.
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 - Mas...
 - Vai me culpar por Fred e George terem ido embora, espere s disse sombriamente. - Vai dizer que eu devia ter impedido os gmeos de ir, devia ter agarrado as vassouras deles pelas pontas... , vai ser minha culpa.
 - Bom, se ela realmente disser isso, vai ser uma baita injustia, voc no poderia ter feito nada! Mas tenho certeza de que ela no far isso, quero dizer, se  verdade que eles arranjaram uma loja no beco Diagonal, devem estar planejando isso h sculos.
 - , mas isto  outra 
coisa, como foi que eles arranjaram uma loja? - disse Ron, batendo a varinha com tanta fora na xcara que as pernas dela tornaram a ceder e ficaram se torcendo  sua frente. -  meio suspeito, no  no? Precisaro de uma montanha de galees para alugar uma loja em um lugar como o beco Diagonal. Ela vai querer saber o que andaram fazendo para pr as mos em tanto ouro.
 - Bom, , isso tambm me ocorreu - comentou Hermione, deixando sua xcara correr em crculos precisos em torno da de Harry, cujas pernas curtas continuavam incapazes de alcanar o tampo da mesa. - Estive me perguntando se Nundungus teria convencido os gmeos a vender mercadoria roubada ou qualquer outra coisa horrvel.
 - Ele no fez isso - disse Harry brevemente.
 - Como  que voc sabe? - perguntaram Ron e Hermione juntos.
 - Porque... - Harry hesitou, mas o momento de confessar parecia ter finalmente chegado. No havia nada a ganhar em continuar calado, se isto levasse as pessoas a suspeitarem que Fred e George eram criminosos. - Porque receberam o dinheiro de mim. Entreguei a eles o meu prmio no Torneio Tribruxo em junho passado.
Houve um silncio de perplexidade, em seguida a xcara de Hermione saiu correndo pela borda da mesa e se espatifou no cho.
 - Ah, Harry, voc no fez isso! - exclamou ela.
 - Fiz, sim - respondeu ele com rebeldia. - E no me arrependo, tampouco. Eu no precisava do ouro, e eles sero um sucesso com uma loja de logros.
 - Mas que timo! - exclamou Ron, vibrando. - Ento a culpa  toda sua, Harry, mame no pode me culpar de nada! Posso contar para ela?
 - Pode, acho que  melhor - respondeu desanimado - principalmente se ela pensar que eles esto recebendo caldeires roubados ou coisas do gnero.
Hermione no falou mais nada at o fim da aula, mas Harry suspeitou com perspiccia que o controle dela no fosse resistir por
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muito tempo. E acertou.
Quando deixaram o castelo no intervalo e pararam sob o fraco sol de maio, ela fixou em Harry um olhar penetrante e abriu a boca com um ar decidido.
Harry interrompeu-a antes que chegasse a falar.
 - No adianta ralhar comigo, est feito - disse com firmeza. Fred e George tm o ouro, j gastaram um bocado, pelo que parece, e no posso pedi-lo de volta nem quero fazer isso. Portanto, poupe o seu flego, Hermione.
 - Eu no ia falar nada sobre Fred e George! - disse ela sentida. Ron reprimiu uma risadinha, incrdulo, e Hermione lhe lanou
um olhar feio.
 - No, no ia no! - protestou zangada. - Na verdade, ia perguntar a Harry quando  que ele vai procurar o Snape e pedir mais aulas de Oclumncia!
Harry se sentiu deprimido. Uma vez esgotado o assunto da partida dramtica de Fred e George, que sem dvida rendera muitas horas, Ron e Hermione quiseram saber notcias de Sirius. Como Harry no lhes contara por que queria falar com o padrinho, ficara difcil pensar no que responder; acabou dizendo, sinceramente, que Sirius queria que ele retomasse as aulas de Oclumncia. Arrependia-se desde ento; Hermione no deixava o assunto morrer, e o retomava quando Harry menos esperava.
 - Voc no vai me dizer que parou de ter sonhos esquisitos, porque Ron me contou que voc estava outra vez resmungando durante o sono ontem  noite.
Harry lanou a Ron um olhar furioso. Ron teve o decoro de parecer envergonhado.
 - Voc s estava resmungando um pouquinho - murmurou ele em tom de desculpa. - Algo como "s um pouquinho mais".
 - Sonhei que estava assistindo a vocs jogarem quidditch - mentiu Harry descaradamente. - Eu estava tentando fazer voc se esticar mais um pouquinho para agarrar a Quaffle.
As orelhas de Ron ficaram vermelhas. Harry sentiu um certo prazer vingativo;  claro que no sonhara com nada parecido.
 noite passada, ele percorrera mais uma vez o corredor do Departamento de Mistrios. Atravessara a sala circular, depois a sala com os estalidos e a luz tremulante, at se encontrar novamente na sala cavernosa, cheia de estantes, em que se alinhavam as esferas de vidro empoeiradas.
Correra diretamente para a estante nmero noventa e sete, virar  esquerda e continuara a correr ao longo dela... fora provavelmente ento que falara alto... s um pouquinho mais... porque sentira o seu eu
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consciente lutando para acordar... e, antes que tivesse chegado ao fim da estante, vira-se novamente deitado, olhando para o dossel da sua cama de pilares.
 - Voc est tentando bloquear sua mente, no est? - perguntou Hermione, lanando um olhar penetrante a Harry. - Voc est continuando a praticar Oclumncia?
 - Claro que estou - respondeu Harry, tentando demonstrar que a pergunta era ofensiva, mas sem encarar Hermione 
nos olhos. A verdade  que sentia uma curiosidade to intensa sobre o que estava escondido na sala cheia de globos empoeirados, que queria muito que os sonhos continuassem.
O problema era que, faltando apenas um ms para a realizao dos exames, e com todos os momentos livres dedicados s revises, sua mente parecia to saturada de informao que quando ia se deitar tinha dificuldade at para dormir; e, quando dormia, seu crebro esgotado o presenteava na maioria das noites com sonhos bobos sobre os exames. Ele suspeitava tambm que parte de sua mente, a parte que sempre falava com a voz da Hermione, agora se sentia culpada nas noites em que andava pelo corredor da porta preta, e procurava acord-lo antes que chegasse ao fim da jornada.
 - Sabe - falou Ron, cujas orelhas ainda estavam vermelhssimas - se Montague no se recuperar antes da Slytherin jogar contra a Hufflepuff, poderamos ter chance de ganhar a copa.
 - , imagino que sim - disse Harry, contente com a mudana de assunto.
 - Quero dizer, ganhamos uma, perdemos uma... se a Slytherin perder para a Hufflepuff no prximo sbado...
 - , verdade - disse Harry, j sem saber com o que estava concordando. Cho Chang acabara de atravessar o ptio, evitando olhar para ele de propsito.
A partida final da temporada de quidditch, Grifindore contra Ravenclaw, teria lugar no ltimo fim de semana de maio. Embora Hufflepuff tivesse tido uma vitria apertada sobre Slytherin no ltimo jogo, Grifindore no se atrevia a esperar uma vitria, principalmente por causa da abissal quantidade de frangos que Ron j engolira (embora  claro ningum lhe dissesse isso). Ele, no entanto, parecia ter encontrado uma razo para otimismo.
 - Quero dizer, no posso piorar, posso? - disse a Harry e Hermione sombriamente ao caf da manh no dia da partida. - No h nada a perder agora, h?
 - Sabe - disse Hermione, quando ela e Harry desciam para o

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campo um pouco mais tarde em meio a uma multido excitvel - acho que Ron talvez jogue melhor sem Fred e George por perto. Eles nunca demonstraram muita confiana nele.
Luna Lovegood alcanou-os com algo que parecia uma guia viva encarrapitada na cabea.
 - Puxa, me esqueci! - exclamou Hermione, vendo a guia bater as asas quando Luna passou serenamente por um grupo de alunos da Slytherin que riam e apontavam. - Cho vai jogar, no vai?
Harry, que no se esquecera disso, meramente grunhiu.
Eles encontraram lugares na penltima fila das arquibancadas. Fazia um dia claro e bonito; Ron no poderia desejar um dia melhor e, contra todas as probabilidades, Harry se viu desejando que Ron no desse aos alunos da Slytherin motivo para mais coros crescentes de "Weasley  nosso rei".
Linus Jordan, que andava muito desanimado desde a partida de Fred e George, era como sempre o locutor. Quando as equipes entraram em campo ele anunciou o nome dos jogadores com menos prazer do que o seu normal.
... Bradley... Davies... Chang", disse, e Harry sentiu seu estmago se manifestar, foi menos que um salto para trs, mais uma guinadinha quando Cho apareceu em campo, os cabelos negros e brilhantes ondeando  leve brisa. Ele no tinha mais certeza do que queria que acontecesse, exceto que no poderia agentar mais brigas. At mesmo a viso da garota conversando animadamente com Roger Davies ao se prepararem para montar as vassouras lhe causava apenas uma fisgadinha de cimes.
E comeou a partida!" anunciou Linus. "E Davis agarra a Quaffle imediatamente. O capito da Ravenclaw, Davies, detm a posse da Quaffle, dribla Johnson, dribla Bell e dribla Spinnet tambm... est voando direto para o gol! Vai atirar... e... e..." Linus soltou um sonoro palavro. "... foi gol.
Harry e Hermione gemeram com os demais colegas da Grifindore. Previsivelmente, horrivelmente, os torcedores da Slytherin do lado oposto das arquibancadas comearam a cantar
...Weasley no pega nada 
No defende aro algum...
 - Harry - disse uma voz rouca no ouvido dele. - Hermione...
Harry se virou e viu o enorme rosto barbudo de Hagrid destacando-se na arquibancada. Pelo visto, ele se espremera pela carreira de trs, porque os alunos do primeiro e segundo anos pelos quais ele acabara de
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passar pareciam agitados e amassados. Por alguma razo, Hagrid se curvara  frente, como que ansioso para no ser visto, embora continuasse a ter pelo menos um metro a mais que todo o mundo.
 - Escutem - sussurrou - vocs podem vir comigo? Agora? Enquanto o pessoal est assistindo ao jogo?
 - Ah... no d para esperar, Hagrid? - perguntou Harry. - At acabar o jogo?
 - No. No, Harry tem de ser agora... enquanto esto olhando 
para outro lado... por favor?
O nariz de Hagrid escorria sangue lentamente. Os dois olhos estavam roxos. Harry no o via to perto desde sua volta  escola; parecia absolutamente desconsolado.
 - Claro - disse Harry na mesma hora - claro que iremos.
Ele e Hermione saram, provocando muita reclamao dos estudantes que precisaram se levantar. As pessoas na fileira de Hagrid no estavam apenas reclamando, mas tentando se encolher o mximo possvel.
 - Eu agradeo aos dois, realmente agradeo - disse Hagrid ao chegarem s escadas. Ele no parava de olhar para os lados, nervoso, enquanto desciam em direo aos gramados. - Espero que ela no note a sada da gente.
 - Voc quer dizer a Umbridge? - disse Harry. - No vai notar, no, a Brigada Inquisitorial est toda sentada ao lado dela, voc no viu? Deve estar prevendo alguma confuso durante o jogo.
 - , bom, uma confusozinha no faria mal - disse Hagrid, parando para espiar em torno das arquibancadas para ter certeza de que o gramado at sua cabana estava deserto. - Nos daria mais um tempo.
 - Para o qu, Hagrid? - perguntou Hermione, olhando para ele com uma expresso preocupada no rosto, enquanto caminhavam apressados em direo  orla da Floresta.
 - Vocs... vocs vo ver daqui a pouco - disse espiando por cima do ombro na hora em que uma enorme gritaria se erguia das arquibancadas. - Ei... ser que algum acabou de fazer gol?
 - Deve ter sido a Ravenclaw - comentou Harry pesaroso.
 - Bom... bom... - falou Hagrid, distrado. - Que bom...
Os garotos tiveram de correr para acompanh-lo enquanto atravessava o gramado olhando para os lados a cada passo. Quando chegaram  cabana, Hermione virou automaticamente para a esquerda, em direo  porta de entrada. Hagrid, porm, passou direto e entrou sob as rvores que contornavam a Floresta, onde apanhou um arco encostado a uma rvore. Quando percebeu que os meninos no estavam com ele, virou-se. .
Vamos entrar aqui - disse ele, indicando com a cabea lanzuda a Floresta s suas costas.
 - Na Floresta? - perguntou Hermione, perplexa.
 - . Vamos agora, depressa, antes que nos vejam!
Harry e Hermione se entreolharam, ento entraram rapidamente sob as rvores, atrs de Hagrid, que j se afastava a passos largos na penumbra esverdeada, o arco por cima do brao. Harry e Hermione correram para acompanh-lo.
 - Hagrid, por que voc est armado? - perguntou Harry.
 - S uma precauo - respondeu, sacudindo os ombros macios.
 - Voc no trouxe o arco no dia em que nos mostrou os Testrlios
 - comentou Hermione timidamente.
 - Nam, bom, no amos nos embrenhar to fundo naquele dia. E de qualquer jeito, aquilo foi antes de Firenze ir embora da Floresta, no foi?
 - Por que a sada de Firenze faz diferena? - perguntou Hermione curiosa.
 - Porque os centauros esto bem irritados comigo, por isso disse em voz baixa, olhando para os lados. - Eles costumavam ser... bom, no posso dizer que fossem amigveis... mas convivamos bem. Ficavam na deles, mas sempre apareciam se eu queria dar uma palavrinha. Isso acabou.
Ele suspirou profundamente.
 - Firenze disse que esto aborrecidos porque ele foi trabalhar para Dumbledore - disse Harry, tropeando em uma raiz saliente porque estava olhando para Hagrid.
 -  - disse Hagrid tristemente. - Bom, aborrecidos no  bem o termo. Lvidos de fria. Se eu no tivesse me metido, calculo que teriam matado Firenze aos coices...
 - Eles o atacaram? - disse Hermione, parecendo chocada.
 - Atacaram - disse Hagrid rouco, abrindo caminho entre vrios ramos baixos. - Metade do rebanho caiu em cima dele.
 - E voc impediu? - perguntou Harry, surpreso e impressionado.
 - Sozinho?
 - Claro que sim, no podia ficar parado assistindo matarem Firenze, podia? Por sorte, eu ia passando, e acho que ele deveria ter se lembrado disso antes de comear a me mandar avisos idiotas! - acrescentou inesperadamente, inflamado.
Harry e Hermione se entreolharam, espantados, mas Hagrid, franzindo a testa, no explicou.
 - Em todo o caso - continuou, respirando com mais dificuldade do que o normal - desde ento os centauros ficaram danados comi557
go, e o problema  que eles tm muita influncia na Floresta... so os mais inteligentes por aqui.
 -  por isso que estamos aqui, Hagrid? - perguntou Hermione.
 - Os centauros?
 - No, no - disse Hagrid, sacudindo a cabea negativamente - no, no so eles. Bom, naturalmente, eles poderiam complicar o problema, verdade... mas vocs vo ver o que quero dizer daqui a pouco.
Com essa nota enigmtica, ele se calou e continuou avanando  frente, dando um passo para cada trs dos garotos, tornando muito difcil acompanh-lo.
A trilha foi se adensando, as rvores crescendo mais juntas  medida que se aprofundavam na Floresta, e foi escurecendo como se anoitecesse. No 
tardaram a se distanciar da clareira em que Hagrid lhes mostrara os Testrlios, mas Harry no se sentiu apreensivo at vlo sair abruptamente da trilha e comear a serpear entre as rvores rumo ao centro escuro da Floresta.
 - Hagrid! - chamou Harry, abrindo caminho por silvados muito tranados, por cima dos quais o amigo passava sem problemas, e lembrando muito vividamente o que lhe acontecera na vez anterior em que sara da trilha da Floresta. - Aonde estamos indo?
 - Um pouquinho mais adiante - disse Hagrid por cima do ombro. -Vamos, Harry... precisamos ficar juntos agora.
Era um grande esforo acompanhar o passo de Hagrid, ainda mais com ramos e espinheiros sobre os quais ele marchava como se fossem apenas teias de aranha, mas que se prendiam nas vestes de Harry e Hermione, muitas vezes com tanta firmeza que eles precisavam parar durante alguns minutos para se desvencilhar. Os braos e pernas de Harry logo se cobriram de pequenos cortes e arranhes. Aprofundaram-se tanto na Floresta que Harry por vezes s conseguia distinguir Hagrid como um vulto macio  sua frente. Qualquer som parecia ameaador no silncio abafado. A quebra de um graveto produzia um enorme eco, e o menor movimento, mesmo partindo de um inocente pardal, fazia Harry procurar na penumbra o responsvel. Ocorreu-lhe que jamais conseguira penetrar to fundo na Floresta sem encontrar algum tipo de bicho; a ausncia deles parecia-lhe rnuito agourenta.
 - Hagrid, ser que poderamos acender nossas varinhas? - perguntou Hermione em voz baixa.
 - Aah... tudo bem - sussurrou em resposta. - Na verdade...
Ele parou de repente e se virou; Hermione s parou ao colidir
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com ele e cair de costas. Harry segurou-a quando estava prestes a bater no cho da Floresta.
 - Talvez fosse melhor a gente parar um momento, para eu poder... contar a vocs - disse Hagrid. - Antes de chegarmos l.
 - timo! - exclamou Hermione, enquanto Harry a ajudava a levantar. Os dois murmuraram "Lumus!", e as pontas de suas varinhas se iluminaram. O rosto de Hagrid flutuou na penumbra  luz trmula dos dois feixes de luz, e Harry notou mais uma vez que o amigo parecia nervoso e triste.
 - Certo - disse Hagrid. - Bom... entendem... o caso  que... E tomou flego.
k - Bom, tem uma boa chance de que eu v ser despedido qualquer dia desses. 
Harry e Hermione se entreolharam e tornaram a olhar para Hagrid.
 - Mas voc conseguiu se manter at agora - disse Hermione hesitante. - O que faz voc pensar...
 - Umbridge calcula que fui eu que pus o pelcio na sala dela. 
 - E foi? - perguntou Harry, antes que pudesse se refrear.
 - No, a droga  que no fui! - respondeu ele indignado. - Basta uma coisa ter a ver com criaturas mgicas para a Umbridge achar que deve ter sido eu. Vocs sabem que ela est procurando uma chance de se livrar de mim desde que voltei. No quero ir embora,  claro, mas se no fossem... bom... circunstncias especiais que vou explicar a vocs, eu iria embora agora mesmo, antes que ela pudesse fazer isso na frente de toda a escola, como fez com a Trelawney.
Harry e Hermione soltaram exclamaes de protesto, mas Hagrid ignorou-as com um aceno da sua mo enorme.
 - No  o fim do mundo, poderei ajudar Dumbledore depois que sair daqui, posso ser til  Ordem. E vocs tero a Grubbly-Plank, tero... e vo passar bem no exame.
Sua voz tremeu e falhou.
 - No se preocupem comigo - acrescentou imediatamente, quando Hermione fez meno de lhe dar uma palmadinha no brao. Puxou, ento, um enorme leno manchado do bolso do colete e enxugou os olhos. - Olhem, eu nem estaria contando isso a vocs se no fosse obrigado. Vejam, se eu for... bom, no posso ir embora sem... sem contar para algum... porque eu... eu vou precisar que vocs dois me ajudem. E Ron, se ele quiser.
 - Claro que ele vai ajudar - disse Harry na mesma hora. - Que  que voc quer da gente?
Hagrid fungou com fora e, em silncio, deu uma palmada no
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ombro de Harry com tal fora que o garoto bateu de lado em uma rvore.
 - Eu sabia que voc ia dizer sim - falou Hagrid para dentro do leno - mas no vou... esquecer... jamais... bom... vamos... s mais um pouquinho adiante, por aqui... cuidado, agora, tem urtigas...
Eles andaram em silncio mais uns quinze minutos; Harry ia abrindo a boca para perguntar quanto ainda faltava, quando Hagrid levantou o brao direito para sinalizar que deviam parar.
 - Muita calma - disse baixinho. - Bem quietos agora...

Eles avanaram com muita cautela, e Harry viu que estavam diante de um monte de terra, liso e grande, quase da altura de Hagrid, que ele achou, com um sobressalto de temor, que devia ser a toca de um animal enorme. A toda a volta do monte, as rvores haviam sido arrancadas pelas razes, de modo que ele se erguia em um trecho nu do terreno, protegido por pilhas de troncos e galhos que formavam uma espcie de cerca ou barricada, atrs da qual Harry, Hermione e Hagrid agora se encontravam.
 - Dormindo - sussurrou Hagrid.
Sem dvida, Harry podia ouvir um ronco distante e ritmado que parecia vir de pulmes em atividade. Ele olhou de lado para Hermione, que contemplava o monte com a boca ligeiramente aberta. Tinha uma expresso de absoluto terror.
 - Hagrid - perguntou em um murmrio quase inaudvel face ao rudo da criatura adormecida - quem ?
Harry achou a pergunta estranha... "Que ?", era a que pretendera fazer.
 - Hagrid, voc nos disse... - falou Hermione, a varinha agora tremendo na mo - voc nos disse que nenhum deles quis vir!
Harry olhou da amiga para Hagrid e, ento, compreendeu e virou-se para o monte com uma exclamao de horror.
O grande monte de terra, em que ele, Hermione e Hagrid podiam ter facilmente subido, arfava lentamente no mesmo ritmo que a respirao profunda e ruidosa. No era monte algum. Eram sem dvida as costas curvadas de um...
 - Bom... no... ele no queria vir - disse Hagrid, parecendo desesperado. - Mas tive de traz-lo, Hermione, simplesmente tive!
 - Mas por qu? - perguntou Hermione, que dava a impresso de querer chorar. - Por que... que... ah, Hagrid!
 - Eu sabia que se o trouxesse comigo - disse Hagrid, que tambm parecia prestes a chorar - e... e o ensinasse a se comportar... poderia mostrar ao mundo que ele  inofensivo!
 - Inofensivo! - exclamou Hermione se esganiando, e Hagrid fez
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gestos frenticos quando a enorme criatura  frente deles resmungou alto e mudou de posio dormindo... - Esse tempo todo ele tem batido em voc, no ?  por isso que voc est nesse estado!
 - Ele no sabe a fora que tem! - disse Hagrid convicto. - E est melhorando, no est mais brigando tanto...
 - Ento foi por isso que voc levou dois meses para chegar! disse Hermione espantada. - Ah, Hagrid, por que voc o trouxe se ele no queria vir? Ele no teria sido mais feliz com o povo dele?
-Estavam abusando dele, Hermione, porque ele  muito pequeno!
 - Pequeno? - exclamou Hermione. - Pequeno?
 - Hermione, eu no poderia deix-lo - disse Hagrid, as lgrimas agora escorrendo pelo rosto ferido, e se perdendo na barba. - Entende... ele  meu irmo!
Hermione simplesmente arregalou os olhos para ele, boquiaberta.
 - Hagrid, quando voc diz "irmo" - perguntou Harry lentamente - voc quer dizer...?
 - Bom... meio-irmo - corrigiu Hagrid. - Acabou que minha me foi viver com outro gigante quando deixou meu pai, e foi e teve Grope...
 - Grope? - repetiu Harry.
 - ... bom,  o som que se ouve quando diz o nome dele - disse Hagrid ansioso. - Ele no fala muito ingls... Andei tentando ensinar... em todo o caso, minha me parece que no gostou mais dele do que de mim. Entende, entre as gigantas, o que conta  procriar filhos grandes, e ele sempre foi meio nanico para um gigante tem menos de cinco metros...
 - Ah, , pequenininho! - disse Hermione com uma espcie de ironia histrica. - Absolutamente minsculo!
 - Estava sendo maltratado por todos... eu simplesmente no podia deixar Grope l.
 - Madame Maxime queria traze-lo? - perguntou Harry.
 - Ela... bom, ela viu que era muito importante para mim - disse Hagrid, torcendo as mos enormes. - Mas... mas se cansou um pouco depois de algum tempo, devo confessar... ento nos separamos na viagem de volta... mas ela prometeu no contar a ningum...
 - Nossa, como foi que voc voltou com ele sem ningum notar?
 - perguntou Harry.
 - Bom, foi por isso que demorou tanto, entende. S podia viajar  noite e por terra despovoada e outras coisas. Claro que ele cobre uma boa distncia quando quer, mas passou o tempo todo querendo voltar.
 - Ah, Hagrid, nossa, por que voc no o deixou l? - perguntou
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Hermione, se largando em cima de uma rvore arrancada e escondendo o rosto nas mos. - Que  que voc acha que vai fazer com um gigante violento que nem ao menos quer ficar aqui!?
 - Bom, violento  um pouco exagerado - protestou Hagrid, ainda torcendo as mos, agitado. - Admito que ele tentou me acertar umas duas vezes quando estava de mau humor, mas est melhor, muito melhor, est se ajustando bem.
 - Ento para que so essas cordas? - perguntou Harry.
Harry acabara de reparar nas cordas grossas como pernas que haviam 
sido esticadas do tronco das rvores prximas maiores at o lugar em que Grope estava enroscado no cho, de costas para eles.
 - Voc tem de mant-lo amarrado? - perguntou Hermione com a voz fraca.
 - Bom... ... - disse Hagrid, parecendo ansioso. - Entende...  como eu digo... ele no sabe realmente a fora que tem.
Harry entendia agora por que achara suspeita a falta de outros seres vivos nesta parte da Floresta.
 - Ento, que  que voc quer que a gente faa? - perguntou Hermione apreensiva.
 - Que cuide dele - disse Hagrid rouco. - Depois que eu for embora.
Harry e Hermione trocaram olhares angustiados, ele incomodamente consciente de que j prometera a Hagrid que faria o que o amigo pedisse.
 - E que  que a gente teria de fazer, exatamente? - indagou Hermione.
 - No  comida nem nada! - disse Hagrid ansioso. - Ele sabe caar a prpria comida sem problema. Aves e veados e outras coisas... no,  de companhia que ele precisa. Se eu soubesse que algum estava continuando o esforo de ajud-lo um pouco... ensinar a ele, sabem.
Harry no disse nada, mas se virou para dar uma espiada no vulto gigantesco que dormia no cho da Floresta. Ao contrrio de Hagrid, que parecia apenas um ser humano grande demais, Grope parecia estranhamente deformado. O que Harry pensara ser um vasto pedregulho musgoso  esquerda do monte de terra, reconhecia agora ser a cabea do gigante. Era proporcionalmente muito maior que uma cabea humana, era uma esfera quase perfeita coberta de cabelos muito crespos e densos cor de samambaia. A borda de uma nica orelha grande e carnuda era visvel no alto da cabea, que parecia assentar,  semelhana da do tio Vernon, diretamente sobre os ombros, com pouco ou quase nenhum pescoo de permeio. As costas, sob uma
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pea de roupa que lembrava uma bata parda e suja feita de peles de animais toscamente costuradas, eram muito largas; e enquanto Grope dormia, a roupa parecia repuxar um pouco nas costuras. As pernas estavam encolhidas sob o corpo. Harry via as solas de ps descalos, enormes, sujos, do tamanho de trens, descansando um sobre o outro na terra.
 - Voc quer que a gente ensine a ele? - perguntou Harry com a voz cava. Agora entendia o aviso de Firenze. A tentativa dele no est dando certo. Seria melhor que a abandonasse. Naturalmente, os outros habitantes da Floresta deviam ter ouvido as infrutferas tentativas de Hagrid de ensinar ingls a Grope.
 - ... mesmo que vocs s falem um pouco com ele - disse Hagrid esperanoso. - Porque calculo que, se ele puder falar com gente, vai compreender melhor que todos gostamos dele realmente, e queremos que fique.
Harry se virou para Hermione, que o espiou por entre os dedos que cobriam seu rosto.
 - At faz a gente desejar que tivesse o Norberto de volta, no? comentou Harry, e Hermione deu uma risada vacilante.
 - Vocs vo fazer isso, ento? - perguntou Hagrid, que no parecia ter entendido o que Harry acabara de dizer.
 - Bom... - disse o garoto, j preso por sua promessa. - Vamos tentar.
 - Eu sabia que podia contar com vocs, Harry - disse Hagrid, sorrindo de um jeito lacrimejante, e secando o rosto com o leno. E no quero que vocs saiam muito do seu caminho... sei que tm exames... se vocs puderem dar uma corridinha aqui com a Capa da Invisibilidade talvez uma vez por semana para bater um papo com ele. vou acordar Grope ento... apresentar vocs...
 - Que... no! - exclamou Hermione se levantando de um salto. Hagrid, no, no o acorde, sinceramente, no precisamos...
Mas Hagrid j passara por cima do grande tronco  frente e se encaminhava para Grope. Quando chegou a uns trs metros de distncia, ergueu do cho um longo galho partido, sorrindo de forma tranqilizadora para Harry e Hermione por cima do ombro, ento deu um cutuco no meio das costas do irmo com a ponta do galho.
O gigante deu um urro que ecoou pela Floresta silenciosa; os passarinhos no topo das rvores saram dos poleiros, piando, e voaram para longe.  frente dos garotos, o gigante foi se levantando do cho, que vibrou quando ele apoiou a mo descomunal para se ajoelhar. Grope virou a cabea para ver quem o incomodara.
 - Tudo bem, Gropinho? - perguntou Hagrid com pretensa animao, recuando com o longo galho em riste, pronto para cutucar o irmo. - Tirou uma boa soneca, eh?
Harry e Hermione recuaram o mais longe que puderam, mantendo o gigante  vista. Grope se ajoelhou entre duas rvores que ainda no arrancara. Os garotos ergueram os olhos para o seu rosto espantosamente grande, que lembrava uma lua cheia acinzentada, 
flutuando na penumbra da clareira. Era como se suas feies tivessem sido talhadas em uma grande bola de pedra. O nariz era curto e sem forma, a boca enviesada e cheia de dentes amarelos e tortos do tamanho de meios tijolos; os olhos, pequenos pelos padres dos gigantes, eram um castanho-esverdeado e opaco, e no momento estavam meio colados de sono. Grope levou os ns dos dedos sujos, do tamanho de uma bola de crquete, aos olhos, esfregou-os vigorosamente, ento, sem aviso, ps-se de p com surpreendente agilidade e rapidez.
 - Puxa vida! - Harry ouviu Hermione guinchar aterrorizada, ao seu lado.
As rvores, s quais estavam presas as pontas das cordas amarradas aos tornozelos e pulsos de Grope, rangeram agourentamente. Ele tinha, conforme Hagrid dissera, no mnimo uns cinco metros de altura. Relanceando ao redor com a vista turva, o gigante esticou a mo grande como uma barraca de praia, agarrou um ninho nos galhos mais altos de um altssimo pinheiro e virou-o para baixo com um rugido de aparente insatisfao porque no havia passarinho algum dentro; os ovos caram no cho como granadas e Hagrid levou os braos  cabea para se proteger.
 - Em todo o caso, Gropinho - gritou Hagrid, erguendo a cabea apreensivo para ver se caam mais ovos - trouxe uns amigos para conhecer voc. Lembra que eu disse que talvez fizesse isso? Lembra que eu disse que poderia ter de viajar e deixar eles cuidando de voc um tempinho? Lembra, Gropinho?
Mas o gigante meramente soltou um rugido baixo; era difcil saber se estava escutando Hagrid ou se sequer reconhecia os sons que o irmo fazia como uma linguagem. Agarrava agora o topo do pinheiro e o puxava contra o corpo, evidentemente pelo simples prazer de ver at onde a rvore iria quando ele a largasse.
 - Vamos, Grope, no faa isso! - berrou Hagrid. - Foi assim que voc acabou arrancando as outras...
E de fato, Harry viu a terra em volta das razes do pinheiro comear a rachar.
 - Trouxe visitas para voc! - berrou Hagrid. - Visitas, veja! Olhe para baixo, seu grande palhao, trouxe uns amigos para voc! 
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 - Ah, Hagrid, no - gemeu Hermione, mas ele j reerguera o galho que segurava e cutucava com fora o joelho do irmo.
O gigante soltou o pinheiro, que balanou assustadoramente, despejando sobre Hagrid uma chuva de agulhas, e olhou para baixo.
 - Este - disse Hagrid, correndo para onde Harry e Hermione estavam parados -  Harry, Grope! Harry Potter! Ele talvez venha visitar voc se eu precisar viajar, entendeu?
O gigante acabara de perceber a presena dos garotos. Eles acompanharam, com grande apreenso, Grope baixar sua descomunal cabea de pedregulho para examin-los com a vista ainda turva.
 - E esta  Hermione, entende? Her... - Hagrid hesitou. Virando-se para a garota, perguntou - Se incomoda se ele chamar voc de Hermi, Hermione? Porque  um nome difcil para ele lembrar.
 - No, imagine - esganiou-se Hermione.
 - Esta  Hermi, Grope! Ela vai vir aqui e tudo o mais! No  bom? Eh? Dois amigos para voc... GROPINHO, NO?
A mo do gigante se deslocou de repente em direo a Hermione; Harry agarrou a amiga e puxou-a para trs de uma rvore, de modo que a mo de Grope arranhou o tronco, mas no pegou nada.
 - QUE FEIO, GROPE! - eles ouviram Hagrid berrar, enquanto Hermione se abraava a Harry atrs da rvore, tremendo e choramingando. - MUITO FEIO! NO AGARRE AS PESSOAS... Al!
Harry ps a cabea para fora de trs do tronco e viu Hagrid cado de costas, a mo cobrindo o nariz. O irmo, aparentemente perdendo o interesse, tornara a se erguer e mais uma vez estava ocupado em vergar o pinheiro at o limite.
 - Certo - disse Hagrid com a voz pastosa, e se levantou, apertando o nariz para estancar o sangue, empunhando na outra mo o arco - bom, ento  isso... vocs j o conheceram e... e agora ele vai reconhec-los quando vocs voltarem. ... bom...
E ergueu o olhar para o irmo, que agora estava puxando o pinheiro com uma expresso de prazer alienado no rosto de pedregulho; as razes estalaram quando ele as arrancou da terra.
 - Bom, imagino que seja suficiente por hoje - disse Hagrid. Bom... ah... vamos voltar agora, est bem?
Harry e Hermione concordaram com a cabea. Hagrid tornou a pr o arco no ombro e, ainda apertando o nariz, foi indicando o caminho entre as rvores.
Ningum falou por algum tempo, nem mesmo quando ouviram o estrondo distante que significava que Grope finalmente arrancara a rvore. Hermione tinha o rosto plido e contrado. Harry no conse565
guia pensar em nada para dizer. Caramba, o que iria acontecer quando algum descobrisse que Hagrid escondera Grope na Floresta Proibida? E Harry prometera que ele, Ron e Hermione continuariam as tentativas totalmente inteis de civilizar o gigante. Como  que Hagrid podia, mesmo com a sua imensa capacidade de se iludir que monstros com presas eram amorveis e inofensivos, pensar que 
o irmo algum dia estaria em condies de conviver com seres humanos?
 - Esperem - pediu Hagrid de repente, na hora em que Harry e Hermione iam atravessando com dificuldade um trecho em que a sanguinria era alta e densa. Ele puxou uma flecha da aljava presa ao ombro e encaixou-a no arco. Harry e Hermione ergueram as varinhas; agora que tinham parado de andar, eles tambm ouviram um movimento prximo.
 - Ah, caramba - exclamou Hagrid baixinho.
 - Pensei que tnhamos avisado, Hagrid - disse uma voz grave masculina - que voc no  mais bem-vindo aqui?
O tronco nu de um homem pareceu por um momento estar flutuando em direo a eles na semi-obscuridade malhada de verde; depois, eles viram que a cintura se ligava suavemente a um corpo castanho de cavalo. Este centauro tinha um rosto soberbo de malares altos e longos cabelos negros. Como Hagrid, estava armado; trazia uma aljava cheia de flechas e um arco pendurados em seus ombros.
 - Como vai, Magorian? - cumprimentou Hagrid preocupado. As rvores atrs do centauro farfalharam, e mais quatro ou cinco
centauros surgiram s suas costas. Harry reconheceu o barbudo Ronan, de corpo negro, a quem encontrara quase quatro anos antes na mesma noite em que conhecera Firenze. Ronan no demonstrou ter encontrado Harry antes.
 - Ento - disse com uma inflexo desagradvel na voz, antes de se virar imediatamente para Magorian. - Acho que tnhamos concordado sobre o que faramos se este humano voltasse a mostrar a cara na Floresta...
 - "Este humano"  como me chama agora? - exclamou Hagrid irritado. - S porque impedi vocs de cometerem um assassinato?
 - Voc no devia ter se metido, Hagrid - disse Magorian. - Os nossos costumes no so os seus, nem as nossas leis. Firenze nos traiu e desonrou.
 - No sei como vocs chegaram a essa concluso - retrucou Hagrid impaciente. - Ele no fez nada alm de ajudar Alvo Dumbledore.
 - Firenze se tornou servo dos humanos - disse um centauro cinzento com um rosto duro e rugas profundas. 
 - Servo! - exclamou Hagrid sarcasticamente. - Ele est prestando um favor a Dumbledore, e  s...
 - Ele est mascateando o nosso conhecimento e os nossos segredos para os humanos - disse Magorian. - No h como reverter uma vergonha dessas.
 - Se voc diz que  assim - replicou Hagrid, sacudindo os ombros - mas pessoalmente acho que esto cometendo um grande erro...
 - Tal como voc, humano - disse Ronan - voltando  nossa Floresta quando o prevenimos...
 - Agora, escutem aqui - disse Hagrid zangado. - Se no se importarem, vamos falar menos em "nossa" Floresta. No so vocs quem decidem quem entra e sai daqui...
 - Nem voc, tampouco - respondeu Magorian suavemente. Deixarei voc passar hoje porque est acompanhado dos seus filhotes...
 - No so dele! - interrompeu Ronan, desdenhoso. - Estudantes, Magorian, da escola! Provavelmente j se beneficiaram dos ensinamentos do traidor Firenze.
 - Ainda assim - falou Magorian calmamente - a matana de crias  um crime terrvel no tocamos nos inocentes. Hoje, Hagrid, voc passa. Doravante, fique longe deste lugar. Voc traiu a amizade dos centauros quando ajudou o traidor Firenze a fugir.
 - No vou ser expulso da Floresta por um bando de mulas velhas como vocs! - bradou Hagrid.
 - Hagrid - chamou Hermione com a voz aguda e aterrorizada, quando Ronan e o centauro cinzento comearam a patear o cho - vamos embora, por favor, vamos!
Hagrid comeou a andar, mas seu arco continuava erguido e seus olhos ameaadoramente fixos em Magorian.
 - Ns sabemos o que voc est guardando na Floresta, Hagrid! gritou Magorian quando os centauros desapareciam de vista. - E nossa tolerncia est se esgotando!
Hagrid se virou e deu impresso de querer voltar diretamente para Magorian.
 - Vocs vo toler-lo enquanto ele estiver aqui, a Floresta pertence tanto a ele quanto a vocs! - berrou, enquanto Harry e Hermione o empurravam com todas as foras pela cintura, procurando impedilo de avanar. Ainda de cara amarrada, ele olhou para baixo; sua expresso se alterou para demonstrar surpresa ao ver os dois a empurr-lo; parecia no ter sentido nada antes. - Se acalmem, os dois
 - disse, virando-se para continuar a caminhada enquanto os garotos ofegavam atrs dele. - No passam de mulas velhas.
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 - Hagrid - disse Hermione sem ar, contornando o trecho das urtigas pelo qual haviam passado na ida - se os centauros no querem humanos na Floresta, realmente parece que Harry e eu no vamos poder...
 - Ah, vocs ouviram o que eles disseram - respondeu Hagrid contestando - no machucariam filhotes, quero dizer, garotos. Em todo o caso, no podemos permitir que mandem na gente.
 - Boa tentativa - murmurou Harry para Hermione, que parecia desconcertada.
Finalmente eles retomaram a trilha e uns dez minutos 
depois as rvores comearam a ficar mais espaadas; j dava para ver outra vez pedaos do cu azul e, a distncia, ouvir os sons inegveis de vivas e gritos.
 - Ser que foi outro gol? - indagou Hagrid, parando sob o abrigo das rvores quando avistaram o campo de quidditch. - Ou vocs acham que o jogo acabou?
 - No sei - respondeu Hermione desconsolada. - Harry reparou que a amiga estava com um aspecto pssimo; os cabelos cheios de gravetos e folhas, as vestes rasgadas em vrios lugares e havia numerosos arranhes em seu rosto e nos braos. Sabia que no devia estar muito melhor.
 - Calculo que terminou, sabem! - disse Hagrid apertando os olhos para ver o estdio. - Olhem... j tem gente saindo... e se vocs dois se apressarem podero se misturar aos espectadores, e ningum vai saber que no estiveram l!
 - Boa idia - disse Harry. - Bom... a gente se v, ento, Hagrid.
 - Eu no acredito - disse Hermione com a voz muito vacilante, no momento em que se distanciaram o suficiente de Hagrid para no ser ouvidos. - Eu no acredito. Realmente no acredito.
 - Calma - pediu Harry.
 - Calma! - exclamou ela febril. - Um gigante! Um gigante na Floresta! E Hagrid espera que a gente d aulas de ingls a ele! Sempre supondo,  claro, que conseguiremos passar por um rebanho de centauros assassinos para entrar e sair! Eu... no... acreditai
 - Ainda no temos de fazer nada! - Harry tentou tranqiliz-la, ao se reunirem  torrente de alunos da Hufflepuff, que falavam agitados voltando para o castelo. - Ele no est nos pedindo para fazer nada a no ser que seja demitido, e isso talvez no acontea.
 - Ah, pare com isso, Harry! - disse Hermione zangada, estacando subitamente e obrigando as pessoas que vinham atrs a se desviar dela. - Claro que vai ser demitido e, para ser perfeitamente sincera, depois do que acabamos de ver, quem pode culpar a Umbridge?
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Houve uma pausa em que Harry a encarou com ferocidade, e os olhos dela se encheram de lgrimas.
 - Voc no est falando srio - disse ele em voz baixa.
 - No... bom... tudo bem... no falei - respondeu Hermione enxugando os olhos com raiva. - Por que  que ele tem de criar dificuldades para ele... para ns?
 - No sei...
...Weasley  nosso rei!... 
Weasley  nosso rei!...
No deixou a bola entrar 
Weasley  nosso rei!...
 - E eu gostaria que parassem de cantar essa msica idiota - disse Hermione infeliz - ser que ainda no tripudiaram bastante?
Uma grande onda de estudantes vinha saindo do estdio e subia os gramados.
 - Ah, vamos entrar antes que a gente d de cara com o pessoal da Slytherin - disse Hermione. ,
...Weasley defende qualquer bola 
...Nunca deixa o aro livre 
 por isso que a Grifindore canta:
Weasley  o nosso rei"..." 
 - Hermione... - disse Harry lentamente.
A cantoria estava aumentando, mas no vinha da multido de alunos da Slytherin, vestida de verde e prata, mas de uma massa de vermelho e ouro que se deslocava gradualmente para o castelo, levando uma figura solitria nos "...Weasley  nosso rei, 
Weasley  nosso rei, 
No deixou a bola entrar 
Weasley  nosso rei...
 - No! - exclamou Hermione aos sussurros. 
 - SIM! - falou Harry em voz alta.
 - HARRY, HERMIONE! - berrou Ron, balanando a taa de prata do quidditch no ar, parecendo fora de si de felicidade. - CONSEGUIMOS! GANHAMOS!
Os dois sorriram para o amigo que passava. Houve um rolo na
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porta do castelo e a cabea de Ron bateu com fora na viga superior, mas ningum parecia querer coloc-lo no cho. Ainda cantando, a multido se comprimiu no Saguo de Entrada e desapareceu de vista. Harry e Hermione ficaram vendo os colegas se afastarem, sorrindo, at que os ltimos ecos do refro "Weasley  nosso rei" morreram ao longe. Ento viraram-se um para o outro e seus sorrisos se desfizeram.
 - Vamos guardar as nossas notcias para amanh, no ? - disse Harry.
 - E, certo - disse Hermione preocupada. - No estou com a menor pressa.
Os dois subiram os degraus juntos.  porta, instintivamente se voltaram para contemplar a Floresta Proibida. Harry no teve certeza se era ou no sua imaginao, mas pensou ter visto uma pequena nuvem de pssaros irrompendo no ar por cima das rvores distantes, quase como se aquela em que se aninhavam tivesse acabado de ser arrancada pela raiz.

CAPTULO TRINTA E UM
M -N.O.M.
A euforia de Ron por ter ajudado a Grifindore a ganhar a taa de quidditch era tal que ele no conseguiu se concentrar em nada no dia seguinte. S queria comentar o jogo, por isso Harry e Hermione acharam muito difcil encontrar uma vaga para mencionar Grope. No que eles tivessem se empenhado muito; nenhum dos dois queria ser responsvel por trazer Ron de volta  realidade de maneira to brutal. Como fazia outro belo dia de calor, eles o convenceram a acompanh-los na reviso de matrias embaixo da faia  beira do lago, onde teriam menor chance de ser escutados do que na sala comunal. A princpio Ron no gostou muito da idia - estava adorando levar palmadinhas nas costas de todo aluno da Grifindore que passava por sua poltrona, para no mencionar os coros repentinos de "Weasley  nosso rei" - mas, passado algum tempo, ele concordou que um pouco de ar fresco lhe faria bem.
Os garotos espalharam os livros  sombra da faia e se sentaram, enquanto Ron contava sua primeira defesa na partida, ele prprio percebeu que pela dcima segunda vez.
 - Bom, quero dizer, eu j tinha deixado entrar um gol do Davies, ento no estava me sentindo nada confiante, mas, no sei, quando Bradley veio na minha direo, sem eu nem saber de onde tinha sado, pensei Voc  capaz de fazer essa defesa! E tive um segundo para decidir para que lado voar, sabe, porque pelo jeito ele estava visando ao aro da direita, minha direita, obviamente a esquerda dele, mas eu tive a estranha sensao de que estava fingindo, ento arrisquei e voei para a esquerda, a direita dele... quero dizer... e... bom... vocs viram o que aconteceu - concluiu ele modestamente, jogando os cabelos para trs  toa, fazendo-os parecer curiosamente despenteados pelo vento, e olhando para os lados para ver se as pessoas mais prximas, um grupo de terceiranistas da Hufflepuff, tinham-no ouvido. - Ento, quando Chambers avanou para mim uns cinco minutos depois... Qu? - perguntou Ron, parando no meio da frase ao ver a expresso no rosto de Harry. - Por que  que voc est sorrindo?
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 - No estou - disse Harry depressa, e baixou os olhos para suas notas de Transfigurao, tentando ficar srio. A verdade  que o amigo acabara de lhe recordar claramente outro jogador de quidditch da Grifindore que um dia se sentara despenteando os cabelos embaixo dessa mesmssima rvore. - Estou feliz porque ganhamos,  s.
 -  - disse Ron, saboreando a palavra ganhamos. - Voc viu a cara da Chang quando Giny capturou a Snitch bem debaixo do nariz dela?
 - Imagino que tenha chorado, no? - comentou Harry amargurado.
 - Bom, ... mais de raiva do que de outra coisa... - Ron enrugou ligeiramente a testa. - Mas voc viu quando ela aterrissou e jogou a vassoura no cho, no viu?

 - Ah... - comeou Harry.
 - Bom, na verdade... no, Ron - disse Hermione com um pesado suspiro, baixando o livro e encarando o amigo com ar de quem se desculpa. - De fato, a nica parte do jogo a que eu e Harry assistimos foi o primeiro gol de Davies.
Os cabelos de Ron cuidadosamente despenteados pareceram murchar de desapontamento.
 - Vocs no assistiram? - disse ele com a voz fraca, olhando de um para outro. - Vocs no me viram fazer nenhuma dessas defesas?
 - Bom... no - disse Hermione, conciliadora, estendendo a mo para ele. - Mas, Ron, ns no queramos sair tivemos de sair!
 - Ah ? - exclamou Ron cujo rosto comeou a ficar vermelho.
 - E por qu?
 - Foi o Hagrid - disse Harry. - Ele resolveu nos contar por que est todo machucado desde que voltou da terra dos gigantes. Queria que a gente o acompanhasse  Floresta, no tivemos opo, voc sabe como ele fica. De qualquer jeito...
A histria foi contada em cinco minutos, ao final dos quais a indignao de Ron deu lugar a uma expresso de total incredulidade.
 - Ele trouxe um gigante e o escondeu na Floresta?
 - Foi - confirmou Harry, carrancudo.
 - No - disse Ron, como se ao dizer isso pudesse mudar a realidade em irrealidade. - No, ele no pode ter feito isso.
 - Mas fez - confirmou Hermione. - Grope tem quase cinco metros, se diverte arrancando pinheiros de seis metros, e me conhece
 - ela deu uma risadinha desgostosa - como "Hermi".
Ron riu, nervoso. 
 - E Hagrid quer que a gente...?
 - Ensine ingls a ele,  - completou Harry.
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 - Ficou maluco - protestou Ron num tom prximo ao assombro.
 -  - falou Hermione, irritada, virando uma pgina de Transfigurao para o curso mdio e examinando uma srie de diagramas que
ilustravam a transformao de uma coruja em um binculo de teatro.
 - , estou comeando a pensar que ficou. Mas, infelizmente, ele fez a gente, Harry e eu, prometer.
 - Bom, ento o jeito  vocs quebrarem a promessa - disse Ron com firmeza. - Quero dizer, vamos... temos exames e estamos assim
 - ele ergueu a mo mostrando o polegar e o indicador quase juntos de sermos expulsos sem fazer mais nada. Alm disso... vocs se lembram do Norberto? Lembram a Aragogue? Algum dia lucramos alguma coisa por nos meter com os monstros do Hagrid?
 - Eu sei,  s que... prometemos - disse Hermione com a voz fraquinha.
Ron tornou a alisar os cabelos, parecendo preocupado.
 - Bom - suspirou - Hagrid ainda no foi despedido, no ? Se agentou at aqui, quem sabe agenta at o final do trimestre e a gente nem tem que chegar perto do tal Grope?
Os jardins e terras do castelo refulgiam ao sol como se tivessem sido recm-pintados; o cu sem nuvens sorria para o seu reflexo no lago liso e cintilante; o verde acetinado dos gramados ondeava ocasionalmente  brisa mansa. Junho chegara, mas para os quintanistas isto significava apenas uma coisa estavam s vsperas dos N.O.M.s.
Seus professores no passavam mais deveres de casa; as aulas eram dedicadas a revisar os tpicos que eles achavam que mais provavelmente cairiam nos exames. A atmosfera premeditada e febril varreu quase tudo da cabea de Harry, exceto os N.O.M.S., embora ele se perguntasse ocasionalmente, durante as aulas de Poes, se Lupin chegara a dizer a Snape que ele devia continuar a lhe dar aulas particulares de Oclumncia. Se dissera, ento Snape ignorara Lupin completamente como agora o ignorava. Isto convinha a Harry; estava bastante ocupado e tenso sem aulas extras com Snape, e, para seu alvio, Hermione andava ultimamente preocupada demais para aborrec-lo com a Oclumncia; passava muito tempo falando sozinha, e fazia dias que no deixava roupas para elfos.
Ela no era a nica pessoa a se comportar estranhamente  medida que se aproximavam dos exames. Ernie Macmillan adquirira o irritante hbito de interrogar as pessoas sobre a maneira de fazerem revises.
 - Quantas horas vocs acham que esto gastando por dia? - per573
guntou a Harry e Ron na fila  porta da aula de Herbologia, com um brilho obsessivo nos olhos.
 - No sei - respondeu Ron.
 - Algumas... ...
 - Mais ou menos de oito?
 - Suponho que menos - disse Ron, parecendo ligeiramente alarmado.
 - Estou gastando oito - informou ele estufando o peito. - Oito ou nove. E estou encaixando mais uma hora antes do caf da manh todos os dias. Oito tem sido a minha mdia. 
Posso chegar a dez em um bom dia no fim de semana. Fiz nove e meia na segunda-feira. No fui to bem na tera s sete e quinze. Depois, na quarta-feira...
Harry se sentiu profundamente grato que neste momento a Prof Sprout os tivesse mandado entrar na estufa nmero trs, obrigando Ernie a abandonar sua enumerao.
Entrementes, Draco Malfoy encontrava um modo novo de induzir o pnico.
 - Naturalmente, no  o que voc sabe - ouviram-no comentar com Crabbe e Goyle  porta de Poes poucos dias antes dos exames comearem - mas quem voc conhece. Agora, meu pai  amigo da chefe da Autoridade de Exames Bruxos h anos, a velha Griselda Marchbanks, ela j foi jantar l em casa e tudo...
 - Vocs acham que isso  verdade? - sussurrou Hermione alarmada para Harry e Ron.
 - Se for no h nada que se possa fazer - comentou Ron tristemente.
 - Acho que no  verdade - disse Neville calmamente s costas deles. - Porque a Griselda Marchbanks  amiga da minha av, e ela jamais mencionou os Malfoy.
 - Como  que ela , Neville? - perguntou Hermione na mesma hora. -  rigorosa?
 - Na verdade lembra um pouco a minha av - disse Neville em voz baixa.
 - Mas o fato de conhec-la no vai prejudicar voc, vai? - perguntou Ron animando-o.
 - No acho que v fazer diferena - retrucou ele, ainda mais infeliz. - Vov est sempre dizendo  Prof Marchbanks que no sou to bom quanto o meu pai... bom... vocs viram como ela  l no St. Mungus...
Neville ficou olhando fixamente para o cho. Harry, Ron e Hermione se entreolharam, mas no souberam o que dizer. Era a primeira vez que Neville mencionava que haviam se encontrado no hospital dos bruxos. 

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Nesse meio-tempo, nascera entre os alunos de quinto e stimo ano um florescente mercado negro de produtos para aumentar a concentrao, a agilidade mental e a ateno. Harry e Ron se sentiram muito tentados a comprar a garrafa de Elixir Baruffio para o Crebro oferecida pelo sextanista da Ravenclaw, Ed Carmichael, que jurou que o elixir fora o nico responsvel pelos seus nove "Excepcionais" nos N.O.M.s do vero anterior, e do qual estava vendendo meio litro por apenas doze galees. Ron garantiu a Harry que lhe pagaria a sua metade assim que terminasse Hogwarts e arranjasse um emprego, mas, antes que pudesse fechar o negcio, Hermione confiscou a garrafa de Carmichael e despejou o contedo num vaso sanitrio.
 - Hermione, ns queramos comprar o elixir! - gritou Ron.
 - No seja burro - rosnou ela. - Voc poder tomar o p de garra de drago de Harold Dingle que faria o mesmo efeito.
 - Dingle tem p de garra de drago? - indagou Ron ansioso.
 - No tem mais. Confisquei o p tambm. Nenhuma dessas coisas faz realmente efeito, entende.
 - Garra de drago faz! - exclamou Ron. - Dizem que  incrvel, realmente d uma injeo de reforo no crebro, a pessoa fica superperspicaz durante algumas horas... Hermione, me d uma pitada, vai, no pode fazer mal...
 - Essa droga faz - disse Hermione sombriamente. - Dei uma examinada, e descobri que na realidade  excremento de Fada Mordente...
A informao tirou a vontade dos garotos de comprar estimulantes para o crebro.
Eles receberam os horrios dos exames e os detalhes de como proceder na aula de Transfigurao seguinte.
 - Como vocs podem ver - disse a Prof McGonagall  classe enquanto os alunos copiavam as datas e os horrios dos exames do quadro-negro - os seus N.O.M.s esto distribudos por duas semanas sucessivas. Vocs faro os exames de teoria pela manh e os de prtica  tarde. O exame prtico de Astronomia, naturalmente, ser realizado  noite.
Agora, devo prevenir a vocs que os seus exames receberam os feitios anticola mais fortes que existem. No so permitidos na sala de exame Penas de Resposta Automtica, nem tampouco Lembreis, Punhos-de-Cola Destacveis nem Tinta Autocorretora. Todo ano,  preciso dizer, aparece no mnimo um estudante que acha que pode contornar o regulamento da Autoridade de Exames Bruxos. Minha esperana  que no seja ningum da Grifindore. Nossa nova... diretora... - a Prof McGonagall pronunciou o nome com a mesma
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expresso no rosto com que tia Petunia sempre encarava um sujinho particularmente renitente - pediu s diretoras das Casas para avisar aos estudantes que a cola ser punida com o mximo rigor, porque, naturalmente, os resultados dos seus exames refletiro o novo regime implantado pela diretora na escola...
A professora deu um pequeno suspiro. Harry viu as narinas do seu nariz de linhas fortes se dilatarem.

 - ... contudo, no h razo para vocs no se esforarem ao mximo. Tm que pensar no seu futuro.
 - Professora, por favor - disse Hermione erguendo a mo - quando vamos saber os resultados dos nossos exames?
 - Vocs recebero uma coruja em julho.
 - Excelente - comentou Dean Thomas, em um sussurro audvel - ento no teremos de nos preocupar com isso at as frias.
Harry se imaginou sentado em seu quarto na Privet Drive dali a seis semanas, esperando os resultados dos N.O.M.s. Bom, pensou, pelo menos era certo receber uma carta naquele vero.
O primeiro exame, Teoria dos Feitios, estava programado para a segunda-feira pela manha. Harry concordou em testar Hermione depois do almoo de domingo, mas arrependeu-se quase imediatamente a amiga muito agitada no parava de puxar o livro das mos dele para verificar se respondera totalmente certo, e acabou lhe dando uma pancada no nariz com a borda afiada de Sucesso em feitios.
 - Por que  que voc no se testa sozinha? - disse ele com firmeza, devolvendo-lhe o livro com lgrimas nos olhos.
Enquanto isso, Ron seguia lendo dois anos de anotaes sobre Feitios com os dedos nos ouvidos, movendo os lbios silenciosamente; Seamus Finnigan deitara-se de costas no cho, e repetia a definio de Feitio Substantivo enquanto Dean verificava a resposta no Livro padro de feitios, 5a srie; e Parvati e Lavender praticavam Feitios de Locomoo apostando corrida entre seus estojos de lpis em volta de
uma mesa.
O jantar foi uma refeio calma quela noite. Harry e Ron no falaram muito, mas comeram com apetite depois de tanto estudo a tarde inteira. Por sua vez, Hermione no parava de descansar o garfo e a faca e mergulhar embaixo da mesa para apanhar a mochila, na qual pegava um livro para verificar algum fato ou nmero. Ron acabara de dizer que ela devia fazer uma refeio decente ou no conseguiria dormir quela noite, quando o garfo escorregou de seus dedos dormentes e caiu com estrpito no prato.
 - Ah, minha nossa - disse ela com a voz fraca, arregalando os olhos para o Saguo de Entrada. - So eles? So os examinadores?
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Harry e Ron viraram-se imediatamente. Pelas portas que se abriam para o Saguo de Entrada, eles viram Umbridge com um pequeno grupo de bruxos e bruxas de aparncia idosa. Umbridge, Harry se alegrou de ver, parecia muito nervosa.
 - Vamos olhar mais de perto? - convidou Ron.
Harry e Hermione assentiram e correram para a porta, abrandando a marcha ao cruzar o portal e continuando mais calmamente para passar pelos examinadores. Harry achou que a Prof Marchbanks devia ser a bruxa mida e curvada com o rosto to enrugado que parecia coberto de teias de aranha; Umbridge se dirigia a ela com deferncia. A examinadora parecia um pouco surda; respondia  Prof Umbridge em voz muito alta, considerando que estavam a menos de meio metro de distncia.
 - A viagem foi tima, a viagem foi tima, j a fizemos muitas vezes antes! - respondeu com impacincia. - Agora, no tenho tido notcias de Dumbledore ultimamente! - acrescentou, correndo o olhar pelo saguo como se esperasse ver o bruxo sair de repente de um armrio de vassouras. - Suponho que no tenha idia de onde ele esteja?
 - Nenhuma - respondeu a diretora, lanando um olhar malvolo a Harry, Ron e Hermione, que agora se demoravam ao p da escadaria enquanto Ron fingia amarrar os sapatos. - Mas ouso afirmar que em breve o ministro da Magia descobrir seu paradeiro.
 - Duvido - gritou a Prof Marchbanks - no se Dumbledore no quiser ser encontrado! Eu sei... examinei-o pessoalmente em Transfigurao e Feitios quando ele prestou os N.I.E.M.s... fez coisas com uma varinha que eu nunca tinha visto antes.
 - ... bom... - disse a diretora quando Harry Ron e Hermione subiram a escadaria de mrmore arrastando os ps, o mais lentamente que se atreviam - deixe-me lev-la  sala dos professores. Imagino que queira uma xcara de ch depois dessa viagem.
Foi uma noite meio tensa. Todos tentavam fazer alguma reviso de ltima hora, mas ningum parecia estar conseguindo. Harry foi se deitar cedo, e teve a impresso de continuar acordado durante horas. Lembrou-se da orientao vocacional e da declarao furiosa de McGonagall de que o ajudaria a se tornar auror nem que fosse a ltima coisa que fizesse. Ele gostaria de ter manifestado uma ambio mais realizvel agora que chegara a hora dos exames. Sabia que no era o nico acordado, mas nenhum dos colegas de dormitrio falou e, finalmente, um a um, todos adormeceram.
Nenhum dos quintanistas conversou muito durante o caf na manh seguinte, tampouco Parvati praticava encantamentos em voz baixa, fazendo o saleiro  sua frente se mexer; Hermione relia Sucesso
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em feitios to rpido que seus olhos pareciam se turvar; e Neville no parava de deixar cair os talheres e derrubar a gelia.
Quando terminaram, os alunos de quinto e stimo anos se deixaram ficar pelo Saguo de Entrada enquanto 
os outros estudantes foram para as aulas; ento, s nove e meia, eles foram chamados, turma por turma, a reentrar no Salo Principal, que tinha sido rearrumado exatamente como Harry o vira na Penseira, quando seu pai, Sirius e Snape estavam prestando os N.O.M.s; as mesas das quatro Casas tinham sido retiradas e substitudas por muitas mesas individuais, de frente para a mesa dos professores no fundo do salo,  qual estava a Prof McGonagall, por sua vez, de frente para as mesas dos alunos. Depois que todos se sentaram e sossegaram, ela disse
 - Podem comear - e virou uma enorme ampulheta na mesa ao lado, sobre a qual havia ainda penas, tinteiros e rolos de pergaminho de reserva.
Harry virou a folha do exame, o corao batendo forte - trs fileiras  sua direita e quatro cadeiras  frente, Hermione j estava escrevendo - e ele baixou os olhos para ler a primeira pergunta a) cite o encantamento e b) descreva o movimento da varinha exigido para fazer os objetos voarem.
Harry teve uma lembrana fugaz de uma maa voando no ar e aterrissando com estrondo na cabea dura de um trasgo... com um ligeiro sorriso, ele se curvou para o exame e comeou a escrever.
 - Bom, no foi muito ruim, foi? - perguntou Hermione ansiosa no Saguo de Entrada duas horas mais tarde, ainda segurando as perguntas do exame. - Acho que no fiz justia ao que sei com Feitios para Animar, esgotou-se o tempo. Vocs puseram o contrafeitio para soluos? No tive certeza se precisava, achei informao demais... e na pergunta vinte e trs...
 - Hermione - disse Ron com severidade - j passamos por isso... no vamos repassar cada exame ao terminar, j  bastante ruim fazer uma vez.
Os quintanistas almoaram com o restante da escola (as mesas das quatro Casas reapareceram na hora do almoo), depois marcharam para uma pequena sala ao lado do Salo Principal, onde deviam esperar a chamada para o exame prtico.  medida que pequenos grupos de alunos eram chamados, os que ficavam murmuravam encantamentos e praticavam movimentos com a varinha, ocasionalmente espetando o colega nas costas ou no olho, por engano.
Chamaram Hermione. Tremendo, ela deixou a sala com Antony Goldstein, Gregrio Goyle e Dafne Greengrass. Os estudantes que
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eram testados no voltavam  sala, por isso Harry e Ron no sabiam como Hermione se sara.
 - Ela se saiu bem, lembra que tirou cento e doze por cento em um dos testes de Feitios? - perguntou Ron.
Dez minutos depois, o Prof. Flitwick chamou Parkinson, Pansy
 - Patil, Padma - Patil, Parvati - Potter, Harry.
 - Boa sorte - desejou Ron em voz baixa. Harry entrou no Salo Principal, segurando a varinha com tanta fora que sua mo tremia,
 - O Prof. Toffy est livre, Potter - esganiou-se o Prof. Flitwick, que estava em p  porta. E orientou Harry para um bruxo que parecia o examinador mais velho e mais careca, sentado a uma mesinha no canto mais distante, a uma pequena distncia da Prof Marchbanks, que, por sua vez, j estava na metade do exame de Draco Malfoy.
 - Potter, no ? - perguntou o Prof. Tofty, consultando suas anotaes e espiando por cima do pincen  aproximao de Harry. - O famoso Potter?
Pelo canto do olho, Harry viu claramente Malfoy lhe lanar um olhar fulminante; a taa de vinho que ele estava fazendo levitar caiu ao cho e se espatifou. Harry no pde conter um sorriso; o Prof. Tofty retribuiu-lhe o sorriso, encorajando-o.
 - Isso - disse com a voz trmula de velho - no precisa ficar nervoso. Agora, gostaria de pedir que voc pegasse esse porta-ovo e o fizesse dar saltos mortais para mim.
No todo, Harry achou que o exame correu muito bem. Seu Feitio de Levitao foi muito melhor que o de Malfoy, embora ele desejasse no ter confundido os Feitios de Mudana de Cor e o de Crescimento, fazendo o rato que devia estar colorindo de laranja inchar de maneira chocante e ficar do tamanho de um texugo antes que pudesse corrigir o seu engano. Ficou feliz que Hermione no estivesse no Salo Principal na hora e se esqueceu depois de mencionar o ocorrido para a amiga. Mas pde contar a Ron; ele fizera um prato se transformar em um grande cogumelo e no tinha a mnima idia de como isso acontecera.
No houve tempo para relaxar naquela noite; os garotos foram diretamente para a sala comunal depois do jantar e mergulharam na reviso de Transfigurao para o dia seguinte; Harry foi se deitar sentindo a cabea zunir com os complexos modelos e teorias de feitios.
E esqueceu a definio de um Feitio de Substituio durante o exame terico na manh seguinte, mas achou que no prtico poderia ter sido bem pior. Pelo menos ele conseguiu fazer desaparecer por inteiro a sua iguana, enquanto Ana Abbott na mesa ao lado perdeu a cabea e conseguiu, inexplicavelmente, multiplicar seu furo em um bando de
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flamingos, obrigando os professores a interromper o exame durante dez minutos enquanto as aves eram capturadas e retiradas do salo.
Os alunos fizeram o exame de Herbologia na quarta-feira (e, a no ser por uma pequena mordida de um gernio dentado, Harry achou que se 
saiu razoavelmente bem); depois, na quinta-feira, tiveram Defesa Contra as Artes das Trevas. Ali, pela primeira vez, Harry teve certeza de que passara. No teve problema com nenhuma questo escrita, e teve especial prazer, durante o exame prtico, de realizar todas as contra-maldies e feitios defensivos bem diante da Umbridge, que observava calmamente, prxima s portas para o Saguo de Entrada.
 - Bravo! - exclamou o Prof. Tofty, que estava mais uma vez examinando Harry quando o garoto demonstrou com perfeio um feitio para fazer desaparecer bichos-papes. - Realmente, muito bem! Bom, acho que j chega, Potter... a no ser...
Ele se curvou um pouco para a frente.
 - Meu querido amigo Tibrio Ogden me contou que voc  capaz de produzir um Patrono? Para ganhar mais um ponto...?
Harry ergueu a varinha, olhou diretamente para Umbridge e imaginou-a sendo expulsa.
 - Expecto patronum!
Seu Patrono prateado irrompeu da ponta da varinha e saiu a meio galope pelo salo. Todos os examinadores se viraram para observar a demonstrao, e quando ele se dissolveu em uma nvoa prateada o Prof. Tofty ergueu as mos, com juntas e veias grossas, e aplaudiu entusiasmado.
 - Excelente! Muito bem, Potter, pode ir.
Quando Harry passou por Umbridge junto  porta, seus olhares se encontraram. Um sorriso desagradvel brincava em torno da boca enorme e frouxa da diretora, mas ele no se importou. A no ser que estivesse muito enganado (e ele no pretendia contar a ningum, caso estivesse), ele acabara de receber um "Excepcional" no exame.
Na sexta-feira, Harry e Ron tiveram um dia livre enquanto Hermione prestava seu exame de Runas Antigas, e com o fim de semana  frente, eles se permitiram tirar uma folga das revises. Enquanto jogavam xadrez de bruxo se espreguiaram e bocejaram sentados ao lado da janela aberta, pela qual entrava um ar clido de vero. Harry viu Hagrid a distncia, dando aula a uma turma na orla da Floresta. Tentou adivinhar que bichos estariam estudando - achou que deviam ser unicrnios, porque os alunos pareciam estar um pouco recuados - quando o buraco do retrato se abriu e Hermione entrou parecendo muitssimo mal-humorada. 

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 - Como foram as Runas? - perguntou Ron, bocejando e se espreguiando.
 - Traduzi ehwaz errado - disse a garota furiosa. - A palavra quer dizer parceria e no defesa. Confundi com eihivaz.
 - Ah, bom - disse Ron cheio de preguia - foi s um errinho, no foi, voc ainda vai tirar...
 - Ah, cala a boca! - replicou a garota com raiva. - Pode ser o errinho que far a diferena entre ser aprovada e reprovada. E tem mais, algum ps outro pelcio na sala da Umbridge. No sei como conseguiram enfi-lo por aquela porta nova, mas acabei de passar por l e a Umbridge est aos berros, pelo jeito, parece que o bicho tentou arrancar um pedao da perna dela...
 - Que bom - exclamaram Harry e Ron juntos.
 - No  nada bom! - retrucou Hermione indignada. - Ela acha que  o Hagrid que est fazendo isso, lembram? E no queremos que ele seja despedido!
 - Hagrid est dando aulas neste momento; ela no pode culp-lo
 - disse Harry, apontando pela janela.
 - Ah, s vezes voc  to ingnuo, Harry. Voc acha realmente que a Umbridge vai esperar ter alguma prova? - perguntou Hermione, que parecia decidida a ficar de mau humor, e saiu rodando as vestes para o dormitrio das meninas, batendo a porta ao passar.
 - Que garota adorvel e meiga! - disse Ron, baixinho, avanando com sua rainha para comer um dos cavalos de Harry.
O mau humor de Hermione durou a maior parte do fim de semana, embora Harry e Ron achassem fcil ignor-lo, pois passaram a maior parte de sbado e domingo revisando Poes para segunda-feira, o exame que Harry aguardava com menos ansiedade e que tinha certeza de que seria a runa de sua ambio de se tornar Auror. De fato, considerou o exame escrito difcil, embora achasse possvel ter ganho os pontos da pergunta sobre a Poo Polissuco; foi capaz de descrever seus efeitos com preciso, pois a tomara ilegalmente em seu segundo ano de escola.
O exame prtico  tarde no foi to horrvel quanto esperava. Com Snape ausente do exame, ele percebeu que estava muito mais relaxado do que costumava ficar ao preparar poes. Neville, sentado muito prximo dele, tambm parecia mais feliz do que Harry j o vira em uma aula de Poes. Quando a Prof Marchbanks disse "Afastem-se dos seus caldeires, por favor, o exame terminou", Harry arroIhou sua amostra com a sensao de que talvez no tivesse tirado uma boa nota, mas conseguira, com sorte, evitar uma reprovao.
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 - S faltam quatro exames - comentou Parvati Patil, preocupada, ao voltarem  sala comunal da Grifindore.
 - S! - retorquiu logo Hermione. - Eu tenho Aritmancia, e provavelmente  a disciplina mais difcil que existe!
Ningum foi tolo de contestar, de modo que ela no pde extravasar sua irritao em nenhum deles, e ficou reduzida a ralhar com uns alunos de primeiro ano por rirem muito alto na sala comunal.
Harry 
estava decidido a fazer um bom exame de Trato das Criaturas Mgicas para no deixar Hagrid mal. O exame prtico foi realizado  tarde no gramado em frente  Floresta Proibida, onde os examinadores pediram aos estudantes para identificar corretamente o ourio escondido no meio de uma dzia de porcos-espinhos (o truque era oferecer leite a cada um individualmente; os ourios, bichos extremamente desconfiados, cujas cerdas tm propriedades mgicas, geralmente ficavam furiosos diante do que imaginavam ser uma tentativa de envenen-los); depois pediram para demonstrar como manusear corretamente um tronquilho; alimentar e limpar um caranguejo-de-fogo sem sofrer queimaduras graves; e escolher, em uma ampla variedade de alimentos, a dieta apropriada para um unicrnio doente.
Harry podia ver Hagrid observando ansioso da janela de sua cabana. Quando sua examinadora, desta vez uma bruxinha gorducha, sorriu para ele e disse que podia ir embora, o garoto ergueu rapidamente o polegar para Hagrid antes de voltar ao castelo.
O exame terico de Astronomia na quarta-feira de manh correu bastante bem. Harry no estava convencido de que tivesse acertado os nomes de todas as luas de Jpiter, mas pelo menos estava confiante de que nenhuma delas era habitada por ratinhos. Tiveram de esperar at a noite para fazer o exame prtico de Astronomia; a tarde foi ento dedicada  Adivinhao.
Mesmo pelos padres baixos de Harry em Adivinhao, o exame foi bem ruim. Teria feito melhor se tentasse ver imagens em movimento no tampo da mesa do que numa bola de cristal que teimava em nada mostrar; perdeu a cabea durante a leitura de folhas de ch, dizendo que lhe parecia que a Prof Marchbanks iria encontrar em breve um estranho moreno gorducho e pegajoso, e completou o fracasso total confundindo as linhas da vida e da cabea na palma da mo da professora e afirmando que ela deveria ter morrido na tera-feira anterior.
 - Bom, sempre achamos que amos ser reprovados nesse - comentou Ron sombriamente ao subirem a escadaria de mrmore. Ele acabara de fazer Harry se sentir bem melhor contando em detalhe
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que dissera ao seu examinador estar vendo um homem feio com uma verruga no nariz em sua bola de cristal, e quando ergueu os olhos percebeu que estava apenas descrevendo o reflexo do examinador.
 - No devamos ter nos matriculado nessa disciplina idiota, para comear - disse Harry.
 - Mas pelo menos podemos desistir dela agora.
 -  - apoiou Harry. - No precisamos mais fingir que nos interessa o que acontece quando Jpiter e Urano ficam muito prximos.
 - E de agora em diante no vou me incomodar se as minhas folhas de ch soletrarem morra, Ron, vou simplesmente jog-las na lata do lixo, que  o lugar delas.
Harry estava rindo na hora em que Hermione veio correndo atrs deles. Parou de rir instantaneamente, para no aborrec-la.
 - Bom, acho que me dei bem em Aritmancia - anunciou, e Harry e Ron suspiraram de alvio. - Ainda temos tempo para uma olhada rpida nas nossas cartas estelares antes do jantar, ento...
Quando chegaram ao alto da Torre de Astronomia, s onze horas, encontraram uma noite perfeita para ver estrelas, calma e sem nuvens. Os jardins e terrenos da escola estavam banhados de luar prateado e o ar, mais para frio. Cada aluno montou o prprio telescpio e, quando a Prof Marchbanks deu a ordem, comearam a preencher as cartas estelares em branco que haviam recebido.
Os professores Marchbanks e Tofty caminharam entre eles, observando-os marcarem as posies exatas das estrelas e planetas que viam. Tudo estava silencioso exceto pelo farfalhar dos pergaminhos, o rangido ocasional de um telescpio ao ser ajustado no suporte, e o rudo de muitas penas escrevendo. Passou-se meia hora, depois uma hora; os quadradinhos de luz dourada refletida que lampejavam no solo abaixo comearam a desaparecer  medida que as luzes das janelas do castelo foram se apagando.
Quando Harry completou a constelao Orion em sua carta, porm, as portas do castelo se abriram sob o parapeito em que estava, fazendo com que a luz jorrasse pelos degraus de pedra e um pouco alm. Harry olhou para baixo ao fazer um pequeno ajuste na posio do telescpio, e viu cinco ou seis sombras alongadas se deslocarem pelo gramado bem iluminado antes das portas se fecharem e o jardim voltar a ser um mar de escurido.
Harry voltou a encostar o olho ao telescpio e reajustou-o agora para examinar Vnus. Baixou os olhos para a carta para registrar ali o planeta, mas alguma coisa o distraiu; ele parou com a pena suspensa sobre o pergaminho, apertou os olhos para ver melhor o terreno na
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sombra e distinguiu cinco vultos andando. Se no estivessem se movendo, e o luar no estivesse refletindo em suas cabeas, eles teriam sido indistinguveis do cho escuro em que caminhavam. Mesmo a esta distncia, Harry teve a sensao engraada de que reconhecera o modo de andar do mais atarracado, que parecia liderar 
o grupo.
Ele no conseguia imaginar por que Umbridge estaria dando um passeio depois da meia-noite, e menos ainda acompanhada por outros. Ento algum tossiu s suas costas, e ele se lembrou de que estava no meio de um exame. Esquecera completamente a posio de Vnus. Comprimindo o olho no telescpio, reencontrou o planeta e mais uma vez ia registr-lo na carta quando, atento a rudos estranhos, ouviu uma batida distante que ecoou pelos terrenos desertos, seguida imediatamente pelos latidos abafados de um co de grande porte.
Ele ergueu a cabea, o corao batendo forte. Havia luzes nas janelas de Hagrid, e as pessoas que ele observara atravessando o gramado estavam agora recortadas na claridade. A porta abriu e ele viu nitidamente cinco figuras bem definidas cruzarem o portal. A porta tornou a fechar e fez-se silncio.
Harry se sentiu inquieto. Olhou ao redor para ver se Ron ou Hermione haviam notado a movimentao, mas a Prof Marchbanks veio andando s suas costas naquele momento e, no querendo parecer que estivesse espiando o trabalho dos colegas, Harry rapidamente se curvou para o seu mapa estelar e fingiu estar acrescentando informaes enquanto realmente espiava por cima do parapeito para a cabana de Hagrid. Os vultos agora passavam diante das janelas, bloqueando temporariamente a claridade.
Harry sentiu os olhos da Prof Marchbanks em sua nuca e tornou a apertar o olho contra o telescpio, olhando para a lua, embora j tivesse marcado sua posio h uma hora, mas quando a professora recomeou a andar ele ouviu um rugido na cabana distante que ecoou pela noite at o alto da Torre de Astronomia. Vrias pessoas em volta de Harry saram de trs dos telescpios e foram espiar em direo  cabana de Hagrid.
O Prof. Tofty deu uma tossidinha seca.
 - Tentem se concentrar, vamos, garotos - disse ele suavemente. A maioria voltou aos telescpios. Harry olhou para a esquerda.
Hermione contemplava petrificada a cabana de Hagrid.
 - H-h... faltam apenas vinte minutos - lembrou o professor.
Hermione se assustou e voltou imediatamente para sua carta estelar; Harry olhou para a dele, e reparou que legendara Vnus como Marte. Curvou-se para corrigir o engano.

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Ouviu-se um estampido forte vindo dos jardins. Vrias pessoas gritaram "Ai!", ao espetarem o rosto nas pontas dos telescpios, no af de ver o que estava acontecendo l embaixo.
A porta de Hagrid se escancarou com violncia e,  luz que saa da cabana, eles o viram claramente, uma figura macia urrando e brandindo os punhos, cercado por cinco pessoas, todas, a julgar pelos finos fios de luz vermelha lanados em sua direo, aparentemente tentando estupor-lo.
 - No! - exclamou Hermione.
 - Minha nossa! - disse o Prof. Tofty em tom escandalizado. Estamos em um exame!
Mas ningum estava mais prestando a menor ateno s cartas estelares. Jatos de luz vermelha continuavam a voar pelo ar junto  cabana de Hagrid, mas, por alguma razo, pareciam ricochetear em seu corpo; ele continuava ereto e imvel, e, pelo que Harry conseguia ver, resistindo. Gritos e berros ecoavam pelos gramados; um homem bradou
 - Seja razovel, Hagrid! Hagrid urrou
 - Razovel uma ova, vocs no vo me levar assim, Dawlish! Harry via a pequena silhueta de Fang procurando proteger o
dono, saltando repetidamente contra os bruxos que o cercavam at que um Feitio Estuporante o atingiu, fazendo-o tombar no cho. Hagrid deu um uivo de fria, ergueu o responsvel do cho e atirouo longe; o homem voou uns trs metros e no tornou a se levantar. Hermione prendeu a respirao, as duas mos na boca; Harry se virou para Ron e viu que o amigo, tambm, estava apavorado. Nenhum deles jamais vira Hagrid realmente enfurecido.
 - Olhem! - esganiou-se Parvati, que estava debruada no parapeito e apontava para o castelo embaixo, onde as portas de entrada haviam tornado a se abrir; novamente a luz se derramou pelo jardim escuro e uma sombra preta e solitria ondeava agora pelos gramados.
 - Francamente! - exclamou o Prof. Tofty, ansioso. - Sabem, restam dezesseis minutos!
Mas ningum lhe prestou a menor ateno; todos observavam a pessoa que corria em direo  batalha ao lado da cabana de Hagrid.
 - Como  que voc se atreve! - gritava a figura enquanto corria.
 - Como se atrevei
 -  McGonagall! - sussurrou Hermione.
 - Deixem-no em paz! Em paz, estou dizendo - ouviu-se a voz da Prof McGonagall no escuro. - Por que razo vocs o esto atacando? Ele no fez nada, nada que justifique essa...
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Hermione, Parvati e Lavender gritaram ao mesmo tempo. Os vultos junto  cabana haviam lanado nada menos de quatro raios Estuporantes contra a professora. A meio caminho entre a cabana e o castelo, os feixes de luz vermelha a atingiram; por um momento ela pareceu emitir uma luz vermelha e fantasmagrica, ento subiu no ar, caiu pesadamente de costas e no se mexeu mais.
 - Grgulas galopantes! - gritou o Prof. Tofty, que parecia ter esquecido totalmente o exame. - No deram nem aviso! Que comportamento chocante!
 - COVARDES! - berrou Hagrid; sua voz se 
propagou limpidamente at o alto da torre, e vrias luzes se acenderam no castelo. COVARDES! TOMEM ISSO... E MAIS ISSO.
 - Nossa! - exclamou Hermione.
Hagrid deu dois golpes pesados em seus atacantes mais prximos; a julgar por sua queda imediata, foram nocauteados. Harry viu Hagrid se dobrar e pensou que finalmente ele fora dominado por um feitio. Mas, muito ao contrrio, no momento seguinte ele estava de p com uma espcie de saco nas costas - ento o garoto percebeu que o amigo havia passado o corpo inerte de Fang por cima dos ombros.
 - Peguem-no, peguem-no! - berrou Umbridge, mas o auxiliar que restara parecia extremamente relutante em se aproximar dos punhos de Hagrid; de fato, recuou com tanta pressa que tropeou em um dos colegas desacordados e caiu por cima deles. Hagrid se virar e comeara a correr com Fang ainda pendurado em volta do pescoo. Umbridge lanou um ltimo Feitio Estuporante nas costas dele, mas no acertou; e Hagrid, numa corrida desabalada em direo aos portes distantes, desapareceu na escurido.
Seguiu-se um longo minuto palpitante enquanto todos contemplavam boquiabertos os jardins. Ento o Prof. Tufty disse com a voz fraca
 - Hum... faltam cinco minutos, garotos.
Embora tivesse preenchido apenas dois teros de sua carta estelar, Harry estava louco para o exame terminar. Quando isso finalmente aconteceu, ele, Ron e Hermione encaixaram os telescpios de qualquer jeito nos suportes e desceram correndo a escada circular. Nenhum dos estudantes ia se deitar; todos falavam excitados, em altas vozes, ao p da escada, sobre o que tinham acabado de presenciar.
 - Aquela mulher maligna! - exclamou Hermione, que tinha dificuldade em falar de tanta raiva. - Tentando surpreender Hagrid na calada da noite!
 - Ela quis claramente evitar outra cena como a da Trelawney -
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disse Ernie Macmillan sensatamente, comprimindo-se para se reunir aos colegas.
 - Hagrid se defendeu bem, no foi? - comentou Ron, que parecia mais assustado do que impressionado. - Por que  que todos os feitios ricocheteavam nele?
 - Deve ser o sangue de gigante - disse Hermione trmula. -  muito difcil estuporar um gigante, eles so como os trasgos, muito resistentes... mas a coitada da Prof McGonagall... quatro ataques diretos no peito, e ela no  mais jovem, no ?
 - Pavoroso, pavoroso - disse Ernie, balanando a cabea pomposamente. - bom, eu vou dormir. Boa-noite a todos.
As pessoas em volta comearam a dispersar, ainda comentando excitadamente o que tinham acabado de ver.
 - Pelo menos no conseguiram levar Hagrid para Azkaban - disse Ron. - Espero que ele tenha ido se juntar a Dumbledore, ser?
 - Suponho que sim - disse Hermione, que parecia lacrimosa. Ah, isto  horrvel, pensei realmente que Dumbledore no demoraria a voltar, mas agora perdemos Hagrid tambm.
Voltaram sem pressa para a sala comunal da Grifindore, e a encontraram cheia. A confuso nos jardins acordara vrias pessoas, que correram a acordar os amigos. Seamus e Dean, que haviam chegado antes de Harry, Ron e Hermione, agora contavam a todos o que tinham visto e ouvido do alto da Torre de Astronomia.
 - Mas por que demitir Hagrid agora? - perguntou Angelina Johnson, balanando a cabea. - No  como a Trelawney; ele tem ensinado muito melhor do que o normal este ano!
 - Umbridge detesta gente que  parte-humana - disse Hermione amargurada, largando-se em uma poltrona. - Sempre ia tentar expulsar Hagrid.
 - E ela achou que Hagrid estava pondo pelcios na sala dela disse a vozinha fina de Kate Bell.
 - Caracas! - exclamou Linus Jordan, tampando a boca. - Fui eu que andei pondo pelcios na sala dela. Fred e George me deixaram uns dois; e eu os fiz levitar e entrar pela janela.
 - Ela o teria despedido de qualquer jeito - falou Dean. - Hagrid  muito chegado a Dumbledore.
 - Isso  verdade - concordou Harry, afundando em uma poltrona ao lado de Hermione.
 - S espero que a Prof McGonagall esteja bem - disse Lavender, lacrimosa.
 - Eles a carregaram para o castelo, assistimos da janela do dormitrio - disse Clin Creevey. - No parecia muito bem.
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 - Madame Pomfrey dar um jeito - comentou Alicia Spinnet com firmeza. - Ela at hoje nunca falhou.
Eram quase quatro horas da manh quando a sala comunal se esvaziou. Harry se sentia completamente acordado; a imagem de Hagrid fugindo no escuro o atormentava; estava com tanta raiva da Umbridge que no conseguia pensar num castigo suficientemente ruim para ela, embora a sugesto de Ron de d-la de comer a explosivins famintos tivesse seu mrito. Ele adormeceu imaginando vinganas medonhas e se levantou trs horas depois 
sentindo nitidamente que no descansara.
O exame final de Histria da Magia no deveria se realizar at a tarde. Harry teria gostado muito de voltar para a cama depois do caf da manh, mas contara em fazer uma revisozinha de ltima hora pela manh, ento sentou-se com a cabea apoiada nas mos ao lado da janela da sala comunal, fazendo um grande esforo para no cochilar enquanto relia algumas anotaes da pilha de quase meio metro de altura que Hermione lhe emprestara.
Os quintanistas entraram no Salo Principal s duas horas e se sentaram em seus lugares diante do exame virado para baixo. Harry se sentia exausto. S queria que aquilo terminasse para poder dormir; ento amanh, ele e Ron iam descer ao campo de quidditch ele ia dar uma voltinha na vassoura de Ron e saborear o trmino das revises.
 - Desvirem o exame - disse a Prof Marchbanks  frente do salo, invertendo a gigantesca ampulheta. - Podem comear.
Harry olhou fixamente para a primeira pergunta. Passaram-se vrios segundos at lhe ocorrer que no entendera nem uma palavra do enunciado; havia uma vespa perturbativa zumbindo de encontro a uma das altas janelas. Lenta, tortuosamente, ele comeou, por fim, a escrever uma resposta.
Estava achando muito difcil lembrar os nomes, e toda a hora confundia as datas. Saltou simplesmente a pergunta quatro (Em sua opinio, a legislao sobre varinhas contribuiu para um melhor controle das revoltas dos duendes no sculo XVIII ou levou a esse controle?}, pensando em voltar no fim, se houvesse tempo. Tentou responder  pergunta cinco (Como foi violado o Estatuto de Sigilo em 1749 e que medidas foram introduzidas para impedir que o fato se repetisse?}, mas sentiu uma suspeita insistente de que omitira vrios pontos importantes; teve a impresso de que os vampiros haviam participado em algum momento do episdio.
Harry leu mais adiante procurando uma pergunta a que decidida-
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mente pudesse responder, e seus olhos bateram na dcima Descreva as circunstncias que levaram  formao da Confederao Internacional de Bruxos e explique por que os bruxos de Liechtenstein se recusaram a aderir.
Eu sei essa, pensou Harry, embora sentisse o crebro entorpecido e sem energia. Visualizava um ttulo, na caligrafia de Hermione A formao da Confederao Internacional de Bruxos... lera as anotaes ainda esta manh.
E comeou a escrever, erguendo os olhos de vez em quando para verificar a grande ampulheta ao lado da Prof Marchbanks. Estava sentado logo atrs de Parvati Patil, cujos longos cabelos negros caam abaixo do espaldar da cadeira. Uma ou duas vezes ele se surpreendeu contemplando as luzes douradas que brilhavam nos cabelos quando ela mexia levemente a cabea e teve de sacudir a prpria cabea para clare-la.
... o primeiro chefe supremo da Confederao Internacional de Bruxos foi Pierre Bonaccord, mas sua nomeao foi contestada pela comunidade bruxa de Liechtenstein, porque...
Ao redor de Harry as penas arranhavam os pergaminhos como ratinhos que corressem para se esconder. O sol estava muito quente em sua nuca. Que fizera Bonaccord para ofender os bruxos de Liechtenstein? Harry teve uma sensao de que fora alguma coisa ligada aos trasgos... e tornou a fixar o olhar vazio na cabea de Parvati. Se ao menos pudesse usar a Legilimncia e abrir uma janela na nuca da colega para ver que ligao tinham os trasgos com o rompimento entre Pierre Bonaccord e Liechtenstein...
Harry fechou os olhos e enterrou o rosto nas mos, fazendo com que o fulgor avermelhado de suas plpebras se tornasse escuro e fresco. Bonaccord tinha querido impedir a caa aos trasgos e concederlhes direitos... mas Liechtenstein estava enfrentando problemas com uma tribo particularmente violenta de trasgos montanheses... era isso.
Ele abriu os olhos; sentiu-os arderem e lacrimejarem  vista do pergaminho demasiado branco. Devagar, escreveu duas linhas sobre os trasgos, e leu o que j fizera at ali. No lhe pareceu muito informativo nem detalhado, no entanto tinha certeza de que as anotaes de Hermione sobre a Confederao tinham ocupado pginas.
Ele tornou a fechar os olhos, tentando v-las, tentando se lembrar... a Confederao se reunira pela primeira vez na Frana, sim, j escrevera isso...
Os duendes tinham tentado participar, mas foram expulsos... j escrevera isso tambm... E ningum de Liechtenstein tinha querido ir... 
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Pense, disse a si mesmo, com o rosto nas mos, enquanto ao seu redor as penas arranhavam os pergaminhos em respostas interminveis, e a areia se escoava na ampulheta l na frente...
Ele estava novamente andando pelo corredor fresco e escuro em direo ao Departamento de Mistrios, com passos firmes e deliberados, por vezes correndo, decidido a alcanar 
finalmente o seu destino... a porta preta se escancarou como sempre, e ele se viu na sala circular com suas muitas portas...
Atravessou direto o piso de pedra e passou pela segunda porta... nesgas de luz danavam nas paredes e no cho, e ele ouvia aquela estranha crepitao mecnica, mas no tinha tempo para investigar, precisava se apressar...
Correu a pequena distncia que faltava para a terceira porta, que se abriu tal como as outras...
Mais uma vez chegou  sala do tamanho de uma catedral, cheia de prateleiras e esferas de vidro... seu corao batia muito rpido agora... ia chegar l desta vez... quando alcanou o nmero noventa e sete, virou  esquerda e continuou apressado pelo corredor entre as estantes...
Mas havia uma forma bem no finzinho, uma forma escura que se movia pelo cho como um animal ferido... o estmago de Harry se contraiu de medo... de excitao...
Uma voz saiu de sua prpria boca, uma voz aguda, fria, sem nenhum calor humano...
 - Apanhe-a para mim... erga-a, agora... no posso toc-la... mas voc pode...
A forma escura no cho moveu-se um pouco. Harry viu uma mo branca de longos dedos empunhando uma varinha erguer-se na ponta do seu brao... ouviu a voz aguda e fria dizer "Crucio!
O homem no cho soltou um berro de dor, tentou se levantar, mas caiu em contores. Harry ria. Ergueu a varinha, a maldio foi retirada, e a figura gemeu e se imobilizou.
 - Lord Voldemort est esperando...
Muito lentamente, com os braos tremendo, o homem no cho ergueu os ombros alguns centmetros e em seguida o rosto. Estava manchado de sangue e magro, contorcido de dor, contudo, rgido de rebeldia...
 - Voc ter de me matar - sussurrou Sirius.
 - Sem dvida  o que farei quando terminar - disse a voz fria. Mas primeiro voc a apanhar para mim, Black... voc acha que sentiu dor at agora? Pense outra vez... temos horas  nossa frente e ningum para ouvir os seus gritos...
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Mas algum gritou quando Voldemort tornou a baixar a varinha; algum berrou e escorregou pelo lado de uma mesa quente para o cho de pedra frio; Harry acordou ao bater no cho, ainda berrando, sua cicatriz em fogo, enquanto o Salo Principal explodia a seu redor.
CAPTULO TRINTA E DOIS -".
De mal a pior
 - No vou... No preciso de ala hospitalar... No quero...
Harry balbuciava ao mesmo tempo que tentava se desvencilhar do Prof. Tofty, que o observava muito preocupado depois de ajud-lo a andar at o Saguo de Entrada sob os olhares de todos os estudantes.
 - Estou... estou timo - gaguejou Harry, enxugando o suor do rosto. - Verdade... eu s adormeci... tive um pesadelo...
 - A presso dos exames! - disse o velho bruxo simpaticamente, dando palmadinhas trmulas no ombro do garoto. - Acontece, meu rapaz, acontece! Agora, uma bebida refrescante, e talvez voc possa voltar ao Salo Principal? O exame est quase terminando, mas voc talvez consiga concluir satisfatoriamente a ltima pergunta?
 - Sim - respondeu Harry sem pensar. - Quero dizer... no... j fiz... fiz tudo que pude, acho...
 - Muito bem, muito bem - disse o velho bruxo gentilmente. Ento vou recolher o seu exame e sugiro que v se deitar um pouco.
 - vou fazer isso - disse Harry, acenando a cabea com vigor. Muitssimo obrigado.
No segundo que os calcanhares do velho desapareceram pela porta do Salo Principal, Harry subiu correndo a escadaria de mrmore, precipitou-se pelos corredores com tal velocidade que os retratos pelos quais passava resmungavam censuras, subiu outras tantas escadas e finalmente irrompeu como um furaco pelas portas duplas da ala hospitalar, fazendo Madame Pomfrey - que estava levando uma colher com um lquido azul  boca de Montague - gritar assustada.
 - Potter, que  que voc pensa que est fazendo?
 - Preciso ver a Prof McGonagall - ofegou Harry, a respirao ferindo seus pulmes. - Agora...  urgente!
 - Ela no est aqui, Potter - respondeu a enfermeira tristonha. Foi transferida para o St. Mungus hoje de manh. Quatro Feitios Estuporantes no peito na idade dela?  de admirar que no tenha morrido!
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 - Ela... no est? - exclamou Harry chocado.
A sineta tocou do lado de fora da enfermaria e ele ouviu o ronco distante habitual, os estudantes saindo para os corredores acima e abaixo da ala. Ele ficou muito quieto, olhando Madame Pomfrey. O terror invadiu-lhe o peito.
No havia mais ningum a quem contar, Dumbledore se fora, Hagrid se fora, mas sempre podia contar que a Prof McGonagall estivesse l, irascvel e inflexvel, talvez, mas sempre confivel, concretamente presente...
 - No me admiro que voc esteja chocado, Potter - disse Madame Pomfrey, com uma espcie de feroz aprovao no rosto. Como se algum deles pudesse ter estuporado Minerva McGonagall de frente,  luz do dia! Covardia,  o que foi... covardia desprezvel... se eu no estivesse preocupada com o que aconteceria com os estudantes sem mim, eu me demitiria em protesto.
 - Sim, senhora - concordou Harry sem pensar.
E saiu s cegas da ala hospitalar para o corredor apinhado onde parou, empurrado pela multido, o pnico se expandindo dentro dele como um gs venenoso fazendo sua cabea girar e impedindo-o de pensar no que fazer...
Ron e Hermione, disse uma voz em sua cabea.
Recomeou a correr, empurrando os estudantes para os lados, surdo aos seus protestos indignados. Tornou a descer correndo dois andares e j estava no alto da escadaria de mrmore quando viu os amigos que vinham apressados em sua direo.
 - Harry! - chamou Hermione na mesma hora, parecendo muito assustada. - Que aconteceu? Voc est bem? Est doente?
 - Onde voc esteve? - quis saber Ron.
 - Venham comigo - disse Harry depressa. - Depressa, tenho de falar uma coisa para vocs.
Ele os levou para o corredor do primeiro andar, espiando pelos portais, e finalmente encontrou uma sala de aula vazia em que mergulhou, fechando a porta logo que Ron e Hermione entraram, e se apoiou na porta para encarar os amigos.
 - Voldemort pegou Sirius. 
 - Qu? 
; -1 - Como  que voc...? 
 - Vi. Agorinha. Quando adormeci no exame.
 - Mas... onde? Como? - perguntou Hermione, cujo rosto estava branco.
 - No sei como - falou Harry. - Mas sei exatamente onde. Tem uma sala no Departamento de Mistrios cheia de estantes com
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pequenas esferas de vidro, e eles esto no fim do corredor noventa e sete... ele est tentando usar Sirius para apanhar alguma coisa que quer l de dentro... est torturando ele... diz que quando terminar vai mat-lo!
Harry achou que sua voz estava tremendo, como seus joelhos, Foi at uma carteira e se sentou, tentando se controlar. 
 - Como  que vamos chegar l? - perguntou aos amigos.
; Fez-se um momento de silncio. Ento Ron perguntou 
 - Ch-chegar l?
 - Chegar ao Departamento de Mistrios para poder salvar Sirius!
 - disse Harry em voz alta.
 - Mas... Harry... - disse Ron com 
a voz fraca. 
 - Qu? Qu? - exclamou Harry. 
No conseguia entender por que os dois estavam boquiabertos
como se ele estivesse lhes pedindo alguma coisa irracional.
 - Harry - disse Hermione com a voz muito assustada - ah... como... como foi que Voldemort entrou no Ministrio da Magia sem ningum perceber a presena dele?
 - Como  que eu vou saber? - urrou Harry. - A questo  como ns vamos entrar l!
 - Mas... Harry, pense - disse Hermione, chegando mais perto dele - so cinco horas da tarde... o Ministrio da Magia deve estar cheio de funcionrios... como  que Voldemort e Sirius entraram l sem serem vistos? Harry... eles so provavelmente os dois bruxos mais procurados do mundo... voc acha que poderiam entrar em um prdio cheio de Aurores sem ningum perceber?
 - Eu no sei, Voldemort usou uma Capa da Invisibilidade ou qualquer outra coisa! - gritou Harry. - De qualquer maneira, o Departamento de Mistrios sempre esteve completamente vazio nas vezes que estive...
 - Voc nunca esteve l, Harry - disse Hermione com a voz calma. - Voc sonhou com aquele lugar, foi s.
 - No so sonhos normais! - gritou Harry para ela, se levantando e por sua vez se aproximando mais dela. Tinha vontade de sacudila. - Como  que voc explica, ento, o pai de Ron, o que foi aquilo, como  que eu soube o que tinha acontecido a ele?
 - Ele tem razo - disse Ron baixinho, olhando para Hermione.
 - Mas isto  simplesmente... simplesmente to improvvell - disse Hermione desesperada. - Harry como  que Voldemort poderia ter pegado Sirius se ele tem ficado o tempo todo no largo Grimmauld?
 - Sirius pode ter pirado e tido vontade de tomar um ar fresco -
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disse Ron, parecendo preocupado. - Est desesperado para sair daquela casa h sculos...
 - Mas por que - insistiu Hermione - Voldemort iria querer usar Sirius para apanhar a arma, ou seja l o que for a tal coisa?
 - No sei, haveria um monte de razes! - berrou Harry. - Vai ver Sirius  s algum que Voldemort no se importa de ferir...
 - Sabe de uma coisa, acabou de me ocorrer - disse Ron aos sussurros. - O irmo de Sirius no era um Comensal da Morte? Talvez tenha contado a Sirius o segredo para conseguir a arma!
 - ... e  por isso que Dumbledore tem insistido tanto em manter o Sirius trancado o tempo todo! - disse Harry.
 - Olhe, sinto muito - exclamou Hermione - mas nenhum de vocs dois est fazendo sentido, e no temos provas de nada disso, nem mesmo uma prova de que Voldemort e Sirius estejam l...
 - Hermione, Harry viu os dois! - disse Ron, se voltando para ela.
 - OK - disse a garota, parecendo assustada, mas decidida. - Mas tenho que lhe dizer uma coisa...
 - O qu?
 - Voc... e isto no  uma crtica, Harry! Mas voc tem... meio que... quero dizer... voc no acha que tem um pouco a... a... mania de salvar as pessoas"?
Harry lanou a Hermione um olhar feroz.
 - E o que quer dizer com "mania de salvar as pessoas"?
 - Bom... voc... - ela parecia mais apreensiva que nunca. Quero dizer... no ano passado, por exemplo... no lago... durante o Torneio... voc no devia... quero dizer, voc no precisava salvar a menininha Delacour... voc se... se empolgou um pouco...
Uma onda de raiva quente e incmoda percorreu o corpo de Harry; como  que Hermione podia lembr-lo dessa mancada agora?
 - Quero dizer, foi realmente legal de sua parte e tudo - acrescentou Hermione depressa, parecendo positivamente petrificada com a expresso no rosto de Harry - todos acharam que foi um gesto maravilhoso...
 - Que engraado - disse Harry com a voz trmula - porque me lembro com certeza de ter ouvido Ron dizer que perdi tempo bancando o heri...  isso que voc acha que ? Voc supe que eu queira agir como heri outra vez?
 - No, no, no! - disse Hermione, estupefata. - Eu no quis dizer nada disso!
 - Bom, ento desembucha logo o que voc quer dizer, porque estamos perdendo tempo aqui! - gritou Harry.
 - Estou tentando dizer Voldemort conhece voc, Harry! Ele
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levou Giny para a Cmara Secreta para atra-lo,  o tipo de coisa que ele faz, ele sabe que voc ... uma pessoa que iria em socorro de Sirius! E se agora estiver s tentando atrair voc ao Departamento de Mist...?
 - Hermione, no faz diferena se ele fez isso para me atrair ou no, levaram McGonagall para o St. Mungus, no restou ningum da Ordem em Hogwarts a quem a gente possa contar nada, e se no formos, Sirius morre!
 - Mas Harry... e se o seu sonho foi... foi apenas isso um sonho? 
Harry deixou escapar um urro de frustrao. Hermione chegou
a recuar para longe, assustada.
 - Voc no est entendendo! - gritou Harry para ela. - No estou tendo pesadelos, no estou apenas sonhando! Para que voc acha que foi toda aquela Oclumncia, por que voc acha que Dumbledore queria me impedir de ver essas coisas? Porque elas so REAIS, Hermione Sirius caiu em uma armadilha, eu vi. Voldemort o pegou, e mais ningum sabe disso, o que significa que somos os nicos que podemos salv-lo, e se voc no quiser me acompanhar, timo, mas eu vou, entendeu? E se me lembro corretamente, voc no fez nenhuma objeo  minha mania de salvar pessoas quando eu estava salvando voc dos Dementadores ou - e se virou para Ron - quando eu estava salvando sua irm do basilisco...
 - Eu nunca disse que fazia objeo! - replicou Ron, indignado.
 - Mas, Harry, voc acabou de dizer - lembrou Hermione zangada - Dumbledore queria que voc aprendesse a fechar sua mente a essas vises, e se voc tivesse aprendido Oclumncia direito nunca teria visto nada.
 - SE VOC ACHA QUE EU vou AGIR COMO SE NO TIVESSE VISTO...
 - Sirius lhe disse que no havia nada mais importante do que aprender a fechar sua mente!
 - BOM, ACHO QUE ELE DIRIA OUTRA COISA SE SOUBESSE O QUE AC ABEI DE...
A porta da sala de aula se abriu. Harry Ron e Hermione se viraram depressa. Giny entrou, curiosa, acompanhada por Luna que, como sempre, parecia que fora parar ali por acaso.
 - Oi - disse Giny, insegura. - Reconhecemos a voz de Harry. Por que  que voc est gritando?
 - No  da sua conta - respondeu Harry grosseiramente. i. Giny ergueu as sobrancelhas.
 - No precisa usar esse tom de voz comigo - disse tranqila. -Eu s pensei que talvez pudesse ajudar... 

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 - Pois no pode - respondeu ele secamente.
 - Voc est sendo muito grosseiro, sabe? - disse Luna com serenidade.
Harry disse um palavro e deu as costas. A ltima coisa que ele queria agora era conversar com Luna Lovegood.
 - Espere - disse Hermione de repente. - Espere... Harry, elas podem ajudar.
Harry e Ron olharam para Hermione.
 - Escute - disse ela com urgncia. - Harry, precisamos determinar se Sirius realmente deixou a sede.
 - Eu j lhe disse que...
 - Harry, estou lhe suplicando, por favor! - insistiu Hermione desesperada. - Por favor, vamos verificar se Sirius est em casa antes de sair correndo para Londres. Se descobrirmos que ele no est l, ento juro que no vou tentar impedir voc. vou junto, f-farei o que for preciso para tentar salv-lo.
 - Sirius est sendo torturado AGORA! - gritou Harry. - No temos tempo a perder.
 - Mas se isso for um truque de Voldemort, Harry, precisamos verificar, simplesmente precisamos.
 - Como? - quis saber Harry. - Como  que vamos verificar?
 - Teremos de usar a lareira da Umbridge e ver se conseguimos falar com ele - disse Hermione, que agora parecia decididamente aterrorizada com sua idia. - Vamos afastar Umbridge da sala outra vez, precisaremos de vigias, e  a que podemos usar Giny e Luna.
 - Ns faremos. - Embora fosse visvel que Giny se esforava para entender o que estava acontecendo, ela concordou imediatamente.
 - Quando voc diz "Sirius", voc est se referindo ao Toquinho Boardman? - disse Luna.
Ningum lhe respondeu.
 - OK - disse Harry agressivamente a Hermione. - OK, se voc puder pensar em um jeito de fazer isso rpido, estou com voc, do contrrio estou indo para o Departamento de Mistrios agora mesmo.
 - O Departamento de Mistrios? - perguntou Luna, parecendo ligeiramente surpresa. - Mas como  que voc vai chegar l?
De novo, Harry a ignorou.
 - Certo - disse Hermione, torcendo as mos e andando para cima e para baixo entre as carteiras. - Certo... bom... um de ns tem de ir procurar a Umbridge e despach-la na direo oposta, para mant-la afastada da sala dela. Podiam dizer... sei l... que Pives est fazendo alguma barbaridade como sempre...
 - Farei isso - disse Ron na mesma hora. - Direi que Pives est
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destruindo o departamento de Transfigurao ou outra coisa qualquer que fique a quilmetros do escritrio dela. Pensando bem, eu provavelmente poderia convencer Pives a fazer isso se o encontrasse pelo caminho.
Foi um sinal da gravidade da situao que Hermione no fizesse objees a destruir o departamento de Transfigurao.
 - OK - disse a garota, a testa enrugada, enquanto continuava a andar para l e para c. - Agora precisamos afastar imediatamente os estudantes da sala da Umbridge enquanto foramos a entrada, ou algum aluno da Slytherin vai acabar informando 
a ela.
 - Luna e eu podemos ficar uma em cada ponta do corredor disse Giny prontamente - e avisar s pessoas para no descerem at l porque algum soltou uma carga de Gs Garroteante. - Hermione pareceu surpresa com a rapidez com que Giny inventara essa mentira; a garota encolheu os ombros e disse - Fred e George estavam planejando fazer isso antes de ir embora.
 - OK - concordou Hermione. - Bom, ento, Harry, voc e eu vamos usar a Capa da Invisibilidade e entrar na sala da Umbridge, e voc pode falar com o Sirius.
 - Ele no est l, Hermione!
 - Quero dizer, voc pode... pode verificar se Sirius est ou no em casa enquanto eu vigio, acho que voc no devia ficar na sala sozinho. Linus j provou que a janela  um ponto fraco, mandando aqueles pelcios por l.
Mesmo em sua raiva e impacincia, Harry reconheceu no oferecimento de Hermione para acompanh-lo  sala da Umbridge um sinal de solidariedade e lealdade.
 - Eu... OK, obrigado - murmurou.
 - Certo, bom, mesmo se fizermos tudo isso, acho que no vamos poder contar com mais de cinco minutos - disse Hermione, com um ar de alvio ao ver que Harry parecia ter aceitado o plano - no com o Filch e a maldita Brigada Inquisitorial soltos pelos corredores.
 - Cinco minutos sero suficientes - disse Harry. - Vamos andando, ento...
 - Agora? - exclamou Hermione, parecendo chocada.
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 - Claro que  agora! - disse Harry, zangado. - Que  que voc pensou, que amos esperar at depois do jantar ou outra hora qualquer? Hermione, Sirius est sendo torturado neste momentol
 - Eu... ah, tudo bem - disse a garota, desesperada. - Vai apanhar a Capa da Invisibilidade e encontraremos voc no fim do corredor da Umbridge, OK?
Harry no respondeu, precipitou-se para fora da sala e comeou
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a abrir caminho pela multido que transitava ali. Dois andares acima ele encontrou Seamus e Dean, que o cumprimentaram jovialmente e avisaram que estavam programando uma comemorao do fim dos exames, do anoitecer ao alvorecer, na sala comunal. Harry mal ouviu o que diziam. Trepou pelo buraco do retrato enquanto eles continuavam a discutir quantas cervejas amanteigadas do mercado negro iriam precisar e j estava de volta trazendo a Capa da Invisibilidade e o canivete de Sirius bem guardados na mochila, antes que os colegas notassem que ele os abandonara.
 - Harry, voc quer contribuir com uns dois galees? O Haroldo Dingle calcula que poderia nos vender um pouco de usque de fogo...
Mas Harry j voltava correndo pelo corredor, e uns dois minutos mais tarde saltava as ltimas escadas para se encontrar com Ron, Hermione, Giny e Luna, j agrupados no fim do corredor da Umbridge.
 - Esto comigo - ofegou ele. - Pronta para ir, ento?
 - Vamos - cochichou Hermione, quando passava uma turma de sextanistas barulhentos. - Ento Ron... voc vai despistar a Umbridge... Giny e Luna, podem comear a tirar as pessoas do corredor... Harry e eu vamos pr a Capa da Invisibilidade e esperar at a barra ficar limpa...
Ron se afastou, seus cabelos muito ruivos visveis at o fim do corredor; ao mesmo tempo, a cabea igualmente colorida de Giny subia e descia entre os estudantes que se acotovelavam ao redor, indo na direo oposta, seguida pela cabea loura de Luna.
 - Entre aqui - murmurou Hermione, puxando o pulso de Harry e fazendo-o recuar para um recesso onde a cabea de pedra de um feio bruxo medieval resmungava em um pedestal. - Tem... tem... tem certeza de que voc est OK, Harry? Voc ainda est muito plido.
 - Estou timo - respondeu ele com brevidade, tirando a Capa da Invisibilidade da mochila. Na verdade, a cicatriz estava doendo, mas no to forte que o levasse a pensar que Voldemort j dera em Sirius o golpe fatal; doera muito mais quando Voldemort estava castigando Avery...
Aqui", disse ele; atirou, ento, a capa sobre os dois e ficaram escutando atentamente, apesar dos murmrios em latim do busto do bruxo.
 - Vocs no podem vir por aqui! - Giny gritava para a multido.
 - No, me desculpem, vocs vo ter de dar a volta pela escada giratria, algum soltou Gs Garroteante por aqui...
Eles ouviam as pessoas reclamando; uma voz mal-humorada disse "No estou vendo gs algum.
 -  porque ele  incolor - disse Giny em tom exasperado e convincente - mas se voc quer passar pelo gs, sirva-se, a teremos o seu corpo para provar ao prximo idiota que no acreditar em ns.
Lentamente, a multido se dispersou. A notcia sobre o Gs Garroteante parecia ter se espalhado; as pessoas no estavam mais vindo. Quando finalmente a rea 
circunvizinha ficou deserta, Hermione disse baixinho
 - Acho que isso  o melhor que a gente vai conseguir, Harry, anda, vamos logo.
Eles se adiantaram, cobertos pela capa. Luna estava parada de costas para eles no extremo do corredor. Ao passarem por Giny, Hermione sussurrou
 - Bruxinha... no esquea de dar o sinal.
 - Qual  o sinal? - murmurou Harry, ao se aproximarem da porta de Umbridge.
 - Um coro em altas vozes de "Weasley  nosso rei", se virem a Umbridge se aproximar - respondeu Hermione, enquanto Harry enfiava a lmina do canivete de Sirius na fresta entre a porta e a parede. A fechadura se abriu com um estalo e eles entraram.
Os gatinhes espalhafatosos estavam aproveitando o sol de fim de tarde que aquecia seus pratos, mas, tirando isso, a sala estava silenciosa e desocupada como da ltima vez. Hermione deu um suspiro de alvio.
 - Pensei que ela tivesse reforado as medidas de segurana depois do segundo pelcio.
Eles tiraram a capa; Hermione correu para a janela e ficou escondida, espiando para os terrenos da escola com a varinha na mo. Harry se precipitou para a lareira, agarrou o pote de P de Flu e atirou uma pitada na grade, fazendo irromper as chamas cor de esmeralda. Ajoelhou-se depressa, e disse "Largo Grimmauld, nmero doze!
Sua cabea comeou a girar como se ele tivesse acabado de descer de um carrossel, embora os joelhos continuassem firmemente plantados no cho frio da sala. Harry manteve os olhos bem fechados para proteg-los do redemoinho de cinzas e, quando parou de girar, ele os abriu e deparou com a cozinha longa e fria do largo Grimmauld. 
No havia ningum l. Esperara que isso acontecesse, mas no estava preparado para a onda de medo e pnico que pareceu ter aoitado o seu estmago  vista do aposento deserto
 - Sirius? - gritou. - Sirius, voc est a? 
Sua voz ecoou pelo aposento, mas no houve resposta exceto um
ruidinho de passos  direita do fogo. 
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 - Quem est a? - chamou, em dvida se poderia ser um ratinho.
Kreacher, o elfo domstico, apareceu. Tinha um ar extremamente satisfeito, embora parecesse ter sofrido recentemente graves ferimentos nas duas mos, envoltas em pesadas bandagens.
 -  a cabea do garoto Potter no fogo - Kreacher informou  cozinha vazia, lanando olhares furtivos e estranhamente triunfantes a Harry. - O que ter vindo fazer Kreacher se pergunta? 
 - Onde est Sirius, Kreacher? - indagou Harry.
O elfo domstico deu uma risada asmtica: - O senhor saiu, Harry Potter. . 
 - Aonde  que ele foi? Aonde  que ele foi, Kreacher? 
Kreacher meramente gargalhou.
 - Estou lhe avisando! - disse Harry, consciente de que o espao de que dispunha para castigar o elfo era quase inexistente na presente posio. - E Lupin? Olho-Tonto? Algum deles, tem algum aqui?
 - Ningum aqui a no ser Kreacher - disse o elfo alegremente e dando as costas a Harry se dirigiu lentamente para a porta no fundo da cozinha. - Kreacher acha que vai conversar com a senhora dele agora, sim, h muito tempo que no tem uma chance. O senhor do Kreacher no deixa ele se aproximar da senhora...
 - Aonde  que Sirius foi? - berrou Harry para o elfo. - Kreacher, ele foi para o Departamento de Mistrios?
Kreacher parou de chofre. Harry conseguia divisar apenas sua nuca pelada atravs da floresta de pernas de cadeiras  sua frente.
 - O senhor no diz ao pobre Kreacher aonde vai - respondeu o elfo em voz baixa.
 - Mas voc sabe! - gritou Harry. - No sabe? Voc sabe onde ele est.
Houve um momento de silncio, e ento o elfo soltou uma gargalhada ainda mais alta do que as anteriores.
 - O senhor no vai voltar do Departamento de Mistrios! - disse alegremente. - Kreacher e sua senhora esto outra vez sozinhos!
Ento saiu correndo e desapareceu pela porta do corredor.
-Seu...!
Mas antes que pudesse lanar um nico feitio ou dizer um nico palavro, Harry sentiu uma grande dor no topo da cabea; inspirou uma quantidade de cinzas e, engasgando, sentiu que o puxavam de costas pelas chamas, at que de maneira terrivelmente instantnea ele se viu diante da cara larga e plida da Prof Umbridge, que o arrastara para fora da lareira pelos cabelos e agora virava o seu pescoo para trs at o limite, como se pretendesse cortar sua garganta.
 - Voc acha - sussurrou ela, forando o pescoo do garoto para
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trs, obrigando-o a olhar para o teto - que depois de dois pelcios eu ia deixar mais algum bichinho imundo, comedor de carnia, entrar na minha sala sem o meu conhecimento? Mandei instalar Feitios Sensores de Atividade Furtiva ao redor da minha porta depois do ltimo, seu tolo. Tire a varinha dele - vociferou a diretora para algum que ele no pde ver, e Harry sentiu uma mo tatear o bolso 
superior de suas vestes e apanhar sua varinha. - A dela tambm.
Harry ouviu um rebulio ao lado da porta, e concluiu que tinham acabado de arrancar a varinha da mo de Hermione.
 - Quero saber por que voc est na minha sala - disse Umbridge, sacudindo a mo que agarrava seus cabelos e o fazendo cambalear.
 - Eu estava tentando recuperar a minha Firebolt! - respondeu Harry rouco.
 - Mentiroso. - Ela tornou a sacudi-lo. - Sua Firebolt est sob rigorosa vigilncia nas masmorras, como sabe muito bem, Potter. Voc estava com a cabea metida na minha lareira. Com quem voc esteve se comunicando?
 - Com ningum - disse Harry tentando se desvencilhar. Sentiu vrios fios de cabelo darem adeus  sua cabea.
 - Mentiroso! - gritou Umbridge. Atirou-o para longe e ele bateu na escrivaninha. Dali pde ver Hermione manietada na parede por Emilia Bulstrode. Malfoy estava encostado no parapeito da janela, e sorria afetadamente brincando de atirar a varinha de Harry no ar com uma das mos.
Ouviu-se um tumulto do lado de fora e alguns alunos corpulentos da Slytherin entraram, cada um, por sua vez, segurando, Ron, Giny, Luna e - para perplexidade de Harry - Neville, que, imobilizado por uma gravata de Crabbe, parecia correr o risco iminente de sufocar. Os quatro tinham sido amordaados.
 - Apanhei todos - disse Warrington, empurrando Ron com violncia para dentro da sala. - Aquele ali - e indicou Neville com um dedo grosso - tentou me impedir de apanhar essa outra - e indicou Giny, que tentava chutar as canelas da garotona da Slytherin que a prendia - ento trouxe-o tambm.
 - timo, timo - aprovou Umbridge, observando a resistncia de Giny. - Bom, parece que em breve Hogwarts ser uma zona livre dos Weasley, no?
Malfoy soltou uma risada alta de puxa-saco. Umbridge lanou  menina um sorriso largo e indulgente, e se acomodou em sua poltrona forrada de chintz, piscando para os prisioneiros como um sapo em um canteiro de flor.
 - Ento, Potter, voc colocou vigias ao redor da minha sala e
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mandou esse palhao - ela acenou para Ron, Malfoy riu ainda mais alto - me dizer que o poltergeist estava fazendo uma destruio no departamento de Transfigurao, quando eu sabia muito bem que ele estava ocupado em borrar de tinta as lentes dos telescpios o Sr. Filch acabara de me informar isso.
Pelo visto era muito importante para voc falar com algum. Era Alvo Dumbledore? Ou o mestio Hagrid? Duvido que fosse Minerva McGonagall, soube que continua doente demais para falar.
Malfoy e alguns membros da Brigada Inquisitorial deram mais risadas. Harry descobriu que sentia tanta raiva e tanto dio que estava tremendo.
 - No  de sua conta com quem eu falo - vociferou. O rosto flcido de Umbridge pareceu se contrair.
 - Muito bem - disse em seu tom mais perigoso e falsamente meigo. - Muito bem, Sr. Potter... Ofereci-lhe uma chance de me contar voluntariamente. O senhor a recusou. No me resta alternativa seno for-lo. Draco, v buscar o Prof. Snape.
Malfoy guardou a varinha de Harry no bolso interno das vestes e saiu da sala rindo, mas Harry nem reparou. Acabara de perceber uma coisa; no conseguia acreditar que tivesse sido to burro de esquecla. Pensara que todos os membros da Ordem, todos os que poderiam ajud-lo a salvar Sirius, tivessem partido - mas se enganara. Ainda havia um membro da Ordem da Fnix em Hogwarts - Snape.
Fez-se silncio na sala exceto pela inquietao e o arrastar de ps dos alunos da Slytherin se esforando para conter Ron e os outros. A boca de Ron sangrava no tapete da Umbridge, empenhado que estava em se livrar da chave de nuca que Warrington lhe aplicava; Giny ainda tentava pisar os ps da sextanista que prendia seus braos. O rosto de Neville ia se tornando mais roxo enquanto o garoto fazia fora para se desvencilhar da chave de Crabbe; e Hermione tentava, em vo, jogar Emilia Bulstrode longe. Luna, porm, estava parada e descontrada ao lado do seu captor, olhando distraidamente pela janela, como se a cena a entediasse.
Harry olhou para Umbridge, que o observava com ateno. Mantinha o rosto deliberadamente sem rugas e vazio de expresso, quando ouviram passos no corredor e Draco Malfoy entrou na sala e ficou segurando a porta aberta para Snape passar.
 - A senhora queria me ver, diretora? - disse Snape olhando para os pares de estudantes que se debatiam com uma expresso de completa indiferena. . ..-.
 - Ah, Prof. Snape - disse Umbridge abrindo um grande sorriso
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e se erguendo da mesa. - Sim, gostaria que me desse mais um frasco de Veritaserum, o mais depressa possvel, por favor.
 - A senhora trouxe o meu ltimo frasco para interrogar Potter informou ele, estudando-a calmamente atravs de suas cortinas de cabelos negros oleosos. - Certamente a senhora no o gastou 
todo? Eu a preveni que trs gotas seriam suficientes.
Umbridge corou.
 - O senhor pode preparar mais um pouco, no pode? - perguntou, sua voz mais meiga e mais infantil como sempre acontecia quando estava furiosa.
 - Com certeza - respondeu Snape crispando os lbios. - Leva um ciclo de plenilnio para maturar, portanto eu o terei pronto mais ou menos dentro de um ms.
 - Um ms? - grasnou Umbridge, inchando como um sapo. Um ms? Mas preciso para hoje  noite, Snape! Acabei de encontrar Potter usando a minha lareira para se comunicar com uma pessoa ou pessoas desconhecidas!
 - Srio? - admirou-se Snape, mostrando seu primeiro e plido sinal de interesse e se virando para Harry. - Bom, no me surpreende. Potter jamais manifestou grande respeito pelo regulamento da escola.
Seus olhos frios e escuros perfuraram os de Harry, que sustentou o seu olhar sem piscar, fazendo fora para se concentrar no que vira em seu sonho, desejoso que Snape lesse sua mente e compreendesse...
 - Gostaria de interrog-lo! - gritou Umbridge zangada, e Snape desviou o olhar de Harry, para o rosto furioso e trmulo da diretora.
 - Gostaria que o senhor me fornecesse uma poo que o force a me contar a verdade!
 - Eu j lhe disse - respondeu Snape suavemente - que acabou o meu estoque de Veritaserum. A no ser que a senhora tencione envenenar Potter, e posso lhe garantir que teria a minha solidariedade se fizesse isso, no posso ajud-la. O nico problema  que a maioria dos venenos age com rapidez excessiva e no deixa  vtima muito tempo para contar a verdade.
Snape tornou a olhar para Harry, que retribuiu o olhar, louco para se comunicar sem falar.
Voldemort est com o Sirius no Departamento de Mistrios, pensou ele desesperadamente. Voldemort est com o Sirius...
 - O senhor est em observao! - guinchou Umbridge, e Snape tornou a olh-la, com as sobrancelhas ligeiramente erguidas. - O senhor est sendo deliberadamente imprestvel! Eu esperava mais,
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Lcio Malfoy sempre me fala muitssimo bem do senhor! Agora saia da minha sala!
Snape fez uma curvatura irnica para a diretora e se virou para sair. Harry sabia que a ltima oportunidade de informar  Ordem o que estava acontecendo ia saindo pela porta.
 - Ele tem Pedfood! - gritou. - Tem Pedfood no lugar em que est escondido!
Snape parar com a mo na maaneta da porta.
 - Pedfood! - exclamou a Prof Umbridge, olhando ansiosa de Harry para Snape. - Que  Pedfood? Onde o que est escondido? Que  que ele est dizendo, Snape?
Snape se virou para Harry. Seu rosto estava inescrutvel. O garoto no sabia dizer se ele entendera, mas no ousava falar mais claramente na presena de Umbridge.
 - No fao idia - respondeu o professor com frieza. - Potter, quando eu quiser que voc grite bobagens, lhe darei uma Poo da Incoerncia. E Crabbe, afrouxe o seu golpe um pouco. Se Longbottom sufocar teremos muitos documentos para preencher e receio que serei obrigado a mencionar isso em suas referncias, se algum dia voc se candidatar a um emprego.
Snape fechou a porta com um estalo ao passar, deixando Harry mais perturbado do que antes. O professor fora sua ltima chance. Ele olhou para Umbridge, que parecia estar em situao igual; seu peito arfava de raiva e frustrao.
 - Muito bem - disse a diretora e puxou a varinha. - Muito bem... voc no me deixa alternativa... isto  mais do que um caso de disciplina escolar...  uma questo de segurana ministerial... sim... sim...
Parecia estar querendo se convencer de alguma coisa. Mudava o apoio do corpo nervosamente de um p para o outro, encarando Harry, batendo a varinha na palma da mo vazia e respirando com esforo. Ao observ-la, Harry se sentiu barbaramente impotente sem a prpria varinha.
 - Voc est me obrigando... eu no quero - disse Umbridge, ainda se mexendo inquieta no mesmo lugar - mas s vezes as circunstncias justificam o uso... Tenho certeza de que o ministro entender que no tive escolha...
Malfoy a observava com uma expresso voraz no rosto.
 - A Maldio Cruciatus dever soltar a sua lngua - disse Umbridge em voz baixa.
 - No! - gritou Hermione. - Prof Umbridge isto  ilegal. Mas Umbridge no lhe deu ateno. Tinha uma expresso malig605
na, ansiosa, excitada no rosto que Harry nunca vira antes. Ergueu a varinha.
 - O ministro no iria querer que a senhora desrespeitasse a lei, Prof Umbridge - exclamou Hermione.
 - O que Cornelius no sabe no lhe tira pedao - disse Umbridge, que agora ofegava levemente ao apontar a varinha para uma parte diferente do corpo de Harry de cada vez, aparentemente tentando se decidir onde doeria mais. - Ele nunca soube que mandei Dementadores atrs de Potter no vero passado, mas ainda assim ficou encantado de ter a oportunidade de expuls-lo.
 - Foi a senhora? 
 - admirou-se Harry. - A senhora mandou os Dementadores atrs de mim?
 - Algum tinha de agir - sussurrou Umbridge, a varinha apontada diretamente para a testa de Harry. - Estavam todos se queixando que queriam silenci-lo, desacredit-lo, mas eu fui a pessoa que realmente fez alguma coisa... mas voc conseguiu se livrar, no foi, Potter? Mas no hoje, nem agora. -E inspirando profundamente, ordenou Cruc...
 - NO! - gritou Hermione com a voz entrecortada por trs de Emilia Bulstrode. - No... Harry... teremos de contar a ela!
 - Nem pensar! - berrou Harry, encarando o pedacinho de Hermione que conseguia ver.
 - Teremos, Harry, ela obrigar voc a falar, de... de que adianta? E Hermione comeou a chorar baixinho nas costas das vestes de
Emilia. A garota parou imediatamente de querer esmag-la contra a parede e se afastou com nojo.
 - Ora, ora, ora! - disse Umbridge, com uma expresso triunfante. - A Senhorita Perguntadeira vai nos dar algumas respostas. Vamos, ento, menina, fale!
 - Her... mi... ni... no! - gritou Ron atravs da mordaa. Giny arregalava os olhos para Hermione como se nunca a tivesse
visto antes. Neville, ainda tentando respirar, encarava-a tambm. Mas Harry acabara de reparar em uma coisa. Embora Hermione estivesse soluando desesperadamente com o rosto nas mos, no havia nem sinal de lgrimas.
 - Desculpe... desculpe, gente - disse Hermione. - Mas... no d para agentar...
 - Certo, certo, garota! - disse Umbridge, agarrando Hermione pelos ombros, atirando-a no cadeiro de chintz e se curvando para ela. - Agora, ento... com quem Potter estava se comunicando ainda h pouco? 

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 - Bom - Hermione engoliu em seco, ainda com as mos no rosto - bom, ele estava tentando falar com o Prof. Dumbledore.
Ron congelou, os olhos arregalados; Giny parou de tentar pisar os dedos dos ps de sua captora; e at Luna pareceu meio surpresa. Felizmente, a ateno de Umbridge e seus policiais estava concentrada muito exclusivamente em Hermione para reparar nesses indcios suspeitos.
 - Dumbledore! - exclamou Umbridge ansiosa. - Voc sabe onde Dumbledore est, ento?
 - Bom... no! - soluou Hermione. - Experimentamos o Caldeiro Furado no beco Diagonal e o Trs Vassouras e at o Cabea de Javali...
 - Menina idiota... Dumbledore no vai ficar sentado em um pub com o Ministrio todo  procura dele! - gritou Umbridge, o desapontamento gravado em cada ruga frouxa de seu rosto.
 - Mas... mas precisava contar a ele uma coisa importante! - gemeu Hermione, apertando ainda mais as mos contra o rosto, no, sabia Harry, de aflio, mas para disfarar a contnua ausncia de lgrimas.
 - Ento? - perguntou Umbridge com um sbito arroubo de excitao. - Que  que vocs queriam contar a ele?
 - Ns... ns queramos contar que est p-pronta! - engasgou-se Hermione.
 - Que  que est pronta! - Umbridge exigiu saber, e tornou a agarrar Hermione pelos ombros e a sacudi-la de leve. - Que  que est pronta, menina?
 - A... a arma.
 - Arma? Arma? - repetiu Umbridge, e seus olhos saltaram de excitao. - Vocs estiveram pesquisando algum mtodo de defesa? Uma arma que poderiam usar contra o Ministrio? Por ordem do Prof. Dumbledore,  claro.
 - S-s-im - ofegou Hermione - mas ele teve de partir antes de terminar, e ag-g ora terminamos e no c-c-conseguimos encontr-lo p-p-para avisar!
 - Que tipo de arma ? - perguntou Umbridge asperamente, suas mos curtas ainda apertando os ombros de Hermione.
 - No sabemos r-r-realmente - disse Hermione fungando alto. S f-f-fizemos o que o P-P-Prof. Dumbledore nos disse p-p-para fazer.
Umbridge se endireitou, parecendo exultante. }
 - Me leve at a arma - disse. 
 - No vou mostrar a... eles - disse Hermione com a voz aguda, olhando para os alunos da Slytherin por entre os dedos. 
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 - No cabe a voc impor condies - disse a professora com aspereza.
 - timo - argumentou Hermione, agora soluando, o rosto nas mos. - timo... deixe eles verem, espero que a usem contra a senhora! Na verdade, eu gostaria que a senhora convidasse uma multido para vir ver! S-seria bem feito... ah, eu adoraria que a escola t-toda soubesse onde est e como us-la, e quando a senhora aborrecesse algum, ele poderia d-dar um jeito na senhora!
Essas palavras produziram um forte impacto em Umbridge ela olhou com rapidez e desconfiana para sua Brigada Inquisitorial, seus olhos saltados detendo-se por um momento em Malfoy, que foi lento demais para disfarar a expresso de ansiedade e cobia que apareceu 
em seu rosto.
Umbridge estudou Hermione por outro longo momento, ento falou num tom que claramente pensava ser maternal.
 - Muito bem, querida, ento vamos s voc e eu... e levaremos Potter tambm, est bem? Levante-se agora.
 - Professora - chamou Malfoy ansioso - Prof Umbridge, acho que alguns membros da Brigada deveriam ir com a senhora para cuidar...
 - Eu sou funcionria credenciada do Ministrio, Malfoy, voc acha realmente que no posso cuidar de dois adolescentes sem varinha? - perguntou com rispidez. - De qualquer modo, no me parece que essa arma deva ser vista por alunos. Voc vai ficar aqui at a minha volta garantindo que nenhum desses - ela fez um gesto abarcando Ron, Giny, Neville e Luna - fuja.
 - Certo - disse Malfoy, parecendo ofendido e desapontado.
 - E vocs dois podem ir  minha frente para indicar o caminho disse Umbridge, apontando Harry e Hermione com a varinha. Andem ento. 

CAPTULO TRINTA E TRS
Luta e fuga ,
Harry no fazia idia do que Hermione estava planejando, nem mesmo se teria um plano. Manteve-se meio passo atrs dela enquanto seguiam pelo corredor da sala de Umbridge, sabendo que pareceria muito suspeito se ele desse a impresso de no saber aonde iam. No se atreveu a falar com a amiga; Umbridge estava to colada s suas costas que era possvel ouvir sua respirao descompassada.
Hermione,  frente, desceu as escadas para o Saguo de Entrada, o vozerio e o estrpito dos talheres nos pratos ecoavam pelas portas abertas do Salo Principal - parecia a Harry inacreditvel que a uns seis metros de distncia as pessoas saboreassem o jantar, comemorando o fim dos exames, sem a menor preocupao...
Hermione passou direto do saguo para os degraus de pedra e o ar clido da noite. O sol agora estava se pondo em direo s copas das rvores na Floresta Proibida e, enquanto Hermione atravessava deliberadamente o gramado - Umbridge quase correndo para acompanh-la - suas sombras escuras, longas como capas, ondulavam pela grama  sua passagem.
 - Est escondida na cabana de Hagrid? - perguntou Umbridge ansiosa ao ouvido de Harry.
 - Claro que no - respondeu Hermione em tom irnico - Hagrid poderia dispar-la sem querer.
 - E mesmo - concordou Umbridge, cuja excitao parecia crescer. - Ele teria feito isso,  claro, o mestio retardado.
Ela riu. Harry sentiu um forte impulso de se virar e agarr-la pelo pescoo, mas resistiu. Sua cicatriz latejava no ar ameno da noite, mas ainda no queimara em brasa, como sabia que iria acontecer quando Voldemort se preparasse para atacar.
 - Ento... onde est? - perguntou Umbridge, com um qu de incerteza na voz, pois Hermione continuava a rumar decidida para a Floresta.
 - L dentro,  claro - respondeu a garota, apontando para as rvo609
rs escuras. - Tinha de ficar em algum lugar onde os estudantes no a encontrassem por acaso, no  mesmo?
 - Naturalmente - concordou Umbridge, embora parecesse agora um pouco apreensiva. - Naturalmente... muito bem ento... vocs dois se mantenham  minha frente.
 - Podemos ficar com a sua varinha, ento, se vamos na frente? perguntou Harry.
 - No, acho que no, Sr. Potter - respondeu ela meigamente, espetando as costas do garoto com a varinha. - Receio que o Ministrio d mais valor  minha vida do que  sua.
Quando alcanaram a sombra fresca das primeiras rvores, Harry tentou captar a ateno de Hermione; caminhar pela Floresta sem varinhas parecia-lhe a coisa mais imprudente que eles j tinham feito at aquela noite. Ela, no entanto, apenas lanou um olhar desdenhoso a Umbridge e mergulhou entre as rvores, andando com tanta rapidez que a professora, com suas pernas mais curtas, teve dificuldade em acompanh-la.
 - E muito para 
dentro? - perguntou Umbridge a Hermione, quando suas vestes se prenderam e rasgaram em um espinheiro.
 - Ah, , est muito bem escondida.
As apreenses de Harry aumentaram. Hermione no tomou a trilha que haviam seguido para visitar Grope, mas a que ele tomara trs anos antes para ir  toca do monstro Aragogue. A amiga no estava em sua companhia na ocasio, e ele duvidou que Hermione tivesse idia do perigo que os aguardava no fim da trilha.
 - Ah... voc tem certeza de que estamos no caminho certo? perguntou Umbridge incisivamente.
 - Ah, tenho - respondeu a garota com firmeza, pisando no mato rasteiro e produzindo o que ele julgou ser um barulho desnecessrio. Atrs deles, Umbridge tropeou numa arvoreta cada. Nenhum dos dois parou para ajud-la a se levantar; Hermione meramente continuou o caminho, avisando em voz alta por cima do ombro. -  um pouco mais adiante!
 - Hermione fale baixo - murmurou Harry, apressando o passo para alcan-la. - Qualquer coisa poderia estar nos ouvindo aqui.
 - Quero que nos ouam - respondeu ela em voz baixa, enquanto Umbridge corria com estardalhao atrs deles. - Voc vai ver...
Eles continuaram a caminhar por um tempo aparentemente longo, at penetrarem mais uma vez to profundamente na Floresta que a abbada de rvores bloqueava toda a claridade. Harry teve a mesma sensao que j experimentara antes na Floresta, a de que estavam sendo vigiados por olhos invisveis. 

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 - Quanto falta ainda? - perguntou Umbridge, zangada.
 - No muito agora! - gritou Hermione, ao sarem em uma clareira escura e mida. - S mais um pouquinho...
Uma flecha voou pelo ar e caiu com um impacto ameaador pouco acima da cabea da garota. O ar se encheu repentinamente com o rudo de cascos; Harry sentiu o cho da Floresta tremer; Umbridge soltou um gritinho e o empurrou para a frente dela como um escudo...
Ele se desvencilhou e se virou. Uns cinqenta centauros emergiram de todos os lados, seus arcos erguidos e armados apontando para Harry, Hermione e Umbridge. Os trs recuaram lentamente para o centro da clareira, enquanto Umbridge balbuciava estranhos gemidos de terror. Harry olhou de esguelha para Hermione. Ela exibia um sorriso triunfante.
 - Quem  voc? - perguntou uma voz.
Harry olhou para a esquerda. O corpo castanho do centauro chamado Magorian destacava-se do crculo em direo a eles; seu arco, como o dos outros, estava erguido.  direita de Harry, Umbridge ainda gemia, sua varinha tremendo violentamente apontada para o centauro que avanava.
 - Eu perguntei quem  voc, humana - tornou a perguntar Magorian com aspereza.
 - Sou Dolores Umbridge! - respondeu ela, em tom agudo e aterrorizado. - Subsecretria snior do ministro da Magia, diretora e Alta Inquisidora de Hogwarts!
 - A senhora  do Ministrio da Magia? - confirmou Magorian, enquanto muitos centauros no crculo ao redor se moveram inquietos.
 - Exatamente! - disse ela, elevando a voz. - Ento, tenha cuidado! Pelas leis baixadas pelo Departamento para Regulamentao e Controle das Criaturas Mgicas, qualquer ataque de mestios como vocs a um humano...
 - Do que foi que a senhora nos chamou? - gritou um centauro negro com ar feroz em quem Harry reconheceu Ronan. Ouviramse muitos murmrios indignados e arcos esticando a toda volta.
 - No se refira a eles assim! - disse Hermione furiosa, mas Umbridge no pareceu t-la ouvido. Ainda apontando a varinha trmula para Magorian, continuou
 - A Lei Quinze B diz claramente que "qualquer ataque de uma criatura mgica presumivelmente dotada de inteligncia quase humana, e portanto responsvel por seus atos...
 - Inteligncia quase humana? - repetiu Magorian, ao mesmo tempo que Ronan e os outros rugiam de raiva e pateavam o cho. 611
Consideramos isso uma grande ofensa, humana! Nossa inteligncia, felizmente, supera em muito a sua.
 - Que  que a senhora est fazendo em nossa Floresta? - bradou um centauro cinzento de rosto severo, que Harry e Hermione tinham visto na ltima ida. - Por que est aqui?
 - Sua Floresta? - exclamou Umbridge, tremendo agora no somente de medo mas, ao que parecia, de indignao. - Gostaria de lembrar que vocs vivem aqui porque o Ministrio da Magia permite que ocupem certas reas de terra...
Uma flecha passou voando 
to perto de sua cabea que prendeu uns fios dos seus cabelos cor de rato; ela soltou um berro de furar os tmpanos e levou as mos  cabea, enquanto alguns centauros apoiavam o ataque aos gritos e outros riam estridentemente. O som de suas risadas ferozes e relinchantes a ecoar pela clareira sombria e a viso de suas patas batendo no cho eram extremamente assustadores.
 - De quem  a Floresta agora, humana? - berrou Ronan.
 - Mestios imundos! - gritou Umbridge, as mos ainda apertando a cabea. - Feras! Animais descontrolados!
 - Fique quieta! - gritou Hermione, mas foi tarde demais Umbridge apontou a varinha para Magorian e ordenou "Incarcerous!
Cordas voaram pelo ar como grossas cobras, enrolando-se firmemente no tronco do centauro e prendendo seus braos ele soltou um grito de fria e se empinou nas patas traseiras, tentando se libertar, enquanto os outros centauros atacavam.
Harry agarrou Hermione e puxou-a para o cho; de cara no cho da Floresta, ele conheceu um momento de terror enquanto os cascos estrondavam ao seu redor, mas os centauros saltavam por cima e em volta dos garotos, berrando e gritando encolerizados.
 - No! - ele ouviu Umbridge gritar. - No... sou subsecretria snior... vocs no podem me larguem, seus animais... no!
Harry viu um lampejo vermelho e percebeu que ela tentara estuporar um deles; ento Umbridge gritou muito alto. Erguendo a cabea alguns centmetros, Harry viu que fora agarrada por trs por Ronan e guindada para o alto, esperneando e gritando de medo. Sua varinha caiu no cho, e o corao de Harry deu um salto. Se ao menos pudesse alcan-la...
Mas, quando esticou a mo para a varinha, o casco de um centauro desceu sobre o objeto e partiu-o exatamente no meio.
 - Agora! - rugiu uma voz no ouvido de Harry, e um brao grosso e peludo o ps em p. Hermione tambm foi levantada. Por cima das costas e cabeas coloridas dos centauros que arremetiam, Harry
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viu Umbridge ser carregada entre as rvores por Ronan. Gritando sem parar, sua voz foi se distanciando at que j no podiam ouvi-la com o barulho dos cascos na clareira.
 - E esses aqui? - perguntou o centauro cinzento de expresso dura que segurava Hermione.
 - So jovens - disse uma voz lenta e pesarosa atrs de Harry. No atacamos filhotes.
 - Eles a trouxeram aqui, Ronan - replicou o centauro que segurava Harry firmemente. - E no so to filhotes...  quase adulto, este aqui.
Ele sacudiu Harry pelo colarinho das vestes.
 - Por favor - pediu Hermione sem flego - no nos ataquem, no pensamos como ela, no somos funcionrios do Ministrio da Magia! S viemos para c porque tnhamos esperana de que vocs a afugentassem.
Harry percebeu imediatamente, pela expresso no rosto do centauro cinzento que segurava Hermione, que ela cometera um terrvel engano ao dizer isso. O centauro cinzento jogou a cabea para trs, as pernas traseiras bateram furiosamente, e ele bradou
 - Est vendo, Ronan? Eles j tm a arrogncia da espcie! Ento era para ns fazermos o seu trabalho sujo, era, menina humana? Era para agirmos como seus criados, afugentarmos seus inimigos como ces obedientes?
 - No! - negou Hermione com um guincho de terror. - Por favor... no quis dizer isso! S tive esperana que vocs talvez pudessem nos... ajudar.
Mas ela parecia estar indo de mal a pior.
 - No ajudamos humanos! - vociferou o centauro que segurava Harry, apertando-o e ao mesmo tempo empinando um pouco, fazendo os ps do garoto sarem momentaneamente do cho. - Somos uma raa  parte e temos orgulho disso. No iremos permitir que vocs saiam daqui se gabando que cumprimos suas ordens!
 - No vamos dizer nada disso! - gritou Harry. - Sabemos que no fizeram o que fizeram porque queramos que fizessem...
Mas ningum parecia escut-lo.
Um centauro barbudo mais ao fundo da aglomerao gritou
 - Eles vieram sem ser convidados, precisam arcar com as conseqncias!
Suas palavras foram recebidas com um rugido de aprovao, e um centauro pardo gritou
 - Eles podem se juntar  mulher! 
 - Vocs disseram que no feriam inocemtes! "gritou Hermione,
lgrimas verdadeiras agora escorrendo pelo rosto. - No fizemos nada para agredi-los, no usamos varinhas nem ameaas, s queremos voltar para a escola, por favor nos deixem ir...
 - No somos todos como o traidor Firenze, menina humana! gritou o centauro cinzento, recebendo mais aplausos dos companheiros. - Talvez voc achasse que ramos belos cavalos falantes? Somos um povo antigo que no vai tolerar invases nem insultos de bruxos! No reconhecemos suas leis, no aceitamos sua superioridade, somos...
Mas eles no ouviram o que mais seriam os centauros, pois naquele momento ouviu-se um estrondo na orla da clareira to poderoso que todos, Harry e Hermione e os 
cinqenta e tantos centauros que ali estavam se viraram. O centauro de Harry deixou-o cair no cho e suas mos voaram para o arco e a aljava de flechas. Hermione fora largada tambm, e Harry correu para a amiga na hora em que dois grossos troncos se afastaram sinistramente e pela abertura surgia a figura monstruosa de Grope, o gigante.
Os centauros mais prximos dele recuaram para junto dos que estavam mais atrs; a clareira agora era uma floresta de arcos e flechas preparados para disparar, todas apontando para a cara acinzentada que agora assomava no alto sob a densa abbada de ramos. A boca torta de Grope abria-se tolamente; eles viam seus dentes amarelos semelhantes a tijolos brilhando na penumbra, seus olhos opacos cor de lama apertados, tentando enxergar as criaturas aos seus ps. Cordas partidas caam dos seus tornozelos.
Ele abriu ainda mais a boca.
 - Hagger.
 	Harry no sabia o que "hagger" significava, ou a que lngua pertencia, nem estava muito interessado; observava os ps de Grope, quase to longos quanto o corpo todo do garoto. Hermione agarrou seu brao com fora; os centauros estavam muito silenciosos, observando o gigante, cuja cabea enorme se movia de um lado para outro, ainda espiando entre eles como se procurasse alguma coisa que tivesse deixado cair.
 - Hagger! - chamou outra vez, com maior insistncia.
 - Saia daqui, gigante! - gritou Magorian. - Voc no  bemvindo entre ns! 
Aparentemente, essas palavras no causaram muita impresso alguma em Grope. Ele se curvou um pouco (os braos dos centauros se retesaram nos arcos), e tornou a berrar 
I
 - HAGGER! 
Alguns centauros agora pareceram preocupados. Hermione, no entanto, ofegou. 

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 - Harry! - sussurrou ela. - Acho que ele est tentando dizer "Hagrid"!
Neste exato momento Grope os avistou, os nicos humanos em um mar de centauros. Baixou a cabea mais um pouco, examinandoos com ateno. Harry sentiu Hermione tremer quando o gigante tornou a escancarar a boca e a dizer, numa voz trmula e grave
 - Hermi.
 - Nossa - exclamou Hermione, apertando o brao de Harry com tanta fora que o deixava dormente, e parecendo prestes a desmaiar - ele... ele se lembrou!
 - HERMI! - rugiu Grope. - ONDE HAGGER?
 - No sei! - esganiou-se Hermione, aterrorizada. - Desculpe, Grope, no sei!
 - GROPE QUER HAGGER!
O gigante baixou uma das mos macias. Hermione deixou escapar um grito muito alto, correu uns passos para trs e caiu. Sem varinha, Harry se preparou para socar, chutar, morder e o que fosse preciso, quando a mo mergulhou em sua direo e derrubou um centauro branco.
Era o que os centauros estavam esperando os dedos esticados de Grope estavam a menos de meio metro de Harry quando cinqenta flechas voaram pelo ar em direo ao gigante, pontilhando sua caraa, fazendo-o uivar de dor e raiva e aprumar o corpo, esfregando a cara com as manzorras, partindo a haste das flechas mas empurrando as pontas mais fundo.
Ele berrou e bateu os ps no cho, e os centauros saram de sua frente correndo; gotas de sangue do tamanho de seixos choveram sobre Harry enquanto ele ajudava Hermione a se levantar, e os dois correram o mais depressa que puderam para o abrigo das rvores. Olharam uma vez para trs; Grope tentava agarrar os agressores s cegas, o sangue escorrendo de seu rosto; os centauros bateram em retirada desordenadamente, afastando-se a galope entre as rvores do lado oposto da clareira. Harry e Hermione viram Grope dar outro urro de fria e mergulhar atrs dos centauros, derrubando mais rvores em seu caminho.
 - Ah, no - exclamou Hermione, tremendo tanto que seus joelhos cederam. - Ah, que coisa horrvel. E ele talvez mate todos.
 - Para ser sincero, no estou to preocupado assim - disse Harry com amargura. O rudo dos cascos dos centauros a galope e o do gigante s cegas foram se distanciando. Enquanto Harry procurava ouvi-los, sua cicatriz latejou com fora e uma onda de terror o envolveu. 
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Tinham perdido tanto tempo - estavam ainda mais longe de resgatar Sirius do que quando tivera a viso. No somente Harry conseguira perder a varinha mas os dois se achavam encalhados no meio da Floresta Proibida, sem meios de transporte.
 - Beleza de plano - disse com rispidez para Hermione, precisando extravasar um pouco sua fria. - Realmente uma beleza. Aonde vamos agora?
 - Precisamos voltar ao castelo - respondeu Hermione com a voz dbil.
-At fazermos isso, provavelmente 
Sirius j estar morto! - disse Harry, chutando com raiva uma rvore prxima. Um vozerio agudo irrompeu nas copas das rvores e ele olhou para cima e viu um tronquilho flexionando os longos dedos de gravetos para ele.
 - Bom, no podemos fazer nada sem varinhas - disse Hermione, desconsolada, recomeando a caminhar. - Mas, afinal, Harry, como era exatamente que voc estava planejando chegar a Londres?
 - , era o que estvamos nos perguntando - disse uma voz conhecida s costas dela.
Harry e Hermione se viraram juntos, instintivamente, e espiaram entre as rvores.
Ron apareceu com Giny, Neville e Luna, que caminhavam apressados atrs dele. Todos pareciam um pouco maltratados - havia compridos arranhes na bochecha de Giny; um grande calombo roxo sobre o olho direito de Neville; o lbio de Ron sangrava como nunca - mas pareciam muito satisfeitos com eles mesmos.
 - Ento - disse Ron, afastando um ramo baixo e entregando a varinha de Harry - tem alguma idia?
 - Como foi que vocs conseguiram fugir? - perguntou Harry assombrado, apanhando a varinha estendida.
 - Uns dois Feitios Estuporantes, outro para Desarmar, e Neville executou uma Maldio de Impedimento lindinha - disse Ron descontrado, agora devolvendo a varinha de Hermione. - Mas Giny foi a melhor, ela pegou o Malfoy com uma Maldio para Rebater Sem-forma, foi magnfica, a cara dele ficou toda coberta de coisas enormes e esvoaantes. Ento vimos vocs pela janela andando em direo  Floresta e viemos atrs. Que foi que vocs fizeram com a Umbridge?
 - Foi levada embora - disse Harry. - Por um rebanho de centauros.
 - E eles deixaram vocs aqui? - perguntou Giny, espantada.
 - No, foram afugentados pelo Grope - informou Harry. 
" - Quem  Grope? - perguntou Luna interessada.
 - O irmozinho de Hagrid - disse Ron prontamente. - Isso no
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importa agora. Harry, que foi que voc descobriu na lareira? VocSabe-Quem pegou o Sirius ou...?
 - Pegou - disse Harry, sua cicatriz dando mais uma fisgada dolorosa - e tenho certeza de que Sirius ainda est vivo, mas no vejo como iremos at l ajud-lo.
Todos se calaram, parecendo muito assustados; o problema que os confrontava parecia insolvel
 - Bom, teremos de voar, no? - disse Luna, com o tom mais prximo do prosaico que Harry j a vira usar.
 - Tudo bem - disse Harry irritado, virando-se para a garota. Primeiro, "ns" no vamos fazer nada, se voc est se incluindo no grupo, e, segundo, Ron  o nico que tem uma vassoura que no est guardada por um trasgo de segurana, portanto...
 - Eu tenho vassoura! - lembrou Giny.
 - E, mas voc no vai - disse Ron, zangado.
 - Com licena, mas eu me importo tanto com o que acontece a Sirius quanto vocs! - replicou Giny, endurecendo o queixo e fazendo com que sua semelhana com Fred e George repentinamente se acentuasse.
 - Voc  muito... - comeou Harry, mas Giny o interrompeu com veemncia.
 - Sou trs anos mais velha do que voc era quando enfrentou Voc-Sabe-Quem pela posse da Pedra Filosofal, e fui eu que deixei Malfoy sem ao na sala da Umbridge atacado por papes voadores.
 - , mas...
 - Estivemos todos juntos na AD - disse Neville em voz baixa. A idia era combater Voc-Sabe-Quem, no? E esta  a primeira oportunidade que temos de fazer alguma coisa de verdade - ou ser que aquilo tudo foi uma brincadeira ou o qu?
 - No... claro que no foi... - retrucou Harry impaciente.
 - Ento devamos ir tambm - concluiu Neville com simplicidade. - Queremos ajudar.
 - Certo - apoiou Luna, sorrindo feliz.
O olhar de Ron encontrou o de Harry. Ele sabia que Ron estava pensando o mesmo que ele se tivesse podido escolher algum membro da AD, alm dele, Ron e Hermione para acompanh-lo na tentativa de resgatar Sirius, ele no teria escolhido Giny, Neville nem Luna.
 - Bom, afinal no importa - disse Harry frustrado - porque ainda no sabemos como iremos para l...
 - Pensei que j tivssemos definido isso - falou Luna de modo exasperante. - Vamos voando!
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 - Olhe aqui - disse Ron, mal contendo sua contrariedade - talvez voc possa voar sem uma vassoura mas ns no podemos criar asas sempre que...
 - H outras maneiras de voar alm de vassouras - retorquiu Luna serenamente.
 - Suponho que vamos cavalgar no lombo do Chifre Bofudo ou que nome tenha.
 - Bufadores de Chifre Enrugado no voam - disse Luna com dignidade - mas eles voam, e Hagrid diz que so muito bons para encontrar os lugares que seus cavaleiros esto procurando.
Harry se virou. Parados entre duas rvores, os olhos brancos refulgindo fantasmagricos, havia dois Testrlios, escutando a conversa sussurrada como se entendessem cada palavra.
 -  mesmo! - murmurou Harry, indo em direo aos 
bichos. Eles sacudiram a cabea reptiliana, jogaram para trs as crinas escuras e longas, e o garoto estendeu uma das mos, pressuroso, e deu umas palmadinhas no pescoo reluzente do mais prximo; como  que pde ach-los feios?
 - So aqueles cavalos malucos? - perguntou Ron inseguro, fixando um ponto ligeiramente  esquerda do Testrlio que Harry acariciava. - Aqueles que a gente no pode ver a no ser que algum os fareje antes?
 -  - confirmou Harry.
 - Quantos?
 - S dois.
 - Bom, precisamos de trs - lembrou Hermione, que ainda parecia um pouco abalada, mas ainda assim decidida.
 - Quatro, Hermione - corrigiu Giny trombuda.
 - Acho que na realidade somos seis - falou Luna calmamente, contando-os.
 - No seja idiota, no podemos ir todos! - disse Harry zangado.
 - Olhem, vocs trs - ele apontou para Neville, Giny e Luna - vocs no esto metidos nisso, vocs no...
Eles prorromperam em mais protestos. A cicatriz de Harry deu outra fisgada mais dolorosa. Cada minuto de atraso era precioso; ele no tinha tempo para discutir.
 - OK, timo a escolha  sua - disse secamente - mas, a no ser que encontremos mais Testrlios, vocs no podero...
 - Ah, vo aparecer mais - disse Giny confiante, que, como Ron, estava procurando enxergar na direo oposta, aparentemente pensando que olhava para os cavalos.
 - Por que  que voc acha isso?
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 - Porque, caso vocs no tenham notado, voc e Hermione esto cobertos de sangue - disse ela calmamente - e sabemos que Hagrid atrai Testrlios com carne crua. Provavelmente  por isso que esses dois apareceram.
Naquele momento Harry sentiu um ligeiro puxo em suas vestes e, ao baixar os olhos, viu que o Testrlio mais prximo estava lambendo sua manga mida com o sangue de Grope.
 - Tudo bem, ento - disse ele, pois acabava de lhe ocorrer uma idia luminosa. - Ron e eu vamos levar esses dois e ir andando, e Hermione pode ficar aqui com vocs trs e atrair mais Testrlios...
 - Eu no vou ficar para trs! - falou Hermione furiosa.
 - No precisa - disse Luna sorrindo. - Olhe, vem vindo mais agora... vocs dois devem estar realmente fedendo...
Harry se virou nada menos de seis ou sete Testrlios vinham se aproximando cautelosos entre as rvores, suas grandes asas coriceas bem fechadas junto ao corpo, seus olhos brilhando na escurido. Ele no tinha mais desculpa.
 - Tudo bem - disse aborrecido - cada um pegue o seu e vamos, ento.
CAPTULO TRINTA E QUATRO
O Departamento de Mistrios ' ;
Harry enrolou a mo com firmeza na crina do Testrlio mais prximo, apoiou um p em um toco ali perto e subiu desajeitado no lombo sedoso do cavalo. O bicho no fez objeo, mas virou a cabea, as presas  mostra, e tentou continuar a lamber as vestes do garoto.
Harry descobriu uma maneira de encaixar seus joelhos por trs da juno das asas que o fez se sentir mais seguro, ento olhou para os outros. Neville se guindara para o dorso no Testrlio seguinte e agora tentava passar uma perna curta por cima do animal. Luna j estava em posio, sentada de lado, e ajustava as vestes como se fizesse isso todos os dias. Ron, Hermione e Giny, porm, continuavam imveis no mesmo lugar, boquiabertos, de olhos arregalados.
 - Que foi? - perguntou ele.
 - Como  que voc espera que a gente monte? - perguntou Ron com a voz fraca. - Se no conseguimos ver essas coisas?
 - Ah,  fcil - falou Luna, descendo de boa vontade do seu Testrlio e se encaminhando para Ron, Hermione e Giny. - Venham aqui...
Luna os levou at os outros Testrlios que estavam parados e ajudou os amigos, um a um, a montarem neles. Os trs pareceram extremamente nervosos quando a garota enrolou as mos deles nas crinas dos animais e lhes disse para segurarem com firmeza; depois voltou para a prpria montaria.
 - Isto  loucura - murmurou Ron, passando a mo livre desajeitadamente pelo pescoo do cavalo. - Loucura... se eu ao menos pudesse ver o bicho...
 -  melhor voc desejar que ele continue invisvel - disse Harry sombriamente. - Estamos prontos, ento?
Todos confirmaram, e ele viu cinco pares de joelhos se tensionarem sob as 
vestes.
 -OK.
Harry olhou para a cabea do animal que montava e engoliu em seco. 
<;-rs-i', ;.,-;,./.Hs.x-. .-.-;
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 - Ministrio da Magia, entrada de visitantes, Londres - disse, ento, hesitante.
 - Ah... se souber... aonde ir...
Por um momento o Testrlio de Harry no reagiu; ento, com um movimento amplo que quase o desmontou, abriu as asas; encolheu-se lentamente, e em seguida subiu como um foguete, to rpido e to abruptamente que Harry teve de apertar as pernas e os braos em torno dele para evitar escorregar por suas ancas ossudas. O garoto fechou os olhos e apertou o rosto contra a crina sedosa do cavalo ao romperem pelos ramos mais altos das rvores e sarem voando em direo ao poente vermelho-sangue.
Harry achou que nunca se deslocara com tanta rapidez; o Testrlio passou veloz sobre o castelo, suas grandes asas mal se movendo; o ar frio fustigava o rosto dele; os olhos apertados contra o vento, o garoto olhou para os lados e viu seus cinco companheiros acompanhando-o, cada qual mais achatado possvel sobre o pescoo do Testrlio para se proteger do turbilho de ar produzido pelo bicho.
Sobrevoaram os terrenos de Hogwarts, passaram por Hogsmeade; Harry viu montanhas e vales profundos no solo. Quando a luz do dia comeou a desaparecer, Harry viu surgirem pequenas colees de luzes  medida que passavam sobre outras tantas cidadezinhas, depois uma estrada tortuosa em que um nico carro subia com esforo as montanhas a caminho de casa...
 - Que coisa bizarra! - Harry ouviu Ron berrar indistintamente de algum ponto s suas costas, e ficou imaginando como a pessoa devia se sentir voando em tal velocidade, a tal altura, sem meios visveis de sustentao.
O crepsculo caiu o cu foi mudando para um arroxeado melanclico pontilhado de minsculas estrelas prateadas, e no tardou que apenas as luzes das cidades Muggles indicassem a distncia a que se encontravam do cho, ou a velocidade a que estavam viajando. Os braos de Harry abraavam com fora o pescoo do cavalo como se quisesse v-lo voar ainda mais rpido. Quanto tempo teria decorrido desde que vira Sirius cado no cho do Departamento de Mistrios? Quanto tempo mais seu padrinho poderia resistir a Voldemort? A nica certeza de Harry  que ele no fizera o que o lorde queria, nem morrera, pois estava convencido de que qualquer dos dois desenlaces o faria sentir o jbilo ou a fria de Voldemort perpassando seu prprio corpo, fazendo sua cicatriz queimar to dolorosamente como na noite em que o Sr. Weasley fora atacado.
Eles continuaram avanando pela escurido que se adensava; Harry sentiu o rosto tenso e frio, e, as pernas, dormentes de comprimir com tanta fora os flancos do Testrlio, mas ele no ousava mudar
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de posio para no escorregar... ensurdecera com o ronco do frio vento noturno em suas orelhas, e sua boca estava seca e gelada. Perdera toda noo da distncia que haviam percorrido; toda a sua f estava no animal embaixo dele, 
que continuava a cortar a noite deliberadamente, quase sem bater as asas em seu avano veloz.
Se chegassem tarde demais... 
Ele ainda est vivo, ainda est resistindo, sinto isso... Se Voldemort decidisse que Sirius no ia ceder, Eu saberia...
Seu estmago deu um solavanco; a cabea do Testrlio de repente comeou a apontar para o solo, e Harry chegou a deslizar alguns centmetros pelo pescoo do animal. Estavam finalmente descendo... ele pensou ter ouvido um grito s suas costas e torceu perigosamente o corpo, mas no viu sinal de ningum caindo... sups que, como ele, todos tivessem sentido um choque com a mudana de direo.
E agora fortes luzes cor de laranja iam se tornando maiores e mais redondas por todos os lados; podiam ver os altos dos edifcios, cadeias de faris que lembravam olhos de insetos, quadrados amarelo-claros assinalando as janelas. Subitamente, pareceu a Harry, estavam se precipitando em direo  calada; Harry se agarrou ao Testrlio com as suas ltimas foras, preparando-se para um impacto repentino, mas o cavalo pousou no cho escuro com a leveza de uma sombra e Harry escorregou do seu dorso, espiando a rua ao seu redor, onde a caamba transbordando lixo continuava a uma pequena distncia da cabine telefnica depredada, ambas descoradas  claridade uniforme e laranja dos lampies da rua.
Ron aterrissou um pouco adiante, e imediatamente caiu do Testrlio para a calada.
 - Nunca mais - disse, esforando-se para se erguer. Fez meno de se afastar do cavalo, mas, incapaz de v-lo, colidiu com seus quartos traseiros e quase caiu outra vez. - Nunca, nunca mais... foi a pior...
Hermione e Giny desceram uma a cada lado dele; as duas escorregaram da montaria um pouco mais graciosamente do que Ron, embora com expresses semelhantes de alvio por voltar  terra firme; Neville saltou, tremendo; e Luna desmontou suavemente.
 - Ento, aonde vamos agora? - perguntou ela a Harry num tom corts e interessado, como se tudo aquilo fosse uma curiosa excurso de um s dia.
 - Por aqui. - Ele deu uma palmadinha breve de agradecimento em seu Testrlio, depois conduziu os amigos rapidamente para a cabine telefnica e abriu a porta. - Andem logo! - apressou os que hesitavam.
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Ron e Giny entraram obedientes; Hermione, Neville e Luna se apertaram na cabine atrs deles; Harry deu uma ltima olhada nos Testrlios, agora procurando restos de comida podre na caamba, depois comprimiu-se atrs de Luna.
 - Quem estiver mais prximo do telefone, disque seis dois quatro quatro dois! - disse ele.
Ron discou, seu brao estranhamente dobrado para alcanar o disco; quando este voltou ao ponto inicial, a voz tranqila de mulher ecoou na cabine.
Bem-vindos ao Ministrio da Magia. Por favor, informem seus nomes e o objetivo da visita.
 - Harry Potter, Ron Weasley, Hermione Granger - disse Harry imediatamente - Giny Weasley, Neville Longbottom, Luna Lovegood... estamos aqui para salvar a vida de algum, a no ser que o seu Ministrio possa fazer isso primeiro!
Obrigada", disse a voz tranqila. "Visitantes, por favor, apanhem os crachs e os prendam no peito das vestes.
Meia dzia de crachs saram da fenda de devoluo de moedas. Hermione recolheu-os e os entregou em silncio a Harry, por cima da cabea de Giny; ele olhou o de cima Harry Potter, Misso de Salvamento.
Visitantes ao Ministrio, os senhores devem se submeter a uma revista e apresentar suas varinhas para registro na mesa da segurana, localizada ao fundo do Atrio.
 - timo! - exclamou Harry em voz alta, sentindo a cicatriz dar mais uma fisgada. - Agora podemos descer?
O piso da cabine estremeceu e a calada se elevou passando por suas vidraas; os Testrlios que catavam restos foram desaparecendo de vista; a escurido se fechou sobre as cabeas dos garotos e, com um rudo surdo de triturao, eles desceram s profundezas do Ministrio da Magia.
Uma rstia de suave luz dourada iluminou seus ps e ampliou-se para os seus corpos. Harry dobrou os joelhos e empunhou sua varinha da melhor maneira que pde em condies to exguas, espiando pelo vidro a ver se algum os esperava no Atrio, mas o local parecia completamente deserto. A luz estava mais fraca do que de dia; no havia lareiras acesas sob os consoles engastados nas paredes, mas,  medida que o elevador foi parando suavemente, ele observou que os smbolos dourados continuavam a se mover sinuosamente no escuro teto azul.
O Ministrio da Magia deseja aos senhores uma noite agradvel", disse a voz de mulher.
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A porta da cabine telefnica se escancarou; Harry saiu tropeando, seguido por Neville e Luna. O nico som no Atrio era a torrente contnua de gua na fonte dourada, que jorrava das varinhas da bruxa e do bruxo, da ponta da flecha do centauro, do gorro do duende e das orelhas dos elfos domsticos para o tanque ao redor.
 - Vamos - disse Harry baixinho, e os seis saram correndo pelo saguo, Harry  frente, passaram pela fonte e se dirigiram  mesa onde o bruxo-vigia, que pesara 
a varinha de Harry se sentara, e que agora estava deserta.
Harry tinha certeza de que devia haver um segurana ali, certamente sua ausncia era um mau sinal, e seu pressentimento se intensificou quando cruzaram os portes dourados para o elevador. Ele apertou o boto de descida mais prximo e um elevador apareceu com enorme rudo, quase imediatamente, as grades douradas se abriram produzindo um grande eco metlico, e eles embarcaram depressa. Harry apertou o boto de nmero nove; as grades se fecharam com estrpito e o elevador comeou a descer, balanando com grande rudo. Harry no percebera como esses elevadores eram barulhentos no dia em que viera com o Sr. Weasley; tinha certeza de que despertariam cada segurana no edifcio, porm, quando o elevador parou, a voz tranqila de mulher anunciou "Departamento de Mistrios", e as grades se abriram. Eles saram para o corredor onde nada se movia exceto as chamas dos archotes mais prximos, bruxuleando na corrente de ar produzida pelo elevador.
Harry se virou para a porta preta e simples. Depois de sonhar meses com essa imagem, ele finalmente estava ali.
 - Vamos - sussurrou, e saiu  frente pelo corredor, Luna logo atrs, olhando para tudo com a boca ligeiramente aberta.
 - OK, ouam - disse Harry, parando outra vez a menos de dois metros da porta. - Talvez... talvez umas duas pessoas devessem ficar aqui para... para vigiar e...
 - E como  que vamos avisar se tiver alguma coisa vindo? - perguntou Giny, as sobrancelhas erguidas. - Voc poderia estar a quilmetros de distncia.
 - Vamos com voc, Harry - disse Neville. 
 - Vamos logo - disse Ron com firmeza. 
Harry continuava a no querer levar todos, mas parecia que no
tinha escolha. Virou-se ento para a porta e prosseguiu... exatamente como fizera em sonho, a porta se abriu e ele cruzou o portal  frente dos outros.
Estavam em uma grande sala circular. Tudo ali era preto, inclusive o piso e o teto; a intervalos, havia portas pretas idnticas, sem letreiros,
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nem maanetas, separadas por candelabros de chamas azuis, a toda volta das paredes; a claridade fria e tremeluzente refletida no piso de mrmore polido dava a impresso de que havia gua escura no cho.
 - Algum feche a porta - murmurou Harry.
Ele se arrependeu de ter dado a ordem no momento em que Neville a obedeceu. Sem a longa rstia de luz que vinha do corredor iluminado pelos archotes, a sala se tornou to escura que por um instante as nicas coisas que os garotos conseguiam ver eram os candelabros de chamas trmulas e azuladas nas paredes e seu reflexo fantasmagrico no cho.
Em seu sonho, Harry sempre atravessara esta sala, decidido, em direo  porta imediatamente oposta  entrada, e continuava a andar. Mas havia umas doze portas ali. Enquanto estava olhando para as portas defronte, tentando resolver qual seria a certa, ouviu-se um ribombar prolongado e as velas comearam a se deslocar para o lado. A sala circular estava girando.
Hermione agarrou o brao de Harry como se temesse que o cho fosse mexer tambm, mas isto no aconteceu. Durante alguns segundos, as chamas azuis ao redor deles ficaram borradas, lembrando linhas de neon,  medida que a parede ganhou velocidade; ento, com a mesma brusquido com que o movimento comeara, o ronco parou e tudo se imobilizou outra vez.
As retinas de Harry tinham riscos azuis gravados nelas; era s o que o garoto conseguia ver.
 - Que foi isso? - sussurrou Ron cheio de medo.
 - Acho que foi para nos impedir de saber por que porta entramos
 - disse Giny com a voz abafada.
Harry percebeu na hora que a amiga tinha razo identificar a porta de sada seria to difcil quanto localizar uma formiga naquele piso muito negro; e a porta pela qual deviam prosseguir podia ser qualquer uma das doze que os cercavam.
 - Como  que vamos sair na volta? - perguntou Neville pouco  vontade.
 - Bom, isso agora no tem importncia - disse Harry convincente, piscando para tentar apagar as linhas azuis de sua vista, e apertando a varinha com mais fora que nunca - no vamos precisar sair at termos encontrado Sirius...
 - Mas no comece a chamar por ele! - disse Hermione em tom urgente; mas Harry nunca precisara menos de tal conselho, seu instinto era fazer o mnimo de barulho possvel.
 - Aonde vamos ento, Harry? - perguntou Ron i-wuas
 - Eu no... - comeou Harry. Engoliu em seco. - Nos sonhosy eu
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passava pela porta no fim do corredor, vindo dos elevadores, e entrava em uma sala escura, esta aqui, ento atravessava por outra porta e entrava em uma sala que meio que... cintilava. Temos de experimentar algumas portas - disse ele depressa. - Saberei o caminho certo quando o vir. Vamos.
Ele rumou direto para a porta agora  sua frente, os outros seguindo-o de perto, encostou a mo em sua superfcie fresca e brilhante, 
ergueu a varinha pronto para atacar no instante em que a porta se abrisse, e a empurrou.
Ela se abriu facilmente.
Depois do escuro da primeira sala, as luminrias baixas, presas ao teto por correntes douradas, davam a impresso de que esta sala comprida e retangular era muito mais clara, embora no houvesse luzes cintilantes nem tremeluzentes como Harry vira em sonhos. O lugar estava bem vazio, exceto por algumas escrivaninhas e, bem no centro da sala, um enorme tanque de vidro com um lquido muito verde, suficientemente espaoso para todos nadarem nele; vrios objetos branco-prola flutuavam nele lentamente.
 - Que coisas so essas? - sussurrou Ron. 
 - No sei - respondeu Harry 
 - So peixes? - murmurou Giny. 
 - Larvas aquovirentes! - exclamou Luna excitada. - Papai disse que o Ministrio estava criando...
 - No - disse Hermione. Sua voz estava estranha. Ela se aproximou para espiar pelo lado do tanque. - So crebros. 
 - Crebros? 
 - E... que ser que esto fazendo com eles? 
Harry foi at junto do tanque. Sem a menor dvida, no podia
haver engano agora que os via de perto. Tremeluzindo fantasmagoricamente, os crebros apareciam e desapareciam flutuando nas profundezas do lquido verde, lembrando couves-flores lodosas.
 - Vamos embora daqui - disse Harry. - No  a sala certa, precisamos experimentar outra porta.
 - H portas aqui tambm - disse Ron, apontando para as paredes. Harry se sentiu desanimar; que tamanho tinha esse lugar?
 - No meu sonho, eu atravessava aquela sala escura e em seguida outra. Acho que devamos voltar e tentar novamente de l.
Ento eles voltaram depressa  sala escura e circular; as sombras fantasmais dos crebros agora nadavam diante dos olhos de Harry no lugar das chamas azuis das velas.
 - Esperem! - disse Hermione enrgica, quando Luna fez meno de fechar a porta da sala dos crebros, s costas deles. - Flagrate!
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Ela fez um desenho no ar com a varinha e um X de fogo apareceu na porta. Mal a porta acabara de se fechar com um estalido, ouviu-se um grande ronco e mais uma vez a parede comeou a girar muito rpido, mas agora havia um borro vermelho-e-ouro no meio do azul plido e, quando tudo tornou a parar, a cruz de fogo ainda ardia, mostrando a porta que eles j haviam experimentado.
 - Bem pensado - disse Harry. - OK, vamos experimentar esta aqui...
Novamente, ele rumou para a porta diretamente em frente e a empurrou, com a varinha ainda erguida, os outros nos seus calcanhares.
Esta sala era maior do que a anterior, fracamente iluminada e retangular, e seu centro era afundado, formando um grande poo de pedra com mais de cinco metros de profundidade. Os garotos estavam no nvel mais alto de uma srie de bancos de pedra que corriam a toda volta da sala e desciam em degraus ngremes como em um anfiteatro, ou o tribunal em que Harry fora julgado pela Suprema Corte dos Bruxos. No lugar de uma cadeira com correntes, porm, havia um estrado no centro do poo e sobre ele um arco de pedra que parecia to antigo, rachado e corrodo que Harry se admirou que ainda se sustentasse em p. Sem se apoiar em parede alguma, o arco estava fechado por uma cortina ou vu preto esfarrapado que, apesar da total imobilidade do ar frio circundante, esvoaava muito levemente como se algum o tivesse acabado de tocar.
 - Quem est a? - perguntou Harry, saltando para o banco abaixo. No houve resposta, mas o vu continuou a esvoaar e balanar.
 - Cuidado! - sussurrou Hermione.
Harry desceu depressa pelos bancos, um a um, at chegar ao fundo de pedra do poo. Seus passos ecoaram fortemente quando se encaminhou devagar para o estrado. O arco pontiagudo parecia muito mais alto de onde ele estava agora do que quando o contemplara do alto. O vu continuava a balanar suavemente, como se algum tivesse acabado de passar.
 - Sirius? - Harry tornou a chamar, mas em voz mais baixa agora que estava mais prximo.
Tinha a estranha sensao de que havia algum parado alm do vu do outro lado do arco. Apertando com fora a varinha na mo, ele contornou o estrado, mas no havia ningum; s o que se via era o outro lado do vu preto e esfarrapado.
 - Vamos embora - chamou Hermione do meio da escadaria. No  a sala certa, Harry, anda, vamos logo.
Ela parecia amedrontada, muito mais do que estivera na sala onde os crebros flutuavam, mas Harry achou que o arco possua uma certa
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beleza, por mais velho que fosse. O vu ondulando suavemente o intrigava; ele sentiu um forte impulso de subir no estrado e atravess-lo.
 - Harry, vamos embora, OK? - insistiu Hermione com maior veemncia.
 - OK - respondeu ele, mas no se mexeu. Acabara de ouvir alguma 
coisa. Sussurros fracos, sons de murmrios vinham do outro lado do vu.
 - Que  que voc est dizendo? - perguntou ele, muito alto, fazendo suas palavras ecoarem pelos bancos de pedra.
 - Ningum est falando, Harry! - disse Hermione, agora se aproximando.
 - Algum est sussurrando ali atrs - disse ele, fugindo do alcance de Hermione e continuando a franzir a testa para o vu. -  voc, Ron?
 - Estou aqui, cara - disse Ron, aparecendo do outro lado do arco.
 - Ningum mais est ouvindo? - perguntou Harry, porque os sussurros e murmrios estavam se tornando mais altos; sem ter inteno de pisar ali, ele viu que seu p estava em cima do estrado.
 - Eu tambm estou ouvindo - cochichou Luna, reunindo-se a eles pela lateral do arco e observando o vu ondular. - Tem gente a dentrol
 - Que  que voc quer dizer com esse a dentro? - Hermione exigiu saber, saltando do ltimo degrau e parecendo muito mais zangada do que a ocasio exigia. - No tem ningum a dentro,  apenas um arco, no tem espao para ningum dentro dele. Harry, pare com isso, vamos embora...
Ela o agarrou pelo brao, mas ele resistiu.
 - Harry, a gente veio aqui por causa do Sirius! - disse ela com a voz tensa e aguda.
 - Sirius - repetiu Harry, ainda fitando, hipnotizado, o vu que balanava sem parar. - E...
Alguma coisa finalmente voltou ao lugar em seu crebro; Sirius, capturado, amarrado e torturado, e ele ali olhando para esse arco...
Harry se afastou vrios passos do estrado e desviou com esforo o olhar do vu.
 - Vamos - disse.
 -  isso que estive tentando... bom, vamos, ento! - falou Hermione, e saiu  frente, contornando o estrado. Do outro lado, Giny e Neville estavam parados olhando o vu tambm, aparentemente em transe. Sem falar, Hermione segurou o brao de Giny, e Ron o de Neville, e eles conduziram os amigos com firmeza ao primeiro banco de pedra e subiram em direo  porta. 

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 - Que  que voc acha que aquele arco era? - perguntou Harry a Hermione quando chegaram  sala circular e escura.
 - No sei, mas, fosse o que fosse, era perigoso - afirmou ela, marcando a porta com uma cruz de fogo.
Mais uma vez, a parede girou e parou. Harry se dirigiu a mais uma porta ao acaso e a empurrou. Ela no cedeu.
 - Que foi? - perguntou Hermione.
 - Est... trancada... - disse Harry, jogando o peso contra a porta, mas ela no se moveu.
 - Ento  essa, no ? - disse Ron excitado, juntando-se a Harry na tentativa de forar a porta a abrir. - Tem de ser.
 - Saiam da frente! - mandou Hermione. Ela apontou a varinha para o lugar normal da fechadura em uma porta comum e disse Alorromora!
Nada aconteceu.
 - O canivete de Sirius! - lembrou Harry. Ele o tirou do bolso interno das vestes e inseriu na fresta entre a porta e a parede. Os outros o observaram ansiosos deslizar o canivete de alto a baixo, retir-lo e, ento, tornar a empurrar o ombro contra a porta. Ela continuou to fechada quanto antes. E, mais ainda, quando Harry olhou para o canivete, viu que a lmina derretera.
 - Certo, vamos sair dessa sala - disse Hermione decidida.
 - Mas e se for a tal? - perguntou Ron, olhando-a ao mesmo tempo com apreenso e desejo.
 - No pode ser, Harry passou por todas as portas em sonho disse Hermione, marcando a porta com outra cruz de fogo enquanto Harry repunha no bolso o canivete inutilizado do padrinho.
 - Voc sabe o que poderia haver a dentro? - perguntou Luna ansiosa, quando a parede recomeou a girar mais uma vez.
 - Alguma coisa estridulosa, com certeza - disse Hermione baixinho, e Neville soltou uma risadinha nervosa.
A parede foi parando e Harry, com uma sensao de crescente desespero, empurrou a porta seguinte.
 - E essa!
Reconheceu-a imediatamente pelas belas luzes que danavam e cintilavam como diamantes. Quando os olhos de Harry se acostumaram  claridade intensa, ele viu relgios refulgindo em cada superfcie, grandes e pequenos, relgios de estojo e ala, e de pndulo, expostos nos intervalos das estantes ou sobre as escrivaninhas, por toda a extenso da sala, e cujo tiquetaquear incessante enchia o ambiente como se fossem milhares de ps em marcha. A fonte da luz que
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danava e cintilava era um vidro alto de cristal, em forma de sino, a uma extremidade da sala.
 - Por aqui!
O corao de Harry comeou a bater freneticamente, agora que sabia que estava no caminho certo; ele saiu  frente pelo pequeno espao entre as escrivaninhas, dirigindo-se, como fizera em sonho,  fonte de luz, o vidro de cristal em forma de sino, que era quase de sua altura e parecia estar cheio de um vento luminoso que soprava em ondas.
 - Ah, olheml - exclamou Giny, quando se aproximaram, apontando 
para o interior do vidro.
Flutuando ali, na correnteza luminosa, havia um minsculo ovo que brilhava como uma jia. Quando subia, o ovo se abria e dele emergia um beija-flor, que era impelido para o alto, mas ao ser apanhado pela corrente de ar voltava a molhar e amarrotar as penas, e quando chegava ao fundo do vidro encerrava-se mais uma vez em seu ovo.
 - No parem! - disse Harry com rispidez, porque Giny demonstrava querer parar para apreciar a transformao do ovo em pssaro.
 - Voc demorou bastante naquele arco velho! - respondeu ela zangada, mas seguiu-o alm do vidro em direo  nica porta que havia.
 -  essa - repetiu Harry, e seu corao agora batia com tanta fora e rapidez que ele sentiu que devia interferir com a sua fala -  por aqui...
Harry olhou para os amigos; tinham as varinhas na mo e pareciam de repente srios e ansiosos. Tornou a se voltar para a porta e empurrou-a. Ela se abriu.
Era a sala, eles a haviam encontrado da altura de uma catedral, contendo apenas estantes elevadas e cobertas de pequenas esferas de vidro cheias de p. Elas bruxuleavam fracamente  luz dos candelabros presos a intervalos ao longo das estantes. Como os da sala circular que haviam deixado para trs, suas chamas eram azuis. A sala era muito fria.
Harry avanou cautelosamente e espiou por um dos corredores sombrios entre duas fileiras de estantes. No ouviu nada nem viu o menor sinal de movimento.
 - Voc disse que era no corredor noventa e sete - cochichou Hermione.
 -  - murmurou Harry, erguendo a cabea para examinar a fileira mais prxima. Sob o candelabro de chamas azuis, que dela se destacava, via-se o nmero cinqenta e trs em prata. ? 
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 - Precisamos ir para a direita, acho - sussurrou Hermione, apertando os olhos para enxergar a fileira seguinte. - ... essa  a cinqenta e quatro...
 - Mantenham as varinhas preparadas - recomendou Harry baixinho.
Eles seguiram devagarinho, olhando para trs enquanto percorriam os longos corredores de estantes, cuja parte final estava imersa em quase total escurido. Minsculas etiquetas amareladas estavam coladas sob cada esfera de vidro nas prateleiras. Algumas possuam um estranho brilho lquido; outras eram opacas e escuras por dentro como lmpadas queimadas.
Passaram pela fileira oitenta e quatro... oitenta e cinco... Harry procurava escutar o menor movimento, mas Sirius poderia estar amordaado agora, ou at inconsciente... ou, disse uma voz intrometida em sua cabea, poderia j estar morto...
Eu teria sentido, disse a si mesmo, seu corao agora batendo no pomo -de-ado, eu saberia...
 - Noventa e sete! - sussurrou Hermione.
Os garotos pararam agrupados no fim de uma fileira, espiando para o corredor ao lado. No havia ningum ali.
 - Ele est bem no final - disse Harry, cuja boca ficara ligeiramente seca. - No se consegue ver direito daqui.
E Harry os conduziu entre as estantes muito altas com as esferas de vidro, algumas das quais refulgiam suavemente quando eles passaram...
 - Ele deve estar perto - sussurrou Harry, convencido de que cada passo iria trazer a viso de Sirius em farrapos no cho escuro. - Em algum lugar por aqui... muito perto...
 - Harry! - disse Hermione hesitante, mas ele no quis responder. Sua boca estava muito seca.
 - Em algum lugar por... aqui...
Haviam chegado ao fim do corredor e saram para a claridade fraca das velas. No havia ningum ali. Tudo era um silncio ressonante e empoeirado.
 - Ele poderia estar... - sussurrou Harry rouco, espiando para o prximo corredor. - Ou talvez... - E correu a olhar o corredor alm.
 - Harry? - tornou a chamar Hermione. 
 - Qu? - vociferou ele. 
Ningum falou. Harry no quis olhar para ningum. Sentiu-se nauseado. No entendia por que Sirius no estava ali. Tinha de estar. Fora ali que ele, Harry, o vira...
Ele percorreu o espao no final das fileiras de estantes, espiando
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cada um. Um corredor aps outro passou pelos seus olhos, vazios. Correu no sentido oposto, e tornou a passar pelos companheiros que o observavam. No havia sinal de Sirius em parte alguma, nem qualquer vestgio de luta. 
 - Harry? - chamou Ron. n
 - Qu?
Ele no queria ouvir o que Ron tinha a dizer; no queria ouvilo dizer que ele fora idiota ou sugerir que deviam voltar para Hogwarts, mas o calor comeou a subir para o seu rosto e Harry sentiu que gostaria de se esconder ali no escuro por um bom tempo, antes de encarar 
a claridade do Atrio acima e os olhares acusadores dos outros...
 - Voc viu isso? - perguntou Ron.
 - Qu? - disse Harry, mas desta vez ansioso. Tinha de ser um sinal de que Sirius estivera ali, uma pista. Ele voltou ao lugar em que os amigos estavam parados, um pouco adiante da fileira noventa e sete, mas no encontrou nada, exceto Ron olhando para uma das esferas empoeiradas na prateleira.
 - Qu? - repetiu Harry mal-humorado.
 - Tem... tem o seu nome escrito aqui - disse Ron.
Harry se aproximou um pouco mais. O amigo estava apontando para uma das pequenas esferas de vidro que fulgurava com uma fraca luz interior, embora estivesse muito empoeirada e no parecesse ser tocada havia muitos anos.
 - Meu nome? - disse Harry sem entender.
Ele se adiantou. No sendo to alto quanto Ron, precisou esticar o pescoo para ler a etiqueta amarela afixada na prateleira logo abaixo da esfera coberta de p. Em letra garranchosa, havia escrita uma data h dezesseis anos, e embaixo
S.P.T. pan A.P.WB.D.
Lorde das Trevas e (?) Harry Potter
Harry arregalou os olhos.
 - Que  isso? - perguntou Ron, parecendo nervoso. - Que  que seu nome est fazendo aqui?
Ron correu o olhar pelas outras etiquetas naquela prateleira.
 - Eu no estou aqui - disse ele, perplexo. - Nenhum de ns est.
 - Harry, acho que voc no devia tocar nisso - disse Hermione enrgica, quando o garoto esticou a mo.
 - Por que no? - disse ele. -  alguma coisa ligada a mim, no ?
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 - No, Harry - disse Neville repentinamente. Harry olhou para o amigo. O suor brilhava levemente no seu rosto redondo. E dava a impresso de que no podia agentar mais tanto suspense.
 - Tem o meu nome nela - disse Harry.
E sentindo-se um pouco afoito, ele fechou os dedos em torno da superfcie empoeirada da pea. Esperava que fosse fria, mas no. Ao contrrio, parecia que estivera no sol durante horas, como se o seu fulgor interno a aquecesse. Esperando, e at ansiando, que alguma coisa dramtica fosse acontecer, alguma coisa excitante que pudesse afinal justificar sua longa e perigosa viagem, Harry tirou a esfera da prateleira e examinou-a.
Nada aconteceu. Os outros se aproximaram mais de Harry, mirando o globo enquanto ele limpava a poeira que o recobria.
Ento, s costas deles, uma voz arrastada falou
 - Muito bem, Potter. Agora se vire, muito devagarinho e me
entregue SSO. 
CAPTULO TRINTA E CINCO
Para alm do vu
Vultos escuros surgiam de todos os lados, bloqueando o caminho dos garotos  esquerda e  direita; olhos brilhavam nas fendas dos capuzes, uma dzia de pontas de varinhas acesas apontavam diretamente para seus coraes; Giny soltou uma exclamao de horror.
 - A mim, Potter - repetiu a voz arrastada de Lcio Malfoy enquanto estendia a mo, de palma para cima.
As entranhas de Harry despencaram, provocando nuseas. Eles estavam encurralados e em inferioridade numrica de dois para um.
 - A mim - repetiu Malfoy ainda uma vez.
 - Onde est Sirius? - perguntou Harry.
Vrios Comensais da Morte riram; uma voz estridente de mulher, no meio das figuras sombrias  esquerda de Harry, disse triunfante
 - O Lorde das Trevas sempre tem razo!
 - Sempre - repetiu Malfoy suavemente. - Agora, me d a profecia, Potter.
 - Eu quero saber onde est o Sirius!
 - Eu quero saber onde est o Sirius! - imitou a mulher  esquerda. Ela e seus companheiros Comensais tinham se aproximado, e
estavam a pouco mais de um metro de Harry e dos outros, a luz de suas varinhas cegava os olhos do garoto.
 - Vocs o pegaram - disse Harry, ignorando o pnico que crescia em seu peito, o pavor com que vinha lutando desde que haviam entrado no corredor noventa e sete. - Ele est aqui. Eu sei que est.
 - O bebezinho acordou com medo e pensou que seu sonho era realidade
 - disse a mulher numa horrvel imitao de voz de beb. Harry sentiu Ron se mexer ao seu lado.
 - No faa nada - murmurou Harry. - Ainda no... A mulher que o imitara soltou uma gargalhada rouca.
 - Vocs o ouviram? Vocs o ouviram? Dando instrues s outras crianas como se pensasse em nos enfrentar!
 - Ah, voc no conhece Potter como eu, Belatrix - disse Malfoy
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mansamente. - Ele tem um grande fraco por herosmos o Lorde das Trevas conhece essa mania dele. Agora me entregue a profecia, Potter.
 - Eu sei que Sirius est aqui - disse Harry, embora o pnico comprimisse seu peito e ele se sentisse incapaz de respirar direito. - Eu sei que vocs o pegaram!
Mais Comensais da Morte riram, embora a mulher risse mais alto que todos.
-J est na hora de voc aprender a diferena entre vida e sonho, Potter - disse Malfoy. - Agora me entregue a profecia, ou vamos comear a usar as varinhas.
 - Use, ento - disse Harry, erguendo a prpria varinha  altura do peito. Ao fazer isso, as cinco varinhas de Ron, Hermione, Neville, Giny e Luna se ergueram a cada lado dele. O n no estmago de Harry apertou. Se Sirius no estivesse realmente ali, teria, ento, trazido seus amigos para a morte  toa...
Mas os Comensais da Morte no atacaram.
 - Entregue a profecia e ningum precisar se machucar - disse Malfoy tranqilamente.
Foi a vez de Harry rir.
 - E, certo! Eu lhe entrego essa... profecia ? E o senhor nos deixa ir embora para casa, no  mesmo?
As palavras ainda no haviam acabado de sair de sua boca quando a Comensal mulher gritou
 - Acdo prof..
Harry estava preparado gritou "Protego!" antes que ela terminasse de lanar o feitio, e, embora a esfera de vidro tivesse escorregado para a ponta dos seus dedos, ele conseguiu segur-la.
 - Ah, ele sabe brincar, o bebezinho Potter - disse a mulher, seus olhos desvairados encarando-o pelas fendas do capuz. - Muito bem, ento...
 - EU J DISSE A VOC, NO! - berrou Lcio Malfoy para a mulher. - Se voc quebr-la...!
O crebro de Harry trabalhava em alta velocidade. Os Comensais da Morte queriam essa esfera de vidro empoeirada. Ele no tinha o menor interesse nela. S queria tirar todos dali vivos, garantir que nenhum dos seus amigos pagasse um preo terrvel por sua burrice...
A mulher se adiantou, afastando-se dos companheiros, e tirou o capuz. Azkaban descarnara o rosto de Belatrix Lestrange, tornando-o feio e escaveirado, mas estava vivo com um fulgor fantico e febril.
 - Voc precisa de mais persuaso? - disse ela, o peito arfando rpido. - Muito bem pegue a menor - ordenou Belatrix a um
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Comensal da Morte. - Deixe que ele veja torturarmos a menininha. Eu fao isso.
Harry sentiu os companheiros rodearem Giny; ele deu um passo para o lado de modo a ficar na frente dela, a profecia segura contra o peito.
 - Voc ter de quebrar isto se quiser atacar um de ns - disse ele a Belatrix. - Acho que o seu chefe no vai ficar muito satisfeito se voc voltar sem a esfera, ou vai?
Ela no se mexeu; meramente encarou-o, umedecendo a boca fina com a ponta da lngua.
 - Ento - disse Harry - afinal que profecia  essa de que estamos falando?
No conseguia pensar no que mais fazer, exceto 
continuar a falar. O brao de Neville estava colado ao dele, e Harry sentia o amigo tremer; sentia tambm a respirao curta de mais algum atrs de sua cabea. Esperava que todos estivessem pensando em maneiras de sarem desse impasse, porque sua mente estava vazia.
 - Que profecia? - repetiu Belatrix, o sorriso se apagando do rosto. - Voc est brincando, Harry Potter.
 - No, no estou brincando - disse Harry, seu olhar saltando de um Comensal da Morte para outro, procurando um elo fraco, uma brecha por onde escapar. - Por que Voldemort a quer?
Vrios Comensais da Morte deixaram escapar assobios baixinho.
 - Voc se atreve a dizer o nome dele? - sussurrou Belatrix.
 - Claro - disse Harry, mantendo as mos firmes na esfera de vidro, esperando um novo ataque para tir-la dele. - Claro, no tenho problema algum em dizer Vol...
 - Cale a boca! - gritou Belatrix. - Voc se atreve a dizer o nome dele com a sua boca indigna, voc se atreve a manch-lo com a sua lngua mestia, voc se atreve...
 - Voc sabia que ele tambm  mestio? - disse imprudentemente. Hermione gemeu em sua orelha. - Voldemort? , a me dele era bruxa mas o pai era muggle ou ser que ele andou dizendo para vocs que  puro-sangue?
-ESTUPEF... 
 - NO!
Um jato de luz vermelha sara da ponta da varinha de Belatrix Lestrange, mas Malfoy o desviou; o feitio dele fez a bruxa bater na prateleira a menos de meio metro  esquerda de Harry e vrias esferas de vidro se estilhaaram.
Dois vultos, branco-perolados como fantasmas, fluidos como fumaa, subiram em espirais dos cacos de vidro no cho e comearam a
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falar; suas vozes competiam entre si, de modo que se ouviam apenas fragmentos do que diziam em meio aos gritos de Malfoy e Belatrix.
 - ... no solstcio vir um novo... - disse a figura de um velho barbudo.
 ... - NO ATAQUEM! PRECISAMOS DA PROFECIA!
 - Ele se atreveu... ele se atreve... - gritava Belatrix incoerentemente.
 - ele fica a... esse mestio imundo...
 - - - ESPERE AT TERMOS A PROFECIA! - berrou Malfoy.
 - ... e no vir outro depois... - disse a figura de uma jovem.
As duas figuras que haviam irrompido das esferas partidas se dissolveram no ar. Nada restou delas ou de suas antigas moradas, exceto caquinhos de vidro no cho. Mas haviam dado a Harry uma idia. O problema seria comunic-la aos outros.
 - O senhor no me disse o que tem de to especial nessa profecia que devo lhe entregar - disse o garoto procurando ganhar tempo. Harry deslizou o p lentamente para o lado, procurando o p de mais algum.
 - No brinque conosco, Potter - falou Malfoy.
 - No estou brincando - disse Harry, parte de sua mente na conversa, parte no p que tateava o cho. Ento, ele encontrou os dedos de algum e pisou-os. Uma sbita suco de ar atrs o fez saber que pertenciam a Hermione.
 - Qu? - sussurrou a garota.
 - Dumbledore nunca lhe contou que a razo de voc carregar essa cicatriz estava escondida nas entranhas do Departamento de Mistrios? - caoou Malfoy.
 - Eu... qu? - exclamou Harry. E por um momento esqueceu completamente o seu plano. - Que tem a minha cicatriz?
 - Qu? - sussurrou Hermione com maior urgncia atrs dele.
 - Ser possvel? - disse Malfoy, parecendo maldosamente deliciado; alguns Comensais da Morte recomearam a rir, e, acobertado pelas risadas, Harry sibilou para Hermione, mexendo o mnimo possvel os lbios
 - Quebre prateleiras...
 - Dumbledore nunca lhe contou? - repetiu Malfoy. - Bom, isso explica por que voc no veio antes, Potter, o Lorde das Trevas estava intrigado...
 - ... quando eu disser agora...
 - ... que voc no viesse correndo quando ele lhe mostrou em sonho onde a profecia estava escondida. Ele pensou que a curiosidade natural o faria querer ouvir as palavras exatas...
 - Pensou, ? - disse Harry. As suas costas, ele sentiu mais do que ouviu Hermione passar sua mensagem aos outros, e procurou conti637
nuar falando para distrair os Comensais da Morte. - Ento ele queria que eu viesse apanh-la, era? Por qu?
 - Por qu? - Malfoy parecia incredulamente deliciado. - Porque as nicas pessoas que tm permisso de retirar a profecia do Departamento de Mistrios, Potter, so aqueles de quem ela fala, como descobriu o Lorde das Trevas quando tentou usar terceiros para a roubarem por ele.
 - E por que ele queria roubar uma profecia sobre mim?
 - Sobre vocs dois, Potter, sobre vocs dois... voc nunca se perguntou por que o Lorde das Trevas tentou mat-lo quando criana?

Harry encarou as fendas no capuz onde os olhos cinzentos de Malfoy brilhavam. A profecia era a razo pela qual os pais de Harry haviam morrido, a razo por que ele carregava a cicatriz em forma de raio? A resposta a tudo isso estava segura em sua mo?
 - Algum fez uma profecia sobre mim e Voldemort? - falou ele calmamente, olhando para Lcio Malfoy, seus dedos apertando a esfera morna na mo. No era maior do que um snitch e continuava spera de poeira. - E ele me fez vir aqui para apanh-la para ele? Por que no pde vir apanh-la pessoalmente?
 - Apanh-la pessoalmente? - gritou Belatrix, gargalhando alucinada. - O Lorde das Trevas entrar no Ministrio da Magia, quando todos esto gentilmente ignorando o seu retorno? O Lorde das Trevas se revelar aos aurores, quando no momento esto perdendo tempo com o meu querido primo?
 - Ento, o lorde mandou vocs fazerem o trabalho sujo para ele, foi? Como tentou obrigar Sturgius a roubar a profecia... e Bode?
 - Muito bom, Potter, muito bom... - disse Malfoy lentamente. Mas o Lorde das Trevas sabe que voc no  desprovido de in...
 - AGORA! - berrou Harry.
Cinco vozes diferentes bradaram s suas costas "REDUCTO!" Cinco feitios voaram em diferentes direes, e as prateleiras defronte explodiram ao serem atingidas; a enorme estrutura balanou ao mesmo tempo que cem esferas de vidros estouraram, vultos brancoperolados se desdobraram no ar e flutuaram, suas vozes ecoando de um passado j morto, em meio a uma chuva de estilhaos de vidro e madeira que agora caa no cho...
 - CORRAM! - berrou Harry, quando as prateleiras balanaram precariamente e mais esferas de vidro comearam a cair. Ele agarrou as vestes de Hermione e a puxou para a frente, erguendo um brao para proteger a cabea dos cacos de vidro que estrondeavam sobre eles. Um Comensal da Morte atirou-se contra eles atravs da nuvem de poeira e Harry lhe deu uma cotovelada com fora no rosto masca-
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rado; todos berravam, havia gritos de dor e estrondos de prateleiras desabando sobre eles, ecos estranhamente fragmentados dos Videntes libertados de suas esferas...
Harry encontrou livre o caminho  frente e viu Ron, Giny e Luna passarem correndo por ele, os braos sobre a cabea; alguma coisa pesada golpeou sua face, mas ele meramente abaixou a cabea e continuou a correr; uma mo agarrou-o pelo ombro; ele ouviu Hermione gritar "ESTUPEFAA!" A mo o soltou imediatamente...
Estavam no fim da fileira noventa e sete; Harry virou  direita e comeou a correr a toda velocidade; ouvia passos logo atrs e a voz de Hermione apressando Neville; diretamente  frente, a porta por que haviam passado estava entreaberta; Harry viu a luz faiscante do vidro em forma de sino; ele cruzou a porta de um salto, a profecia ainda a salvo em sua mo, e esperou os outros passarem pela porta antes de bat-la...
 - Colloportus! - exclamou Hermione, e a porta se lacrou com um estranho rudo de esmagamento.
 - Onde... onde esto os outros? - ofegou Harry.
Pensara que Ron, Luna e Giny tinham ido mais  frente, que estariam  espera nesta sala, mas no havia ningum.
 - Eles devem ter tomado o caminho errado! - sussurrou Hermione, o terror em seu rosto.
 - Escute! - murmurou Neville.
Passos e gritos ecoavam do outro lado da porta que Hermione tinha acabado de lacrar; Harry encostou o ouvido  porta para escutar melhor e ouviu Lcio Malfoy berrar
 - Deixe, Nott, deixe-o a os ferimentos dele no significaro nada para o Lorde das Trevas diante da perda da profecia. Jugson, volte aqui, precisamos nos organizar! Vamos nos dividir em pares e fazer uma busca, e no se esqueam, sejam gentis com Potter at termos a profecia, podem matar os outros se precisarem... Belatrix, Rodolfo, vocs vo para a esquerda; Crabbe, Rabastan, para a direita... Jugson. Dolohov, pela porta em frente... Macnair e Avery, por aqui... Rookwood l... Mulciber, venha comigo!
 - Que faremos? - perguntou Hermione a Harry, tremendo dos ps  cabea.
 - Bom, para comear, no ficaremos aqui parados esperando eles nos encontrarem. Vamos nos afastar desta porta.
Eles correram o mais silenciosamente que puderam, passaram pelo sino fulgurante onde o minsculo ovo incubava e desincubava, em direo  sada para a sala circular ao fundo. Estavam quase chegando quando Harry ouviu uma coisa pesada colidir contra a porta que Hermione fechara com um feitio.
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 - Afastem-se! - disse uma voz rspida. - Alorromora!
Quando a porta se escancarou, Harry Hermione e Neville mergulharam embaixo de escrivaninhas. Podiam ver a barra das vestes de dois Comensais da Morte que se aproximaram, seus ps se movendo com rapidez.
 - Eles podem ter corrido direto para o corredor - 
falou a voz rascante.
 - Veja embaixo das escrivaninhas - disse outra.
Harry viu os joelhos dos Comensais da Morte se dobrarem; metendo a varinha para fora, ele gritou
 - ESTUPEFAA!
Um jato de luz vermelha atingiu o Comensal da Morte mais prximo; ele tombou para trs em cima de um relgio de pndulo, derrubando-o; o segundo Comensal, porm, saltara para o lado para evitar o feitio de Harry e estava apontando a prpria varinha para Hermione, que se arrastava de sob a escrivaninha para poder mirar melhor.
 - Avada...
Harry se atirou pelo cho e agarrou o Comensal da Morte pelos joelhos, fazendo-o cair e desviando sua pontaria. Neville derrubou uma escrivaninha na ansiedade de ajudar; e, apontando a varinha sem mira para os dois, gritou
 - EXPELLIARMUS!
As varinhas de Harry e do Comensal saram voando de suas mos para a entrada da Sala da Profecia; os dois se levantaram depressa e se arremessaram atrs delas, o Comensal  frente, Harry em seus calcanhares e Neville mais atrs, visivelmente horrorizado com o que fizera.
 - Saia do caminho, Harry! - berrou Neville, claramente decidido a consertar seu erro.
Harry se atirou para o lado, Neville tornou a mirar e ordenou
 - ESTUPEFAA!
O jato de luz vermelha passou por cima do ombro do Comensal da Morte e atingiu um armrio de portas de vidro na parede cheio de ampulhetas de vrios formatos; o armrio caiu no cho e se abriu, vidros voaram para todo lado, voltou a se aprumar na parede, inteiramente restaurado, e tornou a cair, e se espatifar...
O Comensal da Morte agarrara sua varinha, cada no cho ao lado do vidro cintilante em forma de sino. Harry se abaixou atrs de outra escrivaninha quando o homem se virou; sua mscara escorregara impedindo-o de ver. Ele a arrancou com a mo livre e gritou
 - ESTUP...
 - ESTUPEFAA! - bradou Hermione, que acabara de alcan-los. A luz da varinha atingiu o Comensal da Morte no meio do peito ele se imobilizou, o brao ainda erguido, sua varinha caiu no cho com
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estrpito e ele desabou para trs na direo do vidro em forma de sino; Harry esperou ouvir uma pancada, o homem bater no vidro slido e escorregar para o cho, mas, em vez disso, sua cabea afundou para dentro do vidro como se este fosse apenas uma bolha de sabo, e ele acabou parando, esparramado de costas sobre a mesa, com a cabea dentro do vidro cheio de vento cintilante.
 - Accio varinha! - ordenou Hermione. A varinha de Harry voou de um canto escuro para a mo de Hermione, que a atirou para ele.
 - Obrigado. Certo, vamos dar o fora...
 - Cuidado! - disse Neville horrorizado. Olhava fixamente para a cabea do Comensal da Morte no vidro.
Os trs ergueram as varinhas, mas nenhum deles a usou olhavam boquiabertos, estarrecidos para o que estava acontecendo com a cabea do homem.
Estava encolhendo rapidamente, ficando cada vez mais pelada, os cabelos e a barba raspada se retraindo para dentro do crnio; as bochechas ficando lisas, a cabea redonda recobrindo-se de uma penugem como a do pssego...
Havia agora uma cabea de beb encaixada grotescamente no pescoo grosso e musculoso do Comensal da Morte, que se esforava para se levantar; mas enquanto os garotos olhavam, de boca aberta, a cabea comeou a retomar as propores anteriores; cabelos negros e espessos recomearam a crescer em seu cocuruto e queixo...
 -  o Tempo - disse Hermione com assombro na voz. - O Tempo...
O Comensal da Morte sacudiu a cabea feia mais uma vez, tentando clare-la, mas, antes que pudesse se recuperar, ela recomeou a encolher e remoar mais uma vez...
Ouviram, ento, um grito de uma sala prxima, um estrondo e um berro.
 - RONY? - bradou Harry, dando as costas depressa  monstruosa transformao que se operava diante de seus olhos. - GlNA? LUNA?
 - Harry! - gritou Hermione.
O Comensal da Morte puxara a cabea de dentro do vidro. Sua aparncia era absolutamente bizarra, a minscula cabea de beb berrando e os braos grossos se agitando perigosamente em todas as direes, por pouco no acertando Harry que se abaixara. O garoto ergueu a varinha mas, para seu espanto, Hermione segurou o seu brao.
 - Voc no pode machucar um beb!
No havia tempo para discutir a questo; Harry ouviu passos cada vez mais fortes na Sala da Profecia e percebeu, tarde demais, que no deveria ter gritado, pois denunciara sua posio.
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 - Vamos! - disse e, deixando o Comensal da Morte a cambalear com sua feia cabea de beb, os garotos correram para a porta que estava aberta na outra extremidade da sala e que os reconduziria de volta  sala escura.
Tinham coberto metade da distncia quando Harry viu pela porta aberta mais dois Comensais da Morte correndo pela sala escura em sua direo; virando  esquerda, ele embarafustou para dentro de um pequeno escritrio escuro e cheio de mveis, e bateu a porta.
 - Collo.., - comeou 
Hermione, mas, antes que pudesse completar o feitio, a porta se escancarou e os dois Comensais da Morte se precipitaram para dentro.
Com um grito de triunfo, os dois bradaram
 - IMPEDIMENTA!
Harry, Hermione e Neville foram derrubados de costas; Neville foi atirado por cima da escrivaninha e desapareceu de vista; Hermione colidiu com uma estante e foi prontamente soterrada por uma avalanche de pesados livros; a cabea de Harry bateu contra a parede de pedra atrs, luzinhas espocaram diante de seus olhos e por um momento ele ficou atordoado e desconcertado demais para reagir.
 - PEGAMOS ELE! - berrou o Comensal da Morte mais prximo de Harry. - EM UM ESCRITRIO DO LADO...
 - Silencio! - exclamou Hermione, e a voz do homem emudeceu. Ele continuou a falar pelo buraco da mscara, mas no saa som algum. Seu companheiro o empurrou para o lado.
 - Petrificus Totalus! - bradou Harry, quando o segundo Comensal da Morte ergueu a varinha. Seus braos e pernas se juntaram e ele caiu de borco no tapete ao p de Harry, duro como uma pedra e incapaz de se mexer.
 - Muito bom, Ha...
Mas o Comensal da Morte que Hermione acabara de silenciar fez um repentino gesto horizontal com a varinha; um risco de chamas roxas cortou o peito de Hermione de lado a lado. Ela soltou uma exclamao mnima como algum surpreso e desmontou no cho, onde permaneceu imvel.
 - HERMIONE!
Harry caiu de joelhos ao seu lado e Neville se arrastou rapidamente de baixo da escrivaninha em direo  amiga, a varinha erguida  frente. O Comensal da Morte deu um forte chute na cabea de Neville quando ele ia saindo - seu p partiu a varinha do garoto em dois e atingiu seu rosto. Neville soltou um uivo de dor e se encolheu, agarrando o nariz e a boca. Harry se virou com a varinha no alto, e viu que o Comensal da Morte arrancara a mscara e apontava a vari-
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nha diretamente para ele, reconhecendo o rosto comprido, plido e torto que vira no Profeta Dirio Antony Dolohov, o bruxo que assassinara os Prewett.
Dolohov sorriu. Com a mo livre, apontou da profecia ainda segura na mo de Harry, para ele prprio, depois para Hermione. Embora no pudesse mais falar, seu gesto no poderia ser mais claro. Me entregue a profecia ou voc vai ficar igual a ela...
 - Como se voc no fosse nos matar de qualquer jeito no momento em que eu a entregar! - disse Harry.
Um zumbido de pnico em sua cabea o impedia de pensar direito tinha uma das mos no ombro de Hermione, que ainda estava quente, mas no ousava olh-la direito. Faa com que ela no morra, faa com que ela no morra,  minha culpa se tiver morrido...
 - Faa o que fizer, Harry - disse Neville com ferocidade de baixo da mesa, baixando as mos para mostrar o nariz visivelmente quebrado e o sangue escorrendo da boca e do queixo - mas no entregue.
Ouviu-se ento um estrondo do lado de fora da porta e Dolohov olhou por cima do ombro - o Comensal da Morte de cabea de beb apareceu no portal, a cabea berrando, os enormes punhos ainda se agitando a esmo para tudo ao seu redor. Harry aproveitou a oportunidade
 - PETRIFICUS TOTALUS!
O feitio atingiu Dolohov antes que ele pudesse bloque-lo, e o bruxo tombou para a frente por cima do seu companheiro, os dois rgidos como tbuas e incapazes de se mover.
 - Hermione - disse Harry imediatamente, sacudindo a cabea dela enquanto o Comensal da Morte de cabea de beb sumia outra vez de vista. - Hermione, acorde...
 - Guefoi gue ele fez com ela? - perguntou Neville saindo de baixo da escrivaninha e se ajoelhando do outro lado, o sangue escorrendo sem parar do nariz que inchava rapidamente. .. 
 - No sei... 
Neville procurou o pulso de Hermione.
 - Dem bulsao, Harry, denho cerdeza gue que ...
Uma onda to grande de alvio invadiu Harry que por um momento ele se despreocupou.
 - Ela est viva?
 - D, acho que d.
Houve uma pausa em que Harry procurou escutar a aproximao de mais passos, mas s conseguiu identificar o berreiro e os desencontros do Comensal da Morte de cabea de beb na sala vizinha.
 - Neville, no estamos longe da sada - sussurrou Harry - estamos bem do lado da sala circular... se pudermos atravess-la e desco643
brir a porta certa antes que outros Comensais da Morte apaream, aposto como voc pode carregar Hermione pelo corredor e tomar o elevador... depois voc podia procurar algum... dar o alarme...
 - E gue  gue voc vai fazer? - perguntou Neville, enxugando o nariz sangrento na manga e franzindo a testa para Harry.
 - Tenho de procurar os outros.
 - Endo, vou brocurar com voc - disse Neville com firmeza.
 - Mas Hermione...
 - Levamos com a gente - contraps Neville, decidido. - Caeego Hermione... 
voc luda melhorgom eles gue eu...
Ele ficou em p e segurou um brao da garota, olhando para Harry, que hesitou, ento agarrou o outro brao e ajudou a guindar o corpo inerte de Hermione para os ombros de Neville.
 - Espere - disse Harry, apanhando a varinha de Hermione do cho e enfiando-a na mo do garoto -  melhor levar isso.
Neville chutou para o lado os pedaos da prpria varinha ao sarem andando lentamente em direo  porta.
 - Minha av vai me madar - disse ele com a voz pastosa, o sangue saltando do nariz enquanto falava - aguela eea a varinha velha do meu bai.
Harry meteu a cabea para fora da porta e olhou para os lados cauteloso. O Comensal da Morte com cabea de beb estava gritando e batendo nas coisas, derrubando relgios de pndulo e virando escrivaninhas, chorando confuso, enquanto o armrio com portas de vidro, que Harry agora suspeitava conter Viratempos, continuava a cair, se espatifar e se restaurar na parede s costas.
 - Ele nunca vai reparar na gente - sussurrou Harry. - Vamos... fique logo atrs de mim...
Eles saram furtivamente do escritrio em direo  sala negra, que agora parecia completamente deserta. Avanaram alguns passos, Neville cambaleando ligeiramente sob o peso de Hermione; a porta para a Sala do Tempo se fechou quando passaram, e as paredes recomearam a girar. A recente pancada na cabea de Harry pareceu tlo desequilibrado; ele apertou os olhos, oscilou um pouco, at as paredes pararem de rodar. Com desnimo, ele viu que as cruzes de fogo que Hermione fizera nas portas tinham se apagado.
 - Ento para que lado voc cal...?
Mas antes que ele pudesse decidir quanto ao caminho a experimentar, uma porta se escancarou  sua direita e trs pessoas despencaram por ela.
 - Ron! - exclamou Harry rouco, correndo para os amigos. Giny... voc est...?
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 - Harry - disse Ron rindo frouxamente, se atirando para a frente, agarrando as vestes de Harry e fixando nele os olhos desfocados - ah, aqui est voc... ha ha ha... est com a cara engraada Harry... est todo amarrotado...
O rosto de Ron estava muito plido e uma coisa escura escorria do canto de sua boca. No momento seguinte, seus joelhos cederam, mas ele continuou agarrado s vestes de Harry, fazendo-o se inclinar numa espcie de reverncia.
 - Giny? - disse Harry receoso. - Que aconteceu?
Mas Giny sacudiu a cabea e escorregou pela parede at se sentar, ofegando e segurando o tornozelo.
 - Acho que ela quebrou o tornozelo - ouvi alguma coisa rachando - sussurrou Luna, que se curvava para a garota e era a nica que parecia inteira. - Quatro deles nos perseguiram por uma sala escura cheia de planetas; era um lugar muito esquisito, parte do tempo ficamos s flutuando no escuro...
 - Harry, vimos Urano de perto! - disse Ron, ainda dando risadinhas frouxas. - Sacou, Harry? Vimos Urano... ha ha ha...
Uma bolha de sangue apareceu no canto da boca de Ron e estourou.
 - ... ento, um deles agarrou o p de Giny, eu usei o Feitio Redutor e explodi Pluto na cara dele, mas...
Luna fez um gesto desanimado para Giny, que respirava superficialmente, seus olhos ainda fechados.
 - E o Ron? - perguntou Harry receoso, pois o garoto continuava a rir, ainda agarrado s suas vestes.
 - No sei com que o acertaram - respondeu Luna triste - mas ficou meio esquisito, mal consegui faz-lo nos acompanhar.
 - Harry - disse Ron puxando o ouvido do amigo para perto de sua boca, e continuando a rir - sabe quem  essa garota, Harry? Ela  a Di-lua... Di-lua Lovegood... ha ha ha...
 - Temos de sair daqui - disse Harry com firmeza. - Luna, voc pode ajudar a Giny?
 - Claro - respondeu ela, enfiando a varinha atrs da orelha para guard-la, e passando o brao pela cintura da amiga para levant-la.
 -  s o meu tornozelo, posso fazer isso sozinha! - disse Giny impaciente, mas no momento seguinte desabou para o lado e agarrou Luna para se apoiar. Harry puxou o brao de Ron por cima do ombro como fizera tantos meses antes quando carregara Duddley. Olhou ao redor tinham uma chance em doze de escolher a porta certa de primeira...
Ele carregou Ron em direo a uma porta; estava a poucos pas645
ss quando outra, do lado oposto da sala, se escancarou, e trs Comensais da Morte entraram correndo, liderados por Belatrix Lestrange.
 - Eles esto aqui! - gritou ela.
Feitios Estuporantes cortaram velozmente a sala Harry adentrou a porta em frente, atirou Ron sem cerimnia no cho e voltou abaixado para ajudar Neville com Hermione; passaram todos pela porta em tempo de bat-la na cara de Belatrix.
 - Colloportus! - gritou Harry, e ouviu trs corpos baterem 
contra a porta do outro lado.
 - No faz mal! - disse uma voz masculina. - H outras maneiras de entrar ACHAMOS ELES, ESTO AQUl!
Harry se virou; estavam de novo na Sala do Crebro e, realmente, havia portas a toda volta. Ele ouviu passos na sala anterior quando mais Comensais da Morte acorreram para se juntar aos primeiros.
 - Luna... Neville... me ajudem!
Os trs correram pela sala, selando as portas; Harry bateu contra uma mesa e rolou por cima dela na pressa de chegar  porta seguinte.
 - Colloportus!
Havia passos correndo atrs das portas, de vez em quando outro corpo pesado se atirava contra elas, fazendo-as ranger e estremecer; Luna e Neville enfeitiavam as portas ao longo da parede oposta ento, ao atingir Harry o fundo da sala, ouviu Luna exclamar
 - Collo... aaaaaaaaah...
Virou-se em tempo de v-la voar pelo ar; cinco Comensais da Morte invadiam a sala pela porta que ela no conseguira alcanar em tempo; Luna bateu em uma escrivaninha, escorregou por sua superfcie e caiu, estatelada, no cho do outro lado, mais imvel que Hermione.
 - Pegue o Potter! - gritou Belatrix correndo para o garoto; ele se desviou e correu para o outro lado da sala; estava seguro enquanto achassem que poderiam atingir a profecia...
 - Ei! - disse Ron, que se pusera em p cambaleando, e agora vinha como um bbado em direo a Harry, dando risadinhas. - Ei, Harry, tem crebros aqui, ha ha ha, no  esquisito, Harry?
 - Ron saia do caminho, se abaixe... 
Mas Ron j apontara a varinha para o tanque. 
 - Srio, Harry, so crebros... olhe... Accio crebro!
A cena pareceu congelar por um momento. Harry, Giny e Neville e cada um dos Comensais da Morte se viraram involuntariamente para olhar o alto do tanque na hora em que um crebro saltou do lquido verde como um peixe para fora da gua por um instante ele pareceu suspenso no ar, ento voou em direo a Ron, girando,
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e algo que lembrava fitas de imagens animadas foi saindo dele, desenrolando como um rolo de filme...
 - Ha ha ha, Harry, olhe s isso - disse Ron, observando o crebro expelir suas entranhas coloridas. - Harry, vem, pega nele; aposto como  estranho...
 - RONY, NO!
Harry no sabia o que podia acontecer se Ron tocasse nos tentculos que agora voavam na esteira do crebro, mas tinha certeza de que no seria nada bom. Ele correu, mas Ron j agarrara o crebro nas mos estendidas.
No momento em que entraram em contato com sua pele, os tentculos comearam a se enrolar em torno dos braos de Ron como cordas.
 - Harry, olhe s o que acontece... No... no... no gosto disso... no, parem... parem...
Mas as fitas finas giravam agora em torno do peito do garoto; ele puxou e tentou arranc-las ao mesmo tempo que o crebro foi apertado contra Ron como um corpo de polvo.
 - Diffindo! - berrou Harry, tentando cortar os tentculos que se enrascavam em seu amigo bem diante de seus olhos, mas eles no se partiam. Ron tombou, ainda lutando contra as amarras.
 - Harry, o crebro vai sufoc-lo! - berrou Giny, imobilizada no cho pelo tornozelo quebrado... ento um jorro de luz vermelha voou da varinha de um Comensal da Morte e a atingiu em cheio no rosto. Ela adernou para um lado e caiu ali inconsciente.
 - ESDUBEVAA! - gritou Neville, rodando o corpo e acenando a varinha de Hermione contra os Comensais da Morte atacantes - ESDUBEVAA, ESDUBEVAA!
Mas nada aconteceu.
Um dos Comensais disparou seu prprio Feitio Estuporante contra Neville; errou por centmetros. Harry e Neville eram os nicos que restavam na luta contra os Comensais da Morte, dois dos quais lanaram jorros de luz prateada como flechas que no atingiram o alvo mas deixaram crateras na parede atrs deles. Harry fugiu mas Belatrix correu atrs dele segurando a profecia acima da cabea, ele correu para o outro lado da sala; a nica coisa que lhe ocorria fazer era afastar os Comensais da Morte uns dos outros.
Aparentemente deu resultado; eles o perseguiram, mandando cadeiras e mesas pelo ar, mas no ousaram enfeiti-lo com receio de danificar a profecia, e ele se precipitou para a nica porta ainda aberta, aquela por onde os Comensais da Morte haviam entrado; no ntimo, rezava para que Neville ficasse com Ron e encontrasse algum
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meio de libert-lo. Ele correu alguns passos pela nova sala e sentiu o cho sumir...
Estava caindo pelos degraus de pedra, um a um, quicando em cada nvel, at que, finalmente, com uma pancada que lhe tirou o flego, aterrissou chapado de costas no poo em que havia o arco de pedra sobre o estrado. A sala toda ecoava com as risadas dos Comensais da Morte ele olhou para o alto e viu os cinco que estavam na Sala do Crebro descer em sua direo, enquanto outros tantos surgiam pelas outras portas e comeavam a saltar 
de nvel em nvel para alcan-lo. Harry se levantou, embora com as pernas to trmulas que mal conseguiam sustent-lo a profecia continuava milagrosamente inteira em sua mo esquerda, a varinha apertada com fora na direita. Ele recuou, olhando para os lados, tentando manter todos os Comensais da Morte no seu campo de viso. A parte de trs de suas pernas bateu em alguma coisa slida ele chegara ao estrado onde se erguia o arco. Subiu-o de costas.
Todos os Comensais da Morte pararam com os olhos fixos em Harry. Alguns arquejavam tanto quanto o garoto. Um sangrava bastante; Dolohov, livre do Feitio do Corpo Preso, tinha um olhar malicioso e apontava a varinha direto para o rosto de Harry.
 - Potter, terminou a sua corrida - disse a voz arrastada de Lcio Malfoy, tirando o capuz - agora me entregue a profecia como um bom menino.
 - Mande... mande os outros embora e a entregarei ao senhor! disse Harry desesperado.
Alguns Comensais da Morte soltaram risadas.
 - Voc no est em posio de barganhar, Potter - disse o bruxo, seu rosto plido corado de prazer. - Como v, h dez de ns contra voc sozinho... ou ser que Dumbledore nunca lhe ensinou a contar?
 - Ele no est sozinho! - gritou uma voz do alto. - Ainda tem a mim!
Harry sentiu um aperto no corao Neville estava descendo os degraus de pedra em direo a eles, a varinha de Hermione apertada na mo trmula.
 - Neville... no... volte para o Ron.
 - ESDUBEVAA! - gritou Neville outra vez, apontando a varinha para cada um dos Comensais da Morte. - ESDUBE! ESDUB...
Um dos Comensais mais corpulentos agarrou Neville por trs e prendeu seus braos dos lados do corpo. O garoto se debateu e chutou; vrios Comensais da Morte riram.
 -  o Longbottom, no ? - perguntou Lcio Malfoy desdenhoso. - Bom, sua av est acostumada a perder membros da famlia para a nossa causa... sua morte no ser nenhum choque...
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 - Longbottom? - repetiu Belatrix, e um sorriso realmente maligno iluminou o seu rosto ossudo. - Ora, tive o prazer de conhecer seus pais, garoto.
 - SEI QUE DEVE! - urrou Neville, e se debateu com tanta fora contra o abrao do seu captor que o Comensal exclamou
 - Algum quer estuporar este garoto!
 - No, no, no - pediu Belatrix. Ela parecia arrebatada, viva de excitao ao olhar para Harry e depois para Neville. - No, vamos ver quanto tempo Longbottom resiste antes de enlouquecer como os pais... a no ser que Potter nos entregue a profecia.
 - NO D A ELES! - bradou Neville, que parecia fora de si, chutando e se contorcendo ao ver Belatrix se aproximar dele e de seu captor, com a varinha erguida. - NO D A ELES, HARRY!
Belatrix ergueu a varinha. T.
 - Grado!
Neville gritou, as pernas erguidas contra o peito de modo que o Comensal da Morte que o prendia segurou-o momentaneamente fora do cho. O homem largou-o e ele caiu, se torcendo e gritando em tormento.
 - Foi s um aperitivo! - exclamou Belatrix, erguendo a varinha e assim interrompendo os gritos de Neville, deixando-o soluante a seus ps. Ela se virou e olhou para Harry. - Agora, Potter, ou nos entrega a profecia ou vai ver o seu amiguinho morrer sofrendo!
Harry no precisou pensar; no tinha opo. A profecia se aquecera com o calor de sua mo quando a estendeu. Malfoy se adiantou depressa para receb-la.
Ento, no alto, mais duas portas se escancararam e mais cinco pessoas entraram correndo na sala Sirius, Lupin, Moody, Tonks e Kingsley.
Malfoy se virou e ergueu a varinha, mas Tonks j disparara um Feitio Estuporante nele. Harry no esperou para ver se o bruxo fora atingido, mergulhou para longe do estrado e dos disparos. Os Comensais da Morte foram completamente distrados pela apario dos membros da Ordem, que agora faziam chover feitios sobre os adversrios enquanto saltavam degrau por degrau em direo ao poo. Atravs dos corpos que voavam e dos lampejos, Harry viu Neville se arrastando. Ele se desviou de mais um jato de luz vermelha e se atirou de corpo inteiro no cho para alcanar o amigo.
 - Voc est OK? - berrou, quando voou mais um feitio a centmetros de suas cabeas.
 - Dou - disse Neville tentando se levantar. -ERony?
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 - Acho gue esd bem - ainda esdava ludando com o crebro guando
vim...
O piso de pedra entre os dois explodiu ao ser atingido por um feitio que produziu uma cratera onde a mo de Neville estivera segundos antes; os dois saram depressa dali, ento um brao grosso se materializou e agarrou Harry pelo pescoo, pondo-o de p de tal modo que seus ps mal tocavam o cho.
 - Me d isso - rosnou uma voz em sua orelha - me d a profecia... O homem apertava tanto sua traquia que Harry no conseguia
respirar. Atravs dos olhos marejados de lgrimas, ele viu Sirius duelando com um Comensal 
da Morte a uns trs metros de distncia, Kingsley lutava com dois ao mesmo tempo; Tonks, ainda na metade da descida, disparava feitios contra Belatrix - ningum parecia perceber que Harry estava morrendo. Ele virou a varinha para trs em direo ao lado do corpo do homem, mas no teve ar para enunciar o encantamento, e a mo livre do homem tentou alcanar a mo em que o garoto segurava a profecia...
 - ARRR!
Neville se precipitara de algum lugar; incapaz de articular um feitio, enfiou a varinha de Hermione na fenda da mscara do Comensal da Morte. O homem largou Harry imediatamente, soltando um uivo de dor. Harry se virou para enfrent-lo e exclamou
 - ESTUPEFAA!
O Comensal da Morte tombou de costas e sua mscara caiu era Macnair, o quase carrasco de Buckbeack, um dos seus olhos agora inchado e injetado.
 - Obrigado! - disse Harry a Neville, puxando-o para o lado, no momento em que Sirius e seu Comensal da Morte passaram por eles, duelando com tanta ferocidade que suas varinhas pareciam borres; ento, o p de Harry bateu em alguma coisa redonda e dura e ele escorregou. Por um momento, pensou que tivesse deixado cair a profecia, ento viu o olho de Moody rolando pelo cho.
Seu dono estava deitado de lado, a cabea sangrando, e o atacante agora avanava para Harry e Neville Dolohov, seu rosto plido e comprido torcido de prazer.
 - Tarantallegra! - gritou ele, a varinha apontada para Neville, cujas pernas iniciaram imediatamente um sapateado frentico, que o desequilibrou e o fez cair de novo no cho. - Agora, Potter...
Ele fez o mesmo movimento cortante com a varinha que usara contra Hermione na hora em que Harry berrou : 
 - Protego! 

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O garoto sentiu alguma coisa correr de um lado a outro de seu rosto como uma faca cega; a fora do golpe derrubou-o para o lado e ele caiu em cima das pernas danantes de Neville, mas o Feitio Escudo impedira o feitio de se completar. , Dolohov tornou a erguer a varinha. 
 - Accioprof...! 
Sirius se precipitara de algum lugar, batera em Dolohov com o
ombro fazendo-o voar para longe. A profecia mais uma vez escorregara para as pontas dos dedos de Harry, mas ele conseguiu ret-la. Agora Sirius e Dolohov duelavam, suas varinhas cortando o ar como espadas, fascas voando de suas pontas.
Dolohov puxou a varinha para fazer o mesmo movimento cortante que usara contra Harry e Hermione. Pondo-se em p de um salto, Harry berrou
 - Petrificus Totalus! - Mais uma vez, os braos e pernas de Dolohov se juntaram e ele adernou para trs, caindo com estrondo.
 - Boa! - gritou Sirius, empurrando a cabea de Harry para baixo quando uns dois Feitios Estuporantes voaram em direo a eles. Agora quero que vocs saiam d...
Os dois tornaram a se abaixar; um jato de luz verde quase atingiu Sirius. Do outro lado da sala, Harry viu Tonks cair na subida dos degraus, seu corpo inerte rolou de degrau em degrau e Belatrix, triunfante, voltar correndo para a briga.
 - Harry, leve a profecia, agarre Neville e corra! - berrou Sirius, correndo ao encontro de Belatrix. Harry no viu o que aconteceu a seguir Kingsley passou pelo seu campo de viso, lutando contra o bexiguento Rookwood, j sem capuz; outro jato de luz verde voou por cima da cabea de Harry quando ele se atirou em direo a Neville...
 - Voc consegue ficar em p? - berrou no ouvido do garoto, enquanto as pernas de Neville sacudiam e torciam descontroladas. Apoie o brao no meu pescoo...
Neville obedeceu - Harry arquejou - as pernas do amigo continuavam a sacudir para todos os lados, no o sustentariam, e ento, sem que vissem, um homem se atirou sobre eles os dois tombaram de costas. As pernas de Neville se agitavam sem direo como as de um besouro de barriga para cima, Harry com o brao esquerdo erguido no ar tentava impedir que a bolinha de vidro se quebrasse.
 - A profecia, me d a profecia, Potter! - vociferou Malfoy em seu ouvido, e Harry sentiu a ponta de uma varinha cutuc-lo com fora nas costelas.
 - No... me... largue... Neville - apanha!
Harry atirou a profecia pelo cho, o garoto se virou para ficar de costas e aparou a bolinha no peito. Malfoy, ento, apontou a varinha
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para Neville, mas Harry espetou a prpria varinha por cima do ombro e berrou
 - Impedimenta!
Malfoy voou para longe. Quando Harry conseguiu se levantar, olhou ao redor e viu o bruxo colidir com o estrado em que Sirius e Belatrix agora duelavam. 
Malfoy tornou a apontar a varinha para Harry e Neville, mas, antes que pudesse tomar ar para atacar, Lupin pulou entre eles.
 - Harry rena os outros e V!
Harry agarrou Neville pelos ombros das vestes e o ergueu at o primeiro degrau de pedra; as pernas do garoto se torciam e sacudiam, e no suportavam seu peso; Harry tornou a ergu-lo com todas as foras que tinha e subiram mais um degrau...
Um feitio atingiu o degrau de pedra junto ao calcanhar de Harry; o degrau desmoronou e ele caiu no degrau abaixo. Neville afundou no cho, as pernas ainda entortando e se agitando, e ele enfiou a profecia no bolso.
 - Vamos! - disse Harry desesperado, puxando Neville pelas vestes. - Tente empurrar com as pernas...
Ele deu mais um puxo descomunal e as vestes de Neville se rasgaram ao longo da costura lateral - a bolinha de vidro caiu do seu bolso e, antes que um dos dois pudesse peg-la, o p descontrolado de Neville a chutou a bolinha voou uns trs metros para a direita e se espatifou no degrau abaixo. Quando os dois olharam para o lugar em que ela se quebrara, aterrados com o acontecido, um vulto brancoprola de olhos enormemente aumentados se ergueu no ar, sem ningum reparar.
Harry viu a boca do vulto se mover, mas com todas as colises e gritos e berros que os rodeavam, no conseguiu ouvir uma s palavra da profecia. O vulto parou de falar e se evaporou.
 - Harry, sindo muido! - exclamou Neville, seu rosto aflito e as pernas ainda se contorcendo. - Sindo, Harry no dive indeno de...
 - No faz mal! - gritou Harry. - Tente ficar em p, vamos dar o fora...
 - Dubbledorel - disse Neville, seu rosto suarento subitamente arrebatado fixando alguma coisa por cima do ombro de Harry.
-Qu!
 - DUBBLEDORE!
Harry se virou para ver o que Neville olhava. Diretamente no alto, emoldurado pela porta da Sala do Crebro, achava-se Alvo Dumbledore, a varinha no ar, seu rosto plido e enfurecido. Harry sentiu uma espcie de choque eltrico em cada partcula do seu corpo - estavam salvos.
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Dumbledore desceu depressa os degraus passando por Neville e Harry, que no pensava mais em ir embora. Dumbledore j estava ao p dos degraus quando o Comensal da Morte mais prximo percebeu sua presena e berrou para os outros. Um dos Comensais da Morte correu o mais que pde, trepando como um macaco pelos degraus de pedra do lado oposto. Um feitio de Dumbledore o trouxe de volta com a maior facilidade, como se o tivesse fisgado com uma linha invisvel...
Somente um par continuava a lutar, aparentemente sem notar o recm-chegado. Harry viu Sirius se desviar de um raio vermelho de Belatrix ria dela.
 - Vamos, voc sabe fazer melhor que isso! - berrou ele, sua voz ecoando pela sala cavernosa.
O segundo jato de luz o atingiu bem no peito.
O riso ainda no desaparecera do seu rosto, mas seus olhos se arregalaram de choque.
Harry soltou Neville, embora nem tivesse conscincia do que fazia. Estava novamente descendo os degraus aos saltos, puxando a varinha, ao mesmo tempo que Dumbledore tambm se voltava para o estrado
Sirius pareceu levar uma eternidade para cair seu corpo descreveu um arco gracioso e ele mergulhou de costas no vu esfarrapado que pendia do arco.
Harry viu a expresso de medo e surpresa no rosto devastado e outrora bonito do seu padrinho quando ele atravessou o arco e desapareceu alm do vu, que esvoaou por um momento como se soprado por um vento forte, depois retomou a posio inicial.
Harry ouviu o grito triunfante de Belatrix Lestrange, mas sabia que no significava nada - Sirius simplesmente atravessara o arco, reapareceria do outro lado a qualquer segundo...
Mas Sirius no reapareceu.
 - SIRIUS! - berrou Harry. - SIRIUS!
Ele alcanara o poo, sua respirao ofegante e dolorosa. Sirius devia estar logo alm do vu, ele, Harry, o puxaria de volta...
Mas quando chegou ao poo e saltou para o estrado, Lupin o agarrou pelo peito, detendo-o.
 - No h nada que voc possa fazer, Harry... ,
 - Apanh-lo, salv-lo, ele s atravessou o vu! 
 - ...  tarde demais, Harry. 
 - Ainda podemos alcan-lo... - Harry lutou com fora e violncia, mas Lupin no o largou.
 - No h nada que voc possa fazer, Harry... nada... ele se foi.
 - CAPTULO TRINTA E SEIS
O nico a quem ele temeu na vida
 - No se foi, no! - bradou Harry. ; 
Ele no acreditava; no queria acreditar; continuava a lutar contra Lupin com todas as suas foras. Lupin no entendia; as pessoas se escondiam atrs daquele vu; Harry os ouvira sussurrando na primeira vez que entrara na sala; Sirius estava se escondendo, simplesmente emboscado fora de vista...
 - SIRIUS! - berrou. - SIRIUS!
 - Ele no pode voltar, Harry - disse Lupin, a voz embargando enquanto se esforava para conter Harry. - Ele no pode voltar porque est m...
 - ELE - NO - EST - MORTO! - bradou Harry. 
 - SIRIUS! Havia movimento em volta deles, alvoroo intil, lampejos de
feitios. Para Harry, eram rudos sem significao, os feitios com as trajetrias desviadas que passavam por eles no importavam, nada importava exceto que Lupin precisava parar de fingir que Sirius - que estava a alguns passos deles atrs daquela cortina velha - no ia reaparecer a qualquer momento, sacudindo para trs os cabelos negros e ansioso para retornar  luta.
Lupin puxou Harry para longe do estrado. O garoto, ainda olhando fixamente para o arco, estava zangado com Sirius, agora, por deix-lo esperando...
Mas uma parte dele compreendia, mesmo enquanto lutava para se desvencilhar de Lupin, que Sirius nunca o deixara esperando antes... Sempre arriscara tudo para ver Harry, para ajud-lo... se no saa do arco quando gritava por ele como se sua vida dependesse disso, a nica explicao possvel era que no podia voltar... era que realmente estava...
Dumbledore reunira a maioria dos Comensais da Morte restantes no meio da sala, aparentemente imobilizados por cordas invisveis; Olho-Tonto se arrastara pela sala at onde Tonks cara e tentava reanim-la; atrs do estrado, ainda havia clares momentneos, gru-
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nhidos e gritos - Kingsley avanara correndo para continuar o duelo de Sirius com Belatrix.
 - Harry?
Neville deslizara pelos degraus, um a um, at onde ele se encontrava. Harry parara de lutar com Lupin, que continuava a segurar seu brao por precauo.
 - Harry... Sindo muido... - disse Neville. Suas pernas prosseguiam danando descontroladas. - Aguele homem... Sirius Blagg... era seu... seu amigo?
Harry confirmou com a cabea.
 - Aqui - disse Lupin baixinho, e apontando a varinha para as pernas de Neville - Finite. - O feitio se desfez as pernas de Neville voltaram ao cho e pararam. O rosto de Lupin estava plido. - Vamos... vamos procurar os outros. Onde  que eles esto, Neville?
Lupin se afastou do arco enquanto falava. Parecia que cada palavra lhe causava dor.
 - Esdo l em cima. Um crebro adagou Ron mas acho gue ele esd bem... e Hermione desacordada, mas sendimos um pulso...
Ouviu-se um forte estampido e um berro vindo de trs do estrado. Harry viu Kingsley tombar no cho, berrando de dor Belatrix Lestrange deu meia-volta e fugiu correndo, e Dumbledore se virou depressa. Ele atirou um feitio contra ela, mas Belatrix o desviou; agora estava na metade da escadaria...
 - Harry... no! - exclamou Lupin, mas o garoto j se desvencilhara de seu aperto j frouxo.
 - ELA MATOU SIRIUS! - bradou Harry. - ELA O MATOU... ELA O
MATOU!
E o garoto saiu correndo, subindo os degraus; as pessoas gritavam para ele, mas Harry no deu ateno. A barra das vestes de Belatrix desapareceu  frente, e eles estavam novamente na sala em que os crebros flutuavam...
Ela lanou um feitio por cima do ombro. O tanque se ergueu no ar e virou. Harry recebeu um dilvio de lquido malcheiroso os crebros se desprenderam e escorregaram por cima dele, girando os longos tentculos coloridos, mas ele gritou " Wingarium Leviosa!" e eles voaram para longe. Tropeando e escorregando, Harry correu para a porta; saltou por cima de Luna, que gemia no cho, passou por Giny, que exclamou "Harry... qu?", por Ron, que ria bobamente, e Hermione, ainda inconsciente. Abriu com violncia a porta para a sala preta circular e viu Belatrix desaparecendo por uma porta do lado oposto; para alm ficava o corredor para os elevadores.
Ele correu, mas a bruxa batera a porta ao passar e as paredes j
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estavam girando. Mais uma vez, ele foi rodeado pelos riscos de luz azul produzidos pelos candelabros em movimento.
 - Onde  a sada? - gritou desesperado, quando a parede parou com um ronco. - Por onde se sai?
A sala parecia estar esperando a pergunta. A porta s suas costas se escancarou e ele viu se estender  sua frente o longo corredor dos elevadores, iluminado por archotes e deserto. Correu...
Ouviu um elevador descendo com estrpito; disparou pelo corredor, dobrou o canto e esmurrou 
o boto para chamar um segundo elevador. O veculo balanava e batia cada vez mais prximo; as grades se abriram e Harry precipitou-se para dentro, agora esmurrando o boto marcado "Atrio". As portas se fecharam e o elevador comeou a subir...
Ele forou as grades para sair do elevador antes que elas acabassem de abrir, e olhou a toda volta. Belatrix estava quase chegando  cabine telefnica na outra extremidade do saguo, mas ela olhou para trs quando Harry correu em sua direo e mirou outro feitio contra o garoto. Ele se abrigou atrs da Fonte dos Irmos Mgicos; o feitio passou voando por ele e atingiu as grades douradas do outro lado do Atrio, fazendo-as retinir como sinos. No se ouviram mais passos. Belatrix parara de correr. Ele se agachou atrs das esttuas, atento.
 - Saia da, saia Harryzinho! - chamou ela imitando voz de beb, e seu chamado ecoou no soalho encerado. - Para que foi que voc me seguiu ento? Pensei que estivesse aqui para vingar o meu querido primo!
 - E estou! - gritou Harry, e um coro de Harrys fantasmagricos pareceu repetir Estou! Estou! Estou! por todo o aposento.
 - Aaaaaah... voc o amava, bebezinho Potter?
Harry se sentiu invadido por um dio que jamais conhecera; atirou-se de trs da fonte e berrou " Crucio!
Belatrix gritou; o feitio a derrubara, mas ela no se contorceu nem gritou de dor como fizera Neville - j estava outra vez de p, ofegante, parara de rir. Harry tornou a se resguardar atrs da fonte dourada. O contrafeitio dela atingiu a bela cabea do bruxo, arrancou-a e projetou-a a mais de cinco metros, produzindo longos arranhes no soalho.
 - Nunca usou uma Maldio Imperdovel antes, no  menino?
 - gritou ela. Abandonara a vozinha de beb. -  preciso querer uslas, Potter!  preciso realmente querer causar dor, ter prazer nisso, raiva justificada no faz doer por muito tempo. vou lhe mostrar como se faz, est bem? vou lhe dar uma aula...
Harry ia contornando a fonte pelo outro lado quando ela bradou
"Crucio!", e ele foi forado a se abaixar outra vez na hora em que o brao do centauro, que segurava o arco, saiu rodopiando e desabou com estrondo no cho, a uma curta distncia da cabea dourada do bruxo.
 - Potter, voc no pode me vencer!
Ele podia ouvi-la se deslocando para a direita, para obter uma viso desimpedida dele. Harry contornou a esttua para se afastar de Belatrix, agachando-se atrs das pernas do centauro, a cabea na mesma altura que a do elfo domstico.
 - Fui e sou a mais leal servidora do Lorde das Trevas. Aprendi com ele as Artes das Trevas e conheo feitios to fortes com que voc, menininho pattico, no tem a menor esperana de competir...
 - Estupefaa! - berrou Harry. Ele contornara a fonte at o lugar em que o duende sorria para o bruxo, agora sem cabea, e apontara para as costas de Belatrix enquanto ela espiava pelo outro lado da fonte. A bruxa reagiu to depressa que ele mal teve tempo de se abaixar.
 - Protego!
O jato de luz vermelha, seu prprio Feitio Estuporante, se voltou contra ele. Harry correu a se proteger atrs da fonte e uma das orelhas do duende saiu voando pelo saguo.
 - Potter, vou lhe dar uma nica chance! - gritou Belatrix. - Me entregue a profecia, faa-a rolar pelo cho na minha direo, e talvez eu lhe poupe a vida!
 - Bom, voc vai ter de me matar, porque ela no existe mais! urrou Harry e, ao fazer isso, a dor queimou sua cicatriz; mais uma vez ela ardia como se estivesse em fogo, e o garoto sentiu um mpeto de fria completamente divorciado de sua prpria raiva. - E ele j sabe!
 - disse Harry, com uma risada desvairada que se igualava  de Belatrix.
 - Seu velho e amado companheiro Voldemort sabe que no existe mais! Ele no vai ficar nada satisfeito com voc, vai?
 - Qu? Que  que voc quer dizer? - exclamou ela, e pela primeira vez havia medo em sua voz.
 - A profecia se quebrou quando eu estava tentando subir os degraus com Neville. Ento, que  que voc acha que Voldemort vai dizer disso?
Sua cicatriz ficou em brasa e queimou... a dor fez seus olhos lacrimejarem...
 - MENTIROSO! - gritou Belatrix, mas ele percebia o terror por trs da raiva agora. - EST COM A PROFECIA, POTTER, E VAI ME
ENTREG-LA! Actio profecia! Accio PROFECIA!
Harry soltou outra risada porque sabia que isso a irritaria, a dor aumentava em sua cabea com tal intensidade que ele achou que seu
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crnio poderia estourar. Ele acenou a mo vazia por trs do duende de uma orelha s e retirou-a rapidamente quando Belatrix lanou mais um jato de luz verde contra ele.
 - No tem nada aqui! - gritou ele. - Nada para convocar! Ela quebrou e ningum ouviu o que disse, pode informar ao seu chefe!
 - No! - ela gritou. - No  verdade, voc est mentindo! MlLORDE, EU TENTEI, EU TENTEI... NO ME CASTIGUE...
 - No perca seu flego! - berrou Harry, os olhos apertados 
com a dor na cicatriz, agora mais terrvel que nunca. - Ele no pode ouvir voc daqui!
 - No posso, Potter? - disse uma voz aguda e fria. Harry abriu os olhos.
Alto, magro e encapuzado, sua medonha cara ofdica plida e magra, seus olhos vermelhos de pupilas verticais encarando-o... Lord Voldemort aparecera no meio do saguo, a varinha apontada para Harry, que ficou paralisado, incapaz de se mover.
 - Ento, voc destruiu minha profecia? - perguntou Voldemort mansamente, encarando Harry com aqueles olhos cruis e vermelhos.
 - No, Bela, ele no est mentindo... vejo a verdade me encarando de sua mente intil... meses de preparao, meses de esforo... e os meus Comensais da Morte deixaram Harry Potter me frustrar mais uma vez...
 - Milorde, sinto muito, eu no sabia, eu estava lutando com o animago Black! - soluou Belatrix, atirando-se aos ps de Voldemort quando ele se aproximou lentamente. - Milorde, o senhor devia saber...
 - Fique quieta, Bela - disse Voldemort, ameaador. - Cuidarei de voc em um momento. Voc acha que entrei no Ministrio da Magia para ouvir voc choramingar desculpas? ;
 - Mas milorde... ele est aqui... est l embaixo. Voldemort no lhe deu ateno.
 - No tenho mais nada a lhe dizer, Potter - falou ele calmamente. - Voc tem me aborrecido muitas vezes, por tempo demais. AvADA KEDAVRA!
Harry nem sequer abriu a boca para resistir; sua mente estava vazia, sua varinha apontava inutilmente para o cho.
Mas a esttua dourada do bruxo, agora sem cabea, ganhou vida na fonte, saltou do pedestal e aterrissou com estrpito no soalho entre Harry e Voldemort. Assim, o feitio apenas ricocheteou no peito da esttua quando ela abriu os braos para proteger o garoto.
 - Qu...? - exclamou Voldemort, olhando para os lados. E ento sussurrou - Dumbledore!
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Harry olhou para trs, seu corao batendo com violncia. Dumbledore estava parado  frente das grades douradas.
Voldemort ergueu a varinha e um segundo jato de luz verde coriscou no ar contra Dumbledore, que se virou e desapareceu com um rodopio da capa... No segundo seguinte, ele reapareceu atrs de Voldemort e acenou a varinha em direo ao que restara da fonte. As outras esttuas ganharam vida. A da bruxa correu para Belatrix, que gritou e lanou feitios, mas estes deslizaram inutilmente pelo peito da esttua, que se atirou sobre a bruxa e a pregou no cho. Entrementes, o duende e o elfo domstico correram para as lareiras ao longo da parede e o centauro sem brao galopou de encontro a Voldemort, que desapareceu e reapareceu ao lado da fonte. A esttua decapitada empurrou Harry para trs, afastando-o da luta, quando Dumbledore avanou para Voldemort, e o centauro dourado iniciou um meio galope em torno dos dois.
 - Foi uma tolice vir aqui hoje  noite, Tom - disse Dumbledore calmamente. - Os aurores esto a caminho...
 - Altura em que estarei longe e voc morto! - vociferou Voldemort. Ele lanou outra maldio letal contra Dumbledore, mas errou o alvo atingindo a mesa do guarda de segurana, que incendiou.
Dumbledore agitou sua varinha a fora do feitio que dela emanou foi tal que Harry, embora escudado por seu guarda dourado, sentiu os cabelos ficarem em p, quando o raio passou, e desta v/ Voldemort foi forado a conjurar do nada um reluzente escudo de prata para desvi-lo. O feitio, qualquer que fosse, no causou nenhum dano visvel ao escudo, embora produzisse uma nota grave como a de um gongo - um som estranhamente enregelante.
 - Voc no est procurando me matar, Dumbledore? - gritou Voldemort, seus olhos vermelhos apertados e visveis por cima do escudo. - Est acima de tal brutalidade?
 - Ambos sabemos que h outras maneiras de destruir um homem, Tom - disse Dumbledore calmamente, continuando a andar em direo a Voldemort como se nada temesse no mundo, como se nada tivesse acontecido para interromper o seu passeio pelo saguo. Admito que meramente tirar sua vida no me satisfaria...
 - No h nada pior do que a morte, Dumbledore! - rosnou Voldemort.
 - Voc est muito enganado - disse Dumbledore, ainda avanando para Voldemort e falando naturalmente como se estivessem discutindo a questo enquanto tomavam um drinque. Harry se sentiu apavorado ao v-lo caminhar, sem defesa, sem escudo; quis dar um grito de alerta, mas seu guarda decapitado no parava de empurr-lo para
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trs em direo  parede, bloqueando todas as suas tentativas de sair de trs dele. - Na verdade, sua incapacidade de compreender que h coisas muito piores do que a morte sempre foi sua maior fraqueza...
Mais um jato de luz verde voou de trs do escudo de prata. Desta vez foi o 
centauro de um s brao, galopando na frente de Dumbledore, quem recebeu o impacto e se partiu em mil pedaos, mas, antes mesmo que os fragmentos batessem no cho, Dumbledore recuara a varinha e a vibrara como se brandisse um chicote. De sua ponta voou uma chama longa e fina que se enrolou em Voldemort, com escudo e tudo. Por um momento, pareceu que Dumbledore vencera, mas ento a corda de fogo se transformou em uma serpente, que se desprendeu de Voldemort na mesma hora e se virou, sibilando furiosamente para enfrentar Dumbledore.
Voldemort desapareceu; a serpente se empinou no soalho, pronta para atacar...
Surgiu uma labareda no ar acima de Dumbledore ao mesmo tempo que Voldemort reaparecia sobre o pedestal no meio da fonte, onde at recentemente havia cinco esttuas.
 - Cuidado! - berrou Harry.
Mas, enquanto gritava, outro jato de luz verde voou da varinha de Voldemort contra Dumbledore e a serpente deu o bote...
Fawkes mergulhou  frente de Dumbledore, abriu o bico e engoliu o jato de luz verde inteiro ento rompeu em chamas e tombou no cho, pequena, enrugada e incapaz de voar. No mesmo instante, Dumbledore brandiu a varinha em um movimento fluido e longo a serpente, que estava prestes a enterrar as presas nele, voou muito alto e desapareceu em um fiapo de fumaa negra e a gua na fonte subiu e cobriu Voldemort como um casulo de vidro derretido.
Durante alguns segundos, Voldemort continuou visvel apenas como uma figura ondeada, escura e sem rosto, tremeluzente e difusa sobre o pedestal, tentando visivelmente se livrar da massa sufocante...
Ento desapareceu e a gua caiu com estrondo na fonte, extravasando impetuosamente pelas bordas, encharcando o cho encerado.
 - MILORDE! - gritou Belatrix.
Com certeza terminara, com certeza Voldemort batera em retirada, Harry fez meno de correr de trs de sua esttua-guarda, mas Dumbledore bradou
 - Fique onde est, Harry!
Pela primeira vez, Dumbledore pareceu temeroso. Harry no via por qu o saguo estava vazio, exceto pelos dois, a soluante Belatrix ainda presa sob a esttua da bruxa, e a Fnix recm-nascida crocitando debilmente no cho.
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Ento a cicatriz de Harry estourou e ele sentiu que estava morto; era uma dor que superava a imaginao, uma dor que superava a capacidade de sofrer...
Ele foi levado do saguo, preso nas espirais de uma criatura de olhos vermelhos to apertadas que ele no sabia onde terminava o seu corpo e comeava o da criatura estavam fundidos, unidos pela dor e no havia sada...
E quando a criatura falou, usou a boca de Harry, fazendo com que, em sua agonia, o garoto sentisse o queixo mexer.
 - Me mate agora, Dumbledore...
Cego e moribundo, cada parte do seu corpo gritando por alvio, Harry sentiu a criatura usando-o mais uma vez...
 - Se a morte no  nada, Dumbledore, mate o garoto...
Faa a dor passar, pensou Harry... faa ele nos matar... acabe com isso, Dumbledore... a morte no  nada em comparao...
E reverei Sirius.
E o corao de Harry se encheu de emoo, as espirais da criatura se afrouxaram, a dor desapareceu; ele estava deitado de borco no cho, sem culos, tremendo como se estivesse deitado sobre gelo e no madeira...
E havia vozes ecoando pelo saguo, mais vozes do que deveria haver... Harry abriu os olhos, viu seus culos junto ao calcanhar da esttua sem cabea que o guardava, mas que agora estava cada de costas no cho, rachada e imvel. Ps os culos, ergueu ligeiramente a cabea e descobriu o nariz torto de Dumbledore a centmetros do dele.
 - Voc est bem, Harry?
 - Estou - disse Harry, tremendo com tanta violncia que no conseguia manter a cabea em p direito. - Estou... onde est Voldemort, onde... quem so esses... que ...
O  trio estava cheio de gente; o soalho refletia as chamas verdeesmeralda que explodiram em todas as lareiras ao longo de uma das paredes; delas emergiam torrentes de bruxas e bruxos. Quando Dumbledore o ajudou a se levantar, Harry viu as minsculas estatuetas douradas do elfo domstico e do duende, conduzindo um aturdido Cornelius Fudge.
 - Ele estava ali! - gritou um homem de vestes vermelhas e rabode-cavalo, apontando para um monte de destroos dourados do outro lado do saguo, onde Belatrix estivera presa momentos antes. - Eu o vi, Sr. Fudge, juro que era Voc-Sabe-Quem, ele agarrou uma mulher e desmaterializou!
 - Eu sei, Williamson, eu sei, eu tambm o vi! - balbuciou Fudge,
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que estava usando pijama sob a capa de risca-de-giz e ofegava como se tivesse corrido quilmetros. - Pelas barbas de Merlim... aqui... aqui!... no Ministrio da Magia!... Cus... no parece possvel... palavra de honra... como pode ser...?
 - Se voc for ao Departamento de Mistrios, Cornelius - disse Dumbledore, aparentemente satisfeito de que Harry estivesse bem, e se adiantando para que os recm-chegados vissem que ele se encontrava ali pela primeira vez (alguns ergueram as varinhas; outros simplesmente fizeram caras surpresas; as esttuas do elfo e do duende aplaudiram 
e Fudge se assustou tanto que seus ps calados de chinelos se ergueram do cho) - voc encontrar vrios Comensais da Morte fugitivos amarrados na Cmara da Morte, por um Feitio Antidesmaterializao, aguardando sua deciso sobre o destino a dar a eles.
 - Dumbledore! - exclamou Fudge, sem conter o seu espanto. Voc... aqui... eu... eu...
Ele olhou agitado procurando os aurores que trouxera, e no poderia ter ficado mais claro que estava indeciso se deveria ordenar "Prendam-no!
 - Cornelius, estou pronto a enfrentar seus homens e venc-los mais uma vez! - disse Dumbledore com voz tonitruante. - Mas h uns minutos voc viu, com seus prprios olhos, a comprovao de que h um ano venho lhe dizendo a verdade. Lord Voldemort retornou, voc esteve perseguindo o homem errado durante doze meses, e j est na hora de ouvir a voz da razo!
 - Eu... no... bom - atropelou-se Fudge, olhando para os lados, como se esperasse algum lhe dizer o que fazer. Mas como todos continuaram calados, falou - Muito bem... Dawlish! Williamson! Desam ao Departamento de Mistrios e vejam... Dumbledore, voc... voc ter de me contar exatamente... a Fonte dos Irmos Mgicos... que aconteceu? - acrescentou lamurioso, correndo o olhar pelo cho, onde estavam espalhados os restos das esttuas da bruxa, do bruxo e do centauro.
 - Podemos discutir isso depois de eu mandar Harry de volta a Hogwarts - disse Dumbledore.
 - Harry... Harry Potter?
Fudge virou-se e encarou Harry, ainda encostado  parede ao lado da esttua cada que o guardara durante o duelo entre Dumbledore e Voldemort.
 - Ele... aqui? - espantou-se Fudge. - Por que... afinal que aconteceu?
 - Explicarei tudo - repetiu Dumbledore - quando Harry tiver regressado  escola.
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Dumbledore se afastou da fonte em direo  cabea dourada do bruxo no cho. Apontou a varinha para ela e murmurou "Portus". A cabea brilhou azulada, vibrou ruidosamente contra o cho de madeira por alguns segundos, ento tornou a se imobilizar.
 - Agora, escute aqui, Dumbledore! - disse Fudge, quando ele apanhou a cabea e voltou a Harry, carregando-a. - Voc no tem autorizao para usar essa Chave de Portal! Voc no pode agir assim diante do ministro da Magia, voc... voc...
Sua voz falhou sob o olhar professoral que Dumbledore lhe atirava por cima dos oclinhos de meia-lua.
 - Voc dar ordem para transferir Dolores Umbridge de Hogwarts - disse Dumbledore. - Mandar os seus aurores pararem de perseguir o meu professor de Trato das Criaturas Mgicas, para ele poder voltar ao trabalho. Concederei a voc... - Dumbledore puxou do bolso um relgio de doze ponteiros e o consultou -... meia hora do meu tempo hoje  noite, na qual poderei folgadamente abordar os pontos mais importantes do que aconteceu aqui. Depois, terei de retornar  minha escola. Se precisar de mais alguma ajuda, naturalmente, ser bem-vindo se entrar em contato comigo em Hogwarts. As cartas endereadas ao diretor chegaro s minhas mos.
Fudge arregalou mais que nunca os olhos; sua boca se abriu e o rosto redondo se tornou mais corado sob os cabelos grisalhos e despenteados.
 - Eu... VOc...
Dumbledore deu-lhe as costas. 
 - Pegue esta Chave de Portal, Harry.
Ele estendeu a cabea dourada da esttua e Harry pousou a mo nela, sem se importar com o que faria a seguir nem aonde iria.
 - Verei voc em meia hora - disse Dumbledore brandamente. Um... dois... trs...
Harry sentiu a conhecida sensao de que um gancho o puxava por trs do umbigo. O soalho polido desapareceu sob os seus ps; o Atrio, Fudge e Dumbledore, tudo desapareceu e ele estava voando num redemoinho de cor e som...
CAPTULO TRINTA E sete
A Professia Perdida
Os ps de Harry bateram em cho firme; seus joelhos se dobraram ligeiramente e a cabea dourada do bruxo caiu com um baque metlico no cho. Ele olhou ao redor e constatou que chegara ao escritrio de Dumbledore.
Tudo parecia ter se consertado na ausncia do diretor. Os delicados instrumentos de prata se encontravam mais uma vez sobre as mesinhas de pernas finas, soprando e zunindo serenamente. Os retratos dos diretores e diretoras cochilavam em seus quadros, as cabeas cadas molemente no encosto das poltronas ou apoiadas nas molduras. Harry espiou pela janela. Havia uma fria linha verde-clara no horizonte o dia ia despontando.
O silncio e a imobilidade, interrompidos apenas por um raro grunhido ou fungada de um retrato adormecido, eram insuportveis. Se o ambiente pudesse ter refletido os sentimentos que o dominavam, 
os quadros estariam gritando de dor. Ele andou pelo escritrio silencioso e belo, respirando depressa, tentando no pensar. Mas precisava pensar... no tinha sada...
Era sua culpa que Sirius tivesse morrido; inteiramente sua culpa. Se ele, Harry no tivesse sido burro de cair na esparrela de Voldemort, se no estivesse to convencido de que o que vira em sonho era real, se ao menos tivesse aberto a mente  possibilidade de que Voldemort, conforme dissera Hermione, estivesse apostando no prazer de Harry de bancar o heri...
Era insuportvel, ele no pensaria no assunto, no conseguiria suportar... havia um terrvel vazio em seu peito que ele no queria sentir nem examinar, um buraco negro em que Sirius estivera, em que Sirius desaparecera; ele no queria ter de ficar sozinho com aquele enorme espao silencioso, no conseguiria suportar...
Um quadro s suas costas soltou um ronco particularmente alto, e uma voz calma exclamou
-Ah... Harry Potter... 

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Fineus Nigellus deu um longo bocejo, se espreguiando enquanto observava Harry com seus olhos apertados e astutos.
 - E o que o traz aqui nas primeiras horas da manh? - perguntou o bruxo passado algum tempo. - O escritrio est interditado a todos, exceto ao seu legtimo diretor. Ou foi Dumbledore que o mandou aqui? Ah, no me diga nada... - Ele deu outro bocejo estremecido. Mais uma mensagem para o meu indigno bisneto?
Harry no pde responder. Fineus Nigellus no sabia que Sirius estava morto, mas Harry no poderia lhe contar. Diz-lo em voz alta seria tornar a morte final, absoluta, irrecupervel.
Mais alguns retratos se mexiam agora. O terror de ser interrogado fez Harry atravessar a sala e segurar a maaneta.
Ela no girou. Ele estava trancado.
 - Espero que isto signifique - disse um corpulento bruxo de nariz vermelho pendurado a uma parede atrs da escrivaninha do diretor - que em breve Dumbledore estar entre ns?
Harry se virou. O bruxo o fitava com grande interesse. O garoto confirmou com a cabea. E tornou a puxar a maaneta com as mos s costas, mas ela permaneceu imvel.
 - Ah, que bom - disse o bruxo. - Tem sido muito montono sem ele, muito montono mesmo.
O bruxo se acomodou no cadeiro semelhante a um trono, no qual fora retratado, e sorriu bondosamente para Harry.
 - Dumbledore tem uma opinio elogiosa sobre voc, como estou certo de que sabe - disse satisfeito. - Ah, sim. Tem voc em alta estima.
A sensao de culpa que enchia o peito de Harry como um parasita monstruoso e pesado agora se torcia e virava. Harry no conseguia suportar isso, no conseguia mais suportar ser quem era... nunca se sentira to encurralado dentro do prprio corpo, nunca desejara to intensamente poder ser outra pessoa, qualquer pessoa, ou...
A lareira vazia irrompeu em chamas verde-esmeralda, fazendo Harry saltar para longe da porta, e olhar para o homem que girava no interior da grade. Quando a figura alta de Dumbledore deixou o fogo, os bruxos e bruxas, nas paredes, acordaram de repente, muitos deles soltando exclamaes de boas-vindas.
 - Obrigado - disse Dumbledore brandamente.
Ele no olhou imediatamente para Harry, mas encaminhou-se para o poleiro ao lado da porta e retirou, do bolso interno das vestes, a minscula e feiosa Fawkes, que ele colocou com gentileza no borralho morno embaixo do suporte dourado em que a fnix adulta habitualmente ficava.
 - Bom, Harry - disse Dumbledore, finalmente afastando-se do
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filhote de fnix - voc vai ficar contente em saber que nenhum dos seus colegas vai sofrer danos permanentes em decorrncia dos acontecimentos desta noite.
Harry tentou dizer "Bom", mas a voz no saiu. Pareceu-lhe que o diretor estava lembrando-o da extenso dos danos que causara, e embora Dumbledore, para variar, estivesse 
olhando para ele, e embora sua expresso fosse bondosa em vez de acusatria, Harry no conseguiu olh-lo nos olhos.
 - Madame Pomfrey est remendando todos. Ninfadora Tonks talvez precise passar algum tempo no St. Mungus, mas parece que ir se recuperar totalmente.
Harry se contentou em assentir para o tapete, que se tornava mais claro  medida que o cu l fora empalidecia. Tinha certeza de que os quadros na sala estavam escutando ansiosamente cada palavra que Dumbledore dizia, perguntando-se onde o diretor e o garoto tinham estado e por que teria havido danos fsicos.
 - Sei como est se sentindo, Harry - disse Dumbledore mansamente.
 - No, o senhor no sabe, no - e sua voz saiu repentinamente alta e forte; uma raiva incandescente saltava dentro dele; Dumbledore no sabia nada a respeito dos seus sentimentos.
 - Est vendo, Dumbledore? - disse Fineus Nigellus sonsamente.
 - Nunca tente compreender os estudantes. Eles odeiam. Preferem muito mais ser tragicamente incompreendidos, chafurdar em autocomiserao, pagar seus prprios...
 - Chega, Fineus - disse Dumbledore.
Harry deu as costas ao diretor e ficou olhando decidido pela janela. Via o campo de quidditch ao longe. Sirius aparecera ali uma vez, disfarado de cachorro preto e peludo, para poder v-lo jogar... provavelmente viera ver se o filho era to bom quanto o pai fora... Harry nunca lhe perguntara...
 - No h vergonha no que voc est sentindo, Harry - disse a voz de Dumbledore. - Pelo contrrio... o fato de ser capaz de sentir dor com tal intensidade  a sua maior fora...
Harry sentiu a raiva incandescente lamber suas entranhas, transformar-se em labareda, no terrvel vcuo, enchendo-o com o desejo de ferir Dumbledore por sua calma e suas palavras vazias.
 - Minha grande fora, ? - retorquiu Harry, sua voz trmula, o olhar ainda fixo no estdio de quidditch, mas sem v-lo. - O senhor no faz a menor idia... o senhor no sabe...
 - Que  que eu no sei? - perguntou Dumbledore calmamente. Era demais. Harry se virou, tremendo de raiva.
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 - No quero falar sobre o que estou sentindo, est bem?
 - Harry, sofrer assim prova que voc continua a ser homem! Esta dor faz parte da sua humanidade...
 - ENTO EU - NO - QUERO - SER - HUMANO! - urrou Harry, e arrebatando um instrumento delicado de prata de cima de uma mesinha de pernas finas ao lado arremessou-o pela sala o objeto se estilhaou em mil pedacinhos contra a parede. Vrios quadros deixaram escapar gritos de raiva e susto, e o retrato de Armando Dippet exclamou "Francamente!".
 - NO QUERO MAIS SABER! - berrou Harry para eles, agarrando um lunascpio e atirando-o na lareira. - PARA MIM CHEGA, J VI O SUFICIENTE, QUERO SAIR, QUERO QUE ISTO ACABE, NO QUERO MAIS SABER...
E agarrando a mesa em que estivera o instrumento de prata, atirou-a tambm. Ela bateu no cho, e se partiu, suas pernas rolaram em vrias direes.
 - Voc quer saber, sim - disse Dumbledore. No piscara nem fizera um nico movimento para impedir que Harry demolisse o seu escritrio. Sua expresso era serena, quase indiferente. - Voc quer saber tanto que sente que ir morrer sangrando de dor.
 - NO! - gritou Harry, to alto que achou que sua garganta poderia rasgar, e por um segundo teve vontade de avanar em Dumbledore e quebrar o bruxo tambm; quebrar aquele rosto velho e calmo, sacudi-lo, machuc-lo, faz-lo sentir um pedacinho do horror que carregava em seu ntimo.
 - Ah, quer saber sim - disse o diretor, ainda mais tranqilo. Voc agora j perdeu sua me, seu pai e a pessoa mais prxima de um parente que j conheceu. E claro que voc quer saber.
 - O SENHOR NO SABE COMO ESTOU ME SENTINDO! - urrou Harry. - O SENHOR... FICA PARADO A... SEU...
Mas as palavras j no eram suficientes, quebrar coisas j no adiantava; ele queria fugir, queria fugir sem parar, sem nunca olhar para trs, queria ir para algum lugar em que no visse aqueles olhos azul-claros encarando-o, aquele rosto velho odiosamente calmo. Ele correu para a porta, tornou a agarrar a maaneta e puxou-a com fora.
Mas a porta no abriu
Harry tornou a se virar para Dumbledore.
 - Me deixe sair - disse ele. Estava tremendo dos ps  cabea. 
 - No - disse Dumbledore com simplicidade. 
Por alguns segundos eles se encararam. 
 - Me deixe sair - repetiu o garoto

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 - No - repetiu Dumbledore.
 - Se o senhor no deixar... se o senhor me prender aqui... se o senhor no me deixar...
 - Perfeitamente, continue a destruir os meus pertences - disse Dumbledore serenamente. - Reconheo que os tenho em excesso.
Ele contornou a escrivaninha e se sentou, contemplando Harry.
 - Me deixe sair - pediu o garoto ainda uma vez, numa voz fria e quase to calma quanto a de Dumbledore.
 - No, at que eu tenha dito o que quero.
 - O senhor - o senhor acha que eu quero 
 - o senhor acha que eu dou a - NO ME INTERESSA O QUE O SENHOR TEM A DIZER! urrou Harry. - No quero ouvir nada que o senhor tenha a dizer!
 - Vai querer, sim - disse o diretor com firmeza. - Porque voc est longe de sentir a raiva de mim que deveria estar sentindo. Se voc me atacar, como sei que est prestes a fazer, eu gostaria de ter merecido inteiramente.
 - Do que  que o senhor est falando?
 - Foi por minha culpa que Sirius morreu - disse o diretor claramente. - Ou ser que devo dizer, quase exclusivamente por minha culpa no serei to arrogante a ponto de assumir a responsabilidade por tudo. Sirius era um homem corajoso, inteligente e dinmico, e homens assim em geral no se contentam em ficar escondidos em casa, sabendo que outros esto correndo perigo. Ainda assim, voc nunca deveria ter acreditado por um instante que havia a menor necessidade de ter ido ao Departamento de Mistrios hoje  noite. Se eu tivesse sido franco com voc, Harry, como deveria ter sido, voc j saberia h muito tempo que Voldemort poderia tentar atra-lo ao Departamento de Mistrios, e voc nunca teria cado na esparrela de ir l hoje  noite. E Sirius no teria tido de sair atrs de voc. Esta culpa  minha, e somente minha.
Harry continuava parado com a mo na maaneta, mas no tinha conscincia disso. Olhava para Dumbledore, quase sem respirar, prestando ateno, mas quase sem entender o que estava ouvindo.
 - Por favor, sente-se - disse Dumbledore. No era uma ordem, era um pedido.
Harry hesitou, ento atravessou lentamente a sala, agora coalhada de pedacinhos de engrenagens de prata e fragmentos de madeira, e se sentou na cadeira diante da escrivaninha do diretor.
 - Devo entender - disse Fineus Nigellus lentamente  esquerda de Harry - que o meu bisneto, o ltimo dos Black, morreu?
 - Sim, Fineus - respondeu Dumbledore
 - Eu no acredito - disse Fineus bruscamente. ' ' -''<   ' l

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Harry virou a cabea em tempo de ver o bruxo sair decidido do quadro, e entendeu que ele estava indo visitar seu outro retrato no largo Grimmauld. Iria se deslocar talvez de quadro em quadro chamando por Sirius por toda a casa...
 - Harry, eu lhe devo uma explicao. Uma explicao para os erros de um velho. Porque vejo agora que o que fiz e o que no fiz, com relao a voc, tem todas as marcas de deslizes da velhice. Os jovens no podem saber como os idosos pensam e sentem. Mas os velhos so culpados quando se esquecem do que era ser jovem... e parece que ultimamente andei me esquecendo...
O sol estava realmente nascendo agora; havia uma linha laranja ofuscante acima das montanhas e para o alto o cu estava descolorido e plido. A luz incidia sobre Dumbledore, sobre suas sobrancelhas e barbas prateadas, sobre as rugas profundas em seu rosto.
 - Adivinhei, h quinze anos - quando vi a cicatriz em sua testa, o que poderia significar. Adivinhei que poderia ser o sinal de uma ligao entre voc e Voldemort.
 - O senhor j me disse isso, professor - interps Harry sem rodeios. Pouco se importava que estivesse sendo grosseiro. Pouco se importava com qualquer coisa que fosse.
 - Eu sei - falou Dumbledore em tom de quem pede desculpas. Eu sei, mas entenda, preciso comear por sua cicatriz. Porque se tornou aparente, logo depois de voc se reintegrar ao mundo mgico, que eu tinha razo, e que a cicatriz estava lhe dando avisos quando Voldemort se aproximava de voc ou sentia alguma emoo forte.
 - Eu sei - disse Harry, cansado.
 - E esta sua habilidade, de perceber a presena de Voldemort, mesmo sob disfarce, e saber o que ele est sentindo quando suas emoes o comovem, tornou-se cada vez mais pronunciada desde que Voldemort retomou o prprio corpo e seus plenos poderes.
Harry no se deu o trabalho de assentir. J sabia de tudo aquilo.
 - Mais recentemente - continuou Dumbledore - eu me preocupei que Voldemort pudesse perceber a existncia desta ligao entre vocs. De fato, chegou um momento em que voc penetrou to fundo em sua mente que ele sentiu sua presena. Estou me referindo,  claro,  noite em que voc testemunhou o ataque ao Sr. Weasley.
 - Sei, o Snape me disse - murmurou Harry.
 - Professor Snape, Harry - corrigiu-o Dumbledore em tom brando. - Mas voc no se perguntou por que no fui eu que lhe expliquei isso? Por que no lhe ensinei Oclumncia? Por que nem sequer olhei para voc durante meses? 
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Harry ergueu a cabea. Via agora que Dumbledore parecia triste e cansado.
 - Claro - murmurou - claro que me perguntei.
 - Sabe - continuou Dumbledore - achei que no iria demorar muito para Voldemort forar entrada em sua mente, manipular e desviar seus pensamentos, e eu no estava querendo lhe dar mais 
incentivos para isso. Eu tinha certeza que se percebesse que o nosso relacionamento era, ou sempre fora, mais ntimo do que o de diretor e aluno, ele aproveitaria a oportunidade para us-lo como um meio para me espionar. Temi as maneiras com que ele poderia us-lo, a possibilidade de que poderia tentar possu-lo. Harry, creio que eu estava certo em pensar que Voldemort teria usado voc assim. Nas raras ocasies em que estivemos em contato, pensei ter visto a sombra dele se mover por trs dos seus olhos...
Harry se lembrou da sensao de que uma cobra adormecida despertara dentro dele, pronta para atacar, nos momentos em que ele e Dumbledore faziam contato visual.
 - O objetivo de Voldemort em possu-lo, conforme ficou demonstrado esta noite, no seria a minha destruio. Seria a sua. Ele esperou, quando o possuiu por breves momentos ainda h pouco, que eu sacrificaria voc na esperana de mat-lo. Ento, como v, Harry, estive tentando me manter longe de voc, para proteg-lo, Harry, um erro de um velho...
Ele suspirou profundamente. Harry estava deixando as palavras resvalarem por ele. Teria se interessado muito em saber dessas coisas h alguns meses, mas agora haviam perdido o sentido se comparadas ao imenso abismo em seu ntimo, representado pela perda de Sirius; nada tinha importncia...
 - Sirius me contou que voc sentiu Voldemort despertar dentro de voc na prpria noite em que teve a viso do ataque a Arthur Weasley. Percebi na mesma hora que os meus piores temores se confirmavam Voldemort sentira que poderia us-lo. Na tentativa de arm-lo contra os assaltos de Voldemort  sua mente, eu combinei com o Prof. Snape para lhe dar aulas de Oclumncia.
Ele fez uma pausa. Harry contemplava o nascimento do sol, que veio deslizando vagarosamente pela superfcie polida da escrivaninha de Dumbledore, iluminou um tinteiro de prata e uma bela pena vermelha. Harry sabia que os retratos nas paredes estavam acordados e escutavam arrebatados a explicao de Dumbledore; ele ouvia o farfalhar ocasional de vestes, um ligeiro pigarro. Fineus Nigellus ainda no regressara...
 - O Prof. Snape descobriu - Dumbledore retomou a palavra -
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que voc andava sonhando com a porta do Departamento de Mistrios h meses. Voldemort, naturalmente, estivera obcecado com a possibilidade de ouvir a profecia desde que recuperara o corpo; e quando ele pensava na porta, voc tambm o fazia, embora no soubesse o que significava.
E ento voc viu Rookwood, que trabalhava no Departamento de Mistrios antes de ser preso, contando a Voldemort o que sempre soubramos, que as profecias guardadas no Ministrio da Magia so fortemente protegidas. Somente as pessoas a quem elas se referem podem tir-las das prateleiras sem enlouquecerem neste caso, ou Voldemort em pessoa teria de entrar no Ministrio da Magia, e se arriscar a finalmente revelar sua presena, ou ento voc teria de fazer isso por ele. Tornou-se, ento, uma questo de urgncia ainda maior que voc aprendesse Oclumncia.
 - Mas eu no aprendi - murmurou Harry. Disse isso em voz alta para tentar aliviar o contrapeso de c/ulpa em seu ntimo uma confisso com certeza reduziria um pouco da terrvel presso que apertava seu corao. - Eu no pratiquei, no me esforcei, poderia ter parado com aqueles sonhos, Hermione me dizia o tempo todo para estudar, se eu tivesse atendido ele jamais poderia ter me mostrado aonde ir e... Sirius no estaria... Sirius no estaria...
Alguma coisa estava eclodindo na cabea de Harry uma necessidade de se justificar, de explicar...
 - Eu tentei verificar se ele realmente prendera Sirius, fui  sala da Umbridge, falei com Kreacher nas chamas do fogo e ele me disse que Sirius no estava em casa, que tinha sado!
 - Kreacher mentiu - disse Dumbledore calmamente. - Voc no  o dono dele, podia lhe mentir sem precisar se castigar. Kreacher queria que voc fosse ao Ministrio da Magia.
 - Ele... ele me mandou de propsito?
 - Mandou. Kreacher, receio dizer, estava servindo a dois senhores havia meses.
 - Como? - perguntou Harry sem entender. - Ele no sai do largo Grimmauld h anos.
 - Kreacher aproveitou a oportunidade pouco antes do Natal disse Dumbledore - quando Sirius, pelo que soube, gritou-lhe que fosse embora. Ele tomou a ordem ao p da letra e a interpretou como uma ordem para sair da casa. Procurou, ento, a nica pessoa da famlia Black por quem ainda tinha algum respeito... a prima de Black, Narcisa, irm de Belatrix e esposa de Lcio Malfoy.
 - Como  que o senhor sabe de tudo isso? - perguntou Harry com o corao batendo muito depressa. Sentia-se mal. Lembrou-se
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de ter se preocupado com a estranha ausncia de Kreacher durante o Natal, lembrou-se do elfo ter reaparecido no sto...
 - Kreacher me contou ontem  noite - disse Dumbledore. - Sabe, quando voc deu ao Prof. Snape aquele aviso enigmtico, ele percebeu que voc tivera uma viso de Sirius prisioneiro nas entranhas do Departamento de Mistrios. Ele, como voc, tentou contatar Sirius 
imediatamente. Devo explicar que os membros da Ordem da Fnix tm mtodos mais confiveis de se comunicar do que a lareira na sala de Dolores Umbridge. O Prof. Snape descobriu que Sirius se encontrava so e salvo no largo Grimmauld.
Quando, porm, voc no voltou da ida  Floresta Proibida com Dolores Umbridge, o Prof. Snape ficou preocupado que voc talvez continuasse a achar que Sirius estava prisioneiro de Lord Voldemort. E alertou outros membros da Ordem na mesma hora.
Dumbledore deu um grande suspiro e continuou
 - Alastor Moody, Ninfadora Tonks, Kingsley Shacklebolt e Remus Lupin estavam na sede quando ele entrou em contato. Todos concordaram prontamente em ir em seu auxlio. O Prof. Snape pediu a Sirius para no ir, porque precisava que algum ficasse na sede para me contar o que acontecera, pois eu estava sendo esperado a qualquer momento. Nesse meio-tempo, o Prof. Snape pretendia procurar voc na Floresta.
Mas Sirius no quis ficar para trs quando os outros foram procur-lo. Incumbiu o Kreacher de me contar o que sucedera. Ento, quando cheguei ao largo Grimmauld pouco depois de todos terem sado para o Ministrio, foi o elfo quem me contou, s gargalhadas, aonde Sirius fora.
 - Ele estava s gargalhadas? - perguntou Harry com a voz cava.
 - Ah, estava. Veja, Kreacher no conseguiu nos trair inteiramente. Ele no  Fiel do Segredo da Ordem, no poderia informar aos Malfoy o nosso paradeiro, tampouco os planos confidenciais da Ordem que ele fora proibido de revelar. Estava impedido por encantamentos prprios a sua espcie, o que quer dizer que no podia desobedecer a uma ordem direta do seu dono, Sirius. Mas deu a Narcisa informaes valiosas para Voldemort, do tipo que deve ter parecido a Sirius demasiado trivial para proibi-lo de repetir.
 - Como o qu? - perguntou Harry.
 - Como o fato de que a pessoa que Sirius mais gostava no mundo era voc - disse Dumbledore em voz baixa. - Como o fato de que voc estava comeando a encarar Sirius como uma espcie de pai e irmo.
Voldemort j sabia,  claro, que Sirius fazia parte da Ordem, e
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que voc sabia onde encontr-lo; mas a informao de Kreacher o fez perceber que a nica pessoa que voc no mediria esforos para salvar era Sirius Black.
Os lbios de Harry estavam frios e insensveis.
 - Ento... quando perguntei ao Kreacher se Sirius estava l ontem  noite...
 - Os Malfoy, sem dvida por ordem de Voldemort, tinham dito a ele que precisava encontrar um meio de manter Sirius fora do caminho, quando voc tivesse a viso de que ele estava sendo torturado. Ento, se voc resolvesse verificar se seu padrinho estava ou no em casa, Kreacher poderia fingir que ele no estava. Kreacher machucou o hipogrifo ontem  noite, e, no momento em que voc apareceu nas chamas, Sirius estava no andar de cima cuidando do bicho.
Parecia haver pouco ar nos pulmes de Harry; sua respirao era rpida e superficial.
 - E Kreacher contou tudo isso ao senhor e... deu gargalhadas? perguntou ele rouco.
 - Ele no queria me contar. Mas sou suficientemente bom em Legilimncia para saber quando esto mentindo para mim, e persuadi-o a me contar a histria toda, antes de sair para o Departamento de Mistrios.
 - E - sussurrou Harry, as mos fechadas e frias sobre os joelhos - e Hermione vivia nos dizendo para sermos bonzinhos com ele...
 - E estava certa, Harry. Alertei Sirius quando adotamos o largo Grimmauld doze como nossa sede, que Kreacher devia ser tratado com bondade e respeito. Disse-lhe tambm que Kreacher poderia ser perigoso para ns. Acho que Sirius no me levou a srio, nem nunca encarou Kreacher como um ser com sentimentos to apurados quanto os de um humano...
 - No venha culpar... no venha... me falar de Sirius como se... A respirao de Harry estava presa, no conseguia enunciar as palavras claramente; mas a raiva que diminura momentaneamente tornou a arrebat-lo no deixaria Dumbledore criticar Sirius. - Kreacher  um mentiroso... sujo... merecia...
 - Kreacher  o que os bruxos fizeram dele, Harry - disse Dumbledore. - Ele merece compaixo. A vida dele tem sido to infeliz quanto a do seu amigo Dobby. Foi forado a obedecer a Sirius porque era o ltimo da famlia de quem era escravo, mas no sentia a real lealdade pelo dono. E quaisquer que sejam os defeitos do Kreacher, devemos admitir que Sirius no fez nada para amenizar a vida dele...
 - NO FALE DE SIRIUS ASSIM! - berrou Harry.
, Estava mais uma vez em p, furioso, pronto para se atirar contra
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Dumbledore, que claramente no entendera nada de Sirius, como era corajoso, o quanto sofrer...
 - E Snape? - atirou Harry. - O senhor no fala dele, no ? Quando lhe contei que Voldemort tinha prendido Sirius, ele apenas me deu um sorriso desdenhoso como sempre...
 - Harry, voc sabe que o Prof. Snape no tinha opo seno fingir que no estava levando voc a srio, na frente de Dolores Umbridge - disse Dumbledore com firmeza - mas, 
conforme lhe expliquei, ele informou  Ordem o mais rpido que pde o que voc havia dito. Foi ele quem deduziu aonde voc teria ido quando no o viu retornar da Floresta. Foi ele, tambm, que deu  Prof Umbridge um Veritaserum adulterado quando ela quis for-lo a dizer o paradeiro de Sirius.
Harry fingiu no ouvir isso; sentia um prazer selvagem em culpar Snape, parecia aliviar sua horrvel sensao de culpa, e queria ouvir Dumbledore concordar com ele.
 - Snape... Snape at-atormentava Sirius por ficar em casa... fazia Sirius se sentir covarde...
 - Sirius tinha maturidade e inteligncia suficientes para no permitir que essas implicncias tolas o atormentassem.
 - Snape parou de me dar aulas de Oclumncia! - vociferou Harry. - Me expulsou da sala!
 - Estou ciente disso - disse Dumbledore pesaroso. - J disse que foi um erro no ter me encarregado de ensin-lo pessoalmente, embora tivesse certeza,  poca, que nada poderia ser mais perigoso do que abrir mais sua mente a Voldemort na minha presena...
 - Snape fez pior, minha cicatriz sempre doa mais depois das aulas dele... - Harry lembrou-se dos comentrios de Ron sobre o assunto e prosseguiu - Como  que o senhor sabe se ele no estava tentando me amaciar para Voldemort, tornar mais fcil ele penetrar minha...
 - Eu confio em Severo Snape - disse Dumbledore com simplicidade. - Mas me esqueci, outro erro de velho... que algumas feridas so profundas demais para sarar. Pensei que o Prof. Snape pudesse superar os sentimentos por seu pai... estava enganado.
 - Mas tudo bem, no ? - berrou Harry ignorando as expresses escandalizadas e os murmrios de desaprovao dos retratos nas paredes. - Tudo bem Snape odiar meu pai, mas nada bem Sirius odiar o Kreacher?
 - Sirius no odiava Kreacher. Considerava-o um servo indigno de interesse ou ateno. A indiferena e o abandono muitas vezes causam mais danos do que a averso direta... a fonte que destrumos esta noite representava uma mentira. Ns, bruxos, temos maltratado e abusado
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dos nossos companheiros por um tempo longo demais, e agora estamos colhendo o que semeamos.
 - ENTO SlRIUS MERECEU O QUE RECEBEU,  ISSO? - berrou Harry.
 - Eu no disse isso, nem nunca voc me ouvir dizer isso - respondeu Dumbledore calmamente. - Sirius no era um homem cruel, era bondoso com elfos domsticos em geral. No gostava de Kreacher, porque ele era uma lembrana viva da casa que Sirius odiava.
 - E como a odiava! - exclamou Harry, sua voz falhando, dando as costas a Dumbledore, e se afastando. O sol iluminava a sala agora e os olhos de todos os retratos acompanharam o garoto se afastar, sem perceber o que estava fazendo nem ver o escritrio. - O senhor o obrigou a ficar trancado naquela casa e ele odiou, foi por isso que quis sair ontem  noite...
 - Eu estava tentando manter Sirius vivo - respondeu Dumbledore brandamente.
 - As pessoas no gostam de ficar trancafiadas! - disse Harry enfurecido, virando-se para ele. - O senhor fez isso comigo no vero passado...
Dumbledore fechou os olhos e escondeu o rosto nas mos de dedos longos. Harry o observava, mas esse sinal pouco caracterstico de exausto, de tristeza, ou do que quer que fosse que Dumbledore sentia, no o enterneceu. Pelo contrrio, o garoto sentiu ainda mais raiva que Dumbledore estivesse dando sinais de fraqueza. No tinha nada de ser fraco quando Harry queria se enfurecer e esbravejar com ele.
Dumbledore baixou as mos, estudou Harry atravs dos seus oclinhos de meia-lua, e falou
 - Est na hora de lhe dizer o que deveria ter-lhe dito h cinco anos, Harry. Sente-se, por favor. vou lhe contar tudo. Peo que tenha um pouco de pacincia. Voc ter oportunidade de se enfurecer comigo, de fazer o que quiser, quando eu terminar. No irei impedi-lo.
Harry encarou-o com ar feroz um momento, ento atirou-se de volta  cadeira em frente ao diretor e aguardou.
Dumbledore contemplou por um momento os terrenos ensolarados do lado de fora da janela, depois voltou a olhar para Harry e disse
 - H cinco anos, voc chegou a Hogwarts, Harry, so e salvo, como eu planejara e queria que tivesse sido. Bom, no totalmente so. Voc sofrer. Eu sabia que isso aconteceria quando o deixei  porta dos seus tios. Sabia que o estava condenando a dez anos sombrios e
difceis. 
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Ele fez uma pausa. Harry continuou calado.
 - Voc poderia perguntar, e com toda razo, por que tinha de ser assim. Por que uma famlia bruxa no poderia t-lo criado? Muitos teriam feito isso mais do que satisfeitos, teriam se sentido honrados e encantados em cri-lo como filho.
Minha resposta  que a prioridade era manter voc vivo. Voc corria muito mais perigo do que as pessoas,  exceo de mim, compreendiam. Voldemort fora vencido horas antes, 
mas seus seguidores, e muitos so quase to terrveis quanto ele, continuavam soltos, enfurecidos, desesperados e violentos. E tive de me decidir, tambm, com relao aos anos futuros. Ser que eu acreditava que Voldemort se fora para sempre? No. Eu no sabia se levaria dez, vinte ou cinqenta anos para ele retornar, mas tinha certeza de que o faria, e tinha certeza tambm, conhecendo-o como conheo, de que ele no descansaria enquanto no matasse voc.
Eu sabia que o conhecimento que Voldemort tem de magia talvez seja mais amplo do que o de qualquer outro bruxo vivo. Eu sabia que os meus feitios de proteo mais complexos e poderosos provavelmente no seriam invencveis se ele algum dia recuperasse seus plenos poderes.
Mas eu sabia, tambm, qual era o ponto fraco de Voldemort. Ento, tomei minha deciso. Voc seria protegido por uma magia antiga de que ele tem conhecimento, mas que despreza e, portanto, sempre subestimou, para seu prejuzo. Estou me referindo, naturalmente, ao fato de que sua me morreu para salv-lo. Ela lhe conferiu uma proteo duradoura que ele jamais esperou, uma proteo que at hoje corre em suas veias. Confio, portanto, no sangue de sua me. Entreguei voc  irm dela, sua nica parenta viva.
 - Ela no me ama - disse Harry na mesma hora. - Ela no liga a mnima...
 - Mas ela o aceitou - interrompeu-o Dumbledore. - Pode t-lo aceitado de m vontade, enfurecida, contrariada, amargurada, mas, ainda assim, o aceitou, e, ao fazer isso, selou o feitio que lancei sobre voc. O sacrifcio de sua me transformou o vnculo de sangue no escudo mais forte que eu poderia lhe dar.
 - Mas continuo sem...
 - Enquanto voc ainda puder chamar de sua a casa em que vive o sangue de sua me, ali voc no pode ser tocado nem ferido por Voldemort. Lily derramou seu sangue, mas ele continua vivo em voc e em sua tia. O sangue dela se tornou o seu refgio. Voc precisa voltar l apenas uma vez por ano, mas enquanto puder chamar aquela casa de sua, enquanto estiver l, ele no poder atingi-lo. Sua
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tia sabe disso. Expliquei-lhe o que tinha feito na carta que deixei com voc  porta dela. Ela sabe que ao acolher voc ela talvez o tenha mantido vivo nos ltimos quinze anos.
 - Espere - disse Harry. - Espere um momento.
Ele se endireitou na cadeira, encarando Dumbledore.
 - Foi o senhor que mandou aquele berrador. O senhor disse a ela que se lembrasse... foi a sua voz...
 - Pensei - disse Dumbledore, inclinando ligeiramente a cabea que ela poderia precisar de um lembrete sobre o pacto que selara ao acolher voc. Suspeitei que o ataque do Dementador pudesse t-la despertado para os perigos de ter voc como filho de criao.
 - Despertou - disse Harry em voz baixa. - Bom... o meu tio mais do que ela. Ele queria me mandar embora, mas depois que o Berrador chegou, ela... ela disse que eu tinha de ficar.
Harry contemplou o cho por um momento, ento perguntou
 - Mas o que  que isso tem a ver com... Ele no conseguia dizer o nome de Sirius.
 - H cinco anos, ento - continuou Dumbledore, como se no tivesse feito pausa alguma em sua histria - voc chegou em Hogwarts, talvez nem to feliz nem to bem nutrido como eu gostaria que estivesse, mas vivo e saudvel. No era um principezinho mimado, mas um menino to normal quanto eu poderia esperar nas circunstncias. At ali o meu plano correra bem.
Ento... bom, voc se lembra dos acontecimentos do seu primeiro ano em Hogwarts to claramente quanto eu. Voc enfrentou magnificamente o desafio que se apresentou e mais cedo, muito mais cedo do que eu previra, voc se viu frente a frente com Voldemort. Mais uma vez voc sobreviveu. E fez mais do que isso. Atrasou a recuperao dos poderes dele e de sua fora. Voc lutou como um homem adulto. Senti mais orgulho de voc do que sou capaz de expressar.
Contudo, havia uma falha nesse meu plano maravilhoso. Uma falha bvia, que eu sabia, j ento, que poderia pr tudo a perder. No entanto, sabendo como era importante que o meu plano tivesse xito, disse a mim mesmo que no permitiria que aquela falha o arruinasse. Somente eu poderia impedir isso, ento somente eu precisava ser forte. E veio o meu primeiro teste, quando voc estava deitado na ala hospitalar, enfraquecido pela luta com Voldemort.
 - No entendo o que o senhor est dizendo - falou Harry.
 - Voc no se lembra de ter me perguntado, quando estava na ala hospitalar, por que Voldemort tentara mat-lo ainda beb?
Harry confirmou com a cabea.
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r - Ser que eu deveria ter lhe contado ento?
Harry encarou os olhos azuis e no respondeu, mas seu corao disparou mais uma vez.
 - Voc ainda no est percebendo a falha do plano? No... talvez no. Bom, como voc sabe, eu preferi no lhe responder. Onze anos, disse a mim mesmo, era muito cedo para saber. Nunca pretendera 
lhe contar aos onze anos. O conhecimento seria uma carga pesada demais em uma idade to tenra.
Eu deveria ter reconhecido os sinais de perigo ento. Deveria ter me perguntado por que no me sentia mais perturbado com o fato de voc j ter feito a pergunta a que eu sabia que um dia precisava dar uma resposta terrvel. Eu deveria ter reconhecido que estava me sentindo excessivamente feliz em pensar que no precisava respond-la naquele dia... voc era criana, criana demais.
Ento entramos no seu segundo ano em Hogwarts. E mais uma vez voc enfrentou desafios que nem bruxos adultos tinham enfrentado; mais uma vez voc se desincumbiu melhor do que no meu sonho mais ambicioso. Mas voc no tornou a me perguntar por que Voldemort deixara aquela marca em voc. Falamos sobre sua cicatriz, ah, sim... estivemos muitssimo perto de tocar na questo principal. Por que no lhe contei tudo?
Bom, me pareceu que doze anos eram, afinal, pouco mais que onze para receber uma informao dessas. Permiti que voc deixasse a minha presena, sujo de sangue, exausto mas eufrico, e senti um pequeno mal-estar porque talvez devesse ter lhe contado ento, mas logo o mal-estar passou. Voc ainda era to jovem, entende, e no tive coragem de estragar aquela noite de triunfo...
Voc est vendo, Harry? Est vendo agora a falha do meu brilhante plano? Eu cara na armadilha que previra, que dissera a mim mesmo que poderia evitar, que precisava evitar.
 - Eu no...
 - Eu me preocupava demais com voc - disse Dumbledore com simplicidade. - Me preocupava mais com a sua felicidade do que com o seu conhecimento da verdade, mais com a sua paz de esprito do que com o meu plano, mais com a sua vida do que com as vidas que seriam perdidas se o plano fracassasse. Agi exatamente como Voldemort espera que ns, tolos, que amamos, faamos.
Tenho defesa? Desafio qualquer um que tenha observado voc como eu - e eu o tenho observado mais atentamente do que voc pode ter imaginado - a no querer lhe poupar mais dor do que voc j tem sofrido. Que me importavam as inmeras pessoas e bichos sem nome nem rosto sacrificados em um futuro difuso, se no aqui e agora
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voc estava vivo, bem e feliz? Nunca sonhei que seria responsvel por algum assim.
Entramos no seu terceiro ano. Observei de longe voc lutar para repelir Dementadores, quando encontrou Sirius, descobrir quem era ele e salv-lo. Ser que eu deveria ter lhe dito ento, no momento em que triunfalmente arrebatara seu padrinho das garras do Ministrio? Mas agora, aos treze anos, as minhas desculpas estavam se esgotando. Voc poderia ser jovem, mas provara que era excepcional. Minha conscincia se inquietou, Harry. Eu sabia que em breve a hora teria de chegar...
Mas voc saiu do labirinto no ano passado, depois de presenciar Cedric Diggory morrer, de voc mesmo ter escapado da morte por um triz... e eu no lhe contei, embora soubesse que agora que Voldemort retornara, precisava fazer isso sem demora. E hoje  noite, sei que est pronto h muito tempo para saber o que lhe escondi durante tanto tempo, porque voc provou que eu j deveria ter colocado essa carga sobre seus ombros. Minha nica defesa  que tenho observado voc carregar mais pesos do que qualquer outro estudante que j passou por esta escola, e no tive coragem de acrescentar mais um o maior de todos.
Harry esperou, mas Dumbledore no falou.
 - Ainda no consigo entender.
 - Voldemort tentou mat-lo quando voc era criana por causa de uma profecia feita pouco antes do seu nascimento. Ele sabia da existncia dessa profecia, embora no conhecesse todo o seu contedo. Disps-se a mat-lo ainda beb, acreditando que estava cumprindo os dizeres da profecia. Descobriu,  prpria custa, que estava enganado, quando a maldio que ele lanara para mat-lo saiu pela culatra. Ento, desde que recuperou o corpo, e particularmente desde a sua extraordinria fuga de suas mos no ano passado, ele decidiu ouvir aquela profecia inteira. Esta  a arma que ele tem buscado com tanta diligncia desde o seu retorno o conhecimento de como destru-lo.
O sol acabara de nascer totalmente agora o escritrio de Dumbledore estava banhado em luz. A redoma de vidro em que a espada de Goderick Gryffindor era guardada brilhava esbranquiada e opaca, os cacos dos instrumentos que Harry atirara no cho refulgiam como gotas de chuva e, s suas costas, a pequenina fnix chilreava em seu ninho de cinzas.
 - A profecia quebrou - disse Harry confuso. - Eu estava puxando Neville para cima naqueles degraus de pedra na... na sala onde fica o arco, rasguei as vestes dele e a profecia caiu...
 - A coisa que quebrou foi apenas o registro da profecia guardada
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pelo Departamento de Mistrios. Mas ela foi feita para algum, e essa pessoa tem meios de lembr-la perfeitamente.
 - Quem a ouviu? - perguntou Harry, embora j conhecesse a resposta.
 - Eu - disse Dumbledore. - Em uma noite fria e chuvosa, h dezesseis anos, em uma 
sala do primeiro andar no Cabea de Javali. Eu tinha ido l para ver uma candidata ao cargo de professora de Adivinhao, embora fosse contra o meu pensamento que se continuasse a ensinar essa disciplina. A candidata, porm, era trineta de uma Vidente muito famosa, muito talentosa, e achei que tinha o dever de cortesia de conhec-la. Fiquei desapontado. Pareceu-me que a moa no tinha o menor vestgio daquele talento. Disse-lhe, gentilmente, espero, que no a achava qualificada para o cargo. E me virei para sair.
Dumbledore se levantou e passou por Harry em direo ao armrio preto que ficava ao lado do poleiro de Fawkes. Curvou-se, correu um trinco e apanhou dentro do armrio a bacia rasa de pedra, com as runas gravadas na borda, em que Harry vira seu pai atormentando Snape. O diretor voltou, colocou a Penseira em cima da escrivaninha e levou a varinha  tmpora. Dela, retirou fios sedosos, difanos e prateados de pensamentos e os depositou na bacia. Acomodou-se outra vez  escrivaninha e observou seus pensamentos rodopiarem flutuando na Penseira por um momento. Ento, com um suspiro, ergueu a varinha e tocou, com a ponta, a substncia prateada.
Ergueu-se da Penseira uma figura envolta em xales, os olhos enormes por trs dos culos que girou lentamente, os ps dentro da bacia. Mas quando Sibila Trelawney falou, no foi com sua voz normal, etrea e mstica, mas no tom spero e rouco que Harry a ouvira
usar uma vez.
Aquele com o poder de vencer o Lorde das Trevas se aproxima... nascido dos que o desafiaram trs vezes, nascido ao terminar o stimo ms... e o Lorde das Trevas o marcar como seu igual, mas ele ter um poder que o Lorde das Trevas desconhece... e um dos dois dever morrer na mo do outro pois nenhum poder viver enquanto o outro sobreviver... aquele com o poder de vencer o Lorde das Trevas nascer quando o stimo ms terminar...
A Prof Trelawney girando lentamente tornou a afundar no lquido prateado e desapareceu.
O silncio no escritrio era absoluto. Nem Dumbledore nem Harry, nem nenhum dos quadros, faziam o menor som. At Fawkes silenciara.
 - Prof. Dumbledore? - disse Harry baixinho, porque o diretor,
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ainda contemplando a Penseira, parecia completamente absorto em pensamentos. - ... Isso... isso significava... que significava isso?
 - Significava que a pessoa que tem a nica chance de vencer Lord Voldemort para sempre nasceu no fim de julho, h quase dezesseis anos. Este menino nasceria de pais que j haviam desafiado Voldemort trs vezes.
Harry sentiu como se alguma coisa se fechasse sobre ele. Sua respirao parecia outra vez penosa.
 - Significa... eu?
Dumbledore respirou profundamente.
 - O estranho, Harry - disse ele mansamente -  que talvez nem significasse voc. A profecia de Sibila poderia se aplicar a dois meninos bruxos, ambos nascidos no ms de julho daquele ano, os dois com pais na Ordem da Fnix, os pais de ambos tendo escapado por um triz de Voldemort trs vezes. Um,  claro, era voc. O outro era Neville Longbottom.
 - Mas ento... ento, por que era o meu nome e no o de Neville que estava na profecia?
 - O registro oficial foi rotulado de novo depois que Voldemort o atacou na infncia. Pareceu claro para o encarregado da Sala da Profecia que Voldemort s poderia ter tentado mat-lo porque sabia que voc era aquele a quem Sibila se referia.
 - Ento... talvez no fosse eu?
 - Receio - disse Dumbledore lentamente, como se cada palavra lhe custasse um grande esforo - no haver dvidas de que seja voc.
 - Mas o senhor disse... Neville nasceu no fim de julho tambm... e a me e o pai dele...
 - Voc est se esquecendo do resto da profecia, do sinal que identifica o menino capaz de vencer Voldemort... o prprio Voldemort o marcaria como seu igual. E ele fez isso, Harry. Ele escolheu voc, e no Neville. Marcou-o com essa cicatriz que tem provado ser uma bno e uma maldio.
 - Mas ele pode ter escolhido errado! Pode ter marcado a pessoa errada!
 - Ele escolheu o menino que considerou ter maior probabilidade de lhe oferecer perigo. E repare, Harry ele no escolheu o purosangue (que, de acordo com o credo dele,  o nico tipo de bruxo que vale a pena ser ou conhecer) mas o mestio, como ele prprio. Viu-se em voc antes mesmo de ter visto voc, e, ao marc-lo com essa cicatriz, ele no o matou conforme pretendia, mas lhe concedeu poderes e um futuro, que o equiparam para escapar dele, no uma mas
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quatro vezes at o momento... algo que nem os seus pais nem os de Neville jamais conseguiram.
 - Por que ele fez isso ento? - perguntou Harry, que se sentia entorpecido e gelado. - Por que tentou me matar ainda beb? Ele deveria ter esperado para ver se Neville ou eu parecamos mais perigosos quando estivssemos mais velhos e tentado matar quem fosse ento...
 - Este teria sido, de fato, o caminho mais prtico, exceto que a informao que Voldemort tinha sobre a profecia estava incompleta. O Cabea de Javali, que Sibila escolheu por ser mais barato, h muito tempo atrai, 
digamos, uma clientela mais interessante do que o Trs Vassouras. Como voc e seus amigos descobriram s prprias custas, e eu  minha, quela noite,  um lugar em que jamais  seguro supor que ningum est nos ouvindo. Naturalmente, eu nem sonhava, quando sa para me encontrar com Sibila Trelawney, que fosse ouvir alguma coisa que valesse a pena. Minha... nossa... nica sorte foi que a pessoa que nos ouvia foi descoberta, quando a profecia mal se iniciara, e expulsa do prdio.
 - Ento s ouviu...?
 - Ele s ouviu o incio, a parte que predizia o nascimento de um menino em julho, cujos pais haviam desafiado Voldemort trs vezes. Em conseqncia, ele no pde avisar ao seu senhor que atac-lo seria correr o risco de transferir poderes para voc e marc-lo como seu igual. Ento Voldemort nunca soube que poderia ser perigoso atac-lo, que poderia ser mais sensato esperar, saber mais. Ele no sabia que voc teria o poder que o Lorde das Trevas desconhece...
 - Mas eu no tenho - protestou Harry com a voz estrangulada. No tenho nenhum poder que o lorde no tenha, eu no poderia lutar como ele lutou esta noite, no sou capaz de possuir pessoas nem... nem mat-las...
 - H uma sala no Departamento de Mistrios - interrompeu-o Dumbledore - que est sempre trancada. Contm uma fora mais maravilhosa e mais terrvel do que a morte, do que a inteligncia humana, do que as foras da natureza. E talvez seja tambm o mais misterioso dos muitos objetos de estudo que so guardados l.  o poder guardado naquela sala que voc possui em grande quantidade, e que Voldemort no possui. Esse poder o levou a tentar salvar Sirius hoje  noite. Esse poder tambm o salvou de ser possudo por Voldemort, porque ele no poderia suportar residir em um corpo tomado por uma fora que ele detesta. No fim, no teve importncia que voc no pudesse fechar sua mente. Foi o seu corao que o salvou.
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Harry fechou os olhos. Se no tivesse ido salvar Sirius, o padrinho no teria morrido... Mais para adiar o momento que teria de pensar nele outra vez, Harry perguntou, sem se preocupar muito com a resposta
 - O final da profecia... falava... nenhum poder viver... ;
 - ... enquanto o outro sobreviver... - completou Dumbledore.
 - Ento - disse Harry, retirando do peito as palavras do que lhe parecia um poo de profundo desespero - ento isso significa que... que um de ns ter de matar o outro... no fim?
 - Sim.
Durante muito tempo, nenhum dos dois falou. Em algum lugar muito distante das paredes do escritrio, Harry ouviu o som de vozes, de estudantes descendo para o Salo Principal para tomar caf cedo, talvez. Parecia impossvel que houvesse gente no mundo que ainda desejasse comer, que risse, que no soubesse nem ligasse que Sirius Black tivesse partido para sempre. O padrinho parecia j estar a milhes de quilmetros; mesmo agora, uma parte de Harry ainda acreditava que se ao menos tivesse afastado aquele vu, teria encontrado Sirius olhando para ele, cumprimentando-o talvez, com aquela risada rouca feito um latido...
 - Sinto que lhe devo mais uma explicao, Harry - disse Dumbledore hesitante. - Voc talvez tenha se perguntado por que nunca o escolhi para monitor? Devo confessar... que preferi... voc j tinha responsabilidade suficiente.
Harry ergueu a cabea para ele e viu uma lgrima escorrer pelo rosto de Dumbledore e desaparecer em suas longas barbas prateadas.
 - CAPTULO TRINTA E OITO
Comea a Segunda Guerra
RETORNA AQUELE-QUE-NO-DEVE-SER-NOMEADO
Em breve declarao na sexta-feira  noite, o ministro da Magia Cornelius Fudge confirmou que Aquele-Que-No-Deve-Ser-Nomeado retornou ao pas e j comeou a agir.
 com grande pesar que confirmo que o bruxo que se autodenomina Lorde, bom, vocs sabem a quem me refiro, est vivo e mais uma vez entre ns", disse Fudge, parecendo cansado e nervoso ao se dirigir aos reprteres. " quase com igual pesar que informamos a ocorrncia de uma rebelio em massa dos Dementadores de Azkaban, que demonstraram sua insatisfao em continuar a servir ao Ministrio. Acreditamos que os Dementadores esto presentemente recebendo ordens do Lorde... das quantas." "Pedimos  populao mgica que se mantenha vigilante. O Ministrio est presentemente publicando guias de defesa domstica e pessoal que sero distribudos gratuitamente em todas as residncias bruxas no prximo ms.
A declarao do ministro foi recebida com consternao e sobressalto pela comunidade bruxa, que ainda na quarta-feira recebia garantias do Ministrio de que no havia "fundamento algum nos persistentes boatos de que Voc-Sabe-Quem estivesse mais uma vez agindo entre ns".
Os detalhes dos acontecimentos que provocaram essa reviravolta ministerial ainda so nebulosos, embora se acredite que Aquele-QueNo-Deve-Ser-Nomeado e um seleto grupo de 
seguidores (conhecidos como Comensais da Morte) conseguiram entrar no prprio Ministrio da Magia na noite de quinta-feira...
Alvo Dumbledore, reconduzido ao cargo de diretor da Escola de Magia e Bruxaria de Hogwarts, e igualmente ao de membro da Confederao Internacional de Bruxos e de presidente da Suprema Corte dos Bruxos, ainda no fez declaraes  imprensa. Durante o ltimo ano ele insistiu que Voc-Sabe-Quem no estava morto, como todos desejavam e acredi-
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tavam, mas andava novamente recrutando seguidores para outra tentativa de tomar o poder. Entrementes, "O-Menino-Que-Sobreviveu"...
 - Ta, Harry, eu sabia que iam arranjar um jeito de meter voc nessa histria - disse Hermione, olhando por cima do jornal para o amigo. Os garotos estavam na ala hospitalar. Harry se sentara na ponta da cama de Ron, e os dois ouviam Hermione ler a primeira pgina do Profeta Dominical. Giny, cujo tornozelo fora curado num instante por Madame Pomfrey, estava encolhida aos ps da cama de Hermione; Neville, cujo nariz fora igualmente restaurado ao tamanho e forma naturais, se acomodara em uma cadeira entre as duas camas; e Luna, que aparecera para visit-los, trazendo a ltima edio do Pasquim, estava lendo a revista de cabea para baixo, aparentemente sem ouvir uma palavra do que Hermione dizia.
 - Mas ele voltou a ser o "menino que sobreviveu" no ? - disse Ron sombriamente. - No  mais um exibicionista delirante, eh?
Ele se serviu de um punhado de Sapos de Chocolate na imensa pilha ao lado do seu armrio de cabeceira, atirou alguns para Harry, Giny e Neville, e cortou a embalagem do seu com os dentes. Ainda havia fundos verges em seus braos, onde os tentculos do crebro tinham se enrolado. Segundo Madame Pomfrey, os pensamentos podiam deixar marcas mais profundas do que qualquer outra coisa, embora, depois que ela comeara a aplicar generosas quantidades do Ungento do Olvido do Dr. Ubbly, parecesse ter havido alguma melhora.
 - , eles agora falam de voc elogiosamente, Harry - disse Hermione, passando os olhos pelo artigo. Uma voz solitria da verdade... considerado desequilibrado, mas que jamais vacilou em sua histria... forado a suportar a ridicularia e a calnia... - Hummm - exclamou ela franzindo a testa - Pelo visto esqueceram de mencionar que foi o prprio Profeta que ridicularizou e caluniou voc...
Ela fez uma pequena careta e levou a mo s costelas. O feitio que Dolohov usara contra ela, embora menos eficaz do que teria sido se o bruxo tivesse podido dizer o encantamento em voz alta, ainda assim causara, nas palavras de Madame Pomfrey, "estragos suficientes para ocup-la". Hermione precisava tomar dez tipos de poes todos os dias, melhorava visivelmente, e j se sentia chateada na ala hospitalar.
 - A ltima tentativa de Voc-Sabe-Quem para assumir o poder (pp. 2,
3, 4), O que o ministro devia nos ter dito (p. 5), Por que ningum deu ouvidos a Alvo Dumbledore (pp. 6, 7, 8), Entrevista exclusiva com Harry Potter (p. 9)... Bom - comentou Hermione, fechando o jornal e atirando-o para o lado - no h dvida de que tiveram muito assunto para
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comentar. E a entrevista com Harry no  exclusiva,  a que foi publicada no Pasquim h meses...
 - Papai a vendeu ao Profeta - disse Luna vagamente, virando a pgina do seu exemplar 
do Pasquim. - E conseguiu um bom preo, ento vamos fazer uma expedio  Sucia no vero para ver se capturamos um Bufador de Chifre Enrugado.
Hermione pareceu se debater intimamente por um momento, ento disse
 - Parece uma tima idia.
O olhar de Giny encontrou o de Harry, e ela o desviou depressa com um sorriso.
 - Ento - disse Hermione, se sentando mais reta e fazendo outra careta. - Que  que est acontecendo na escola?
 - Bom, Flitwick fez desaparecer o pntano de Fred e George - disse Giny. - Em uns trs segundos. Mas deixou um pedacinho debaixo da janela e passou um cordo de isolamento...
 - Por qu? - perguntou Hermione espantada.
 - Ah, ele diz que foi uma mgica realmente muito boa - disse Giny, encolhendo os ombros.
 - Acho que deixou como um monumento a Fred e George - disse Ron, com a boca cheia de chocolate. - Eles  que me mandaram tudo isso, sabe - disse a Harry, apontando para a pilha de Sapos. Devem estar faturando bem com aquela loja de logros, eh?
Hermione fez uma cara de censura e perguntou
 - Ento, todas as confuses terminaram agora que Dumbledore voltou?
 - Terminaram - disse Neville - tudo voltou ao normal.
 - Suponho que Filch esteja feliz, no? - perguntou Ron, apoiando o carto do Sapo de Chocolate com a cara de Dumbledore em sua jarra de gua.
 - Que nada - disse Giny. - Est realmente muito, mas muito infeliz mesmo... - Ela baixou a voz e sussurrou - No pra de repetir que Umbridge foi a melhor coisa que j aconteceu a Hogwarts...
Os seis garotos olharam para o lado. A Prof Umbridge estava deitada na cama oposta, contemplando o teto. Dumbledore entrara sozinho na Floresta para salv-la dos centauros; como fizera isso - como sara do meio das rvores amparando a Prof Umbridge, sem nem um arranho - ningum soube, e Umbridge com certeza no iria contar. Desde que voltara ao castelo, e at onde eles sabiam, no dissera uma nica palavra. Ningum realmente sabia qual era o problema dela, tampouco. Os cabelos cor de rato, em geral cuidadosamente
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penteados, estavam revoltos e ainda havia pedacinhos de gravetos e folhas presos neles, mas, de outro modo, parecia estar inteira.
 - Madame Pomfrey diz que est sofrendo de choque - sussurrou Hermione.
 - Parece mais rabugice - arriscou Giny.
 - , mas ela d sinal de vida se voc fizer isso - disse Ron, imitando o som de um galope com a lngua. Umbridge se sentou imediatamente, olhando para os lados alucinada.
 - Algum problema, professora? - perguntou Madame Pomfrey, metendo a cabea para fora da porta do seu consultrio.
 - No... no... - respondeu Umbridge, tornando a afundar nos travesseiros. - No, devo ter sonhado...
Hermione e Giny abafaram as risadas nas cobertas.
 - E por falar em centauros - disse Hermione quando se recuperou um pouco do acesso de riso - quem  o professor de Adivinhao agora? Firenze vai continuar?
 - Tem de continuar - respondeu Harry - os outros centauros no querem aceit-lo de volta, ou querem?
 - Parece que ele e Trelawney vo ensinar a disciplina - comentou Giny.
 - Aposto como Dumbledore gostaria de ter conseguido se livrar da Trelawney para sempre - comentou Ron, agora mastigando o dcimo quarto Sapo. - Mas, veja bem, a disciplina no serve para nada, se querem saber a minha opinio, Firenze no  muito melhor...
 - Como pode dizer uma coisa dessas? - Hermione o interpelou.
 - Depois de termos acabado de descobrir que existem profecias verdadeiras?
O corao de Harry comeou a disparar. No contara a Ron, Hermione nem a ningum o que dizia a profecia. Neville tinha falado a eles que a profecia se espatifara quando Harry o arrastava para o alto na Sala da Morte, e Harry ainda no corrigira essa impresso. No estava preparado para ver a expresso no rosto dos amigos quando dissesse que teria de ser ou assassino ou vtima, que no havia opo.
 - Foi uma pena ter quebrado - comentou Hermione em voz baixa, balanando a cabea.
 - Foi - concordou Ron. - Mas pelo menos Voc-Sabe-Quem tambm no descobriu o que dizia... onde  que voc vai? - acrescentou, parecendo ao mesmo tempo surpreso e desapontado ao ver Harry se levantar.
 - Aa...  cabana de Hagrid. Sabe, ele acabou de chegar e prometi que iria at l para v-lo e dar notcias de vocs.
 - Ah, tudo bem ento - resmungou Ron, olhando pela janela da
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enfermaria para o pedao de cu muito azul alm. - Gostaria que a gente pudesse ir tambm.
 - D um al a ele por ns! - falou Hermione, quando Harry ia saindo da enfermaria. - E pergunta a ele o que est acontecendo com... com o amiguinho dele!
Harry fez um aceno para indicar que ouvira e entendera, e foi embora.
O castelo parecia muito silencioso mesmo para um domingo. Era evidente que todos estavam nos jardins ensolarados, aproveitando o fim dos exames e a perspectiva de um fmalzinho de trimestre sem revises nem 
deveres de casa. Harry caminhou lentamente pelo corredor deserto, espiando pelas janelas no caminho; viu alguns alunos brincando por cima do campo de quidditch e outros nadando no lago, acompanhados pela lula-gigante.
Estava achando difcil decidir se queria ou no a companhia das pessoas; sempre que estava acompanhado queria ir embora e sempre que estava sozinho queria companhia. Achou que era melhor ir realmente visitar Hagrid, porque ainda no falara com ele direito desde a sua volta...
Harry acabara de descer o ltimo degrau de mrmore para o Saguo de Entrada quando Malfoy, Crabbe e Goyle surgiam por uma porta da direita que ele sabia levar  sala comunal da Slytherin. Harry se imobilizou; o mesmo fizeram Malfoy e os outros. Os nicos sons que se ouviam eram os gritos, as risadas e os mergulhos que entravam no saguo pelas portas abertas.
Malfoy olhou para os lados - Harry sabia que o garoto estava verificando se havia sinal de professores - e depois para Harry, e disse em voz baixa.
 - Voc est morto, Harry Harry ergueu as sobrancelhas.
 - Engraado, ento eu deveria ter parado de circular por a...
Malfoy parecia mais furioso do que Harry jamais o vira; sentiu uma espcie de satisfao distante  vista daquele rosto pontudo e plido contorcido de raiva.
 - Voc vai me pagar - disse Malfoy em um tom que era quase um sussurro. - vou fazer voc pagar pelo que fez ao meu pai...
 - Bom, agora fiquei aterrorizado - disse Harry sarcasticamente. Suponho que Lord Voldemort tenha sido apenas um aquecimento comparado a vocs trs... qual  o problema? - acrescentou, pois Malfoy, Crabbe e Goyle pareciam chocados ao ouvir aquele nome. Ele  um companheiro do seu pai, no ? Voc no tem medo dele, tem?
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 - Voc se acha um grande homem, Potter - disse Malfoy avanando agora, ladeado por Crabbe e Goyle. - Espere s. vou arrebentar voc. Pensa que pode meter meu pai na priso...
 - Pensei que tivesse acabado de fazer isso.
 - Os Dementadores abandonaram Azkaban - disse Malfoy sem se alterar. - Meu pai e os outros vo sair logo, logo.
 - , imagino que sim. Mas pelo menos agora todo o mundo sabe os canalhas que eles so...
A mo de Malfoy voou para a varinha, mas Harry foi mais rpido; puxara a prpria varinha antes que os dedos de Malfoy sequer tivessem entrado no bolso das vestes.
 - Potter!
A voz ecoou pelo Saguo de Entrada. Snape aparecera no alto da escada que levava ao seu escritrio e, ao v-lo, Harry sentiu um grande assomo de dio que superou qualquer sentimento com relao a Malfoy... Dumbledore dissesse o que dissesse, ele jamais perdoaria Snape... jamais...
 - Que est fazendo, Potter? - interpelou-o Snape, frio como sempre, ao caminhar decidido para os quatro meninos.
 - Estou tentando me decidir que feitio lanar no Malfoy, professor - disse com ferocidade.
Snape encarou-o.
 - Guarde essa varinha agora - disse secamente. - Dez pontos a menos para Grif...
Snape olhou para as gigantescas ampulhetas nas paredes e sorriu com desdm.
 - Ah, estou vendo que no restaram pontos na ampulheta da Grifindore para se subtrair nada. Neste caso, Potter, teremos simplesmente de...
 - Acrescentar mais alguns?
A Prof McGonagall acabara de subir mancando os degraus de entrada do castelo; trazia uma maleta de tecido escocs em uma das mos e se apoiava pesadamente em uma bengala com a outra, mas de outro modo parecia bastante bem.
 - Prof McGonagall! - exclamou Snape, se adiantando. - Vejo que teve alta do St. Mungus!
 - Tive, Prof. Snape - disse ela, tirando a capa de viagem com um trejeito de ombro. Estou quase nova. Vocs dois... Crabbe... Goyle...
Com um gesto autoritrio, ela mandou que os garotos se aproximassem e eles obedeceram, desajeitados, arrastando os enormes ps.
 - Tomem - disse a professora, atirando a maleta no peito de Crabbe e a capa no de Goyle - levem isso para o meu escritrio.
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Eles se viraram e se foram escada acima.
 - Muito bem, ento - disse a Prof McGonagall, olhando para as ampulhetas na parede. - Bom, acho que Potter e seus amigos devem receber cada um cinqenta pontos por alertarem o mundo para o retorno de Voc-Sabe-Quem! Que  que o senhor diz, professor?
 - Qu? - retorquiu Snape, embora Harry soubesse que ele ouvira perfeitamente. - Ah... bom... suponho...
 - Ento, so cinqenta para Potter, para os dois Weasley, para Longbottom e a Srta. Granger - e uma chuva de rubis desceu para a bolha inferior na ampulheta da Grifindore enquanto ela falava. - Ah... e cinqenta pontos para a 
Srta. Lovegood, suponho - acrescentou, e o nmero mencionado de safiras caiu na ampulheta da Ravenclaw. Agora, o senhor queria descontar dez do Sr. Potter, Prof. Snape... ento a esto...
Alguns rubis voltaram ao bulbo superior, mas deixaram embaixo uma respeitvel quantidade.
 - Bom, Potter, Malfoy, acho que vocs deviam estar l fora em um belo dia como este - continuou a professora com energia.
Harry no precisou que ela falasse duas vezes; meteu a varinha no bolso das vestes e rumou para as portas de entrada, sem mais olhar para Snape nem Malfoy.
O sol forte o atingiu com impacto quando atravessou os gramados em direo  cabana de Hagrid. Os estudantes que estavam deitados na grama tomando banho de sol, conversando, lendo o Profeta Dominical e comendo doces, se viraram para olh-lo quando ele passou; alguns o chamaram, ou ento acenaram, claramente pressurosos em mostrar que, tal como o Profeta, haviam decidido que ele era uma espcie de heri. Harry no falou com ningum. No fazia idia do quanto eles sabiam sobre o que acontecera h trs dias, mas evitara at ali que o interrogassem, e preferia continuar assim.
Quando bateu na porta de Hagrid, achou primeiro que ele estivesse fora, mas Fang surgiu pelo canto da cabana e quase o derrubou, no entusiasmo de lhe dar boas-vindas. Hagrid, veio a descobrir, estava colhendo legumes em sua horta.
 - Tudo bem, Harry! - disse ele, sorridente, quando o garoto se aproximou da cerca. - Entre, entre, vamos tomar um copo de suco de dente-de-leo... Como vo as coisas? - perguntou Hagrid ao se sentarem  mesa de madeira com seus copos de suco gelado. - Voc... ah... est se sentindo bem, no est?
Harry entendeu, pela expresso preocupada no rosto de Hagrid, que ele no estava se referindo  sua sade fsica.
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 - Estou timo - apressou-se a responder, porque no suportaria discutir o que sabia estar na cabea de Hagrid. - Ento, onde andou?
 - Estive escondido nas montanhas. Em uma caverna, como Sirius quando...
Hagrid interrompeu a frase, pigarreou sem disfarces, olhou para Harry e tomou um longo gole do suco.
 - De qualquer jeito, agora estou de volta - concluiu debilmente.
 - Voc... voc est com uma cara melhor - continuou, decidido a manter a conversa afastada de Sirius.
 - Qu? - exclamou Hagrid, erguendo a mo enorme e apalpando o rosto. - Ah... ah, estou. Bom, Grope est muito mais comportado agora, muito mais. Ficou bem feliz de me ver quando voltei, para dizer a verdade. Na verdade, ele  um bom rapaz... Tenho at pensado em arranjar uma namorada para ele...
Normalmente Harry teria tentado convencer Hagrid a abandonar a idia na mesma hora; a perspectiva de um segundo gigante vir morar na Floresta, talvez mais selvagem e brutal do que Grope, era positivamente alarmante, mas Harry no conseguiu reunir a energia necessria para discutir o problema. Comeava outra vez a desejar estar sozinho e, com a idia de apressar a partida, tomou vrios goles do suco de dente-de-leo, esvaziando metade do copo.
 - Agora todo o mundo sabe que voc andou contando a verdade, Harry - disse Hagrid branda e inesperadamente. - Assim vai ser melhor, no?
Harry encolheu os ombros.
 - Escute... - Hagrid se curvou para ele por cima da mesa -. conheci Sirius mais tempo do que voc... ele morreu lutando, e  assim que teria querido partir...
 - Ele no queria partir! - disse Harry zangado. Hagrid baixou a cabea desgrenhada.
 - No, acho que no queria - disse em voz baixa. - Mas ainda assim, Harry... ele nunca foi de ficar sentado em casa deixando os outros lutarem por ele. No teria se perdoado se no tivesse ido ajudar...
Harry se ergueu de repente.
 - Tenho que ir visitar Ron e Hermione na ala hospitalar - disse maquinalmente.
 - Ah - exclamou Hagrid parecendo muito perturbado. - Ah... tudo bem ento, Harry... cuide-se, ento, e d uma passada por aqui se tiver um mo...
-... certo...
Ele rumou para a porta o mais rpido que pde e a abriu; estava
fora da cabana e atravessava os gramados ensolarados antes que Hagrid terminasse de se despedir. De novo, as pessoas o chamaram quando passou. Fechou os olhos por um instante, desejando que todos sumissem, que ele pudesse reabri-los e se ver sozinho nos jardins...
Alguns dias atrs, antes dos exames terminarem e ele ter tido a viso que Voldemort plantara em sua mente, Harry teria dado quase tudo que lhe pedissem para o mundo bruxo admitir que estivera dizendo a verdade, para acreditar que Voldemort retornara e reconhecer que ele no era mentiroso nem louco. Agora, 
porm...
Ele acompanhou a curva do lago por algum tempo, sentou-se na margem, abrigando-se dos olhares dos que passavam atrs de um emaranhado de arbustos, e ficou contemplando a gua cintilante, refletindo...
Talvez a razo pela qual queria estar s fosse a sensao de isolamento desde a sua conversa com Dumbledore. Uma barreira invisvel o separava do resto do mundo. Era - e sempre fora - um homem marcado. Apenas nunca entendera realmente o que isto significava...
E, no entanto, sentado ali  beira do lago, com o peso terrvel da dor a oprimi-lo, com a perda de Sirius ainda to sangrenta e recente em seu peito, ele no conseguia sentir nenhum grande temor. Fazia um dia ensolarado, os jardins  sua volta estavam cheios de gente que ria e, embora se sentisse distante deles como se pertencesse a uma raa  parte, ainda era muito difcil acreditar que sua vida tinha de incluir o assassinato ou nele terminar...
Ficou sentado ali muito tempo, contemplando a gua, tentando no pensar no padrinho, nem lembrar que fora na outra margem diretamente oposta que Sirius uma vez tombara, tentando afastar cem Dementadores...
O sol j se pusera quando ele percebeu que sentia frio. Levantouse e voltou ao castelo, enxugando o rosto na manga pelo caminho.
Ron e Hermione deixaram a ala hospitalar completamente curados, trs dias antes de terminar o trimestre. Hermione no parava de sinalizar que desejava falar sobre Sirius, mas Ron quase sempre a fazia calar com "psius", sempre que ela mencionava aquele nome. Harry ainda no tinha certeza seja queria ou no falar sobre o padrinho; seu desejo variava com o seu humor. Mas sabia de uma coisa por mais que estivesse infeliz no momento, sentiria uma enorme falta de Hogwarts dentro de alguns dias, quando voltasse ao nmero quatro da Privet Drive. Ainda que agora compreendesse exatamente a necessidade de voltar l todo vero, no se sentia melhor. De fato, nunca receara tanto voltar.
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A Prof1 Umbridge deixou Hogwarts um dia antes do fim do trimestre. Aparentemente, tinha sado escondida da ala hospitalar durante o jantar, com a evidente esperana de partir despercebida, mas, por azar, encontrara Pives no caminho, que aproveitou essa ltima oportunidade para fazer o que Fred mandara e correra com ela alegremente do castelo, batendo-lhe ora com uma bengala ora com uma meia cheia de giz. Muitos estudantes acorreram ao Saguo de Entrada para v-la fugir estrada abaixo, e os diretores das Casas fizeram apenas meios esforos para cont-los. De fato, a Prof McGonagall recostarase em sua cadeira  mesa dos professores depois de fazer algumas advertncias, mas teve quem a ouvisse dizer claramente que lamentava no poder correr aos vivas atrs da Umbridge, porque Pives pedira emprestada sua bengala.
Chegou a ltima noite na escola; a maioria dos alunos terminara de fazer as malas e j estava descendo para o banquete de encerramento, mas Harry nem sequer comeara.
 - Faa as malas amanh! - disse Ron, que o aguardava  porta do dormitrio. - Anda, estou faminto.
 - No vou demorar... olha, vai andando...
Mas quando a porta do dormitrio fechou atrs de Ron, Harry no fez esforo para apressar a arrumao das malas. A ltima coisa que queria fazer era participar do banquete de encerramento. Estava preocupado que Dumbledore fizesse alguma referncia a ele em seu discurso. Com certeza mencionaria o retorno de Voldemort; afinal fizera isso no ano anterior...
Harry puxou algumas roupas amarrotadas do fundo do malo para dar espao s que dobrara e, ao fazer isso, reparou em um embrulho malfeito em um canto. No conseguia imaginar o que aquilo estaria fazendo ali. Abaixou-se, tirou-o de baixo dos tnis e o examinou.
Em segundos percebeu o que era. Sirius lhe dera  porta do largo Grimmauld nmero doze. "Use se precisar de mim, est bem?
Harry afundou na cama e desfez o embrulho. De dentro, caiu um pequeno espelho quadrado. Parecia antigo; sem dvida estava sujo. Harry aproximou-o do rosto e viu a prpria imagem a mir-lo. 
Virou o espelho. Atrs havia um bilhete com a letra de Sirius.
 "Este  um espelho de dois sentidos, tenho o par. Se voc precisar falar
comigo, diga a ele o meu nome; voc aparecer no meu espelho e poderei falar no seu. James e eu costumvamos us-los quando estvamos cumprindo detenes separados". 
O corao de Harry disparou. Lembrou-se de ter visto seus pais mortos no Espelho de Ojesed, h quatro anos. Ia poder falar outra vez com Sirius neste instante, sentia...
Olhou para os lados para verificar se haveria mais algum ali; o dormitrio estava vazio. Ele voltou sua ateno para o espelho, aproximou-o do rosto com as mos trmulas e disse 
em voz alta e clara
 - Sirius.
Seu hlito embaou a superfcie do espelho. Trouxe-o mais para perto, a excitao invadindo-o, mas os olhos que piscavam para ele difusamente eram decididamente os seus.
Ele tornou a limpar o espelho e disse, de modo que cada slaba ecoasse claramente pelo quarto
 - Sirius Black!
Nada aconteceu. O rosto frustrado que o mirou no espelho continuava a ser, sem dvida, o prprio...
Sirius no levou o espelho com ele quando cruzou o arco, disse uma vozinha em sua cabea. Por isso  que no est funcionando...
Harry ficou muito quieto por um momento, depois atirou o espelho de volta ao malo, onde se estilhaou. Estivera convencido por todo um fulgurante minuto de que iria ver Sirius, falar outra vez com ele...
O desapontamento queimava sua garganta; ele se levantou e comeou a atirar suas coisas de qualquer jeito no malo, por cima do espelho quebrado...
Mas ento ocorreu-lhe uma idia... uma idia melhor do que a do espelho... uma idia muito maior e mais importante... como no pensara nisso antes - por que nunca perguntara?
Saiu correndo do dormitrio, desceu a escada circular batendo nas paredes sem reparar; precipitou-se pela sala comunal deserta, atravessou o buraco do retrato e continuou correndo pelo corredor, ignorando a Mulher Gorda que gritou para ele "O banquete vai comear, sabe, voc est em cima da hora!
Mas Harry no tinha a menor inteno de ir ao banquete...
Como era possvel que o castelo estivesse cheio de fantasmas quando no se precisava deles, e agora...
Ele correu pelas escadas e corredores e no encontrou ningum, nem vivo nem morto. Estavam todos, era claro, no Salo Principal.  porta da sala de Feitios, ele parou, ofegante, pensando desconsolado que teria de esperar at mais tarde, at depois do banquete...
Mas quando acabara de desistir, ele o viu algum translcido flutuando no fim do corredor.
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-Eu... ei, Nick! NICK! .-O fantasma puxou a cabea para fora da parede, revelando um extravagante chapu emplumado e a cabea precariamente equilibrada de Sir Nicholas de Mimsy-Porpington.
 - Boa-noite - cumprimentou ele, puxando o restante do corpo para fora da pedra slida, e sorrindo para Harry. - Ento no sou o nico que est atrasado? Embora - suspirou - em um sentido diferente,  claro.
 - Nick, posso lhe perguntar uma coisa?
Uma expresso muito estranha perpassou o rosto de Nick Quase Sem Cabea, ao mesmo tempo que inseria um dedo na gola de babados engomados ao pescoo e a endireitava, aparentemente para se dar um tempo de pensar. S desistiu quando seu pescoo parcialmente decapitado pareceu prestes a desabar.
 - Ah... agora, Harry? - perguntou sem jeito. - No pode esperar at acabar o banquete?
 - No... Nick... por favor. Preciso realmente falar com voc. Podemos entrar aqui?
Harry abriu a porta da sala de aula mais prxima, e Nick Quase Sem Cabea suspirou.
 - Ah, muito bem - disse ele conformado. - No posso fingir que no estivesse esperando.
Harry segurou a porta aberta para ele, mas o fantasma atravessou a parede da sala de aula.
 - Esperando o qu? - perguntou Harry, fechando a porta.
 - Voc vir me procurar - disse ele, agora deslizando at a janela e contemplando os jardins onde caa a noite. - Acontece s vezes... quando algum sofreu uma... perda.
 - Bom - disse Harry recusando-se a se desviar do assunto. - Voc estava certo, vim... vim procur-lo.
Nick no respondeu.
 - E... - comeou Harry, que estava achando a situao mais desconfortvel do que previra -  que... voc est morto. Mas continua aqui, no ?
Nick suspirou e continuou a contemplar os jardins.
 - Estou certo, no? - insistiu Harry. - Voc morreu, mas estou falando com voc... voc pode andar por Hogwarts e tudo, no ?
 - E - disse Nick Quase Sem Cabea em voz baixa. - Eu ando e falo,  verdade.
 - Ento voc voltou, no? As pessoas podem voltar, certo? Como fantasmas. No tm de desaparecer completamente. Ento? - acrescentou impaciente, ao ver que Nick continuava calado.
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O fantasma hesitou, ento disse ' l
 - No  todo o mundo que pode voltar como fantasma.
 - Como assim? - Harry se apressou a perguntar.
 - S... s bruxos.
 - Ah - exclamou Harry, e quase riu de alvio. - Bom, ento tudo bem, a pessoa de quem estou falando  um bruxo. Ento ele pode voltar, certo? , .
Nick se afastou da janela e fitou Harry, pesaroso. .... ..,-.,
 - Ele no voltar.
 - Quem? 
 - Sirius Black.
 - Mas voc voltou! - disse Harry zangado. - Voc voltou... voc est morto e no desapareceu...
 - Bruxos podem deixar uma impresso deles na terra, deslizar palidamente por onde andaram quando vivos - explicou Nick, infeliz. - Mas muito poucos bruxos 
fazem essa opo.
 - Por que no? - perguntou Harry. - De qualquer maneira... no  importante... Sirius no vai se importar de ser diferente, ele vai voltar, eu sei que vai!
E to forte era sua crena, que Harry virou a cabea para a porta, certo, por uma frao de segundo, de que ia ver Sirius, branco-prola e transparente, mas sorrindo, atravessar a porta ao seu encontro.
 - Ele no voltar - repetiu Nick. - Ter prosseguido.
 - Que quer dizer com "prosseguido"? - perguntou Harry depressa. - Para onde? Escute... afinal, o que acontece quando a pessoa morre? Aonde vai? Por que nem todos voltam? Por que o castelo no est cheio de fantasmas? Por que...
 - No sei responder.
 - Voc est morto, no est? - disse Harry exasperado. - Quem pode responder melhor do que voc?
 - Eu tive medo da morte - disse Nick brandamente. - Preferi ficar. s vezes me pergunto se no deveria... bom, isto que voc v no  c nem l... de fato, eu no estou c nem l... - Ele deu uma risadinha triste. - No conheo os segredos da morte, Harry, porque escolhi uma fraca imitao da vida. Acredito que bruxos cultos estudem essa questo no Departamento de Mistrios...
 - No fale daquele lugar para mim! - exclamou Harry com ferocidade.
 - Lamento no ter podido ajudar mais - disse Nick com gentileza. - Bom... bom... por favor, agora me d licena... o banquete, sabe...
E ele saiu da sala, deixando Harry sozinho, contemplando, sem ver, a parede pela qual Nick desaparecera. ; ; 
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Harry sentiu-se quase como se tivesse perdido o padrinho outra vez, ao perder a esperana de que pudesse tornar a ver ou falar com ele. Caminhou em passos lentos pelo castelo deserto, se perguntando se voltaria a sentir alegria.
Acabara de virar em direo ao corredor da Mulher Gorda quando viu algum mais adiante, pregando uma nota em um quadro de avisos na parede. Olhando de novo, viu que era Luna. No havia nenhum bom esconderijo por perto, ela certamente teria ouvido os seus passos, e Harry no conseguiria reunir energia para evitar ningum naquele momento.
 - Al - disse Luna vagamente, virando a cabea para ele ao se afastar do quadro.
 - Por que  que voc no est no banquete? - perguntou Harry.
 - Bom, perdi a maior parte dos meus pertences - disse Luna serenamente. - As pessoas os apanham e escondem, entende. Mas como  a ltima noite, eu realmente preciso deles, ento estou pregando avisos.
Ela indicou com um gesto o quadro de avisos, no qual, de fato, pregara uma lista com todos os livros e roupas desaparecidos, pedindo que lhe fossem devolvidos.
Uma sensao estranha nasceu em Harry; uma emoo bem diferente da raiva e da dor que o dominavam desde a morte de Sirius. Levou algum tempo at perceber que estava sentindo pena de Luna.
 - Por que as pessoas escondem suas coisas? - perguntou ele, enrugando a testa.
 - Ah... bom... - Luna encolheu os ombros. - Acho que pensam que sou meio excntrica, entende. De fato, algumas pessoas me chamam Di-lua Lovegood.
Harry olhou para Luna e a nova sensao de pena se intensificou dolorosamente.
 - Isto no  razo para tirarem o que  seu - concluiu ele. - Voc quer ajuda para encontr-los?
 - Ah, no - disse ela sorrindo. - As coisas voltam, sempre voltam no fim.  s que eu queria fazer as malas hoje  noite. De qualquer jeito... por que  que voc no est no banquete?
Harry sacudiu os ombros.
 - No estava a fim.
 - No - disse Luna, observando-o com aqueles olhos estranhamente enevoados e protuberantes. - Suponho que no. O homem que os Comensais da Morte mataram era seu padrinho, no era? Giny me contou.
Harry fez um breve aceno, mas descobriu que por alguma razo
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no se incomodava que Luna falasse de Sirius. Acabara de lembrar que ela tambm via Testrlios.
 - Voc j... - comeou ele. - Quero dizer, quem... algum que voc conhecia morreu?
 - Morreu - disse Luna com simplicidade - minha me. Era uma bruxa extraordinria, entende, mas gostava de fazer experincias e um dos seus feitios um dia deu errado. Eu tinha nove anos.
 - Lamento - murmurou Harry.
 - , foi horrvel - disse Luna informalmente. - Eu me sinto muito triste s vezes. Mas ainda tenho o meu pai. De qualquer jeito, ainda vou rever minha me um dia, no ?
 - Ah... no ? - concordou Harry inseguro. 
Ela sacudiu a cabea, 
incrdula. 
 - Ah, vamos. Voc os ouviu atrs do vu, no ouviu? .
 - Voc quer dizer...
 - Na sala do arco. Estavam s se escondendo, s isso. Voc os ouviu.
Os dois se entreolharam. Luna sorria levemente. Harry no sabia o que dizer nem pensar. Luna acreditava em coisas to extraordinrias... contudo, ele tivera certeza de ouvir vozes para alm do vu tambm.
 - Voc tem certeza de que no quer que eu a ajude a procurar suas coisas? - perguntou ele.
 - Ah, no - disse Luna. - No, acho que vou descer e comer um pudim, e esperar que elas reapaream... sempre acabam reaparecendo... bom, boas frias, Harry.
 - ... , para voc tambm.
Luna se afastou e, ao acompanh-la com o olhar, ele achou que o terrvel peso em seu estmago diminura um pouco.
A viagem para casa no Expresso de Hogwarts no dia seguinte foi memorvel de vrias maneiras. Primeiro, Malfoy, Crabbe e Goyle, que claramente tinham passado a semana inteira  espera de uma oportunidade para atacar sem a presena de professores, tentaram emboscar Harry no trem quando ele voltava do banheiro. O ataque talvez tivesse sido bem-sucedido se no fosse o fato de que, sem saber, eles tinham escolhido encen-lo ao lado de uma cabine cheia de integrantes da AD, que viram o que estava acontecendo pelo vidro e acorreram juntos para socorrer Harry. Na altura em que Ernie Macmillan, Ana Abbott, Susan Bomes, Justin Finch-Fletchley, Antony Goldstein e Ternce Boot terminaram de usar a ampla variedade de feitios e maldies que Harry lhes ensinara, Malfoy,
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Crabbe e Goyle pareciam simplesmente trs lesmas gigantescas apertadas em uniformes de Hogwarts que Harry, Ernie e Justin penduraram no porta-bagagem e deixaram ali para esvaziar.
 - Devo dizer que estou doido para ver a cara da me de Malfoy quando ele descer do trem - disse Ernie, satisfeito, observando Malfoy se contorcer no alto. O garoto nunca chegara a esquecer a indignidade cometida por Malfoy de tirar pontos da Hufflepuff durante o breve perodo em que fora membro da Brigada Inquisitorial.
 - Mas a me de Goyle vai ficar realmente satisfeita - disse Ron que viera investigar a origem do tumulto. - Ele est muito mais bonito agora... mas, a propsito, Harry, o carrinho de comida acabou de chegar, se voc quiser comprar alguma coisa...
Harry agradeceu aos colegas e acompanhou Ron de volta  cabine, onde comprou uma pilha de bolos de caldeiro e tortinhas de abbora. Hermione estava lendo o Profeta Dirio outra vez, Giny, fazendo as palavras cruzadas do Pasquim, e Neville acariciava sua Mimbulus mimbletonia, que crescera muito durante aquele ano e agora fazia estranhos arrulhos quando algum a tocava.
Harry e Ron passaram a maior parte da viagem jogando xadrez de bruxo enquanto Hermione lia trechos do Profeta. O jornal vinha agora repleto de artigos ensinando a repelir Dementadores, noticiava as tentativas do Ministrio para caar os Comensais da Morte e reproduzia cartas histricas em que o missivista dizia ter visto Lord Voldemort passando por sua casa naquela manh...
 - Ainda no comeou para valer - suspirou Hermione deprimida, tornando a fechar o jornal. - Mas no falta muito agora...
 - Ei, Harry - disse Ron baixinho, indicando com a cabea a janela de vidro para o corredor.
Harry olhou. Cho ia passando, em companhia de Marieta Edgecombe, que tinha o rosto oculto por uma balaclava. Os olhos dele e os de Cho se encontraram por um momento. A garota corou e continuou seu caminho. Harry voltou sua ateno para o tabuleiro de xadrez bem em tempo de ver um dos seus pees ser posto em fuga por um cavalo de Ron.
 - Afinal, que... ah... est acontecendo entre voc e ela? - perguntou Ron em voz baixa.
 - Nada - respondeu Harry sinceramente.
 - Eu... ah... ouvi falar que est saindo com outra pessoa agora disse Hermione, hesitante.
Harry ficou surpreso ao descobrir que a informao no o magoava. A vontade de impressionar Cho parecia pertencer a um passado que j no tinha muita ligao com ele; tantas coisas que ele
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desejara antes da morte de Sirius ultimamente lhe davam essa sensao... a semana que passara desde que vira Sirius pela ltima vez parecia ter se prolongado muitssimo; estendia-se por dois universos, um com Sirius e outro sem ele.
 - Ainda bem que voc est fora, cara - disse Ron com veemncia. - Quero 
dizer, ela  bem bonita e tudo o mais, mas a gente quer algum um pouco mais alegre.
 - Provavelmente ela  bastante alegre com outro qualquer - disse Harry, sacudindo os ombros.
 - Afinal, com quem ela est saindo agora? - perguntou Ron a Hermione, mas foi Giny quem respondeu.
 - Michael Comer.
 - Michael... mas... - disse Ron esticando-se no banco para encarar a irm. - Mas era voc que estava saindo com ele!
 - No estou mais - disse Giny decidida. - Ele no gostou da Grifindore ter vencido a Ravenclaw no quidditch, e ficou realmente mal-humorado, ento dei o fora nele e ele correu para consolar a Cho. - Giny coou o nariz distraidamente com a pena, virou o Pasquim de cabea para baixo e comeou a marcar as respostas. Ron pareceu encantado da vida.
 - Bom, eu sempre achei que ele era meio idiota - disse, avanando sua rainha em direo  torre abalada de Harry. - Que bom para voc. Escolha algum... melhor... da prxima vez.
E lanou um olhar estranhamente furtivo a Harry ao dizer isso.
 - Bom, escolhi o Dean Thomas, voc diria que  melhor? - perguntou Giny distrada.
 - QU? - berrou Ron, virando o tabuleiro de xadrez. Crookshanks mergulhou atrs das peas, e Edwig e Pig piaram zangados do porta-bagagem.
Quando o trem comeou a diminuir a velocidade, prximo  estao de King's Cross, Harry pensou que nunca tivera to pouca vontade de desembarcar. Chegou a considerar por um momento o que aconteceria se ele simplesmente se recusasse a sair e insistisse em continuar sentado ali, at o dia primeiro de setembro, quando o trem o levaria de volta a Hogwarts. Quando o veculo soltou sua baforada final e parou, porm, ele baixou a gaiola de Edwig e se preparou para arrastar o malo para fora do trem, como de costume.
Quando o inspetor de bilhetes fez sinal para Harry, Ron e Hermione que era seguro atravessar a barreira mgica entre as plataformas nove e dez, porm, ele encontrou uma surpresa  sua espera: do outro lado estava parado ali um grupo de pessoas que ele jamais imaginara encontrar. 

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Entre eles, Olho-Tonto Moody, parecendo to sinistro de chapu-coco puxado sobre o olho mgico quanto pareceria sem ele, as mos nodosas segurando um longo basto, o corpo envolto em uma volumosa capa de viagem. Tonks vinha logo atrs dele, seus cabelos de um rosa chicle de bola berrante refulgindo  luz do sol que se filtrava pela cobertura de vidro sujo da estao, usando uma jeans cheia de remendos e uma camiseta roxo vibrante com os dizeres As Esquisitonas. Ao lado de Tonks estava Lupin, seu rosto plido, os cabelos grisalhos, um longo casaco pudo sobre cala e suter velhos.  frente do grupo, o Sr. e a Sra. Weasley, vestidos com roupas domingueiras de Muggles, e Fred e George usando jaquetas novas de um tecido verde e escamoso de causar espanto.
 - Ron, Giny! - chamou a Sra. Weasley, correndo para apertar os filhos nos braos. - Ah, e Harry querido... como vai voc?
 - timo - mentiu Harry, quando ela o puxou para um abrao tambm. Por cima do ombro da bruxa, ele viu Ron de olhos arregalados para as roupas novas dos gmeos.
 - De que tecido eles so feitos? - perguntou ele, apontando para os bluses.
 - Da mais fina pele de drago, maninho - disse Fred, dando uma puxadinha no zper. - Os negcios esto prosperando e achamos que podamos nos dar um trato.
 - Ol, Harry - disse Lupin, quando a Sra. Weasley o largou e se virou para cumprimentar Hermione.
 - Oi - disse Harry. - Eu no esperava... que  que vocs todos esto fazendo aqui?
 - Bom - disse Lupin com um leve sorriso - achamos que talvez pudssemos dar uma palavrinha com seus tios antes de permitir que eles o levassem para casa.
 - No sei se  uma boa idia - disse Harry na mesma hora.
 - Ah, eu acho que  - rosnou Moody, que se aproximara mais, sempre mancando. - So eles ali, no, Potter?
O bruxo apontou com o polegar por cima do ombro; seu olho mgico evidentemente os espiava pela nuca e pelo chapu-coco. Harry se inclinou uns centmetros para a esquerda e viu para quem OlhoTonto estava apontando e, sem dvida, eram os trs Dursley, que pareciam decididamente aterrados com o comit de recepo de Harry.
 - Ah, Harry! - disse o Sr. Weasley dando as costas aos pais de Hermione, a quem ele acabara de cumprimentar entusiasticamente, e que agora se revezavam para abraar a filha. - Bom... vamos ento?
 - Acho que sim, Arthur - concordou Moody.
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Ele e o Sr. Weasley avanaram pela estao em direo aos Dursley, que aparentemente estavam pregados no cho. Hermione se desembaraou gentilmente da me para acompanhar o grupo.
 - Boa-tarde - disse o Sr. Weasley em tom agradvel ao tio Vernon, parando diante dele. - O senhor talvez se lembre de mim, o meu nome  Arthur Weasley.
Como o Sr. Weasley demolira sozinho a maior parte da sala de estar dos Dursley, h dois anos, Harry teria se admirado muito 
se o tio o tivesse esquecido. De fato, o tio ficou um tom mais escuro de marrom arroxeado e olhou aborrecido para o Sr. Weasley, mas preferiu no dizer nada, em parte, talvez, porque os Dursley estivessem em minoria de dois por um. Tia Petunia parecia ao mesmo tempo assustada e constrangida; no parava de olhar para os lados, como se estivesse aterrorizada que algum a visse em tal companhia. Nesse meio-tempo, Duddley dava a impresso de querer parecer pequeno e insignificante, um feito em que estava tendo um fracasso retumbante.
 - Achamos que gostaramos de dar uma palavrinha com o senhor a respeito de Harry - disse o Sr. Weasley ainda sorrindo.
 -  - rosnou Moody. - A respeito da maneira com que ele  tratado quando est em sua casa.
Os bigodes do tio Vernon pareceram se eriar de indignao. Possivelmente porque o chapu-coco lhe dera a impresso inteiramente equivocada de estar tratando com uma alma afim, ele se dirigiu a Moody.
 - No tenho cincia de que seja de sua conta o que acontece em minha casa...
 - Imagino que tudo de que voc no tem cincia poderia encher vrios livros, Dursley - rosnou Moody
 - Em todo o caso, isto no est em questo - interps Tonks, cujos cabelos cor-de-rosa pareciam agredir tia Petunia mais do que todo o resto junto, pois ela preferiu fechar os olhos a encarar a moa.
 - A questo  que achamos que vocs tm sido abominveis com o Harry...
 - E no se enganem, saberemos o que fizerem - acrescentou Lupin em tom agradvel.
 - Verdade - disse o Sr. Weasley. - Mesmo que no deixem Harry usar ofelitone.
 - Telefone - sussurrou Hermione.
 - E, se tivermos a menor suspeita de que Harry foi maltratado de alguma forma, vocs tero de se ver conosco - disse Moody.
Tio Vernon inchou agourentamente. Sua indignao pareceu ultrapassar at o seu medo de um bando de excntricos.
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 - O senhor est me ameaando? - disse em voz to alta que alguns transeuntes chegaram a parar para olhar.
 - Estou - confirmou Olho-Tonto, que parecia muito satisfeito de que tio Vernon tivesse entendido to rapidamente.
 - E eu pareo o tipo de homem que se deixa intimidar? - vociferou ele.
 - Bom... - disse Moody, afastando o chapu-coco da testa para mostrar o olho mgico que girava sinistramente. Tio Vernon saltou para trs horrorizado e colidiu dolorosamente com um carrinho de bagagem. - Eu teria de dizer que sim, Dursley.
Deu as costas ao tio Vernon para examinar Harry.
 - Ento, Potter... d um grito se precisar de ns. Se no soubermos notcias suas trs dias seguidos, mandaremos algum...
Tia Petunia choramingou lastimavelmente. No poderia estar mais claro que estava pensando no que os vizinhos diriam se avistassem alguma dessas pessoas entrando pelo seu jardim.
 - Tchau, ento, Potter - disse Moody, segurando com a mo nodosa o ombro de Harry por um momento.
 - Cuide-se, Harry - disse Lupin em voz baixa. - Mande notcias.
 - Harry, tiraremos voc de l assim que pudermos - sussurrou a Sra. Weasley, abraando-o mais uma vez.
 - Veremos voc em breve, cara - disse Ron ansioso, apertando a mo de Harry.
 - Muito breve, Harry - disse Hermione, sria. - Prometemos.
Harry sacudiu a cabea. Por alguma razo no conseguia encontrar palavras para dizer o que significava para ele v-los ali enfileirados, ao seu lado. Em lugar de falar, sorriu, ergueu a mo num gesto de despedida, virou-se e saiu da estao para a rua ensolarada, com tio Vernon, tia Petunia e Duddley andando depressa para acompanh-lo.
FIM
Este livro foi digitalizado e corrigido por M. Regina M. de Carvalho e Silva, em agosto/setembro de 2004
